Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Arcadismo - Página 6  Voltar

Arcadismo

Arcadismo

O Arcadismo, Setecentismo (anos 1700) ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a segunda metade do séc. XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.

No início mostrava o barroquismo literário em plena decadência.

Uma literatura empolada, de louvação e encômios, em linguagens exageradamente metafórica, arrevesa e sentenciosa, praticada à sombra das academias. Mas, com declínio da aristocracia e com ascensão da burguesia, sente-se a tendência para uma renovação do gosto literário e do credo estético, com o esgotamento da literatura cortês do barroco. Desenvolve-se uma reação contra o barroquismo do seiscentos, expressa num amplo movimento de restauração classicizante, em que o espírito clássico ressurge sob a forma de neoclassicismo.

O Arcadismo

No séc. XVIII, as formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-reforma, nega-se a educação jesuíta praticadas nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contraditória é o Neoclassicismo, que objetiva restaurar o equilíbrio por meio da razão.

Dentre as variedades do neoclassicismo, figurou o movimento arcádico. No final do séc. XVII, fixou residência em Roma a jovem ex-rainha Cristina da Suécia, que renunciara ao trono e ao luteranismo, convertendo-se ao catolicismo. Inteligente e culta, desde a Suécia habituara-se a cercar-se de sábios e artistas, para discussão e leitura de trabalhos literários. Em Roma, atraiu para essas reuniões a fina flor da inteligência local, formando um cenáculo intelectual que, após sua morte, se transformaria na Arcádia (1690). Nasceu , assim, com regulamentos e programas, a nova academia, composta de 16 membros. Tinha o objetivo de reconduzir à fonte da natureza, à simplicidade de sentimento e de estilo, a poesia e, em geral, a literatura, que, na opinião dos seus componentes, estavam desviadas pelos cattivo gusto, herança do seiscentismo. O nome de Arcádia era dado na Grécia antiga à região do Peloponeso, morada do deus Pan, e onde a tradição imaginava residirem todos os pastores com seus míticos e plácidos costumes, em contato com a natureza, onde residiam a beleza, pureza e espiritualidade. Procuravam adoçar a dureza do viver mercê de uma disposição para o canto e a dança, as canções de amor e as pugnas poéticas, caracterizadas pela espontaneidade e simplicidade. Segundo Toffanin, era a pátria da antiga poesia pastoral. Por isso, o nome foi transferido para a academia italiana, acrescentando-se ainda a particular ressonância obtida pelo romance pastoral de Jacopo Sannazareo (1458-1530), intitulado Arcádia (1504). Os membros da nova Arcádia chamavam-se “pastores”, cada um adotando um nome pastoril, grego ou latino, sendo o presidente eleito e designado “guardião geral”.

As reuniões eram realizadas em parques e jardins. No combate ao estilo empolado do Barroco decadente, com sua retórica artificial e suas sutilezas conceptistas, visava o arcadismo ou movimento arcádico retornar à simplicidade, equilíbrio, naturalidade e clareza dos modelos clássicos, restabelecendo a poética antiga, a forma clássica, o buono stile, a naturalezza Del dire, na linha da liberdade e simplicidade anacreôntica e pindárica, ou de conformidade com o petrarquismo quinhentista, cantando o amor, a natureza, a vida simples e bucólica. Do ponto de vista formal, a simples e idílica alma lírica setecentista encontrou no verso solto, nas odes e elegias o instrumento ideal. Criou assim um novo estilo individual e de época, englobando-se no rococó literário.

Além do seu caráter democrático, a Arcádia teve uma tendência supernacional. O movimento de reforma literária e lingüística irradiou-se em filiais pelos diversos reinos e cidades da Itália e em numerosos países estrangeiros, que se denominaram “colônias”.

Da Itália, o movimento arcádico passou a Portugal e ao Brasil. Empenhando que estava Portugal, no séc. XVIII, numa reação anti-castelhana, inclusive como reação paralela a restauração da independência, o movimento arcádico encontrou boa acolhida. As academias do século anterior foram-se transformando em corporações, do tipo ora arcádico, ora científico. De qualquer modo, no sentido da tradição clássica e também abrindo-se à influência francesa, que invadia o século.

Em Portugal, o arcadismo instalou-se com a Arcádia Lusitana (1756-1774), reunindo escritores de renome: Antônio Dinis da Cruz e Silva, Gomes de Carvalho, Manoel de Figueiredo, Cândido Lusitano, Domingos dos Reis Quita, Correia Garção, José Caetano de Mesquita. Houve, ainda, a nova Arcádia, no final do século XVIII, de que foram membros Bocage e José Agostinho de Macedo.

Com o arcadismo desenvolve-se no Brasil a primeira produção literária adaptada à realidade nacional. As obras começam a se afastar dos modelos portugueses ao descrever as paisagens locais e criticar a situação política do país.

Surgem vários poetas em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG) – capital cultural e centro de riqueza na época –, grande parte deles ligada à Inconfidência Mineira. Os árcades constituem a primeira geração de escritores brasileiros.

A transição do barroco para o arcadismo no país dá-se em 1768, com a publicação do livro Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. Entre os árcades destacam-se, ainda, Tomás Antônio

Gonzaga, autor de Marília de Dirceu; Basílio da Gama (1741-1795), de O Uraguai; e Silva Alvarenga (1749-1814), de Glaura. Apesar do engajamento pessoal, a produção desses autores não está a
serviço da política.

Características

Urbem (fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades fugere defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distantes dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompem os costumes do homens, que nasce naturalmente bom.

Aurea mediocritas (vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais): outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e infeliz na cidade.

Ideas iluministas: como expressão artística da burguesia, o Arcadismo veicula também certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, ideais do iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o absolutismo. Embora não sejam a preocupação central da maioria dos poetas árcades.

Idéias de liberdade, justiça e igualdade social estão presentes em apens alguns textos da época.

Convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais;não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa seu amor pr uma pastora e a convida para aproveitar a vida juntos à natureza.

Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos, levando o poeta a racionaliza.

Ou seja, o que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. Além disso mantém-se o distanciamento entre os amantes, que já se verifica na poesia clássica.

Conclusão

O Arcadismo em si, era formado por ideais renascentistas, da Antigüidade Clássica, pois o Barroco já havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade.

Por emitir também princípios ideológicos iluministas, o arcadismo fez com que a burguesia crescesse e tomasse o poder sobre a nobreza.

Esse período foi marcado pela visão científica e pelo racionalismo, porque defendia uma literatura mais simples, objetiva, descritiva e espontânea, que se supõe à emoção, à religiosidade e ao exagero do Barroco.

Tal gênero predominou até o início do século XIX, quando surge o Romantismo.

Fonte: www.grupoescolar.com

Arcadismo

Inconfidência Mineira
Inconfidência Mineira, primeiro movimento nacionalista

Cerimônia, no Congresso Americano
Cerimônia, no Congresso Americano, para apresentação da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Essa carta inspirou o movimento da Inconfidência Mineira.

Na Inglaterra e na França, surge, em meados do século XVIII, uma burguesia que passa a dominar economicamente o estado, por meio do comércio ultramarino e da multiplicação dos estabelecimentos bancários.

A nobreza decai; a Igreja fica desacreditada, por suas polêmicas teológicas.

No século XVIII, houve muitas revoluções e lutas de independência. O Iluminismo europeu transforma esse século no Século das Luzes. O desenvolvimento do capitalismo mercantil prepara o terreno para a Revolução Francesa. A Independência dos EUA se dá em 1776.

Em 1757, Pombal expulsa os jesuítas de Portugal. O ensino, antes entregue nas mãos dos jesuítas, torna-se leigo. Fundam-se escolas nas mãos e academias. Há mudança no campo das artes, da ciência e da filosofia.

No Brasil, o centro econômico se transfere do Nordeste para Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Arcadismo nasceu em oposição aos exageros, os rebuscamento literário do Barroco. Há um retorno a uma literatura simples. Os modelos a seguir são os clássicos grego-latinos. A mitologia pagã é retomada como elemento estético.

Por isso, o Arcadismo é também chamado Neoclassicismo.

O Arcadismo ou Setencentismo se inicia em 1768. Dois fatos marcam o início do Arcadismo no Brasil: a fundação da Arcádia ultramarina e a publicação do livro Obras, de Cláudio Manuel da Costa.

O Arcadismo representa uma volta ao equilíbrio e à simplicidade dos modelos greco-romanos.

O Arcadismo defende uma função social da literatura e se preocupa com sua finalidade moral.

Existem dois momentos distintos no Arcadismo:

Momento Poético

O momento poético nasce de um retorno à natureza, conforme as tradições clássicas. Segundo Jean Jacques Rousseau, filosófico francês, o homem nasce bom; a sociedade o corrompe. Segundo esse filósofo, o homem deveria retornar à natureza pura. Para o árcade, toda a beleza, pureza e espiritualidade está na natureza. Ele procura os temas bucólicos, por isso.

A noção da supremacia do homem natural e a valorização da natureza vão permitir a entrada do Índio e da paisagem brasileira na nossa literatura. Tal tema será aprofundada no Romantismo.

Momento Ideológico

O momento ideológico do Setencentismo está ligado às mudanças político-sociais na Europa, bem como ao novo panorama cultural que se desenvolve em Portugal. Esse momento ficou conhecido como Iluminismo ou Ilustração e prega a doutrina da razão iluminada, das luzes da razão; e acredita que a razão é capaz de conduzir a humanidade ao progresso. Está voltado para a divulgação do saber juntamente com a exaltação da natureza.

O Marquês de Pombal foi um grande divulgador e defensor do Iluminismo em Portugal. O ensino Jesuítico dá lugar a uma escola renovada, progressista, que prepara o homem para ser livre e racional. Tais valores atingem o Brasil e a sua literatura. A cultura portuguesa vai abandonando a influência da Espanha, e recebe as idéias culturais e literárias da França, Itália, Inglaterra e Alemanha.

O sentimento nativista, nacionalista do Arcadismo está evidente no movimento político da Inconfidência Mineira.

A Escola Arcádia é também chamada de Escola Mineira, pois os poetas radicados em Minas Gerais são os maiores cultores desse estilo no Brasil.

O Ciclo da Mineração (ou Ciclo do Ouro) está ligado à Escola Arcádica, como um momento de nossa economia.

No Arcadismo, a luta do burguês culto a aristocracia se baseia na busca da natureza, de uma forma de vida simples, natural, bucólica, pastoril. Nada de centros urbanos monárquicos. Na verdade, essa luta ficava apenas no campo das idéias. Todos viviam na cidade. Essa busca da natureza, traduzida nas manifestações literárias, significava apenas um estado de espírito, um fingimento poético, uma postura política.

O Arcadismo observa duas teorias clássicas do poeta romano Horário:

Fugere urbem ( = fugir da cidade): valorização da natureza.

Carpe diem (goza o dia, aproveita a ocasião): preocupação em aproveitar, ao máximo, os momentos presentes, pois o tempo corre.

E observa também este outro preceito: “Inutilia truncat”: fora as inutilidades, os exageros, a linguagemm rebuscada.

Fonte: members.fortunecity.com

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal