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Argélia

Apesar da Argélia atravessar por uma difícil situação, com períodos de inestabilidade e de seguridade para os viajantes, não deixa de ser um país luminoso, com belas praias no Mediterrâneo, planaltos impressionantes, maravilhosos oasis e uma Patrimônio Universal, declarado pela UNESCO, como único. Seu deserto é uma chamada à aventura, suas cidades um reclamo de cor e costumes e os habitantes nobres e pacíficos, o melhor do país.

Localização Geográfica

A República Argelina Democrática e Popular, nome oficial, ocupa um área de 2.381.741 quilómetros quadrados, habitada por 27.325.000 personas. Limita com Túnez e Líbia ao leste, Nigéria e Mali ao sul, Mauritânia e Marrócos a oeste e ao norte com o Mar Mediterrâneo.

Em extensão Argélia é o segundo maior país da África, depois de Sudão, e o maior do Magreb. A maior parte do país a ocupa o Deserto do Sahara, o resto, ao norte, completa a Região do Tell.

Argélia pode dividir-se em quatro zonas: as cadeias costeiras do Tell, os planaltos, o Atlas Sahariano e a Região Desértica do Sahara, esta última encontra-se ao sul do Atlas Sahariano com o Gran Erg Oriental e Ocidental.

Políticamente o país está dividido em 48 Wilayas. A capital do país é Argél com uma população aproximada de 3,5 milhões de habitantes.

Argélia possui muito poucos rios e se encontram no norte, sendo a maioria deles sazonais.

O clima está determinado pelos acidentes geográficos: Mediterrâneo no norte com médias de 32 graus centígrados em verão, em cambio o inverno é suave e úmido nesta zona. Ao sul o clima é desértico com uma temperatura média em verão de 45 graus e em inverno, durante o dia, a média é de 25 graus.

Na zona sahariana há grandes diferenças de temperatura entre o dia e a noite: pela noite as temperaturas costumam baixar por abaixo dos zero graus centígrados.

Flora e Fauna

A paisagem vai variando amedida que se vai de norte ao sul: no norte são típicamente mediterráneas tanto a flora como a fauna. Um pouco mais ao sul se faz estepário até chegar ao deserto. Na parte ocidental do Tellou Atlas Menor, pois o clima é mais seco, a vegetação é escasa; em cambio, no leste, a maior umidade faz que se desenvolva uma considerável masa florestal. Entre as árvores mais freqüentes se encontram a encina, o alcornoque, o cedro e o cravalho caduco. Na zona mediterrânea se podem ver oliveiras, figueras, amèndoas, palma datileira, laranja, entre os arbustos, a uva. O enebro e o pinus de Alepo se acham nas montanhas.

Devido ao terreno tão estepário dos Planaltos, aqui só cresce o esparto e algumas plantas halófilas da bacia interior. No Atlas sahariano há árvores nas montanhas e palmeras plantadas nos oasis; no resto matorrais que soportam a grande seca.

Quanto à fauna o Atlas ocidental é o que tem maior variedade de animais: ao norte a hiena e a pantera. Há em Argélia, ademais, chacais, javalis, antílopes, cabras montesas e uma só variedade de macaco. Os escorpiões e as víboras cornudas são próprios do Sahara.

História

Dados Históricos da Argélia

Pré-historia da Argélia

Os restos humanos mais antigos que foram encontado na Argélia, concretamente em Ternifine, pertencem ao pitecántropo. Trata-se de duas mandíbulas de pitecántropo, achadas em 1954. O Sahara tem sido um lugar de desenvolvimento para numerosas culturas do Neolítico. Durante o século X a.C., procedente de Asia ocidental, chegou uma onda de invasores de pele branca e já no século II ocupavam todo o norte da África. Desta raza, denominada capsiense, se acharam machados de pedra e alguns instrumentos mais sofisticados. Parece ser que deles derivam os beréberes.

A Romanização na Argélia

Os romanos a partir do século I começam a interesar-se pela África, mas é durante o século III quando atinge sua plenitudecom o governo dos Severos. A conquista parte de Túnez, e dai chega a Argélia. A zona que asimiló primero a romanização foi a costa norte; no interior habitam tribos semi-nômades às quais os romanos não têm acesso.

Durante o século IV os beréberes se levantam contra essa "Pax Romana", mas é com os vándalos no ano 429 quando desaparece a presença romana.

O Islam na Argélia

A partir do século VIII e até o XIII, no campo, tem lugar a conquista árabe. As cidades são as primeiras que sofrem a islamização, nas zonas rurais o processo será muito mais lento. Em seguida começa a existir uma disagregação da unidade árabe, em Argélia a dinastía dos Ziries consegue a independência de Bagdag. Durante o século XII o norte da África está ocupado pelos almohades; depois de um breve período se instala em Argélia Aba o Wadides. E já no final do século XVI se converte numa provincia regida por um dey, baixo domínio turco.

A Colonização da Argélia

Em 1830 os franceses ocupam Argélia como base para suas empresas colonialistas. A razão utilizada pelos franceses foi um insulto do bey turco a um cônsul francés; a causa real era a necessidade de um éxito militar. Em 1845, o geral Bugeaud foi proclamado governador geral da Argélia, mas até 1847 o oeste, que estava baixo Abdelkader, não passou a ser dominio francês. Este homem foi a principal figura do movimento nacionalista argelino e está considerado atualmente como um herói nacional.

A dominação completa tevê lugar no ano 1871 com o submetimento dos povos das montanhas da Cabilia, ao leste de Argél. Nas décadas seguintes baixo dominio francés, colonos europeus, principalmente espanhóis, italianos, etc., dominam à população local.

Depois da Segunda Guerra Mundial, De Gaulle oferece a cidadania francesa a alguns mulsumanos, fato que provoca o levantamento de alguns outros. Definitivamente em 1947 todos os mulsumanos têm esta cidadeanía.

Em 1954 se produz a guerra pela independência da Argélia. França praticava uma política represiva e muito conservadora, fato que levanta as iras do "partido do povo". Assim em novembro de 1954 a Frente de Liberação Nacional declara a guerra que finaliza com os Acordos de Evian oito anos mais tarde, declarando-se a independência no 5 de julho de 1962.

A reforma mais radical depois da Independencia tevê lugar em 1987 quando o presidente Benjedid aboliu o organismo central de planificação. Em 1992 o presidente renuncia a seu cargo depois a vitoria inesperada dos fundamentalistas e se constitui um governo dominado pelos militares que em 1994 nomeia um novo presidente.

Internacionalmente tem certo peso pela seu apoio ao Tercero Mundo e aos movimentos de liberação. É um fiel aliado da Frente Polisário.

Arte Cultura

A arte musulmano, embora tenha características comuns, tem em cada zona suas próprias peculiaridades pois asimila elementos dos povos sometidos. Um dos traços comuns é o grande desenvolvimento da arquitetura em detrimento da pintura e escultura. A arquitetura é a manifestação artística por excelencia.

O arco é um dos elementos arquitetônicos mais utilizados; se utilizam vários tipos de arcos, desde o de ferradura até o mixtilíneo, passando pelo arco de meio ponto peraltado. Para as estruturas se utilizam o pilar e a coluna com capiteles corintios. Em geral se utilizam materiais leves, pois é costume a estrutura horizontal mais que a vertical, com o qual não faz falta material pesado.

Como fechamento dos edifícios utilizam-se a cúpulas de diferentes tipos, mas sempre utilizamdo materiais de pouco peso como são o geso e a madeira.

Entre os edifícios mais característicos encontra-se a mesquita. Costumam ser largas e estão precedidas de um patio como porta no que há fuentes onde os fiéis fazem as abluções antes de entrar nela. No kibla (muro) encontra-se o mihrab, que sempre se orienta para o leste, e a seu lado o mimbar, desde onde se lee o Corán. A única estrutura vertical que encontramos é o minarete, desde ali o miacim chama a oração.

Associadas às mesquitas se encontram as medersas, uma construção com patio pórtico ao que dão as distintas dependencias. Os sepulcros, chamados Zavia, são pequenas mesquitas.

Para decoração utilizam elementos geométricos e vegetais como é a folha de acanto que combinada dà conhecida "ataurique".

Se podem distinguir vários períodos em sua evolução: um primeiro Período Omeya que chegaría até o ano 750 do que não ficaram restos. A partir deste ano começa o período abasida com o que acaba o gosto pelo refinamento árabe. O terceiro espaço tevê lugar a partir do ano 1075 com os almorávides cuja obra máxima é a mesquita de Tlemecen, sóbria e austéra. O seguinte período abarca desde 1922 até 1968; se volta um pouco ao segundo período, se substitui a coluna pelo pilar e na decoração se introduzem os lozângos entrelaçados e os laços mozárabes. Finalmente, no final do século XV se inicia o período otomano que se caracteriza pela construção de mesquitas circulares com uma cúpula central e com minarete mais estilizados.

A UNESCO declarou como lugares de Patrimonio Mundial as Ruinas Romanas de Timgad e as de Djemila, o sítio arqueológico de Tipasa, Tassili n´Ajjer, o Valle de M´Zab, a Casbah de Argél e a Kalâa de Beni Hammad.

Gastronomia

A cozinha tradicional é muito semelhante à do resto do Magreb (Túnez e Marruecos). Porém, em cada um destes países se encontram vários pratos típicos. No mundo árabe, o prato nacional é o cuscús, um prato a base de polenta, carne e vegetais (a carne utilizada pode ser cordero ou frango). Costuma-se acompanhar de caldo.

Entre as especialidades Argelinas estão o burek, um folheado rechedo de carne, cebola e ovos fritos; o cordero constitui também um dos pratos típicos na cozinha Argelina, pode-se servir acompanhado de ameixas secas e aromatizado com canela e flores de limão (Lham Liahlou) ou assado inteiro, no espeto (mechoui).

As verduras também entram na gastronomia Argelina: o kemia é um prato a base de tomates, cenouras, feijão vermelho e sardinhas, tudo isso temperado com pimenta; o dolma, prato com tomates e pimentões que varía sua preparação segundo as regiões.

Existe um prato que costuma-se comer pela noite durante o mês do Ramadán, trata-se de uma sopa preparada com verduras como tomates, cebolas, cenouras e abrobrinhas, tudo isso muito picado, e carne de cordero, frango ou vitela. Esta sopa, chorba, se tempera com sal, pimienta, canela e salsa. Pode levar, ademais, grão de bico e pimentões vermelhos.

A cozinha Argelina conta com diferentes tipos de bolinhos que costumam servir-se acompanhados por um chá de hortelã fresca, a bebida mais consumida, que se prepara de distintas formas. Estes bolinhos se preparam com sémola, amêndoas, dátiles ou mel; entre eles se pode citar os makrout, samsa, hrisa, etc.

Bebidas

Quanto às bebidas, além do chá, dispõe de águas minerais, cerveja, sucos e, como não poderia faltar, bom vinho, embora Argélia exporte a maior parte de sua produção. Trata-se de um vino com bastante graduação. Entre os mais apreciados encontra-se o Mascara e o Colheita do Presidente. Vale apontar como curiosidade o licor com pele de cebola.

Compras

O artigo por excelencia em quase todos os países árabes é o tapetes, mas é algo incômodo para transportar. O principal centro de fabricação e venda de tapetes encontra-se em Ghardaia, cidade ao sul de Argél. se preferem objetos de origem tuareg, Tamanrasset, ao sul do país, oferece uma grande variedade de artigos.

Os tuaregs procedentes de toda a Região se sitúan, ao outro lado do rio, num mercado onde expõe seus produtos; a maioria deles foram fabricados para a ocasião. Outro dos centros artesanais é Oued, ao sudeste de Argél.

Ademais dos tapetes se podem adquirir outros objetos de artesanato local como são as rendas enlaçadas com flores de ouro ou prata, cerámica, cestaría, móveis talhados, bandeijas de cobre, as famosas "rosas do deserto", roupa de couro, joalheria de ouro ou prata de Beni Yenni decorada com coral vermelho e instrumentos cotidianos dos tuaregs e beréberes.

Um dos artesanatos mais bonitos pode-se encontrar em Cabilia, ademais das jóias de Beni Yenni são famosas os tapetes de pura lã que tecem as mulheres cabilas.

Algo habitual à hora de comprar é a pechincha, há que estar disposto a isso para conseguir um bom preço. Em alguns lugares inclusive se aceita a troca por objetos que leve o turista como podem ser jeans, tenis, câmaras fotográficas, etc.

As lojas costumam abrir entre as 9 e 12 da manhã e de 14:30 e 19:00 h; as quintas-feiras de 8:30 a 12:00 h pois pela tarde é considerado não útil. Por outro lado, os sábados e os domingos são uteis.

População e Costumes

A maioria da população Argelina se concentra na zona norte do país. A população está formada por árabes, beréberes arabizados e beréberes natos (tuaregs, kabiles e mozabitas). Os árabes, procedentes de invasões históricas, se concentram principalmente nas cidades. Os beréberes formam o grupo mais antigo de população, se dedicam à agricultura e à criação de gado. Os tuaregs praticam, principalmente o pastoreio nômade, enquanto que os negros Harratim, descendentes de antigos escravos dos pastores nômades, se sitúam no oasis do sul.

A sociedade tradicional dos tuaregs tem ido pouco a pouco perdendo suas bases. As mulheres têm um papel mais ativo que as mulheres do mundo islámico. Um traço característico é que não usam o véu. Os homens, em cambio, costumam levar enrolado na cabeça um turbante azul ou branco. Os dois grupos tuareg mais importantes são o de Kel Ahaggar, na Região de Hoggar, e o de Kel Ajjer, na zona de Djanet. Estes grupos albergam diferentes comunidades com algumas diferenças nos costumes e dialétos.

Os kabiles, os berbéres da Argélia, são gente muito acolhedora que se destacam por seu artesanato, principalmente em madeira e no tecido de mantas.

Existe também um pequeno grupo de europeus integrado, sobretudo, por espanhóis e franceses.

Em geral, a população Argelina se caracteriza por seu elevado sentido de hospitalidade; é muito habitual que convidem ao viajante não só para comer, como também a pernoitar em sua casa.

Entretenimento

Na Argélia pode-se fazer de todo. se lhe agrada a aventura nada melhor que explorar o deserto, adentrar-se em suas grandes planícies e reconfortar-se em seus belos oasis. Para fazer este percorrido é imprescindível proteger a cabeça do sol, levar reserva de água e um bom saco de dormir; em alguns casos se deve levar comida.

se preferem as belas praias e enseadas solitárias, também Argélia oferece um amplio litoral onde pode-se aproveitar do sol.

Também o amante da arqueologia e do mundo clássico pode aproveitar com as espléndidas ruínas que estão repartidas pelo país, ademais de apreciar as belas paisagens que as montanhas oferecem.

Outras possibilidades de entretenimento são degustar a comida Argelina nos variados restaurantes e percorrer os policromados mercados pondo em práctica a arte de pechincar.

Festividades

O calendário islámico é onze dias mais curto que o ocidental, por isto as festividades islámicas cada ano se adiantam onze dias. Também são diferentes os anos islámicos pois eles contam a partir da fuga de Mahomé a Medina no ano 622 d.C. Ademais, segundo a posição da lua mudamas datas reais.

Festividades Islámicas

Ras al Sana, dia de Ano Novo; celebra-se o dia 1 de Moharram.

Mulid al Nabi, Aniversário do Profeta Mahomé; o dia 12 de Rabi al Awal.

Ramadán, é o nono mês do calendário musulmano. Durante este mês não pode-se comer, beber, fumar e mantener relações sexuais desde que sai o sol até que se põe. Quando o sol se põe as pessoas se reúnem para comer e beber e inclusive abrem os cafés e restaurantes até bem tarde da noite.

Eid al Fitr, é o fim do Ramadán, o dia 1 de Shawwal. É uma das principais festividades islámicas na que para festejar o fim do jejum se preparam grandes banquetes e se vai à mesquita.

Eid al Adhah, é o momento da Peregrinação à Meca, o quinto preceito do Islam. Abarca desde 10 à 13 de Zuul Hijja. Também celebram os que não se encontram em Meca.

Dias Festivos Oficiais

Ademais destas festividades que têm relação com o calendário islámico, existem outros dias festivos relacionados com pessoas e fatos que participaram de algúm modo na configuração do estado moderno. São dias festivos oficiais o 1º de janeiro (Ano Novo), o 1º de maio (dia do Trabalho), o 19 de Junho (aniversário da derrubada de Ben Bela), o 5 de julho (dia da Independência), 1º de novembro (aniversário da Revolução).

Festivais

Também durante todo o ano se organizam festas que têm a finalidade de atrair ao turismo. Assim, os Festivais da Primavera em Biskra, Djanet, Gharaia e Timimoum durante os meses de março e abril. De março a maio têm lugar o Festival do Tomate, em Adrar; o Festival da Cereja, em Tlemecén; o Festival do Tapete, no Oued; e o Festival do Velho Ksar, no Golea. Em maio celebra-se a Feira Internacional de Argél. E finalmente nos meses de dezembro e janeiro, o Festival Folclórico de Tamanrasset.

Transportes

Avião

Existem nas principais cidades da Argélia aeroportos internacionais, sendo o mais importante o de Argél, Houari Boumediene, situado a 20 quilómetros do centro da cidade. Existe também em Orán, Annaba, Constantina, etc. A eles chegam companhias aéreas de todo o mundo, ademais das linhas nacionais, Air Algérie.

As tarifas dos vôos interiores são bastante acesíveis os aviões são todos modernos. Existe um descuento do 25% para os menores de 22 anos. É recomendável fazer as reservas com bastante antecedência, pois devido às baixas tarifas os argelinos utilizam o avião como um serviço de ônibus, pelo que quase sempre os vôos estão completos.

Trem

As principais cidades do norte estão unidas por uma linha de trem. A rede ferroviária principal se estende paralela à costa entre Túnez e o limite com Marrócos e para a zona norte do Sahara. Os dois entrocamentos ferroviários mais importantes são Argél e Constantina. Não há nenhum tipo de reserva de lugar.

Carro

se se entra com carro próprio é necessário levar um seguro obrigatório que se obtém no porto franco ou na fronteira. Existem diferentes tipos dependendo dos dias de duração. Por outra parte, a gasolina é barata em relação com os países vizinhos; se recomenda utilizar diesel, pois é muito mais fácil de encontrar. Para viajar ao deserto se deve utilizar os veículos todo terreno, ademais de ir muito bem equipado.

O sistema de aluguel é muito raro, difícilmente se encontram carros para alugar e, se se acha, é muito caro.

Ônibus

Existe uma rede bastante desenvolvida da companhía nacional de ônibus SNTV, que une as distintas cidades. As cidades mais importantes têm um terminal de ônibus, as demais cidades contan, ao menos, com agências onde se pode fazer uma reserva e pegar o ônibus. É o meio de transporte mais simples da Argélia. O serviço é rápido e cômodo onde as estradas se encontram em bom estado. Para estradas em pior estado há ônibus todo terreno que penetram nos lugares mais chamativos da Argélia. Se recomenda fazer reserva de lugar, principalmente em verão com 24 horas de antecência.

Carona

É um meio de transporte muito habitual e que está permitido em Argélia. Se pode cruzar Argélia intera em carona gratis. O normal é faê-lo fora das cidades, pois dentro delas quase todo o tráfico é local. Porém, dadas as condições atuais de inseguridade e risco, o melhor é quase por obrigação, é evitar.

Transporte Urbano

Na capital, Argél, está bem organizado e em todos os lugares importantes se podem encontrar mapas com os roteiros. Ademais, nas grandes cidades há serviço de taxi cujo preço convém fixar de ante mão, pois, embora alguns dispõem de taxímetro, a maioria não o tem.

Fonte: www.rumbo.com.br

Argélia

Denominação oficial: República Democrática e Popular da Argélia

Sistema político: República

Superfície: 2.381.741 Km2, A Argélia é o 2º maior país da África e o 10º maior do mundo

População: - 31 milhões de habitantes, dos quais 3,7 milhões em Argel

A taxa de crescimento demográfico é de 1,7%

70% da população tem menos de 30 anos

A esperança de vida é de 71 anos

Capital: Argel

Principais cidades: Oran, Annaba, Constantine, Existem 30 cidades com mais de 100.000 habitantes

Religião: Islão

Línguas oficiais: Árabe e Tamazigh

Festa Nacional: 1 de Novembro, guerra de libertação nacional foi desencadeada a 1 de Novembro de 1954

Festa da Independência: 5 de Julho (também Festa da Juventude),A Argélia consegue a independência a 5 de Julho de 1962, após uma guerra que dura cerca de oito anos durante a qual 1,5 milhões de pessoas morreram no campo de batalha.

Moeda: Dinar argelino (DA), subdividido em 100 cêntimos

1 dólar americano = 74,33 DA

PIB por habitante: 1.760 dólares americanos

Taxa de escolarização: 97%, A escolaridade é obrigatória e gratuita dos 6 aos 16 anos.

A educação e a formação ocupam o primeiro lugar da despesa do Estado.

Existem 40 universidades e 700.000 estudantes

Presidente da República

Abdelaziz Bouteflika, eleito a 5 de Abril de 1999

O número de mandatos presidenciais consecutivos é de apenas dois.

Segundo a Constituição de 1996, o Presidente da República é eleito por sufrágio universal com um mandato de 5 anos podendo ser reeleito.

Chefe do Governo

Ahmed Ouyahia, nomeado a 9 de Maio de 2003

O Chefe do Governo é nomeado pelo Presidente da República

O Parlamento é composto por duas Câmaras
A Assembleia Popular Nacional possui 350 deputados eleitos por sufrágio universal por 5 anos

O Conselho da Nação possui 144 membros, sendo um terço designado pelo Presidente da República e o restante eleito localmente à razão de dois por Wilaya (província)

Partidos políticos representados no Parlamento:

Rassemblement National Démocratique – RND

Front de Libération National – FLN (Frente de Libertação Nacional)

Harrakat Moudjtamaâ – MSP

Mouvement Ennahda

Front des Forces Socialistes – FSS (Frente das Forças Socialistas)

Rassemblement pour la Culture e la Démocratie – RCD

Parti des Travailleurs – PT (Partido dos Trabalhadores)

Divisão administrativa: A Argélia está dividida em 48 wilayate (províncias), 160 daïrate e 1541 assembleias populares comunais (freguesias)

Relações Internacionais: A Argélia é membro da ONU e das suas organizações (FAO, OACI, FMI, UIT, UNESCO, ONUDI, UPU, OMS...), da OUA, Liga dos Estados Árabes, UMA, OCI, OPEP, OPAEP, Movimento dos Não Alinhados, Grupo dos 77 e G 15.

Dias úteis: De Sábado a Quinta-feira. De Domingo a Quinta-feira para os bancos

Feriados religiosas: Aid El Fitr, Aid El Adha, Awal Moharam,Achoura, Mawlid Enabaoui

Outros Feriados: Ano Novo, Festa do Trabalhador (1 de Maio), Aniversário do 19 de Junho, Festa da Independência (5 de Julho), Festa Nacional (1 de Novembro)

Hora legal: GMT + 1 (todo o ano)

Principais indicadores econômicos

Terras agrícolas: 20% da superfície total do país, cerca de 50 milhões de ha

Principais culturas: Cereais, produtos hortícolas, tâmaras, arboricultura

Recursos naturais: Gás natural, petróleo, zinco, fosfatos, ferro, ouro, diamantes, urânio, tungsténio caulino, chumbo

Produção de petróleo bruto: 38,4 Milhões de toneladas, reservas recuperáveis em 2001, mais de 10 mil milhões de barris

Produção de gás: Reservas recuperáveis, mais de 3.200 mil milhões de m3, 5º produtor mundial, 3º exportador mundial

Exportações: 19,13 mil milhões de dólares americanos em 2001 Hidrocarbonetos (95% das receitas de exportação), fosfatos, ferro, chumbo, cortiça, couros, frutas (principalmente tâmaras), vinho

Importações: 9,89 mil milhões de dólares americanos em 2001 Equipamentos industriais, produtos agro-alimentares, produtos farmacêuticos e químicos

Principais parceiros econômicos

Europa: França, Itália, Espanha, Alemanha, Turquia

América do Norte: Estados Unidos, Canadá

Ásia: Japão

População

31 milhões de habitantes (até final de 2002).

A maior parte da população está concentrada no Norte do país, ao longo da costa.

A população triplicou entre 1962 e 1999.

A taxa de crescimento demográfico que era uma das mais elevadas do mundo, 3,4%, baixou consideravelmente para 1,7%, no final de 2002.

Nota-se um aumento considerável da idade média do casamento: 25 anos para as mulheres, 30 anos para os homens e uma diminuição sensível da taxa de fecundidade.

Esperança de vida: 71 anos.

Cobertura médica: 1 médico para 1100 habitantes

Número de lares: 4,5 milhões

Assistência médica: 175 hospitais, 450 policlínicas, 1250 centros de saúde

Apesar da maioria dos Argelinos ser proprietário da sua casa (mais de 70%), a taxa de ocupação é muito elevada: 7 pessoas por habitação.

Desde há cinco anos, que são construídas anualmente 150 000 habitações.

Infra-estruturas e equipamentos

Eletricidade e gás

Com uma produção de cerca de 6.000 megawatts, a cobertura eléctrica do país é de 95%, uma taxa comparável a alguns países da OCDE. Mais de 4,5 milhões de lares, ou seja, quase a totalidade, possuem energia eléctrica distribuída pela Sonelgaz, através de uma rede de 180.000 km.

Mais de 35% dos lares beneficiam do fornecimento direto de gás natural.

Está em curso um programa de gaseificação para o fornecimento de 70% dos lares até 2005 e a totalidade até 2010.

Rede de auto-estradas

Existem apenas alguns quilómetros de auto-estradas, enquanto a rede rodoviária regista a maior densidade de África: 100 500 Km.

O Estado está a construir atualmente a auto-estrada Este-Oeste com mais de 1.200 km.

Rede ferroviária

4.850 Km com uma ínfima parte eletrificada

Transporte aéreo

35 aeroportos, dos quais 11 sujeitos às normas internacionais.

A rede aérea doméstica é muito desenvolvida, com 2 milhões de pessoas transportadas em 1999.

Principais portos marítimos

Argel, Oran, Annaba, Béjaïa e Djendjen que totalizam 75% do tráfego.

Terminais para exportação dos hidrocarbonetos: Argel, Annaba, Oran, Arzew, Skikda, Béjaïa

Gasodutos e oleodutos

13.000 Km - 3 gasodutos (os únicos gasodutos intercontinentais no mundo) que ligam a Argélia à Europa: dois à Itália e o terceiro à Espanha e Portugal.

Automóveis e transportes rodoviários

O parque automóvel regista cerca de 2 milhões de veículos, dos quais 400.000 são utilitários. No final de 1999, foram importados 100.000 veículos, sendo 90% novos e 10% em segunda mão com menos de 3 anos (70% veículos de turismo e 30% veículos utilitários).

Telecomunicações

Com uma rede de cerca de 2 milhões de telefones fixos, dos quais 30% dos contratos pertencem à administração, comércio, serviços e empresas, a taxa de ligação dos lares continua muito baixa, com menos de 30%.

Telemóveis

A sua implementação continua fraca, com menos de 100.000 aparelhos, mas está a desenvolver-se muito rapidamente com a concessão da rede GSM a operadores privados nacionais e internacionais. Estima-se que a médio prazo (2 a 3 anos), existam cerca de 2 milhões de aparelhos GSM. No início de 2005, a Argélia contará com uma rede de telecomunicações de cerca de 4 milhões de linhas. O telefone numérico para a rede fixa deverá estar totalmente instalado brevemente e a cablagem para fibras ópticas, já amplamente iniciada, deverá continuar a sua expansão.

Apesar da rede fixa cobrir a totalidade do território, sofre contrariedades ligadas ao número insuficiente de estações de comutação e de linhas disponíveis.

Prevê-se que a liberalização progressiva deste setor, iniciada pelo Governo e aprovada pelo Parlamento, conduza a um forte crescimento.

Rede informática

Estima-se que existam cerca de 500.000 computadores. O acesso à Internet sofre com os problemas existentes nas redes de telefone fixa e móvel. No entanto, regista-se, desde há alguns anos, uma pequena subida do número de internautas que é de 100.000. Este número deverá triplicar nos próximos anos.

Comunicação social

Com cerca de trinta jornais diários e mais de 150 publicações semanais ou mensais, a comunicação social argelina é muito diversificada. A imprensa privada é predominante na imprensa escrita. A tiragem da imprensa diária é de 1,2 milhões de exemplares. O jornal com maiores tiragens é o El-Khabar, com 400.000 tiragens diárias.

A Argélia Hoje

A Argélia ocupa uma posição central no Magrebe, em África e no Mediterrâneo, quer pelas suas características geográficas e econômicas quer pelas suas constantes sociais e culturais.

É assim que ela se encontra na encruzilhada das mais poderosas e variadas correntes civilizacionais que modelaram a história de um dos países mais prestigiosos do mundo.

O contributo dinâmico que a Argélia deu ao progresso das nações vizinhas, deve-se tanto à vontade dos seus homens de o fazer perdurar para sempre, terra de liberdade, como às dimensões e traços particulares da sua morfologia, à disposição original do seu relevo, à situação diversificada dos seus recursos.

Caleidoscópio de riquezas contrastadas, é assim que a Argélia se apresenta, atravessada por maciços e altos planaltos, por planícies estreitas e imensas zonas desérticas e banhada, numa extensão de 1200 Km, pelo Mediterrâneo que rebenta na costa abrupta e pouco acessível.

Os geógrafos descrevem-na como um pentágono alongado, de direcção meridional cobrindo uma superfície de 2.381.741 Km2, dos quais 2.000.000, são ocupados pelo Sahara, esse quadrilátero que constitui uma parte importante de um deserto que se estende até à Península arábica.

Esta superfície onde as distâncias entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste, variam entre 1.500 a 2.000 Km, é , depois do Sudão, o mais vasto país africano e árabe, limitado a Este pela Tunísia e a Líbia, e a Oeste por Marrocos, a Sudoeste pela Mauritânia e a República Árabe Sahraouie e a Sul pelo Mali e pelo Niger.

O seu território, que se estende entre os 18º e os 38º de latitude Norte, e entre os 9º de longitude Oeste e os 12º de longitude Este (o meridiano internacional 0º Greenwich passa perto de Mostaganem), está colado num molde, de relevo muito típico, dividido entre o Norte em grande parte mediterrânico dominado pelo Atlas Tellien, e um Sul desértico ladeado pelo Atlas do Sahara.

O NORTE, UM PAÍS DE TERRAS ALTAS

O Norte da Argélia, que agrupa o Tell e as zonas de estepes, maior em latitude (1.000 Km) que em longitude, é um país de terras altas onde a altitude média é de 900 m : as altas planícies enquadradas pelas cadeias montanhosas dos dois Atlas diminuem de Oeste para Este de 1.000 para 600 m, enquanto que os pontos elevados dos maciços culminam nos Aurés com 2.328 m no Monte Chélia e em Djurdjura com 2.308 m no Monte Lalla Khadidja.

Encontramo-nos assim na presença de quatro conjuntos alinhados paralelamente

O primeiro conjunto compreende os maciços de Dahra, de Djurdjura e de Edough que se estendem de Oeste a Leste e enquadram as planícies de Oran, de Mitidja, de Annaba e de Skikda.

O segundo conjunto engloba os montes Tlemcen, Beni-Chougrane, Ouarsenis, Bibans, Babors e o maciço de Collo, que se estendem igualmente de Este a Oeste sobre a mesma linha.

O terceiro conjunto situa-se entre os dois Atlas com as Altas planícies de Constantine a Este e os grandes espaços de estepes de Sul a Oeste.

O quarto conjunto é constituído pelo Atlas do Sahara e do deserto.

O SUL, UM DESERTO DOMINADO PELO HOGGAR

Três linhas principais caracterizam o relevo do Sahara:

A primeira traça a vasta trama dos planaltos de lajes chamadas hamadas com Guir e Drãa.

A segunda desenha três grandes bacias rodeadas de dunas, o Erg oriental, o Erg ocidental e o Erg Chech.

A terceira é marcada pelo imponente relevo de Hoggar com o cume mais elevado da Argélia com o Tahat a 3003 m de altitude.

Com efeito existem dois Saharas:

Um Sahara no Noroeste, com as cadeias plissadas do Atlas, e um Sahara do Sudeste, com o escudo de Hoggar e o Tassili dos Ajjers. Entre os dois, uma diagonal Sudoeste-Nordeste com o Reg de Tanezrouft, o planalto de Tadmait e o Chott Melghir.

A paisagem sahariana organiza-se à volta:

do Reg, que é uma vasta extensão de rochedos

do Erg, que é uma larga extensão de areia (1/5 do Sahara)

do Hammada, que é uma grande superfície de calcários

da montanha, de origem cristalina ou de formação vulcânica

das sebkhas, ou bacias fechadas à volta das quais se desenvolvem as culturas

História

A Permanência da Nação na História

Para compreender as grandes escolhas da sociedade e as orientações ideológicas da Argélia contemporânea, para reconstruir a trama essencial da unidade e a permanência da nação argelina, o recurso às referências históricas é obrigatório, tão grande é a importância da História não só como instância determinante no desenvolvimento civilizacional do país, mas também como explicação genética, base e componente da personalidade nacional.

Como explicar, entre outros exemplos, a indefectível ligação do povo argelino à liberdade e à independência no seu combate contra a colonização francesa, se não a associarmos numa continuidade intransgressível através dos séculos, a resistência dos homens desta terra a todas as formas de imperialismo?

Como explicar a natureza política e o conteúdo social da Revolução de 1 de Novembro e as perspectivas que se abriram após a independência, se não associarmos esta análise ao exame da formação social que permaneceu antes de 1830 e das constantes socioculturais que 132 anos de colonialismo não puderam transformar?

Como explicar a vocação magrebina fundamental da Argélia de hoje, sem que se refira os grandes projetos dos Estados que se sucederam no Magrebe central para reunir os povos da região na luta pelo mesmo destino?

Qualquer tentativa objetiva visando apurar a verdade histórica a propósito do que foi a do que se tornou a Argélia, deverá ter em conta estes exemplos demonstrativos

A Argélia na Pré-História

Há 500.000 anos, a Argélia era povoada pelos primeiros homens de tipo atlantropo. No primeiro milénio antes da era cristã, as populações organizaram-se em tribos que exploraram, de uma forma comunitária, as terras e os percursos, formando principados dirigidos por um Aguellid, chefe militar e político, prefiguração da direcção unificada do Estado. É desta época que data a fundação dos primeiros postos comerciais fenícios. As tribos mais conhecidas que povoavam o Magrebe eram os Númidas, os Maures, os Libyques e os Garamantes. Estas tribos iriam evoluir rapidamente após a fundação de Cartago, a entrada de Roma no Magrebe e os ataques hegemônicos que se produziram entre estas duas potências.

O Estado Númida

Enquanto as três guerras púnicas opunham Cartago a Roma, para conquistar as posições imperialistas estratégicas no continente africano, o primeiro Estado argelino formou-se nos séculos III e II antes da era cristã, sob o reinado de Syphax, e mais tarde, de Massinissa, chefes da cavalaria númida e aguellids respectivamente dos Masaesyles e dos Massyles, tendo como capital Siga e depois Cirta, centro econômico próspero e poderoso. Sob o reinado de Massinissa, o Estado argelino desenvolve a agricultura fixando as populações nômadas, funda cidades, organiza uma administração eficaz, cria um exército fortemente equipado e dá um incremento sem precedentes às artes e à cultura, assimilando os contributos púnicos e helénicos que soube integrar e transformar.

O Expansionismo Romano e a Resistência do Estado Númida

A queda de Cartago, no ano 146 antes de Cristo, abre caminho para o expansionismo de Roma que não tolera a existência de um Estado forte, independente e unido, tal como o deixou o grande criador de impérios Massinissa à data da sua morte em 148 A.C. A desintegração do território númida, devido à partilha do reino entre os sucessores rivais, facilita os objetivos de Roma que lança as suas legiões em 11 A.C. contra a Númidia. A resistência de Jughurta dura longos anos, afastando por meio da táctica da guerrilha as forças do ocupante, obrigando estes últimos a utilizar expedientes. O Chefe de Estado númida foi finalmente assassinado em Roma em 104 A.C. após ter sido capturado e preso em Tullianum.

Estava aberto o caminho para a anexação da Númidia que se concretizou no ano 25 A.C. Mas as insurreições que marcaram este período nunca cessaram.Conheceram o seu apogeu com a insurreição dirigida por tacfarinas (17 D.C.), apoiadas por uma resistência cultural cujo cisma donatista era era à época forte. As revoltas de Gildon, dos Circoncellions e dos Firmus acabaram por, como muitas outras no século IV, precipitar o processo de decomposição do Império Romano. Por estas razões, a ocupação não teve nenhuma repercussão nos cinco séculos seguintes, durante os quais ela tentou em vão por todos os meios, instaurar a romanização forçada da Númidia pois, na altura em que os Vandales de Genséric ocupam Hippone em 430, Roma que apenas consegue penetrar no território a 150 km da costa, não está em condições de fazer um balanço positivo da sua longa presença no país.

O prosseguimento dos acontecimentos levará ao falhanço da política de romanização, provocada pela fidelidade secular do povo aos seus princípios ideológicos e aos seus valores religiosos e sociais autênticos. O intermediário bizantino de Justiniano, cujo império será brevemente desintegrado, não poderá salvar nada da desconfiguração romana e após capturado os Vandales em 534, submeteu-se ao Islão, tendo levado aos habitantes de Númidia uma mensagem religiosa, política e social revolucionária fundamentalmente nova em relação aos que a precederam.

O Advento do Islão

A penetração do Islão começou em 647 e desenvolve-se com Okba Ibn Nafaâ, que funda Kairouan em 670 e chega até às margens do Atlântico levando consigo Hassan Ibn Noôman, Moussa Ibn Nouçair e Tark Ibn Ziad: este último foi a figura legendária que abrirá ao Islão o caminho de Espanha.

Os Estados Islâmicos do Magrebe Central

O primeiro Estado fundado em 787 é o Estado rostomida notável devido à sua organização econômica. Abderrahmane Ibn Rostom é o chefe, apoiando-se num poder democrático instalado numa capital (Tihert), célebre pela posição-chave que ocupa com Sijilmassa na rota africana do ouro. O reino rostomida deslocará a sua capital para Sedrata e a seguir para o Sahara, depois da dinastia dos Fatimidas ter fundado Tihert em 911 e instalado a sua autoridade numa nova capital, Mahdia (Tunísia).

O segundo Estado, cujo reinado foi notável a partir do século X, foi o Estado Zirida cujo fundador Bologuin Ibn Manad reinou em Argel. Urbanizou o país criando numerosas cidades. Em 1007, o Estado Hammadita, cuja capital foi alternadamente Kalaâ de Beni Hammad e Naciria (Bejaia), desenvolveu a obra de urbanização iniciada e organizou uma economia marcada pelas intensas atividades comerciais em direcção a África e ao Mediterrâneo, servindo de ligação dinâmica entre a Europa e o continente africano.

A Unificação do Magrebe

Enquanto a autoridade do poder central enfraquecia, a influência dos Béni Hillal se apagava e Ibn Tachfin acabava o reinado como chefe da dinastia dos Mourâbitine, as tendências unitárias do Magrebe só se exprimiram com a máxima eficácia, por altura da unificação do Estado dos Mouahhidine (1147) que, com Ibn Toumert e Abdelmoumen, realiza pela primeira vez na História, a unidade de todo o Magrebe em 1160.

"A unidade do Magrebe, após se ter consolidado nos domínios cultural e religioso, e numa certa medida econômico, estendeu-se ao plano político e contribuiu para dinamizar o urbanismo e assegurar a prosperidade econômica. Além disso, conduziu a um desenvolvimento cultural e científico sem precedentes... A aparição de filósofos de renome mundial como Ibn Rochd, Ibn Tofail e Ibn Badja confirma a importância do contributo do Estado dos Mouahhidine no domínio cultural e o seu contributo para a civilização universal".

O Estado Zianida

O desmoronamento do Estado dos Mouahhidine surpreendido entre o ativismo dos Estados cristãos e os problemas da administração interna, cede lugar progressivamente ao reino Hafsida em Tunis, ao reino Méridine em Fez e ao reino Zianida em Tlemcen.

O Estado Zianida confere um esplendor particular a este período (1235-1518) e impõe-se como o centro mais importante de desenvolvimento de Yaghmorassen Ibn Ziane. Este Estado, conhecido igualmente sob o nome de reino Abdelwadide, sedentariza os nômadas, assegura a segurança das fronteiras e defende-se com tenacidade contra a avidez dos seus vizinhos.

As Agressões Espanholas

O enfraquecimento do mundo islâmico, minado pelas rivalidades dos pretendentes ao poder, fez com que Machrek e Magrebe entrassem juntas numa espiral de crises aproveitadas pelos Estados cristãos decididos, desde há muito, a conquistar territórios militar e economicamente vantajosos após o termo da Reconquista com a tomada de Granada em 1492. A resistência oposta pelo Estado Zianida às agressões espanholas apoiava-se na adesão combatente das populações, mas a tomada de Oran em 1508, o resgate de numerosos portos costeiros e a edificação em Argel de uma fortaleza sobre Penõn, comprometiam-na seriamente. O apelo lançado aos irmãoes Arroudj e Kheireddine, permitiu alterar a situação e reunir as condições para uma melhor organização da luta contra a invasão estrangeira e as tentativas de prolongar as cruzadas do Oriente no Magrebe.

O Estado Argelino Moderno

Os sucessos conseguidos por Arroudj e depois por Kheireddine que prosseguiu a obra do seu irmão destruindo os Présidios e o forte espanhol em 1529 e estendendo a autoridade do novo Estado sobre um vasto território donde são expulsos os agressores estrangeiros, fazem respeitar e temer a Argélia cuja soberania passa a ser reconhecida internacionalmente pelas maiores potências da época com as quais assina tratados e convenções (com os Países-Baixos em 1663, a França de Luís XIV em 1670, a Inglaterra em 1681, a Espanha em 1791, Portugal em 1813 e com os Estados-Unidos em 1815).

O Estado argelino conhece, sob a sua forma moderna, um período de fausto de três séculos, fundado num território de fronteiras delimitadas e reconhecidas na potência da sua frota que derrotou o Imperador Carlos V, que veio em 1541, com 500 navios conquistar Argel e numa organização política e diplomática fiável.

Numerosos fatores objetivos, internos e externos, de carácter técnico, científico, militar ou doutrinário, fizeram ressurgir progressivamente um movimento de declínio que levará a uma situação de fraqueza, fonte de intervenções e de numerosas ingerências, delineadas por uma política concertada dos estados europeus, tendo por objetivo que todo o mundo arabo-muçulmano ficasse sob o domínio de um colonialismo ascendente.

A Argélia foi o primeiro Estado arabo-muçulmano do Magrebe visado devido aos seus recursos, à sua posição e ao papel preponderante que tem no Mediterrâneo. Todos oa pretextos financeiros e diplomáticos foram utilizados para tentar destruir a sua influência e atentar contra a sua integridade territorial e a sua soberania.

A colonização Francesa e a Resistência do Povo Argelino

Após a derrota da sua frota na batalha de Navarin em 1827 e as perdas severas que sofreu ao lado da frota otomana, face à ligação das forças navais francesas, britânicas e russas, a Argélia teve de fazer face à mais bárbara agressão da sua História quando Carlos X decide a expedição de Junho de 1830, sob a chefia do General de Bourmont e do Almirante Duperré que desembarcaram na costa de Sidi Fredj.

O povo argelino, que pegou nas armas desde as primeiras horas da agressão, prosseguiu a resistência sobre todo o território nacional nomeadamente, em Constantine e em Annaba, onde o Bey Ahmed e as suas tropas travavam o avanço dos generais franceses. Mas é sobretudo Abdelkader, filho de Mahieddine, que organiza a partir de 1832, data da sua proclamação como Emir e, numa larga escala, uma resistência dirigida com mão de mestre por um Estado que cunha a sua moeda, cobra impostos, administra o território, forma arsenais fornecidos por fábricas nacionais e mantêm relações diplomáticas a partir da capital.

Mascara, à volta da qual um exército popular tenta conter e fazer recuar as invasões colonialistas. A realidade deste estado manifesta-se com esplendor quando o Emir Abdelkader leva o General Desmichels a assinar o tratado com o mesmo nome em 1834 e impõe sérios revezes ao exército francês na Batalha de Macta em 1835 e na Batalha de Tafna onde Bugeaud assina com o Emir, o Tratado de 1837.

O ataque ao campo do Emir em Maio de 1843 pelo Duque de Aumale e a tomada anterior da cidade de Constantine (1837), inauguram uma série de insucessos que começam em 1847 e terminam em 1881 com a colonização de todo o Norte do país. Esta é uma colonização de povoamento espoliando as melhores terras do país, expropriando e expulsando os camponeses das planícies para as montanhas com a ajuda dos grandes bancos e com empresas de exploração agrícola capitalistas.

Dois milhões de hectares são assim pilhados em 1871 nomeadamente, após a insurreição de Mokrani e 500.000 colonos instalam-se nas grandes planícies explorando os camponeses argelinos espoliados pela lei Warnier. Serão um milhão no final da Segunda Guerra Mundialque exteriorizam a economia nacional, ligando-a a interesses estranhos ao povo argelino.

A resistência que, num primeiro momento, seguiu o caminho das armas, com as insurreições de zaâtcha (1844), dos Ouled Sidi Cheik (1864), de Mokrani, de Boumezreg e Cheik El Haddad (1871), Bouamama (1881), de Boumaza, de Boubaghla, de Tama N’Soumer, d’El Brakna, de Nasser Benchohra, de Bouchoucha, de Cheik Amoud au Hoggar (1920), atestando o irredentismo da Nação, revelou, no final do século, formas culturais, religiosas e sociais decisivas que conseguiram salvaguardar inteiramente a base da personalidade nacional: o Islão e a língua árabe preparando a criação do movimento nacionalista.

O Movimento Nacionalista

O movimento nacionalista desenvolve-se a partir de 1926, data da formação da Estrela da África do Norte que reivindica a independência imediata e sem condição da Argélia, demonstrando a esterilidade das soluções avançadas pelos partidários da assimilação recrutados nas fileiras dos jovens argelinos e na federação dos eleitos muçulmanos da Argélia.

Neste movimento constituem-se uma série de formações e associações e mobilizam-se na procura de melhores meios para fazer avançar a batalha pela liberdade.

Após a sua interdição em 1929, a Estrela do Norte de África retoma as suas atividades em 1233 e publica, em 1953, o seu jornal "El Ouma". Entretanto, Abdelhamid Ben Badis que lançara o movimento do "islah" nos seus jornais El Mountaqid e Ech Chihab, funda, em 1931, a Associação dos Oulémas e inicia um trabalho paciente de tomada de consciência em conjunto com Cheik El Ibrahimi, Cheik El Okbi e Cheik Larbi Tebessi.

A segunda interdição da Estrela do Norte de África, em 1937, leva os militantes a agruparem-se num novo partido, o Partido do Povo Argelino (PPA) que se forma em Maio de 1937. Alvo de prisões e de interdições, o PPA dá lugar, em Outubro de 1946, ao Movimento para o Triunfo das Liberdades Democráticas (MTLD). Cinco meses antes, cria-se a União Democrática do Manifesto Argelino após a publicação, em 1943, do Manifesto do Povo Argelino, seguida da criação dos Amigos do Manifesto e da Liberdade (AML) em 1944.

A dura repressão de 8 de Maio de 1945 (45.000 vitimas) fez com que se manifestasse, por um lado, o pouco eco que a luta legalista dos partidos encontrara no sistema colonial e, por outro lado, a total disponibilidade das massas em seguir um único caminho que permitisse a recuperação da independência nacional. Dois anos mais tarde, cria-se a organização especial (OS) para preparar a passagem à ação. No clima de crise, que afeta de seguida o movimento nacionalista, um grupo de militantes do MTLD-PPA decide, através do comité revolucionário para a unidade e a ação (CRUA), ultrapassar as clivagens internas e iniciar a luta armada. O 1 de Novembro de 1954 tornava-se possível.

A Revolução

Inicia-se assim um novo período para a Argélia. Uma Revolução sem precedentes na História do país tinha tido o seu início para uma longa caminhada consagrando de uma forma organizada e segundo novos métodos, a resistência permanente do povo argelino.

A Luta Armada

A criação da Frente de Libertação Nacional e do seu braço armado, o ALN, transformaram a paisagem política apanhando de surpresa as forças de ocupação contra as quais foram dirigidas invectivas violentas a 1 de Novembro de 1954, simultaneamente na região de Aurés, no Norte de Constantine, na Kabylie, no Algérois, etc.

A 20 de Agosto de 1955, com a ofensiva generalizada contra as posições do exército colonial, a 20 de Agosto de 1956 com o Congresso de Soummam, em 1957 com a greve dos oito dias e o início da batalha de Argel, e no mesmo ano, com a batalha das fronteiras. Estas ações acentuariam a mobilização das forças vivas da Nação, com a fundação da União Geral dos Trabalhadores Argelinos, a 24 de Fevereiro de 1956, o empenhamento dos estudantes na luta e a greve de 19 de Maio de 1956, a criação da União Geral dos Comerciantes Argelinos e da Federação de França da FLN, que seria responsável pelas operações militares no território do inimigo.

Apesar do estado de sítio, do mosaico do território com cerca de 1 milhão de legionários, de soldados do contingente e de efetivos do pacto de Otan, da multiplicação das zonas interdictas, da sistematização da tortura pela 10ª divisão de paraquedistas do General Massu, das prisões em massa e os massacres de milhões de civis, dos bombardeamentos com napalm, e da destruição de 8.000 aldeias, das tentativas para separar os povos do Magrebe com a agressão de Sakiet Sidi Youcef a 8 de Fevereiro de 1958, da radicalização das operações de guerra ("Jumelles" e "Pierres Précieuses") com a chegada ao poder do General De Gaulle, do putch de 22 de Abril de 1961, da entrada em cena da OAS, a campanha de terra queimada, a procura de uma terceira força e a tentativa de amputação da Argélia do Sahara argelino, apesar de tudo isto, o povo argelino sob o estandarte da FLN permanece na frente à volta das instituições da Revolução Argelina, do Comité de Coordinação e de Execução (CCE), do Conselho Nacional da Revolução Argelina (CNRA), formados no Congresso de Soummam e do Governo Provisório da República Argelina (GPRA) formado em 1958 em Tunis.

A 11 de Dezembro de 1960, mostra a sua coragem exprimindo a todas as nações, o seu desejo de liberdade e a sua reivindicação fundamental: a independência, rejeitando a "paz dos bravos" e as soluções parciais. Abatalha estava ganha. O Magrebe, a África já tinham beneficiado da dinâmica e das consequências internacionais de 1 de Novembro de 1954. Os contatos de Melun e em seguida, as negociações de Evian, culminaram com os acordos de 18 de Março de 1962, instaurando para o dia seguinte, um cessar-fogo e decidindo por um referendo de auto-determinação que terá lugar a 1 de Julho de 1962.

A independência arrancada a 5 de Julho de 1962 pelo povo argelinofora paga ao mais alto preço: 1.500.000 mártires que a Nação honrará para sempre porque eles foram os melhores filhos desta geração de Novembro que devolveu a esta terra e aos seus homens, a dignidade e a liberdade pelas quais sempre se bateram desde os tempos mais remotos

Fonte: www.emb-argelia.pt

Argélia

Nome oficial: República Democrática e Popular da Argélia (Al-Jumhuriya al-Jaza'iriya ad-dimuqratia ash-sha'biya).

Nacionalidade: Argelina.

Data nacional: 1º de novembro (aniversário da Revolução); 5 de julho (Independência).

Capital: Argel.

Cidades principais: Argel (2.561.992) (1998); Oran (609.823), Constantine (443.727) (1987).

Idioma: árabe (oficial), francês, berbere.

Religião: islamismo 99,9% (sunitas 99,5%, abaditas 0,4%), cristianismo 0,1% (católicos) (1990).

GEOGRAFIA

Localização: norte da África.
Hora local: + 3h.
Área: 2.381.741 km2.
Clima: árido subtropical, mediterrâneo (litoral).
Área de floresta: 19 mil km2 (1995).

POPULAÇÃO

Total: 31,5 milhões (2000), sendo árabes argelinos 83%, berberes 17% (1996).
Densidade: 13,23 hab./km2.
População urbana: 59% (1998).
População rural: 41% (1998).
Crescimento demográfico: 2,3% ao ano (1995-2000).
Fecundidade: 3,81 filhos por mulher (1995-2000).
Expectativa de vida M/F: 67,5/70 anos (1995-2000).
Mortalidade infantil: 44 por mil nascimentos (1995-2000).
Analfabetismo: 36,7% (2000).
IDH (0-1): 0,683 (1998).

POLÍTICA

Forma de governo: República com forma mista de governo.
Divisão administrativa: 48 departamentos subdivididos em comunas.
Principais partidos:
Reunião Nacional Democrática (RND), Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), Frente de Libertação Nacional (FLN), Frente Islâmica de Salvação (FIS) (ilegal desde 1992).
Legislativo:
bicameral - Assembléia Nacional Popular, com 380 membros eleitos por voto direto para mandato de 5 anos; Conselho da Nação, com 144 membros (96 eleitos por autoridades regionais e municipais, 48 indicados pelo presidente).
Constituição em vigor:
1976.

ECONOMIA

Moeda: dinar argelino.
PIB: US$ 47,3 bilhões (1998).
PIB agropecuária: 12% (1998).
PIB indústria: 47% (1998).
PIB serviços: 41% (1998).
Crescimento do PIB: 1,2% ao ano (1990-1998).
Renda per capita: US$ 1.550 (1998).
Força de trabalho: 10 milhões (1998).
Agricultura: trigo, cevada, batata, tâmara.
Pecuária: ovinos, caprinos, aves.
Pesca: 99,3 mil t (1997).
Mineração: gás natural, petróleo, mercúrio.
Indústria: extração e refino de petróleo, alimentícia, máquinas, equipamentos de transporte, tabaco, bebidas.
Exportações: US$ 10,3 bilhões (1998).
Importações: US$ 9,3 bilhões (1998).
Parceiros comerciais: França, Itália, EUA, Espanha, Alemanha.

DEFESA

Efetivo total: 122 mil (1998).
Gastos: US$ 2,3 bilhões (1998).

Fonte: www.portalbrasil.net

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