Os primeiros tangos, ainda próximos à milonga, eram animados e alegres. O primeiro cantor profissional de tango, também compositor, foi Arturo de Nava. A partir da década de 1920, tanto a música como a letra assumiram tom acentuadamente melancólico, tendo como principais temas os tropeços da vida e os desenganos amorosos. A temática é freqüentemente ligada à vida boêmia, com menção ao vinho, aos amores proibidos e às corridas de cavalos. As orquestras compunham-se inicialmente de bandolim, bandurra e violões. Com a incorporação do acordeão, a que seguiram a flauta e o bandoneom, o tango assumiu sua expressão definitiva. Dos subúrbios chegou ao centro de Buenos Aires, por volta de 1900. As primeiras composições assinadas surgiram na década de 1910, no período conhecido como da Guardia Vieja (Velha Guarda).
A partir daí, conquistou grande popularidade na Europa, com o impulso da indústria fonográfica americana. Os tradicionalistas incriminam a predominância da letra, a partir da década de 1920, como responsável pela adulteração do caráter original do tango. A voz do cantor modificou o ritmo, que já não comportava o mesmo modo de dançar. As figuras mais importantes da Guardia Nueva (Nova Guarda) foram o cantor Cartos Gardel - cuja voz e personalidade, aliadas à morte trágica num acidente de avião, ajudaram a transformar em mito argentino - e o compositor Enrique Santos Discepolo.
Ao mesmo tempo, compositores europeus, como Stravinski e Milhaud, utilizavam elementos do tango em suas obras sinfônicas. Embora continuasse a ser ouvido e cultuado na Argentina conforme a feição que Ihe foi dada por Gardel, o tango comecpu a sofrer tentativas de renovaçâo.
Entre os representantes dessa tendëncia, figuram Martano Mores e Aníbal Troilo e, sobretudo, Astor Piazzolla, que rompeu decididamente com os moldes clássicos do tango, dando-Ihe tratamentos harmônicos e rítmicos modemos.
Como o samba, no Brasil - tomou-se símbolo nacional com forte apelo turístico. Casas de tango e o culto aos nomes famosos de Gardel e Juan de Dios Filiberto perpetuam o gênero. Ao contrário do samba, no entanto, a criação artística do tango sofreu forte declínio a partir da década de 1950.
Por sua forte sensualidade, o tango foi, a princípio, considerado impróprio a ambientes familiares. O ritmo herdou algumas características de outras danças de casais, como as corridas e quebradas da habanera, mas aproximou mais o par e acrescentou grande variedade de passos. Os dançarinos mais exímios compraziam-se em combiná-los e inventar outros, numa demonstração de criatividade. Fora dos ambientes populares e dos prostíbulos, onde imperava nos subúrbios, o tango perdeu um pouco da lendária habilidade dos bailarinos. Admitido nos salões, abdicou das coreografias mais extravagantes e evitou posturas sugestivas de uma intimidade considerada indecente, numa adaptação ao novo ambiente.
Tango no Brasil e na Espanha - Resultante de uma fusão da habanera, da polca e do lundu afrIcano, o tango brasileiro, que deu origem ao maxixe, não tem relação com o argentino. O compositor Ernesto Nazaré foi quem deu mais destaque ao gênero, ao qual imprimiu sua marca pessoal. O tango flamenco é dança alegre e festiva do folclore do sul da Espanha, provavelmente influenciado pelo antigo tango argentino.
Fonte: www.orizamartins.com

O Tango nasceu nos fins do século XIX derivado das misturas entre as formas musicais dos imigrantes italianos e espanhóis, dos crioulos descendentes dos conquistadores espanhóis que já habitavam os pampas e de um tipo de batuque dos negros chamado "Candombe". Há indícios de influência da "Habanera" cubana e do "Tango Andaluz". O Tango nasceu como expressão folclórica das populações pobres, oriundas de todas aquelas origens, que se misturavam nos subúrbios da crescente Buenos Aires.
Numa fase inicial era puramente dançante. O povo se encarregava de improvisar letras picantes e bem humoradas para as musicas mais conhecidas, mas não eram, por assim dizer, letras oficiais, feitas especificamente para as músicas nem associadas definitivamente a elas.
Em público, dançavam homens com homens. Naqueles tempos era considerada obscena a dança entre homens e mulheres abraçados, sendo este um dos aspectos do tango que o manteve circunscrito aos bordéis, onde os homens utilizavam os passos que praticavam e criavam entre si nas horas de lazer mais familiar. Mais tarde, o tango se tornou uma dança tipicamente praticada nos bordéis, principalmente depois que a industrialização transformou as áreas dos subúrbios em fábricas transferindo a miséria e os bordéis para o centro da cidade. Nessa fase haviam letras com temática voltada para esses ambientes. São letras francamente obscenas e violentas.
Por volta de 1910 o Tango foi levado para Paris. Existem várias versões de como isso aconteceu. A sociedade parisiense da época em que as artes viviam o modernismo ansiava por novidades e exotismos. O tango virou uma febre em Paris e, como Paris era o carro chefe cultural de todo o mundo civilizado, logo o tango se espalhou pelo resto do mundo. A parcelas moralistas da sociedade condenavam o tango, assim como já haviam se colocado contra a valsa antes, por o considerarem uma dança imoral. A própria alta sociedade Argentina desprezava o tango, que só passou a ser aceito nos salões de alta classe pela influência indireta de Paris.
Em 1917 começaram a surgir variantes formais do Tango. Uma delas, influenciada pela romança francesa, deu origem ao chamado Tango-canção. Tangos feitos para musicar uma letra. A letra passa a ser parte essencial do tango e conseqüentemente, surgem os cantores de tango. O tango já não é feito exclusivamente para dançar. É considerado o primeiro - ou pelo menos mais marcante nessa transição - Tango-canção o "Mi Noche Triste" com uma letra que Pascoal Contursi compôs, em 1917, sobre uma música mais antiga chamada "Lita".
Nos cabarés de luxo da década de 1920, o tango sofreu importantes modificações. Os executantes não eram mais os pequenos grupos que atuavam nos bordéis, mas músicos profissionais que trouxeram o uso do piano e mais qualidade técnica e melódica.
Carlos Gardel já era um estrondoso sucesso em 1928. Sucesso que durou até 1935, quando faleceu vítima de um acidente de avião quando estava em pleno auge. Gardel cantava o tango em Paris, Nova York e muitas outras capitais do mundo, sempre atraindo multidões, principalmente quando se apresentava na América latina. Eram multidões dignas de Elvis Presley e Beatles. Também foi responsável pela popularização do tango estrelando filmes musicais de tango produzidos em Hollywood.
A década de 1940 é considerada uma das mais felizes e produtivas do tango. Os profissionais que haviam começado nas orquestras dos cabarés de luxo da década de 1920 estavam no auge de seu potencial. Nessa época as letras do tango passaram a ser mais líricas e sentimentais. A antiga temática dos bordéis e cabarés, de violência e obscenidades, era uma mera reminiscência. A fórmula ultra-romântica passa a caracterizar as letras: a chuva, a garoa, o céu, a tristeza do grande amor perdido. Muitos letristas eram poetas de renome e com sólida formação cultural.
A década de 1950 conta com a atuação revolucionária de Astor Piazzolla. Piazzolla rompe com o tradicional trazendo para complementar os recursos clássicos do tango influências de Bach e Stravinsky por uma lado, e por outro lado do Cool Jazz.
Nessa época o tango passa a ser executado com alto grau de profissionalismo musical, mas no universo popular a década de 1950 vê a invasão do Rock'Roll americano e as danças de salão passam a ser prática apenas de grupos de amantes. Na década de 1960, uma lei de proteção á música nacional Argentina já está revogada, e o tango que era ouvido diariamente nas rádios vai sendo substituídos por outros ritmos estrangeiros, enquanto as gravadoras já não se interessam mais pelo tango. A juventude não só pra de praticar o tango no lazer cotidiano como passa a ridicularizá-lo como coisa fora de moda. Com o desinteresse comercial das gravadoras, poucos grandes tangos foram compostos. Tem sido mais comuns, as releituras de antigos sucessos e reinterpretações modernizadas dos maiores sucessos dos primeiros tempos.
Hoje a crítica Argentina detecta um retorno do tango, cada vez mais freqüente em peças teatrais e cinematográficas. Em 1983 se apresentou em Paris uma inovação relativa aos espetaculosa planejados para o exterior: os casais de profissionais que integravam o elenco provinham da "milonga porteña". Era quebrada a imagem de bailarino acrobático.
Fonte: tangobh.br.tripod.com
Inicialmente, o tango era dançado nos bares, nos cafés e em locais de prostituição. Recorde-se que no final do século XIX, dançar era socialmente errado. As danças eram chamadas genericamente “Contradanza”. Os bailarinos tinham um contacto de mãos em determinados movimentos. Havia também as “danças redondas” nas quais o movimento era circular.
O Minueto era uma dança muito popular na Argentina.
A palavra “contradanza” deve ter origem na dança inglesa, transformando-se no contradance Francês e Italiano. Mozart e Bethoven escreveram Kontretanze. De notar que a valsa vienense trouxe para fora dos salões a contradança. A valsa vienense foi a primeira dança popular no mundo. Depois veio a Polka, mas esta foi considerada escandalosa. Aliás, a sociedade europeia considerava as danças uma atitude imoral.
Por volta de 1880, na periferia de Buenos Aires, em casas de jogo e bares, homens sós gastavam o tempo bebendo, jogando e procurando um romance, na companhia de mulheres de baixa reputação, e dançando as novas danças … o Tango e a Milonga.
Recorde-se que naquele tempo, dançar consistia num homem e numa mulher frente a frente, em que o homem coloca a sua mão nas costas da senhora, isso, e era demasiado ousado…
Agora temos uma dança em que há um abraço, corpo com corpo, pés que invadem o espaço do outro, uma conversa de amor e paixão, com ganchos e olhares de flirt, e carícias…
As mulheres decentes da época não aceitaram dançar, e as dos bares tinham de ser pagas… Assim, se um homem queria praticar a nova dança tinha de ser com outro homem. Grupos de homens começaram a treinar, a improvisar e inovar, criando movimentos novos que permitiram um grande desenvolvimento desta dança.
Se um dançarino era bom, atraía as atenções das mulheres… surpreendendo-as. Certamente que dançar entre homens, nada tinha a ver com homosexualidade.
Foi assim durante muitos e longos anos. O tango era dançado por gente humilde e do povo, já que famílias decentes não se expunham.
De qualquer forma, os filhos das boas famílias dirigiam-se aos subúrbios onde procuravam aventura e emoção. Começaram a ensinar às suas irmãs, meninas vizinhas, e outros elementos femininos das famílias argentinas, como tias e primas.
E assim, o tango foi transportado dos subúrbios para a cidade, para as casas, para os pátios, ainda que continuava a ser considerado um filho bastardo das mulheres de má reputação.
Entre 1880 e 1930 a Argentina transformou-se muito, e Buenos Aires foi reconstruída. A cidade colonial velha, com edifícios velhos e ruas estreitas, foi substituída por avenidas largas, parques e edifícios bonitos de arquitectura francesa e italiana. O país tornou-se um dos 10 mais ricos do mundo, posição que manteve até aos anos 50.
Durante esta época os “ricos” ganharam o hábito de ir à Europa (Paris, Londres) pelo menos uma vez no ano. Os seus filhos estudavam na Europa e estes ajudaram a introduzir o Tango Argentino na Europa. Criaram-se orquestras, lições de tango, e as mulheres tiveram de mudar para se adaptarem aos movimentos da dança.
O Tango transformou-se na dança do momento na Europa.
De volta a Buenos Aires, foi recebido como o filho mais amado.
Fonte: www.portotango.com
O Tango é mais do que simplesmente uma postura precisa e um passo estável. Foi desenvolvido na Argentina e no Uruguai no século XIX. A dança Tango resulta da fusão de música europeia, africana e gaucha. Naquele tempo, as pessoas começaram a sentir o Tango sob a pele. O Tango é uma forma de estar na vida, uma linguaguem da alma.
O Tango inicialmente foi chamado de Tango Criollo ou simplemente Tango. Existem numerosos estilos actualmente, como por exemplo o Tango Argentino, o Tango de Salão (Estilo americano e internacional), o Tango Finlandés, o Tango Chinês, entre outros. O Tango Argentino é considerado como sendo o “autêntico” tango, já que é o mais parecido com o que se dançou originalmente em Buenos Aires, Argentina.
Elementos de dança e da música de Tango são populares em actividades artisticas relacionadas com a dança ou expressão corporal, tais como: patinagem artística, natação sincronizada, etc., isto pelo efeito dramático e pela enorme capacidade de improvisação no eterno tema do amor.
O Tango é dançado normalmente em linha, numa posição cerrada, peito com peito, ou face encostada (cara a cara). No entanto, o Nuevo Tango permite dançar numa postura aberta. Uma coisa é eterna: o tango é inrepetivel e permite uma improvisação infinita.
O Tango consiste numa variedade de estilos como são o Tango Canyengue e Tango Orillero. No entanto, a maioria destes estilos já não se dançam. Fazem simplemente parte da evolução do Tango Argentino. Actualmente, o Tango Argentino consiste em: Tango de Salão, Tango Milonguero, Nuevo Tango, Show Tango ou Tango Fantasía.
Os dançarinos de Tango Argentino também practicam duas outras danças relacionadas: Vals (waltz) e a Milonga. As festas de Tango são também chamadas de Milonga.
Por fim, fecha os olhos, abre o teu coração, partilha a tua paixão com o teu par e dança Tango.
Fonte: www.pasiontango.net