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Arte Bizantina

Esta noção é muito preciosa à arte bizantina, onde a beleza não é um fim como na arte clássica, senão um meio.

Através da beleza externa das imagens, se ocultam imagens e símbolos que o observador deve saber decifrar para ingressar totalmente em um universo superior. A arte se constitui em outras palavras, em via anagógica. Conforme afirmava o Pseudo Dionisio Areopagita, "a imagem sensível é uma via para elevar-se à contemplação do Insensível."

Kiev Ucrania

Quando Procópio, referindo-se à Santa Sofia de Constantinopla, disse que "a igreja se converteu em um espetáculo de grande beleza, magnífico para os que podem gozar dela, e incrível para os que dela ouvem falar", se refere a um gozo interior, porque as formas não constituem um fim em si mesmas, senão que proclamam a presença de Deus.

Procópio ainda afirma: "sempre que se vai a essa igreja rezar, se compreende imediatamente que este trabalho se realizou não por poder e habilidades humanas, mas pela influência de Deus. Assim a mente do visitante se eleva até Deus e flutua nas alturas, pensando que Ele não pode estar longe, senão que deve amar o habitar neste lugar, que Ele mesmo escolheu."

As novas concepções artísticas que regem e controlam a construção do edifício, respondem a um fim sublime que é elevar, através do sensível e o belo, a alma até o insensível e o belo, até Deus. A beleza material que excita os sentidos é só um meio para alcançar o dito fim.

Choricius, no século VI, sustenta a mesma idéia: "quando te encontras diante do vestíbulo de uma igreja, às vezes é difícil decidir se ficarás contemplando o pórtico ou adentrarás buscando as delícias que julgando pela beleza exterior lhe aguardam o interior". Entretanto a beleza e as formas do exterior não devem distrair o fiel de sua contemplação, devem antes convidá-lo a explorar o interior. É assim uma arte utilitária.

O templo é um microcosmo, pois se o universo se assemelha a um edifício perfeitamente construído, certos edifícios e nesse caso um templo, devem assemelhar-se ao cosmos.

A análise do edifício nos permite distinguir dois níveis: o inferior que corresponde ao mundo terreno, e o superior, ao mundo celestial. É a união harmônica entre ambos que permite falar de um verdadeiro microcosmo.

Teto da Igreja de Santa Sofia
Teto da Igreja de Santa Sofia

No hino à Catedral de Edessa o autor afirma que o templo representa uma imagem da terra e, assim como esta, as águas o rodeiam. Isso nos leva a recordar que na cosmografia antiga a Terra é representada rodeada pelo mar oceano. É difícil imaginar como as águas rodeavam tal edifício; talvez se refira a alguma lagoa, rio ou meandro. O certo é que o primeiro edifício da referida igreja, construído no século IV, foi destruído por uma inundação.

Outra explicação está no fato de que a cidade grega de Edessa é conhecida como a "Cidade das águas" devido às diversas fontes de água mineral curativas que lá existem. Por outro lado, essa alusão nos indica que os quatro arcos que se fazem presente nessa construção representam "os quatro extremos da Terra". Além disso, quatro é um número sagrado, e sua associação com os confins da Terra, e da Terra inteira é típico na linguagem simbólica do período. O número quatro sugere ainda uma forma geométrica, o quadrado, símbolo da Terra por oposição ao céu. Na arquitetura dessa igreja o cubo suporta a cúpula e representa assim o mundo material.

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