
Choricius, ao falar do teto da Igreja de São Sérgio diz que este imita o céu visível e assim existiria um céu visível e o mais alto céu, o céu dos céus. Dessa maneira também se expressa Cosmas Indicopleustes, que afirma existir entre a Terra - mundo presente e o Céu - mundo futuro, um véu que os separa, que é o céu visível, o firmamento.
Este conceito corresponde a uma concepção cosmológica conhecida a época. Assim, a cúpula da Igreja de Edessa que não se acha sustentada por nenhuma coluna, nem suporte algum, se encontra antes descansando diretamente sobre a sua base cúbica, e graças aos quatro arcos e os pendentes (sistema que permite passar de um espaço retangular a um espaço circular) parece estar suspensa no ar, desprovida de toda gravidade, representando magnificamente o céu. Esta impressão se torna mais forte quando se vê o interior da cúpula ornamentado com mosaicos de ouro, o que pelo brilho e efeito produzidos traduz um caráter de infinitude, assemelhando-se a um céu estrelado. A cúpula portanto, representa a abóbada celeste, e o conjunto do edifício, a imagem do universo todo. O quaternário, símbolo do terrestre, e o ternário, representando o celestial, se conjugam harmonicamente. O número cinco aparece como o centro, compartilhado pelo círculo e o quadrado, e é simbolicamente, o ómphalos que permite transitar do mundo terrestre ao celestial.
O eixo vertical do templo representa o "axis mundi", um Pilar cósmico, uma verdadeira Escada de Jacó, isto é, um centro. A cúpula é o espírito universal envolvendo o mundo.
A disposição da ornamentação interior segue uma hierarquia ascendente, o que contribui para acentuar a imagem cósmica. A iconografia distingue três zonas para a distribuição das distintas imagens: uma representa o céu, outra é reservada para os Mistérios da vida de Cristo, e a última, a inferior, para o conjunto dos santos, mártires e confessores.
As concepções teológicas se encontram em perfeito acordo com o sentimento estético para estabelecer as hierarquias das posições dos personagens.
Os serafins se situam a certa altura dos pendentes, de tal maneira que a cúpula pareça mais leve, sustentada por suas asas. Mais tarde, em seu lugar, se colocarão representações dos quatro evangelistas ou dos quatro Mistérios centrais do cristianismo: Anunciação, Nascimento, Batismo e Transfiguração, como no caso da Igreja de Dafne, próxima de Atenas.
O ponto mais elevado, a cúpula é um lugar reservado ao Cristo Pantocrátor, ou algum símbolo que o represente como a cruz.

Respectivamente, na abside se colocará um ícone da Virgem Maria. Entretanto, se o templo carece de cúpula, este lugar será ocupado pelo Pantocrátor.
Nas absides laterais - quando se trata de uma trichora, contêm cenas evangélicas. Finalmente, nos planos inferiores se representam os mártires e santos, que mostram a via que conduz ao Pai, mediante seus exemplos de vida.
Estas ornamentações entram na composição com o resto do edifício para representar o todo celestial e o conjunto cósmico.
Todas estas formas, imagens, paredes revestidas de mármores e mosaicos, necessitam de um elemento que lhes outorgue uma dimensão real: a luz. Na catedral de Edessa existem três janelas situadas na abside que simbolizam a Trindade, por essas janelas entram três fachos de luz que se projetam formando um só facho que se projeta diretamente iluminando o santuário. Há ainda várias janelas situadas nas três fachadas.

A luz representa um papel fundamental, como aponta André Grabar a respeito de Santa Sofia de Constantinopla: "cada hora têm sua própria luz, seu próprio feixe de raios luminosos, os quais, ao penetrar por diferentes janelas, convergem em um determinado ponto, ou ao entrecruzar-se em diferentes alturas, resvalam ao longo das paredes e se derramam sobre as lajes do pavimento. Este encaixe radiante encontra em movimento e sua mobilidade aumenta o efeito irreal da visão".
O fiel que entra na igreja se sentirá surpreendido pela iluminação, e ao levantar os olhos para o alto se encontrará diante de um céu estrelado, e ao final verá o Pantocrátor. Assim, permanecerá imóvel, perdido no centro desta imensidade, submergido pelo infinito no coração deste espaço ilimitado, deslumbrado pela luz material e mística que erradia a cúpula.
A luz representa um papel fundamental, como aponta André Grabar a respeito de Santa Sofia de Constantinopla: "cada hora têm sua própria luz, seu próprio feixe de raios luminosos, os quais, ao penetrar por diferentes janelas, convergem em um determinado ponto, ou ao entrecruzar-se em diferentes alturas, resvalam ao longo das paredes e se derramam sobre as lajes do pavimento. Este encaixe radiante encontra em movimento e sua mobilidade aumenta o efeito irreal da visão".
O fiel que entra na igreja se sentirá surpreendido pela iluminação, e ao levantar os olhos para o alto se encontrará diante de um céu estrelado, e ao final verá o Pantocrátor. Assim, permanecerá imóvel, perdido no centro desta imensidade, submergido pelo infinito no coração deste espaço ilimitado, deslumbrado pela luz material e mística que erradia a cúpula.

A arte, aqui, tem como missão transmitir esse ideal através da matéria. A esse ideal corresponde a Luz. Esta mística da luz tem como base o fato de que a matéria humana impede a passagem da luminosa imaterialidade de Deus. Assim, todos os recursos técnicos e estilísticos se combinam, no intuito de elevar a alma do espectador até Deus, extasiando-o com o jogo de figuras e feixes luminosos, utilizando assim, a "estética do sublime".
A força original de que está dotada esta concepção estética e simbólica será tão forte e viva, que ultrapassará não somente os limites geográficos, mas até mesmo as fronteiras religiosas. A arte islâmica receberá também sua influência, o que se pode perceber por exemplo, em um dos mais importantes monumentos da fé islâmica em Jerusalém, o Domo da Rocha, cuja arquitetura segue a linha dos templos cristãos: um corpo octogonal coberto por uma cúpula. Segundo Oleg Grabar, a arte islâmica se inspirou em grande medida na arte bizantina.
Artistas imperiais de Bizâncio foram inclusive chamados pelos muçulmanos para decorar seus edifícios. Os homens do Islã se impressionaram com os monumentos cristãos, copiando algumas de suas formas.