Todavia, poucas pessoas acreditavam realmente que o Imperador era um Deus. O fato de os cristãos se recusarem a oferecer o incenso ou o sacrifício era visto como um ato de traição. Muitos cristãos preferiam morrer do que adorar a imagem do Imperador. Não se sabe exatamente quando as pinturas de Cristo começaram a fazer parte em muitos dos atributos da realeza, mas em alguns casos as vestes de Cristo foram transformadas nas cores reais de azul e o roxo imperial, quando se sentou no esplêndido trono. Em torno de sua cabeça brilhou um halo dourado com os raios que mostram os braços da cruz. Os halos vieram da Pérsia e por muito tempo foram considerados como um símbolo da divindade ou da santidade.

O manto foi pintado em púrpura imperial, cuja cor era reservada apenas aos imperadores.
Quando surgiu o Império romano do ocidente, Constantinopla não era muito rica em termos de arte, assim, teve que construir seu próprio estilo baseado no que lá já existia: a arte imperial romana, não esquecendo que o Bizâncio toma, nesse ponto, o papel de "Roma do Oriente", o estilo helenístico e a arte da Ásia Menor.
Porém, com o tempo, Bizâncio foi tomando suas próprias características. Alguns estilos foram sumindo, como o naturalismo, ao mesmo tempo em que outros foram se fortificando como o voltado para a política e a religião.
A razão disso é que a Arte Bizantina floresceu na época de Justiniano (527-565), época em que houve um grande processo de mudanças políticas, ideológicas e culturais. Alguns historiadores se referem à arte antes do movimento iconoclasta, como uma arte romana oriental.
Infelizmente, não temos muitos exemplares de pinturas murais e de mosaicos produzidos antes do movimento iconoclasta (movimento fortemente político). Os poucos que restam são um conjunto de mosaicos do pavimento de um pátio do palácio imperial (cerca do século V ou VI) com cenas de pastores, de caça, lutas entre animais, e crianças brincando e tudo isso sobre um fundo branco.
Seu naturalismo e vivacidade chegam a dar um tom de profanidade a essa arte, que era voltada, principalmente para o Imperador. Não deixa de ser estranho que, perante essa arte, as primeiras decorações de algumas igrejas não tenham ícones, como é o exemplo da própria igreja de Santa Sofia (tirando uma grande cruz na cúpula, os outros mosaicos são apenas decorativos) ou dos Santos Apóstolos que não utilizaram, em princípio a figura humana.
Desaparecida a produção de Constantinopla, e após a guerra greco-turca do início da década de 20, onde foram destruídos os mosaicos da igreja da Dormição de Nicéia, sobraram poucos exemplos da decoração mural pré-iconoclasta.
Exemplos como a igreja de S. Jorge, do início do século V, com seus mosaicos de fundo clássico e o contraste com a plenitude, esquematismo e frontalidade, dos mosaicos dos pilares da igreja de S. Demétrio, do século VII, podem nos dar uma idéia de evolução do mosaico bizantino nesta época.
Nesta mesma fase, a pintura de ícones alcançou seu apogeu, ao mesmo tempo em que chegava ao auge a veneração à Virgem, aos santos ou mártires. Os ícones eram usados tanto em cultos públicos quanto privados.
Esses desenhos eram feitos com tinta diluída na cera, ou seja, à encáustica sobre a madeira. (atualmente, a encáustica é feita para proteger mármores, por exemplo). Esses desenhos procedem do século VI e VII (embora já existissem muito antes) e vem do Egito e do monte Sinai. A semelhança que apresentam com os retratos de defuntos de El Fayum (citados no trabalho sobre arte romana) denota a alguns que os primeiros ícones cristãos tenham vindo do Egito, embora tenhamos que lembrar que o estilo de pintura de El Fayum estava espalhado por todo o Império romano.

Foram os exageros no culto às imagens (e principalmente questões políticas) que deram origem a discussões teológicas, aproximadamente no começo do século VIII. O Imperador Leão III lançou um decreto que proibia o uso de imagens nos templos. Os iconoclastas, ou destruidores de imagens, como eram conhecidos os que condenavam o uso de ícones nos cultos, promoveram perseguições às imagens nas igrejas e com isso muitas imagens foram destruídas. Encontraram a resistência do Papa (que naquela época era Gregório III) e dos seus fiéis (que, aliás, também foram perseguidos). Não foram os rumos destas batalhas que estão em questão, mas para dar uma idéia de sua intensidade, os iconoclastas chegaram a por em dúvida o próprio culto à Virgem e aos santos, mesmo sem imagens. Os adeptos do culto aos ícones, por sua vez, rejeitaram o cesaropapismo, afirmando a independência da Igreja para com o Imperador. Isso batia de frente com o ideal do regime político de Bizâncio. Com um breve intervalo de triunfo da iconofilia (787-813) devido à Imperatriz Irene, a iconoclastia prolongou-se até o ano 843, quando Teodora restabeleceu definitivamente o culto às imagens.
Embora tenha perdurado até o século IX, a luta contra a adoração de imagens não foi além da eliminação das esculturas; os ícones pintados acabaram por ser novamente aceitos.
As decorações surgidas durante o período iconoclasta foram destruídas e substituídas. As igrejas se adornaram com motivos vegetais e animais e com cruzes e principalmente: a arte que glorificava o imperador tomou força. Um bom exemplo das decorações do período iconoclasta são os mosaicos da Mesquita de Damasco (705-715).
O fim da controvérsia iconoclasta deu início à "segunda idade de ouro" da arte bizantina, que começou na reafirmação do Império Bizantino, sob comando dos Macedônios (867-1056), depois dos Ducas, Comenos e Angelos, até que em 1024, quando os cruzados tomaram Constantinopla, o império do Oriente entrou em sua maior crise. Sob domínio macedônico, a política e a cultura do período de Justiniano foram às bases do governo, e Bizâncio recuperou seu desenvolvimento, perdido durante o movimento iconoclasta. Desenvolvimento esse, baseado no seu passado cultural: tradições helenísticas, imperial romana e paleo-cristã. Essa volta às raízes aristocráticas e elitistas, foi orientada pela corte, que voltava a ter poder sobre a arte, impondo um único estilo (embora ainda existisse uma arte de raiz popular, encontrada em manuscritos ou afrescos, como os da igreja da Capadócia, mas seus produtos foram de baixa qualidade).

Infelizmente, faltam-nos amostras da arte profana que se desenvolveu na decoração dos palácios, só conhecida por referências. Sabe-se, por exemplo, que nos mosaicos do grande palácio de Constantinopla figuravam cenas mitológicas.
O que caracterizou esta época foi a excepcional produção de manuscritos. Alguns, como o Códice de Nicandro, agora em Paris, ou a Cinegética de Oppiano, em Veneza, são de tema científico e copiam obras tardo-romanas, mas os mais abundantes são os de tema religioso, como o Códice de São Gregório Nacianceno, em Paris, e a Topografia Cristã do Cosmas Indicopleustes, no Vaticano.
O "renascimento" macedônico acabaria por conduzir, nos finais do século X, à expressões intensas que duraram quase dois séculos e que são típicas da cultura bizantina. Assim, encontramos figuras idealizadas e desmaterializadas, predominando a frontalidade, a linearidade, a renúncia à ilusão de profundidade e a extrema redução dos elementos naturais ou arquitetônicos tendendo a configurar cenas nas quais as personagens aparecem fora do espaço e do tempo, instaladas no sobrenatural.
A decoração das igrejas torna-se uniforme. A seleção dos temas perde variedade e sua distribuição no templo tenta reproduzir a ordem do universo cristão. Todo o sensual e mundano é deixado de lado desta arte de finalidade didática e propagandística.
Estas tendências da escola pictórica bizantina do século XI e XII se estenderam pela Rússia, Bulgária, Sérvia e península itálica.
O último grande período da arte e da cultura de Bizâncio é o do chamado "Renascimento Paleólogo" (1261-1453). Bizâncio estava com seu território reduzido, sua economia desgastada e ainda perdia terreno para os turcos, no entanto, sobreviveu por mais dois séculos, mantendo suas tradições vivas.
O Renascimento dos Paleólogos apresenta diferenças significativas em relação ao do período anterior. Enquanto o renascimento, que teve lugar na dinastia macedônica era de raiz aristocrática e artificial, o Renascimento Paleólogo responde às solicitações mais profundas de recuperação da herança cultural pátria. Além disso, começam a entrar, com força, influências ocidentais sobre a cultura bizantina.
A ruptura com o código programático da "segunda idade de ouro", a evolução de concepções simbólicas para um estilo narrativo, o cultivo de novos e mais numerosos temas (nos quais já não se evita representar a dor nas cenas da Paixão, ou encher o ambiente de elementos cotidianos), os semblantes relaxados e a nova relação entre os personagens, um novo sentimento da organização do espaço e o interesse na representação diferenciada e real dos elementos da paisagem ou os enquadramentos arquitetônicos, falam de um certo humanismo que separa radicalmente esta arte do transcendentalismo político-religioso de épocas passadas.
No entanto, o conservadorismo da cultura bizantina fez com que os novos estímulos e as inovações, que traziam consigo, se integrassem harmoniosamente nas suas linhas essenciais de desenvolvimento. A obra fundamental deste período é a decoração com mosaicos da igreja da Cora, em Constantinopla, por volta de 1310/20.

As cores são produto da composição da luz e tem na iconografia uma linguagem própria, são portadores de uma linguagem mística transcendente. Nos ícones, as cores são usadas pelo artísta para separar o céu de nossa experiência terrena. Aí está a beleza inefável que nos permite compreender a simbologia dos ícones.
Os pintores não podem usar livremente as cores, nem dar-lhes tonalidades diversas, como tão pouco podem obscurecê-las com sombras, pois devem seguir as cores que estão previamente determinadas. O segundo Concílio de Nicea estabeleceu que "somente o aspecto técnico da obra depende do pintor, todo seu plano, sua disposição depende dos santos padres". E é por isso que estabeleceram manuais para a execução das obras pictóricas. Essa concepção também explica porque os padres consideravam os pintores apenas como trabalhadores manuais, sem nenhum gênio ou criatividade do intelecto.
Em primeiro lugar, antes de falar sobre as cores das imagens, é necessário tratar da luz, pois, ao contrário, da pintura ocidental moderna e contemporânea onde a luz vem de um lugar específico, na pintura bizantina são as figuras que estão imersas na luz.