Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Arte Bizantina - Página 6  Voltar

Arte Bizantina

Um pouco de história

Arte Bizantina

O Império Romano Bizantino que correspondia ao Império Romano do Oriente, surgiu de uma divisão proposta por Teodósio, em 395. A sede desse império localizava-se em Bizâncio, antiga cidade fundada por marinheiros de Megara (Grécia), em 657 a.C. Muito tempo após a fundação de Bizâncio, o imperador Constantino percebeu as vantagens que ela oferecia, em termos de segurança e de possuir uma posição comercial estratégica.

Constantino enviou, então, arquitetos e agrimensores para remodelar a cidade. A 11 de maio de 330, a cidade foi inaugurada pelo Imperador, sob o nome de Nova Roma. O povo, porém, preferiu chamá-la pelo nome de seu fundador, Constantinopla. A cidade permaneceu com esse nome até o século VII, quando adotou novamente o nome de Bizâncio (embora os ocidentais ainda utilizassem o nome Constantinopla). Após a tomada pelos turcos otomanos, em 1453, recebeu o nome de Istambul, que permanece até hoje. Essa data é tradicionalmente utilizada para assinalar o fim da Idade Média e início da Idade Moderna.

Constantino
Constantino

Em seus primeiros tempos, o Império Romano do Oriente conservou nítidas influências romanas, tendo as dinastias Teodosiana (395-457), Leonina (457-518) e Justiniana (518-610) mantido o latim como língua oficial do Estado, conservando a estrutura e as denominações das instituições político-administrativas romanas. A predominância étnica e cultural grega e asiática, entretanto, acabaria prevalecendo a partir do século VII.

Nos séculos IV e V, as invasões de visigodos, hunos e ostrogodos foram desviadas para o Ocidente mediante o emprego da força das armas, da diplomacia ou pelo pagamento de tributos, meios usados pelos bizantinos durante séculos para sobreviver.

Essas ameaças externas puseram em perigo a estabilidade do Império Bizantino, internamente convulsionado por questões religiosas, que também envolviam divergências políticas. É o caso do Monofisismo, doutrina religiosa elaborada por Eutiques (superior de um convento de Constantinopla), centralizada na concepção de que só havia a natureza divina em Cristo. Embora considerada heresia pelo Concílio de Calcedônia (451 d.C.), que reafirmou a natureza divina e a natureza humana de Cristo, a doutrina monofisista propagou-se pelas províncias asiáticas (Ásia Menor e Síria) e africanas (Egito), onde se identificou com aspirações de independência.

Jóia de Bizantino
Jóia de Bizantino

Enquanto o Império Romano do Ocidente caía diante dos bárbaros, o Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, resistia. Na verdade, essa parte privilegiada do Mediterrâneo manteve uma intensa atividade comercial e urbana. Suas cidades se tornaram cada vez mais luxuosas e movimentadas. A cultura greco-romana foi preservada e a doutrina cristã passou a ser discutida com grande minúcia e intensidade.

Justiniano, um dos mais famosos e poderosos imperadores bizantinos reconquistou alguns territórios romanos dominados pelos bárbaros e o Império Bizantino tornou-se rico e poderoso. O centro dinâmico do império estava nas grandes cidades: Bizâncio, Antioquia, etc. Nelas morava a classe rica, composta por grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras, alto clero ortodoxo e funcionários destacados. Toda essa gente exibia o luxo de artigos requintados como roupas de lã e seda ornamentadas com fios de ouro e prata, vasos de porcelanas, tapeçarias finas, etc.

Havia ainda uma classe urbana intermediária formada por funcionários de baixo e médio escalão e pequenos comerciantes. A grande maioria da população compunha-se entretanto de trabalhadores pobres e escravos.

Jóia de Bizantino
Jóia de Bizantino

Nas festas religiosas em Bizâncio podia-se encontrar o confronto entre dois mundos: o mundo oficial do Imperador, da corte e da Igreja; e o mundo dos homens comuns que ainda adoravam os deuses pagãos (de paganus, camponês).

O imperador romano do oriente ostentava seu poder em cerimônias públicas imponentes, com a participação dos patriarcas e dos monges. Nessas ocasiões , a religião oficial - o cristianismo - confundia-se com o poder imperial.

As bases do império eram três: a política, a economia e a religião, e, para manter a unidade entre os diversos povos que conviviam em Bizâncio, Constantino oficializou o cristianismo, tendo o cuidado de enfatizar nele aspectos como rituais e imagens dos demais grupos religiosos.

Madona Entronada
Madona Entronada

Em muitas das pinturas e dos mosaicos da época, evidencia-se claramente esse vínculo entre a Igreja e o Estado. Nas imagens, Cristo aparece geralmente como um Rei em seu trono e Maria como uma Rainha, vestidos ricamente e com expressões de serem inatingíveis. Do mesmo modo como o Imperador portava-se nas cerimônias, os apóstolos e os santos apresentam-se como figuras solenes, representando claramente os patriarcas que rodeavam o soberano e lhe prestavam homenagem; os anjos assemelham-se claramente aos clérigos que costumavam seguir em procissões nas festas oficiais. As festas pagãs, que aconteciam sem nenhuma solenidade, eram proibidas pela Igreja. Entretanto, o povo revivia periodicamente as tradições culturais greco-romanas. Eram freqüentes os carnavais ligados aos cultos de Dionísio (chamado Baco pelos antigos romanos), antigo deus greco-romano, que na sociedade cristianizada, descera ao nível de demônio, pois só os demônios gostavam de rir. Os homens e as mulheres saíam as ruas mascarados, dançando e rindo, divertindo-se livremente, como seus antepassados comemoravam a renovação da vida no período das colheitas.

Durante séculos Roma utilizou o direito como um meio eficiente para solucionar os conflitos surgidos entre membros da sociedade. Justiniano seguia o exemplo de Roma, preocupando-se em preservar toda a herança jurídica do direito romano. Assim, encarregou o jurista Triboniano de dirigir a codificação ampla do direito romano dando origem ao Corpus Juris Civilis. As leis proclamadas por Justiniano foram um importante instrumento na consolidação do poder imperial. A legislação conferia ao Imperador amplos poderes jurídicos para perseguir todos que atentassem contra a sua administração.

Exibindo o esplendor do Império Bizantino, Justiniano promoveu a construção de várias obras públicas, como hospitais, palácios, pontes, estradas e aquedutos. Entre essas obras destacam-se as Igrejas de Santa Sofia, em Constantinopla, e São Vital, em Ravena.

Os sucessores de Justiniano procuraram manter a administração absolutista, sem a participação das camadas populares, para preservar o Império. Entretanto, uma série de ataques externos enfraqueceram sua administração central. O mundo bizantino começou, então, a uma longa e gradual trajetória de decadência, somente interrompida no século X, no reinado de Basílio II (976-1025). Nesse período, os exércitos bizantinos reconquistaram alguns territórios perdidos e a administração imperial recuperou as suas forças. Basílio II foi considerado um eleito de Deus para governar todos os homens, mas após sua morte, o império, mergulhado em constantes guerras, retornou a sua trajetória decadente.

Apesar disso, o Império Bizantino sobreviveu até o século XV, quando Constantinopla foi definitivamente dominada pelos turcos otomanos, em 1453.

A Arte Bizantina

Arte Bizantina

A arte bizantina consistiu numa mistura de influências helênicas, romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais, cabendo-lhe, durante mais de um milênio, preservar e transmitir a cultura clássica greco-romana. É, portanto, um produto da confluência das culturas da Ásia Menor e da Síria, com elementos alexandrinos. No plano cultural, essa multiplicidade étnica refletiu a capacidade bizantina de mesclar elementos diversos, como o idioma grego, a religião cristã, o direito romano, o gosto pelo requinte oriental, a arquitetura de inspiração persa, etc. O mundo bizantino foi bastante marcado pelo interesse por problemas religiosos. Dizia-se que em todos os lugares de Constantinopla encontravam-se pessoas envolvidas em debates teológicos.

Entre as mais célebres questões discutidas estavam o monofismo e a iconoclastia. O monafismo era uma doutrina que afirmava que Cristo tinha somente natureza divina, negando a natureza humana, conforma afirmava a Igreja Católica. A iconoclastia era um movimento que pregava a distruição das imagens de santos, proibindo a utilização de imagens nos templos.

É interessante destacar que por detrás dessas questões religiosas escondiam-se questões políticas. A questão iconoclasta, por exemplo, revela o conflito que havia entre o poder imperial e os latifúndios dos mosteiros. Esses mosteiros fabricavam imagens de santos e afirmavam serem milagrosas. Os imperadores, pretendendo controlar o poder dos mosteiros, insurgiram-se contra a crença nas imagens dos santos.

A Igreja Católica do Oriente, ou seja, a Igreja Ortodoxa, apresentava-se como a verdadeira continuadora do cristianismo primitivo. Entre os fatores que distinguiam a Igreja Ortodoxa da Igreja Católica Romana, destacam-se: proibição de se venerar imagens de santos, exceto o crucifixo; veneração de Maria como mãe de Deus, mas não aceitação da doutrina da virgem imaculada; preservação de um ritual religioso mais complexo e elaborado.

É importante destacar que, enquanto a religião era assunto de acaloradas discussões no Império Romano do Oriente, o mesmo não se processou na Europa Ocidente e não é difícil entender os motivos. Quando a Europa Ocidental viveu o processo de ruralização e a sociedade foi se restringindo aos limites do feudo, isso se manifestou no espírito dos homens da época.

Poderíamos dizer que o espírito dos homens também se enfeudou, se fechou em limites bastantes estreitos: não havia espaço para a discussão, e apenas a doutrina cristã pregada pela Igreja Católica Apostólica Romana povoava o pensamento e o sentimento humanos. As idéias cristãs eram colocadas como dogmas, inquestionáveis. Enquanto isso, em Bizâncio e demais grandes cidades orientais, havia uma civilização urbana, o que favorecia sobretudo o desenvolvimento do pensamento.

A herança filosófica grega também teve enorme influência na sociedade bizantina, contribuindo para um clima de polêmicas mais freqüentes, para um hábito de questionamento, típicos do pensamento filosófico. Assim, não obstante, o centro dos debates fossem temas religiosos, várias foram as interpretações surgidas sobre a origem e a natureza de Cristo. Mais ainda, muito embora as heresias fossem fruto das discussões entre os elementos eclesiásticos, elas acabavam por representar interesses políticos e econômicos de grupos sociais diversos.

Além da já citada questão da iconoclastia havia no caso do Monofisismo (heresia que difundiu-se nas províncias do Império Bizantino) uma identificação com as aspirações de independência de parte da população síria e egípcia.

Nas artes, os bizantinos souberam combinar o luxo e o exotismo oriental com o equilíbrio e a leveza da arte clássica greco-romana.

A arte bizantina era, então, essencialmente religiosa. O espaço arquitetural era aproveitado em função do jogo de luz e sombra e, reluzindo de ouro, o mosaico destaca a arquitetura.

Com fases alternadas de crise e esplendor, a arte bizantina se desenvolveu do Século V, com o desaparecimento do Império Romano do Ocidente enquanto unidade política, até 1453, quando Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, instituída sobre a antiga cidade grega de Bizâncio, foi ocupada pelos exércitos otomanos.

Justamente nessa ocasião, a arte bizantina encontrava-se em vias de uma terceira idade áurea.

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal