
No Monte Yi há muitas rochas. Elas são enormes, não têm nenhum mato em cima delas, nem terra. De longe, vê-se somente uma grande área branca. Você acha que elas são pedras só, não acha? Mas quem sabe? Talvez haja alguma riqueza ali. Se você não acredita, leia a história do homem de pedra!
Muitos anos atrás, veio um velho de 60 anos no Monte Yi, do sul. Alguém viu que o velho subiu o monte com um saco vazio, passou alguns dias no monte, e desceu com o saco cheio. Ele não se estabeleceu na aldeia ao pé do monte, nem passou a noite no caminho. Ele andou muito, e parou numa aldeia pequena, a 40 quilômetros do Monte Yi.
Na entrada da aldeia, havia duas casinhas. Pelas janelas, podia-se ver a luz dentro. O velho bateu na porta, e um jovem a atendeu. Era um jovem de 17 ou 18 anos, chamado de Li Peng. Ele vivia sozinho, não tinha nenhum parente; tinha somente um bom amigo, chamado de Bao You, vivia numa aldeia no outro lado do rio.
Li Peng queira ter alguém como companheiro, assim o velho ficou com ele. Li Peng o tratava muito bem, como se o velho fosse seu pai; e o velho gostava muito do rapaz. Li Peng não era rico. De vez em quando, o velho lhe dava um pedaço de prata para comprar comida e óleo. Às vezes acabava a prata, aí o velho dizia: "Filho, fique em casa. Hoje o tempo está tão bom, vou passear um pouco."
Ele pegava o saco e saia. No dia seguinte, bem tarde, ele voltava, e o saco estava de novo cheio de prata. Sorria e dizia: "Filho, isso vai ser suficiente para nós passarmos um período."
Mas, o céu claro pode ser coberto de repente de nuvens negras. Um dia, o velho ficou doente. Ele se sentiu mal, chamou Li Peng para perto da cama, e disse: "Filho, não posso ver nada mais, e tenho tanta dor de cabeça. Sei que eu estou morrendo. Sou uma pessoa sem família sem nada, depois da minha morte, sepulte-me. Quero lhe dizer uma coisa, é que em cima do Monte Yi, dentro das rochas, há um..." Antes de terminar a frase, o velho perdeu a voz. Ele apontou ao seu saco, e apontou para fora da janela, e morreu.
Li Peng ficou muito triste, sepultou o velho.
Achando estranho o que o velho lhe disse, Li Peng foi visitar seu amigo Bao You e lhe contou tudo. Ao ouvir isso, Bao You pulou da cadeira, com muita felicidade, e disse para Li Peng: "Tenho certeza que ele quis dizer, que dentro das rochas há muita prata. Vamos procurar!" Li Peng pensou: "Não me importa o que tem dentro das rochas. Parece que o velho quis que eu fosse lá."
No dia seguinte, de madrugada, os dois rapazes começaram a viagem. Quando caiu a noite, eles chegaram ao pé do monte. No luar, eles viram que o monte era cheio de rochas. Onde poderiam começar?
Eles subiram a primeira rocha. A rocha é muito lisa, não tinha musgo, nem terra, nem uma fenda. Eles procuraram, mas não acharam nada. Bao You ficou um pouco deprimido.
Eles subiram uma outra rocha, de novo, viram somente pedras. Uma coruja estava piando em cima de um pinheiro, um lobo estava uivando no vale. A noite no monte parecia cheia de perigo. Os dois rapazes ficaram procurando a noite toda. O dia começou de novo, eles não acharam nada.
Eles continuaram procurando.
Quando a noite caiu de novo, a lua estava coberta de nuvens, um vento forte veio. Os pinheiros assobiavam, o vento chorava no vale, o monte tremia ao vento.
Bao You ficou muito bravo e disse: "ô velho idiota! Mentiroso! Enganou-nos para sofrermos aqui!"
Li Peng respondeu: "Não, ele nunca mentiu. É que nós não achamos nada ainda."
Mas Bao You não tinha mais paciência, disse: "Procure, se quiser. Para mim, basta!" Ele desceu o monte e voltou para casa.
Vendo que Bao You realmente fora embora, Li Peng ficou muito triste. Mas ficou, e procurou um lugar que o vento não alcançasse para passar a noite.
Quando o sol se levantou, Li Peng subiu a rocha mais próxima. De repente, a rocha em baixo dos seus pés se moveu e abriu uma fenda no chão. Foi uma supressa para Li Peng. Ele se acalmou, removeu a rocha, e achou um poço. Ele desceu o poço, e achou um homem de pedra branca.
O homem de pedra tinha quase um metro, tinha rosto, braços e pernas. Li Peng ficou olhando para ele, e gostou. Decidiu levá-lo para casa.
Li Peng desceu o monte carregando o homem de pedra. Porque o homem de pedra era muito pesado, ele não conseguiu andar rápido e tinha de fazer uma pausa de vez em quando. O dia passou, Li Peng terminou somente a metade do caminho. Quando o sol se pôs, ele chegou a uma aldeia.
Ele entrou na aldeia, encontrou um idoso em frente de uma casinha. Pediu: "Vovô, estou indo para casa mas não vou conseguir chegar hoje. Será possível me deixar passar a noite em sua casa?"
O idoso respondeu: "Tenho uma casa vazia, mas há sempre coisas esquisitas acontecendo ali, não há nenhuma noite calma. É melhor que você procure outra possibilidade."
Li Peng era valente desde criança. Ele sorriu e disse: "Vovô, para os viajantes, já é muito bom achar um lugar para se proteger do vento e da chuva. Eu não tenho medo!"
Porque Li Peng insistiu, o avô o guiou até a casa. O jardim estava cheio de mato, tão alto que chegava à altura da cintura. O idoso abriu a porta e acendeu a luz. Era uma casa para visitas, mas parecia meio abandonada.
Li Peng se agradeceu, limpou um pouco a cama, colocou o homem de pedra atrás da porta para bloqueá-la, e foi para a cama.
À meia noite, Li Peng foi acordado pelo barulho do vento, e a luz foi apagada pelo vento. Um momento depois, o vento parou à porta, aí vieram ruídos da porta, parecia que alguém estava tentando abrir a porta.
Li Peng pensou: "Ainda bem que bloqueei a porta com o homem de pedra, senão, a porta poderia se abrir."
Ele quis dar uma olhada, mas antes de se levantar, o homem de pedra já começou a falar: "Monstro do peixe verde aí, não desperdice sua força! Seu irmão de pedra está bloqueando a porta."
O monstro do peixe verde gritou de fora: "Seu homem de pedra, fique longe! Deixe-me passar!"
"Não vou deixar, não. Não vou deixar você machucar as pessoas."
Ouvindo isso, o monstro de peixe verde ficou bravo, e disse: "Você acha que eu não sei quem você é? Você é o homem de pedra. Se bater nas suas costas, você vai cuspir prata; se bater no seu ombro, você vai bater em tudo como ordenarem. Isso é tudo que sabe fazer!"
O homem de pedra ficou irritado e respondeu: "Também sei tudo sobre você. Tudo o que você pode fazer é jogar água e vento. Você tenta sempre machucar as pessoas com isso!"
"Seu homem de pedra, não é necessário você fazer esses comentários!"
"Mas eu quero! Eu sei que você mora na Aldeia da Família Wang, na lagoa atrás da casa da moça Wang Chun. Usando seu fígado, Wang Chun vai conseguir curar a doença dela."
O monstro ficou mais bravo, e continuou trocando palavras com o homem de pedra. Li Peng ouviu tudo e memorizou tudo. Os dois não pararam até o galo cantar. Depois de uns barulhos do mato no jardim, começou um vento forte; e quando terminou o vento, tudo ficou quieto.
O sol se levantou devagarzinho. A luz do sol atravessou a janela. Li Peng olhou para o homem de pedra, que estava na porta como na noite anterior.
Li Peng desceu da cama e chegou ao lado do homem de pedra; ele o bateu nas costas, o homem de pedra cuspiu um pedaço de prata; ele bateu nele de novo, recebeu de novo um pedaço de prata. Li Peng percebeu que o que o velho não tinha terminado de falar era este segredo.
De manhã, acompanhado por alguns vizinhos, o idoso chegou na porta. Todo mundo pensou que o rapaz já tivesse sido comido pelo monstro. Ouvindo-os chegar porta, Li Peng removeu o homem de pedra e abriu a porta. Todo mundo ficou chocado, por que ainda não tinha visto ninguém sair da casa vivo.
Li Peng perguntou sobre a Aldeia da Família Wang. A aldeia ficava na direção contrária da sua casa, mas para salvar a vida da moça, ele carregou o homem de pedra, até lá.
Chegou à Aldeia da Família Wang, foi fácil achar a casa da moça Wang Chun. Foi o pai de Wang Chun que atendeu a porta. Ele olhou para o rapaz e disse, muito deprimido: "Meu visitante, vá pedir comida e bebida a outras famílias. Há uma paciente morrendo em minha casa, não posso lhe ajudar."
Li Peng respondeu: "Tio, não venho para pedir comida nem bebida. Venho para curar a paciente na sua casa."
Apesar do pai de Wang Chun poder ver que o rapaz não era um doutor, quis aproveitar qualquer chance que tivesse antes que fosse tarde demais: "Bom, assim, entre. Posso lhe falar a verdade: já não sei mais quantos doutores procurei e quantos remédios ela tomou, mas nada ajudou."
Li Peng perguntou: "Há uma lagoa atrás da casa?"
"Sim."
"Na lagoa há um enorme peixe verde, o fígado dele pode curar a doença da sua filha. Vá procurar 20 rapazes fortes."
Os 20 rapazes chegaram em pouco tempo. Eles se reuniram na beira da lagoa. A água da lagoa tinha uma cor preta. As pessoas falaram: "Mas a lagoa nunca está seca."
Li Peng e os rapazes começaram a tirar a água da lagoa. Quase meio dia se passou, sobrou pouca água na lagoa e pôde-se ver a barbatana do enorme peixe verde. O peixe era enorme mesmo, tinha cerca de 3 metros. Ele bateu o rabo na água, levantou a cabeça e cuspiu água, a lagoa ficou cheia de novo.
Os rapazes não desistiram. Eles continuaram tirando a água da lagoa. Quando a lagoa ficou de novo sem água, o peixe cuspiu água de novo.
Mas os rapazes não desistiram. Até que na quarta vez a lagoa ficou sem água, e o peixe verde não conseguiu jogar mais água. Li Peng desceu na água e chegou perto do peixe. O peixe pediu: "Li Peng, prometo que não machuco mais ninguém daqui para frente. Por favor, me perdoe! Para curar a doença de Wang Chun, você precisa somente de duas escamas minhas."
Ouvindo isso, Li Peng mudou de idéia, pegou duas escamas do peixe e subiu na beira. A água da lagoa demorou muito para subir até o nível normal.
Depois de comer as duas escamas, Chun se recuperou. Seu pai disse: "Filha, saia para agradecer!" Ela saiu do quarto, viu Li Peng, e ficou muito tímida. Ao ver a Chun, Li Peng ficou mudo: Chun era tão linda!
Li Peng pegou o homem de pedra, e começou de novo seu caminho. No dia seguinte, ele chegou em casa. Alguns dias passaram, Bao You veio. Ele entrou na casa falando alto: "Meu irmão! Quanto tempo não o vejo! Estou com muita saudade!"
Li Peng ficou muito feliz e já tinha esquecido o que acontecera no Monte Yi, disse: "Irmão, fique comigo! Agora a gente pode ter o que quiser!"
Bao You ficou. Ele morou duas semanas com Li Peng e viu como se pedir a prata ao homem de pedra. Um dia de manhã, quando Li Peng se levantou, não achou mais Bao You, nem o homem de pedra. Ficou muito triste, porque ele sempre considerava Bao You seu melhor amigo, mas estava enganado.
Mas Li Peng não ficou bravo por muito tempo até alguém chegar à sua porta: era o pai de Chun. Li Peng o recebeu e perguntou se ele estava com fome e sede. Mas o pai não tinha paciência para falar isso, ele suspirou, e disse: "Filho, você curou minha filha, agora pode me prometer uma outra coisa."
"Pode falar. Desde que eu possa lhe ajudar."
"Tenho uma filha só, e ela recebe sempre o que quer. Depois de ela se recuperar, só pensa em você, até falou para a mãe dela, que ela se casará, só com você. Você quer viver com a gente?"
Ao ouvir isso, a tristeza que ocupava o coração de Li Peng desapareceu totalmente. Nada podia se comparar com a Chun, nem 100 homens de pedra! Depois de se encontrar com Chun, Li Peng pensava também muito nela e não tinha mais o coração calmo como antigamente.
Li Peng mudou para a Aldeia da Família Wang. Ele se casou com Chun e viveu muito feliz com ela. Eles se amavam tanto, nem queriam se separar por um breve momento.
Mas Li Peng tinha de trabalhar no campo de dia. Para matar a saudade, Chun bordou um retrato dela. O retrato era feito de linhas de seda coloridas, ele era bem delicado, igual a Chun. Daí, Li Peng saia todo dia com o retrato. Quando ele fazia pausa, ficava olhando para o retrato. Com o retrato no bolso, ele não se sentia mais cansado. Trabalhava tanto que as coisas no seu campo cresceram como loucas: as abóboras eram tão grandes que se tinha de usar serras para cortá-las; os aipos eram tão altos, tinham quase dois metros.
Um dia à tarde, o sol estava se pondo. Li Peng terminou os trabalhos no campo e ficou olhando de novo para o retrato de Chun. E veio um vento, levou o retrato embora. Li Peng correu atrás, mas rapidinho, não viu mais o retrato. A noite caiu. Ele não tinha outro jeito, voltou para casa e contou isso para Chun. Chun não ficou brava, mas um pouco preocupada: "Tomara que o retrato não traga nenhum azar."
O vento na verdade foi criado pelo peixe verde enorme. Embora ele não machucasse mais as pessoas, ficava bravo com Li Peng. Quando ele viu o retrato de Li Peng, surgiu uma má idéia na cabeça dele. Ele mandou o vento para pegar o retrato e o levar até a prefeitura.
O prefeito não era outra pessoa senão Bao You. Depois de ele roubar o homem de pedra, comprou o posto. Neste dia, um empregado dele viu o retrato e o levou para Bao You. Bao You olhou o retrato e pensou: "Tenho prata suficiente, tenho um bom posto, tenho nove mulheres, mas nenhuma pode se comparar com esta mulher do retrato. Se eu tivesse uma mulher assim, ficaria contente."
No dia seguinte, Bao You se fingiu de cartomante, saiu de casa para procurar a mulher do retrato. Quando ele passou pela casa de Li Peng, Chun e a mãe estavam em casa. A mãe disse: "Chun, está vendo um cartomante. Vou convidá-lo para que ele possa ver onde seu retrato está." Chun ficava muito preocupada com o retrato perdido, concordou com a mãe.
O "cartomante" entrou em casa, perguntou o aniversário de Chun e o dia no qual o retrato foi perdido, e disse: "Achei! Vá procurar na beira do rio. Vá rápido, senão vai perdê-lo."
Ouvindo isso, Chun e a mãe saíram de casa depressa. Chegaram à beira do rio. O "cartomante" as seguiu até a beira do rio, e ao chegar ali, bateu as mãos. Dois empregados dele pularam de um barco parado ali, pegaram a Chun, e foram embora de barco. A mãe de Chun chorou muito, mas não tinha outro jeito.
A perda de Chun chocou Li Peng, como se o trovão batera na cabeça, como se o fogo queimara o coração. Ele saiu de casa procurando a Chun.
Ele procurou na cidade: perguntou aos homens que estavam jogando cartas, mas eles jogavam e não prestaram atenção; perguntou aos vendedores no mercado, mas eles estavam ocupados e não prestaram atenção.
Li Peng percebeu que assim não dava certo, ele teria de atrair a atenção das pessoas. Ele voltou para casa, pegou as enormes abóboras e os longos aipos. Quando ele atravessou a cidade de novo, estava vendendo abóboras enormes e aipos de dois metros.
Todo mundo queria ver as abóboras que precisavam de serras para cortar, todo mundo queria ver os aipos de dois metros. Onde Li Peng estava, a rua estava cheia.
Quando Li Peng passou na frente da porta da prefeitura, as pessoas da prefeitura ficaram também curiosas. Mesmo Chun ouviu isso.

Chun foi roubada e trancada na prefeitura. Embora Bao You tentasse muito agradá-la, ela não obedecia. Para agradá-lo, Bao You moveu o homem de pedra para seu quarto, mas Chun disse: "Você pode comprar o posto com prata, mas não vai comprar meu coração." Ela era trancada na prefeitura, mas seu coração estava o tempo todo com Li Peng.
Quando Chun ouviu sobre as abóboras enormes e os aipos longos, já pensou: "Além de Li Peng, quem vai ter abóboras tão grandes que se precisa de serra para abri-las?" Pela primeira vez, muito meiga, ela falou para Bao You: "Quero comer o aipo de dois metros. Mande o vendedor vir aqui, quero escolher."
Desde que entrara na prefeitura, Chun ainda não comera nada. Ao Ouvir que ela queria comer aipo, Bao You mandou imediatamente um empregado chamar Li Peng.
Ao ver sua esposa e seu homem de pedra, Li Peng ficou muito bravo. Identificou que o prefeito era Bao You. Bao You, sendo orgulhoso, não percebeu que o vendedor era Li Peng. Li Peng chegou ao lado do homem de pedra, bateu no seu ombro, e apontou em Bao You. O homem de pedra levantou seu braço e bateu, exatamente na cabeça de Bao You.
Bao You morreu. Li Peng carregou o homem de pedra, juntos com Chun, saiu da prefeitura correndo. Ninguém tinha a coragem de pegá-los por causa do homem de pedra: ele batia onde Li Peng apontava, mesmo muros e portas foram quebrados por ele.
Li Peng e Chun saíram da cidade, mudaram de casa, e viveram num lugar tranqüilo, até o fim da vida.
Fonte: minhachina.com