Arte Egípcia (Página 9)
Arte Egípcia

A RELIGIÃO NO ANTIGO EGITO

A religião marcava a vida no Antigo EGITO. Os animais eram adorados como divindades. As suas formas e normas eram adoptadas e condicionavam o procedimento humano. Isto justifica a forma como os deuses eram vistos: com cabeça de animal e corpo humano ou vice – versa. Por exemplo: Hátor a deusa do amor, da música e do vinho era representada com corpo de uma vaca ou de uma mulher ou misto. O deus Hórus era representado com cabeça de falcão. O deus Anubis era representado com cabeça de chacal.

Os deuses eram relacionados também com o Sistema Solar. O Sol era engolido ao anoitecer pela deusa Nut e ao amanhecer era representado pelo escaravelho, o deus da vida. Este mudava de nome conforme a posição do Sol: Jepre de manhã, Rá ao meio dia, Aton ao anoitecer.

Só ao faraó era concedida a possibilidade de uma "vida" no além depois da morte. Depois de ter reinado como encarnação do deus Hórus convertia-se no deus do mundo subterrâneo Osíris. O culto dos mortos foi muito popular até ao fim do Império Antigo. Por isso as tumbas dos faraós eram abastecidas por objectos úteis durante a vida e que não podiam faltar depois da morte: alimentos, jóias, roupas, figuras de criados que estavam lá para trabalhar para ele, etc.

RESUMO HISTÓRICO

No Antigo EGITO os feitos reais e os mitos estavam relacionados. Os acontecimentos históricos eram apresentados como o ano do reinado do faraó e não como uma sucessão de datas (cronologicamente). Os historiadores ordenaram a história antiga egípcia em Império Antigo, Médio e Novo. A divisão da história egípcia em 30 dinastias deve-se ao sacerdote Manenton que viveu durante o 3.º século antes de Cristo.

DINASTIAS

IMPÉRIO ANTIGO (3.200 a.C. - 2235 a. C.).

Também chamado Império Menfita pois a capital foi transladada para Menfis.

Na I e II dinastias o faraó Menes unificou o Alto e o Baixo EGITO. Na III dinastia o rei Zoser ordenou a construção da pirâmide escalonada de Saqqãrah que foi a primeira construção monumental em pedra da humanidade. As gigantescas pirâmides dos reis da IV dinastia Snofru, Keops, Kefren e Micerino mostram o poder ilimitado do rei.

Este império desmoronou-se durante a VI dinastia com Pepi II surgindo uma desunião espiritual e cultural. Começa então o primeiro período intermédio ou seja uma época obscura e agitada em que o EGITO se afunda na anarquia e desordem social. Estende-se desde a VII dinastia (cerca de 2180 a.C. até ao fim da XI dinastia (cerca de 2060 a.C.).

IMPÉRIO MÉDIO (2060 a.C. – 1650 a. C.)

Durante a XI dinastia Tebas tornou-se a capital do país. No final da XII dinastia começou o segundo período intermédio o mais desconhecido e duvidoso do antigo EGITO. Sabe-se apenas que foi invadido por povos estrangeiros vindos do oriente. A guerra de reconquista e libertação terminou cerca de 1622 a.C. quando Amosis, o fundador da XVIII dinastia, expulsou os invasores até ao sul da Palestina.

IMPÉRIO NOVO (1580 a.C.– 1085 a. C.)

Entre as XVIII e XX dinastias o EGITO atingiu a sua máxima extensão alcançando a Rio Eufrates no actual Iraque. Durante o reinado de Tutmosis.

III o EGITO alcançou a época de maior poder e riqueza. Comandou algumas expedições militares à Ásia onde obteve vitórias famosas em várias batalhas.

Com a corrupção e a crise económica a instalarem-se, teve início o desmoronamento do império. Entretanto os militares tomaram conta do poder. O mais famoso foi Ramsés II. apelidado "o grande" que deixou monumentos colossais para perpetuar os 67 anos do seu reinado.

ÉPOCA TARDIA (1085 a. C. – 323 a.C.) ou terceiro período intermédio:

Da XXI à XXX dinastias o EGITO foi governado por líbios e etíopes e por fim tornou-se uma província persa. O império desmoronou-se completamente com o falecimento de Alexandre Magno, (que foi um libertador do EGITO) a quem se deveu a fundação de Alexandria. Esta cidade chegou a ser depois o centro cultural de todo o mundo antigo.

O EGITO ISLÂMICO

As tropas árabes ocupam o EGITO em 640 e o Cairo torna-se a capital. Em 1517 é integrado no Império Otomano e em 1798 é ocupado por Napoleão. Em 1882 devido às suas dívidas é ocupado pela Inglaterra a qual proclama a sua independência em 1922. A partir daí o EGITO converte-se numa monarquia constitucional mas termina num golpe de estado em 1952. Em 1970 passa a denominar-se "República Árabe do EGITO".

A ARTE NO ANTIGO EGITO

A cultura egípcia antiga proporcionou uma das maiores influencias na humanidade.

A arte do EGITO Antigo é subretudo arte sacra. Templos, tumbas, pinturas morais, estátuas estavam ao serviço de uma religião que tenta dominar a morte e a profundidade cósmica. O faraó tornava-se uma figura central como mediador entre os deuses e os homens. A situação geográfica do país, isolado por mar e desertos também determinava o desenvolvimento da arte egípcia.

As formas da arquitectura egípcia – pirâmide, tumbas rupes-tres e câmaras escuras – constituem reproduções das formas naturais da montanha, do bosque e das grutas. A pirâmide construída pelo povo durante a época das inundações servia para a sobrevivência do rei e com ele o bem estar de todo o povo. A sua grandiosidade era expressão do poder real. Às gigantescas construções da III e IV dinastias sucedem-se obras mais modestas durante a V e VI dinastias. A forma das colunas egípcias é determinada pelo objectivo que devem cumprir. Algumas evocam a vegetação (depois da criação do mundo) com formas de folhas de palmeiras e hieróglifos.

As paredes dos templos e das tumbas estão decoradas sempre (excepto no Império Antigo) com pinturas murais e relevos a cores. Os motivos temáticos abarcam desde cenas bélicas até aos sacrifícios religiosos, passando por imagens do dia a dia.

A escrita utilizada é a hieroglífica traduzida por Champollion a partir de uma pedra que foi achada em 1798 próximo da cidade de Roseta a que foi dado o nome de "Estrela de Roseta". Nessa pedra foi encontrada uma inscrição em três línguas: a hieroglífica (usada pelos sacerdotes e sábios), a demótica (usada pelo povo) e o grego já compreensível naquela época. Tratava-se de um decreto sacerdotal em honra de Ptolomeu Epifânio.

As paredes interiores estão quase sempre adornadas com altos relevos. Os muros exteriores estão decorados com baixos relevos devido ao efeito que produzem as sombras do sol. A pintura propriamente dita encontra-se principalmente nas tumbas do Império Novo nas quais as paredes foram cobertas por lodo do Nilo e cal formando um estuque e pintando-se em cima dele.

O artista egípcio desenha sempre alinhando detalhes importantes mas sem os relacionar no tempo e no espaço. Isso deve-se a uma visão do mundo baseada na totalidade e eternidade. O ser humano é representado numa combinação de perfil e vista frontal. O tamanho das pessoas ajusta-se à sua importância na vida real.

Para o escultor o motivo mais importante é o rei cuja representação artística adapta-se a diferentes fases históricas do EGITO: No Império Antigo a figura real e ao mesmo tempo divina irradia eternidade; no Império Médio apresenta o faraó como um ser humano e político pragmático; no Império Novo o faraó é convertido num herói idealizado.

PRINCIPAIS MONUMENTOS DO EGITO

Há 80 pirâmides conhecidas no EGITO. A forma piramidal aparece pela primeira vez durante a IV Dinastia. As pirâmides diferenciam-se pelo seu tamanho e pelos materiais utilizados na sua construção.

As mais conhecidas do EGITO são as Pirâmides de Giseh. Foram construídas à beira do deserto ocidental onde, segundo a antiga mitologia egípcia, começava o reino dos mortos.

Pirâmide de Keops
Pirâmide de Keops

A Pirâmide de Keops é a de maior tamanho com 227,5 metros de lado e uma altura original de 146,6 metros. É composta por 2,3 milhões de blocos de pedra com cerca de 2,5 toneladas cada um. Através de um corredor ascendente de pouca altura chega-se à grande galeria. Na câmara mortuária de granito rosado só se encontrou um sarcófago vazio sem tampa.

A Pirâmide de Kefrén encontra-se a sudoeste da Pirâmide de Keops. É um pouco mais baixa que esta com 143,2 metros de altura. Tem duas câmaras mortuárias: a primeira nunca foi utilizada. Na grande câmara funerária encontra-se um austero sarcófago de granito sem quaisquer inscrições.

A Esfinge (junto à Pirâmide de Kefren), uma figura esculpida na própria rocha revestida e formada por pedras, tem 57 metros de comprimento de 20 de altura. É a maior do antigo EGITO e data de há 4500 anos. Simboliza as virtudes de um faraó, mistura de corpo de leão com cabeça humana, unem-se as forças física e espiritual.

Pirâmide de Micerino
Pirâmide de Micerino

A Pirâmide de Micerino tem 62 metros de altura e é a mais pequena e a mais moderna deste conjunto.

Outra Pirâmide digna de nota está a poucos km ao sul de Gizeh. É a Pirâmide Saqqãrah (junto da antiga Menfis) escalonada de Zóser que é a mais antiga construção de pedra do mundo. No seu interior foram descobertos mais de 40.000 vasilhas e de maravilhosos azulejos de louça fina de cor verde azulado. Esta Pirâmide simboliza uma escada celestial pela qual o falecido rei subia até aos deuses.

TEMPLOS DE LUXOR E KARNAK

O Templo de Luxor , junto às margens do Nilo, foi iniciado por Amenofis II., engrandecido por Tutmosis III e terminado por Ramsés II. durante o período de maior riqueza e poder do EGITO Antigo. Por isso são inumeráveis as colunas, estátuas, pátios, mesquitas, santuários, etc., que aí ainda se podem admirar hoje.

À entrada encontra-se um dos dois Obeliscos que marcavam o acesso ao recinto. O outro foi trocado por um relógio em 1833 e erguido na Praça da Concórdia no centro de Paris. Das seis estátuas colossais de Ramsés II. sentado no seu trono, frente à entrada só se conservaram três com 15,5 metros de altura cada.

Obeliscos
Obeliscos

Na antiga avenida entre Luxor e Karnak (3 km) efectuava-se uma procissão da família dos deuses. Esse acontecimento está narrado detalhadamente nos relevos da Colunata processional. Era a festa do Opet. Nesta avenida as esfinges que a adornavam foram substituídas por outras com cabeça humana durante a XXX dinastia.

Na sala do nascimento está representado o mito da ascendência divina de Amenófis III.: o seu pai, o grande deus Amon, está sentado numa cama com a sua mãe de mãos dadas. Outros deuses o educam e preparam a ascendência ao trono. Outras estátuas de vários deuses encontram-se noutras salas o que demonstra a grandiosidade do Templo.

Estátuas do Egito

Os Templos de Karnak representam a história da antiga capital Tebas. Ao iniciar-se o Império Médio Tebas converteu-se na capital do país e Amon era o deus do Império. Durante os 2.000 anos seguintes os soberanos do EGITO tentaram ultrapassar-se uns aos outros na sua tarefa construtora. O poder e a riqueza do país assim como a influência exercida pelos sacerdotes de Ámon reflectem-se na história da arquitectura desta cidade.

A sua actual configuração remonta às XVIII e XIX dinastias e abarca três complexos diferentes. No centro encontra-se o Grande Templo de Amon, com cerca de 30 hectares, ao sul o Templo da deusa Mut (a esposa de Amon) e ao norte o Templo do deus Montu com cerca de 2,5 hectares de superfície.

Templos de Karnak

A porta de entrada do Grande Templo de Amon é a maior do EGITO com 113 metros de largura e 43,5 de altura.

O conjunto dos Templos de Karnak incluem também um lago sagrado com 120 metros de largura onde os sacerdotes cumpriam os seus rituais nocturnos.