Situa-se geralmente o nascimento da Arte Gótica em Saint-Denis (séc XII). Identifica-se a arte gótica pelo cruzamento de ogivas e pelos arcos botantes.


O modo de ver e de fazer ver é reflexo de um modo de pensar. A catedral gótica é um espelho desta época que coincide com a condenação de Abelardo, com o começo das obras em Saint-Denis, com a suma teológica de Alexandre de Hales e o ensinamento público de Aristóteles. O gótico não é, portanto, somente um recurso das possibilidades arquitetônicas do cruzamento de ogivas e do arcobotante. É a busca de uma luz sempre mais abundante, de uma elevação sempre mais alta e de uma unificação do espaço pelo descolamento dos volumes. "A beleza é o resplendor da forma sobre as partes proporcionadas da matéria" (St. Tomás, de Pulchro et Bono).
Podemos distinguir os seguintes períodos na arte gótica:
"O círculo - entre todas as figuras - e o movimento circular - entre todos os movimentos - são soberanamente perfeitos porque neles se verifica o retorno aos princípios" (St. Tomas - Suma Contra Gentis, II, 46-1).
Portais quase em arco românico Preponderância de espaços cheios sobre vazios Colunas e pilastras grossas Arcobotantes curtos e grossos Divisão da fachada por pilastras.
O gótico primitivo se exemplifica por duas catedrais: St. Denis e Sens. Em Saint-Denis, o duplo deambulatório demonstra a liberdade de espaço possibilitada pelo cruzamento de ogivas. As colunas delgadas e audaciosas não serão seguidas imediatamente em outras localidades. Suger faz outra escolha importante, uma fachada harmônica seguindo o exemplo das catedrais da Normandia.
Em Sens, as escolhas arquiteturais foram menos audaciosas, a alternância de suportes fortes e fracos é conservado juntamente com o arco em 6 gomos.
As paredes permanecem espessas, entretanto as inovações são belas e bem presentes: a claridade fornecida por grandes janelas do bas-côtés é abundante.

As contribuições arquitetônicas de Sens são apreendidas mais rapidamente que as de St. Denis.
Elas são transportadas, com numerosas adaptações à Senlis, Noyon. Notre-Dame de Noyon inaugura a fórmula de elevação em 4 níveis (grande arcadas, tribunas, trifórium, janelas altas) que, sem ser exclusivo (Notre Dame de Paris possui 3 níveis), conhecerá uma grande difusão durante toda segunda metade do século XII. A partir de 1160, começam construções de catedrais cada vez mais altas - Notre Dame de Paris, Laon, etc. Em Laon o mestre-de-obras utiliza paredes recortadas, uma elevação em 4 níveis. Em Paris, a parede é simples, o trifórium foi suprimido para proveito das tribunas e de uma iluminação mais abundante.
Este segundo modelo conhecerá maior sucesso entre os mestre-de-obras.
"Una e simples no seu princípio a luz divina se divide e se diversifica na medida em que as criaturas intelectuais se afastam como linhas de um centro" (St. Tomas, Summa Teologiae I,89,1)