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Arte Gótica

O GÓTICO DA INGLATERRA - A CONTINUAÇÃO DAS TRADIÇÕES NORMANDAS

O fato do estilo da Ile de France se ter tornado conhecido fora do território francês deve-se aos mestres pedreiros itinerantes, trazendo, assim, o gótico para a Inglaterra. Este acabou por se desenvolver numa verdadeira rivalidade com o gótico das catedrais francesas. Em Inglaterra as grandes igrejas eram erigidas fora das cidades.

Como característica há a expansão desmesurada do comprimento e da largura, e o arremate plano da cabeceira, à qual era adossada a Lady Capel. O papel central do cruzeiro também era visível do exterior.

Esta evolução acaba de desembocar, de modo conseqüente em meados do séc XIV, no perpendicular style. Esta arquitetura manteve-se determinante por muitos séculos na Inglaterra, vindo a ter influencia sobre o gótico tardio em França com o seu estilo flamejante.

O GÓTICO NA ALEMANHA - O DESENVOLVIMENTO DA IGREJA-SALÃO

Na Alemanha, onde o românico tinha encontrado o seu desenvolvimento máximo, o gótico francês foi adotado de modo hesitante. Em 1248, o ano da conclusão da Sainte-Chapelle, era colocada a primeira pedra da construção da catedral de Colônia.

Os mestres-pedreiros alemães tinham passado os seus anos de aprendizagem na França existindo, alem disto, relações estreitas entre Paris e Colônia. No entanto, a construção da catedral de Colônia foi interrompida em 1560 e apenas retomada em 1842, terminando em 1880.

As igrejas-salão - o tipo de igreja dominante na Alemanha a partir de meados do séc XIV não eram, no geral, catedrais (igrejas episcopais) mas sim igrejas de conventos ou paroquiais ( igrejas de várias freguesias nas cidades ).

O GÓTICO NA ALEMANHA DO NORTE

Aqui a pedra natural era rara. O esforço dirigiu-se gradualmente para uma interpretação das formas (decorativas) das catedrais do gótico lassico com a silharia de pedra lavrada e de tijolo, a simplificação e abstração das estruturas, a aplicação de arcos cegos e a ornamentação geométrica sobre fundos cegos.

O GÓTICO NA ITÁLIA

O gótico italiano liberou-se ainda mais do modelo francês. O culto da habitação conduziu à edificação de palácios residenciais suntuosos como o Cá d'Oro em Veneza, iniciada em 1420. Já anteriormente o brio das cidades italianas e dos seus burgueses (ricos) tinha produzido Casas Comunais libertas do domínio da arquitetura sacra.

A tendência para uma arquitetura palatina é ainda mais marcante na Casa Comunal de Veneza, o palácio do Doge, regente desta cidade-república, que possuía o status de príncipe. O palácio do Doge foi ainda mais longe que a Cád'Oro. Em ambos os edifícios, mostra-se ainda mais claro do que na Alemanha, que as superfícies das paredes não tinham o aspecto pesado e maciço da românica, mas que parecessem antes painéis finos e leves.

A arq. ascética das ordens mendicantes teve uma grande influência sobre a arquitetura sacra italiana. O modelo foi a basílica paleocristã.

A CAMINHO DE UMA ARQUITETURA MAIS HUMANA

O gótico italiano pouco adotou dos modelos franceses. É na igreja florentina de Santa Maria dei Fiore ( 1296 - 1446 ) que se torna mais evidente a preferência italiana por espaços amplos. Marcadamente horizontais e de estruturação clara.

A burguesia italiana tinha ascendido ao poder e à prosperidade mais rapidamente que a alemã, desenvolvendo uma outra religiosidade, que resultou na transformação da arquitetura : o sagrado já não se opunha ao secular. Assim, o gótico italiano trazia já em sí o embrião do renascimento.

EDIÇÃO DO VITRÚVIO DE CESARIANO

O pintor, arquiteto e engenheiro Cesariano apresentou, em 1521, a primeira tradução para o italiano do tratado sobre arquitetura da antiguidade clássica de Vitrúvio, com inúmeros comentários e ilustrações xilografadas. Cesariano desenvolveu, em paralelo com Leonardo, a afinidade das relações métricas do homem, do cosmos e da arquitetura, que viria mais tarde a ter uma grande influência sobre a teoria e a prática da arquitetura renascentista.

Arte Gótica
Catedral de Canterbury Kent, Grã-Bretanha

Arte Gótica
Catedral de Lincoln Lincolnshire, Grã-Bretanha

Arte Gótica
Catedral de Milão Milão, Itália

Principalmente para os cisterciences a igreja já não tinha de ser o modelo da Jerusalém Celeste, mas um local de oração. Os sermões iam ocupando um papel cada vez mais importante no culto. Os burgueses que habitavam as cidades, sobretudo mercadores, voltavam-se cada vez mais para as coisas deste mundo, onde realizavam as suas atividades, prosperava e mantinham relações comerciais com freqüência através de grandes distâncias. Não que o além tivesse se tornado secundário, mas ia perdendo, pouco a pouco, o seu domínio opressivo sobre o pensamento das pessoas.

A equivalência entre a vida neste mundo e no outro, germina o pensamento renascentista, que encontra a sua expressão maior numa maior atenção dada à imagem exterior das igrejas - as cidades altivas e os seus burgueses cheios de brio davam cada vez mais importância a uma imagem que os representasse.

Em paralelo surgiram, em número crescente, construções civis mais suntuosas, que representavam a cidade, a sua importância e a sua prosperidade. Se no auge do gótico a construção da catedral se encontra no centro da atividade construtiva, como obra da comunidade, agora o interesse também se voltava para o modo como a habitação e, em parte, o local de trabalho era modelado. Um exemplo é a sacada, da qual se podia observar confortavelmente a rua em ambas as direções, num nítido volver para as coisas deste mundo.

Fonte: www.fag.edu.br

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