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Pintura Rupestre

 

O que é

Uma das primeiras formas que o ser humano encontrou para deixar seus vestígios foi a pintura.

arte rupestre consistiu na maneira utilizada para se ilustrar sonhos e cenas do cotidiano. Símbolos da vida, da morte, de céu e da terra foram encontrados nas paredes cálidas das cavernas.

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A aguda sensibilidade do homem (sentimento de suma importância para o desenvolvimento da arquitetura e escultura), levou-o a pintar. Muitos dizem que os antigos pintavam por fome, teorias mais recentes asseguram que o faziam por uma "predeterminação sexual". É sabido que a tela primordial em que nossos parentes longínquos plasmaram suas idéias pictórica foi a rocha pura.

As cores deviam ser aplicadas com aglutinantes para assegurar a aderência. Das cavernas francocantrábicas (Altamira, Lascaux - imagem a esquerda) às levantinas (Cogul) resulta uma evidente transição técnico-estilística: do realismo estático ao dinâmico, primeiro, e depois à uma acentuada estilização. A temática é comum: animais e cenas de caça e dança, as primeiras; homens e cenas várias, as segundas.

Um grande acervo de arte rupestre na América Latina é La Cueva de Las Manos, na Argentina. Nesta caverna encontram-se centenas de gravações de mãos além de ricas gravuras multicoloridas. Já no Brasil, temos a Serra da Capivara, no Piauí. Lá os primeiros habitantes das Américas trataram de deixar seus vestígios na rocha.

É uma verdadeira galeria de arte rupestre que se confunde com a beleza natural das cavernas locais. Observando a pintura, podemos notar cenas que ilustram a vida pré-histórica, caçadas, ritos religiosos, sexo, enfim...

A natureza do registro rupestre

Considerações extraídas do trabalho de pesquisa (A questão da teoria semiótica da interpretação da arte rupestre) executado por Carlos Xavier de Azevedo Netto, pesquisador do Instituto Superior de Cultura Brasileira (ISCB) e professor da UNESA. O registro rupestre é uma das facetas com que o arqueólogo se depara no decorrer de suas atividades, sendo aquela que implica em maior subjetividade nas diferentes tentativas de análise e interpretação deste fenômeno.

O que o debate sobre arte rupestre parece deixar claro é a nova visão que se tem sobre estas manifestações, não mais como um fenômeno específico e isolado dos demais componentes do registro arqueológico, mas sim como um integrante, importante, desse mesmo registro. Além disso parece começar a surgir um consenso de que estas manifestações estão imbuídas de uma intenção, e esta intenção é de comunicação. Então a arte rupestre é uma manifestação comunicativa.

Mas atualmente, embora mantida pela tradição, a própria expressão "arte rupestre" vem sendo questionada, na medida em que muitos pesquisadores acham que as manifestações rupestres estariam fora da esfera artística, e mesmo se pertencer a esta esfera estaria fora de qualquer análise científica.

Este posicionamento denota uma certa confusão quanto ao caráter de comunicabilidade que este fenômeno possui, já que há uma tendência de se ver a arte rupestre, enquanto comunicação, como uma forma de linguagem, passível de ser analisada e compreendida pelo parâmetro da lingüística, o que leva à um grande desvio quanto à natureza desse registro do passado, ainda apegado à postulações de Leroi-Gourhan (1983/85).

Aceitando-se estas expressões como gráfico-icônicas, de cunho comunicativo, não se pode deixar de notar, que as mesmas não estão ordenadas, organizadas ou mesmo pensadas, como uma linguagem estruturada, e até uma pré-linguagem. Estas expressões não estão inscritas no mesmo universo das línguas, mas são compostas por arranjos completamente diferentes daqueles que encontra-se nas diversas formas lingüísticas em qualquer tempo. (...)

Então a arte rupestre seria uma criação artística, não relacionada com o conceito, ou conceitos, que se tem da arte ocidental.

Estas formas estéticas teriam como caráter fundamental exprimir alguma forma de comunicação, sendo que o repertório, definido por Coelho Netto (1989:123), e de acordo com a teoria exposta por Bense (1975), dos grupos que produziriam esta arte seria mais limitado do que aquele que as culturas mais modernas possuiriam, já que para haver este potencial de comunicabilidade, a forma de expressão desse indivíduo, em particular, teria que ser estendida pelos demais membros de seu grupo, admitindo-se que a produção e o entendimento dos signos que compõe os painéis, pode, por vezes, apresentar algumas modificações, derivadas ora da interpretação de seu executor, ora da própria dinâmica cultural do grupo a que pertence. (...)

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Por fim, observa-se que a natureza do fenômeno arte rupestre, é em si mesma, a natureza de uma expressão artística, independente do conhecimento, ou não, do significado ou intenção, deste ato criativo. Caso seja necessário uma maior especificidade na conceituação do caráter de arte deste tipo de manifestação, pode-se entendê-la a partir do conceito de arte étnica, definido por Ribeiro (1986), no qual estabelece um diferenciação entre o que seria e esfera estética e a esfera funcional da cultura material, e como estes elementos estéticos estariam arranjados e compreendidos dentro de suas comunidades.

Então a arte rupestre seria uma expressão estética de grupos pré-históricos, os quais produziram e manipularam um conjunto de signos, formando um repertório, que seria entendido pelo restante do grupo. Isto não quer fazer crer no esquecimento da esfera individual na criação artística, mas esta mesma criação estaria contida dentro do repertório de signos disponíveis para tal veículo de expressão, fato, aliás, que ocorre em vários outros contextos artísticos.

Este conjunto de colocações vai fornecer uma compreensão do conceito de arte a ser aplicado às manifestações rupestres, com as noções de modelo reduzido e repertório fundindo-se. E passando a entender a arte rupestre como um modelo reduzido, com um repertório específico e comum à cultura produtora, afirmando assim o caráter comunicante deste sistema simbólico, que atenderia os parâmetros estéticos e simbólicos de determinada cultura. Então, a arte rupestre seria aquele conjunto de expressões estético-simbólicas, inseridas em determinada cultura, que a reconhecia.

Levas migratórias e a busca arqueológica

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Mas como será que estes "artistas" chegaram às Américas e ao Brasil? Veja no quadro ao lado (esquerda), um esquema das levas migratórias que adentraram ao continente.

A Arqueologia juntamente com a Antropologia busca informações a respeito das comunidades humanas que produziram belos objetos e representações gráficas. Sabe-se que a arqueologia se ocupa do estudo das antigas sociedades e conta somente com os seus vestígios para poder entendê-las. Por isso devemos conservar todo o nosso patrimônio arqueológico.

Fonte: www.arqueologyc.hpg.ig.com.br

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Do francês rupestre, o termo designa gravação, traçado e pintura sobre suporte rochoso, qualquer que seja a técnica empregada. Considerada a expressão artística mais antiga da humanidade, a arte rupestre é realizada em cavernas, grutas ou ao ar livre. Estão excluídas as manifestações artísticas contemporâneas como o graffiti e a arte ambiental.

Alguns especialistas criticam o uso do termo "arte" para fazer referência às inscrições sobre pedra que remontam, em geral, aos povos de épocas pré-históricas, na medida em que pinturas e gravuras descobertas pelas pesquisas arqueológicas nem sempre teriam, hoje, um sentido estético evidente. Apesar disso, convenciona-se chamar de "arte" essas expressões plásticas que fornecem acessos valiosos para o estudo de várias fases da história da humanidade.

Outros estudiosos alertam para o equívoco de considerar a arte rupestre como restrita à pré-história. Se exemplos mais antigos remontam aos tempos glaciais, é possível localizá-la nas eras neolítica e paleolítica e até mesmo em épocas recentes, indicam eles. Na Califórnia e no sul da África, por exemplo, a arte rupestre continua a ser produzida no século XIX.

Pinturas e gravuras rupestres apresentam-se em diferentes épocas e lugares. A dispersão geográfica, aliada às dificuldades de conservação desses grafismos, é um dos problemas colocados em seu estudo.

Avaliações numéricas aproximadas calculam de 350 mil a 400 mil sítios arqueológicos com arte rupestre em todo o mundo. A África é o continente mais expressivo, com algo em torno de 100 mil sítios, pertencentes a épocas mais recentes, como os localizados na região do Saara e na região sul (Tanzânia, Angola, Namíbia e Zimbábue).

A Austrália é outro território rico em arte rupestre (região de Laura, Pilbara e terra de Arnhem - Parque Nacional de Kakadu). A Ásia, por sua vez, é o menos conhecido, fala-se em 10 mil sítios na China, além dos existentes na Ásia Central, Oriente Próximo e Índia. As Américas - do Canadá à Patagônia - apresentam diversos sítios arqueológicos importantes.

No Brasil, os sítios de São Raimundo Nonato, no Piauí, são os mais antigos (ver Fundação Museu do Homem Americano - Fumdham). Os exemplares europeus são mais recentes - a localização de Altamira, na Espanha, data do século XIX - e sobre eles os pesquisadores se detêm por mais tempo.

Isso faz com que se considerasse, durante algum tempo, ser a arte rupestre européia a mais antiga. A despeito dos de Chavet, na França (região de Ardèche) e de La Viña (Astúrias, Espanha), parecem se localizar na Austrália (Carpenter's Gap, Kimberley) os exemplos mais remotos de arte rupestre (entre 30 mil e 40 mil anos). De qualquer maneira, as controvérsias em torno da datação permanecem apesar dos novos métodos de aferição com radiocarbono.

Ainda que os estudos mencionem ser a arte rupestre mais freqüentemente realizada ao ar livre, a arte das cavernas do paleolítico europeu é a que conhece maior popularidade (como a gruta de Lascaux, na França). A escolha dos espaços - grutas, fissuras de rochas, proximidade de lagos e outros -, longe de casual, está repleta de sentidos.

Há uma tendência a interpretar as pinturas realizadas com auxílio de tochas na escuridão das cavernas, por exemplo, como feitas por xamãs em estado de transe. Divergências à parte, o fato é que o meio natural e suas relações com o mundo sobrenatural são elementos fundamentais para a análise dessas manifestações gráficas, cercadas de significados rituais, religiosos e cerimoniais.

As técnicas empregadas constituem outro aspecto explorado pelas análises. A pintura parece ter sido a realização mais antiga, mesmo que as gravuras - quando a forma é obtida pela retirada de matéria ou por incisões - sejam mais numerosas (vale lembrar que as pinturas ao ar livre praticamente desapareceram).

Os traços podem ser feitos com os dedos ou com a ajuda de utensílios; as cores, obtidas do carvão (preta), do óxido de ferro (vermelha e amarela) e, às vezes, com cera de abelha. Substâncias líquidas - água, clara de ovo, sangue etc. - são empregadas nas pinturas. Às diferentes técnicas e cores (muitas vezes superpostas) são atribuídos sentidos variados. No sul da Califórnia, por exemplo, o vermelho é considerado apropriado às cerimônias femininas.

Do ponto de vista do repertório, a arte rupestre compreende temas considerados universais. As linhas e os traços circulares, em geral gravados sobre a pedra, são fartamente utilizados: no Havaí estão associados à fertilidade, sendo considerados freqüentemente femininos; na Califórnia, apresentam-se ligados a formas de controle do tempo.

Mãos e pés, juntos ou isolados, assim como pegadas de animais são outra recorrência. Alguns são vistos como ligados à mitologia, outros interpretados como "assinaturas". Sobre os signos abstratos - linhas, ziguezagues, grafismos e formas geométricas - recaem as maiores dúvidas interpretativas (afinal, de que falam eles?).

Formas humanas e animais, por sua vez, abundam na arte rupestre.

Também se fazem presentes figuras fantásticas, objetos e cenas, domésticas ou de trabalho. A falta de registros sobre boa parte das sociedades que produziram arte rupestre, a ambigüidade dos símbolos e as dificuldades em separar o universo profano do religioso colocam problemas para os intérpretes que mesmo assim, arriscam classificações.

Fala-se em arte que "afirma uma presença" (indicando uma forma de dizer "estive" ou "estivemos aqui") por meio da representação de mãos, pés e figuras; e em outra que tem o sentido de "testemunho", na medida em que representa visualmente narrativas, eventos, cenas e mitos. Certos grafismos parecem representar mais diretamente o xamanismo; outros indicam formas de intervenção no mundo.

Do ponto de vista de seus realizadores, classifica-se a arte rupestre mundial como a dos povos "caçadores-coletores arcaicos" (as cenas são raras; os animais e signos, freqüentes); a dos "caçadores evoluídos" (cenas numerosas); a dos "criadores de rebanhos" (com animais domésticos e cenas da vida cotidiana) e das "sociedades complexas" (mais variadas, com representações mitológicas e signos de todos os tipos).

Em termos de estilo, fala-se no levantino (entre 6.000 e 4.000 a.C.) - quando a figura humana ganha importância e sua representação vem acompanhada de grande movimento, em cenas de dança, luta e caça - e na arte esquemática (localizada no fim da Idade do Bronze, entre 4.000 e 1.000 a.C.), quando ocorre maior simplificação e esquematização do desenho. As representações figuradas - homens e animais - convivem aí com uma profusão de inscrições abstratas.

Fonte: www.itaucultural.org.br

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Arte das cavernas

Rupestre. Você sabe o significado desta palavra? Se você for a um dicionário vai encontrar: “gravado ou traçado na rocha; construído em rochedo”. Entendeu agora?

Então vamos avançar mais um pouco. Se rupestre é algo que foi gravado na rocha, o que você acha que é arte rupestre?

E aí, matou a charada? Se você disse que são pinturas, gravuras ou qualquer representação deste tipo feitas na rocha você acertou! É chamado de arte rupestre o conjunto de figuras encontradas em paredes de cavernas e outros abrigos.

Estes desenhos começaram a ser feitos pelos homens há cerca de 40.000 anos atrás. Já nesse período os homens viviam em grutas e cavernas e, em suas paredes, desenhavam cenas de suas vidas, de rituais religiosos, além de plantas, sementes, animais, flechas, astros e... mãos!

É isso mesmo, mãos. Na Patagônia, Argentina, uma caverna guarda em suas paredes desenhos de centenas de mãos. É a chamada Caverna das Mãos, com pinturas que foram feitas há 9.000 anos por índios. Este tesouro da arte rupestre foi descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini.

Além dos desenhos de mãos, a caverna apresenta imagens de seres humanos, felinos, emas e outros animais; desenhos geométricos, linhas, pontos e o sol. As figuras aparecem em diferentes cores: vermelho, ocre, amarelo, verde, branco e preto.

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Caverna das Mãos

Este tesouro da arte rupestre foi descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini. Além dos desenhos de mãos, a caverna apresenta imagens de seres humanos, felinos, emas e outros animais; desenhos geométricos, linhas, pontos e o sol. As figuras aparecem em diferentes cores: vermelho, ocre, amarelo, verde, branco e preto.

A caverna foi classificada como Monumento Histórico Nacional Argentino. Em 1999, passou a ser considerada Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Aqui no Brasil também já foram encontrados muitos destes registros pré-históricos. Na Serra da Capivara, no estado do Piauí, estão localizados diversos abrigos com paredes repletas de pinturas rupestres.

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Serra da Capivara

Em algumas grutas da Chapada Diamantina, região de serra localizada no estado da Bahia, também podem ser vistos desenhos do sol, homens ou registros de contagem de tempo.

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Chapada Diamantina

Todos esses registros são importantes, porque nos permitem hoje saber mais sobre a vida dos nossos antepassados, sobre seus costumes e sua forma de ver e representar o mundo. Nestes desenhos, os povos pré-históricos deixaram registrados um pouco do seu tempo.

E você, se fosse desenhar alguma coisa que representasse sua vida ou as coisas que faz e vê em seu dia-a-dia, o que desenharia? Experimente, faça esse registro!

É claro que hoje você não precisa usar rochas para desenhar, mas naquela época esse era o material disponível aos moradores das grutas. E nem pense em pintar as paredes da sua casa! Isso pode render uma bronca daquelas... Pode usar papel ou mesmo o computador, materiais da sua época. Teste suas habilidades artísticas!

Colaboração

Paulo Henrique Colonese e Anna Karla da Silva - Parque da Ciência / Museu da Vida.

Denise Moraes

Fonte: www.invivo.fiocruz.br

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Dos numerosos abrigos que existem no Parque uma parte muito importante apresenta manifestações de atividades gráficas rupestres que, segundo as informações arqueológicas disponíveis e acima citadas, teriam sido realizadas muito cedo na pré-história, por diversos grupos étnicos que habitaram a região.

Durante cerca de doze mil anos, os grupos étnicos que habitaram a região evoluíram culturalmente e as pinturas rupestres constituem um testemunho desta transformação. Pode-se observar esta evolução dos registros gráficos rupestres mediante a identificação de mudanças nas técnicas pictorial ou de gravura empregadas, mas também nas variações dos temas e da maneira como eles são representados.

Estas mudanças não são resultado do acaso, mas de uma transformação social gradativa que se manifesta em diferentes aspectos da vida dos grupos humanos, entre os quais está a prática gráfica.

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Toca do Arapuá do Gongo

Este costume de se exprimir graficamente é uma manifestação do sistema de comunicação social. Como tal, a representação gráfica é portadora de uma mensagem cujo significado só pode ser compreendido no contexto social no qual foi formulado.

Trata-se de uma verdadeira linguagem, na qual o suporte material é composto por elementos icônicos, cuja completa significação perdeu-se definitivamente no tempo por não conhecermos o código social dos grupos que o fizeram. Não podendo decifrar este código, resta uma possibilidade de se conhecer mais sobre os grupos étnicos da pré-história através da identificação dos componentes do sistema gráfico próprio de cada grupo e de suas regras de funcionamento.

Efetivamente, cada grupo étnico possui um sistema de comunicação gráfico diferente, com características próprias. Assim, mesmo que não possamos decifrar a sua significação, será possível identificar cada um dos conjuntos gráficos utilizados pelos diferentes grupos. Quando os conjuntos gráficos permitem o reconhecimento de figuras e de composições temáticas, existe também a possibilidade de identificar os elementos do mundo sensível que foram escolhidos para ser representados.

Esta escolha é de fundo social sendo também caracterizadora de cada grupo, pois oferece indicadores sobre os elementos do entorno e as temáticas que são valorizadas por cada sociedade.

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Nicho policrômico - Toca do Boqueirão da Pedra Furada

As pinturas e gravuras rupestres são então estudadas com a finalidade de poder caracterizar culturalmente as etnias pré-históricas que as realizaram, a partir da reconstituição de um procedimento gráfico de comunicação que faz parte dos respectivos sistemas de comunicação social.

Numa segunda instância, este estudo pretende, quando o corpus gráfico em questão fornece os elementos essenciais de reconhecimento, extrair os componentes do mundo sensível que foram escolhidos para fazer parte de tal sistema gráfico. Fica então excluída qualquer possibilidade de interpretação de significados, pois toda afirmação se situaria em um plano de natureza conjectural.

Na perspectiva de estudo utilizada entende-se que a cada tradição gráfica rupestre pode associar-se um grupo étnico particular na medida em que se possa segregar conjuntamente outros componentes caracterizadores de natureza cultural, tais como uma indústria lítica tipificada, uma utilização própria do espaço ou formas específicas de enterramentos.

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Toca da Bastiana

Em razão da abundância de sítios e da diversificação de pinturas e gravuras foi possível estabelecer uma classificação preliminar, dividindo-as em cinco tradições, das quais três são de pinturas e duas de gravuras.  As tradições são estabelecidas pelos tipos de grafismos representados e pela proporção relativa que estes tipos guardam entre si.

Dentro das tradições podem-se, às vezes, distingüir sub-tradições segundo critérios ligados a diferenças na representação gráfica de um mesmo tema e à distribuição geográfica. Para cada tradição, ou se for o caso, sub-tradição é possível distingüir-se diferentes estilos que são estabelecidos a partir de particularidades que se manifestam no plano da técnica de manufatura gráfica e pelas características da apresentação gráfica da temática. Duas das tradições, a Nordeste e a Agreste, já puderam ser datadas graças aos resultados das escavações e sondagens.

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Toca do Morcego

Na área do Parque Nacional, nos terrenos da bacia sedimentar, domina a tradição Nordeste de pintura rupestre. Ela é caracterizada pela presença de grafismos reconhecíveis (figuras humanas, animais, plantas e objetos) e de grafismos puros, os quais não podem ser identificados.

Estas figuras são, muitas vezes, dispostas de modo a representar ações, cujo tema é, às vezes, reconhecível. Os grafismos puros, que não representam elementos conhecidos do mundo sensível, são nítidamente minoritários. As figuras humanas e animais aparecem em proporções iguais e são mais numerosas que as representações de objetos e de figuras fitomorfas.

Algumas representações humanas são apresentadas revestidas de atributos culturais, tais como enfeites de cabeça, objetos cerimoniais nas mãos, etc. As composições de grafismos representando ações ligadas seja à vida de todos os dias, seja à cerimonial são abundantes e constituem a especificidade da tradição Nordeste.

Quatro temas principais aparecem durante os seis mil anos atestados de existência desta tradição: dança, práticas sexuais, caça e manifestações rituais em torno de uma árvore. São também frequentes as composições gráficas representando ações identificáveis, mas cujo tema não podemos reconhecer; um exemplo deste caso é uma composição na qual uma série de figuras humanas parecem dispostas umas sobre os ombros das outras formando uma pirâmide, que faz evocar uma representação acrobática.

Outro tipo de composição gráfica, que se acha com freqüência em todas as sub-tradições da tradição Nordeste, é designada como composição emblemática. Trata-se de figuras dispostas de maneira típica, com posturas e gestos de pouca complexidade gráfica, mas que se repetem sistemáticamente. Uma das composições emblemáticas desta tradição representa duas figuras humanas, colocadas costa contra costa e freqüentemente acompanhadas de um grafismo puro.

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Toca do Salitre

Graças à abundância de sítios e à sua larga distribuição espacial e temporal pudemos classificá-la em sub-tradições e estilos. Atualmente conhecemos as sub-tradições Várzea Grande e Salitre, no sudeste do Piauí e a sub-tradição Seridó, no Rio Grande do Norte.

A sub-tradição Várzea Grande, a mais bem estudada e representada, está dividida em estilos que se sucedem no tempo: Serra da Capivara , o mais antigo, Complexo estilístico Serra Talhada e Serra Branca, estilo final na área de São Raimundo Nonato. O estilo Serra da Capivara apresenta grafismos cujos contornos são completamente fechados, desenhados por traços contínuos e uma boa técnica gráfica.

Na maioria das vezes, sobretudo quando o tamanho o permite, as figuras são pintadas inteiramente com tinta lisa. As representações humanas são pequenas, geralmente menores que as figuras animais. Estas últimas são, em geral, colocadas em um local visível e dominam o conjunto das composições; a cor dominante é o vermelho.

O estilo Serra Branca apresenta figuras humanas com uma forma muito particular do corpo, o qual foi decorado por linhas verticais ou por traçados geométricos cuidadosamente executados. Geralmente os animais são desenhados por uma linha de contorno aberta; alguns têm o corpo preenchido por tinta lisa, mas a maioria apresenta um preenchimento geométrico semelhante àquele dos seres humanos.

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Toca da Subida da Serrinha I (Caçada da Onça).

O complexo estilístico Serra Talhada é muito mais heterogêneo e possui diversas características classificatórias que não estão sempre presentes em todos os sítios pertencentes à classe, mas quando uma falta outra está representada.

A classe se caracteriza pelas séries de figuras humanas dispostas em linha e a utilização de várias cores (vermelho, branco, cinza, marron, amarelo), sendo comuns as figuras bicromáticas ou tricromáticas.

Aparecem também figuras com características gráficas muito peculiares, assim figuras humanas apresentam as extremidades exageradamente compridas; abundam também as figuras extremamente pequenas. A técnica de pintura do corpo das figuras se diferencia: além da tinta lisa e dos traçados gráficos complexos aparecem outros tipos, tais como pontos ou zonas reservadas.

Os dados atualmente disponíveis permitiram propor uma explicação segundo a qual esta sucessão de estilos não representa diferentes unidades estilísticas perfeitamente distintas e segregáveis, mas sim reflete uma evolução lenta e contínua que, durante cerca de 6.000 anos, introduziu micro-modificações no estilo básico Serra da Capivara. Isto levou a um desenvolvimento em contínuo da subtradição Várzea Grande, sendo o complexo Serra Talhada resultado desse processo evolutivo que acumulou micro-diferenças, as quais redundaram no estilo final Serra Branca.

As datações obtidas e a análise da indústria lítica confirmam as conclusões às quais chegamos, graças ao estudo das pinturas e gravuras rupestres. A tradição Nordeste, evidente desde há 12.000 anos, parece desaparecer da região por volta de -7.000/-6.000 anos.

Em certos sítios da bacia sedimentar Maranhão-Piauí, ao lado da tradição Nordeste, aparece, desde há 10.000 anos, a tradição Agreste. Ela se caracteriza pela predominância de grafismos reconhecíveis, particularmente da classe das figuras humanas, sendo raros os animais. Nunca aparecem representações de objetos, nem de figuras fitomorfas.

Os grafismos representando ações são raros e retratam unicamente caçadas. Ao contrário da tradição Nordeste, as figuras são representadas paradas: não há nem movimento nem dinamismo. Os grafismos puros, muito mais abundantes do que na tradição Nordeste, apresentam uma morfologia bem diferente e diversificada.

A técnica de desenho e de pintura da tradição Agreste é de má qualidade, os desenhos são canhestros e não permitem, na maioria dos casos, a identificação das espécies animais. O tratamento da figura é limitado e de péssima feição.

A repartição espacial da tradição Agreste é, grosso modo, a mesma da tradição Nordeste. Entretanto, há regiões do norte e centro do Piauí e sudoeste de Pernambuco onde aparecem sítios com pinturas de tradição Agreste e onde nunca se encontraram pinturas Nordeste.

Na área arqueológica do Parque Nacional, a tradição Agreste apresenta diversidades estilísticas manifestas que levaram, numa primeira instância analítica, a propor-se sub-classes para esta região. Os estudos sobre esta tradição são, porém, ainda pouco desenvolvidos para que se possa ser mais preciso.

Pode-se, entretanto, afirmar a existência de duas modalidades estilísticas que variam tanto na técnica utilizada como nas temáticas gráficamente representadas. Uma classe incluiria as pinturas cujas características são as típicas da classe feitas de maneira grosseira, de grande tamanho, sem preocupação pela delineação da figura e com um preenchimento realizado negligentemente, mas cobrindo extensas superficies.

Outra modalidade da tradição Agreste que poderia constituir outra classe incluiria as figuras que são de menor tamanho, mas sempre maiores que as da tradição Nordeste, feitas com maior cuidado e com um preenchimento mais controlado e cuja tinta escorreu menos. Esta última, segundo os dados disponíveis, seria o mais antigo.

Não se conhece até agora o foco de origem da Tradição Agreste. Na área do Parque Nacional ela se encontra associada a uma indústria lítica grosseira, de técnica pouco aprimorada e que utiliza como matéria prima, prioritariamente, quartzo e quartzito.

A tradição Agreste é, inicialmente, periférica e suas manifestações são limitadas entre 10.500 e 6.000 anos BP atrás; com o desaparecimento dos povos de tradição Nordeste ela se torna dominante e passa a ocupar toda a zona por volta de -5.000 anos. Parece ter desaparecido entre 4.000/3.000 anos antes do presente.

Até hoje não foi realizada nenhuma escavação, unicamente algumas sondagens, em sítios pertencentes às outras tradições de registros rupestres da área. Deste modo, pouco podemos adiantar sobre elas além de uma descrição sumária.

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Toca do Boqueirão da Pedra Furada (Pintura escolhida para a logomarca do Parque Nacional)

A tradição Geométrica é caracterizada por pinturas que representam uma maioria de grafismos puros e algumas mãos, pés, figuras humanas e de répteis extremamente simples e esquematizadas. Esta tradição, segundo informações ainda pouco abundantes, pareceria ser originária do nordeste do Estado do Piauí.

É na Serra de Ibiapaba, limite com o Ceará, onde existe a maior concentração até agora conhecida. O Parque Nacional de Sete Cidades é portador de sítios pertencentes a esta tradição de pinturas. Na área do Parque Nacional Serra da Capivara, esta tradição aparece isolada em um único sítio na planície pré-cambriana, mas aparece também como intrusão gráfica em outros sítios, pois alguns grafismos foram feitos sobre painéis em abrigos das tradições Nordeste e Agreste.

Duas são as tradições de gravuras: Itacoatiaras de Leste, Itacoatiaras de Oeste. Para a primeira, temos resultados de prospecções e sondagens que demonstram que ela está ligada a povos caçadores-coletores. A segunda, foi datada de 12.000 anos em Mato Grosso, e aparece nesse Estado associada a uma bela indústria lítica que utilizou quartzito e sílex.

Itacoatiaras de Leste é uma tradição típica de todo o Nordeste brasileiro e seus painéis ornam as margens e leitos rochosos de rios e riachos do sertão, marcando cachoeiras ou pontos nos quais a água persiste mesmo durante a época da seca.

Itacoatiaras de Oeste, representada unicamente por grafismos puros, existe desde a fronteira da Bolívia até o limite oeste da área do Parque Nacional, indo para o sul, onde aparece até o norte de Minas Gerais. Os painéis desta tradição ornam paredes situadas perto de cachoeiras, lagos, fontes ou depósitos naturais de água. Um único sítio dessa tradição aparece na área do Parque Nacional, mas fora de seus limites.

É preciso também fazer menção de um único sítio de gravuras que apresenta características que são diferentes das duas tradições de gravuras acima mencionadas. Ainda não dispomos de elementos para afirmar se se trata de uma tradição diferente ou de um fenômeno isolado. As figuras gravadas representam uma maioria de grafismos puros e algumas formas animais e humanas muito esquematizadas. O sítio Caldeirão do Deolindo é um depósito natural de água - um caldeirão - e está situado dentro do Parque Nacional, no alto da chapada.

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Gravuras rupestres

Fonte: www.fumdham.org.br

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As pinturas rupestres do Brasil: educação para a vida até hoje

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Diferentemente do que sabemos por meio dos grandes manuais e ou enciclopédias mundiais de arte, história, cultura e outros espaços acadêmicos. Ou ainda nos manuais didáticos do Brasil. Aqui no Brasil também se fez pinturas rupestres – são pinturas feitas nas rochas, usando-se do ocre para executá-las (gordura vegetal e animal) na maioria das vezes. E ficaram registradas ao longo de muitos anos. Há muito tempo atrás, podendo chegar até a 50 mil anos antes do presente, no Brasil, mas não somente.

As pinturas rupestres foram produzidas pelos primeiros habitantes do Brasil. E estes habitantes deixaram nas pinturas registradas, muito provavelmente segundo nosso entender, suas ações sociais neste registro visual. Uma das ações sociais seriam as educativas.

As transmitiram por meios educativos, acreditamos nesta tese, pois as pinturas repetem-se por extensões enormes e também porque foram identificados vários estilos de pintar os mesmos signos. Mostrando desta maneira que houve trocas culturais e de aprendizado entre os grupos ou mesmo dentro dos grupos que aqui viviam.

Como afirma Anne-Marie Pessis, que “Durante o período inicial do estilo Serra da Capivara, a região era pouco habitada. Sabemos que outros grupos, minoritários, partilharam o mesmo espaço junto às comunidades culturais de Serra da Capivara. Grupos que não tinham o domínio da técnica gráfica, mas que incorporaram às suas culturas esta prática rupestre das comunidades dominantes. Estas populações seriam responsáveis por outra tradição de pintura rupestre existente no Nordeste do Brasil, a tradição Agreste”. (PESSIS, 1989: 14/15).

As tradições de rupestres pinturas em São Raimundo Nonato permitiram incorporarem idéias, técnicas e práticas nas sociedades que não as tivessem , como era o caso da tradição Agreste, que surge por influência da tradição Nordeste¸ representada em sua subtradição Serra da Capivara.

As pinturas rupestres seriam o registro da história social dos habitantes daquele período. Onde lhes era possível afixarem seus costumes e práticas cotidianas. Costumes que permitiriam outros grupos ou futuras gerações de seus próprios grupos utilizassem-se destas informações registradas.

Estas ações sociais que retratariam, então, a nosso ver, parte do cotidiano da época como caca, danças, rituais, lutas territoriais, animais que viviam naquele momento – um cotidiano muito parecido com o nosso atualmente, onde precisamos lutar para garantir o que nos pertence por direito – dos grafismos puros (que não temos condições de interpretar), cenas de sexo e cenas de brincadeiras, entre outras.

Com certeza, estes locais são, em grande parte, reocupados, pois estão carregados de informações sobre o entorno que foram passadas e/ou estão ali representadas, conseqüentemente os novos ocupantes poderiam decodificá-las. Como aponta Pedro I. Schmitz, assim: Os principais sítios localizam-se em abrigos rochosos, grutas e cavernas e indicam certa estabilidade de (re) ocupação, tanto nas camadas sedimentares quanto nas pinturas das paredes.(SCHMITZ, 1999: 57).

Era de uma necessidade sem precedentes deter os conhecimentos a respeito dos meios de subsistência, pois não se poderia perder tempo diariamente em busca da caça, pesca e/ou coleta de frutas. Por este motivo às pinturas teriam o papel de retratar com precisão os locais onde foram desenhadas informando o que havia naquele meio.

Assim Niéde Guidon afirma que A base econômica continuava sendo a caça, a coleta e a pesca: as pinturas rupestres retratavam com detalhes a evolução sociocultural desses grupos durante pelo menos 6 mil anos, o que constitui um dos mais longos e importantes arquivos visuais sobre a Humanidade disponível, hoje, no mundo.(GUIDON, 1998: 43/44).

Para E. Adamson Hoebel quase todas as inter-relações sociais são dominadas pela cultura existente. Não temos notícia de nenhum grupo humano sem cultura. ..., uma sociedade humana é mais do que mero agregado expressando comportamento instintivo. A sociedade humana é uma população permanentemente organizada de acordo com sua cultura.(HOEBEL, 1982: 222/223).

Ao julgar que as comunidades humanas são compostas por grupos intercambiantes (inclusive como nós hoje, veja a globalização), cujos membros fazem parte de um todo mestiço nas relações existentes entre si, principalmente no caso da cultura, cuja produção executada por esses homens/mulheres é um material exemplar para as pinturas rupestres.

Se todos os grupos humanos têm sua própria cultura e interagem significa que, além de se manifestarem culturalmente, ainda transmitem seus conhecimentos. Por meio da cultura produzida por estes grupos humanos das mais diferentes formas estéticas, e por meios educativos.

A partir destas cenas podemos, então, depreender que houve sim no território brasileiro, como em outros locais do mundo, história e educação muito antes de 1500. O Brasil com sua imensa extensão territorial teria também uma grande complexidade de formas, estilos de pinturas e locais pintados. Auxiliando a comprovar que as escolas rupestres teriam se disseminado.

Entendemos as pinturas rupestres foi uma das mais importantes, (senão a mais), formas sociais de garantir a transmissão cultural e pedagógica da época. E que contribuiu para a interação e a relação entre humanos e destes com a natureza. E sobreviveu até hoje para nos prestando o testemunho do que foi a sociedade de ontem no Brasil.

As pinturas nos mostram, desde muito tempo, que devemos lutar e muito para que a nossa sobrevivência garanta-se. E que sem esta nada conseguimos. E, ainda, que por meio da educação social esta luta torna-se mais fácil de ser vencida.

O humano só se faz em sua plenitude por meio de lutas. E os primeiros habitantes do Brasil já sabiam disto – assim como também nos sabemos. Para que possamos compreender melhor a nossa própria historia antiga e ver nela um reflexo para o nosso cotidiano. Façamos em nossas vidas muitas lutas políticas, sociais, culturais e para a sobrevivência. Como já fazemos em nossas praticas cotidianas de educadores sociais que todos somos.

Façamos, também, nossas festas, viagens e passeios, entre outras praticas sociais em nome de nossos prazeres. Como nos mostram os antigos habitantes de nosso Brasil que viveram muito bem, relacionando-se entre si, com o meio ambiente e com os outros grupos humanos que aqui viveram. Diferentemente o que pensamos!!!

Referências bibliográficas

GUIDON Niéde.In: “As ocupações pré-históricas do Brasil”. In: CUNHA, Manuela Carneiro da. Historia dos Índios no Brasil. São Paulo, Editora Cia das Letras. 1998.

HOEBEL E. Adamson. In: “A natureza da cultura”. In: Harry L. SHAPIRO. Homem, cultura e sociedade. São Paulo, Editora Cultrix.1982.

PESSIS Anne-Marie. In: “Apresentação gráfica e apresentação social na tradição Nordeste de Pintura rupestre do Brasil”. In: Revista Clio numero 5, serie arqueológica.recife, UFPE. 1989.

SCHMITZ Pedro I. In “A questão do paleolítico”. In: TENORIO, Maria Cristina. Pré-História da Terra Brasilis .Rio de Janeiro, UFRJ. 1999.

Fonte: wwww.espacoacademico.com.br

Pintura Rupestre

arte rupestre está registrada em rochas e grutas em todo o Brasil. São mais de 780 sítios arqueológicos, onde as pinturas rupestres deixaram o rastro dos primeiros "pintores" brasileiros de que se tem notícia.

Pintura Rupestre

Em Minas Gerais, um dos sítios mais importantes é o Vale do Peruaçu. Em paredões bem altos, os "pintores" da Antiguidade fizeram seus desenhos a cerca de dez metros do chão, provavelmente se encarapitando em cima de árvores! As pinturas do Peruaçu são de vários estilos, e os pesquisadores calculam que tenham entre 2.000 e 10.000 anos.

Além de retratarem cenas de caça, os painéis de rocha também exibem desenhos geométricos incríveis, com cores bem vivas.

Em Minas também ficam os penhascos de Lagoa Santa, outro lugar misterioso, cheio de desenhos de animais, com cerca de 10.000 anos de idade, descobertos pelo biólogo dinamarquês Peter Lund em 1834.

Pintura Rupestre

Parece que os " pintores" antigos de Lagoa Santa também usavam o lugar como cemitério, pois junto aos desenhos também foram encontrados ossos.

Uma das descobertas recentes mais impressionantes é a Caverna da Pedra Pintada, na cidade de Monte Alegre, no Pará, descoberto em 1996 pela norte-americana Anna Roosevelt. A pesquisadora encontrou indícios de uma civilização avançada na bacia amazônica.

As pinturas rupestres deixadas nos paredões e cavernas de Monte Alegre são em tons avermelhados e chegam a ter 11.200 anos! Retratam plantas, animais, e até as cenas de um parto! Os "retratistas paraenses" pareciam ter boas noções de biologia, e deixaram os pesquisadores boquiabertos…

Esses desenhos ancestrais são atração também nos sítios de São Raimundo Nonato e Serra da Capivara, no Piauí, e Lajedo da Soledade, em Apodi, no Rio Grande do Norte, onde se concentra o maior número de pinturas rupestres por metro quadrado.

Fonte: www.canalkids.com.br

Pintura Rupestre

Pinturas Rupestres: A Comunicação nas Cavernas

Pintura Rupestre

É uma unanimidade entre os arqueólogos do mundo todo que os homens pré-históricos utilizavam-se das gravuras rupestres com a finalidade de manterem a comunicação. Os registros deixados em rocha, aliás são objeto de estudos de uma infinidade de pesquisadores.

No Piauí, ocorrem muitos exemplares desta modalidade de expressão dos homens antigos, registradas em rochas de dois grandes parques nacionais: o Parque Nacional de Sete Cidades (situado entre as cidades de Piripiri e Piracuruca, no norte do Estado) e o Parque Nacional da Serra da Capivara (situado entre as cidades de São Raimundo Nonato, São João do Piauí e Coronel José Dias, na região sudeste do Estado).

As pinturas do Parque Nacional da Serra da Capivara são impressionantes. Percebe-se, numa análise superficial das pinturas, que os homens que habitaram aquela região num passado distante, apresentavam uma atividade comunitária bastante movimentada, registrada com óxido de ferro nos imensos paredões calcários da região.

Entre os quase 400 sítios arqueológicos da região, a grande maioria retrata exatamente como viviam (hábitos, costumes, situações cotidianas, crenças, ritos, etc.) e a natureza ao seu redor (elementos da flora e, principalmente da fauna da época).

A Profª Gabriela Martin em seu livro “Pré- História do Nordeste do Brasil” fala dos inúmeros sítios arqueológicos espalhados pelo sertão nordestino, com grande ênfase para os sítios arqueológicos mais estudados da região sudeste do Piauí. Dentre os principais sítios citados estão o Boqueirão da Pedra Furada (o sítio mais estudado da área do Parque), a Toca do Sítio do Meio, o Conjunto do Baixão da Perna (Toca do Baixão da Perna I, II, III e IV, etc.) e o Complexo Várzea Grande (Toca do Paraguaio, da Boa Vista, Serra Branca, etc.).

Em seu livro, Martin, fala sobre as tradições de pinturas rupestres do Nordeste brasileiro, com uma rica comparação das pinturas encontradas não somente na Serra da Capivara, mas em sítios situados em todo o nordeste (Carnaúba dos Dantas – RN, Seridó – RN; Cariris velhos – PE, PB, Central – BA, Mirador de Parelhas – RN, Lençóis – BA, Queimadas – PB, Buíque – PE, Santana do Mato – RN, Pedra – PE, São João do Tigre – PB, Matozinho – MG e Afogados da Ingazeira – PE).

Estas tradições de pinturas rupestres estão classificadas em dois grandes grupos: a tradição Nordeste, caracterizada pela riqueza de informações que traz, mostrando figuras humanas e cenas cotidianas, muitas com a nítida impressão de movimento; e a tradição Agreste, caracterizada por figuras grandes, algumas disformes, mostrando elementos da fauna e figuras com características humanas misturadas a prováveis rituais (homens com asas, homens gigantes, etc.).

Alguns autores como a própria Dra. Niède Guidon e a Dra. Anne Marie Pessis admitem existir uma terceira tradição de pinturas, mas desconexa no que se refere às origens de grupos humanos – a tradição Geométrica, que combina traços e figuras geométricas, com poucas representações humanas ou de animais.

A bem da verdade, as representações rupestres dispostas nos sítios do Parque Nacional da Serra da Capivara escondem um sem fim de mensagens deixadas pelo homem pré-histórico, que parecia, pelo menos numa determinada época um indivíduo social, alegre, místico e um amante da natureza.

Soares Filho

Fonte: www.algosobre.com.br

Pintura Rupestre

PINTURAS NAS CAVERNAS

Uma das mais conhecidas da ligações existentes entre os homens da pré-história e as cavernas, envolve as pinturas e gravações existentes em várias delas, através das quais é possível vislumbrar aspectos da fauna que lhes foi contemporânea, seus rituais e crenças, seus conhecimentos de anatomia e, por que não, sua arte.

Pinturas Rupestres

Pinturas rupestres são encontradas em todos os continentes que foram ocupados pelo homem pré-histórico e seu estudo revela uma evolução de traços simples a representações altamente sofisticadas e estilizadas, chegando ao extremo de aproveitar saliências e formas sugestivas do teto e paredes das cavernas como base para a pintura de deterninado animal.

As pinturas podem ser divididas em três grandes grupos tais como o zoomórfico (que é a representação de animais), o antropomórfico (que abrange figuras humanas em suas diversas formas de estilização), e o grupo de símbolos, constituído por desenhos sem sentido aparente que muitas vezes constituem verdadeiras alusões a calendários astronômicos capazes de descrever o período e mesmo a trajetória aparente de diversos corpos celestes com grande precisão.

Estranhamente as figuras antropomórficas são praticamente sempre executadas de forma muito rústica, enquanto os animais são retratados com maior exatidão, o que nos leva a supor que os animais representados tinham mesmo um forte sentido ritualístico.

A observação de tais obras geralmente evidencia certa evolução de estilo e qualidade da representação que atinge níveis soberbos, como nas grutas de Lascaux (França) e Altamira(Espanha).

A análise dos pigmentos revelou que os mesmos seriam constituídos inicialmente por uma variedade de pastas de base vinculada ao carvão, possivelmente dos restos de suas fogueiras, com saliva, óleos vegetais e até mesmo sangue. Em uma segunda etapa surgem pigmentos mais elaborados, e resistentes, com o emprego de óxidos metálicos. Tal mudança pode estar associada à obtenção de cores mais atraentes ou à busca de pinturas mais resistentes ao tempo e ao ambiente da caverna.

Gravações

Uma outra forma de representação eram as gravações, constituídas por desenhos sulcados nas rochas de paredões e grutas. Mais sutis que a anterior freqüentemente encontram-se várias delas sobrepostas, exigindo grande atenção e perícia por parte de seu observador.

Para sua confecção parecem ter sido utilizados pontas de ossos e raspadores de pedra, e embora seja um método aparentemente não tão requintado, apresenta níveis de detalhamento tão elaborados quanto seus similares em pigmentos.

Fonte: br.geocities.com

Pintura Rupestre

Pintura Rupestre
"Foto tirada por Luiz Carlos M. Cardoso, Sítio Catuaba".

Quando o Homem passa a viver em sociedade a comunicação torna-se essencial. Um dos primeiros tipos de arte, usada para comunicar, fora as lendárias “Pinturas Rupestres”. O ser humano passa a se expressar através das gravuras deixadas nas rochas.

Representa o cotidiano: as danças, guerras, caçadas, objetos, animais; ou grafismos. Descobrem-se meios de adquirir cores variadas e métodos novos de fabricação. Essa evolução, lenta e gradual, nos levou a categoria mais alta dentre a cadeia terrestre.

François de Belleforest, em 1575, publicou suas observações feitas na gruta de Rouffignac, na França. Conferiram tais artes aos camponeses, aos pastores e também aos Jesuítas. O primeiro a atribuir essa arte aos povos primitivos fora Marcelino Sanz de Sautuola, no ano de 1868, na cidade Cântabro de Santillana del Mar, na Espanha, na Gruta de Altamira.

Na ocasião, sua filha Maria, então com oito anos, descobriu ao adentrar numa ala da caverna, várias pinturas. O pai juntamente com a filha procurava peças Pré-Históricas no local. Sua autenticidade, contudo, só foi reconhecida em 1902. Marcelino morreu antes de ver suas teorias aceitas. As gravuras de Altamira são datadas de 14.000 anos.

No Brasil estão catalogados cerca de 800 sítios históricos com pinturas rupestres. Ainda existe a possibilidade de novas descobertas. Muitos dos sítios, hoje, estão deteriorados pela ação predatória do homem. Os mais importantes (por receber maior atenção) destacam-se a região do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, de Lagoa Santa e Peruaçu, em Minas Gerais, e da Pedra Pintada, no Pará.

No município de Paramirim, na Bahia, apenas aqueles que eu tenho conhecimento são sete sítios rupestres, porém, sabe-se que a quantidade é muito maior. A idade das pinturas rupestres do Brasil encontram-se entre a faixa de 10.000 a 2.000 anos.

As pinturas rupestres são classificadas de acordo os “Estilos” e “Tradições”. As mais difundidas são duas: a "Nordeste" e a "Agreste". A Tradição Nordeste: pinturas entre 15.000 a 6.000 anos. A Agreste: de 6.000 a 2.000. Na primeira, os desenhos representavam cenas do cotidiano, mostra movimento. Nessa encontram muitas pinturas de animais, pessoas e grafismos.

A segunda representa o contrario da primeira, são desenhos sem ação. Os Estilos e as Tradições são utilizados para marcar cada etnia de acordo as pinturas criadas. As “tradições”, às vezes, pode ser dividido em sub-tradições de acordo aos estilos usados dentro dessa mesma tradição tendo algumas diferenças de uma para outra.

As cores eram adquiridas a partir dos minerais: hematita, carvão e tabatinga (um tipo de argila branca), usavam gorduras e sangue de animais para melhor fixar. Pitavam com os dedos, ou usava uma forma rústica de pincel de pelo ou pena, ou almofadas feitas de musgo ou folhas.

Sabe-se pouco sobre esses artistas Pré-Históricos. Não conseguem ligar esses homens com os índios atuais, se é que exista uma ligação.

As pinturas revelam a evolução desses grupos étnicos, gradativamente houve uma mudança no modo de pintar. Representavam o cotidiano, suas indagações, sonhos e desejos. Não dar para saber exatamente o que elas expressavam para aqueles grupos, pois nos dias atuais quase nada se sabe daquela época. Há muitas diferenças de um Sítio Rupestres para outro, contudo podem-se encontrar pinturas iguais ou semelhantes em tais.

As pinturas podem ser encontradas ao ar livre, debaixo de rochedos, leitos de rios ou em cavernas. Não existe uma diferença dos homens (em termo do aparelho humano) donos dessas artes com o povo de agora, o que aconteceu foi um acumulo de conhecimentos. Escolho Sócrates, que vivera a mais de dois mil anos, e comparo com a população atual. Um homem privado do saber que temos hoje foi responsável pelo inicio desse próprio conceito. Pegar sua obra e compará-la a tudo que existe na sociedade, ainda assim, ele paira triunfante no topo da escala.

As Pinturas Rupestres representam o nosso passado, pena que poucos dão importância. Nossos sítios rupestres estão sendo degradados pela brutalidade e incompreensão dos descendentes desses artistas.
Pesquisa feita na internet.

Preservação já!!!

Luiz Carlos M. Cardoso

Fonte: www.focadoemvoce.com

Pintura Rupestre

Caverna (Gruta)

Durante a época glacial, os homens pré-históricos encontraram refúgio nas grutas e nelas plasmaram sua incipiente inquietação artística, de que constituem brilhantes testemunhos as pinturas rupestres das grutas de Altamira, na Espanha.

Gruta ou caverna é toda cavidade profunda provocada na rocha por fenômenos naturais. Mede desde poucos metros a vários quilômetros de comprimento e apresenta formas irregulares, numa direção mais ou menos definida. Algumas grutas se apresentam como corredores estreitos, que se abrem em imensos salões, e outras formam poços verticais que podem atingir grande profundidade.

Podem formar-se grutas em qualquer tipo de rocha -- mármore, calcário, quartzito e arenito --, desde que haja espaço para que circule a água. A circulação da água aumenta esses espaços pela remoção de partículas ou pela dissolução química das rochas. As grutas mais extraordinárias pelo tamanho e beleza resultam do processo de dissolução de rochas calcárias por águas subterrâneas carregadas de ácido carbônico.

Algumas grutas são de origem vulcânica e formaram-se quando uma corrente de lava muito liquefeita perfurou outra porção que se estava resfriando, quase sólida. Dá-se o nome de espeleologia à ciência que tem por finalidade o estudo das grutas.

Estalactites e estalagmites. No teto das grutas há um constante gotejar de água saturada de bicarbonato de cálcio. Em conseqüência da evaporação de cada gota d'água, precipita-se o carbonato de cálcio que, com alguma sílica, argila e outras substâncias, fica suspenso, primeiro do teto, depois do extremo inferior da crosta que se vai formando e logo adquire feitio cônico ou cilíndrico. O restante de cada gota cai ao solo e, no pequeno charco formado, precipitam-se os sais que excedem o limite de saturação, que vão constituindo outra crosta em forma de cogumelo e, mais tarde, de cilindro.

À crosta pendente do teto dá-se o nome de estalactite; a que se eleva do piso da gruta chama-se estalagmite. Depois de alguns anos ambas se juntam, formando uma coluna. Quando a água é rica em sais de ferro, cobre e outros materiais que lhe dão cor viva, as estalactites e estalagmites apresentam variado e belo colorido, mas em geral sua cor é branca pardacenta ou ligeiramente castanha.

Formas de vida. A profunda escuridão do interior das grutas e as condições climáticas estáveis favorecem numerosas formas de vida animal, bem como de plantas e microrganismos. Ali se desenvolvem espécies que não têm olhos nem pigmentação, propriedades desnecessárias à sobrevivência subterrânea.

A salamandra européia, Proteus anguinus, e o peixe de gruta, Amblyopsis spelaea, da caverna Mammoth, nos Estados Unidos, são os trogloditas (habitantes de cavernas) mais conhecidos, mas há muitos outros casos de adaptação à vida nas grutas entre aranhas, insetos e ordens inferiores.

Grutas famosas. A gruta de Fingal, na ilha de Staffa, perto da Escócia, tem o nome de um herói lendário. Lavrada pelo mar, em seus pontos mais profundos continua a ouvir-se o marulho entre os pilares de basalto de cerca de 11m de altura. A gruta Mammoth, de Kentucky, Estados Unidos, é das mais visitadas do país e constitui um dos sistemas de cavernas maiores e mais complexos que se conhecem. Já teve mais de 240km de galerias exploradas.

A gruta de Cachuamilpa, perto de Cuernavaca, é provavelmente a maior do México. Somente um de seus salões mede mais de 1.600m de comprimento por quarenta de altura em média. Outras grutas ficaram famosas por sua contribuição ao estudo da origem do homem.

As descobertas de fósseis em Skerfontein e outras grutas africanas levam a crer que o homem se originou naquele continente. Espécies mais adiantadas foram descobertas em grutas da China.

O homem de Neandertal foi encontrado numa gruta alemã. Seu sucessor, o homem de Cro-Magnon, deixou como lembrança algumas notáveis pinturas rupestres que representam figuras humanas e de animais da época. Essas pinturas foram encontradas em sítios hoje célebres, como as cavernas de Altamira, na Espanha, e Lascaux, na França. Desde o paleolítico, o homem continuou a utilizar grutas como templos, fortalezas e santuários, do mesmo modo que como abrigos.

Grutas brasileiras. No Brasil, conhecem-se numerosas grutas calcárias. Dentre as mais famosas estão as de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e as de Maquiné e Lapinha, na bacia do rio das Velhas, em Minas Gerais. Nessa última região ocorrem centenas de grutas, em muitas das quais encontraram-se ossadas humanas e de animais fósseis. As da Lagoa Santa foram exploradas exaustivamente por Peter Lund, em meados do século XIX.

Pitorescas grutas calcárias encontram-se na região paulista de Iporanga. As mais conhecidas são Arataca e Monjolinho, esta uma magnífica caverna seca à qual se chega por uma abertura de cinco metros de largura por três de altura que conduz a um verdadeiro labirinto de salas revestidas de estalactites e estalagmites.

Ricardo Krone, um dos pioneiros na exploração das grutas da região, assim se referiu a respeito de uma das grandes salas da caverna, de quarenta metros de comprimento por vinte de largura: "Não é a conformação gigantesca, de colunas colossais, que produz o belo efeito: é a grandiosa variedade e multiplicidade de formas e figuras bizarras. Cortinas de quase um metro de largura e de três metros de altura, com apenas cinco a seis milímetros de espessura, guarnecem e escondem os paredões de um dos cantos da majestosa sala." Em outra sala pode-se observar uma enorme coluna de 8,5m de circunferência na base, conhecida como o Gigante do Monjolinho. As grutas da região de Iporanga contêm ossadas de animais fósseis e em algumas vivem peixes cegos.

Fonte: www.coladaweb.com

Pintura Rupestre

As pinturas rupestres foram feitas em rochedos e paredes de cavernas durante a pré-história, período que antecedeu a escrita. Nesta época, o homem era nômade e alimentava-se de frutos, peixes e pequenos animais. Por causa da falta de documentos históricos, a pré-história é muito estudada por arqueólogos, antropólogos e historiadores.

Essas pinturas podem ser divididas em três grupos: zoomórfico (representação de animais), o antropomórfico (figuras humanas e suas diversas formas) e os símbolos (constituído por desenhos sem sentido).  Mesmo há 7 mil anos, as cores já eram utilizadas nesses desenhos. O homem raspava alguns minérios para obter o pó colorido e misturar com cera de abelha ou resina de árvore. Além disso, as análises de pigmentos mostraram a utilização de carvão (restos das fogueiras) com saliva, óleos vegetais e até mesmo sangue.

Segundo historiadores, a maioria dessas pinturas era feita por caçadores, que reproduziam a natureza, as mulheres e determinados animais que gostariam de caçar. Eles também acreditavam que poderiam matar um animal que fosse desenhado ferido mortalmente em uma caverna.

Fonte: www.acrilex.com.br

Pintura Rupestre

A arte rupestre pré-histórica

A discussão do valor como "arte" dos registros rupestres pré-históricos tem sido objeto de polêmicas entre arqueólogos e historiadores da arte. A base dessa discussão reside na procura de respostas diferentes às mensagens que as pinturas e gravuras rupestres proporcionam. O arqueólogo não poderá ignorar os registros rupestres na sua dimensão estética, considerando-se a habilidade manual e o poder de abstração e de invenção que levaram o homem a usar recursos técnicos e operativos nas representações pictóricas pré-históricas. Mas, para o arqueólogo, o registro rupestre é sobretudo, parte do contexto arqueológico ao qual se integra como forma de identificar o grupo étnico que o realizara.

O termo "registro rupestre", definição que tenta substituir entre os arqueólogos a consagrada expressão "arte rupestre", pretende liberar da conotação puramente estética algo que, seguramente, é a primeira manifestação artística do homem, ao menos em grandes áreas geográficas onde a arte móvel em pedra e osso não aparece anteriormente às gravuras e pinturas rupestres.

Pintura Rupestre
Nicho Policrômico - Toca do Boqueirão da Pedra Furada - Serra da Capivara - PI

O descobrimento do fogo e as técnicas para conservá-lo significaram a conquista de terras de clima frio e a possibilidade de se afastar perigos e medos da noite, aumentando-se, assim, a capacidade humana de abstração nas longas horas em torno do fogo, quando surgem conseqüentemente a palavra e a arte. A concepção materialista, que considera a origem da arte a partir da técnica, já fora formulada no século XIX, em oposição à teoria idealista na qual a tendência artística no ser humano não depende das limitações da matéria e dos instrumentos.

A capacidade de contar também leva o homem a fazer riscos nas pedras e nas paredes rochosas numa fase pré-estética. Johann Winkelmann na sua clássica obra "História da Arte na Antigüidade", escrita em 1763, afirmara que as artes que dependem do desenho começaram pelo utilitário para passar depois ao supérfluo, comentário que também é válido para reflexão sobre as origens da arte pré-histórica. Na longa noite da arte, a lasca de pedra e o galho da árvore, ou a própria mão nua, foram o instrumento lúdico de atividade manual para satisfazer a natural tendência humana para o grafismo.

Os registros rupestres são, sem dúvida, uma fonte inesgotável de informações antropológicas e podem e devem ser estudados sob vários aspectos, o etnológico, o estatístico, o cronológico ou como formas de apresentação e de comunicação e também como processo de desenvolvimento artístico e das faculdades estéticas humanas. A análise múltipla do registro rupestre nos proporcionará respostas também múltiplas, de grande valor para o conhecimento da sociedade pré-histórica que o realizou.

Precisamos pesquisar nas áreas arqueológicas, com alta concentração de registros rupestres, para que possamos falar da arte rupestre deste ou daquele grupo, que viveu em determinado período de determinada área, em determinadas condições de sobrevivência, configurando-se, assim, a "história" de um grupo humano nos seus diferentes aspectos ecológicos, nos quais entrarão, também, os espirituais e estéticos, caso o registro arqueológico nos permita também chegar ao seu mundo simbólico

Pintura Rupestre
Sítio : Xique-Xique I - Carnaúba dos Dantas - Seridó - RN

Por muito que os autores materiais dos registros rupestres tenham separado as zonas da sua vida cotidiana e as da sua vida espiritual, representadas pelas gravuras e pinturas rupestres, habitaram áreas escolhidas por longos períodos, vieram de outro lugar, muitos morreram e outros abandonaram a região obrigados por outros grupos ou impelidos na procura de melhores formas de sobrevivência.

Dificilmente, em áreas arqueológicas onde se concentra uma cuantidade significativa de sítios rupestres, deixará de existir abundantes indícios da cultura material dos grupos étnicos responsáveis pela execução de tais registros e somente a identificação e a escavação arqueológica poderão fornecer as informações culturais necessárias para se completar o quadro de ocupação pré-histórica do enclave arqueológico escolhido para a pesquisa.

O estudo da arte parietal com enfoque arqueológico poderá seguir parâmetros determinados, de forma que as linhas de pesquisa se desenvolvam com três abordagens:

1) O SÍTIO

a) como sítio rupestre
b) o entorno do sítio
c) problemas de conservação e apresentação didática.

2) OS REGISTROS RUPESTRES

a) o estudo técnico e estilístico
b) as tradições rupestres da área

3) O CONTEXTO ARQUEOLÓGICO

a) as relações com os registros arqueológicos
b) o entorno ecológico da área.

Este esquema é válido para qualquer área rupestre, pois, dificilmente, um sítio com representações parietais apresenta-se isolado, formando sempre parte de um entorno de maior ou menor densidade.

Um sítio de referência deve ser o ponto de partida; os registros rupestres de outros sítios da área geográfica de influência serão a continuação lógica da pesquisa e o estudo do contexto arqueológico significará o conhecimento do entorno físico e social em que viveram os grupos humanos que habitaram a área. Assim, não se discrimina a arte parietal do seu contexto que deve ser estudada arqueologicamente como mais uma manifestação da atividade humana.

No estudo da arte rupestre como nos outros períodos da História da Arte, além dos estilos generalizados, estuda-se cada artista e cada obra por separado dentro das linhas mestras estilísticas. Sabe-se que dentro de uma mesma tradição, cada abrigo, cada paredão pintado e cada painel foi realizado por um autor ou "artista" diferente e aí estaria a "variedade".

Seria o estilo a obra unitária de um pequeno grupo cronologicamente limitado? Ou poderíamos definí-lo como interpretação subjetiva da macro-temática das grandes tradições? A evolução na forma de apresentação, indica, sem dúvida, diferenças culturais e cronológicas, sem se esquecer porém o caráter subjetivo da mão humana.

Pintura Rupestre
Sítio : Toca do Salitre - Serra da Capivara - PI

A imaginação humana e a sua capacidade de criar o pensamento abstrato nascem com a arte pré-histórica que, no Velho Mundo, coincide com o Paleolítico Superior, e que na América, com datas paralelas, corresponde à arte de caçadores-coletores.

O difusionismo, e o egocentrismo europeu, na hora de se discutir sobre as origens da arte pré-histórica estão descartados, pois a arte nasce quase que simultaneamente em diversos lugares da terra. Nasce no Paleolítico Superior, tomado esse período na sua dimensão cronológica mais que cultural, ou seja, em torno de 30-25 mil anos BP, e suas primeiras manifestações estéticas estão representadas por pequenos objetos de osso e pedra ou estampadas nas paredes rochosas com tintas vegetais ou minerais nos cinco continentes.

O surgimento da arte pré-histórica como um florescer simultâneo em várias partes do mundo tem a ver com os processos da evolução e o aumento da capacidade craniana, ou seja, o aumento do volume do cérebro que permitiria o desenvolvimento dos processos de abstração no gênero homo.

Considerando-se que o homem tem mais de dois milhões de anos e que a arte pré-histórica começou há 30.000, podemos aceitar que aarte rupestre seja "uma arte moderna", afirmativa aliás formulada por autores de áreas díspares do conhecimento estético como são o pré-historiador Eduardo Ripoll, o pintor Juan Miró e o romancista Ariano Suassuna.

Pintura Rupestre
Sítio : Toca da Entrada do Baixão da Vaca - Serra da Capivara - PI

A interpretação do registro rupestre

Muito antes de que a arte rupestre representasse para a ciência uma fonte inesgotável de dados para o conhecimento das sociedades pré-históricas, a preocupação em se conhecer e "decifrar" o que os registros rupestres queriam dizer, produziu enorme quantidade de bibliografia, desde trabalhos sérios às fantasias mais desvairadas, essas quase sempre fruto da ignorância.

As interpretações foram especialmente férteis nos casos em que os registros eram ricos em grafismos de conteúdo abstrato, com ou sem representações figurativas associadas. A magia propiciatória da caça, o culto à fertilidade e a iniciação sexual têm sido os temas favoritos no registro figurativo.

Interpretações cosmogônicas, linguagem codificada precursora dos verdadeiros hieroglifos, são interpretações corriqueiras nos grafismos puros. Muitas dessas interpretações aproximam-se bastante da realidade, mas o problema está sempre no seu valor científico. Até que ponto elas são válidas para a identificação cultural dos grupos étnicos que foram seus autores ?

A Arte rupestre no Brasil

O Brasil pré-histórico apresenta-se com tradições rupestres de ampla dispersão através de suas grandes distâncias e ampla temporalidade. O registro arqueológico e, concretamente, o rupestre assim o indicam. As tradições rupestres do Brasil não evoluíram por caminhos independentes; os seus autores ou grupos étnicos aos quais pertencem, mantiveram contatos entre si, produzindo-se a natural evolução no tempo e no espaço que nos obriga a estabelecer as subdivisões pertinentes.

Podemos afirmar que o registro rupestre é a primeira manifestação estética da pré-história brasileira, especialmente rica no Nordeste. Além do evidente interesse arqueológico e etnológico das pinturas e gravuras rupestres como definidoras de grupos étnicos, na ótica da história da Arte representa o começo da arte primitiva brasileira.

A validade ou não do termo "arte", aplicado aos registros rupestres pré-históricos, é tema sempre discutido, embora toda manifestação plástica forme parte do mundo das idéias estéticas e conseqüentemente da história da Arte. O pintor que retratou nas rochas os fatos mais relevantes da sua existência, tinha, indubitavelmente, um conceito estético do seu mundo e da sua circunstância.

A intenção prática da sua pintura podia ser diversificada, variando desde a magia ao desejo de historiar a vida do seu grupo, porém, de qualquer forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse "belo" segundo seus próprios padrões estéticos. Ao realizar sua obra, estava criando Arte.

Se as pinturas de Altamira, na Espanha, ou as da Dordonha, na França, são consideradas, indiscutivelmente, patromônio universal da arte pré-histórica, sabemos entretanto que, pintadas nas profundidades das cavernas escuras, não foram feitas para agradar ninguém do mundo dos vivos, não há motivos aceitáveis para se duvidar ou negar a categoria artística das nossas expressivas e graciosas pinturas rupestres do Rio Grande do Norte ou do Piauí.

Foi precisamente nos sertões nordestinos do Brasil. onde a natureza é particularmente hostil à ocupação humana, onde se desenvolveu uma arte rupestre pré-histórica das mais ricas e expressivas do mundo, demonstrando a capacidade de adaptação de numerosos grupos humanos que povoaram a região desde épocas que remontam ao pleistoceno final.

No estado atual do conhecimento, podemos afirmar que três correntes, com seus horizontes culturais, deixaram notáveis registros pintados e gravados nos abrigos e paredões rochosos do Nordeste brasileiro.

A esses horizontes chamamos tradição Nordeste, tradição Agreste e tradição São Francisco de pinturas rupestres, somam-se as tradições de gravuras sob rocha, conhecidas como Itaquatiaras. Foram também definidas outras tradições chamadas "Geométrica", "Astronômica", "Simbolista", etc. que podem ser incluídas nas anteriores.

Pintura Rupestre
Sítio : Furna do Caboclo - Seridó - RN

A utilização e o significado do sítio rupestre

Que eram os lugares com pinturas e gravuras rupestres? Lugares de passagem? De habitação? Ou santuários? Pela estrutura fechada da caverna e o mistério que nelas se encerra, as cavernas paleolíticas da Europa foram consideradas os santuários pré-históricos por excelência, mas o que dizer dos abrigos e paredões nada profundos dos sítios rupestres do Brasil ? Muitos deles não foram ocupados por falta material de condições e o homem limitou-se a pintar e gravar suas paredes.

Outros, pelo contrário, tiveram ocupação intensa e duradoura, servindo como lugar de habitação e de culto em épocas diversas. Mas, em geral, quando os abrigos pintados foram utilizados como lugares cerimoniais, não foram simultaneamente ocupados como habitação.

Um abrigo tão privilegiado pela situação, como a Toca do Boqueirão da Pedra Furada , teve ocupação longa, não intensa, o que parece ser a tônica dos abrigos rupestres do Nordeste, indicando que foram usados como lugares de culto e acampamentos temporários cerimoniais; a moradia dos grupos humanos seria em aldeias, fora dos abrigos pintados. Noutros casos foram utilizados simultaneamente como lugar de culto e cemitério.

O tipo de suporte e a estrutura são elementos essenciais e determinantes para se compreender o sítio rupestre e a sua utilização. Os abrigos localizados no alto das serras, ao longo dos rios, como é o caso da região do Seridó, nos sugere serem lugares cerimoniais, longe das aldeias, que deveriam estar situadas mais perto da água. Já os sítios da Serra dos Cariris Velhos, entre a Paraíba e Pernambuco, situados em lugares de várzea, piemonte ou "brejos", mesmo sendo também lugares de culto, nos dão a impressão de uma utilização habitacional, mesmo que temporária, ou talvez lugar de culto perto da aldeia do grupo.

Quantas vezes os grafismos, que depois serão registrados nas pedras durante milênios, não foram antes esboçados nas areias por algum "contador de estórias"? A pauta cultural acompanha os homens mas o intercâmbio de idéias e conhecimentos não depende apenas de longas migrações. A herança cultural explica-se também pela rede de comunicações através da qual se transmite a informação de geração em geração.

Pintura Rupestre
Sítio : Xique-xique IV - Seridó - RN

Pintura Rupestre
Sítio : Xique-Xique I - Carnaúba dos Dantas - Seridó - RN

Os limites científicos do conhecimento e da interpretação dos registros rupestres são muito frágeis, na medida em que lidamos com o mundo das idéias, num período da história humana do qual não temos um contexto global e esse é o grande desafio da pré-história. Sem negligenciar o rigor científico, não podemos negar o valor da imaginação nos caminhos da pré-história, para evitar que esta se transforme numa árida relação de dados, sem atingir a realidade humana.

De fato, quando examinamos as diferentes teorias arqueológicas ou antropológicas aplicada à pré-história, vemos que a maioria percorre os terrenos da conjectura e das hipóteses, mais ou menos bem formuladas, que permite apenas uma aproximação relativa ao passado remoto da história do homem.

Pintura Rupestre
Sítio : Toca do Morcego - Serra da Capivara - PI

Gabriela Martin

Fonte: www.ab-arterupestre.org.br

Pintura Rupestre

Desde que o homem passou a conviver em sociedade, criou formas de se expressar e a arte foi sem dúvida a primeira delas vindo inclusive antes da linguagem.

O conhecimento sobre estas pinturas relatam desde 1575 onde François de Belleforest publicou sua observação de desenhos na gruta de Rouffignac. Estes desenhos eram atribuídos a camponeses, pastores e até mesmo fruto de manobras jesuítas.

O primeiro a estabelecer relação entre as gravuras e os achados arqueológicos foi Marcelino Sanz de Sautuola que em 1879 procurava peças pré-históricas juntamente com Maria, sua filha de oito anos, que foi a responsável pelo descobrimento na gruta de Altamira, situada no município cântabro de Santillana del Mar.

Marcelino morreu desacreditado e somente após vários achados feitos por outros cientistas, principalmente em território Francês, passaram a dar valor a sua teoria.

As gravuras parecem estar associadas a significados místicos e crenças mágicas, este pensamento se reforça quando as pinturas são encontradas em covas profundas de difícil acesso e sem restos de habitação por perto, o que vem a indicar seu uso na decoração de um santuário. Eram usadas também como uma forma de determinar a propriedade.

Alguns desenhos tem técnica "avançadas" de pintura dando estilo de profundidade, movimento e policromia. Utilizavam-se dos dedos untados com argila, responsável pelas cores ocre e vermelho, carvão ou óxido de manganês (retirado das rochas) responsáveis pelas cores negras. Como aglutinante era usado gordura ou sangue de animais.

O homem pré-histórico também se dedicava a escultura, pequenas peças feitas de chifre, ossos e pedra possuem tamanha mestria que são difíceis de reproduzir até hoje. Para esculpir eram usados instrumentos de sílex, uma espécie de perdeneira usada para fazer fogo.

Na Bahia mais especificamente no município de Seabra, encontram-se algumas cavernas como a Santa Marta e Buraco do Cão onde se pode ver pinturas rupestres feitas por homens primitivos que viveram há no mínimo 11 mil anos atrás.

O Brasil possui ainda outros sítios de pinturas rupestres, situados em Minas Gerais e no sudeste do Piauí onde consegue-se distinguir duas vertentes de pintura, uma naturalista e outra geométrica.

Fonte: www.paralerepensar.com.br

Pintura Rupestre

Evolução do conceito

Variados estudos sobre o que comumente se chama "arte rupestre", principalmente no campo da arqueologia, utilizam diferentes termos para as pinturas rupestres, que conseqüentemente induz uma metodologia e marcos teóricos sobre os quais se pretende adequar uma possível interpretação deste objeto de estudo.

Em uma análise feita do levantamento bibliográfico realizado por André Prous (1980; 1985) para a arqueologia brasileira, verificaram-se 275 títulos, cujas referências se faziam diretas às pinturas e gravações rupestres do Brasil.

Essas referências são responsáveis por 10,6% do total de 2.916 títulos entre os anos de 1839 e 1985 (acredita-se que este percentual seja superior, pois muitos trabalhos com títulos gerais — "Programa Arqueológico...", "Projeto de Pesquisa...", "Pré-História Brasileira" — possivelmente contêm mais informações acerca desse tipo de vestígio em particular). Tal levantamento, portanto, possibilitou traçar um perfil da relação entre o desenvolvimento das pesquisas (ou comunicações) e a apropriação de conceitos e interpretações próprios de cada época.

De 1839 a 1950, os títulos, cujas expressões remetem a idéias de comunicação através de vestígios de sistemas gráficos antigos ou de povos estrangeiros, predominam nesse período ("hieróglifos", "letreiros antigos", "escrita pré-histórica", "vestígios de língua primitiva"). Os trabalhos mais devotados utilizam expressões do latim, a exemplo de outras ciências, como nas classificações zoo-botânicas ("inscrições rupestres", "petroglifos", "litóglifos"). No final da década de 1930, então, surgem às primeiras conotações à "arte brasileira", uma concepção à autoria genuinamente artística dos grupos pré-históricos.

De 1950 a 1960 podem-se constatar 10 trabalhos publicados. Embora 50% desses títulos permaneçam fiéis à concepção de "escrita", se materializa a idéia de ‘arte’ como característica de expressão desses grupos do passado e as interpretações, por conseguinte, derivam de imediato do conceito de "arte brasileira" e "desenhos rupestres". Surgem ainda, dentro dessa nova forma de interpretação, os primeiros títulos com o termo "arte rupestre", que irá se fortalecer na década seguinte. É o período "formativo", como ressalta André Prous (1980, p. 17), de amadores dedicados à arqueologia que procuravam criar instituições de pesquisas com a colaboração de profissionais estrangeiros.

Entre 1970 e 1980 verificaram-se 87 referências. Dessas, em 39% dos títulos o termo "arte rupestre" se encontra presente. Paralelamente, surgem nesse período expressões de caráter imparcial a uma proposta interpretativa ("pinturas", "gravuras", "sinalações"), que respondem por 29% dos títulos.

O termo "petróglifo" é indicado em 20,5% e as expressões "inscrições fenícias", "pedra lavrada", "pedra com inscrições" são encontradas em apenas 9% do total. São evidentes, nesse período, as preocupações com a sistematização dos registros dos sítios, assim como são discutidas as orientações conceituais, tais como: estilo, tradição, cronologia e ambiente como elementos básicos para uma ‘boa’ interpretação das pinturas e gravuras rupestres.

Nesse cenário a influência da lingüística estrutural é bastante evidente, como modelo de evolução para interpretar as transformações estilísticas. Também nessa década surgem os primeiros títulos exclusivos à análise dos sítios, sob a perspectiva dos conceitos de signos e representação, dando origem a outros possíveis caminhos interpretativos, como através de analogias etnográficas.

Por último analisaram-se 84 referências relativas ao período compreendido entre 1980 e 1985, ano em que se encerra a bibliografia. Nesse período confirma-se a tendência do período anterior. A referência a "inscrições", no sentido literal do termo, cai para 4,7% dos títulos.

Da mesma forma os títulos que contém os termos "petroglifos" e "pictoglifos" diminuem para 7,1%, demonstrando uma tendência clara a se ignorar termos cujos sentidos levam a definir as pinturas e gravuras como escrita. Por outro lado, os títulos que se colocam imparciais a uma tendência interpretativa sobem para 41,6% nas referências.

Os sítios são indicados como "unidades estilísticas", "pinturas rupestres", "abrigos com pinturas e gravuras" e "sinalações rupestres". Nota-se, neste cômputo, que referências indicativas de metodologias de análise no campo da "representação" se tornam mais significativas ("símbolos", "expressão visual", "imagens pré-históricas" e "representações rupestres").

A expressão "arte rupestre" nos títulos aparece em 47,6% dos casos, perdendo de certa forma o impulso que vinha tendo duas décadas atrás.

Ainda nesse período é bastante significativo o número de trabalhos que se ocupam com as metodologias, deixando para trás o caráter puramente descritivo dos sítios rupestres. É notória a tendência de mudanças conceituais, para que metodologias mais apropriadas possam se constituir como ferramentas mais autorizadas no âmbito da busca do significado das representações rupestres.

O conceito no debate atual

Ainda hoje alguns usos correntes da terminologia para a pintura rupestre estão mais diretamente relacionados a um sentido interpretativo, isto é, ao que o próprio termo induz como significado do objeto, tais como: arte rupestre — uma valorização de conteúdo artístico; pictoglifo — escrita pintada, remete à grafologia; petroglifo — escrita na pedra, também remete à grafologia; figura — denota exemplos figurativos, ícones; grafismos — como sinais gráficos, discurso, mais usual para os murais urbanos, elaborados pelos denominados "grafiteiros".

Implica um abstracionismo não cognificável: inscrição rupestre — escrita na pedra, o mesmo sentido de pictoglifo e petroglifo; gráfico — icônico — como se a representação quisesse descrever aquilo que se vê, destituída de simbolismos que a sociedade, autora dessas pinturas, quisera representar.

Como as definições para os termos descrevem seus objetos a partir de vários campos (artístico, grafológico, fotográfico), não mobilizam significados para se pensar nos elementos últimos de sua significação — a representação. Os termos antes mencionados são similares somente no sentido que podem ser vistos para a comunicação. Hyder (1988, p. 7), fundamenta esta afirmativa quando diz que devemos olhar as pinturas rupestres como uma forma visual de expressão simbólica; expressão visual não no sentido da arte, mas de uma "linguagem" constituída de signos desprovidos de raízes originais, sem relação sensível com os objetos (os signos geométricos).

arte, portanto, conforme Sylvia Novaes (1999, p. 70), diferencia-se da linguagem rupestre exatamente por estabelecer esta relação sensível entre signo que se dá pela semiose.

Signo lingüístico, conforme Hyder (id.), diferente de pantomima, é específico na cultura na qual é compreendido. Citando Umiker-Sebeok e Sebeok (1978), aponta três caminhos nos quais o signo lingüístico toma a função de linguagem:

- é um complexo de sinais naturais e convencionais com elementos icônicos e indexical superam elementos simbólicos;
- é semanticamente abrir em que os elementos podem ser recombinadas para formular um número indefinido de mensagens;
- leva vantagem de competência não-verbal.

Considerando-se a simbologia intrínseca na cultura material pré-histórica, os mais modernos estudos de arqueologia atualmente se apropriam dos conceitos e das teorias antropológicas, da psicologia cognitiva e da semiótica, buscando a interdisciplinaridade no intuito de melhor visualizar, através dos vestígios materiais, a concepção de mundo dessas sociedades pretéritas e, dentro desta nova abordagem, a "arte rupestre", no conjunto dos vestígios arqueológicos, se caracteriza como material sui generis de análise.

O exemplo mais clássico desta interdisciplinaridade é o modelo neuropsicológico desenvolvido por Lewis-Willians e Dolson (1988) para a interpretação da "arte rupestre" dos aborígines da África do Sul: um modelo explicitamente antropológico, baseado na etnografia, nas ciências médicas e nas pesquisas de laboratório.

Isto deve ser considerado, a despeito da discussão sobre o processo de formação cognitiva da espécie humana, àqueles que defendem que a representação simbólica tenha evoluído da espécie hominídea mais antiga para as formas mais complexas no homem moderno, e daqueles que defendem que essa capacidade de simbolização tenha aparecido com o Homo sapiens sapiens há cerca de 150 mil anos, resultante de conexões cerebrais acabadas, conforme Mithen (2002).

Não se considerando as supostas figuras antropomorfas de Berekhat Ram, dos Altos de Golan, datadas entre 280 e 250 mil anos antes do presente (D’ERRICO; NOWELL, 2000), as pinturas rupestres em todo o mundo têm sido datadas em períodos que variam entre 40 mil até o presente com os povos sul-africanos que repintam os painéis rupestres ‘deixados pelos seus antepassados’, como forma de reinterpretar suas tradições.

Portanto, deve-se considerar que a prática cultural de representação em cavernas ou abrigos rochosos, remonta um passado recente que pertence ao Homo sapiens sapiens, e conseqüentemente, concebíveis a um estágio em que a comunicação simbólica já estava difundida entre os povos pré-históricos.

As pinturas encontradas nas paredes das grutas e abrigos rochosos inserem-se no contexto arqueológico como um tipo particular de vestígio. Apresentam-se como um sistema de idéias de natureza sociocultural, visíveis em sua estrutura outrora compartilhado dentro do grupo pré-histórico.

Diferenciam-se do restante do conteúdo material do sítio por apresentar signos de natureza simbólica, e podem exprimir o cotidiano desses grupos através de representações isoladas ou agrupadas de cenas de caça, luta, dança, entre outras atividades, ou de maneira aparentemente estática, antropomorfos, zoomorfos, fitomorfos, sinais geométricos simples ou complexos (quando estão associados vários sinais simples formando um único sinal).

A imagem ícone nem sempre pode representar aquilo que aparenta. Por trás de sua descrição formal podem estar ocultos elementos simbólicos cujos significados não são possíveis de serem resgatados (no caso das pinturas rupestres), uma vez que são desconhecidos seus códigos e/ou significantes, salvo se recorrer a testemunhos etnográficos ou a correlações arqueoastronômicas — que por analogias, podem ser testemunhos diretos do significado das representações.

A cerâmica e o lítico arqueológicos, por exemplo, desde que não possuindo outros atributos, que não os de conferir-lhes suas funções utilitárias, podem ser analisados através de analogias e deduções, e descritos formalmente quanto a sua função dentro da cultura que as produziram.

Nos últimos anos tem havido uma maior preocupação de arqueólogos e antropólogos sobre a necessidade de uma análise interdisciplinar para refletir a "arte rupestre" (GALVAN, 2002, p. 1; TACON, 1998, p. 6). Coloca-se então, o que poderia se chamar de primeira preocupação no escopo deste trabalho, o uso da terminologia, no sentido de que esta possa ser a base de uma boa comunicabilidade científica, além de suscitar, conseqüentemente, caminhos metodológicos mais autorizados, na perspectiva de se ampliar a gama de temas a respeito da "arte rupestre" nas ciências afins.

Como afirma G. Martin, é natural que existam polêmicas quanto ao uso do termo e a metodologia adotada para o estudo da "arte rupestre", pois os pesquisadores discutem sobre pontos de vista divergentes, "procuram respostas diferentes às mensagens que as pinturas e gravuras rupestres proporcionam" (MARTIN, 1997, p. 21).

O ideal é que assim como qualquer outra ciência, a arqueologia tenha um conjunto de termos para cada conceito particular de seu objeto de estudo. É certo, no entanto, que a ciência no seu processo natural de crescimento suscita novos conceitos, "... e todo novo conceito científico deveria receber uma nova palavra [], ou melhor, uma nova família de palavras cognatas" (PIERCE, 2000, p. 40).

Neste sentido, ‘arte’ como conceito agregado a ‘rupestre’, por si só, não pode ser conceituada, ela é o que parece ser ao seu apreciador, diferente de outra opinião. Este a formula e a descreve com seus sentimentos e sua explicação, essencialmente subjetivista, não pode ser concebida dentro dos limites de verdade. Como afirma Bourdier (apud RIBEIRO, 1995, p. 28): "[...] a classe dos objetos dearte seria definida pelo fato de que existe uma percepção guiada por uma intenção propriamente estética, isto é, uma percepção de sua forma mais do que sua função".

Ela é (a arte) então, produto histórico, que deve ser legitimada pela sociedade em que é produzida. Fora dela, o significado intrínseco à sua forma de expressão se perde, para dar lugar apenas ao de beleza plástica.

Neste contexto então, a pintura rupestre estaria fora da esfera artística, e se pertencesse a essa esfera, estaria fora da possibilidade de qualquer análise científica. Arte e ciência se tocam em seus extremos. Geertz (1999, p. 143) sobre este ponto de vista, afirma que:

[...] descrevamos, analisamos, comparamos, julgamos, classificamos: elaboramos teorias sobre criatividade, forma, percepção, função social; caracterizamos a arte como uma linguagem, uma estrutura, um sistema, um ato, um símbolo, um padrão de sentimento; buscamos metáforas científicas, espirituais, tecnológicas, políticas, e se nada disso dá certo, juntamos várias frases incompreensíveis na expectativa de que alguém nos ajudará, tornando-as mais inteligíveis.

O conceito de arte, como já foi colocado, tem sua origem na Europa no início do século XX, estendendo-se para o resto do mundo quando foi assimilado para atender uma nova exigência estética: de incorporar à cultura do prazer e do mercado nos tempos modernos (moderno no contexto europeu), onde seu significado é muito específico.

André Prous (1992, p. 510; 2003, p.44) discorda do termo ‘arte rupestre e sugere em seu lugar ‘grafismos’, embora considere a primeira expressão já consagrada pelo uso para ser abandonada. Conforme Prous: "[...] a ‘obra de arte’ é considerada, desde Kant, uma ‘finalidade sem fim’, ou seja, sua própria finalidade, objeto de contemplação estética quase que mística... Por não o conhecer, é que consideramos uma escultura de sambaqui, de catedral gótica ou da Nigéria apenas como ‘obra de arte’, e não como instrumento de culto, ou meio de propagação de uma ideologia" (PROUS, 1992, p. 510).

Desse modo, deve ser discutido porque a expressão ‘arte’ não deve ser incorporada à expressão "arte rupestre", pois os caminhos que levam a fazer e a pensar arte, fazem sentido para a sociedade que a produz, "[...] é específica de cada cultura" (MITHEN, 2002, p. 252). Conkey (apud MITHEN, 2002, p. 292, nota 7) discute como a categoria ‘arte’ adotada pelos arqueólogos prejudica as análises sobre a evolução cultural no início do Paleolítico Superior. A regra ideal é que o termo não desvie do conceito: o que imaginaria um leigo ao folhear um livro com inúmeras ilustrações de pinturas rupestres cujo título fosse "arte-rupestre"?

Thomas Heid (1999, p. 453), discutindo o lugar do conceito de arte, questiona sobre a orientação teórica de Blocker (1994), quando justifica que os artefatos produzidos pelas sociedades tradicionais (small-scale societies), ocupam o mesmo espaço nas salas dos museus etnográficos ou de museus de arte. Blocker argumenta que: "[...] people who make and use such artifacts manifest enough of the relevant artistic and aesthetic attitudes and dispositions to justify us in calling such artifacts ‘works of art’ and treating them as such." (BLOCKER apud HEID, op. cit. p. 454).

A proposta de Blocker, no entanto, pode fazer sentido se realmente a sociedade possui o conceito de arte para seus artefatos produzidos. É preciso que se verifique se este conceito não tenha sido incorporado como forma de se apelar para uma maior integração à cultura envolvente, quando o verdadeiro significado implícito nas obras passa a ser obscurecido e onde uma interpretação mais geral e simples de arte, de artefato decorador, tenha sido imposto para ser exibido ao público.

Shiner examina esta concepção de arte aplicada a diferentes sociedades pelas sociedades ocidentais, atribuindo a elas, uma predeterminação de apropriar-se e extinguir os valores simbólicos dos objetos de outras culturas. Admite-se que, conferindo o título ‘arte’ para tais artefatos simples, nossas instituições fazem um jogo com o propósito de manter o controle sobre ‘culturas marginais’. Shiner afirma que: "[...] ultimately, through this strategy our art institutions seek retain the power of making differentiations between ‘authentic’, ‘fake’ and ‘tourist art" (HEID, 1999. p. 455)

Estas observações são interessantes, à medida em que se questione se os executores das pinturas rupestres possuíam o conceito dearte enquanto arte estética, como no exemplo de alguns sítios africanos descritos por Ki-Zerbo (1982, p. 688) e assim se poder denominar "sítios de arte rupestre". A despeito disto, se as pinturas possuem intrínsecas relações cosmogônicas e religiosas, estas naturalmente devem ser representadas esteticamente. Como Morin ressalta, que a "arte rupestre", além do sentido ritual e mágico, comportaria também o sentido estético, que são perfeitamente combináveis: "os fenômenos mágicos são potencialmente estéticos e... os fenômenos estéticos são potencialmente mágicos" ( apud SEDA, 1997, p. 152).

A preocupação maior, portanto, é sobre o sentido que deve ser dado à interpretação. É perfeitamente plausível que um pesquisador descreva esses painéis como uma obra de arte, partindo de seu conteúdo estético, diferencie as técnicas, as formas, e até as identifique dentro de uma classe de arte, e. g., abstracionista, impressionista etc. Porém, dificilmente chegaria a alguma interpretação científica.

Diferente de uma antropologia urbana ou de uma etnologia indígena, onde se podem resgatar os valores simbólicos de seus interlocutores, fazer uma arqueologia antropológica, quando a "tradição viva" (cf. DAMATTA, 1987, p. 50) não está mais presente, exige que se trate o objeto de estudo com metodologias mais apropriadas e, por conseguinte, a terminologia é importante para que se comece a pensar caminhos mais profícuos para uma análise científica da "arte rupestre".

Sugere-se então, que o termo representação rupestre se apresenta de maneira mais apropriada a esse tipo de manifestação cultural. Representação como reprodução daquilo que se pensa. Conteúdo concreto apreendido pelos sentidos (estéticos), pela imaginação ou pela memória, retraduzido no conjunto de signos não verbais, e compreendido no campo de elaboração relativa ao psicológico e ao sociológico. E ainda, representação no sentido de sua origem na semiótica, onde o conceito exerce o papel de evidenciar categorias de signos diferentes, que interagem no contexto segundo leis próprias de organização estruturais, de processos de representação particulares.

Deste ponto de vista, o termo assume os conceitos unificadores de dois domínios que são: o signo, por seu lado perceptível, e a representação, seu lado mental, pois como afirmam Santaella e Nöth (1998, p. 15): "[...] não há imagem de representações visuais que não tenha surgido de imagens na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos visuais".

Representação é significante da idéia de reprodução de algo que já estava na mente. Se a imagem rupestre é produto de uma "visão de mundo" socialmente compartilhada, representar, então, é rememorar aquilo que se reapresenta na mente de quem produziu essas imagens e que desperta sentido no grupo espectador. Representação, portanto, remete ao conceito de signo, e a terminologia por sua vez, em detrimento das outras terminologias citadas, implica que imagens rupestres sejam tratadas metodologicamente, também, sob a perspectiva da teoria geral dos signos, ou semiótica.

O objeto da antropologia, senão único, pelo menos principal, são as representações culturais. Segundo D. Sperber (2001, p. 91) toda representação envolve no mínimo três termos: a própria representação, seu conteúdo e um usuário, aos quais se pode acrescentar um quarto, o produtor da representação, quando não é o próprio usuário.

A representação é mental no momento em que seu conteúdo é construído e torna-se pública quando é endereçada aos espectadores. Admite-se que o conteúdo explícito nos painéis rupestres traz em si espectros da vida social e cultural dos povos que os produziram, visões de experiências e conhecimentos acumulados, e que não somente expressa a vontade de retraduzir esses conhecimentos, mas também é para ser interpretado e assimilado, então se deve conceber essas imagens metodologicamente como representações das representações dos saberes, e devem obedecer a uma estrutura qualquer que tornem inteligíveis as informações referentes a objetos ou a situações. Ainda reforçando esse lado mental da representação Jean-Claude Abric afirma que: [representação é...] "o produto e o processo de uma atividade mental por intermédio da qual um indivíduo ou um grupo reconstitui o real com o qual é confrontado e lhe atribui uma significação específica" (ABRIC, 2001, p. 156).

Trata-se, portanto, da apreensão dos fenômenos sem levar em conta os fatores diretamente observáveis, mas que enfatiza sua dimensão simbólica, valoriza sua significação. Representação como eixo norteador para as hipóteses a serem testadas, que legitima seu conteúdo como objeto de pesquisa científica.

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SPERBER, D. O estudo antropológico das representações: problemas e perspectivas. In: JODELET, D. (org.). As representações sociais. Rio de Janeiro : EdUERJ, 2001.

Joaquim Perfeito da Silva
Depto. de Filosofia e Ciências Humanas Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Fonte: rupestreweb.tripod.com

Pintura Rupestre

O parque nacional serra da Capivara foi criado em 1979 e, em 1991, declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Localizado no Sudeste do estado do Piauí, em região semi-árida, ele cobre a área dos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e João Costa.

A área total do parque se estende por 130 mil hectares dos quais apenas 20% estão abertos à visitação pública. Sítios pré-históricos, 535 ao todo, guardam mais de 30 mil pinturas e gravuras rupestres, retratos do cotidiano do homem pré-histórico que viveu em terras brasileiras.

Alojadas nas paredes dos abrigos e reentrâncias escavadas pela ação do intemperismo, as pinturas, na sua maioria avermelhadas, espalham-se nos paredões de rochas sedimentares, como na já conhecida Toca do Boqueirão da Pedra Furada. As gravuras, por sua vez, adornam freqüentemente a superfície de blocos rochosos isolados próximos às fontes de água estocada das chuvas.

O relevo do local é formado por chapadas, desfiladeiros e serras; o clima é semi-árido e a vegetação de pequeno porte é típica da caatinga. Também pequeno é o porte dos animais daquela fauna: gaviões, tamanduás, jaguatiricas, gatos-do-mato, lagartos, onças-pintadas, cobras e tatus.

Em épocas pré-históricas, as condições ambientais eram bem diferentes da atual. Até 12 mil anos antes do presente, o clima era tropical úmido, responsável pela vegetação abundante, que serviu de fonte de alimentação para inúmeras espécies de animais de grande porte, na sua maioria herbívora: preguiça gigante, tigre-dente-de-sabre, mastodonte e tatu gigante.

Nas pinturas, é possível reconhecer as representações de capivaras, veados galheiros, caranguejos, jacarés e certas espécies de peixes, fonte de alimentação humana, bem como de inúmeras outras espécies hoje inexistentes ou extintas naquela região.

As marcas da presença humana encontradas no parque nacional serra da Capivara contrariam as teorias sobre a ocupação humana do continente americano, segundo as quais o homem chegara ao continente pelo estreito de Behring, há pelo menos 11 mil anos, durante a última glaciação.

Contudo, da década de 1930 em diante, novas evidências arqueológicas encontradas em várias partes do continente, como em Monte Verde, no Chile, dão conta de que grupos humanos habitaram a região há 33 mil anos. Nos Estados Unidos, no estado da Pensilvânia, encontraram-se artefatos arqueológicos com idade estimada em 14 mil anos. As amostras de carvão da toca do boqueirão da pedra Furada, contudo, datadas pelo recurso do carbono-14, superaram os 48 mil anos, o que chamou a atenção de arqueólogos de todo o mundo.

Se bem ainda pouco numerosas, essas novas pesquisas no continente de certa maneira confirmam o recuo das datas da presença humana nas Américas e reforçam a importância dos achados arqueológicos no parque nacional serra da Capivara. O que elas ainda não permitem é precisar as vias de penetração do homem no território e o processo de povoamento.

Pintura Rupestre

Os paredões da serra da Capivara constituíam abrigos naturais para seres humanos pré-históricos. Habitavam-nos, faziam deles acampamento, enterramento de mortos, cerimonial e de caça, aproveitando os animais que vinham beber água das chuvas depositadas nas inúmeras depressões rochosas.

Pintura Rupestre

De formato curioso, o paredão da pedra Furada é um bloco rochoso avermelhado com 60 m de altura e uma perfuração escavada pelo vento ao longo de milhares de anos. Sua base, conhecida como sítio arqueológico Toca do Boqueirão da Pedra Furada, foram descobertos os mais antigos vestígios da presença humana nas Américas, além de um impressionante conjunto que reúne 1 150 pinturas rupestres.

Fonte: www.scipione.com.br

Pintura Rupestre

Pintura Rupestre
Pintura em Serranópolis, sudoeste goiano

"A ocupação humana da área que corresponde ao estado de Goiás recua há pelo menos 9.000 a.C. e caracteriza-se por uma diversidade significativa de adaptações a distintos ambientes ecológicos e sociais". (1)

De acordo com registros oficiais (...) conhecem-se atualmente 626 sítios arqueológicos pré-coloniais no estado de Goiás (...) Nos municípios de Caiapônia, Formosa, Serranópolis e Niquelândia já foram registrados entre 31 e 48 sítios (...) (1)

"A maioria dos sítios arqueológicos (431) representa antigos assentamentos ou locais de atividades específicas de grupos ceramistas agricultores. São seguidos por abrigos sob-rocha (207), sendo que em 93 foram registradas pinturas, em 17, gravuras e em 13, gravuras e pinturas. Os sítios líticos a céu aberto registrados estão relacionados em sua maioria com grupos caçadores-coletores, enquanto pelo menos dez podem ser associados a grupos ceramistas. Por fim, conhecem-se 21 lajes e blocos horizontais a céu aberto com gravuras". (1)

Pinturas e gravuras

"'Arte Rupestre' é chamada toda expressão gráfica - gravura ou pintura - que utiliza como suporte uma superfície rochosa, independentemente de sua qualidade e de suas dimensões: podem ser as paredes de abrigos, de grutas ou de penhascos, mas também de rochas isoladas ou agrupadas em campo aberto.

É acervo de pinturas e gravações realizadas pelo homem pré-histórico, usando como fundo ou suporte as rochas.

Certas manifestações de Arte Rupestre remontam a 35.000 anos na França (período pré-figurativo do paleolítico superior), a 26.000 anos na África Austral (gruta Apolo 11, na Namíbia), a mais de 20.000 anos na Austrália (gruta de Koonaldo), 17.000 ou talvez 27.000 anos em São Raimundo Nonato (Piauí), 11.000 anos em Serranópolis (Goiás). Outras mais recentes, chegando até 200 anos atrás". (2)

"Embora se encontrem manifestações de arte rupestre em todos os estados brasileiros, aparentemente ela está concentrada e é mais variada nas áreas secas do Nordeste e Centro do Brasil". (2)

"Em Goiás, estão definidos três estilos de pinturas rupestres, que são o estilo Caiapônia (possivelmente tradição Planalto), o estilo Serranópolis (possivelmente tradição São Francisco) e o conjunto estilístico de Formosa (tradição Geométrica)".

"No município de Serranópolis, estão concentradaos, num espaço de 25 km, aproximadamente 40 abrigos, dos quais ao menos oito apresentam ocupações humanas antigas, cujas datas vão de 11.000 a 8.400 anos (...)"(2)

"Embora existam abrigos pequenos com 100 m2 úteis, a maior parte é grande, podendo chegar até 1500 m2" (2)

"As pinturas provavelmente são feitas por todos os grupos que ocuparam sucessivamente os abrigos, embora não se possa identificar hoje qual dos grupos fez uma figura ou uma gravação determinada. De fato nos instrumentos das camadas mais antigas da ocupação, datados de ao menos 10.500 anos, aparecem manchas de tinta, do mesmo jeito como aparecem nas camadas médias e nas superiores.

A maior parte das pinturas são feitas com pigmentos vermelhos, composições de minerais de ferro. Raramente aparece o amarelo, o preto e o branco.

O que eles representam nas pinturas? Seres vivos e figuras geométricas. Os animais que lhes são próximos, como o lagarto, o tatu, a tartaruga, macaquinhos, o veado, a ema, a seriema, as araras e os papagaios, outras aves. São representados cheios, delineados ou feitos com traços e pontos. Geralmente são estáticos e muitas vezes, justapostos e repetidos, sem formar cenas verdadeiras" (...)(2)

A 200 km de Serranópolis, está Caiapônia e seus grandes chapadões. "As ocupações mais antigas correspondem aos caçadores da fase Paranaíba, tradição Itaparica que, a partir de 11.000 anos atrás, acampavam nas colinas do sopé dos chapadões". (2)

"O que mais se destaca no contexto da pesquisa arqueológica é o estilo de pintura rupestre, que o folclore local atribui a gigantes, mas realmente foi produzido pelos grupos pré-cerâmicos, que ocuparam os abrigos a partir dos últimos onze milênios. Nós o chamamos estilo Caiapônia. Se os moradores de Serranópolis produziram um estilo de pinturas e gravuras onde a estática, a disciplina e a repetição dos elementos predominam, aqui temos um estilo só de pinturas, onde se destaca o movimento, a criatividade e a liberdade". (...)

"Muitas vezes são apenas animais representados com extraordinário realismo: veados, antas, tatus, tartarugas, onças, aves, macacos correndo em círculo, peixes aos pares ou em cardumes, como as piracemas do tempo da seca no Araguaia.

Outras vezes são cenas da vida: homens carregando crianças nos ombros ou nas costas, sustentando pesos, deitados, dançando em grupo, fazendo acrobacias, um casal segurando uma criança. As pequenas figuras humanas, ao redor de 10 cm, representadas com traços simples, mas muito expressivas, geralmente com os órgãos sexuais bem acentuados, freqüentemente usam cocares na cabeça, penachos nas nádegas e armas nas mãos: entre estas podem-se distinguir perfeitamente porretes e lança-dardos" (...)(2)

Bibliografia

(1) -Wüst, Irmhild. A Ocupação de Goiás antes da chegada do europeu (Goiás Pré-Colonial). In.: Rocha, Leandro Mendes. Atlas Histórico Goiás Pré-Colonial e Colonial. Goiânia: Cecab Editora, 2001.

(2) -Schmitz, Pedro Ignácio, e al. Arte Rupestre no Centro do Brasil - Pinturas e Gravuras da Pré-História de Goiás e Oeste da Bahia. São Leopoldo: Unisinos, 1984.

Fonte: www2.ucg.br

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