A fome levava os primeiros homens a habitar o planeta a caçar animais para suprir essa necessidade orgânica. Com armas rudimentares feitas a partir de pedras lascadas por atrito, eles lançavam-se a sorte ao enfrentar feras maiores e mais poderosas que eles. Era necessário encontrar mecanismos que pudessem lhes ajudar nessa guerra diária pela sobrevivência.
Os registros rupestres encontrados nas cavernas de Niaux, Font-de-Gaume e Lascaux, na França e Altamira, na Espanha parecem indicar, segundo os estudiosos da História, uma das soluções encontradas pelo homem primitivo para ajuda-lo a enfrentar o problema. Segundo a hipótese mais aceita essas pinturas possuíam um certo sentido mágico que dotava seus executores com certos poderes de dominação sobre o animal desenhado. Ao esboçar o contorno dos animais nas paredes de argila das cavernas, acreditavam esses homens adquirir poder sobre os animais ali representados, o que facilitaria seu abate nos dias seguintes.
Com cores bastante reduzidas, sendo originárias da argila, do carvão e do óxido de manganês, que funcionava como um aglutinante quando misturado à gordura ou ao sangue de animais, representavam os animais ora isolados, ora em grupo ou sendo atacado pelo grupo de homens.
Dessa forma, a Arte nasce dentro de uma função pragmática, isto é, sendo utilizada para alcançar um fim não artístico. Seu desenvolvimento e valorização existe só como meio para se alcançar uma outra finalidade não artística. Ao desenhar o animal na parede da caverna o homem criava uma função prática para o desenho ali realizado: protegê-lo e dotá-lo de poderes contra a fera que ele teria que abater para suprir suas necessidades de alimento.
Quando entretanto, passa a domesticar os animais, a tê-los sempre a seu alcance, bastando para isso manter a manada, os desenhos feitos por esses homens perdem essa função mágica e passam a servir a outro fim. A perda desse sentido mágico não acarreta o fim do ato de produzir imagens, somente sua produção assumi outra finalidade; representar cenas do cotidiano da comunidade, registrando fatos de sua época nas paredes de pedra e argila.
Fonte: www.overmundo.com.br

Vênus de Laussel
A chamada arte pré-histórica é o que podemos assemelhar com produção dita artística do homem ocidental dos dias de hoje feito pelos humanos pré-históricos, como gravuras rupestres, estatuetas, pinturas, desenhos.
A arte pré-histórica não está necessariamente ligada à ideia de "arte" que surgiu a partir do renascimento, pois estabelecer um paralelo entre a civilização ocidental e os humanos pré-histórico é uma tarefa muito extenuante, senão mesmo impossível.
A relação que o homem pré-histórico tinha com esses objetos é impossível definir. Pode-se, no entanto, formular hipóteses e efectuar um percurso para as apoiar cientificamente.
Ainda hoje, povos caçadores-recolectores produzem a dita "arte" e em algumas tribos de índios percebe-se a relação do homem contemporâneo com o conceito atual de obras de arte e também de comércio.
Apesar de convencionar-se a consolidação da religião no período Neolítico, a arqueologia registra que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto a uma Deusa mãe [1] [2] [3] [4], ao feminino e a associação desta ao poder de dar a vida [5]. Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo" e cobertas por um pigmento de cor ocre vermelho, que simbolizava o sangue, e que estavam intimamente ligados ao ritual de adoração às estatuetas femininas; escavações apresentaram que estas estatuetas, as chamadas vênus neolíticas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos localizados em posições perféricas ou ladeando as estatuetas femininas [6].
A arte neste perído pode ser inferida a partir dos povos que vivem atualmente ou viveram até recentemente na pré-historia (por exemplo, os aborígenes, os índios). Na pré-história, a arte não era algo que pudesse ser separado das outras esferas da vida, da religião, economia, política, e essas esferas também não eram separadas entre si, formavam um todo em que tudo tinha que ser arte, ter uma estética, porque nada era puramente utilitário, como são hoje um abridor de latas ou uma urna eleitoral. Tudo era ao mesmo tempo mítico, político, econômico e estético.
A arte como uma palavra que designa uma esfera separada de todo o resto só surgiu quando surgiram as castas, classes e Estados, isto é, quando todas aquelas esferas da vida se tornaram especializações de determinadas pessoas: o governante com a política, os camponeses com a economia, os sacerdotes com a religião e os artesãos com a arte. Só aí é que surge a arte "pura", separada do resto da vida, e palavra que a designa.
Mas antes do renascimento, os artesãos eram muito ligados à economia, muitos eram mercadores e é daí que vem a palavra "artesanato". Então a arte ainda era raramente separada da economia (embora na grécia antiga, a arte tenha chegado a ter uma relativa autonomia), por isso, a palavra "arte" era sinônimo de "técnica", ou seja,"produzir alguma coisa" num contexto urbano. No renascimento, alguns artesãos foram sustentados por nobres (os Médici, por exemplo) apenas para produzir arte, uma arte "pura". Aí é que surgiu a arte como a arte que conhecemos hoje.
Referências
1 - Encarta Encyclopedia, [1]
2- Encarta Encyclopedia, Mesopotamiam Art
3 - Neolithic Art, Encarta Ecyclopedia
4 - Witcombe, Willendorf
5 - O cálice e a espada, Riane Eisler, p.14
6 - O cálice e a espada, Riane Eisler, p.18
Fonte: pt.wikipedia.org