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A Bandidagem é barbara

Destinatário

Equipe escolar

Uso

Leitura do texto para reflexão em reuniões de professores e lideranças da escola.

Sem eficaz providência contra a criminalidade, e com rápidos resultados, a pressão pela pena de morte, provável e infelizmente, prevalecerá. A insensibilidade para o tamanho do problema permitiu que evoluísse como se fosse fenômeno marginal em relação à sociedade. Assim como os capitães do tráfico e do crime são estilisticamente apontados como "marginais" à lei. A deterioração foi longe demais e a criminalidade deixou de estar à margem da sociedade. Ela integra o cotidiano das cidades e só um estrabismo irresponsável e burro tomará a espetaculosidade dos últimos acontecimentos na Rio de Janeiro como indicação de que detenha o monopólio da barbárie.

As conexões criminosas com as fontes de armamento, com segmentos do sistema de segurança e com pedaço ainda não identificado do judiciário comprovam que as raízes da desordem estão entrelaçadas às raízes da ordem. Não há ingenuidade que justifique a presunção como solução exclusiva. Os capitães do crime não são ovelhas desgarradas. São predadores inteiramente racionais. Sabem o que fazem e por que fazem. A criminalidade transcendeu o código penal, transformando-se em problema constitucional e ameaça ao Estado. Deixou de se uma turbulência cuja repressão é de estrita responsabilidade rotineiras das forças convencionais. Insistir nisso eqüivale a acumpliciar-se à desgraça. São necessários corpos especialmente selecionados, treinados e com a única missão de desmantelar a cadeia de cumplicidade e crime que vai do Estado ao esgoto.

Tudo deve ser feito para subtrair os adolescentes à tentação do poder e riqueza transitórios. Certamente não basta denunciar a transitoriedade dessa glória. A tragédia consiste em que eles têm consciência de que se trata de felicidade fugaz, e ainda assim optam por ela. Que sociedade é esta em que a adolescência prefere não chegar à idade madura? Quem protege os rapazes e moças que se candidatam às carreiras suicidas? Basta de solidariedade fora de propósito e endereço equivocado. Não há de ser da noite para o dia que surgirão políticas inovadoras e à altura do desafio constitucional impostos pela criminalidade. Nem, com certeza, a pura escalada da violência repressora trará resultados além de acelerar a transformação de seres humanos em bestas. Políticas eficientes exigentes, contudo, que se replica a chantagem afetivo-ideólogica de que é feio pensar em repressão. Não se está tratando com semelhantes, mas com bárbaros. É possível instalar uma civilização com fundamento em valores religiosamente transcendentes. Para defendê-la materialmente, são insuficientes.

Pode ser que leve tempo até se ter a coragem de admitir que não se está diante de meras traquinagens. Quanto mais demorar, pior, e um governo olímpico será responsável pela tristeza adicional que a demora acarretar. Morrem inocentes todos os dias, escudos da bandidagem. Para comer, as pessoas precisam estar vivas. E, para muitas delas, fome zero vai adquirir um sentido bem mais radical do que o governo imagina.

Fonte: Revista Educação

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