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A Mentira e A Inveja

A Psicologia nos ensina que todo ladrão mente e quase todo mentiroso rouba. A mentira e o roubo seriam, pois, faces de uma moeda viciosa. Quando rouba, o larápio não busca apenas um objeto, pois o que o move é apropriar-se das qualidades da pessoa lesada. É como o Tupinambá em seu festim canibalístico que, ao devorar seu inimigo, imaginava adquirir suas qualidades, sorte e bravura.

Assim, o malfeitor se engrandece com a imaterialidade do objeto furtado, pois são as qualidades do dono que ele busca em seus bens. Trata-se de uma atuação mágica, primitiva. Por outro lado, ninguém consegue impedir o larápio de mentir porque, quando o faz, ele rouba do outro a sua percepção da realidade, a sua consciência. É a mesma compulsão.

Podemos dizer, então, que nas carências da alma estão as motivações do roubo e da mentira, das quais resultam sentimentos de grandeza e onipotência no intimo de seus praticantes. Como diriam nossos adolescentes, ao enganar e furtar, o pobre de espírito “se acha”, sentindo-se igual ou superior àqueles que lesa, engana. Sabe-se ainda que o “olho grande” marca sua alma. Por carregar nela um contínuo sentimento de menos-valia, a inveja o aflige diuturnamente. Assim, a riqueza material ou espiritual alheios o atormentam, mobilizando suas iras e ações para levar privação e dor ao outro.

Fonte: www.campogrande.news.com.br

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