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A Observação Silenciosa

"Se nos enganamos a respeito de alguma coisa, é porque aquilo não é real..."

Ao visualizarmos as muitas opções, só uma mente clara é capaz de fazer a melhor escolha.
Ao visualizarmos as muitas opções, só uma mente clara é capaz de fazer a melhor escolha.

Parece que a inquietude da mente, acaba por transformar o indivíduo em um eterno insatisfeito, por conseguinte alguém sempre frustrado em tudo que realiza ou tenta realizar; alguém sempre disposto a se enfastiar rapidamente depois de conseguir alcançar um objetivo qualquer, idealizado sempre a partir de influências de outros. Isso acaba por criar em seu interior, as raízes do medo, medo de achar que nunca será capaz de se completar.

Uma criança inquieta, quase sempre é o resultado de pais inquietos, ou foi criada em meio à inquietude. Não podemos negar que a pressa dos tempos modernos, acaba contagiando à quase todos, com uma espécie de agitação de origem difusa. É como se a pressa se tornasse o padrão operacional do homem. Assim, a pressa, mesmo sem causa aparente, é considerado algo normal, e muitas vezes algo desejável, por ser visto como um estado capaz de proporcionar energia ao indivíduo; mais disposição para resolver as questões do dia a dia. Sabemos que não é assim que funciona, e podemos perceber facilmente o quanto a pressa perturba o homem, agredindo seu corpo e mente, sem que ele mesmo possa aferir de imediato, todos os males que silenciosamente irão minando suas forças.


Fisiologicamente, a pressa cria um estado de euforia no indivíduo, que pode se prolongar mesmo após o término daquela atividade. Se temos pressa de chegar ao trabalho ou escola, ou outro, é porque estamos com medo de que alguma coisa nos aconteça; podem nos chamar à atenção, podemos ser punidos. Desse modo, nosso corpo reage de duas formas; a primeira é gerando a energia da qual precisamos para nos apressar, a outra é criando energia para nos defender de um mal que inicialmente não é por nós visível.

Se estamos preocupados, nossa atenção será sempre falha, o que nos predispõe a cometer erros graves, que podem prejudicar a nós e aos outros. Diante de um nível de preocupação médio, não nos importaremos com mais ninguém, e logo nos tornaremos insensíveis à dor alheia. Se estamos preocupados com nosso próprio bem estar, o senso comum é que nos esqueçamos dos outros à nossa volta. Não há como ser diferente, é o instinto animal dizendo que nossa segurança e satisfação deve vir em primeiro lugar. Passado o período de agitação, já refeitos emocionalmente, podemos até alegar que estávamos pensando no bem estar de mais alguém, mas isso decerto nunca será uma verdade. O instinto assume nosso controle emocional quando nos sentimos encurralados, diante de alguma ameaça, ou de algo que insinue nos prejudicar. O instinto não tem senso ético, nem está sujeito a sentimentos de espécie alguma, especialmente quando se trata da razão de nós humanos.

Movidos pelo instinto, nos tornaremos insensíveis e cruéis. supondo que os outros façam a mesma coisa, estaremos então dispostos a nos destruir mutuamente, disputando qualquer coisa, que pode ser até a prevalência de uma opinião. Eis um retrato da maioria das pessoas da nossa realidade, e se não cuidarmos com urgência, trata-se do mesmo futuro reservado à todos nós. Uma mente inquieta, mesmo em um curto espaço de tempo, forma um indivíduo inseguro, incapaz de reter sua atenção naquilo que está fazendo; incapaz de dar atenção a quem quer que seja. Se tornará um indivíduo disposto a conseguir as coisas da maneira mais fácil, mesmo que seja enganando as pessoas através das mentiras. Um adulto inquieto, nunca está totalmente presente onde está; será para sempre um indivíduo ausente, fragmentado, dividido, entre aquilo que está fazendo e o que gostaria de fazer.

Assim, não conseguirá se realizar plenamente em nenhum empreendimento que venha a arquitetar. Será por natureza agressivo e é quase certo que não respeite o espaço do seu próximo. Será dominador por natureza, imaginará que os outros devem se submeter aos seus caprichos; tornar-se-á impaciente e inflexível em seus argumentos. Certamente nos seus relacionamentos buscará uma perfeição que não existe, e será uma fonte permanente de conflitos existenciais sérios. Assim, o educador atento às conseqüências da inquietude juvenil ou infantil, deve ter em mãos alguns recursos que poderão levá-los a se conscientizarem desde cedo, daquele estado, que embora seja uma parte indissolúvel da sua personalidade, se não compreendido adequadamente, acabará se tornando um dos seus maiores problemas. Apenas pela compreensão daquilo que é, o indivíduo terá subsídios, para enfrentar e vencer de forma efetiva e inteligente a questão.

Para que a criança aprenda um pouco mais sobre si mesmo, para que aprenda a avaliar seu estado emocional, a sentir seu espírito de momento a momento, a avaliar sua verdadeira natureza, se seus sentimentos estão em comunhão com aquilo que está fazendo ou em conflito. Para que aprenda a lidar com isso de forma racional, sem fugas ou represando sentimentos de raiva ou mágoas, será preciso que o orientador ajude-a a entender, o que ela representa como ser humano, se tem uma função na vida, que valores são importantes e necessários para uma existência pacífica e plena. Mas antes de começar, será necessário que o mestre aprenda o mesmo sobre si mesmo. Um sentimento ganha força de propagação quando o sentimos, e a partir daí o partilhamos com os outros, uma teoria não. Uma teoria logo será suplantada por outra, e assim seguirá seu percurso sem fim, rumo às contestações que sempre darão lugar a novas teorias, e cujo resultado será sempre coisa nenhuma.

Entender a si mesmo é aprender sobre aquilo que sentimos, não o sentimento rotulado, mas a sensação viva que cada coisa proporciona ao nosso ser, no momento em que estamos a experienciá-la. Isto quer dizer, ouvir nossos sentidos, entender sua linguagem de forma clara, deixar que nos digam o que verdadeiramente sentimos. Talvez tenhamos que abrir mão dos rótulos, que nos dizem o que devemos sentir, ou antecipam de forma sistemática nossas emoções. Se entramos numa sala escura, e já temos idéias formadas sobre a escuridão, é certo que vamos ignorar todo resto, pois nossa atenção vai estar completamente focada apenas no fato de estar tudo escuro.

É fácil ver o que significa para nós a palavra felicidade? Mas a palavra felicidade é apenas um conceito com formas e normas próprias, ela não representa de forma alguma a felicidade, o estado independente que de fato ela é. Antes disso, passa apenas a expressar uma idéia de felicidade, que as pessoas instituíram para si, um mero modelo material, um esquema burocrático que se interpretado e seguido à risca supostamente faria aquela pessoa feliz. Seria no entanto, apenas uma condição instituída de algo que nos proporcionaria momentaneamente satisfação. Satisfação é a simples realização de um desejo, e assim sempre restam outros e outros, que nunca serão satisfatoriamente atendidos, isso estaria mais próximo de infelicidade e não de felicidade.

Assim, entender e depois compreender que as palavras não são capazes de reproduzir nas pessoas aquilo que se prestam a expressar, seria o primeiro passo nessa direção. Podemos por exemplo observar todo nosso estado emocional momento a momento, isso nos proporcionaria um instante único, com benefícios incalculáveis para todo o nosso ser, onde poderíamos sentir que o tempo pode parar, se quisermos. Numa primeira etapa, isso ficaria restrito a uma parte do nosso tempo programado antecipadamente, que poderíamos definir como, a situação de momento do meu ser. Depois pode ser praticada a qualquer momento, pois a cada um deles, será uma fração de tempo de novas descobertas.

A Prática

O exercício poderá ser realizado individualmente ou em grupo.

A pessoa pode estar sentada ou em pé, mas o importante é que esteja parada, e na medida do possível, relaxada e em silêncio. De qualquer modo à própria prática promove o relaxamento natural do indivíduo. Por estar relaxado, entendemos, NÃO dar atenção a qualquer outra coisa, que não seja aquilo que se vai realizar naquele momento. Devemos ter em mente, que apenas uma coisa pode ser realizada por vez.

Podemos orientar para alguém fechar os olhos, e calmamente pedir que tente perceber o ambiente. Peça para que escute o que ouve, cada barulho, cada coisa que possa identificar como ruído. De olhos fechados e atenta, a pessoa deverá escutar e perceber, sem identificar, quer dizer, sem dar nomes, cada ruído existente no ambiente. Peça que ela apenas escute, sem resistência, sem dar opiniões sobre o que ouve. A cada som que escuta, ela deve tentar descobrir de onde vem. Depois de um tempo, aí sim, deverá tentar identificar o que é cada coisa que consegue ouvir, inclusive o silêncio; isso inclui sua própria respiração e a de outros ao seu lado, caso esteja em grupo.

Feito isso, sua atenção estará totalmente focada naquela ação, sua mente estará então, sem resistência ou esforço, centrada apenas naquilo que está fazendo, sem saltitar de um lado para outro em busca do que fazer. Depois peça para que sinta aquilo que é capaz de perceber nesse estado, e você verá que ela estará naturalmente calma, ciente de tudo à sua volta, consciente de que é capaz de ter autocontrole e atenção.

Dentro da mesma metodologia, numa outra etapa, peça para que sintam os cheiros, depois as sensações térmicas, e com isso seu estado de atenção estará pleno, trabalhando de uma forma tão intensa quanto nunca antes, conscientemente experimentou. O estado resultante dessa pequena prática, é segurança pessoal, calma, equilíbrio psicológico, consciência intensa de si mesmo, o que quer dizer, uma porta aberta ao autoconhecimento.

Fonte: sitededicas.uol.com.br

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