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Abrindo olhos e coração

Trabalhar a cidadania é aproximar os alunos de diferentes realidades sociais espera de intervenções que diminuam suas diferenças.

Acreditamos que as transformações da sociedade só acontecerão a partir da educação de nossas crianças e, sobretudo, de um esforço conjunto: sociedade e governo.

Nossos alunos são privilegiados no que diz respeito ao uso pleno da cidadania. Fazê-lo enxergar o outro lado é possibilitar-lhes um olhar reflexivo para os problemas das demais crianças de nosso país. Não pretendemos que eles se sintam culpados. Nossa intenção é de que passem a valorizar sua própria condição de vida e que busquem investir na formação pessoal, interferindo responsavelmente na sociedade, como protagonistas de ações solidárias que propiciem a inclusão dos demais.

Assim, aproveitamos as comemorações do aniversário do Pitágoras, no início do ano, para vivenciar uma verdadeira aula de cidadania, dentro do projeto "Somando nossas diferenças", que objetivou despertar nos alunos, desde a mais terna idade, a sensibilidade para alguns problemas sociais, principalmente aqueles que desapertam preconceitos, por estarem relacionados ás diferenças.

Organizamos encontros com diferentes instituições assisteciais e filantrópicas de Belo Horizonte, como a Sociedade Pestalozzi, Projeto Curumim, Escola Estadual São Rafael, Gapa, Abrigo Bom Pastor, Miguilim, Avante, Leuceminas, Núcleo Caminhos para Jesus, Cooperativa Dia- a- dia, Hemominas e outros.

Todas estas instituições montaram estandes com o propósito de divulgar o seu trabalho e, juntamente com nossas crianças, apresentarem números artísticos.

Já naquele momento foi possível mostrar aos alunos que as limitações, sejam e físicas, mentais ou sociais, não podem servir de barreira na busca da realização pessoal e de igualdade social.

Nossas crianças, sensibilizadas com tudo que viram, mobilizaram-se no sentido de uma aproximação e cada turma escolheu apadrinhar uma das instituições presentes, desenvolvendo um trabalho de parceria no decorrer do ano letivo. Foi possível compartilhar experiências que incluíram a troca de conhecimentos e, sobretudo, a troca de afeto e amor. Dar e receber foi possibilitado aos dois lados. A distância já não era tão grande e os dois mundos pareciam um só, como num grande abraço.

Em novembro, um novo encontro. As crianças das unidades Mangabeiras e Cidade Jardim receberam seus pais e a comunidade para apresentar o que foi realizado. Este trabalho não terminou, é apenas o começo de uma prática que pretende ser mais uma possibilidade de diminuir o fosso social, de trabalhar a inclusão e de somar tantas diferenças.

Uma outra experiência foi realizada no Colégio Pitágoras, dentro do projeto "Escola", abordando também o problema das diferenças, agora enfocando especificamente a deficiência visual.

Alunos do 1.º período (Educação Infantil) e da 3.ª série (Ensino Fundamental) da unidade Mangabeiras demonstraram interesse em pesquisa sobre deficiência visual, a partir do primeiro contato que tiveram, com alunos da E. E. São Rafael. Encantados com as potencialidades que aquelas crianças eficientes visuais - DV apresentaram e com as habilidades que tinham para tocar instrumentos musicais, nossos alunos perguntavam: "Como é que pode? Elas são cegas!"

A partir desse momento, iniciou-se o projeto de investigação. Muitas histórias e notícias que abordavam a questão do deficiente visual foram lidas em casa e na escola. Depois, vieram as trocas de experiências.

Acompanhados das professoras, nossos alunos visitaram a E. E. São Rafael com o objetivo de conhecer e aprender um pouco do que faz e de como aprende uma criança que não vê. Lá, brincaram de roda, andaram de mãos dadas (descobrindo como as crianças DV circulam pelo espaço da escola), conheceram o alfabeto Braille e a reglete, a máquina que possibilita a escrita para os cegos. Nas oficinas, trabalham com argila, confeccioram bijuterias e observaram, fascinados, os alunos no processo de encadernação. Durante o lanche coletivo, o que mais chamou a atenção foi ver como as crianças DV conseguiam localizar, sobre a mesa, o suco e o biscoito.

A partir da visita, os alunos do 1.º período demonstram interesse em escrever um livrinho relatando essa experiência. Elas diziam ter descoberto que as crianças cegas vêem com os olhos do coração. Em acordo com a turma de 3.ª série, surgiu, também, a idéia de realizar uma campanha para comprar uma reglete e doá-la ás crianças carentes do instituto.

O segundo encontro aconteceu na unidade Mangabeiras. Nossos alunos recebem as crianças da E. E. São Rafael e, juntos, trabalham na sala de Artes, fazendo modelagem com massinha. Os visitantes participaram, também, de atividades de Educação Física, até mesmo na piscina, o que provocou medo e insegurança em alguns e uma grande euforia em outras.

No dia da apresentação do projeto, foi realizada uma exposição, com cartazes, depoimentos de alunos, trabalhos manuais. Fez grande sucesso o livro produzido pelas crianças do 1.º período. Além dele, foram apresentados relatos que retratavam um pouco das experiências vividas ao longo do ano. Apreciamos também uma emocionante exibição do coral integrado pelos alunos da E. E. São Rafael. Dessas vivências ficou um grande aprendizado que pode ser traduzido pela fala de alguns alunos: "Somos todos crianças felizes. Cada um de nós do seu jeito. Somos diferentes ... iguais por sermos pessoas ... temos o mesmo coração, o mesmo carinho, o mesmo amor, a mesma amizade ... O sol que me aquece também te aquece ... O mesmo vento que balança os meus cabelos balança os teus também ..."

Maria Marta Rosa Ferraz

Fonte: Rede Pitágoras

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