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As religiões e o Natal

O Brasil é conhecido como o maior país católico do mundo, além de possuir milhões de cristãos que professam outras crenças que não a católica. Por esta razão, as comemorações do Natal no dia 25 de dezembro são uma tradição disseminada por grande parte de nossa sociedade. No entanto, outra marca de nosso país é a abertura a diversas expressões religiosas, sociais e culturais. Assim, há espaço para que grupos religiosos de diversas crenças aqui estejam presentes e se expressem livremente.

Para entender como se dá a relação das diversas religiões com as comemorações do Natal, o Universia Brasil ouviu religiosos, especialistas e fiéis, traçando neste especial um retrato desse envolvimento. Clique nos links da imagem a seguir para conhecer mais sobre o tema:

Natal: o fundamento da fé cristã

Significado do nascimento do Messias é o mesmo para católicos e protestantes

Em meio às festividades do Natal, algumas religiões destacam uma atenção especial para o dia 25 de dezembro. Estas são as chamadas religiões cristãs, que têm toda sua teologia centrada no advento do nascimento de Jesus Cristo, o Messias. "O Natal é uma data fundamental da fé dos católicos e cristãos em geral, porque nesse dia é comemorado o nascimento de Jesus de Nazaré", afirma o porta-voz da arquidiocese de São Paulo, Monsenhor Dario Bevilacqua.

Essa convicção pela importância da data não diz respeito apenas aos católicos, mas também aos cristãos protestantes. "O Natal é um momento separado para se relembrar o nascimento de Jesus, o salvador do mundo. Essa é a visão geral no cristianismo protestante", conta o diretor da Faculdade Teológica Batista, Lourenço Stelio Rega.

Mais do que isso, praticamente não há distinção na maneira como as duas religiões encaram a data. "Normalmente, na prática, não se percebem diferenças entre o significado do Natal para católicos e protestantes. Muitas das igrejas católicas, inclusive, estão adotando práticas culturais protestantes", diz Rega.

As semelhanças, no entanto, se resumem à maneira como estas encaram o sentido do Natal e sua importância no pensamento cristão. Com um perfil mais afeito a rituais, os católicos contam com um número muito maior de cerimônias do que os protestantes. "As comemorações que existem, em geral, são musicais, com cantatas de Natal ou, às vezes, teatrais. Muitas delas, inclusive, não retratam apenas os acontecimentos de Jesus, mas também seus ensinamentos, e como estes se aplicam como modelo de uma vida saudável", explica Rega.

Enquanto para os evangélicos as celebrações se resumem às suas orações ou mesmo apresentações musicais, para os católicos há toda uma preparação especial. O advento começa no final do mês de novembro e se estende até meados de dezembro, como uma preparação, que é a própria expectativa para o Natal. Neste período, são lidos trechos bíblicos que falam sobre esperança, levando a comunidade a se preparar para esse sentido.

Já no dia de Natal, os católicos celebram uma missa especial, realizada tradicionalmente à meia-noite, que recebe o nome de Missa do Galo. Mas, por que esse nome? "O galo é a primeira ave a ver os raios do Sol, tanto que cantam de madrugada. O único dia do ano em que o galo não precisa cantar é a noite de Natal, porque os homens cantam em seu lugar", explica o padre e professor de Teologia da PUC-Rio, José Roberto Develar.

Cultura transformada

A manutenção dessas tradições está fundamentalmente ligada a rigidez com que a igreja católica lida com sua estrutura. Segundo Rega, as igrejas evangélicas tem um perfil mais flexível em relação às culturas, preocupando-se em manter seus pontos principais. "O protestantismo se adapta às culturas, ao contrário do que acontece no catolicismo, em que a cultura que se adapta a ele", afirma. "Ainda assim, os protestantes mantêm alguns princípios inegociáveis, como a valorização da vida, a pecaminosidade do ser humano, a bíblia como fonte de verdade e outros."

Outro exemplo disto é absorção de uma festa pagã, posteriomente transformada na comemoração do Natal. No segundo século depois de Cristo, os romanos ainda celebravam a festa do Deus Sol. Como na Bíblia diz que Jesus é o Sol nascente que veio nos visitar, os cristãos decidiram não confrontar a fé dominante, mas sim classificar Jesus de "o Novo Sol". "Esse é um processo que se chama inculturação. Ao invés de destruir-se uma crença, mostrou-se que o Sol não era a estrela de quinta grandeza do espaço solar e sim um homem chamado Jesus", remonta Develar.

Símbolos modernos

Boa parte dos símbolos atuais do Natal também encontram suas raíses nas figuras sagradas do cristianismo. Mesmo as mais populares. Durante muitos séculos, o dia de São Nicolau era festejado no dia de Natal. Foi aí que surgiu uma figura gorducha, com barba branca e roupas vermelhas que tomou o seu lugar. "A figura do Papai Noel, lançada numa propaganda de Natal por uma firma norte-americana, caiu no gosto público e então esse gosto começou a entrar em outros grupos religiosos", conta Develar.

Árvores de Natal enfeitadas, muitos presentes, bolas coloridas, pisca-piscas e presépio. Tudo isso também faz parte da tradição católica. Mas todos esses elementos têm significados especiais: a árvore representa a vida, as bolas penduradas no pinheiro natalino substituem as frutas, que simbolizavam todo gesto concreto de fraternidade que se fazia no advento do Natal, e o presépio é uma representação artística do nascimento de Jesus.

Em relação ao presépio, uma curiosidade. José e Maria foram os últimos personagens a serem incorporados à cena natalina. Os primeiros foram o boi e o burro, que significavam o povo judeu e os outros povos, respectivamente. "Aquele menino [Jesus] veio unir todos os homens, então não teria mais o boi e o burro, seria o ser humano", aponta Develar.

Além da Missa do Galo e dos elementos tradicionais do Natal, os católicos, bem como os protestantes, costumam se confraternizar através da troca de presentes. Na maior parte das famílias, antes da comemoração é lembrado o verdadeiro motivo do Natal através de orações e preces. "O que a gente espera é que o Natal, que é a comemoração de um aniversário, não seja comemorado sem o aniversariante. Natal sem a figura de Jesus está completamente vazio", finaliza Bevilacqua.

Passado vitorioso, futuro próspero

Judeus comemoram a vitória contra a opressão e a liberdade em manter sua religiosidade

Nesta época do ano, lembrar as vitórias contra a opressão, discriminação e perseguição religiosa são alguns dos motivos de comemoração para os seguidores da religião judaica. Muito embora os judeus não comemorem o Natal e o Ano Novo na mesma época que a grande maioria dos povos, para eles, o mês de dezembro também é de festa.

Na noite do mesmo dia 24 de dezembro, em que os cristão celebram o nascimento de Jesus Cristo, os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeus sobre os gregos conquistada, há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.

Porém, mais do que uma vitória do judaísmo, na opinião do rabino, Yehuda Levinson, do Espaço K, instituição que une a comunidade jovem judaica, esta data marca a conquista da liberdade e a vitória da fé. "Esta data é para nós uma festa. Marca a vitória do povo judeu, que passou a ter liberdade para ter sua religião. É uma vitória da fé", explica.

Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão "pop" como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o menorah (candelabro de 8 velas considerado o símbolo da festividade judaica). "Para cada um dos 8 dias acendemos uma vela até que o candelabro todo esteja aceso no último dia de festa", explica o rabino.

Outras festividades judaicas

Além do Hanukah, os judeus contam com diversas outras festividades ao longo do ano, sendo, a mais famosa delas, o Rosh Hashana, do hebraico, cabeça do ano, ou seja, o Ano Novo para o povo judeu. Com duração de dois dias, esta comemoração ocorre entre os meses de setembro e outubro.

Judeus Messiânicos

Você já ouviu falar dos judeus messiânicos? Trata-se de uma uma nova religião criada por judeus que acreditam e pregam a palavra de Jesus Cristo. Porém, assim como o cristianismo, essa religião nada tem a ver com as crenças do judaísmo, justamente porque seus fiéis não seguem as tradições judaicas.

Isto ocorre porque, os judeus acreditam que o Ano Novo é comemorado quando Deus criou o mundo, seguindo o velho testamento (torah) e não a partir do novo testamento, marcado pelo nascimento de Cristo. Outra diferença do judaísmo com as religiões cristãs é a seqüência do calendário. "Os judeus se baseiam no calendário lunar, e não pelo solar", afirma Levinson. O que faz com que os meses tenham em média de 29 a 30 dias, e não 30 e 31.

Após dez dias do Rosh Hashana, os judeus comemoram o Iom Kipur (dia do perdão). Nesta data, reservada para arrependimentos, os judeus costumam jejuar durante um dia, um sinal de purificação. Outra data comemorativa, que coincide com uma festa cristã é o Pessach, que ocorre na mesma época que a Páscoa. "O Pessach significa a libertação do povo judeu. Ao todo, são oito dias de festa para comemorar o fim da escravatura dos judeus no Egito", destaca Levinson.

Para o rabino, nada é por acaso. Em uma época em que a maioria dos povos comemora o ano novo e os judeus comemoram o hanukah, um acontecimento de milhares de anos, toda a humanidade é que sai ganhando. "Neste época as pessoas comemoram felizes a liberdade e um novo ano que se inicia por poderem ter suas crenças sem sofrer com a opressão", destaca. "Para nós, essa é uma época de luz, onde todos podem desejar muita luz, prosperidade e paz", encerra.

Jesus é profeta para muçulmanos

Islâmicos respeitam comemoração do Natal, mas data não tem significado religioso para eles

Carlos Brazil

A religião islâmica (ou muçulmana) tem Jesus Cristo como um dos seus cinco principais profetas, ao lado de Abraão, Noé, Moisés, e Mohamad (ou Maomé), este último, a principal figura do islamismo, para quem teria sido revelado o Alcorão (ou Corão), o livro sagrado da religião. Jesus é citado 19 vezes no Alcorão. Além disso, a Virgem Maria, sua mãe, também é lembrada no livro sagrado islâmico

"Allah - Sao La Ilaha Ila Allah (não há divindade a não ser Allah - frase dita como testemunho à existência de Allah, um dos cinco pilares da religião) - descreve Jesus no seu sagrado Alcorão como um dos cinco maiores profetas, apesar de Allah - Sao La Ilaha Ila Allah - ter enviado mais de 124 mil profetas. Os cinco maiores profetas são: Abrahão, Noé, Moisés, Jesus e Mohamad. Esses são os profetas que mais se sacrificaram pela causa de Allah - Sao La Ilaha Ila Allah. Jesus, então, é reconhecido como um dos grandes profetas. Não há diferença entre um profeta e outro. E temos uma sorata especialmente em nome de Maria, que é a mãe de Jesus, a Virgem Maria", explica o xeique Aly Saleh, diretor religioso da SBM (Sociedade Beneficente Muçulmana) da Mesquita São Paulo.

Essa percepção é ratificada inclusive por um representante da Igreja Católica Romana. "Para o judeu religioso, Jesus não significa nada. Mas para os muçulmanos, Jesus é o maior dos profetas depois de Maomé, e Maria (mãe de Jesus), é muito homenageada pelos muçulmanos. Inclusive tenho dados de que nas ruínas da cidade de Éfeso, na Turquia, por exemplo, onde existe uma casa a qual, conforme a tradição, teria sido a casa onde Maria residiu com o apóstolo São João, é centro de peregrinação para cristãos e muçulmanos, também. Então, para eles há muito mais sentido religioso no Natal, além do sentido social. Enquanto para o judeu há apenas o sentido social, como mecanismo de adaptação à cultura européia-ocidental que passou também a vigorar no Brasil", afirma o antropólogo e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Bartolomeu Tito Figueirôa de Medeiros, conhecido como Frei Tito.

Apenas profeta

No entanto, ao contrário das religiões cristãs - para as quais Jesus é o Messias, o enviado de Deus -, o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.

Em relação à celebração do Natal - tradição das religiões cristãs sempre no dia 25 de dezembro de cada ano -, os muçulmanos mantêm uma relação de respeito, apesar de a data não ser considerada sagrado para o seu credo.

"Para nós muçulmanos, logicamente que convivemos com todas as coisas lícitas com felicidade, com prazer, com participação com todas as nações, haja vista que hoje estamos no maior país católico do mundo, que é o Brasil. Respeitamos as leis, temos uma Constituição brasileira e, acima de tudo isso, temos nossos irmãos católicos sobre os quais Allah - Sao La Ilaha Ila Allah - diz: `Se você procurar entre os mais virtuosos de seus amigos, você encontrará aqueles que seguem o Evangelho´. Com certeza, confraternizamos com todas as felicidades que eles têm, todas as comemorações, mas não especialmente para nós muçulmanos. Mas, logicamente, não temos nada contra, desde que não haja nada errado, ilícito", lembra os xeique Aly.

O religioso explica que o islamismo se apega justamente à posterioridade de Mohamad para valorizar seus ensinamentos. "Jesus, para nós, com certeza teve seu tempo, sua época, suas leis no Evangelho. Logicamente teve seus discípulos e ensinou a eles exatamente como nosso profeta Mohamad - Rassul Allah (o último mensageiro de Alá enviado pela humanidade) - nos ensinou. Só que seguimos Mohamad porque nascemos na época de Mohamad. Jesus vem há 2.000 anos atrás e teve sua época. Então, a religião tem seu tempo, sua época e seu profeta, como tivemos Moisés na sua época, Jesus na sua época e Mohamad na sua época. Hoje nós somos seguidores da religião islâmica, porque a palavra Islã significa submissão às ordens do criador Allah - Sao La Ilaha Ila Allah - através das tradições de Mohamad - Rassul Allah", afirma.

"Se eu estivesse há 2.000 atrás, com certeza eu estaria seguindo as tradições e os mandamentos de Allah através das tradições de Jesus filho de Maria - que a paz esteja com eles (expressão utilizada em sinal de respeito pelos islâmicos) -, seguindo as leis verdadeiras do Evangelho e adorando Allah conforme o Evangelho manda. Como existe tempo e época, hoje sou felizardo de estar na época da nação de Mohamad. E para mim também é um grande prazer ter Jesus dentro da linhagem do Alcorão, porque nós não podemos desfazer de nenhum profeta", acrescenta o xeique Aly.

Dificuldades

Apesar de a comunidade muçulmana ter se integrado à sociedade brasileira de forma expressiva - hoje o país conta com entre 1,5 milhão e 2 milhões de muçulmanos, dos cerca de 1,3 bilhões no mundo todo -, há dificuldades a serem suplantadas, segundo avaliam religiosos, em razão da liberdade cultural de nosso país.

"Estou orgulhoso e parabenizo as brasileiras, brasileiros, o Brasil e todo o seu povo, pois é um país muito hospitaleiro. Já viajei a Europa toda e não vi tal hospitalidade, o tipo de povo, o carinho que recebemos aqui e o tratamento de um povo humilde, carinhoso, que tem todas suas qualidades boas. No entanto, para haver a educação dentro do Islã às famílias islâmicas aqui no Brasil, existem certas dificuldades, já que o país tem uma abertura e uma liberdade muito grandes, onde existem várias formas de você cometer erros, cometer o pecado. Há um acesso livre à maioria das coisas, é um país totalmente livre. Existem essas dificuldades, mas o muçulmano sempre está concreto, rígido. A partir do momento em que está com sua crença em dia, com certeza consegue se adaptar a estes momentos e ultrapassar essas dificuldades", afirma o xeique Abdel ´Áti Hussein Addel Rázik, religioso egípcio que é diretor do Centro Islâmico do Brasil.

Religiões orientais buscam equilíbrio no fim do ano

Saiba mais sobre o Xintoísmo, Hinduísmo, Budismo e Taoísmo

Renata Aquino

As religiões orientais não estão completamente ausentes das comemorações de Natal e Ano Novo. Apesar das diferenças de calendário e crenças, o sincretismo com o cristianismo e o apelo comercial de datas como o Natal já se fazem sentir no Oriente e alteraram muitas comemorações tradicionais. A virada do ano também é uma data muito importante para países como China e Japão. Com calendário diferenciado, os países acabam comemorando o Ano Novo mais de uma vez, com festas coloridas e suntuosas.

Japão - Xintoísmo

O xintoísmo é uma religião de origem japonesa que tem práticas animistas, ou seja, considera como divindades elementos e seres da natureza. Muitas das artes marciais e novas religiões japonesas possuem influências do xintoísmo. Considerado como religião oficial no Japão, o xintoísmo teve várias fases, algumas influenciadas por datas políticas. De acordo com Henrique Todo, do Templo Xintoísta de São Paulo, "a fundação do Japão é uma das datas comemoradas". O professor Koichi Mori, do departamento de letras orientais da USP (Universidade de São Paulo), reconhece que em 1868, "com o imperador Meiji, o xintoísmo passou a ser a religião do estado". A fusão entre religião e estado só terminaria após a Segunda Guerra Mundial, "a influência dos Estados Unidos foi definitiva para acabar com todas as características divinas atribuídas ao soberano pelo xintoísmo", afirma Henrique Todo.

"A comemoração do Natal no Japão é feita como nos outros países, por influência ocidental", afirma ainda o representante do Templo Xintoísta de São Paulo. "No entanto, não há grande presença da tradicional simbologia católica". O xintoísmo é anterior ao budismo e tem como livros sagrados o Kojiki (712; Anais das coisas antigas), e no Nihongi (720; Crônicas do Japão). Além do Ano Novo, que é comemorado na data do calendário ocidental e do japonês, a fundação do Japão é comemorada em novembro.

Índia - Hinduísmo

O hinduísmo é a religião mais praticada na Índia. Com adeptos no mundo inteiro, o hinduísmo é representado por alguns templos no Brasil como o Ramakrishna Vedanta Ashrama, de São Paulo. O hinduísmo é norteado pelas escrituras nos Vedas, livros sagrados da religião. Os livros foram escritos em sânscrito, língua original da Índia.

Swami Sunirmalananda, um dos diretores do templo, contou que "entre as mais importantes celebrações do hinduísmo estão Durga Puja, Dasara, Ganesh Puja, Rama Navami, Krishna Janmashtami, Diwali, Holi, Baishakhi e outras". O mais importante sobre a religião, de acordo com o mestre indiano, é saber que "o hinduísmo é um tipo de vida, mais do que uma religião como as outras". Uma das mais velhas religiões no mundo, a religião que também é chamada de Sanatana Dharma diz que "cada momento é uma celebração", diz ainda o mestre.

"O Durga Puja é predominantemente celebrando em Bengala, mas também por outros povos. É a celebração da energia divina. O festival de Ganesh é celebrado nos estados do sul da Índia. As duas festas são grandes como o Natal para os brasileiros. Em todas as ruas se vê comemorações, danças alegres, cantos etc. Diwali é o festival das luzes. Cada casa, cada templo, em todo lugar se encontram lâmpadas, milhares e milhares, queimando a noite toda. Há muita alegria, fogos, muitas guloseimas.O significado das festas é que adorando a Energia Divina, adoramos Deus como Mãe e procuramos suas graças e nosso bem-estar espiritual. Em adorar Ganesha, procuramos sua bênção para o sucesso. No Diwali, destruímos a ignorância e encorajamos o conhecimento em nós mesmos", explica o Swami.

"Há também as festas parecidas com o Natal que são Rama Navami e Krishna Janmashtami. O Natal na Índia dá importância ao Papai Noel e à arvore de natal. Rama Navami é a celebração do nascimento de Rama. Krishna Janmashtami é o aniversário de Krishna", conta o Swami.

China - Budismo

O budismo é a religião mais popular na China. Com grande influência também em vários países da Ásia e da Oceania, o budismo é uma das religiões orientais que mais cresce no mundo ocidental e atrai, inclusive, fiéis de certo destaque social ou econômico. De acordo com a professora de chinês Liang Yan, do Centro de Língua e Cultura Chinesa, "apesar dos budistas não comemorarem o Natal, na China há um pouco da decoração com muitas lâmpadas e músicas natalinas".

O budismo é baseado no "dharma", os ensinamentos de Buda. Em São Paulo, um dos maiores templos do budismo pode ser encontrado na cidade de Cotia, o templo Zu Lai. "O objetivo do praticante do budismo é atingir a iluminação ou nirvana e livrar-se das amarras do mundo material", explica o professor de dharma do templo Zu Lai Moacir Mazzariol.

A data mais comemorada na China é, no entanto, o Ano Novo Chinês. O calendário, diferente do ocidental, prevê a próxima virada de Ano Novo Chinês para o dia 7 de fevereiro. "Essa é a grande festa na China, quando se faz a maior comemoração e se soltam fogos de artifício", conta a professora Yan.

China - Taoísmo

O taoísmo é uma das religiões orientais mais valorizadas no Ocidente e que tem sua filosofia regularmente revitalizada. No Brasil, o maior representante é a Sociedade Taoísta, organização com templos maiores em São Paulo e Rio de Janeiro. "Só em São Paulo, temos um movimento de mais de 350 pessoas por mês", conta Wagner Canalonga, monge taoísta. No templo, é possível ter aulas de meditação, filosofia, rituais, arte, i-ching e feng shui.

O taoísmo não tem qualquer celebração no Natal. No entanto, "a religião tem inúmeras datas onde se comemora o nascimento de grandes mestres ou sua ascensão", explica o monge. O Ano Novo Chinês, assim como no budismo, é a data mais comemorada para os taoístas. "Nesse dia se celebra o Senhor do Princípio Inicial, já em 22 de dezembro faremos um ritual em homenagem ao Senhor da Salvação, a divindade de compaixão, que ajuda aos que estão sofrendo".

Os rituais taoístas incluem invocações, cantos e mantras. "Pedimos por toda a humanidade e os rituais são abertos, qualquer um pode participar", conta o monge taoísta Wagner Canalonga. "O livro Tao Te Ching, ou livro do Caminho e da Virtude, contém os ensinamentos e para participar do ritual de iniciação ao taoísmo, basta demonstrar interesse".

Sem religião, mas com muita festa

Ateus e gnósticos não comemoram o Natal no sentido cristão, mas não perdem a troca de presentes e a comida boa

Renata Costa

Crer em Deus é uma questão de fé, mas também pode ser de política. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o diga. Ele se declarou ateu em um debate que antecedeu as eleições para a prefeitura de São Paulo em 1985 e perdeu para outro ex-presidente, Jânio Quadros. Anos depois, em seu período como presidente, evitava falar de sua (falta de) fé e chegou a negar ter sido ateu um dia, afirmando ser católico apostólico romano.

Apesar de serem 12.492.403 milhões de brasileiros, segundo Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000, os "sem religião" ainda têm uma aparição tímida, especialmente quando pessoas públicas, pois a fé ou a falta dela pode ser usada como um ponto negativo em um país de crenças múltiplas.

O grupo dos "sem religião", no entanto, inclui diferentes declarações. Estão aí os ateus (que não acreditam em Deus em nenhuma forma), os agnósticos (crêem que não há evidências nem da existência e nem da inexistência de Deus, portanto esperam provas), gnósticos (místicos) e outros que podem até acreditar em Deus, mas que não se sentem à vontade em nenhuma definição de religião.

Ao contrário deste último grupo que mantém a fé em um ser superior, mas não quer estar em nenhuma igreja ou grupo, o médico e professor do Departamento de Genética da UFRGS, Renato Zamora Flores (foto ao lado), conheceu algumas religiões, participou de grupos de jovens e, quando percebeu que aquilo não era o que queria, virou ateu radical, e afirma que religião faz mal. "Faz mal, porque ilude. As pessoas ficam esperando ajuda de alguma coisa ao invés de agirem por elas mesmas", afirma.

Filho de um dono de centro espírita e de uma médium, Renato conta que em casa o pai nunca tentou conduzir os filhos a uma religião, para que cada um deles pudesse escolher seu próprio caminho. "Eu fui conhecer umas três ou quatro religiões e fiquei muito decepcionado com a qualidade das respostas. Nesse meio tempo comecei a estagiar no departamento de genética e lá recebi um conjunto muito eficiente de explicações sobre a natureza das coisas. Como por exemplo, as teorias darwinianas", conta.

Agora, quando o assunto é Natal, Renato se empolga. "Eu comemoro com minha mulher, meus gatos e meus cachorros. Só porque eu sou ateu vou perder a festa?", brinca o professor. Embora a celebração tenha significado religioso, ele afirma que acha a data uma ótima oportunidade para as pessoas reunirem a família e celebrarem juntas. "Acho bonito todos se abraçarem e comemorarem. O fato das pessoas serem boas e de bom coração não tem nada a ver com religião. Por isso acho o Natal uma festinha legal", diz.

Também sem se prender ao significado cristão da data, o gnóstico Leonardo Dias, jornalista e pesquisador sobre Gnose, comemora o Natal com a família de origem católica. Foi ainda na adolescência que surgiu o interesse de Leonardo em conhecer mais sobre as diferentes crenças e a questionar alguns pontos que aprendia na aula de Religião na escola. "Havia um salto muito grande em anos na Bíblia sobre a vida de Jesus. Isto me intrigava e crescia meu interesse em estudar mais sobre o que estava oculto", diz.

Foi desta maneira que Leonardo começou a estudar e hoje se define como gnóstico. "Gnóstico é uma pessoa que estuda as religiões, que gosta de ler sobre o assunto. A palavra gnose vem da mesma raiz grega que originou o verbo ´conhecer` em inglês, ou seja, é um termo que define algo muito amplo", explica Leonardo. Segundo ele, entre os gnósticos há pessoas oriundas de várias religiões.

Um dos grupos que estuda a gnose é a ordem RosaCruz, da qual Leonardo faz parte. "Temos a idéia de um deus único, uma consciência cósmica. Definimos como o ´deus do seu coração` ", explica. Além dos estudos dos mitos, ele diz que os membros da ordem participam de rituais em busca do auto-conhecimento, de melhorar a memória e a intuição e também meditar.

Mesmo não crendo em Jesus como o Salvador da humanidade - "a história de Jesus é variável de acordo com a versão de cada livro das diferentes religiões", segundo ele - Leonardo tem ainda mais um motivo para comemorar o Natal. "Para mim a festa faz muito sentido, porque minha mãe nasceu no dia 25 de dezembro. Então comemoramos como qualquer família católica brasileira e com um motivo a mais", diz.

Fonte: unicamp.br

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