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Detecção antecipada de doenças

Para começar, vamos fazer uma suposição? Como você imagina sua vida daqui a dez anos? Estará estudando o que sempre sonha, trabalhando no emprego dos seus sonhos, estará casado e terá filhos, ou estará aposentado, fazendo algumas viagens para lugares que sempre sonhou?

Imagine, porém, que você coletou sangue, para saber como está sua saúde. Então, foi tranquilamente para casa, e tudo em sua vida está como de costume. Então, você vai ao laboratório, busca o resultado de seu exame, e leva-o para o seu médico, que simplesmente diz:

- Lamento em te informar, mas pelo seu exame foi detectado que daqui a mais ou menos dois anos você terá câncer.

Como você reagiria, tendo certeza de que não foi um engano do médico ou uma falha do diagnóstico?

Com o avanço da tecnologia, principalmente na área da saúde, a cada dia os equipamentos são mais precisos e sofisticados. Não causaria muito espanto se fosse inventado um destes aparelhos usados para diagnósticos que fizessem um mapeamento genético. (ou seja, que faria com o DNA, que está presente em todas as células, como se fosse um cozinheiro que pegasse uma fatia de bolo pronto e partir desta fatia te dissesse quais os ingredientes usados para fazê-lo) e que descobrissem neste ‘mapa’ os genes responsáveis por doenças que vão se manifestar futuramente (assim como o cozinheiro sabe a função de cada ingrediente usado para fazer o bolo).

A detecção antecipada de doenças pode ser uma boa alternativa para que a pessoa, ao saber da doença que sofrerá, possa cuidar de sua saúde, evitando assim o agravamento de seu caso clínico, e evitando fatores que podem prejudica-lo. A detecção precoce é extremamente importante para qualquer doença, pois evita o avanço da doença, e aumenta o nível de sucesso do tratamento.

O primeiro ponto negativo de diagnosticar doenças futuras pelo DNA pode ser uma fonte de estresse e preocupação excessiva, o que pode gerar até mesmo depressão, uma segunda doença muito preocupante e talvez mais grave que a primeira, que nem sequer se manifestou; ao saber que sofrerá uma doença no futuro, o indivíduo pode se isolar e deixar de realizar atividades cotidianas, como se relacionar socialmente e trabalhar, o que é preocupante economicamente, uma vez que uma consequência poderá ser a redução na produtividade do indivíduo, que pode ocasionar até mesmo perda de emprego.

Ainda, de acordo com o tipo de doença e a condição psicológica ou social do indivíduo no momento em que for informado a respeito do futuro problema, poderá ter uma reação extrema e desesperada, e atentar contra a própria vida para não ter que enfrentar um dia a doença ou suas consequências.

Além disso, empresas poderiam adotar este tipo de exame durante a fase admissional de funcionários, para evitar contratar funcionários que poderão um dia ter menor produtividade ou que possam ter que se afastar/abandonar o cargo para se tratarem. E isso seria, além de falta de ética, uma fonte de desemprego, uma vez que todas as pessoas estão expostas ao risco de sofrerem doenças como câncer, por exemplo.

Outro problema que poderia surgir dentro ou fora do ambiente de trabalho é a exclusão; no ambiente de trabalho, o indivíduo pode ser excluído porque está predestinado a sofrer determinada doença, ou pelos próprios colegas de trabalho, com comentários indiscretos e desnecessários que só geram desconforto.

Para as doenças genéticas, a terapia gênica é uma alternativa de tratamento; esta, consiste na substituição do gene deficiente por outro normal. Porém, preocupante é o fato de que existem algumas doenças para as quais ainda não existe cura; e para o indivíduo, descobrir que será portador de uma doença assim provavelmente seria desastroso, além de muito preocupante. Seria um ponto relevante para o desenvolvimento de pesquisas em busca da cura, pois nos momentos de necessidade são feitas as descobertas mais importantes, mas o fator psicológico afeta completamente toda a vida da pessoa e daqueles que com ela convivem.

Com um grande avanço, seria possível também diagnosticar em um feto em formação a presença de fatores desencadeadores de doenças; mas isso também pode não ser tão bom quanto parece, uma vez que assim, uma criança que sofreria uma doença grave um dia, sofreria o risco de nem nascer, o que é um atentado contra a vida e que aumentaria a quantidade de abortos, pois não é de se duvidar que alguns pais optem por tirar a vida de um bebê que não seja saudável; esta também, de acordo com a gravidade do problema, poderia evitar maiores sofrimentos, mas seria uma decisão polêmica e um tanto absurda, pois priva a criança de seu direito de viver

Devemos lembrar que nem todo método tem 100% de eficiência, portanto, podem haver falhas, não só no método, como na interpretação dos dados, e isso pode levar a um falso diagnóstico, que tem as mesmas consequências, porém estas são enganosas, o que tem um dano consideravelmente pior do que seria no caso de um diagnóstico correto. O lado positivo, se é que pode ser considerado, seria descobrir que a doença não existe.

Casos de terrorismo também poderiam acontecer, com a encomenda de falsos diagnósticos para prejudicar o indivíduo em questão. Enfim, existem inúmeras possibilidades de atitudes indevidas que podem ser tomadas.

A tecnologia e a área da saúde tem que progredir juntas, porém com o intuito de melhorar a sociedade, e não como uma fonte de problemas, polêmicas e preocupações que afetam a sociedade de modo geral.

Autora: Fabiana Furtado Filippini

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