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DISCIPLINA ARTE: O QUE E COMO ENSINAR E AVALIAR

Entendemos que a educação estética (humanização dos sentidos) pode ser trabalhada nas instituições escolares por meio da disciplina Arte. Tornar-se e reconhecer-se como humano ocorre quando temos acesso aos bens culturais que a humanidade construiu ao longo dos anos, e entre eles está o conhecimento artístico. Educar esteticamente consiste em ensinar o Homem a ver, ouvir, movimentar-se, atuar e sentir, o que não acontece de forma livre e espontânea. Assim, perguntamos: O que ensinar sobre arte as escolas? Como ensinar? E como avaliar? O que são conteúdos escolares e artísticos?

Conteúdos escolares são os saberes universais que constituem o mundo da cultura, e, entre eles, está a arte. No contexto escolar, o objeto de estudo da disciplina Arte são os conteúdos específicos contemplados nas diferentes linguagens artísticas, entre elas música, dança, teatro e artes visuais, em um determinado tempo e espaço historicamente construído pelo Homem. Nesta perspectiva, os conteúdos escolares em arte devem ser abordados em direção a uma totalidade e que possa abarcar dois eixos: primeiro, os conteúdos estruturantes (a matéria-prima, os elementos formais, a composição e as técnicas de cada uma das linguagens artísticas); e segundo, a abordagem sócio-histórica (artistas, obras, época, gênero e movimentos e períodos históricos).

É fundamental que o professor conheça e organize o conteúdo da disciplina que leciona para que, a partir dele, possa construir caminhos para torná-lo mais acessível à apropriação deste pelos alunos. A sistematização e organização curricular dos conteúdos em Arte não consiste de uma listagem linear e estanque, mas sim de uma diretriz, um caminho que possa promover a apreensão, subjetivação e objetivação teórica e prática do saber artístico, de forma gradativa e que aos poucos possa ser aprofundada.

A ação pedagógica do professor em sala de aula, conforme o encaminhamento metodológico, precisa propiciar a práxis artística (unidade entre a teoria e a prática artística), por meio de vivências e do entendimento histórico e teórico das experiências vivenciadas. O docente necessita vivenciar experiências pedagógicas, didáticas e artísticas, ou seja, é preciso participar deste processo enquanto aluno para que se possa conduzir o processo ensino-aprendizagem como professor com os alunos em sala de aula.

Entretanto, também cabe à escola, em conjunto com o professor, promover espaços sociais e tempo para o desenvolvimento das atividades artísticas, de acordo com os instrumentos, técnicas e materiais, considerando-se as seguintes especificidades: a linguagem artística a ser trabalhada e o nível e modalidade de ensino a ser contemplado.

A avaliação na disciplina Arte apresenta duas funções: a diagnóstica e a diretiva. Na função diagnóstica, a qual é processual, contínua, permanente e cumulativa, tem-se como ponto de partida os conhecimentos artísticos construídos historicamente pelo Homem e expressos na escola como conteúdo artístico. Já como ponto de chegada, está a apreensão destes conteúdos pelos alunos a partir da sistematização e mediação dos mesmos pelo professor na relação ensino-aprendizagem. Na função diretiva, a avaliação baseia-se na reflexão e no questionamento da práxis artística que foi desenvolvida no encaminhamento metodológico pelo professor. Desta forma, além de ensinar, também cabe ao docente avaliar o ensinar e o aprender durante o processo de desenvolvimento do trabalho pedagógico da disciplina arte, tornando consciente ao aluno o que foi aprendido e ao professor o que foi ensinado.

Entretanto, avaliar também consiste em construir uma síntese (sistematização do conhecimento apreendido) do que os alunos estão aprendendo, sem nenhum julgamento, a qual pode ser: descritiva e por meio de registro. A avaliação descritiva comunica o andamento do processo ensino-aprendizagem, comparando-se o que o aluno sabia no início do processo e os saberes que adquiriu durante este movimento. Já na avaliação por registro, tudo o que é vivenciado e produzido pelo aluno é registrado de forma concreta e material, por exemplo: fotos, portfólio, obras artísticas produzidas e gravações de vídeo e áudio, entre outras.

Toda avaliação das diferentes linguagens artísticas pode ser realizada por duas formas: a informal e a formal. Na informal, o discente manifesta os conteúdos escolares que foram aprendidos e o docente os que foram ensinados; e na formal, o docente seleciona os conteúdos trabalhados e verifica se houve ou não aprendizagem pelo discente, e para tal utiliza-se de diversos instrumentos de avaliação, tais como: ficha de registro e de observação, dramatização, auto-avaliação, relatos, vivências, sínteses, etc.

Mas ainda indagamos: como sabemos que o aluno aprendeu? Como ele expressa esta aprendizagem? Creio que nesta situação, torna-se necessário que critérios de avaliação sejam estabelecidos, para que haja clareza dos conteúdos que o aluno apreendeu ou não, e daqueles que está a caminho de apreender ou não, desde que o foco esteja no processo e não no resultado da práxis pedagógica artística. Assim, o aluno expõe os diferentes níveis de apropriação e aprofundamento que efetivou ou não, e que pode vir a realizar. Como critérios de avaliação, destacamos: a vivência e produção de diferentes trabalhos artísticos, o desenvolvimento da sensibilidade do homem, a apreensão de produtos artísticos que o indivíduo construiu em suas práticas sociais e ao longo do tempo e espaço histórico, o desenvolvimento e aprimoramento dos órgãos dos sentidos para compreensão, criação, produção e fruição do trabalho artístico e a valorização da função social do artista, sua obra e seu tempo e espaço histórico, para a coletividade e para si próprio.

Desta forma, concluímos que não basta aprender um conteúdo escolar para mensuração de notas e aprovação de ano escolar, embora estas precisem existir no contexto escolar; é primordial ir além disso, ou seja, de aprender um conteúdo escolar em função de uma necessidade social e a compreensão e utilização do mesmo, rumo a uma intervenção e transformação na sociedade e em si mesmo. Nesta direção, o professor da disciplina Arte necessita formação continuada para promover a educação estética de acordo com os parâmetros aqui apresentados, o que só é possível por meio de oficinas e do uso de materiais de apoio e didáticos desenvolvidos e aplicados por professores e profissionais desta área.

Algumas indicações bibliográficas:

ANDRADE, R. F.; SÁ, C. R. F.; SAMWAYS, E. Ensino da arte: eis a questão. Curitiba: Módulo, 1993. GASPARIN, J. L. Uma didática a para a pedagogia histórico-crítica. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2002 (Coleção Educação Contemporânea). LEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Livros Horizontes, 1978.

Christiane Denardi

(cdenardi@hotmail.com) é psicóloga, pianista, pesquisadora e professora de Música e Ensino Superior. É mestre em Educação pela PUC-PR, especialista em Magistério do Ensino Superior e Psicologia Organizacional e do Trabalho pela PUC-PR e em Educação Musical pela EMBAP. Possui diversos trabalhos publicados; ministrou palestras e oficinas e prestou consultoria nas áreas de Educação, Psicologia e Arte, além de atuar como colaboradora em revistas e sites educacionais.

Fonte: www.editoraopet.com.br

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