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Educação a distância e inclusão cultural

O acesso à chamada sociedade do conhecimento é um fator decisivo para garantir o sucesso na carreira profissional em qualquer área de atividade; é também fator decisivo para garantir a inclusão dos sujeitos na sociedade.

Entretanto, no Brasil, sabe-se que à grande maioria da população não foi dada a oportunidade de garantia a tal acesso, que ocorre basicamente por meio da escola e da educação.

Apesar do avanço efetivo em termos de vagas nas escolas públicas e no volume de matrículas (somente no ensino médio, o número de alunos cresceu 700% em três décadas), um em cada 10 brasileiros continua analfabeto; da educação infantil ao ensino superior, apenas um terço da população freqüenta escolas e, destes, 40% estão atrasados nos estudos.

Tais estatísticas oficiais demonstram o quanto é imperioso continuar buscando o aprimoramento da educação no País.

Para demonstrar o impacto da baixa escolaridade na realidade do mercado de trabalho, há dados impressionantes revelados por um recente estudo do Banco Mundial: levando-se em conta a média dos trabalhadores da América Latina e seus salários, cada ano a mais de estudo de um trabalhador com formação primária completa e, pelo menos, uma série cursada no ensino secundário significa acréscimo de 9,85% no salário.

No caso de um trabalhador com formação secundária completa e um ano na faculdade, cada novo período de estudo representa acréscimo salarial de 17,26%.

Entre os países da América Latina, somente Chile e Brasil ficam acima dessas médias, mas nosso país é o que tem o índice mais elevado, de 15,99% e 23,29% de acréscimo salarial em cada um dos casos, respectivamente.

Tais dados revelam que não resta dúvida sobre o impacto positivo da educação na melhoria da qualidade de vida, no grau de empregabilidade e no desenvolvimento mais harmonioso de uma nação. Por isso é urgente buscar soluções e alternativas capazes de promover, com eficiência e velocidade, as transformações tão necessárias no setor da educação.

Uma delas diz respeito à formação de professores, principalmente quando se considera que boa parte deles, de forma mais acentuada em algumas regiões, sequer tem a escolaridade mínima exigida legalmente para o exercício do magistério. Além disso, não só a formação regular dos professores tem de ser contemplada, mas é preciso investir fortemente na educação permanente e continuada, hoje tão necessária quanto o ensino formal.

Para os dois casos, que interessam não só ao governo, mas também à comunidade empresarial e ao Terceiro Setor, o País já tem algumas soluções eficientes e testadas em termos práticos, baseadas na tecnologia da informação.

A Fundação Carlos Alberto Vanzolini, ligada ao Departamento de Engenharia da Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, há oito anos desenvolve e implementa ferramentas que utilizam tecnologias de informação e comunicação para criar processos inovadores aplicados à educação.

Dentre as mídias utilizadas estão a teleconferência, a videoconferência, os vídeos de apoio, material didático impresso e em CD, além de ambientes colaborativos na web.

Ao longo desse percurso, a Fundação Vanzolini criou processos eficazes de produção e gestão de e-learning capazes de viabilizar ações de educação a distância em larga escala que já foram realizadas e, portanto, testadas na prática.

Experiências como estas são importantes e devem ser divulgadas, pois a educação a distância, quer esteja voltada para o ensino formal ou para a contínua e permanente absorção de conhecimento e especializações, pode se constituir em uma ferramenta estratégica para garantir o ingresso de brasileiros na sociedade do conhecimento. Sem dúvida, a integração entre processos educacionais e uso de mídias pode acelerar este processo.

O Brasil precisa provar, por meio de experiências concretas, ser capaz de desenvolver soluções de ponta para seus problemas. A boa notícia é que, como foi possível verificar neste exemplo da Fundação Vanzolini, o País já desenvolveu ampla gama de soluções; a má notícia é que ainda não as utiliza em larga escala.

Para tanto, é necessário difundir o uso das ferramentas de e-learning já existentes, capazes de transformar processos de aprendizagem, favorecer o acesso e a conseqüente democratização do conhecimento.

Fonte: www.estadao.com.br

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