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Exclusão Digital: Dá Pra Encarar?

Todos os dias, somente na agência do SINE (Sistema Nacional de Emprego), em Belo Horizonte , 2.000 pessoas vão à procura de emprego. Muitos saem muito cedo de suas casas e vão a pé, sem nem mesmo tomar o café da manhã, por absoluta falta de dinheiro. Inúmeras já estão cadastradas há meses, mas suas esperanças são frustradas a cada dia.

A outra face da moeda: todos os dias, várias empresas colocam, no SINE, pedidos de preenchimento de vagas. E passam um tempo muito mais que o razoável sem conseguir preenchê-las! Somente no primeiro semestre de 2003, 400.000 pessoas se cadastraram para buscar emprego; as empresas colocaram (apenas) 50.000 pedidos de funcionários. Mesmo assim, somente metade destas vagas foi preenchida. Por quê?

A razão que impede fechar esta perversa equação tem vários nomes: baixa qualificação profissional, analfabetismo digital, baixa escolaridade e outros...

Pensando em, de alguma forma, intervir para diminuir, no grau possível, a crueldade desta situação, a Amcham - MG - Câmara Americana de Comércio de Minas Gerais - e a Fundação Pitágoras - braço social do Grupo Pitágoras - se uniram e estruturaram um interessante Projeto de Inclusão Digital. A idéia do Projeto não era, absolutamente, ser a solução do problema, mas, decididamente, dar uma parcela de contribuição. Segue uma rápida descrição do mesmo.

O objetivo: melhorar o grau de empregabilidade de pessoas de baixa renda, inscritas há mais de dois meses, sem sucesso, no SINE e no CDM (uma ONG voltada para a geração de renda para pessoas carentes), e sem nenhum domínio do uso do computador.

O foco inicial: candidatos a Office-boy, Recepcionista, Vendedor e Auxiliar de Escritório, com 8a. série completa.

O programa

Informática básica - 30 horas
Postura profissional - 8 horas
Relacionamento interpessoal - 8 horas
Duração total do curso: 3 semanas
O custo: a previsão foi de R$6.000,00 por grupo de 40 pessoas (ou 150,00 por pessoa).

Estratégias para operacionalização: Para o sucesso da iniciativa, a palavra chave foi articulação; criou-se um Comitê Executivo e buscaram-se as parcerias: o SINE e o CDM cuidaram de "fornecer"os treinandos, selecionando-os dentro dos critérios estabelecidos pelo Projeto; uma empresa da área de alimentação, a Seven Boys, forneceu o lanche diário; a ITE, empresa da área de Internet, bancou grande parte das despesas operacionais, incluindo o vale-transporte diário para todos os treinandos; a Editora Formato editorou as apostilas; a Campello Informática doou a copiagem; a Sigla cuidou da comunicação; a Faculdade Pitágoras cedeu seu laboratório de Informática e uma sala de aula, no período da tarde; vários voluntários, incluindo alunos da Faculdade, atuaram como instrutores.

O resultado

O primeiro grupo, que funcionou como piloto, já se "graduou". Foram 40 alunos, divididos em duas turmas de 20. Com maior ou menor grau de proficiência, todos têm hoje o seu e-mail pessoal, são capazes de receber e enviar mensagens, inclusive com anexos, digitar e formatar textos simples e fazer uma planilha, com gráficos. Melhor do que isto foi perceber a notória mudança de postura e de auto-estima, ao longo do curso.

Para os apoiadores e voluntários, um enorme aprendizado, a satisfação com o cumprimento da responsabilidade social, visibilidade na mídia e nos diversos materiais, incluindo as logomarcas no Certificado de Conclusão.

Próximos passos Agora, o Comitê Executivo, que tenho o privilégio de coordenar, como contribuição voluntária, está debruçado na avaliação da experiência e no registro formal da mesma, para viabilizar uma replicação controlada, por quaisquer entidades que assim o desejarem. O que já se constatou é que, em cada instituição educacional que se dispuser a ceder um laboratório de Informática e uma sala de aula, é possível qualificar um grupo de 50 pessoas, a cada 3 semanas. Ocupando-se apenas 30 semanas no ano (o início e o final do ano letivo são mais complicados para as escolas), podemos qualificar 10 grupos por ano, num total de 500 pessoas, numa única instituição educacional, usando horários ociosos. Se 10 instituições se dispuserem, serão 5.000 qualificados/ano; se 100 se dispuserem, serão 50.000, e assim por diante.

Conclusão O desafio da inclusão digital não é simples, mas "dá pra encarar". Nos próximos textos, procurarei detalhar cada aspecto do Projeto, para facilitar para aqueles que desejarem dar também sua contribuição.

Lúcio Fonseca

Fonte: Rede Pitágoras

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