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Formação de Leitores Críticos

A leitura como forma de lazer e/ou aprimoramento de conhecimento ainda acontece de um modo bastante tímida, tanto na escola como fora dela. Mas, para além disso, a problemática abrange, também, aqueles leitores, que mesmo sendo atuantes, ainda possuem baixo nível de criticidade diante daquilo que lê. Petroni (2001) aponta para o fato de que a criança começa seu processo de aprendizagem entusiasmada pelos livros, contudo, devido a leitura mal orientada, bem como as cobranças e frustrações resultantes de chacotas tanto da parte dos colegas como do professor, trazem como consequência o desinteresse pela leitura. Dito de outra forma, a própria falta de preparação para embrenhar-se no processo de leitura, causa o desânimo.
Faz-se necessário repensar as aulas de Língua e Literatura, bem como incutir no leitor que este, enquanto sujeito construtor da História, é também parte integrante da cultura escrita, o que o qualifica para inferir e criticar aquilo que está sendo lido. Marcondes, Menezes e Toshimitsu teorizam da seguinte forma:
Lamentavelmente, a escola costuma limitar-se à leitura de texto, prendendo-se à compreensão, à interpretação e à produção de redações. A interação com o interlocutor e a participação ficam no abandono. No espaço fundamentalmente reservado para a formação de cidadãos, aprende-se a ler produzindo textos, deixando de discutir os efeitos sociais dos textos que estão na mídia (Marcondes, Menezes e Toshimitsu, 2003, p. 13).

Não é conveniente que a escola furte-se da premissa de formar cidadãos para a cultura letrada, a partir do exame e discussão daquilo que é publicado, ainda que seja feito por profissionais reconhecidos como experts no assunto. Não é cabível que o professor exija do aluno interação com aquilo que está sendo lido, se este não consegue interagir sequer com os fatos jornalísticos do cotidiano. Será, no entanto, com base na compreensão daquilo com o qual o sujeito está habituado, que o mesmo encontrará segurança, inclusive para duvidar daquilo que foi afirmado por outro. Aliás, a própria dúvida é inerente ao processo de crítica e exame da realidade.

Sabe-se que para além da decodificação cabe ao sujeito leitor, interpretar, interagir e posicionar-se em relação àquilo que está sendo lido. “Toda escola pública ou privada constitui, por excelência, um centro formador de leitores.” (VEDOOTTO, 2007). A orientação aos alunos é papel da escola, cabe a ela, enquanto instituição formadora de opiniões e do próprio cidadão, trabalhar no aluno, desde cedo as competências para a leitura. Cabe à escola a concretização de projetos interdisciplinares, com vistas ao encurtamento das distâncias que se colocam entre sua clientela e os livros. Ressalta-se que esse distanciamento se coloca mais por falta de desenvolvimento de uma cultura letrada, que pela falta de materiais para a leitura. Contudo vale lembrar que o professor precisa, como agente que mais se relaciona como o aluno no processo ensino-aprendizagem, perpassar para o mesmo o gosto pela leitura. Este será o primeiro e mais importante passo para que se torne leitor autônomo.

Silva (1986) e Viana (1949), já discutiam pontos importantes em relação à leitura: Quando ler? Para que ler? E a leitura dirigida? Em outras palavras, a boa leitura caminha lado a lado com permanentes indagações, nas quais o sujeito terá uma rica oportunidade de reflexão sobre a ação, podendo redirecionar e/ou mesmo interromper o processo.
Lelis (1989), não fica apenas no processo da formação do leitor e começa a investigar em que medida a formação do próprio professor pode contribuir ou não para a formação de leitores críticos.
Em seus estudos Malinoski (2003) afirma que “a criticidade pode ser aguçada na sala de aula, se o professor e os alunos tomarem o texto como um instrumento de reflexão e debate.” Após uma boa leitura é o momento ideal para que o professor suscite os comentários em torno das “verdades” impregnadas no texto escrito. Tais “verdades” precisam ser repensadas, criticadas, comparadas com aquilo que outros autores teorizam, isso tanto no texto informativo, quanto no texto literário.

Almino (1986, p. 34) afirma que “uma informação visual, auditiva ou escrita (informação veiculada pela imagem ou pela palavra irradiada ou escrita) está sujeita à interpretação e a diferentes versões”. Nesse sentido, todo leitor, para ser considerado competente diante da leitura empreendida deve, também, posicionar-se diante daquilo que lê, ainda que seu posicionamento seja integralmente favorável, isto depois de uma acurada análise do texto lido

Januário Neto Pereira

Fonte: webartigos.com

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