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Identidade e Autonomia

2 - Por que trabalhar identidade e autonomia?

Desenvolvimento pleno exige estímulos afetivos, cognitivos e motores

Identidade e Autonomia: Desenvolvimento pleno exige estímulos afetivos, cognitivos e motores
Na rotina da creche, os bebês precisam de oportunidades
para realizar ações por conta própria

O desenvolvimento da identidade e da autonomia dos pequenos não ocorre de maneira adequada se não for estimulado. Por isso, todo educador que trabalha na creche desempenha um papel essencial, pois ele ajuda a criança a desenvolver-se, desde que consiga estabelecer vínculos com ela.

Um pouco de teoria

Segundo o médico, psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962), um dos principais estudiosos do desenvolvimento infantil, antes mesmo da aquisição da linguagem, a emoção se configura como o meio utilizado pelos bebês para estabelecer uma relação com o mundo. Ele foi o primeiro pesquisador a incluir a afetividade como componente para a formação integral da criança, junto do movimento, da inteligência e da formação do eu como pessoa. Aspectos motores, afetivos e cognitivos, portanto, integram-se o tempo todo ao longo do desenvolvimento. E a manutenção de vínculos com os adultos é essencial.

Esse aspecto é explorado com profundidade na obra do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), para quem o homem é dialógico por natureza. Isso significa que ele precisa dos semelhantes para existir, ser e viver. O psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981), vai ainda mais fundo. Para ele, a ideia que temos do "eu" só é possível graças ao outro. Ou seja, o "eu" é construído pela imagem do outro. A identidade e a autonomia, portanto, estão intimamente ligadas às relações com o grupo.

À medida que os pequenos vão sendo atendidos em suas necessidades básicas, eles passam a identificar as pessoas que cuidam deles e aprendem a se localizar no ambiente. Aos poucos, também percebem que são distintos das outras pessoas e passam por um estágio de reconhecimento da própria imagem diante do espelho, marca da passagem que diferencia o "eu" do outro.

A especificidade do trabalho na creche

Até os três anos, praticamente todas as descobertas e brincadeiras estão relacionadas à construção da identidade e da autonomia. Por isso, o educador deve estar sempre atento a qualquer manifestação das crianças (choros, caretas, movimentos). Também é importante sempre chamá-las pelo nome; além de observar e de registrar, com cuidado, as preferências e gostos de cada um.

Para Beatriz Ferraz, coordenadora da Escola de Educadores, em São Paulo, "unir cuidados e conteúdos é oferecer, ao mesmo tempo, afeto e Educação desde os primeiros anos de vida". O eixo de identidade e autonomia trata, justamente, da capacidade de o bebê se perceber como pessoa e tornar-se independente, desde que receba os estímulos adequados. Vale lembrar que os bebês aprendem de forma ativa e, por isso, valorizar a exploração e a manipulação de espaços e de objetos é imprescindível nesse período.

Uma boa evolução psicomotora, cognitiva e linguística está vinculada ao processo de construção da personalidade e à capacidade de se relacionar e de se comunicar com as outras pessoas. E é somente ao ter a oportunidade de interagir que o bebê aprende a se relacionar com o outro. O mundo e ele deixam de ser uma coisa só (a criança não distingue totalmente os limites entre ela e o outro até o primeiro ano de vida) e os conflitos gerados nessas situações de interação são um ótimo meio de aquisição da linguagem verbal, desde que bem mediados por você. Já as atividades que a criança começa a realizar sozinha, como alimentar-se ou observar as ações dos colegas, ajudam-na a incorporar hábitos e valores do lugar onde vive.

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