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Letramento Digital

Letramento Digital

Análise dos fóruns de discussão do programa de formação continuada em mídias na educação

Investiga como os níveis de letramento digital interferem nas interações on-line em fórum de discussão e tem como objetivo descrever as características dessa atividade e as habilidades necessárias para nela interagir qualitativamente. Categoriza os níveis de letramento digital em fórum de discussão a partir do domínio de habilidades necessárias para o uso dessa ferramenta de interação on-line. Analisa os níveis de letramento digital apresentados pelos cursistas nos fóruns desenvolvidos ao longo do programa Mídias na Educação, os materiais de estudo que subsidiaram as reflexões propostas nos fóruns e os dados coletados mediante a aplicação de questionário à amostra dos cursistas. O estudo indica que o letramento digital implica a composição de novos gêneros digitais e de novos eventos e práticas de letramento, que a educação on-line é potencializada pelo uso de ferramentas e ambientes interativos e que o fórum, como espaço de interação, é marcado pelo diálogo e pela aprendizagem colaborativa. A análise dos dados permite concluir que o nível de letramento digital do cursista interfere na dinâmica e na qualidade de sua interação nos fóruns de discussão, de modo que, quanto maior for seu letramento digital, mais relevantes serão suas intervenções.

Introdução

A popularização dos meios de comunicação vem contribuindo para a evolução da educação a distância (EaD) alargando as possibilidades de interação, o que se reforça através da incorporação das tecnologias da informação e comunicação (TICs), com destaque para o uso da internet, que se constitui uma ferramenta mediadora de relevantes possibilidades pedagógicas, abrangendo entre estas as possibilidades de interações síncronas e assíncronas.

Os progressos da EaD adotando a internet como ferramenta são enriquecidos com a presença de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), na medida em que estes otimizam as possibilidades de fazer da EaD uma modalidade altamente competente nos processos de interação tanto quanto as realizadas presencialmente. Para isto, destaca-se a necessidade de que esses ambientes sejam ricos em recursos e ferramentas, a fim de viabilizar experiências diversas, coerentes com uma proposta de educação que valoriza a capacidade de pensar, de se expressar, de solucionar problemas e tomar decisões, que instiga a autonomia, a criatividade e o espírito investigador do aluno.

Diante destas transformações que norteiam a EaD, temos por consequência uma variação nos processos de interação. Se antes destas mudanças mais significativas a prática da EaD se concentrava nos padrões tradicionais de comunicação da modalidade escrita e oral – especialmente escrita –, que se realizava geralmente através de correspondência (carta social) e, mais tarde, através do sistema de comunicação analógico (fax, telefone), temos hoje, incorporadas a esta prática, as potencialidades das TICs, um sistema de comunicação digital que se configura em “novos” modelos de comunicação, os quais, ainda que se organizem pela base da escrita e oralidade, contam com novos gêneros e instrumentos.

Esse aumento das modalidades de interação é resultado do desdobramento de um “novo” fenômeno que o uso da internet fez surgir: o letramento digital. Com ele, a apresentação de dados informativos através do espaço virtual repercute na estruturação de práticas de interação específicas para esse ambiente, que manifesta e caracteriza uma ruptura nos padrões de interação linear e sistemática.

O letramento digital vem desvelar “novos” espaços de interação que repercutem na estruturação de “novos” espaços de escrita e, por consequência, na constituição de “novos” gêneros textuais (digitais). Mas, apesar da popularização do uso da internet no final da década de 90, os internautas não estão ainda totalmente familiarizados com estes espaços e gêneros, no sentido de explorar, em vista da permissividade dos espaços, uma linguagem que ultrapasse os limites tradicionais da comunicação sem perder de vista os fundamentos da gramática.

A crescente utilização de fórum de discussão nas interações da educação on-line como ferramenta de informação e comunicação parte da ideia de que, assim como o letramento se constitui em níveis, em função das habilidades do sujeito em desenvolver as práticas sociais de leitura e escrita (Ribeiro, V., 2004), também o letramento digital pode ser configurado em níveis relacionados às habilidades de interações no ciberespaço. A partir do programa Mídias na Educação,1 foi analisado se o nível de letramento digital do cursista interfere na dinâmica e na qualidade de sua interação nos fóruns de discussão, de modo que, quanto maior for seu letramento digital, mais relevantes serão suas intervenções.

Os objetivos deste estudo foram: descrever as características do fórum de discussão e as habilidades necessárias para nele interagir qualitativamente; categorizar os níveis (ou graus) de letramento digital em fórum de discussão, a partir do domínio de habilidades necessárias para o uso dessa ferramenta de interação on-line; e analisar o nível de letramento digital apresentado pelos cursistas nos fóruns do programa Mídias na Educação.

Letramento digital

Delineando a educação como um dos campos geradores dos conceitos sociais, é possível observar as mudanças que este espaço tem sofrido com a inserção das TICs, sobretudo no processo de educação escolar. Se desde a década de 90 despertamos para a evidência de que era necessária a formação de sujeitos letrados – exercício este que vai além da mera alfabetização –, com a imersão das TICs na sociedade, constatamos o imperativo de as práticas de letramento compreenderem também o letramento digital.

Conforme a diferença entre alfabetização e letramento vem sendo pontuada por Kleiman (1995), Soares (2000, 2002) e ???? Tfouni (1995), é?pertinente também destacar a diferença entre alfabetização digital e letramento digital: enquanto a primeira se caracteriza pelo uso das funções e ferramentas básicas computacionais, o segundo, em sua essência, compreende o exercício de práticas digitais letradas, efetivas e significativas que envolve o uso de diferentes e variadas ferramentas utilizadas como meio de buscar informação, comunicação a distância, diversão e fruição (Rojo, Barbosa, Collins, 2006).

No percurso da formação do sujeito, o processo de alfabetização é só o passo inicial para elevar o nível de letramento. Logo, a aquisição da leitura e da escrita mediada por prática e eventos de letramento possibilita ao sujeito o exercício das práticas culturais, sociais e historicamente estabelecidas.

A capacidade de compreender e ultrapassar as fronteiras do texto inferindo sobre o discurso que o perpassa sinaliza o nível de letramento do sujeito, tal como afirma Xavier (2002, on-line): “a capacidade de enxergar além dos limites do código, fazer relações com informações fora do texto falado ou escrito e vinculá-las à sua realidade histórica, social e política são características de um indivíduo plenamente letrado”.

Entretanto, para que o sujeito alfabetizado digitalmente atue na perspectiva do letramento digital, é necessário que ele avance da mera utilização funcional dos recursos computacionais para o patamar de interação, que se desdobra através do potencial discursivo do sujeito. Referimo-nos a uma utilização funcional associada à ideia de Almeida (2005), de que ler telas, apertar teclas, utilizar programas computacionais com interfaces gráficas, dar ou obter resposta do computador equivale à alfabetização digital funcional, semelhantemente como identificação das letras e decodificação do alfabeto equivale à alfabetização funcional.

Podemos até nos deparar com situações em que o sujeito em baixo nível de letramento digital utilize as ferramentas computacionais (tal como uma criança utilizando um software para colorir figuras ou montar cenário, ou um adolescente jogando um jogo de estratégia, ou ainda um adulto digitando uma receita e depois a imprimindo), mas certamente constatamos que o uso dessas ferramentas é mecânico e limitado e que tampouco desencadeia um processo de mudança “que permita ao sujeito reinventar seu quotidiano, bem como estabelecer novas formas de ação que se revelam em práticas sociais específicas e em modos diferentes de utilização da linguagem verbal e não-verbal” (Xavier, 2002, on-line).

Neste sentido, o autor citado pontua que uma variável importante para o exercício do letramento digital é a apropriação do letramento alfabético pelo indivíduo, uma vez que nele se insere o domínio da leitura e a escrita de códigos e sinais verbais e não verbais. Logo, o letramento alfabético pode ser considerado um importante subsídio para o letramento digital.

As práticas e eventos de letramento espelham a influência da escrita na organização social, remetendo-se ao processo de difusão e controle da informação, intimamente ligada ao processo de comunicação. Diante destas características, a popularização das TICs potencializa estas práticas e eventos à medida que evidencia a leitura/escrita reinventando novas possibilidades de usos em espaços “novos” e/ou reelaborados, com características até então limitadas ou inexploradas.

Nessas novas práticas de leitura e escrita desencadeadas pelas TICs, constatamos a configuração de uma nova faceta do letramento, pois, maximizando as formas de letramento alfabético, é na esfera do letramento digital que elas dão suporte para o desencadear de interações muito mais profundas, fundamentadas “na lógica da multilinearidade, da heterogeneidade, interatividade, intertextualidade, interdisciplinaridade, do dialogismo e da polifonia” (Dias, Moura, 2006, p. 80).

Este aprofundamento nas interações é viabilizado pela integração da internet às TICs, a qual vem sendo caracterizada como uma das ferramentas mais eficientes na promoção de interações, pois, arquitetada sob os moldes de um novo espaço interativo, oferece ao leitor/escritor a fluidez de acesso com ilimitadas possibilidades de idas e vindas sobre infinitas informações.

Na internet, os conceitos espaciais e temporais revestem-se também de um novo significado com caráter flexível e volátil, no qual o concreto dá lugar ao virtual, compondo o cenário em que o letramento digital se desenvolve. Por estas peculiaridades, de acordo com Buzato (2007, p. 84), o letramento digital requer habilidades [...] que têm a ver não apenas com saber manipular o computador, mas também com saber filtrar ou categorizar as informações, com olhar criticamente para um conceito e perguntar que referência está por trás, entre outras capacidades que desenvolvemos (ou deveríamos desenvolver) nos letramentos escolares.

O letramento digital implica o domínio de habilidades específicas para navegar na internet e interagir em seus diversos espaços, e estas habilidades se reportam às particularidades da leitura e da escrita na compreensão das também diferentes linguagens.

Apoiando-se nas características do ciberespaço, as práticas e eventos de letramento digital são assim mediadas por um conjunto de gêneros digitais que instigam o sujeito a lançar mão de novos processos cognitivos ajustáveis à dinâmica de interação desse espaço.

Neste sentido, o sujeito alfabeticamente letrado apresenta melhores “condições de se apropriar totalmente do letramento digital, pois os conhecimentos necessários para entender e acompanhar já foram apreendidos”

(Xavier, 2002, on-line), uma vez que o ciberespaço, além de utilizar a linguagem verbal e não verbal, alicerça-se nos princípios da leitura e da escrita, organiza-se através de uma rede de relações e interações que se materializa em forma de hipertexto digital.

O hipertexto2 antecede o suporte digital, consistindo basicamente em produções escritas que perpassam a não linearidade. Ana Ribeiro (2006) e Dias e Moura (2006) apresentam essa discussão referindo-se à caracterização da leitura hipertextual como um evento comunicacional e cultural que não se restringe apenas ao meio eletrônico, mas sim sendo constituído pelo modo de operar não linear, interativo, intertextual e heterogêneo – dessa forma, os suportes digitais apenas potencializam a construção de ambientes hipertextuais. Na perspectiva do letramento digital, é o hipertexto que subsidia o espaço de leitura e escrita, marcado essencialmente pela não linearidade.

O hipertexto é uma estrutura que suporta as relações e interações no ciberespaço; nele é observada a importância do letramento alfabético para a formação do letramento digital, uma vez que as habilidades de leitura e escrita, os suportes, os portadores de texto e os gêneros textuais são criados, resgatados e/ou reelaborados neste espaço.

As “transformações” que proporcionam o letramento digital são desencadeadas por este “novo” espaço da escrita que se caracteriza pela possibilidade de leitura multidimensionada e no qual a informação é disposta e organizada em forma de teia, podendo apresentar-se sob diversas linguagens (texto, imagem, som, animações).

Com o espaço da escrita sendo remodelado, diferentes habilidades despontam como necessárias, compreendendo que a linearidade e a sequenciação expandem-se para o formato do hipertexto; como prática do letramento digital, espera-se que o usuário extrapole a leitura metódica e crie competências ao pairar sobre uma profusão de textos e contextos, de articulá-los entre si e com outros que se encontram dispostos em uma rede ilimitada. Assim sendo, concorre para o letramento digital que o navegante, ao deparar-se com os mais diversos caminhos, apresente habilidade de fazer escolhas e de interagir com a informação.

Os avanços do letramento digital estão intimamente ligados aos modos operacionais que o hipertexto viabilizou nas habilidades de leitura e escrita. Neste sentido, o grande salto quantitativo e qualitativo do letramento digital concentra-se amplamente na possibilidade de interação3 com a informação e na comunicação.

O recurso da interação no espaço da internet é singular na possibilidade de comunicação e de compartilhamento. Enquanto esta possibilidade na modalidade presencial está encerrada nos parâmetros geográficos e temporais, bem como na materialidade dos suportes de textos e gêneros textuais e das ferramentas de comunicação, no ciberespaço esta possibilidade se expande, uma vez que as noções temporais e geográficas são ressignificadas, bem como a materialidade dos suportes/portadores de textos e gêneros textuais e das ferramentas de comunicação transporta-se para a tela do computador e para a virtualidade.

O tempo na esfera virtual se configura de acordo com a modalidade de interação; depende de a interação ocorrer em tempo real ou não. Neste sentido, o usuário pode envolver-se em interações síncronas ou assíncronas, o que está sujeito ao tipo de espaço e de ferramenta de comunicação a serem utilizados. No ciberespaço, as informações digitais são provisórias e plásticas, revestindo-se de um ritmo específico de pertinência imediata e de obsolescência acelerada (Ramal, 2002), o que reformula continuamente o letramento digital, mediante a possibilidade de a informação passar por constante atualização, diante da acessibilidade para alterá-la e disseminá-la em um curto espaço de tempo.

A interação no espaço da internet igualmente possibilita a comunicação e o compartilhamento potencializados pelos recursos de interação síncrona e assíncrona, em qualquer tempo e em qualquer lugar, bem como pela virtualidade dos suportes/portadores de texto, gêneros textuais e ferramentas de interação.

Conforme Silva (2005, 2007), a dinâmica da interação supõe autoria, participação e compartilhamento, o que vem instigar o exercício de uma relação dialógica e colaborativa, uma vez que o usuário, ao ser impelido a construir o seu próprio caminho, não só se guia pelos seus desejos, mas também pondera sobre as ações e reações de seus interlocutores. Neste movimento de interação, a mera transmissão da informação se dilata para a recriação, possibilitando a produção do conhecimento.

A interação na internet demarca as propriedades do dialogismo e da polifonia situadas por Bakhtin (1997); logo, o interagir não significa apenas enviar e responder mensagens, antes denota a possibilidade para o diálogo entre as diferentes vozes e em distintas direções, desencadeando relações de confronto e de negociação, num contínuo processo de construção e desconstrução de significados.

Essas possibilidades de interações flexíveis permitem superar a visão de comunicação unidirecional, na qual o emissor e o receptor estabelecem-se sobre o mesmo plano regido pela passividade; elas transformam e redimensionam a dinâmica de comunicação para um espaço de diálogo, de modo que, através da interação, emissor e receptor assumem igualmente os papéis de co-autores/co-criadores.

Os recursos multimídias e a flexibilidade de interação no hipertexto tornam o texto um conjunto de significantes. Assim, é possível observar que uma das características marcantes que difere o hipertexto do texto no papel é justamente o processo de construção do texto de um e de outro; a linearidade ou não linearidade é o princípio dessa construção textual.

À medida que avançamos no exercício do letramento digital repensamos os conceitos de textualidade e narrativa e a posição de um autor-leitor, uma vez que, diante da possibilidade de interações on-line, temos reconfigurada a noção de autoria,4 quando a leitura se torna simultaneamente uma escritura.

Construído a partir de infinitas possibilidades, o hipertexto reconstitui a relação entre autor e leitor: este, ao navegar, incorpora as habilidades de escritor e se torna um co-autor, já que, com total autonomia, intervém nos caminhos e vias que o texto oferece. Essa autonomia, produto da abominação do monologismo e da não linearidade, possibilita ao autor- leitor5 avançar na produção do conhecimento a passos largos, em face da liberdade de explorar diversos espaços com diferentes funções: de autor-leitor, como editor, revisor e distribuidor.

As potencialidades de interação mediada por hipertextos, ao permitir a desmaterialização e a descorporização do texto, sinalizam então para a (re)descoberta do autor, na medida em que possibilita uma nova relação deste com sua obra, estimulado por ações de criação e autonomia pautadas na busca do sentir e da própria identidade (Ricardo, Vilarinho, 2006a, 2006b).

É possível observar que as práticas de interação on-line revolucionaram até mesmo a postura física do leitor e do escritor: antes com possibilidades limitadas de consultar simultaneamente os materiais de leitura e exercer a produção da escrita, estes têm hoje um espaço de leitura e escrita totalmente maleável; a estrutura de interação, a plasticidade de abrir janelas e caixas de textos concomitantemente, os recursos de formatação e fragmentação da informação, entre outros, definem um novo estilo de comportamento interativo seja do leitor e/ou escritor (autor).

Gêneros digitais, ambientes virtuais e a escrita on-line

A expansão do uso do hipertexto no que se refere a suas possibilidades de interação marca significativamente mudanças na recepção do texto, nos gêneros e nas funções deste mediante o conjunto de características que o delineiam entre escritor/autor e leitor, entre escritor/autor e texto e entre leitor e texto.

Cada tecnologia constitui-se de um espaço de escrita diferenciado, requerendo, portanto, modalidades de leitura e escrita e/ou de interação também diferentes. Como o espaço de escrita está intimamente relacionado com os gêneros textuais e os ambientes virtuais,6 entendemos que de novos espaços de escrita possivelmente emergem novos gêneros.7 Na tentativa de compreender como se caracterizam os novos gêneros digitais, Marcuschi e Xavier (2004) chamam a atenção para a identificação dos ambientes ou entornos virtuais em que estes se situam. Baseando-se nos âmbitos da internet, são classificados seis ambientes virtuais: 1) Ambiente web; 2) Ambiente e-mail; 3) Fóruns de discussão assíncronos; 4) Ambiente chat síncrono; 5) Ambiente mud; 6) Ambientes de áudio e vídeo (videoconferências). A esta classificação acrescentamos ainda o AVA.

Essa identificação norteia as distinções entre os ambientes virtuais e os gêneros, entendendo-se que: o ambiente suporta os gêneros; é nele que os gêneros digitais surgem; é através dele que os gêneros se desdobram; a ele os gêneros estão vinculados e/ou condicionados; são, portanto, entornos de produção e processamento textual.

Localizados em um novo espaço enunciativo – o ciberespacial –, esses novos gêneros caracterizam-se pela combinação de recursos dos quais o produtor/locutor pode lançar mão para se comunicar produzindo uma “conversa-escrita” ou um “falar-escrito”, de modo que essa produção resulta num texto híbrido (oralidade-escrita) e ilustrativo que tem por objetivo facilitar a redação de mensagens e assegurar a regulação dos diálogos na interação verbal e social na internet (Costa, 2005).

Os raciocínios empregados para “teclar” diferem daqueles utilizados para escrever a mão; logo, a comunicação síncrona ou assíncrona mediada por essas interfaces possibilita ao usuário da escrita teclada uma grande liberdade de comunicação.

Inevitavelmente, os gêneros digitais, ainda que associados a outros recursos de comunicação, estão apoiados na linguagem escrita; na internet, esta modalidade se configura como nova através da ação de “teclar”, e a leitura se reformula através da “navegação”. Nos novos suportes, o usuário da internet da primeira década dos anos 2000 escreve ou tecla para se comunicar, escreve para construir personagens, escreve para informar, escreve para construir relacionamentos, escreve para registrar pensamentos, escreve para dar sentido às suas experiências múltiplas e diversificadas (Costa, R., 2005). Também o sujeito lê – ou navega – numa leitura fluida, plástica, maleável, em que os textos não têm início nem fim. A partir de janelas que se abrem e se desdobram, ele toma posse da edição e formatação desses próprios textos, seja na produção ou recepção deles, bastando copiar, colar, recortar ou fragmentar e deslocar partes ou todo o conteúdo que compõe a mensagem.

Assim como o letramento está relacionado ao conjunto de práticas sociais orais e escritas de uma sociedade (Tfouni, 1995), também o letramento digital corresponde ao uso social da leitura e escrita. Logo, as práticas de letramento digital igualmente se desencadeiam no âmbito dos eventos de letramento, os quais, de acordo com Heath (1982), se caracterizam em situações em que a língua escrita é parte integrante da interação entre os participantes e de seus processos de interpretação.

Os eventos e práticas de letramento digital podem variar, ainda que se utilize o mesmo gênero digital. De acordo com Soares (2004, p. 107), a justificativa de a mesma ferramenta de interação para as práticas no cotidiano e no contexto educacional desencadear eventos e práticas de letramento digital diferentes se dá pelo fato de que

na vida cotidiana, eventos e práticas de letramento surgem em circunstâncias de vida social ou profissional, respondem a necessidade ou interesses pessoais ou grupais, são vividos de forma natural, até mesmo espontâneas; na escola, eventos e práticas de letramento são planejados e instituídos, selecionados por critérios pedagógicos, com objetivos predeterminados, visando à aprendizagem e quase sempre conduzindo a atividade de avaliação.

Letramento digital em fórum de discussão na educação on-line

As práticas e eventos de letramento digital são fortemente resgatados e potencializados na modalidade de educação on-line, pois ela retoma as habilidades desenvolvidas para uso social da internet e soma novas habilidades para o exercício do letramento digital na perspectiva pedagógica.

Podendo ser desenvolvida integralmente a distância ou na esfera semipresencial, a educação on-line8 apresenta um estreito vínculo com o letramento digital. Seja no AVA que se desenvolve nos materiais de apoio ao processo de ensino e aprendizagem, seja nos espaços de diálogo, as ações da educação on-line, na sua maioria, estão de alguma forma ligadas e dependentes do uso da internet.

As ferramentas de interação podem ser identificadas como um canal entre os usuários, no caso, os alunos, professores e demais envolvidos no processo de educação on-line – é através delas que os elos do processo de ensino e aprendizagem vão sendo construídos. Assim, é importante que os idealizadores das atividades a serem desenvolvidas na modalidade a distância através da educação on-line tenham a competência para adequar os objetivos, a metodologia e a avaliação às especificidades do contexto cibernético, não meramente transportando a prática educacional da educação presencial, mas ajustando-os às propriedades da educação on-line, a fim de garantir uma educação de qualidade.

Para que este conjunto de ferramentas tenha êxito, conforme as ações previstas, é válido reforçar a necessidade de familiarização por parte dos agentes envolvidos (alunos, monitores, tutores, professores, administradores) com a dinâmica do ambiente virtual. Neste sentido, espera-se que o conhecimento sobre as ferramentas de interação facilite o encaminhamento técnico requerido para cada ação (por exemplo, para participar de um chat, é preciso que o aluno saiba autonomamente escolher a sala, inserir seu nick, enviar mensagem) sem que prejudique o desempenho do autor e o conteúdo pedagógico da atividade proposta (por exemplo, ao participar do chat, o aluno deve ter domínio do modelo de organização das ideias naquele espaço).

A educação on-line é favorecida pela variedade de suportes e gêneros digitais mediadores de comunicação a distância, ambientes híbridos de aprendizagem. Neste contexto, o fórum é reconhecido como um valioso espaço que dispõe de conteúdos dinâmicos apoiados em bases de dados (Cunha, Paiva, 2003), viabilizando uma comunicação dialogada que se realiza assincronamente.

O fórum de discussão é um espaço de interação assíncrono norteado por um tema para debate entre os usuários (participantes interessados). A linguagem é organizada buscando encadear as ideias dos demais participantes junto a ideia central, explicitando a posição do participante diante da temática. O fórum é utilizado como ferramenta de interação assíncrona aberta a participações diversas; tratando de temáticas variadas, ele tem se caracterizado como um espaço de postagem de opiniões, de dúvidas, de argumentações, em que as pessoas levam ou não em consideração a fala do outro; no contexto educacional, ele é reconhecido como um rico espaço de interação que permite o diálogo entre os participantes em tempo assíncrono; seu conteúdo se remete a uma temática previamente explorada com os participantes; é caracterizado como um espaço de construção do conhecimento pautado na aprendizagem colaborativa; nele o público é mais restrito, delimitado entre os participantes da atividade pedagógica desenvolvida.

Suas especificidades de veicular a interação9 (que se realiza pelas relações entre os sujeitos através das ferramentas) e possibilitar a interatividade10 (entendida como a relação direta dos sujeitos com os meios e interfaces) em tempo assíncrono tornam-no um ambiente pedagogicamente potencializador do processo de ensino e aprendizagem, na medida em que a comunicação assíncrona permite o exercício de síntese e objetividade sem abrir mão dos aspectos sintáticos da comunicação formal. Também permite que o acesso ao fórum seja feito oportunamente por cada participante em seu tempo mais propício, ocorrendo de cada membro participar em momento distinto, mas com acesso comum ao conteúdo de debate. Em virtude deste aspecto, o fórum permite que as reflexões se prolonguem no tempo, perdurando a temporalidade do debate em andamento.

Outra característica que torna o fórum de discussão atraente pedagogicamente é a possibilidade de os usuários simultaneamente comunicarem-se com vários outros interlocutores. Esta prática estimula o desenvolvimento da noção de grupo, de comunidade, levando o usuário ao processo de aprendizagem colaborativa. Ao aproximar os usuários na troca de informações, o fórum favorece a integração dos diálogos permeada pela criticidade que se estrutura na análise e negociação de sentidos.

O diálogo assíncrono em fórum on-line e a colaboração entre os participantes potencializam o processo de aprendizagem, concebido como processo social em que a construção do conhecimento desloca-se da unidade de análise do indivíduo para a relação do indivíduo com o ambiente e a interação com os outros (muitos para muitos, aprendizagem em grupo). (Liden, Piconez, André, 2007, on-line).

A esfera de aprendizagem colaborativa pode ser significativamente desenvolvida com uso do fórum como espaço de construção coletiva. Na perspectiva de suporte, o fórum apresenta ferramentas que possibilitam réplicas e tréplicas das questões pontuadas, e, na maioria dos modelos, estas ferramentas se estruturam nas caixas de comentários. Esta opção é uma porta para a produção grupal, na qual todos os participantes têm a possibilidade de visualizar, analisar e inferir sobre as questões, dúvidas e respostas postadas.

É através da viabilização de conversas, troca de experiências, debate de ideias, questionamentos, relatos, demonstrações de solidariedade e construção coletiva de significados que o fórum, local de intensa interação, se traduz como uma verdadeira comunidade de aprendizagem conduzido à construção de novos saberes.

A construção do conhecimento é significativa não só pela via da colaboração, com a qual os participantes podem refletir sobre as mensagens postadas e somar as informações aos seus conhecimentos pessoais, mas também por este exercício estar intrínseco às necessidades, desejos e sentimentos de cada um.

Perante a dinâmica de interação no fórum, no qual as participações se tornam “públicas”, os estudos de Cunha e Paiva (2003) apontam que ocorre o desenvolvimento de uma relação de afinidade, respeito e lealdade entre as partes que dialogam, de forma que todos se sentem muito à vontade para interferir, seja para contestar, concordar ou, ainda, levantar um novo questionamento a partir da fala do outro. Neste sentido, Bruno e Hessel (2007) situam que entre os participantes ocorre uma avaliação crítica das produções dos colegas, havendo mutuamente apoio e estímulo. De acordo com os autores citados, à medida que as interações vão sendo aprofundadas, demarca-se uma certa identidade no grupo,

que se manifesta na capacidade de dialogar com o outro, na capacidade de articular textualmente as questões de ordem emocional, na criação de uma imagem mental de si e do parceiro do processo comunicativo e na capacidade de criar uma sensação de presença on-line por meio da personalização de sua comunicação. (Bruno, Hessel, 2007, p. 4).

Chama-se a atenção para o modo como a informação é disponibilizada no fórum. De acordo com Cunha e Paiva (2003, p. 26), “as publicações vão constituindo uma espécie de testemunho histórico, esboçando uma ideia de evolução, facilitando a memória de fatos que contextualizaram o ensino/aprendizagem”. Neste sentido, a estrutura do fórum delineia-se como uma trilha em que é possível observar o conteúdo ou tema desenvolvido, a progressão de cada interação, sua repercussão e sua culminância. Representa a materialidade da construção coletiva do conhecimento; é um guia que oferece o esboço da comunidade, de sua formação e sua manutenção.

Na educação on-line, de forma geral, os fóruns são desenvolvidos em AVA e tendem a ser fechados, delimitando a participação neles apenas dos participantes inscritos no curso; todavia, os fóruns também podem ser abertos, o que significa que seu desenvolvimento contará com a participação de usuários diversos. A opção por fórum fechado ou aberto será definida em função dos conteúdos e/ou temáticas a serem exploradas.

A concepção de trabalho colaborativo deve perpassar pela utilização do fórum. Para isso, é importante que o mediador/moderador se apóie em estratégias de familiarizar o grupo com as especificidades do fórum, posto ser um espaço de interação recentemente “novo” que agrega características ainda pouco percebidas aos participantes “novatos” no uso deste espaço.

Para que os participantes concebam o fórum como espaço de diálogo, para além de ambiente de inserção de mensagens ou de mera divulgação de problemas, é fundamental que o mediador/moderador valorize as interações e expanda a proposta de diálogo entre todos os participantes através de suas mediações, incentivando-os a revisitarem as postagens, a fim de ressignificarem o conhecimento socializado.

É interessante que os participantes se familiarizem com a dinâmica de interação no fórum, compreendendo que seu desenvolvimento segue uma ordem de procedimentos. É importante que primeiramente os participantes iniciem com a leitura das mensagens postadas, para, então, acrescentar repetidamente contribuições, dúvidas ou argumentações referentes ao tema central. A identificação das postagens deve acomodar títulos adequados que indiquem o seu foco. A expansão da temática pode ser concebida conforme a necessidade de ampliação do assunto, que certamente é favorecida pelas postagens de posições problematizadoras alargando a rede das discussões.

A caracterização do fórum como espaço dialógico e dialético condiz com as perspectivas da educação on-line, na medida em que possibilita o desenvolvimento de posturas significativas do aluno e do professor. O aluno incorpora o papel de pensador, que reflete, analisa e argumenta, na perspectiva de produzir o conhecimento coletivamente, enquanto o professor desce do pedestal a que a pedagogia tradicional o elevou e retoma o seu lugar como aprendiz, que, diante dos conhecimentos que já tem sistematizado, atua na qualidade de mediador, problematizando e alavancando o processo de ensino e aprendizagem. Colaborativamente, o professor deve observar que

já não basta que os alunos adquiram conhecimentos; é necessário que se tornem competentes na busca e aquisição dos conhecimentos, passados e futuros; é importante que aprendam a viver e a trabalhar em sociedade; é indispensável que interiorizem valores estruturantes da humanidade! (Cunha, Paiva, 2003, p. 27).

A identificação do nível de letramento digital de um sujeito é observada na análise de seu desenvolvimento com práticas leitoras e escritoras imersas no ambiente digital, o que envolve observar “as diferentes capacidades e competências leitoras e de produção de textos e de linguagens, envolvidas na recepção e na produção de discursos em diferentes gêneros que circulam em diversos contextos, suportes e mídias contemporâneos” (Rojo, Barbosa, Collins, 2006, p. 111).

O letramento digital se caracteriza em diferentes níveis em função da variedade de habilidades adquiridas e desenvolvidas, destacando-se que essas habilidades estarão previamente relacionadas com os níveis de alfabetização. Desencadeia uma progressão no aperfeiçoamento dessas habilidades, considerando que estas não se esgotam nem se encerram no domínio de uma ferramenta e/ou gênero, na medida em que o processo de letramento digital é contínuo tal qual o letramento alfabético.

O exercício do letramento digital não está vinculado ao grau de instrução escolar, podendo ser desenvolvido por qualquer usuário, ascendendo não necessariamente no contexto escolar, mas mediante a exposição cada vez mais intensa desse usuário às práticas de letramento digital.

É a partir do contato e da vivência prática pelo usuário que os níveis de letramento digital vão sendo apropriados, desenvolvendo-se com a familiarização dos novos tipos de leitura e escrita suportados pelo computador, bem como com a desenvoltura no uso das ferramentas de interação e na compreensão dos gêneros digitais.

No letramento digital é reconhecida uma infinidade de eventos e práticas de letramento das quais destacamos algumas que implicam indubitavelmente o processo de desenvolvimento dos seus vários níveis. São elas: reconhecer as funções das teclas, botões, portas/entradas, conectores, luzes indicativas e cabos do computador; conhecer dispositivos, acessórios e periféricos; conhecer programas; decodificar sinais e símbolos; fazer a leitura de palavras e ícones; executar a emissão de comandos; ter a habilidade de codificar, armazenar e recuperar informações; compreender a espacialidade e temporalidade virtual; fazer leitura hipertextual; reconhecer os suportes de textos digitais; conhecer ferramenta(s) de interação (síncrona e assíncrona); usar ferramenta(s) de interação (síncrona e assíncrona); reconhecer diferente(s) gênero(s) digital(ais); produzir diferente(s) gênero(s) digital(ais); saber e obedecer às regras de interação.

O domínio dessas habilidades sugere um parâmetro para qualificar os níveis de letramento digital, mas seria infindável classificar as diversas práticas letradas; logo observaremos que é a intensidade e desenvoltura com que estas habilidades são processadas e desenvolvidas pelo usuário que de fato define o grau de apropriação de letramento digital. Sugere-se então que a investigação do nível de letramento, para efeito deste estudo, considere no locus da pesquisa apenas as práticas letradas que estão sendo focadas, centrando-se na delimitação de parâmetros dessas práticas para avaliar as respectivas habilidades necessárias.

Para qualificar os níveis de letramento digital, deve-se considerar o grau desse exercício em relação ao domínio das habilidades necessárias para aquelas práticas investigadas – neste caso, para investigar as interações no fórum e definir a configuração de três níveis de letramento digital:

Nível 1

Estágio em que o usuário se aproxima de um uso mecânico e condicionado, ainda não reconhece integralmente as propriedades do gênero digital e o utiliza por associação do gênero impresso. Existe o apego a utilizar a ferramenta metodicamente, de uma única forma, restrito aos comandos que conhece.

Nível 2

estágio em que o usuário já apresenta uma compreensão sobre o funcionamento e estruturação da ferramenta e as características que demarcam a linguagem de determinado gênero digital. Neste estágio, o usuário, de acordo com suas necessidades, começa a desenvolver autonomia testando e “arriscando” conhecer outras ferramentas e opções.

Nível 3

Estágio em que o usuário apresenta grande desenvoltura no uso das ferramentas de interação e na compreensão dos gêneros digitais, sendo-lhe familiar os “novos” tipos de leitura e escrita suportados pelo computador. Neste estágio, o usuário explora as ferramentas para conhecê-las, mesmo sem a necessidade de utilizá-las, e tem independência e autonomia para conduzir seu exercício de letramento digital.

Delimitada, a análise dos estágios e níveis de letramento digital é preponderante para avaliar uma prática definida num determinado tempo e contexto e com determinado público. Ela será investida para considerar o domínio de habilidades necessárias específicas daquelas práticas investigadas.

No caso do fórum de discussão, utilizado como ferramenta de interação, é possível considerar que seu uso desencadeia o exercício do letramento digital. Todavia, se tomado um determinado grupo de usuários em um determinado tempo e contexto, observa-se que este exercício pode ser caracterizado como heterogêneo mediante as diversas habilidades que o fundamentam.

Para avaliar o grau desse exercício de letramento digital no fórum, é preciso definir quais habilidades são pertinentes aos objetivos traçados para seu uso; logo, não há uma lista de habilidades comuns às investigações, que dependerão do foco de interesses a que a análise está voltada.

Na análise técnica de um fórum, por exemplo, algumas das habilidades e/ou categorias consideradas podem ser: o usuário sabe entrar no fórum; sabe localizar a questão norteadora; consegue postar seu comentário; especifica qual o tipo de sua postagem; sabe localizar outros participantes.

Numa análise pedagógica, podem ser observadas habilidades e/ou categorias como: existe coerência na resposta do cursista com a proposta de atividade sobre o conteúdo estudado; é explorada a interação no que se refere ao diálogo com os outros participantes; há marcas de interatividade no que se refere à usabilidade e acessibilidade do ambiente.

Referências

1 Programa desenvolvido no AVA e-ProInfo no período de setembro de 2006 a agosto de 2007, coordenado pela Secretaria de Educação a Distância (Seed) do Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEEE-AL) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na oferta do Estado de Alagoas. O programa, coordenado pela Universidade de Brasília (UnB), teve início com uma turma piloto no ano de 2005, com duração aproximada de seis meses, que formou os primeiros tutores para ingressar no acompanhamento do programa nos diversos Estados. Em Alagoas, a primeira oferta aconteceu no ano de 2006-2007.

2 O conceito de hipertexto é aqui explorado segundo o referencial de Queiroz (2005, on-line) que o define como “um tipo de texto eletrônico no qual a escrita não é seqüencial”. Ainda de acordo com a autora, “nesse tipo de texto há uma bifurcação que permite que o leitor eleja e leia através de uma tela de computador. Trata-se, na verdade, de uma série de blocos de textos interligados por nós, formando diferentes itinerários para o usuário”.

3 Etimologicamente, interação diz respeito à ação recíproca com mútua influência nos elementos inter-relacionados. Alguns autores aproximam os conceitos de interação e interatividade. Assim, para Silva (2000, apud Almeida, 2003, p. 203), “interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo”.

4 Ricardo e Vilarinho (2006a) retomam a discussão de Fortunato (2003) pontuando que a autoria não se atrela apenas ao contexto social ou a um momento histórico; ela inclui a cultura midiática que define a sua forma de produção.

5 A distinção entre escritor e autor fica ainda mais clara mediante o significado dos termos writter, aquele que escreve alguma coisa, e author, aquele cujo nome próprio dá identidade e autoridade ao texto (Chartier, 1999).

6 Os ambientes virtuais distinguem- se dos gêneros textuais em vários sentidos, pois eles os abrigam e, por vezes, os condicionam. Não são domínios discursivos, mas domínios de produção e processamento textual em que surgem os gêneros (cf. Marcushi, Xavier, 2004).

7 “Os gêneros são formas sociais de organização e expressões típicas da vida cultural” (Marcushi, Xavier, 2004, p. 16).

8 A educação on-line é definida “como o conjunto de ações de ensino-aprendizagem desenvolvidas por meio de meios telemáticos, como a internet, a videoconferência e a teleconferência” (Moran, 2003, p. 39).

9 Interação entendida como a relação que os sujeitos estabelecem entre si através dos meios web, e-mail, chat, lista de discussão e fóruns (Liden, Piconez, André, 2007, on-line).

10 Interatividade vista como a relação direta dos meios e suas interfaces diretamente com o sujeito (idem).

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Luís Paulo Leopoldo Mercado Rosana Sarita de Araújo

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

Fonte: CENPEC