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Mulheres da Independência

Na Guerra da Independência do Brasil não há protagonismos entre gêneros. Aos homens e mulheres em pé de igualdade foram confiadas tarefas, claro levando-se em conta as condições biológicas de cada um.

Não poucos os pais e mães que por algum tempo deixaram a família para, juntos aos mais jovens dedicarem-se, com patriotismo, à construção e consolidação do Grito de 7 de Setembro. Não há distinções, antigas capitanias, províncias e hoje estados são donos do grandioso espetáculo cívico. Para reconquista da terra perdida os lusos confiavam na experiência do gen. Madeira de Melo, na Bahia. Passava o Exército Patriótico de dez mil combatentes, de ambos os sexos. As guerreiras, nas barracas improvisadas ou fora delas, davam ponto de apoio ao desenvolvimento das lutas. Cozinhavam, retocavam e lavavam as vestimentas, verificavam as armas. Não havia lugar para desvanecimento, o hibridismo era perfeito. Todos falavam uma só linguagem, nos campos, nas cidades, nos lares, nas confrarias.

No Convento da Soledade, em Salvador, a madre Joana Angélica teve a vida ceifada pela soldadesca inimiga, que queria invadir a clausura, tornando-se a primeira mártir do Brasil. A heroína Maria Quitéria de Jesus destacou-se pela sua bravura, nos confrontos de corpo-a-corpo, de trajes masculinos, pois havia se alistado num dos Batalhões nacionais, valendo-lhe condecoração, por parte de D. Pedro I. Ceará teve seu valor feminino representado pela virilidade de Bárbara de Alencar, que experimentou tensos dias na detenção de Fortaleza. <]p> Seja na forma de musa, os inconfidentes mineiros contaram com os incentivos de Heliodora Guilhermina da Silva e Dorotéia Seixas, inspiradora do des. Tomaz Antonio Gonzaga ao escrever “Cartas Chilenas”. Ana Lins, um exemplo de revolucionária alagoana. A própria Imperatriz Leopoldina, nunca deixou de encorajar o marido e Príncipe Regente, que por algum tempo aderiu aos princípios liberais.

Tivemos muitas delas, involuntariamente partícipes do movimento. Emblemática, contudo, a militância de Maria Cristina, da fazenda Carnaubeira, Piauí. Noiva do capitão Francisco de Alencar, que deixara as forças de Fidié para se dedicar à expulsão do último reduto português no Brasil. Ela, sentindo-se apaixonada pela nobre missão de servir ao exército nacionalista, quando seguindo entre soldados mortos e feridos, com os membros destroçados, esvaindo-se em sangue, assistindo às expressões de dor, deplorava não ser enfermeira, para minorar-lhe o sofrimento.

Ao lado da irmã Fernanda, esbanjando misto de ódio e entusiasmo, angariava donativos e suprimentos, na região onde morava, perto de Parnaíba, a fim de manter elevada a bandeira da independência.

Inocêncio Nóbrega

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