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O Fico da Dilma

Portugal jamais assimilou a fuga da Família Real para o Brasil, em 1808, apesar do iminente perigo de invasão, pelos franceses. Retomado o território retornou treze anos depois, aqui deixando seu filho, Pedro de Alcântara, cuja volta também era reclamada. A fim de buscá-lo, nos enviou uma esquadra.

A hora era essa. Manifesto de oito mil assinaturas, em poucos dias colhidas, mercê do prestígio e liderança de José Bonifácio, Clemente Pereira e Teixeira Vasconcelos, ponderando a permanência do Regente, lhe foi entregue, em solenidades defronte ao Paço imperial. A decisão de ficar, dita em discurso, empolgou os brasileiros, ali presentes. Doravante o entusiasmo, pela conquista da independência, tomou conta da Colônia, culminando com o brado do Ipiranga. D. Pedro indignou-se quando, novamente pressionado pelas Cortes, que o chamaram de “rapazinho”. Seria uma humilhação aceitar a imposição e, perante o mundo, conviver com tal pejorativo.

Espionar não deixa de ser uma prática de estado. Ao longo dos tempos. portugueses e espanhóis se espionavam, pois em jogo a descoberta da rota para as Índias. Duarte Pacheco foi fruto dessa política, supondo-se da existência do *Brazil* antes de 1500. Hoje, os EUA rateiam, anualmente, mais de US$ 50 bilhões de seu orçamento entre 92 empresas especializadas em tecnologia de vigilância; 68% desse total seguem para a CIA, NSA e NRO. Não somente atividade estatal, multinacionais, como a Vale do Rio Doce, dispõem dessa tática, para seus exercícios, cada vez mais predatórios, onde atuam.

Dilma Rousseff tem essa história na mão. As Cortes norte-americanas certamente a enxergam sob o prisma de “miss” (mocinha). Criminosamente espionada, cancelar sua visita aos Estados Unidos, neste momento de crescente ideário autonomista latino-americano, essa sua melhor opção: “Minhas brasileiras, meus brasileiros, como todos sabem a Soberania nacional está acima de todos os nossos interesses. Cumpre-nos preservá-la. Diante dessas circunstâncias decido: ficarei, isto é, minha viagem está cancelada!”

Trata-se de uma resposta pacífica, porém de largo alcance moral, proferida por uma estadista, ante a espionagem internacional, que é produto dos covardes. Oferece-se a nossa primeira mandatária a rara receita de popularidade, ao incutir no povo carente o espírito de brasilidade e de latino-americanidade. É reconquistar os propósitos de cada brado de independência das nações irmãs. Repassar esse sentimento às populações por si, pessoalmente, ou através de seus assessores mais próximos, ou até pela mídia, em todos os encontros oficiais e populares que surgirem.

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