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O Gerenciamento de Doentes Crônicos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% das mortes do mundo são causadas por doenças crônicas. O gerenciamento é uma ferramenta que permite aprimorar o atendimento aos portadores das doenças crônicas, promovendo a saúde e melhorias de qualidade de vida.

Nos termos da Disease Management Association (DMA) americana, gerenciamento de doenças é uma aproximação multidisciplinar, baseada em cuidados contínuos para saúde que identifica de maneira ativa populações com, ou sob risco de, sofrer de condições médicas estabelecidas.

Já de acordo com a American Medical Association (AMA), o "gerenciamento de doenças" é uma técnica de atendimento gerenciado, e atendimento gerenciado está definido como um processo que presta, administra, ou assume riscos de saúde para controlar ou influenciar a sua qualidade, acessibilidade, utilização, custos, ou resultados em uma dada população.

As doenças crônicas são aquelas que possuem desenvolvimento lento, longos períodos de duração (maior que seis meses) e que em sua maioria não tem cura. Apresentam efeitos em longo prazo e que são difíceis de prever. As doenças crônicas de maior nível de incidência atualmente são: asma, câncer, depressão, diabetes, doenças cardiovasculares, hepatite, Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson e a obesidade. Manifestam-se mais acentuadamente entre os adultos e idosos. 75% dos idosos brasileiros são portadores de alguma doença crônica, segundo o Ministério da Saúde.

As altas taxas de doenças crônicas verificadas atualmente são explicadas pelas transformações sociais e econômicas das últimas décadas, que alteraram o estilo de vida da população: houve um aumento na ingestão de carboidratos e alimentos ricos em gordura, no sedentarismo e na poluição do ar, além de fatores como estresse e tabagismo, que aumentam as chances do surgimento de uma doença deste gênero. Porém, fatores hereditários podem gerar predisposições.

Segundo o Milken Institute, nos Estados Unidos em 2003 foram registrados cerca de 160 milhões de casos das doenças crônicas mais comuns (câncer, diabetes, doenças do coração, AVC, desordens mentais e doenças pulmonares) que reduzem a expectativa e qualidade de vida, além de trazerem prejuízos para o mercado de trabalho, com a perda de produtividade; neste ano, os gastos giraram em torno de U$$1.371 bilhões de dólares, sendo compõem este valor a perda de produtividade e gastos com saúde.

O Gerenciamento de Doentes Crônicos

E segundo cálculos do Milken Institute, em 2023, se nenhuma estratégia de gerenciamento, estes gastos/prejuízos podem girar em torno de U$$4.130 bilhões; já com a aplicação do gerenciamento, este valor pode ser reduzido a U$$2.196 bilhões.

O Gerenciamento de Doentes Crônicos

Apesar de algumas doenças crônicas não terem cura atualmente, elas podem ser prevenidas ou controladas, por meio do gerenciamento do doente, que engloba a detecção precoce da doença, acompanhamento médico, tratamento adequado, estilo de vida saudável, e quando necessário, o uso de medicamentos.

Educar, orientar e acompanhar pacientes que são portadores de doenças crônicas é fundamental para prevenir hospitalizações e procedimentos invasivos. O objetivo do gerenciamento é promover a educação para a saúde, tornando o tratamento mais efetivo e reduzindo gastos com saúde. Além disso, objetiva-se conhecer cada paciente e sua condição clínica em especial, e a maneira como utilizam os serviços de saúde e as suas condições de risco. O controle das doenças crônicas permite melhorar a assistência prestada, reduzir custos e os possíveis riscos e evitar procedimentos desnecessários.

Dentre todas as alternativas para controlar estas doenças, o fator mais importante é a adesão do paciente ao tratamento e às recomendações. A adesão ao tratamento é a correspondência às indicações do profissional da saúde que acompanha seu caso. Nos países desenvolvidos, cerca de 50% dos pacientes aderem ao tratamento recomendado; nos países em desenvolvimento como o Brasil, porém, a taxa é bem menor, o que interfere negativamente na promoção da saúde no país.

A adesão ao tratamento é fundamental para que o paciente tenha condições de levar uma vida normal, assim como sua família; além disso, o sistema de saúde e a economia também sofrem a interferência, uma vez que com o controle das doenças crônicas, é possível reduzir o número de intervenções cirúrgicas e internações emergenciais decorrentes de um mal súbito causado pelas doenças crônicas (como um infarto causado pela hipertensão, coma diabético causado pelo descontrole dos índices glicêmicos do portador de diabetes, crises de asma, etc.).

Os profissionais da área da saúde devem atuar na comunidade como um elo entre paciente e tratamento, informando sobre as doenças em questão, não só ao paciente, mas também aos familiares, conscientizando a respeito da doença, dos riscos da não adesão às recomendações, sob o uso adequado correto dos medicamentos indicados, análises do estado do paciente, da eficiência do método usado, etc. Assim, é possível promover melhoras na saúde do paciente e sua colaboração com a sociedade.

Os fatores que podem interferir na adesão do paciente a um tratamento estão relacionados ao método terapêutico aplicado, condição da doença, eficiência do sistema de saúde que atende ao paciente, além de sua condição socioeconômica.

Quando a terapia/tratamento são muito longos, ou possuem muitos efeitos colaterais, o paciente tende a não continuar o tratamento; além disso, se o método escolhido for muito falho, ou não tão seguro, e até mesmo se forem necessárias mudanças frequentes no método terapêutico o paciente pode se sentir desgastado e não prosseguir.

O tipo de doença, sua gravidade, progressão (evolução para quadros mais graves ou não), a presença de dor, e a eficácia de tratamento escolhidos para cada caso é um dos fatores que mais interfere na adesão ao tratamento, uma vez que o paciente pode se desmotivar diante de determinadas situações.

Caso o atendimento prestado for de baixa qualidade, com profissionais desmotivados, houver pouco ou nenhum desenvolvimento nos serviços prestados, a infraestrutura for pobre, os equipamentos usados para exames/internações forem precários, medicamentos não forem distribuídos gratuitamente, ou demore muito para que o paciente tenha suas necessidades supridas, por falhas do sistema de saúde local, as chances de o paciente aderir ao tratamento são remotas.

A condição socioeconômica do paciente pode impedi-lo de se tratar ou de aceitar o tratamento; o baixo nível de escolaridade, desemprego, instabilidade social, falta de tempo, ou de dinheiro para se tratar, e até mesmo a disponibilidade de meios de transporte pode impedir que uma pessoa cuidasse da própria saúde.

Doenças como diabetes e as cardiovasculares, além de medicamentos e tratamento gratuitos, necessitam que a pessoa mantenha uma vida saudável, com alimentação balanceada e prática de exercícios físicos; isso seria possível para todas as pessoas se houver a redução de custos e ampliação do acesso a alimentos mais saudáveis, o que em alguns lugares não é possível.

As ferramentas disponíveis para o gerenciamento (que já estão sendo aprimoradas em países desenvolvidos) e que são relativamente eficazes são:

a. Acompanhamento ambulatorial: consiste no atendimento do paciente no ambiente hospitalar. É bastante eficiente quando os pacientes são bem atendidos, e quando o atendimento for rápido; o ponto fraco são as dificuldades para o paciente se deslocar ao hospital, assim como a superlotação dos hospitais, quando não há eficiência no atendimento ou quando o número de pacientes a serem atendidos for muito grande.

b. Orientação telefônica: está sendo implantado em alguns países, e consiste em uma central que se comunica com o paciente, sem a necessidade de o paciente se deslocar ao hospital ou a uma clínica para que seja instruído ou para que tire dúvidas. É uma ferramenta que oferece facilidade e comodidade, porém elimina os vínculos entre paciente e médico, assim como abre espaço para desentendimentos ou negligência de informações.

c. Visita domiciliar: era o método mais comum nos tempos antigos, e que está sendo retomado, uma vez que é mais cômodo para atender pacientes extremamente debilitados ou que tem dificuldades para se dirigir aos centros médicos. Porém não é uma ferramenta aplicável a todos pacientes, e que pode ter um custo elevado.

d. Descontos/gratuidade de medicamentos: a maioria dos pacientes portadores de doenças crônicas necessita do uso de medicamentos para controlar sua doença ou para que esta não evolua para casos mais graves. Porém estes podem custar caro, o que dificulta o acesso; portanto, farmácias podem oferecer programas de fidelidade, oferecendo descontos aos seus clientes; assim como os planos de saúde ou sistemas públicos devem oferecer medicamentos gratuitos. No Brasil, muitos medicamentos para doenças crônicas são oferecidos
gratuitamente. Estes medicamentos estão listados na RENAME, Relação Nacional de Medicamentos, e inclui medicamentos para diabetes, hipertensão, entre outros. Porém ainda faltam muitos medicamentos para serem inclusos.

e. Bancos de dados: sistemas usados para armazenar dados de cada paciente, seu quadro clínico, evolução do tratamento, etc. Uma forma de reunir todas as informações possíveis sobre o paciente, disponíveis para todos os médicos ou profissionais da saúde envolvidos no tratamento para que estes interajam entre si, e decidam o melhor tratamento para o paciente, evitando assim erros ou decisões precipitadas; além disso, é possível tornar mais claros os procedimentos realizados, e assim, o tratamento pode ser mais eficiente e possivelmente, encurtado.

f. Educação sobre a doença: esta educação pode ser feita através de palestras, conversas, materiais educativos e informativos periódicos, internet e atendimento telefônico, com o objetivo de conscientizar o doente sobre o que deve fazer sobre os riscos que corre se não seguir corretamente o tratamento, etc.

Estas estratégias devem ser aderidas pelos sistemas públicos de saúde e pelas empresas de planos de saúde como forma de melhorar o atendimento aos pacientes, assim como para promover melhores na saúde destes, que atualmente se desgastam muito quando precisam de um atendimento, que deveria na verdade, promover a saúde e melhorar a condição de vida da população, trazendo assim melhorias para a sociedade em geral, que pode ter os portadores destas doenças vivendo normalmente, e sem preocupações quanto à manutenção da sua saúde.

Muitas pessoas podem se identificar com estes fatores que impossibilitam o tratamento, e sabem o quanto é importante ter segurança no que diz respeito à sua saúde. Por isso, cabe não apenas aos políticos e empresários cuidar dos sistemas de saúde, mas também dos profissionais da área da saúde discutir e exigir a implantação de métodos que tragam melhorias a todos.

A sociedade em âmbito global deve se unir para promover a saúde e bem-estar de todos, pois só assim será possível falar em igualdade, uma vez que não é justo apenas uma parcela desfrutar de uma condição de saúde plena enquanto outros sofrem por não ter recursos para se tratar; controlando as doenças crônicas, os níveis de morbilidade e mortalidade poderão ser reduzidos, e as chances de sucesso do tratamento são elevadas.

Além de beneficiar o paciente, é possível mensurar os resultados clínicos, o impacto/eficiência de serviços de saúde e resultados financeiros, produzindo assim relatórios que ajudam a direcionar os investimentos em saúde.

Bibliografia

http://www.anvisa.gov.br
http://www.crfsp.org.br
http://www.fleury.com.br/Publico/Empresa/Pages/GestaoDeDoencasCronicas.aspx
http:// www.milkeninstitute.org/ chronicdiseaseimpact.htm Report: “An Unhealthy America: Economic Burden of Chronic Disease
http:// www.ips.com.br /IPS/Destaques-Gerenciamento-de-doenças.htm
http:// www.gruponotredameintermedica.com.br/Medicina-Preventiva-PAP.htm
http://www.novartis.com.br/doencascronicas/index.sthml
http://www.who.int/chp/knowledge/publications/colherence_report/in/index.home
http://www.chronicdiseasesimpact.com/

Autora: Fabiana Furtado Filippini

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