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O sonho alimenta a vida

Desde pequeno fui acostumado a ler uma variedade de livros e depois de crescido passei a cultivar o hábito saudável de comprá-los, talvez com mais freqüência do que o necessário, uma boa herança recebida do meu pai. Apesar do pouco estudo e das poucas posses, ele sempre aparecia com alguma novidade do mundo literário, de Machado de Assis à Enciclopédia Britânica. De vez em quando ele trazia um exemplar da revista Status ou Ele e Ela, uma espécie de Playboy da época, e eu sempre dava um jeito de ler (?) escondido e ainda me dava ao trabalho de remover as digitais da capa com muito cuidado para que ele não percebesse a minha ousadia.

Havia boas reportagens nessas revistas, juro.

O contraditório de tudo isso era o fato de que, se fosse possível sonhar através dos livros, imediatamente os sonhos eram sufocados pelo discurso da nossa condição de vida, pouco favorável em alguns aspectos e extremamente favorável em outros, principalmente pela infância inesquecível, a qual, independentemente da situação financeira, valeu a pena ser vivida. É uma pena que a gente cresça.

Por várias razões, algumas explicáveis, outras nem tanto, poucos de nós foram doutrinados para sonhar, voar mais alto e ir além quando as circunstâncias são favoráveis, por livre e espontânea vontade. De fato, as coisas vão acontecendo, nem sempre da forma como desejamos e, em determinado momento, passamos a questionar a própria existência, tamanha é a pressão que a sociedade exerce sobre nossas frágeis cabeças.

Ao longo de sua existência, de alguma forma você é empurrado para perseguir um sonho ou um ideal de vida, ora pelos livros de auto-ajuda, ora pela mídia com seus exemplos de arrancar lágrimas em menos de trinta segundos ou, em alguns casos, pelos próprios pais quando estes notam que os filhos atingem a maioridade, vão se acomodando e relutam para abrir mão da comidinha caseira, da roupa sempre limpa e bem passada e do quarto arrumado exclusivamente para eles, com o carinho de mamãe, é claro.

Afirmações do tipo “eu me odeio”, “o que eu estou fazendo aqui”, “eu não mereço tudo isso”, “eu nunca vou conseguir”, “até que eu fui longe demais”, “eu quero o suficiente para viver” ou ainda “o dinheiro não traz felicidade” são decorrentes de circunstâncias pelas quais você passa ao longo da vida enquanto amadurece. O lado ruim dessas afirmações é que se você levá-las a sério, o que geralmente você leva, elas acabam sufocando a sua auto-estima e você passa a acreditar que isso é mesmo verdade.

Os adolescentes sabem do que estou falando. Nessa época inesquecível, quantas vezes você foi despertado no auge de um sonho? Acorda, criatura de Deus! Tá no mundo da lua? Pare de sonhar, vai arranjar algo pra fazer. Isso não é para o teu bico. Já fez a lição de casa? Estude, senão você não vai ser nada na vida. Trate de arranjar um emprego. Isso é que dá ficar assistindo televisão até tarde. Caia na real, e assim por diante. Portanto, é necessário muito equilíbrio para superar as barreiras que surgem dentro da nossa própria casa e que a mente custa a se livrar.

Um dos maiores erros que alguém pode cometer na vida é sufocar a auto-estima das pessoas e, por conseqüência, o sonho. Isso pode ocorrer de várias formas, voluntária e involuntariamente. No âmbito familiar, quando cometemos os mesmos erros do passado, ao interferir na carreira dos filhos, ao direcionar o curso que eles devem fazer, ao escolher as pessoas com quem eles devem se casar, ao decidir tudo por eles, como se ainda fossem as mesmas crianças mimadas de vinte anos atrás.

Mais improdutivo ainda é quando você abre mão dos seus sonhos e, todo sorridente e orgulhoso, afirma que “graças a Deus, hoje você ganha o suficiente para dar aos filhos tudo aquilo que você não teve”. Que bobagem! Isso é o mínimo, mas lembre-se de que a escassez e as adversidades tornam o ser mais humano, equilibrado e sociável, longe dos perigos da zona de conforto.

No âmbito profissional ocorre quando alguém faz questão de mencionar o cargo em alto e bom som para todo mundo ouvir, quando humilha o colaborador na frente dos colegas, quando remunera as pessoas de acordo com a cor, sexo, opção sexual ou religião, quando faz valer o cargo para intimidar alguém em benefício próprio, seja qual for o benefício, ou ainda quando um ótimo colaborador está totalmente apto para assumir um novo cargo, a oportunidade enfim aparece, e um terceiro, que nada tem a ver com a história, é beneficiado pela insegurança do chefe, o qual esquece que a capacidade do líder está diretamente relacionada com a quantidade de líderes que ele ajuda a criar.

Naturalmente, o bom senso me faz lembrar que as coisas são muito mais simples no papel, mas sonhar é uma questão de exercício diário. Você imagina uma situação melhor, calcula a distancia entre a situação atual e a desejada, relaciona os objetivos a serem atingidos, exalta seus pontos fortes e trabalha seus pontos fracos, fortalece os pensamentos e a mente vai ganhando consistência. Um sonho é construído aos poucos, sonho por sonho, ação por ação.

As pessoas sempre apresentam uma série de razões estúpidas - você não, é óbvio - para realizar o sonho e impedir o próprio desenvolvimento quando justificam sua falta de ação ou, no mínimo, tentam retardá-la. É o que se chama comumente de procrastinação, a arte de arranjar desculpas e adiar as ações, uma praga dos tempos modernos que deveria ser banida do vocabulário.

Para que você continue vivo, não deixe morrer o sonho. Quando o sonho morre, você morre junto com ele e torna-se difícil reanimá-lo. Quem me conhece sabe o quanto eu abomino comentários do tipo “não vejo a hora de me aposentar para fazer aquilo que realmente gosto”. Esperar a aposentadoria para colocar em prática uma idéia relacionada com a sua vocação será um tremendo desperdício de energia vital. Perseguir um sonho até o fim dos seus dias é a única forma de torná-lo mais ativo, criativo e completo.

Sonhar faz parte da natureza humana e para isso é necessário conhecer-se internamente, saber quem você realmente é para encontrar a potencialidade que o fará construir um futuro melhor. Segundo Deepak Chopra, é no conhecer-se que reside a capacidade de realização de todos os seus sonhos, portanto, tenha em mente que a leitura de livros e mais livros simplesmente não basta. Pare de se iludir, de ler O Segredo e acreditar que um dia, de tanto você pensar, algo vai cair do céu e presenteá-lo com coisas maravilhosas que você não fez o mínimo esforço para conseguir.

Sonhar é bom, porém como diria Abílio Diniz, Presidente do Grupo Pão de Açúcar, “enquanto alguns sonham com o sucesso, nós acordamos cedo para consegui-lo”, ou seja, a prática diária de pequenas ações consistentes é que vai conduzi-lo ao que você realmente deseja. Eu aprendi tarde a alimentar o sonho que existia dentro de mim desde que eu era criança. Por um bom tempo ele ficou apagado, mas consegui reacendê-lo, voltei a escrever e estou refazendo meu caminho com muita paixão e determinação.

Desejo muito que você resgate o seu, razão pela qual divido contigo a minha fórmula pessoal para que isso aconteça e espero que lhe seja útil. Daqui a algum tempo, quando nos encontrarmos, quero ver o sorriso estampado nos seus lábios, de orelha a orelha, por conta das transformações que você será capaz de fazer por iniciativa própria. Eu demorei a me conscientizar do quanto eu era capaz e alguns livros me ajudaram muito, por isso eu acredito nos livros e naqueles que dividem o conhecimento com as pessoas.

1. Sonhar não custa nada.

Pense todos os dias, ao acordar e antes de dormir, o que você precisa para colocar uma simples idéia em prática. É importante que o sonho esteja relacionado com aquilo que você realmente gosta de fazer, caso contrário, passa a ser um martírio;

2. Sonhar apenas não basta.

Relacione no papel aquilo que você gostaria de ter e de realizar. Não se baseie em John Lennon que afirmou que “a vida acontece enquanto você faz planos”; está provado que os objetivos colocados no papel são mais factíveis e passíveis de realização;

3. Sonhar é agir.

As pequenas ações que determinam o grau de sucesso das suas conquistas e quanto mais cedo você começar, quanto mais cedo estimular os filhos, maior a chance de ter o sonho concretizado em vida;

4. Sonhar faz bem para a alma.

É melhor sonhar do que se lamentar o tempo todo, porém não se esqueça de trabalhar. O descontentamento permanente é a falta de confiança em si mesmo, afirmava Emerson, pensador americano;

5. Sonhar faz a gente crescer interiormente.

Busque o melhor de si em todas as suas realizações, seja determinado, tenha fé e paciência. Leva tempo para descobrirmos o quanto somos ricos.

Por fim, transforme seus sonhos em pequenos objetivos. Fica mais fácil atingi-los e, mais importante de tudo o que foi escrito, enquanto os sonhos não se realizam, continue caminhando, caminhando, caminhando...

Jeronimo Mendes

Fonte: www.artigos.com

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