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O Terceiro Grito

Gritar, falar alto, sempre incomoda aos ouvidos, porém na terra de surdos esta a melhor alternativa. Voz baixa, moderada, manifestada nas suas cartas às Cortes, também não deu certo, o que levou a D. Pedro ao Grito do Ipiranga. Portugal acordou, mas era tarde, em poucos meses o brado, seguindo o modelo de outros brados, terminou de vez com as pretensões portuguesas. Passamos a simbolizar o ato a cada Sete de Setembro, povo e dirigentes. Não sei de sua primeira edição em público. O dia maior da Pátria existe e é nela que recarregamos nossas energias de civismo. Desfiles, irmanando-se militares e civis, foram concebidos nas cidades do país, nalgumas com mais pompas. Renasciam o entusiasmo e a confiança no grande destino da nação.

Desde a presença de autoridades fantoches nos palanques as solenidades da data foram caindo de prestígio. A mídia sonora colaborou nesse desmonte. Institutos de educação e cultura; trabalhadores e patrões vendaram-lhes os olhos. Assim, caminhamos para a Pátria de ninguém, e antes que acontecesse por completo, a Igreja jovem resolveu intervir, surgindo, em 1995, a versão do Grito dos Excluídos, tema da Campanha da Fraternidade naquele ano. A partir daí os dois gritos, de expulsores e excludentes, correm juntos, cada qual a seu estilo, desmazelos de um e teológico do segundo.

Esvaziada, novamente a atenta juventude é chamada. A acomodação não é de seu feitio. Quer garantia de seu futuro e do Brasil, já. Abomina a praxe das marchas e discursos vazios, a incutirem falso patriotismo. Sem emitir vozes, simplesmente com seus gestos aponta soluções. Relembrando o “esculacho”, o chamado Black bloc distribui-se em blocos radicais, porém fraternos, que aparecem de tocas e estandartes negros, além das cores nacionais, de braços dados formados em cordões, dispostos ao confronto com os policiais, numa sequência de gritos de guerra. São grupos solidários, definindo-se como “coletivo unido”, pregando o fim do capitalismo, do lucro aviltante, fazendo apologia do voto nulo. Escandalosa concentração de riquezas da rede bancária, corrução e impunidade estão sob sua mira. Há até palhaços, que em megafones destilam ideologia em versos. É o Terceiro Grito, buscando na história, de séculos atrás, uma prática usual contra reinos da época, vários destronados, inovadora entre nós, e violência só acontece para revidar provocações violentas. Rio de Janeiro e outras capitais protagonizaram a nova forma de protesto, para temor de alguns governantes estaduais e seus auxiliares, que preferiram desertar, uns se apressaram em sair, das comemorações do Dia da Pátria, talvez envergonhados.

Inocêncio Nóbrega

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