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O trabalho interdisciplinar no ensino superior

A questão da interdisciplinaridade tem estado muito em discussão na sociedade contemporânea, em especial nas instituições escolares, entre elas as de ensino superior. É também encontrada na história da epistemologia desde o ideal clássico da "paideia grega", passando pela Idade Média na busca pelo saber unitário que explique a realidade a partir de diferentes pontos de vista, e chegando até a Filosofia Moderna. Desta forma, não é uma idéia recente, embora para muitos professores, inclusive no ensino superior, falar sobre esse tema seja algo novo.

Em relação ao tema, pergunto: o que é interdisciplinaridade? No campo educacional, ela diferencia-se da pluridisciplinaridade e da interdisciplinaridade? Qual a função do professor de ensino superior frente à concepção de trabalho interdisciplinar? Como conduzi-lo adequadamente?

Entendo que o saber interdisciplinar pode ser melhor desenvolvido por meio da abordagem dialética, uma vez que, neste método, são contemplados os seguintes elementos: o movimento, a contradição e a totalidade. A idéia de "tensão dialética" também se revela no trabalho interdisciplinar ao se trabalhar com a noção de oposição: novo e velho, generalista e especialista, fato científico e senso comum, vida cotidiana e vida escolar, consciência e sabedoria, o todo e as partes, o individual e o social, conteúdo e forma, teoria e prática, razão e emoção, qualidade e quantidade, sujeito e objeto, e a técnica e a cidadania. Nessa direção, o conhecimento não é linear nem estanque.

Nas diferentes áreas de conhecimento, em especial na área educacional, torna-se relevante diferenciar a interdisciplinaridade da pluridisciplinaridade e da multidisciplinaridade. A primeira busca a interação entre diversas disciplinas com o objetivo de dar unidade ao saber. Já na segunda, o ensino ocorre a partir de duas ou mais disciplinas, mas sem coordenação entre elas, sendo muito utilizada no meio acadêmico em congressos e mesas expositoras com diferentes profissionais que debatem um mesmo assunto. A terceira, por sua vez, consiste na justaposição de duas ou mais especializações, as quais nem sempre interagem entre si, uma vez que possa haver múltiplos objetivos, por exemplo: ocorre quando uma criança portadora de uma necessidade especial é atendida por diferentes profissionais (pedagogo, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, entre outros).

Na atual sociedade, o docente necessita estar preparado para trabalhar com diferentes metodologias, tecnologias e conhecimentos. Na sala de aula o ensinar e o aprender precisam fazer parte do mesmo processo. Assim, professor e aluno necessitam estar juntos, cada qual com suas histórias e saberes (cotidianos e científicos), mas em parceria para sistematizar e construir o conhecimento. E a interdisciplinaridade, ou seja, a interação entre as disciplinas, é uma das propostas possíveis para efetivar esta premissa e ao mesmo tempo recuperar a totalidade do ser humano em relação ao processo educativo, e de forma coletiva no contexto escolar, inclusive no ensino superior.

A abordagem interdisciplinar no ensino superior é um princípio recente de organização do trabalho pedagógico, no qual se busca a interação de conceitos e métodos, o que possibilita conduzir o aluno a uma visão mais próxima do movimento, da totalidade e das contradições de uma realidade. Em sala de aula, traduz-se na ação pedagógica interativa e integrativa entre aluno, professor e os diferentes saberes, entre eles os científicos e os do senso comum.

A interação entre as disciplinas só é possível de acontecer se houver troca de vivências e de conhecimentos das diferentes áreas do saber. Mais do que movimento de interação, interdisciplinaridade é uma atitude de partilhar as experiências e os conhecimentos entre as pessoas, a qual pode gerar a possibilidade da mudança tanto no indivíduo quanto no coletivo.

A prática pedagógica também precisa estar integrada ao que está acontecendo na sociedade em que vivemos, não sendo um mundo à parte, que considera apenas o que já aconteceu ou poderia ter acontecido. Nessa direção revela-se a responsabilidade social do professor em sala de aula, também expressa nas seguintes qualidades: fidelidade e criatividade para concretizar a proposta pedagógica da instituição de ensino superior. Assim, a educação será uma práxis humana e responsável, apesar das inúmeras dificuldades encontradas no ensino brasileiro, inclusive na educação superior.

Desta forma, concluo que diante do mundo moderno torna-se fundamental a contribuição do ensino superior no sentido de ajudar a construir um mundo mais humano, para que as pessoas sejam mais humanas na relação consigo, com o outro e com o mundo, pautadas na ética e na cidadania, além de as instituições de ensino superior possibilitarem o acesso ao mundo da cultura (arte, ciência, ética e política) ao maior número de pessoas possível. E a prática da interdisciplinaridade é uma das respostas para as demandas do ensino e da pesquisa no ensino superior, pois a sociedade contemporânea exige cada vez mais profissionais versáteis, tornando-os pertinentes à atualidade. Formar profissionais competentes requer a ação integradora entre técnica-ética-cidadania, na qual o Homem é visto como um todo relacional e interdependente consigo, o outro e o mundo. É a educação posta à serviço das pessoas, e, nesse sentido, o ensino superior contribui ao formar um bom profissional e um bom cidadão.

Referências

DEMO, P. Desafios modernos da educação. Petrópolis: Vozes, 1993.
FAZENDA, I. C. Interdisciplinaridade, um projeto em parceria. São Paulo:
Loyola, 1991.
LÜCK, H. Pedagogia interdisciplinar – fundamentos teóricos e
metodológicos. Petrópolis: Vozes, 1995.

Christiane Denardi

Fonte: www.editoraopet.com.br

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