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Os paradigmas Catesiano e Holistíco Diante da Teologia

O pensamento Newtoniano – Cartesiano, também conhecido como paradigma conservador tem como característica o positivismo, onde o ser humano é fragmentado, isto é, dividido, visto em partes especificas e não como um todo, de forma integral, holística. A mesma fragmentação ocorre em todos os seguimentos da sociedade, com o sr humano, com a educação, com a igreja, com a teologia. O paradigma conservador tem a ciência como a sua coluna dorsal, utiliza – se da razão, o que permite um desenvolvimento técnico e especifico de cada área.

Entretanto o ser humano não pode ser visto em partes, dividido, fragmentado, esse. Ser Humano deve ser visto e tratado de forma integral, num todo.. Esse paradigma também é conhecido como paradigma holístico ou paradigma emergente e vem sendo proposto como modelo para o século XXI, buscando assim um desenvolvimento capaz de se voltar para o todo, para a transcendência, para as emoções, sentimentos, entre outros mais que formam o Holismo.

A Igreja, a catequese e a Teologia também foi sacrificada com esta fragmentação vinda do Cartesianismo. Surge agora um modelo de integralidade, holístico que pretende reconstruir estas partes separadas e divididas.

INTRODUÇÃO

Muitas vezes escutamos na sociedade que o mundo esta em crise, precisamos esclarecer que não é o mundo que esta em crise e sim a pessoa humana é que esta em crise, junto com o seu atual paradigma, paradigma conhecido com cartesiano. É normal entre o inicio e termino de um século que ocorram questionamentos em turno da existência. A construção de uma sociedade justa e democrática dependerá de fatores que desenvolvam a consciência critica, reflexiva e transformadora dos indivíduos que formam esta sociedade. Neste sentido faz necessário a quebra do atual paradigma cartesiano juntamente com o tecnicismo e começarmos a caminhar em prol da formação holística, isto é se voltarmos para o paradigma holístico.

Analisando a sociedade temos vistos inúmeras catástrofes, violências, abusos em todos os sentidos e em quase tudo. Questionamos e refletimos se essa atual conjuntura é natural, se é normal. A resposta certamente esta dentro da formação pessoal de cada um e se esta formação é fragmentada as respostas aos problemas sociais, religiosas, entre outros também serão respostas fragmentadas, isto é meias respostas. Este paradigma que aqui apresento tem a capacidade de dialogar, não possui preconceitos.

Precisamos encontrar um sentido a vida humana, para muitos este sentido esta nos valores humanos, para outros na espiritualidade, na religiosidade, na transcendência. O que importa é que todos esses elementos fazem parte do novo paradigma que esta sendo proposto, o paradigma holístico. Muitas escolas na busca de atender melhor a sua demanda, afim de ofertar uma qualidade de ensino cada vez maior não só pro conhecimento, mas também para a formação pessoal do individuo, tem inserido outras disciplinas afim de atender esse novo paradigma. Assim disciplina de Ensino Religioso, Educação para a Paz, entre outras humanas vem sendo implantadas. Porem a responsabilidade de uma formação holística não esta só na escola e sim em todas a sociedade e seus organismos, tais como igrejas, ONGs, Projetos sociais e também é de responsabilidade da teologia. Tal formação ecumênica, capaz de se abrir ao dialogo e respeito entre as diversas culturas e tradições Religiosas.

PARADIGMA

Um paradigma significa um modelo, algo que serve como parâmetro de referência para uma ciência, como um ideal a ser seguido. Podemos dizer que um paradigma é a percepção geral e comum. Ao mesmo tempo, ao ser aceito, um paradigma serve como critério de verdade e de validação e reconhecimento nos meios onde é adotado. Aqui o paradigma emergente, o conhecimento lógico e empírico são considerados validos. O conhecimento é produzido em conjunto e o ser humano visto como um todo, de forma integral e holística.

Por trás do progresso da ciência na chamada Revolução Cientifica, vinda do século XVII, estava desde o renascimento, a ascensão da burguesiacomo classe dominante e economicamente emergente, em busca de espaço, e de um um novo sistema de produção e comerialização, o capitalismo e sua adoração ao acumulo financeiro pela divinização do lucro. Este processo trouxe consigo uma nova forma de relações sociais e, com esta, uma nova maneira de ver o mundo, com seu finnciamento tendencioso da ciência na espera do retorno em forma de tecnologia de produção, interesse maior que o da compreensão da natureza.

Necessitamos com grande urgência migrar para este novo paradigma, para o Holismo, necessitamos de uma educação voltada para os valores humanos, para a cidadania, para a ecologia, para a ética.

O PARADIGMA NEWTONIANO-CARTESIANO

Nossa tão decantada civilização tecnológica está em crise, e não é preciso esforço para perceber isso. A técnica, o tecnicismo e a alta tecnologia, associadas a uma forma de viver moderna, igualmente técnica mas cada vez mais estereotipada por basear-se no consumo e na premissa da ostentação pragmática, está apontando para a falácia de mais uma promessa da civilização industrial: pôr nos meios de produção e/ou no extremo desenvolvimento e acúmulo material sem a devida preocupação com os valores ecológicos e humanos a chave para a felicidade humana (hoje, tudo isso tem separado cada vez mais o homem do homem, o homem da natureza, e o homem de si mesmo por impor papeis alienantes, estereotipados, muito pouco humanistas).O resultado atual de toda esta história é que vivemos numa época cuja principal característica está na divisão de tudo: desde a divisão de classes sociais, que atualmente é ainda mais reforçada, no chamado darwinismo social.

O argumento de que, em nosso século, o desenvolvimento técnico e tecnológico de equipamentos médicos tenham sido as principais responsáveis pelo aumento da taxa de vida também é questionável. Foram as melhorias sanitárias, a conquista de direitos sociais, a educação higiênica e o entendimento dos processos de transmissão de doenças ( com os trabalhos, por exemplo, de um não médico, como Louis Pasteur), a Educação Preventiva que tiveram um papel considerável na melhoria da saúde pública. A parafernália técnica está quase totalmente voltada para o diagnóstico de doenças, muitas das quais perfeitamente evitáveis com uma eficaz educação preventiva, mas que possuem a área da modernidade milagrosa.

Este paradigma se caracteriza por idealizar uma realidade, ou melhor, uma concepção/visão de mundo mecânica, determinista, material e composta, ou seja, parte do pressuposto por analogia de que o universo é uma maquina composta por "peças" menores que se conectam de modo preciso. E essa concepção de mundo teve um grande impacto não só na Física, mas muito mais, pelas suas conseqüências filosóficas, em Biologia, Medicina, Psicologia Economia, Filosofia e Política. A extrema fragmentação das especializações, a coisificação da natureza, a ênfase no racionalismo e na fria objetividade e o desvinculamento dos valores humanos superiores, a abordagem mercantil competitiva na exploração da natureza, a ideologia do consumismo desenfreado, as diversas explorações com fins de se obter qualquer vantagem em cima de outros seres vivos, etc. têm sua fundamentação filosófica numa pretensa visão "científica" de um universo mecanicista, reducionista, tecnicista, fragmentado, dividido e individualizado

O PARADIGMA EMERGENTE – A FORMAÇÃO HOLISTICA

O extremo sentimento de mal-estar que muitas pessoas sentem diante dos complexos e trágicos problemas da atualidade tem levado à uma busca de um diálogo entre os vários núcleos do saber e da atividade humana. Por exemplo, temos a ONU e a Unesco como grandes organizações internacionais que buscam uma maneira conjunta de solucionar muitos dos atuais problemas humanos, sem falar nos movimentos de encontro inter-disciplinares e a busca pela ação cooperativa em todos os âmbitos, a medicina psicossomática e homeopática e a abordagem holística em psicoterapia, etc. É a essa busca de uma visão de conjunto, uma visão do TODO - que possui características próprias independentes das características de suas partes constituintes, como o todo humano possui caractersíticas próprias da de seus órgãos e tecidos -, que se dá o nome de holismo.

O desagrado ao modelo mecanicista - e da sua consequente visão de mundo - foi expresso de maneira clara por vários grandes cientistas em nosso século, como Albert Einstein, Werner Heisenberg, Niels Bohr e tantos outros. Vejamos esta passagem do físico Erwin Schrödinger, que de muitas maneiras lembra o humanismo existencialista de Soren Kierkegaard:Este descontentamento e a intuição de que o "quadro científico" é como uma janela que deixa ver apenas uma parte ínfima da realidade tem estimulado uma notável tentativa de se contruir uma visão mais holísitica, humana, orgânica e ecológica da realidade. Afinal, as conseqüências de uma visão de mundo mecanicista são extraordinariamente nocivas, principalmente dentro de uma certa ideologia fascista de grande parte dos poderes político-econômicos da elite do Terceiro Mundo, o que traz um alto e muitas vezes impagável preço em termos de vidas humanas e recursos naturais.

Estamos começando a antever e a construir um modelo científico que se baseia no conceito de relação, que é muito mais amplo que o de análise, como o usado pela ciência normal. Já não são somente as partes constituintes de um corpo ou de um objeto que são de fundamental importância para a compreensão da natureza desse objeto, mas o modo como se expressa todo esse objeto, e como ele se insere em seu meio. As partes que constituem um sistema tem um notável conjunto de características que se vêem no âmbito das partes, mas o sistema inteiro, o todo - o holos -, frequentemente possui uma característica que vai bem além que a mera soma das caraceterísticas de suas partes. Por exemplo, sabemos que tanto o hidrogênio quanto o oxigênio são constituintes fundamentais no processo de combustão. Mas se juntamos esses elementos e formarmos a água, nós os usaremos para combater a combustão. O Todo não elimina as características das partes, mas estas, quando em relações íntimas, dão o substrato a uma nova forma, cujas características transcendem às das partes constituintes. A Ecologia é a ciências moderna que melhor pode demonstrar esta relação parte/todo em simbiose íntima.

Da mesma forma, podemos dizer que as peças de um quebra-cabeças, quando separadas, nos dizem muito pouco ou nada do que seja o quebra-cabeças. Somente quando vemos as peças em seu conjunto, e, de um certo modo, de um nível em que elas deixam de ser vistas como peças, é que podemos compreender a mensagem do quebra-cabeças. Assim também, pensamos que o mecanicismo reducionista e fragmentatador do paradigma newtoniano-cartesiano já deu o que tinha de dar. Achamos que após três séculos de ênfase na análise, está na hora de começarmos a construir um modelo que também estimule a síntese. Enquanto o mecanicismo científico vê o universo como uma imensa máquina determinística, o holismo, sem negar as características "mecânicas" que se apresentam na natureza, percebe o universo mais como uma rede de inter-relações dinâmicas, orgânica.

As origens do pensamento holístico, enquanto pensamento filosófico, podem se situar ainda na Antigüidade, com os pré-socráticos, especialmente com Heráclito. Posteriormente, teremos um eco desse pensamento com os estóicos e com os néo-platônicos, especialmente com Plotino, e, modernamente, com os Românticos, especialmente com Schelling e os idealistas alemães. Com a publicação do livro Holism and Evolution, em 1921, Jan Smuts pode ser considerado o teórico fundador do movimento holístico no século XX. Mas foi com a revolução extraordinária da Física das Partículas e, principalmente com a Teoria da Relatividade de Einstein, que o termo passou a ser aplicado com uma conotação mais paradigmática dentro da transformação conceitual da ciência, junto com a sociedade, com a consciência, com a mente humana num todo.

HOLISMO E TEOLOGIA

Não resta duvida que o paradigma newtoniano-cartesiano que esta presente em nossa sociedade desde o século XVII também fragmentou não sõ a sociedade, a educação, as ciências, o ser humano, mas também a teologia, a igreja, as cuminidades de bases, as pastorais, entre outros mais inseridos no meio religioso.

Obsrvando a atual conjuntura percebe-se o quanto a teologia se especializou, se especificou, se dividiu. Sabe-se que isto ajuda a entender, a conhecer mais sobre um determinado assunto, mas sabe-se também que se perde a noção do todo, da integralidade, cuja qual esta presente em nossas vidas. Não somos só corpo, ou só espírito, somos a soma de vários elementos.Percebe-se que a igreja também sofreu essas influências, basta ver a grande quantidade de movimentos e grupos religiosos nas paróquias, nas omunidades, nas dioceses, enfim na igreja de modo geral. Este é um grande sinal de fragmentação.

Fragmentar não é o mesmo que desunir, mas temos que tomar cuidado, pois a fragmentação é o primeiro passo que faz com que se atinja a unidade. Pergunto se faz sentido se especializar em pouco e saber pouco de muito.

CONCLUSÃO

Vimos neste artigo a presença do paradigma newtoniano-cartesiano presente em nossa sociedade desde o século XVII e as suas influencias em nossas vidas, na nossa sociedad e nas relações humanas. A teologia não escapa deste paradigma, acaba sendo fortemente marcada pelo cartesianismo, ou seja, pela fragmentação e divisão.

Não resta duvida que se não houver uma ruptura, uma mudança de paradigma, de rumo o ser humano, a sociedade, a igreja, entre outros organismos e seguimentos da sociedade serão ainda mais divididos e conseqüentemente enfraquecidos, a divisão especifica, especializa, mas por outro lado separa as forças, separa o ser humano e ele é um só.

Temos a oportunidade de trocarmos de barco, de rumo, podemos embarcarmos no paradigma emergente, holístico, que pretende atender o todo, a integralidade do ser humano, da sociedade, das culturas, entre outros mais. Tudo indica que este será o novo norteador neste novo século, tudo indica que a sociedade precisa se recompor para podermos nos sustentarmos.

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Robson Stigar
Teólogo e Filósofo

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