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Papel noel Existe de verdade?

Recebi o telefonema de um avô contando que sua netinha tinha perguntado se Papai Noel existia de verdade. Disse, ainda, que ele ficara hesitante ao responder e colocou-me sua dúvida da seguinte maneira: "Tudo tem mudado tanto e tão rápido e hoje em dia as crianças são tão espertas... Devo encorajar e ajudar minha neta a escrever para o Papai Noel e vivenciar essa fantasia com ela, ou devo situá-la diante da realidade? Apesar de que o Papai Noel é tão bonito...!"

Realmente as crianças evoluíram muito e a infância hoje é diferente de há 40 ou 50 anos. Os conceitos ligados à educação se modernizaram e se adequaram aos novos tempos; no entanto, nada ainda conseguiu desmistificar o poder absolutamente maravilhoso do colo afetuoso de um avô e da figura bondosa do Papai Noel. Se os dois são bons separadamente, imaginem juntos!

Se a criança pergunta sobre a possibilidade do Papai Noel não existir no mundo real e da forma como ele é socialmente conhecido, é bem possível que ela já esteja amadurecendo para a hipótese dessa figura maravilhosa ser uma fantasia. Diante de uma pergunta como essa, temos condições de sermos verdadeiros com as crianças, sem sermos mentirosos e sem deixarmos de viver as delícias desse personagem.

Sei de respostas muito criativas e que vale a pena registrar: "Eu acho que existe sim, pois todos falam dele... porém, acho que ele existe de uma forma diferente da nossa forma de existir. Ele existe em nossos corações e em nossa imaginação." Ou ainda: "Acho que o Papai Noel existe só para alegrar as nossas vidas, assim como existem outros personagens de livrinhos de histórias..."

Fui visitar a casa do Papai Noel de uma escola e perguntei a uma criança de cerca de 4 anos se ali era realmente a casa do Papai Noel. A criança arregalou os olhos como quem não acredita que alguém possa duvidar de tudo aquilo que estava sendo visto ali e afirmou seguro: "É claro que sim. Veja os móveis antigos, as coisas dele". Continuei na investigação: "Mas onde ele está agora? Eu não o vejo!" Ele respondeu-me: "Ele está trabalhando. Se preparando para o Natal..." Vacilei e voltei a perguntar: "Mas se a casa do Papai Noel é aqui mesmo, cadê a neve? "A criança riu da minha ignorância, olhou para os amigos que estavam interessadíssimos na conversa e afirmou: "A neve fica na casa do Polo Norte. Em Curitiba não neva!" "Mas então, aqui não é a casa dele..." Continuei provocando. Ele aparentando irritação, concluiu vitorioso: "E você não tem uma casa na praia? Então... o Papai Noel tem no Polo Norte!".

Mesmo que as outras crianças presentes na conversa descrita não acreditassem em Papai Noel, a situação era muito prazerosa para ser desprezada. Todo o grupo de crianças parecia estar indignado com as minhas perguntas, afinal, as evidências da existência do Papai Noel eram muitas, segundo as próprias crianças.

Outra forma de se lidar com uma situação igual a do avô é também devolver a pergunta à criança e ver o que ela afirma. A partir da resposta da criança podemos enriquecer o momento lembrando que a figura do Papai Noel pode representar a nossa vontade de construir um mundo mais bondoso e justo. A figura do Papai Noel nos remete ao triunfo do bem.

Nossas crianças estão acostumadas a conviver com filmes e games em que, fartamente, destrói-se e mata-se sem piedade, e o vencedor é o que consegue maior destruição ou o que conquista mais. A figura do Papai Noel, além de terna, traz em si a representação do bem, do afeto, da vida em família. Para os adultos, a época do Natal é naturalmente estressante pelo seu apelo comercial, mas sempre enternece pais, professores, avós e parentes. É comum nessa época do ano vermos famílias inteiras passeando para verem corais, árvores, etc. O Natal convida as famílias a abandonarem a TV e os compromissos importantes para, simplesmente, passearem juntos. Nessa época do ano, as pessoas prometem mudanças e se olham mais. Essa figura gorda, em um mundo que valoriza o magro, parece nos convidar a revermos nossos valores e a vivermos mais fartamente em família.

O Giancarlo, de 10 anos escreveu em sua tarefa escolar: "Sei que você não existe, mas se uma pessoa tem sentimentos, ela acredita, não como criança e sim como adolescente que tem imaginação e um coração muito grande de amor e respeito".

Ao compartilhar com nossas crianças a fantasia do Velho bonzinho, que mora no Polo Norte e que tem como trabalho construir brinquedos para todas as crianças, esta se construindo com eles uma poderosa cumplicidade – a possibilidade do bem incondicional habitar as nossas vidas - mesmo que saibamos dados da realidade como por exemplo, que Papai Noel esquece sim (Como é que Papai Noel, não esquece de ninguém...) de muitas crianças mas, nesse momento mágico, ele é perfeito!

A grande possibilidade da figura do Papai Noel é a de auxiliar pais e educadores na construção da capacidade afetiva da criança.

Se Papai Noel não existe em sua vida, tente ressuscitá-lo e...

Hoh! Hoh! Hoh! .Feliz Natal para todos!

Isabel Cristina Hierro Parolin

Fonte: www.usp.br

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