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Pedagogia em Rede

Atualmente, existe uma gama considerável de conceitos contemporâneos que procuram esboçar a rapidez do processo de digitalização em nossa sociedade com impactos significativos para o campo educacional, entre os quais apresentam-se mais constantemente indagativos: Sociedade da Informação, Sociedade do Conhecimento e Sociedade Aprendente. Cada uma dessas abordagens conceituais tenta exprimir um recorte cultural distinto, um olhar interpretativo particular, e que enriquece a visão para uma nova era transformadora da sociedade humana, agora amplamente globalizada por redes digitais comunicativas e conectivas. No entanto, todas elas encerram um pressuposto comum: a capacidade contínua de readaptação por parte do ser humano, elemento este que figuraria como condicionante para atestar as evoluções paradigmáticas da sociedade sob a égide da globalização da digitalização.

As sociedades

A Sociedade da Informação corresponderia à etapa inicial do desenvolvimento de uma sociedade amplamente digitalizada em rede, pois pressupõe a aquisição de uma nova sensibilidade perceptiva para o uso proeminente das tecnologias digitais interativas, as quais acabam por reproduzir inumeráveis redes distribuídas de conhecimento digitalizado ao longo do mundo. Essa etapa de digitalização da sociedade quer caracterizar-se basicamente pelo redimensionamento do vetor espaço-tempo a partir de novos elementos que aceleram a velocidade de interação com o mundo distante, assim como também implica em uma nova postura cultural que ressalta a importância crescente para certos valores tais como: flexibilidade, confiança, empenho, e capacidade de antecipar e administrar mudanças subseqüentes. Tais valores decorrem da característica essencial do paradigma da tecnologia da informação: prover mais flexibilidade e adaptabilidade às instituições, concentrando o novo foco das atenções pedagógicas no conceito de aprendizagem.

Já a Sociedade do Conhecimento, em um sentido ainda mais evolutivo, pode ser vista como uma Sociedade da Informação Emergente, uma vez que seu grau de realização depender-se-á de investimentos de primeira grandeza provenientes tanto do Estado quanto da Iniciativa Privada, e que visam atender à geração dos seguintes ativos complementares fundamentais, necessários ao desenvolvimento de uma sociedade digitalizada como um todo, e altamente complexa: formação, com educação e aprendizagem ao longo da vida. Estes elementos querem constituir-se, portanto, em valores agregados inestimáveis para promover-se, de fato, a transição paradigmática da Sociedade da Informação para a Sociedade do Conhecimento. Nessa etapa de digitalização da sociedade, entram em cena novos instrumentais tecnológicos mais sofisticados com o objetivo de organizar bases complexas de dados e informações por meio de sistemas baseados em conhecimento. Muda-se, aqui, definitivamente, o paradigma tecnológico das redes de informações para o paradigma das redes de conhecimento distribuído, que é possível graças aos recursos tecnológicos criados a partir do emprego de conceitos provenientes da inteligência artificial e das redes neurais artificiais, os quais permitem a tomada de decisões estratégicas no âmbito de uma visão mais global de mundo, e dentro de um contexto de atividade socioeconômica crescentemente mais complexo, multifacetado e multicultural, e, sobretudo, informatizado globalmente por redes.

A Sociedade Aprendente, ou seja, hipoteticamente o próximo passo evolutivo dentro da escala de digitalização da sociedade, e sendo assim também o mais idealizado e amplamente desejoso, denota a percepção de uma transformação social ainda bem mais audaciosa e radical do que as duas etapas anteriores de digitalização tecnológica, com conseqüências em todos os níveis estruturadores da sociedade humana, pois trata de inserir definitivamente a sociedade inteira em um contexto contínuo de aprendizagem. Nessa ótica, vislumbram, indubitavelmente, a urgência de se empreender amplos esforços coletivos no sentido de constituir no âmago da sociedade humana uma imensa rede de ecologias cognitivas flexíveis na qual venha a prevalecer uma nova cultura de interfaces, ou seja, uma nova dimensão cultural permanentemente reflexiva, a qual advém da atitude de se pensar com o uso freqüente de novos recursos cognitivos, de novos artefatos tecnológicos, novos modos de compreensão do mundo, novos métodos interpretativos da natureza, bem como de novos meios de extensão e intervenção da capacidade humana.

O mundo do trabalho e formação educacional

De um modo geral, independentemente do tipo de conotação que se queira enunciar em detrimento do uso dessa ou daquela categorização conceitual, o importante é que todas elas, em amplo aspecto, ressaltam graus de articulações cada vez mais coesos entre mundo do trabalho e formação educacional, imbuindo no bojo central das discussões pedagógicas a reflexão acerca de novos valores educacionais que vêm a se tornar inquestionavelmente necessários em uma sociedade caracterizada por rápidas transformações. O fenômeno do conhecimento distribuído em rede, por exemplo, característica decorrente do processo de intensa digitalização da sociedade, acalenta também a redefinição do espaço pedagógico da escola na tentativa de articular a ele outros pontos referenciais de consciência em relação ao mundo, com o conseqüente reconhecimento de diversos estilos cognitivos.

A autonomia, a criticidade, o engajamento, a atitude ética tornam-se competências humanas chaves dentro da formação educacional que decorre de uma sociedade organizada em rede, marcada, sobretudo, por uma dinâmica complexa velozmente transformativa, reconfigurável e imprevisível. Da forte estruturação aberta denotada pelo conhecimento em rede surge também a necessidade de se flexibilizar a estrutura curricular, visando compor currículos mais abertos, que sejam tanto mais adequados à possibilidade do uso de métodos pedagógicos mais sincréticos próprios à natureza de um ambiente escolar de autogestão, quanto às contingências adaptativas do atual desenvolvimento tecnocientífico da sociedade. Nessa instância, ressalta-se a revalorização da idéia de educar como um processo inteiramente inacabado, pois a aquisição do conhecimento é vista como um processo próprio da natureza da vida humana, fruto da interação de realidades dinâmicas, imprevisíveis, mutáveis, e intensamente marcadas pela contradição. Por isso, a educação na era digital quer corresponder, indubitavelmente, também a um novo momento marcante para a renovação do pensamento educacional, ou seja, um cenário propício ao cultivo de ações entre múltiplos atores pedagógicos, caracterizada pela negociação entre os interesses de educadores, educandos e comunidade. A tônica para a prática de uma multidimensionalidade pedagógica ou ainda de uma pedagogia aberta reacende os alicerces para a busca imprescindível de uma sinergia maior entre o pensar crítico e criativo como pressupostos educativos por essência almejados para formar cidadãos socialmente aptos e responsáveis.

Paulo da Silva Quadros

Fonte: www.pr.senai.br

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