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Soletrar pode virar moda

Há quatro semanas, o programa Caldeirão do Huck, exibido nas tardes de sábados pela Rede Globo, lançou o Soletrando, uma disputa entre 27 estudantes do Ensino Fundamental, com idades entre 12 e 15 anos. Representantes de todos estados, além do Distrito Federal, eles têm como desafio soletrar palavras corretamente. O vencedor receberá uma poupança no valor de 100 mil reais para ser investida em sua Educação.

Cada um dos alunos participou de seletivas regionais no final do ano passado para chegar às eliminatórias semanais, em que três concorrentes se sentam em cabines, colocam fones nos ouvidos e seguem um esquema: dizem a palavra sorteada, fazem a soletração e depois repetem a palavra, indicando que terminaram. Um software desenvolvido especialmente para o programa determina os termos, que são divididos em três níveis: fácil, intermediário e difícil. A atração tem a parceria do Instituto Ayrton Senna e a consultoria do professor Sérgio Nogueira Duarte da Silva e do músico e escritor Tony Belloto.

Concursos como esse fazem muito sucesso nos Estados Unidos, onde soletrar é uma tarefa comum. O tema já rendeu até filme, Bee Season, lançado como Palavras de Amor por aqui. As características da língua inglesa justificam a valorização da soletração. A correlação entre a ortografia e a pronúncia é bastante irregular no que se refere às vogais.

Mas aqui no Brasil qual a importância de saber soletrar bem? "Saber escrever corretamente as palavras é confundido com saber escrever. Há uma tendência em considerar a ortografia a coisa mais relevante em questões da língua", afirma Heloisa Cerri Ramos, consultora em Língua Portuguesa, de São Paulo. Dúvidas de ortografia podem ser tiradas facilmente com um dicionário, mas redigir um texto que tenha começo, meio e fim é tarefa bem mais complexa.

O programa, no entanto, tem seus méritos. A ortografia não é mostrada como uma mera decoreba. Diversas regras são apresentadas durante a competição e estão disponíveis no site. Na quarta eliminatória, por exemplo, o estudante Gilvan, do Sergipe, teve que soletrar "amenizar". Depois de ouvir o sinônimo, "abrandar", e a definição, "tornar ameno", ele acertou. O professor Sérgio completou a rodada com uma dica: palavras terminadas com "izar" só vão são escritas com "s" se se originar de uma outra já escrita com essa letra, como analisar ou pesquisar. Se não vai resolver o mau desempenho dos estudante em Língua Portuguesa, o Soletrando não presta um desserviço. Seu objetivo é levar diversão com algum conteúdo cultural e isso ele cumpre bem.

Denise Pellegrini

Fonte: revistaescola.abril.com.br
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