O CONSELHEIRO, MAGDÁ, ANTÔNIO JOSÉ, o FISCAL, depois FRANCILLON, depois LUCRÉCIA BÓRGIA
O FISCAL (Entrando esbaforido.)
- Socorro! Socorro!...
Acudam, que eles aí vêm
A perseguir-me!...
CONSELHEIRO, MAGDÁ e ANTÔNIO JOSÉ - Eles quem?
O FISCAL -
- Se me não escondem, morro!
Ah! parece-me que, agora,
Já me perderam de vista!
Porém vinham-me na pista
Por esse Rossio fora!
ANTÔNIO JOSÉ - Mas quem? Meirinhos?
MAGDÁ- Soldados?
CONSELHEIRO - Credores?
ANTÔNIO JOSÉ -
- Ou inimigos?
Que é lá?
O FISCAL -
- Uma récua de mendigos
Famintos, esfarrapados!
CONSELHEIRO - Mendigos? que lhe queriam?
O FISCAL -
- Esmolas de dez tostões.
Violentas imprecações
Em coro me dirigiam.
Do Recreio o empresário
Teve hoje grande despesa:
Para festejar da empresa
O faustoso aniversário,
Abriu da bolsa os cordéis,
Puxou pelos belos cobres,
E mandou dar a cem pobres
Esmolinhas de mil réis.
A capital do Brasil
Não sabe os pobres que tem:
Olhem... convidamos cem,
E apresentaram-se mil!
Eu, que estava encarregado
De por co' dono a cobreira,
Tive tão grande canseira,
Que quase morro esfalfado!
Fui obrigado a fugir!
Livre do perigo me acho...
Mas se eles estão lá abaixo,
Esp'rando ver-me sair...
ANTÔNIO JOSÉ -
Diga-me... Saber preciso!
Não leve a pergunta a mal...
O que é lá você?
O FISCAL - Fiscal.
ANTÔNIO JOSÉ - E o que é que faz?
O FISCAL - Fiscalizo.
ANTÔNIO JOSÉ -
Que tem havido de bom?...
(De bom no tocante à arte)
No Recreio este ano?
O FISCAL
- À parte
A Lucrécia e a Francillon,
Que são dois grandes primores
Como os não faz toda gente,
E virão diretamente
Apresentar-se aos senhores,
Houve a Família Fantástica.
É muito boa família...
ANTÔNIO JOSÉ -
Tenho ao gênero quizília,
Que é do teatro a ginástica.
FISCAL - Houve mais o Vinte Nove.
MAGDÁ - Qual? o que anda pelas ruas?
O FISCAL -
O do tempo do Dom Fuas,
Coitado! Já não comove.
Pelo empresário mandado,
Eu fui, numa noite escura,
Tirá-lo da sepultura
Em que se achava enterrado.
ANTÔNIO JOSÉ -
- E deu no vinte o empresário
Pondo o Vinte e Nove?
O FISCAL - Nada.
CONSELHEIRO -
- Com peça desenterrada
Embirra o público vário.
O FISCAL -
- Oh, que opinião obtusa!
Conquanto em cinzas desfeito,
Foi perfeitamente aceito
O Naufrágio da Medusa.
Parecia um drama novo!
Teve o público sufrágio!
CONSELHEIRO -
Foi o único naufrágio
Que pôde agradar ao povo.
E o Guilherme?
O FISCAL - Está coa gente.
ANTÔNIO JOSÉ - Ah! Ah!
O FISCAL -
- Trouxe-nos este ator
O Prestidigitador,
Em que vai perfeitamente,
E a grande Grande Avenida,
Peça arquipiramidal,
Que, na Espanha e em Portugal,
Foi cem mil vezes ouvida.
Adeus.
Os OUTROS - Adeus.
(O Fiscal indo a sair, encontra-se com Francillon e apresenta-a. Sai.)
FRANCILLON -
- Procuro um pintalegrete,
Pra levá-lo a um gabinete
Reservado da Maison.
(Ao Conselheiro.) Meu velho, comigo vem!
CONSELHEIRO - Eu, senhora, um Conselheiro!
FRANCILLON -
Receias gastar dinheiro?
Eu pago a ceia, meu bem.
CONSELHEIRO - Por quem me toma a senhora?
FRANCILLON -
Prometo não abusar,
Vais simplesmente cear...
Pod'rás depois ir te embora.
CONSELHEIRO - Não tenho fome.
ANTÔNIO JOSÉ -
FRANCILLON -
- Ora ouve:
Desejo que meu marido,
Pela aparência iludido,
Pense que houve o que não houve.
Aquele mau me atormenta:
Com ela fui surpreendê-lo,
Que não tem tanto cabelo,
Nem cabelinho na venta!
O beijinho das esposas
Quer que sofra esse vilão
A pena de Talião!
CONSELHEIRO- A pena de tal... e coisas...
FRANCILLON -
- Porém, como eu me respeito,
E a minha virtude acato,
Não desejo ser... de fato,
Seja embora de direito.
Uma espécie de José
Do Egito procuro, amigo,
Que, estando a cear comigo,
Não passe além do café...
ANTÔNIO JOSÉ -
- É bem boa, reconheço,
A idéia que hoje lhe acode,
Mas este senhor não pode...
CONSELHEIRO - E este senhor é de gesso.
FRANCILLON - Então, permitam que eu saia. (Sai.)
CONSELHEIRO -
- Um homem minh'alma anseia,
Não para dar-lhe uma ceia,
Mas para dar-lhe uma saia.
(Entra Lucrécia Bórgia com um B. dourado na mão.)
MAGDÁ - Quem será esta gorducha?
LUCRÉCIA - Lucrécia Bórgia... Conhece?
MAGDÁ - De nome.
CONSELHEIRO (À parte.) -
- Pois me parece
Mais a Maria Cachucha!
LUCRÉCIA - Vêem este B?
(Ao Conselheiro.) Vê?
(A Antônio José.) Vê?
(A Magdá.) Vê?
ANTÔNIO JOSÉ - V ou B?
LUCRÉCIA - B?
CONSELHEIRO - B?
MAGDÁ - B?
TODOS - B?
LUCRÉCIA -
É de gloriosa memória!
'Stava o meu nome na porta
Lá no palácio pregado,
Porém veio um desalmado
E arrancou-lhe o B...
CONSELHEIRO -
- Que importa?
Mande soldá-lo de novo.
LUCRÉCIA - És tolo.
CONSELHEIRO - Tolo é você.
LUCRÉCIA -
- Vê que o meu nome sem b
Será o escárnio do povo.
ANTÔNIO JOSÉ - Não te percebo, vovó.
LUCRÉCIA -
Não vês que chamo-me Bórgia?
Tira-lhe o B.
ANTÔNIO JOSÉ - Fica órgia.
LUCRÉCIA - Tira esse acento do o!
ANTÔNIO JOSÉ - Fica orgia.
LUCRÉCIA - Orgia!
TODOS - Orgia!
ANTÔNIO JOSÉ - Calembur inconveniente!
MAGDÁ - Foi uma injúria pungente!
CONSELHEIRO - Foi grande patifaria!
MAGDÁ
- Se lhe dá na fantasia
Tirar três letras, não uma,
Não tinha graça nenhuma
Era chamá-la de gia!
ANTÔNIO JOSÉ -
- Se arrancasse o i e o a,
E, no seu lugar, pusesse
Um e, e depois um s,
Borges, ficaria, olá!
CONSELHEIRO -
- Ora, adeus! o o tirassem,
Tirassem o i e o g,
Deixassem a, r, b,
Um u, e um r, buscassem;
Onde está o o, colocassem
Um u, e um r adiante.
Quero morrer neste instante,
Se burra não a chamassem!
ANTÔNIO JOSÉ -
- Ah! mas esse peralvilho,
Troca-tintas, dizer quero,
Troca-nomes, teve, espero,
Punição!
LUCRÉCIA - Era meu filho! ...
TODOS - Seu filho!...
LUCRÉCIA -
- Salvá-lo qu'ria,
Mas meu marido, um tirano,
Sanguinário, desumano,
Não me atendeu!...
ANTÔNIO JOSÉ -
- Todavia,
Ele era o pai, e ao suplício,
Um pai o filho não manda!
LUCRÉCIA -
- Vou pôr-te de cara à banda,
Meu filho é filho ex-officio!...
ANTÔNIO JOSÉ -
- Nesse caso, desgraçada,
Vai cumprir o teu destino!
LUCRÉCIA -
Meu Gennaro! meu menino!
Quem deita cabeçada!... (Sai.)
MAGDÁ -
Pobre mulher! que funesta
Estrela!
CONSELHEIRO -
- Se aquele b
Fosse, em vez de b, um t,
Eu pregava-lho na testa.
CONSELHEIRO, MAGDÁ, ANTÔNIO JOSÉ, DONA JOANITA, o VESTUÁRIO VELHO E REMENDADO, o HOMEM DOS PAPAGAIOS
Coplas
Eis aqui Dona Joanita,
Das op'retas foi a flor;
Outra peça mais bonita
Não havia, não senhor.
Já ninguém por mim palpita,
Não inspiro mais amor...
És muito caipora!
És muito infeliz!
Isto ao ver-me agora
Toda a gente diz!
TODOS
- És muito caipora!
És muito infeliz!
Isto, no vê-la, agora
Toda a gente diz!
DONA JOANITA -
- Maltratou-me tanta gente,
Tanta gente me estragou,
Que nem sombra infelizmente
Do que fui agora sou.
Vou morrer como indigente...
Num hospício morrer vou...
És muito caipora! etc.
(Chorando e declamando.)
Dona Joanita morreu...
Pelo passado suspiro.
MAGDÁ - Coitada!
CONSELHEIRO -
- O último tiro
Foi a Nághel quem lhe deu...
DONA JUANITA - Adeus! (Sai.)
MAGDÁ - Sorte desumana!
ANTÔNIO JOSÉ - Aterradora desdita!
CONSELHEIRO -
- Já não é Dona Joanita:
É antes a mãe Joana...
(Vendo entrar o Homem dos Papagaios.)
- Amigo, quem é você?
O HOMEM DOS PAPAGAIOS
- Sou um grande vagabundo;
Vivo a enganar meio mundo
E sempre encontro com quê.
CONSELHEIRO - Donde vem?
O HOMEM DOS PAPAGAIOS
- Da Detenção.
Pra lá mandou-me um juiz.
ANTÔNIO JOSÉ - Ah! não foi pelo que eu fiz.
CONSELHEIRO - Pelo que eu fiz, também não.
MAGDÁ - E agora?
O HOMEM DOS PAPAGAIOS
- Vou dar um plano:
O Ferrari cá não vem;
Os fluminenses não têm
Teatro lírico este ano.
Vou, portanto, organizar,
Com elementos da terra,
Companhia que na berra
Inda verão que há de estar.
MAGDÁ (Contente.) - Vamos ter lírico!
CONSELHEIRO -
- Filha,
Não creias nele.
O HOMEM DOS PAPAGAIOS
- Pois creia.
Já tenho peça de estréia:
O Barbeiro de Sevilha.
ANTÔNIO JOSÉ -
- O Barbeiro? Rua! rua!..
Ó meu grandíssimo burro,
Sai, se não queres, cum murro,
Ir de catrâmbias à Lua!
(Expele o Homem dos Papagaios, que sai.)
Que atrevimento! Rossini
Posto em cena - faze idéia!
Por quem saiu da cadeia.
E...
CONSELHEIRO - Amigo, não se amofine.
O CONSELHEIRO, MAGDÁ, ANTÔNIO JOSÉ, PRIMEIRO ATOR, SEGUNDO ATOR, UMA ATRIZ CANTORA, ATORES e ATRIZES DA COMPANHIA DE ZARZUELAS
(Entram todos cantando e dançando a Zamacoeca da Zarzuela Los Sobrifios del Capitán Grant.)
PRIMEIRO ATOR - Vea usted la compania De Zarzuelas!
ANTÔNIO JOSÉ - Já vi.
ATRIZ CANTORA -
- Suceso haceme aqu
Mucho mayor que en Bahia
CONSELHEIRO- Sois mui guapos.
ATRIZ CANTORA - Como vedes
MAGDÁ- És linda!
ATRIZ CANTORA - Una sierva vuestra.
CONSELHEIRO -
- Quieremos ver una amuestra.
Del repertorio de ustedes.
ATRIZ CANTORA (Ao Primeiro Ator.) - Lo quieres, chico?
PRIMEIRO ATOR -
- Lo quiero.
Como no, mi bonitota?
ATRIZ CANTORA - Vamos darles una jota.
CONSELHEIRO - Que tenga mucho salero.
(Cantam a jota da zarzuela La Nueve de la Noche.)
ATRIZ CANTORA -
- Bien, vamos, que no pudiemos
Demoramos, mis señores.
Adiós.
CONSELHEIRO - Adiós, mis amores!
ATRIZ CANTORA - Espectáculo tenemos.
(Saem repetindo um motivo do coro.)
CONSELHEIRO -
- La espanola cantoria
Palpitar hace mi pecho!
SEGUNDO ATOR (Que vai a sair por último.)
- Yo soy el brazo derecho
De toda la compania.
CONSELHEIRO, MAGDÁ, ANTÔNIO JOSÉ
PRIMEIRO ATOR
ANTÔNIO JOSÉ -
- Bom: 'está acabada a revista
Do movimento teatral;
Eu volto ao meu pedestal...
Amigos, até à vista.
CONSELHEIRO -
Espera: o Éden-concerto
Hoje inaugurar-se vai.
Vamos vê-lo?
MAGDÁ -
- Mas por quê...
Um homem de gesso!...
ANTÔNIO JOSÉ -
- É certo;
Mas tomarei a figura
De um indivíduo qualquer.
CONSELHEIRO - Deveras? Qual há de ser?
ANTÔNIO JOSÉ - Pois procuremos... procura...
CONSELHEIRO - Uma figura de artista?
ANTÔNIO JOSÉ -
- Qualquer serve... a de um ator.
Eu tomo seja qual for...
CONSELHEIRO (Com uma idéia.)- A do Batata cambista!
ANTÔNIO JOSÉ -
Pois seja! Como num sonho
Me metamorfosearei;
O tal Batata serei
Pelo poder de que disponho.
MAGDÁ - Mais tempo aqui não percamos.
ANTÔNIO JOSÉ -
- Já que com bons modos pedem,
De súcia vamos ao Éden!
CONSELHEIRO - Vamos!
MAGDÁ - Vamos!
ANTÔNIO JOSÉ - Vamos! (Saem.)
(Mutação.)
Quadro 8
No Éden-concerto
ESPECTADORES, um INGLÊS, um ESPECTADOR, depois o HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA, e, mais tarde, o CAFÉ ORIENTE
Coro
Como é bom!
Vai sempre haver aqui gente do tom!
Muito teremos que folgar e rir!
O prazer
O seu reinado aqui vai exercer!
Não há, pois, resistir!
O INGLÊS (A um Espectador.) - Oh, yes! estar very beautiful Eden-concerta!
ESPECTADOR - Ah! mussiú, ainda não viu nada! Quando ouvir a moça gorda cantar, é que há de ficar satisfeito.
O INGLÊS - Oh, no! mim no gostar de moce gorde... gostar de moce magre... pequeninhe... Que instrumenta toca moce pequeninhe?
ESPECTADOR - Ah! é Mademoiselle Olga! Não toca instrumento algum, mussiú: canta também.
O INGLÊS - Ah! very well. Mim vai ouve e oferece uma rama bonita.
ESPECTADOR - Mussiú já foi ver a exposição permanente?
O INGLÊS - Permenenta? no! onde estar permenenta?
ESPECTADOR - Ali, naquela sala... Vai ver, que vale a pena.
O INGLÊS - Estar ali para prende gatuna?
ESPECTADOR - Qual gatuno o quê? Falo da exposição.
O INGLÊS - Ah! exposição... Yes, mim vai ver.
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA (Entrando e indo ao Espectador.) - Não sabes? Marquei duzentos e cinqüenta pontos.
ESPECTADOR - Duzentos e cinqüenta! O quê?
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA - Duzentos e cinqüenta! Na cabeça do turco!
O INGLÊS - Aoh! estar homa de pulsa!
ESPECTADOR - Quanto pagaste pela experiência?
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA - Barato. Cada dois murros, cem réis.
O INGLÊS - Aoh! mim no sabe português, mas cada dois parece estar asneira.
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA - O letreiro assim diz. Hei de consultar o Doutor Lopes. (O Café Oriente entra c dirige-se aos grupos do fundo.)
ESPECTADOR - Olha que rapariga interessante.
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA - Parece que anda a oferecer a xícara que tem na mão. Dirige-se para nós. Vamos já saber quem é.
CAFÉ ORIENTE - Meus senhores, Café Oriente! Oferecemos hoje, grátis, aos freqüentadores do Éden uma xícara do precioso grão.
O INGLÊS - Aoh! xícara de preciosa grau estar dois murras!
CAFÉ ORIENTE - Vai uma xicarinha?
Coplas
Permitam que eu lhes ofereça
Uma mostrinha de café,
Pois não há quem não apeteça
Provar daquilo que bom é.
Sem cerimônia é, pois, prová-lo,
E como é esplêndido, verão.
Mas outras noites um tostão
Pagará quem quiser tomá-lo.
Que melhor há
Ninguém dirá!
E que gostinho! Provem lá!
Quem duvidá-lo experimente
O belo Café Oriente!
Dá-nos prazer, produz conforto
Um gole só deste café.
E pode até fazer que um morto,
Salte da cova e fique em pé.
Restaura a força quebrantada;
Se dele usar um ancião,
Sentirá tal transformação...
Que eu até não lhes digo nada...
Que melhor há, etc.
- Quando quiserem, sem cerimônia... estamos ali... (Sai.)
O INGLÊS - Mim vai tomá café. Estar deliciosa rapariga. (Sai.)
OS MESMOS, um LOGRADO, depois um ASTRÓLOGO, depois um REPÓRTER, depois CONSELHEIRO, MAGDÁ e o BATATA
ESPECTADOR (Indo ao encontro do Logrado.) - Ora até que afinal! Julguei que não aparecesses! Onde estiveste metido?
O LOGRADO - Deixa-me, estou danado!
O HOMEM DOS DUZENTOS E CINQÜENTA - Por quê?
O LOGRADO - Nunca mais dou crédito a notícias dos jornais! Pego hoje numa folha, e leio que há um terremoto no Rio Comprido... Rachou uma montanha, e há uma pedra cai não cai... Uma pedra tão grande, que, se cai, derriba não sei quantas casas... os moradores estão seriamente incomodados... e, como os incomodados é que se mudam, os moradores mudam-se. Tudo isto leio... vou averiguar a data: não estamos em 1° de abril. Resolvo ir ao Rio Comprido. Passo pelo Diário de Notícias... Está um boletim no Necrotério. Aproximo-me para saber quem morreu. O boletim reza assim: "Continuam os roncos no Rio Comprido". Os roncos! não quero saber de mais nada! Tomo imediatamente o bonde. Levo o coração nas mãos. Ali pelas alturas da Rua de Itapagipe, ouço, efetivamente, um ronco. Tremo dos pés à cabeça. É um porco que levam para o Seminário. Ah! meus amigos, noutra não caio eu!