Durante o retorno da Índia, em 1501, Cabral encontrou-se com uma pequena frota portuguesa, formada por três navios que se destinavam ao Brasil, sob o comando de Gonçalo Coelho. Tratava-se da primeira expedição enviada pelo rei de Portugal para fazer o reconhecimento do território, depois de o descobrimento ser comunicado à corte por Gaspar de Lemos.
A bordo de um desses navios, encontrava-se o florentino Américo Vespúcio, que fez várias viagens ao continente americano e escreveu sobre ele, conseguindo batizá-lo com seu nome.
A partir dessa expedição, várias outras - tanto portuguesas quanto espanholas - iriam reconhecendo aos poucos o litoral brasileiro e sul-americano, durante as primeiras décadas do século 16. Freqüentemente, deixaram aqui alguns tripulantes para permanecer entre os indígenas.
Condenados ao exílio ou sobreviventes de naufrágios, esses homens constituíram um importante grupo de intermediários entre os índios e os navegadores europeus, atuando na exploração do que se transformou na principal mercadoria da terra.

Mapa da região de São Vicente, século 16
Rapidamente descoberto pelos primeiros navegantes, o pau-de-tinta ou pau-brasil era uma espécie de árvore abundante no território brasileiro, que servia como matéria-prima para o tingimento de tecidos. Apresentava particular importância para a indústria têxtil européia, que passava por um período de crescimento.
O comércio dessa mercadoria tornou-se um empreendimento lucrativo, que deu início à atividade econômica dos europeus no Brasil, bem como à efetiva ocupação da terra. Além do pau-de-tinta, papagaios e macacos também obtiveram grande valor comercial, devido aos seus aspectos exóticos e ornamentais.
Os portugueses realizavam trocas com os índios, dando-lhes principalmente ferramentas - como enxadas e machados - pelos produtos da terra. Ferramentas de metal representavam uma verdadeira revolução tecnológica para os nativos, que só conheciam os instrumentos de pedra e madeira.
O relacionamento amistoso entre o índio e o branco, baseado na troca de mercadorias ou escambo, foi fundamental para os europeus nos seus primeiros momentos no Brasil. Além de fornecer as mercadorias de valor comercial, os índios ainda garantiam a alimentação e os braços para o trabalho de abate e transporte do pau-brasil.
Em 1503, uma associação de comerciantes encabeçada por Fernão de Loronha (ou Fernando de Noronha) havia conseguido uma concessão do rei para explorar o comércio de pau-brasil. Em troca, deveria construir e manter um forte no território, pagando também impostos sobre os carregamentos de madeira.
Para se ter uma idéia do volume de negócios, a nau Bretoa, armada por Loronha em 1511, levou para a Europa 150 toneladas de pau-de-tinta, que seriam revendidas por aproximadamente 2.500 ducados, ou 70 quilos de ouro. Ao longo dos primeiros trinta anos, atraídos pelos lucros, outros empreendedores investiram em viagens com a mesma finalidade, extraindo grandes quantidades de madeira em diversos pontos do litoral, entre os atuais estados de Pernambuco e São Paulo.
Nos limites sul do território demarcado por Tordesilhas, que hoje corresponde ao litoral de Santa Catarina, o contato com os náufragos e degredados que aqui haviam se estabelecido tornou conhecida a existência de um caminho que conduzia a regiões supostamente ricas em metais preciosos, localizadas atualmente na Argentina, Paraguai e Peru.
Algumas expedições foram organizadas para atingi-las, tornando-se as primeiras a explorar o interior do território sul-americano. Não foram, porém, bem sucedidas, como no caso da expedição espanhola de Juan Dias de Solis, cujos integrantes foram massacrados pelos índios na confluência dos rios Paraná e Uruguai.
Além dos espanhóis, que disputaram o território com os portugueses por meio de expedições ou negociações diplomáticas, navegantes franceses também se tornaram uma presença constante no Brasil. Tratava-se de empreendedores particulares, com o incentivo de seu rei, Francisco 1º, que não reconhecia as disposições do tratado de Tordesilhas. Ironicamente, alegava não existir um testamento de Adão que dividisse a terra entre Portugal e Espanha.
Não se sabe exatamente quando os franceses começaram a agir no Brasil, mas há registros de sua presença na Bahia, em 1526, e em Pernambuco, em 1531. Para combater os invasores, a Coroa portuguesa enviou expedições chamadas de guarda-costas, sob o comando de Cristóvão Jacques, que esteve aqui em 1516 e 1527.
Na segunda viagem, aprisionou diversos navios franceses e mais de 200 marinheiros, mortos com extrema crueldade. Porém, as dificuldades financeiras para organizar essas expedições militares e uma fase de decadência do comércio no Oriente levaram o novo rei de Portugal, D. João 3º, a pressentir a necessidade de povoar o território para garantir a sua soberania nele.
Com essa finalidade, o fidalgo Martim Afonso de Souza, personagem destacado na Corte e membro do Conselho real, foi encarregado de seguir para o Brasil em 1531. Comandava uma frota de cinco navios, com 400 homens, e gozava de amplos poderes, entre os quais o de nomear funcionários para a administração da colônia e o de doar terras para a criação de fazendas.
A expedição derrotou franceses no litoral do Nordeste e navegou para o Sudeste do Brasil No litoral paulista, fundou a vila de São Vicente, que se tornou o primeiro núcleo de colonização portuguesa. Realizou ainda explorações fluviais para descobrir minas de prata nos confins do Paraguai e do Peru.
Fonte: educacao.uol.com.br
Pau-brasil é o nome popular da espécie Caesalpinia echinata Lam., uma Leguminosa nativa da Mata Atlântica. Seu nome em tupi é Ibira pitanga, ou "madeira vermelha". O nome popular em português deriva da cor de brasa da resina vermelha contida na sua madeira.
A árvore alcança entre 10 e 15 metros de altura. Possui tronco ereto, cinza-escuro, coberto de acúleos, especialmente nos ramos mais jovens (echinata significa "com espinhos"). As folhas são compostas bipenadas, de cor verde médio, brilhantes.
As flores nascem em racemos eretos próximo ao ápico dos ramos. Possuem 4 pétalas amarelas e uma menor vermelha, muito aromáticas; no centro encontram-se 10 estames e um pistilo com ovário súpero alongado. Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos, contendo de 1 a 5 sementes discóides, de cor marrom.
O corte do pau-brasil para a obtenção de sua mandeira e sua resina foi a primeira atividade econômica dos colonos portugueses na recém-descoberta Terra de Santa Cruz, no século XVI. A abundância desta árvore naqueles tempos conferiu à colônia o nome de Brasil.
A resina vermelha era utilizada pela indústria têxtil européia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa e conferia aos tecidos uma cor de qualidade superior. Isto, aliado ao aproveitamento da madeira vermelha na marcenaria, criou uma demanda enorme no mercado, o que forçou uma rápida e devastadora "caça" ao pau-brasil nas matas brasileiras.
Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica foi deixada de lado, embora espécimens continuassem a ser abatidos ocasionalmente para a utilização da madeira (até os dias de hoje, usada na confecção de arcos para violino e móveis finos).
O fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie do perigo de extinção. As atividades econômicas subseqüentes, como o cultivo da cana-de-açúcar e do café, além do crescimento populacional, estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea, o que restringiu drasticamente o habitat natural desta espécie.
Mas sob o comando do Imperador Dom Pedro II, vastas áreas de Mata Atlântica, principalmente no estado do Rio de Janeiro, foram recuperadas, e iniciou-se uma certa conscientização preservacionista que freou o desmatamento.
Entretanto, já se considerava o pau-brasil como uma árvore praticamente extinta.
No século XX, a sociedade brasileira descobriu o pau-brasil como um símbolo do país em perigo de extinção, e algumas iniciativas foram feitas no sentido de reproduzir a planta à partir de sementes e utilizá-la em projetos de recuperação florestal, com algum sucesso.
Atualmente, o pau-brasil tornou-se uma árvore popularmente usada como ornamental.
Se seu habitat natural será devastado por completo no futuro, não se sabe, mas a sobrevivência da espécie parece assegurada nos jardins das casas e canteiros urbanos.
Fonte: pt.wikipedia.org