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Podagem de Árvores

I - Poda

A poda, na arborização urbana, visa basicamente conferir à árvore uma forma adequada durante o seu desenvolvimento (poda de formação); eliminar ramos mortos, danificados, doentes ou praguejados (poda de limpeza); remover partes da árvore que colocam em risco a segurança das pessoas (poda de emergência); e remover partes da árvore que interferem ou causam danos incontornáveis às edificações ou aos equipamentos urbanos (poda de adequação).

A poda de formação é empregada para substituir os mecanismos naturais que inibem as brotações laterais e para conferir à árvore crescimento ereto e à copa altura que permita o livre trânsito de pedestres de veículos.

A poda de limpeza é empregada para evitar que a queda de ramos mortos coloque em risco a integridade física das pessoas e do patrimônio público e particular, bem como para impedir o emprego de agrotóxicos no meio urbano e evitar que a permanência de ramos danificados comprometa o desenvolvimento sadio das árvores.

A poda de emergência, a mais traumática para a árvore e para a vida urbana, é empregada para remover partes da árvore que colocam em risco a integridade física das pessoas ou do patrimônio público ou particular.

A poda de adequação é empregada para solucionar ou amenizar conflitos entre equipamentos urbanos e a arborização.

É motivada pela escolha inadequada da espécie, pela não realização da poda de formação, e principalmente por alterações do uso do solo, do subsolo e do espaço aéreo.

A substituição do uso residencial do solo com recuo da edificação pelo uso comercial sem recuo da edificação, assim como o alargamento do leito carroçável com redução da largura do passeio público e/ou do canteiro central, causou e tem causado conflitos entre a nova situação e a arborização pré-existente.

Conflitos semelhantes são estabelecidos com a instalação de redes aéreas e subterrâneas em áreas já arborizadas, mudando assim o uso do subsolo e do espaço aéreo.

Deste modo, a prevenção da poda de emergência somente em parte pode ser atingida com o plantio adequado.

Para maior alcance, é necessário um amplo planejamento da arborização, envolvendo a observação das normas existentes e o adequado uso do solo, do subsolo e do espaço aéreo.

II - ASPECTOS ANATÔMICOS E FISIOLÓGICOS

1. Parte aérea

1.1 - A árvore e sua forma natural

É imprescindível admitir que a arquitetura de uma árvore plantada isoladamente é diferente de quando o indivíduo arbóreo cresce em uma floresta.

Assim, é preciso conhecer previamente uma árvore saudável para definir com maior precisão a necessidade e o momento da intervenção 6 (poda), bem como as partes a serem eliminadas.

Desta forma pode-se prolongar o "Tempo de Residência" de espécies arbóreas nos vários nichos urbanos onde estão inseridas, considerando-se todos os fatores ambientais imediatos que regem o seu desenvolvimento (poluição, ação predatória, choques mecânicos, aeração do solo etc).

O padrão de desenvolvimento (arquitetura) de uma árvore é dado pela longevidade e direção do meristema apical. Este meristema, tendo crescimento indefinido em altura, origina tronco vertical reto (monopodial).

Quando este meristema tem vida limitada, desenvolvem-se meristemas laterais, originando troncos simpodiais. Por outro lado, quando os meristemas crescem para cima, verticalmente, o crescimento é dito ortotrópico.

Em espécies cujos meristemas crescem horizontalmente (obliquamente), o crescimento é chamado de plagiotrópico.

Sob esse foco, a poda deve ser executada para conduzir a parte aérea (copa) de uma árvore no sentido de ocupar o espaço disponível e apenas excepcionalmente para reduzir ou delimitar o seu volume. Assim, evita-se que a mesma seja "mutilada" por podas drásticas ou executadas com imperícia.

1.2 - Época e reação da árvore às podas

O momento da PODA será determinado pelo objetivo a ser alcançado (tipo de poda), associado à fenologia da árvore e às dimensões dos ramos que se pretende suprimir.

Pinheiro do Paraná Crescimento Monopodial, Ipê Amarelo Crescimento Simpodial, 7 As podas são executadas desde a formação até a morte da planta, quando correções se fazem necessárias para a manutenção da integridade da mesma e inserção no ambiente urbano.

Durante o ciclo de vida de uma árvore, basicamente dois sistemas de defesa são consolidados paraprotegê-la de agressões, como a poda, por exemplo.

Estes sistemas de defesa atuam na região da CASCA e na região do LENHO. a) Na região da casca, qualquer ferimento irá promover o aparecimento de uma nova periderme, chamada de PERIDERME NECROFILÁTICA.

Esta nova periderme impede que microrganismos invadam o ferimento e atinjam os tecidos mais internos da casca. Quando o ferimento é mais profundo, o lenho, próximo às lesões, sofre alterações que o tornam imune ao ataque microbiano.

Daí não ser necessário, e mesmo contra indicado, o uso de biocidas como curativos após a realização das podas. A eficiência desse mecanismo de defesa é visível após algum tempo, através da formação do "CALO CICATRICIAL".

Este "CALO" se inicia pelas extremidades da lesão, em direção ao centro da mesma, e é um indicativo seguro da qualidade de uma poda.

As reações de defesa são caracterizadas por alterações químicas no interior das células atacadas, processadas em quatro fases:

Síntese de taninos: complexos pouco solúveis que recobrem as paredes celulares, alterando a cor do lenho.

Bloqueio de vasos por resinas, látex ou gomas e tiloses.

Aumento do metabolismo das células adjacentes à lesão com maior produção de substâncias antibióticas (polifenóis).

Reação do câmbio para recobrir a lesão, com maior velocidade na multiplicação de células ricas em suberinas.

As reações acima induzem à formação de uma nova periderme, que é denominada periderme necrofilática (veja ilustração da página 8).

b) Quando o lenho é agredido por um ferimento, ou por invasão microbiana, é sinal de que a proteção dada pela periderme necrofilática foi rompida.

Neste ponto, adquire importância o mecanismo de defesa do lenho, chamado de compartimentalização do lenho. As árvores produzem tecido lenhoso e, ao longo da vida, vão subdividindo este lenho em vários compartimentos.

Desta forma, o interior de uma árvore (lenho) passa a oferecer uma maior resistência a possíveis invasões.

A interação dinâmica entre a compartimentalização do lenho e a formação da periderme necrofilática é de suma importância para se entender como uma árvore consegue sobreviver, por centena ou milhares de anos, sob condições tão adversas.

O processo de oclusão do ferimento ocorre com o metabolismo ativo, ou seja, requer a existência de células vivas. Esta é a razão pela qual deve-se realizar, se necessário, a poda de ramos o mais cedo possível.

Os ramos mais velhos apresentam as células do centro já mortas, o que pode provocar uma compartimentalização incompleta.

Do ponto de vista prático, estes fenômenos adquirem importância porque a reação ao ferimento é tanto melhor quanto menor for o dano causado aos tecidos remanescentes.

Portanto, o corte deve ser feito cuidadosamente e com instrumentos afiados.

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1.3 - Morfologia da base dos ramos, compartimentalização e oclusão dos cortes

O processo de compartimentalização das lesões ocorre tendo como base as células do COLAR.

Se este colar for lesionado, perderá sua eficiência protetora, pois os microrganismos irão penetrar pelas células adjacentes ao lenho (células lesionadas).

1.3.1 - Caracterização do colar

O colar é a região inferior da base do ramo, na sua inserção com o tronco.

Quando ele é pouco perceptível, indica franca atividade assimilatória; quando se destaca do tronco, indica um processo de rejeição do ramo,ou seja, a árvore está preparando defesas para a compartimentalização da lesão que ocorrerá.

Além do colar, é fundamental a localização e caracterização da CRISTA DA CASCA e da FOSSA BASAL.

1.3.2 - Caracterização da crista da casca

É o acumulo de casca na parte superior da base do ramo devido ao crescimento em diâmetro do ramo e do tronco. Auxilia na definição da posição do plano de corte a ser feito.

Este plano de corte deve preservar a crista e o colar, por isso sua posição é levemente inclinada em relação ao tronco.

1.3.3 - Caracterização da fossa basal

É uma depressão no tronco abaixo da base do ramo. Indica falta de fluxo de seiva em direção ao tronco, ou seja, o ramo já não contribui para o crescimento da planta, estando prestes a secar.

Neste caso, o plano de corte é paralelo e rente ao tronco, já que o colar não é mais funcional.

1.4 - Época de Poda

A época ideal de poda varia com o padrão de repouso de cada espécie. Nas espécies utilizadas na arborização urbana, podem ser reconhecidos três diferentes padrões de repouso: 11

1.4.1 - Espécies com repouso real

São espécies decíduas que entram em repouso após a perda das folhas. A melhor época para a poda é compreendida entre o início do período vegetativo e o início do florescimento.

A época em que a poda mostrase mais prejudicial à planta é compreendida entre o período de pleno florescimento e o de frutificação.

Ex.: Terminalia catappa L. (chapéu-de-sol)

1.4.2 - Espécies com repouso falso

São espécies caducifólias que não entram em repouso após a perda das folhas.

Para essas espécies, a melhor época para a poda é compreendida entre o final do florescimento e o início do período vegetativo.

A época em que a poda mostra-se mais prejudicial à planta é compreendida entre o período de repouso e o de pleno florescimento.

Nas situações em que se queira coletar frutos ou sementes, a poda pode ser postergada para o final da frutificação sem grandes prejuízos para as espécies que apresentam este padrão de repouso.

Ex.: Tabebuia spp (diferentes espécies de ipê)

1.4.3 - Espécies sem repouso aparente (ou de folhagem permanente)

São espécies perenifólias, que apresentam manifestações externas de repouso de difícil observação.

Para essas espécies, a melhor época para a poda é compreendida entre o final do florescimento e o início da frutificação.

A época em que a poda mostra-se mais prejudicial à planta é a compreendida entre o período de repouso e o início do período vegetativo.

Ex.: Hymenaea courbaril (jatobá), Fícus spp (diferentes espécie de figueiras)

Distribuição do sistema radicular no perfil do solo

2. Parte subterrânea

2.1- Desenvolvimento da raiz

A velocidade de crescimento das raízes é quase constante, dependendo das condições ambientais no solo. Inicialmente, o crescimento da raiz é em profundidade, visando alcançar camadas de solo menos sujeitas à flutuação de umidade.

Posteriormente, se desenvolvem raízes de crescimento horizontal mais próximas à superfície do solo para a absorção de nutrientes.

No mínimo 80% da biomassa de raízes está nos primeiros 20 cm de solo, incluindo-se todos os tipos de raízes.

Isto ocorre mesmo em plantas com raízes pivotantes pronunciadas. Quando a biomassa aérea aumenta, algumas raízes passam a ser fundamentais na sustentação do tronco.

Para cumprir esta função, crescem em diâmetro e de forma excêntrica devido à menor resistência do solo.

De acordo com seu diâmetro, as raízes podem ser classificadas em cinco tipos:

raízes finas: diâmetro menor que 2mm (absorção de nutrientes, vida curta, renovação constante);

raízes flexíveis: diâmetro entre 2 e 5mm (condução de água e sais solubilizados, renovação pouco freqüente);

raízes lignificadas: 5 a 10mm;

raízes grossas: 10 a 20mm;

aízes fortes: maior que 20mm.

Para o desenvolvimento e funcionalidade das raízes, três determinantes ambientais adquirem importância fundamental: água, aeração e temperatura na rizosfera.

Para a manutenção de um teor adequado para todos estes fatores, é imprescindível que o solo tenha boa velocidade de drenagem, capacidade de retenção de água, cobertura e ausência de agentes compactantes do solo.

2.2. Função da raiz

As raízes têm funções como:

Fixação (fortes basais): resiste às forças de distensão e compressão (ação de extração e choques);

Absorção de água e nutriente (raízes finas);

Reservatório de nutrientes (raízes grossas);

Ancoragem (raízes grossas e longas): resiste às forças de tensão (ação do vento).

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