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Bananeira

 

A cultura da bananeira

Surgimento e desenvolvimento da cultura da bananeira

No âmbito da política de policultura que se instaurou a partir de finais do Séc. XIX, desenvolveu-se uma nova cultura tropical mercantil, a da bananeira, que foi cultivada desde o século XVI, embora a variedade que depois foi mais espalhada pela Ilha da Madeira, conhecida por bananeira anã (Musa nana L.), só tenha sido introduzida já no século XIX. Esta é assim designada por possuir caules curtos.

Cultiva-se, ainda, a designada bananeira de prata, introduzida em finais do século XIX, cujo fruto é muito apreciado, mas a sua produção é extremamente reduzida. Segundo consta, a qualidade da Banana da Madeira, quando colhida no tempo próprio e convenientemente amadurecida, distingue-se pelo aroma e elevado teor de açúcar. A exportação de bananas só começou a desempenhar um papel importante no início do século XX. A partir dessa data a banana também começou a entrar cada vez mais na alimentação dos camponeses.

Bananeira
Bananeira

A superfície destinada à bananeira foi ganhando terreno, progressivamente, em detrimento da da cana-de-açúcar, tendo-se dedicado àquela cultura grande parte da população rural. A cultura da bananeira era a que exigia maior quantidade de água, estrume e adubo, mas era, no entanto, compensadora, já que num ano, cada pé produzia várias pencas (cachos) dadas a sua produtividade e o bom preço no produtor.

A vinha, a cana de açúcar e a bananeira podem considerar-se as culturas ricas da Ilha da Madeira (pelo menos até certa altura), conferindo à paisagem agrária das terras baixas uma fisionomia especial, na qual, as áreas da monocultura, são agora acompanhadas por áreas de culturas mistas, de plantas alimentares e forrageiras. Mas a bananeira marca o início de um novo ciclo no regime de exploração das culturas tropicais.

A partir de 1928, com a fundação no Funchal, da Companhia The Ocean Islands Fruit & Cª, Lda, houve um incentivo aos agricultores, introduzindo-se processos mais modernos (inicialmente em campos experimentais) e promovendo-se a expansão da exportação deste produto. O conhecimento mais profundo da colheita, da maturação dos frutos, da embalagem e do acondicionamento, foi um fator que valorizou o produto e incentivou a sua cultura.

A partir de 1935, o Grémio dos Exportadores de Fruta da Madeira, ficou oficialmente responsável por assegurar, em colaboração com o Grémio da Lavoura, justos e compensadores benefícios à cultura e comércio da banana, regularizar as remessas de exportação, fixar os preços mínimos de compra e fomentar a exportação para o estrangeiro. Progressivamente, com o abandono das terras e a consequente falta de braços para o trabalho agrícola e as exigências cada vez maiores dos poucos assalariados disponíveis, o cultivo da banana foi diminuindo.

Este é, no entanto, um dos frutos mais representativos na agricultura madeirense, muito presente na alimentação e característico da gastronomia madeirense, sendo atualmente servido ao natural ou cozinhado de diferentes formas, nomeadamente como acompanhamento de conhecidos pratos regionais, como é o caso do Filete de Espada com Banana.

Cultivo da banana

A bananeira é cultivada usualmente, nas superfícies altitudes inferiores a 200 metros de altitude, encontrando no litoral da costa sul condições climáticas muito favoráveis, nomeadamente áreas abrigadas dos ventos e com fracas amplitudes da temperatura e da humidade atmosféricas.

Sendo uma planta que necessita de muita água, só pode ser cultivada em terrenos irrigáveis, sendo as regas feitas normalmente de quinze em quinze dias (embora o ideal seja de oito em oito). O adubo tem um papel muito importante nesta cultura, sendo aplicado pelo menos uma vez por ano. Há que proceder também às calagens, seja aditar cal e potássio, e a amanhos frequentes, quer dizer, tarefas necessárias ao tratamento da planta durante o seu crescimento até à frutificação, nomeadamente, retirar as folhas secas que se vão acumulando, cavar a terra e chegá-la para junto do tronco, etc.&

O momento da colheita, embora deva ser efetuado na altura da maturação do fruto, está, muitas vezes, diretamente relacionado com a distância a que se encontra o mercado consumidor, a duração do transporte e as condições em que este se efetua. O transporte demorado obriga a antecipar o corte da banana, prejudicando a maturação normal e alterando, consequentemente, as principais propriedades naturais.

Fonte: www.sir-madeira.org

Bananeira

A banana é talvez a fruta mais popular em todo o mundo ocidental.

Para isso, muito contribui o fato de poder ser cozinhada ou consumida em cru, ser fácil de descascar, não ter sementes nem caroço, ter sabor e aroma muito agradáveis e ainda excepcional valor nutricional.

Curiosamente, a bananeira não é uma árvore, mas sim uma erva gigante.

O caule é um rizoma subterrâneo e a parte aérea é constituída quase exclusivamente por folhas.

As baínhas das folhas formam um pseudocaule onde está o cacho de frutos.

Todas as bananeiras hoje cultivadas são híbridos de duas espécies e reúnem-se em dois grupos, os da bananeira-pão e os da bananeira-fruta.

Uma só banana fornece 16 % da fibra que necessitamos diariamente. Fornece ainda 15 % de toda a vit. C e 11 % do total de potássio. Mas a banana não se fica por aqui. Possui ainda algum magnésio, ácido fólico e ferro.

A sua riqueza em minerais e fácil digestão leva muitos desportistas a preferi-la quando as competições se prolongam durante várias horas.

O potássio presente na banana ajuda a contração muscular, a transmissão dos impulsos nervosos e a regular o balanço hídrico.

Uma banana de tamanho médio (120 g.) contém cerca de 475 mg. de potássio. Não admira por isso, ver diversos campeões, de banana em punho, ao longo das suas provas.

Por não conter praticamente gordura e proteína, a banana torna-se a companhia ideal dos pequenos almoços. Com leite e cereais constitui uma refeição muito completa, equilibrada e extremamente fácil de preparar.

Viva pois a banana, que nos lembra ser possível misturar prazer e saúde à mesa e ainda... sol amarelo em dias de cinza.

Bananeira
Banana

Fonte: vaqueiro.pt

Bananeira

A Cultura da Bananeira

Bananeira

Clima

A bananeira é uma planta que exige calor e umidade constantes e não tolera geada.

Os locais sujeitos a baixas temperaturas e geadas devem ser evitados, pois podem ocasionar a "queima" da planta, ou dos frutos em crescimento ("chilling" ou "friagem") impedindo que o fruto atinja o seu máximo crescimento.

Chuva bem distribuída (100 - 180 mm / mês ) durante o ano, favorece o desenvolvimento da bananeira, principalmente na época da inflorescência ou no início da frutificação.

Com relação a altitude e latitude, estas quando maiores, aumentam os ciclos de produção, principalmente para os cultivares Nanica e Nanicão.

A luminosidade é importante para o desenvolvimento da bananeira, sendo desejável que receba entre 1000-2000 horas de luz / ano, pois afeta o ciclo, o tamanho do cacho, a qualidade e conservação dos frutos.

Solo

A maior porcentagem ( 70 % ) das raízes da bananeira encontram-se nos primeiros 30 cm do solo, entretanto o solo ideal deve favorecer a penetração das raízes, no mínimo, 60 a 80 cm de profundidade.

Os solos preferidos são os ricos em matéria orgânica, bem drenados, argilosos ou mistos, areno-argilosos ou franco-argilosos, que possuam boa disponibilidade de água e topografia favorável.

Cultivares

Para o mercado interno: Prata, Maçã, Nanicão, Nanica e Ouro.
Para o mercado externo:
Nanicão e Grande Naine.

Características de algumas cultivares: Grande Naine possui grande semelhança com a cultivar Nanicão, porém o porte é um pouco mais baixo. Tem sido a cultivar mais plantada no mercado externo. Possui alta capacidade de resposta em condição de alta tecnologia, porém não tem a mesma rusticidade da cultivar Nanicão.

Maçã apresenta ótima qualidade e excelente aceitação no mercador consumidor, porém com séria limitação para seu cultivo devido ao mal-do-panamá Nanica, semelhante à Nanicão , de porte mais baixo, frutos menores e mais curvos e apresenta problema de "engasgamento" no lançamento dos cachos no inverno.

Nanicão cultivar que apresenta a melhor conformação de cachos e de frutos, dominando o mercado interno e de exportação.

Prata-anã enxerto ou Prata-de-Santa-Catarina porte médio /baixo, planta vigorosa e frutos idênticos aos do cultivar Prata. É tolerante ao frio e mediamente tolerante a nematódeos.

Prata com limitação de cultivo devido ao mal-do-panamá.

Ouro da Mata ( ENCAPA 602 ) apresenta plantas vigorosas, altura de 3 a 5 m, com folhas ligeiramente arqueadas. Resistente ao mal-do-panamá. Frutos com polpa ligeiramente amarela, doce e macia com sabor semelhante ao da banana-prata.

Preparo do Solo, Calagem e Adubação

Para se usarem calcário e adubos nas quantidades certas, é preciso analisar a terra. Retire as amostras para análise, nas profundidades de 0 20 e 20 40 cm, 3 a 4 meses antes do plantio. Fazer aração e gradagem, procurando incorporar o calcário dolomítico, 60 dias antes do plantio, se necessário.

Propagação

A bananeira propaga-se por via vegetativa, por meio de mudas. As preferidas para plantio são:

a) rizoma não brotado: que pode ser inteiro ou subdividido ao meio ou em 4 partes (com peso nunca inferior a 500g cada);

b) Rizoma brotado ou inteiro:

Chifrinho: rebento recém brotado, com 20 cm de altura, com 2 a 3 meses de idade e com aproximadamente 1 kg;
Chifre rebentos:
em estádio médio de desenvolvimento, medindo de 50-60 cm de altura, pesando entre 1-2 kg;.
Chifrão:
rebento apresentado a primeira folha normal, pesando entre 2-3 kg;
Muda alta ( muda replante ):
rebento bem desenvolvido, com mais de 1 metro de altura e pesando entre 3-5 kg, utilizado como replante das falhas em bananais formadas ou em formação.

O tratamento das mudas visa controlar a broca e evitar apodrecimento após o plantio. Deve-se efetuar a limpeza do rizoma e mergulha-los em uma solução contendo fungicida e inseticida, deixando-o imerso durante 5 minutos. A seguir coloca-lo para secar á sombra. O plantio deverá ser efetuado no máximo, dentro de 2 dias após o tratamento.

Recomenda-se o uso de mudas provenientes de viveiro registrado.

Espaçamento, porte e peso do cacho

Obs.: Dimensões da cova: 40 x 40 x 40 cm

Adubação

Adubação na cova: quando não se faz analise da terra, cada cova de plantio, pode ser adubada com: 600 gramas de superfosfato simples, 3 quilos de fosfato de Araxá,. 15 a 20 litros de esterco de curral curtido, 20 g de sulfato de zinco + 10 g de bórax ( ou 60 g de FTE BR 12 ).

Recomenda-se a aplicação de fertilizantes que forneçam zinco, cobre, boro, ferro e outros micronutrientes.

As adubações em cobertura devem ser feitas a 50 cm das plantas; em terrenos inclinados faze-las em meia-lua do lado de cima; em bananal adulto distribuir os adubos em meia-lua em frente à planta-neta ou em faixa de 50 cm de largura nas entrelinhas.

Aplicar anualmente 20 litros de esterco de curral curtido por cova.

Para adubar bananeiras irrigadas, procure o técnico da EMATER-MG.

Época de Plantio

Iniciar o plantio com as primeiras chuvas ou em qualquer época com o uso de irrigação. Levar em consideração o período em que se pretende colocar o produto no mercado.

Tratos Culturais

Capinas - mantenha o bananal livre de mato. As capinas podem ser com enxadas, máquinas ou herbicidas. Não se deve gradear ou passar rotativa devido a superficialidade das raízes.

Desbaste o desbaste é uma das operações mais importantes no manejo do bananal . Devem-se deixar no máximo, 3 plantas por touceira ( mãe, filha e neta).

Use o desbrotador conhecido como lurdinha. Deixe a nova brotação, seguindo o alinhamento.

O primeiro desbaste, que irá eleger a planta mãe, deve ser realizado quando os brotos atingirem 60 cm. O desbaste deverá ser realizado periodicamente, visando manter mãe e filho, até o lançamento da inflorescência pela planta-mãe. Nesta fase escolhe-se um novo broto junto ao filho que passará a ser o "neto".

O número de desbastes varia de 3 a 5 vezes/ano.

Corte do pseudocaule ou da bananeira depois de colher o cacho, corte as folhas no alto da bananeira ( roseta ) , no ponto em que elas se separam. Corte o resto da bananeira rente ao solo 40 dias depois.

Pique a bananeira cortada e espalhe os pedaços nas entrelinhas do bananal, deixando o solo próximo (40 cm) da touceira no limpo.

Desfolha ou retirada das folhas secas retire as folhas secas logo depois de cada adubação de crescimento; cortando-as junto ao pecíolo, de baixo para cima; ajunte-as em leiras nas entrelinhas do bananal.

Corte do coração ou umbigo faça o corte do umbigo 15 dias depois que se formou a ultima penca. Quebra-se a ráquis masculina ("rabo-do-cacho") junto ao botão floral, quando houver entre ele e aúltima penca, cerca de 10 - 12 cm. Este procedimento acelera o desenvolvimento ("engordamento") das bananas, aumenta o comprimento dos últimos frutos, aumenta o peso do cacho (cerca de 5% no peso do cacho. ) e provoca a diminuição de trips e traça-da-bananeira.

Ensacamento do cacho com plástico polietileno pratica que melhora a qualidade dos frutos, protegendo-os contra atritos, ataque de pragas e de produtos utilizados no tratamento fitossanitário Irrigação  a irrigação deverá ser feita nos períodos de seca prolongada, porem, sempre verificando as condições de umidade do solo. Na cultura irrigada a produção é maior e de melhor qualidade, devendo-se executar bom manejo da irrigação.

Pragas principais

Broca-da-bananeira também conhecida como moleque-da-bananeira.

O inseto adulto é um besouro preto, de movimentos lentos e hábitos noturnos. As larvas destroem os tecidos internos dos rizomas, produzindo galerias. As folhas amarelecem, os cachos ficam pequenos e as plantas ficam sujeitas ao tombamento.

Controle: seleção das mudas, tratamento das mudas e das covas com inseticidas e o emprego de iscas de pseudocaule ou rizomas, envenenados ou não.

Nematódeos causam lesões nas raízes; por isso, as plantas ficam com o crescimento prejudicado e sujeitas ao tombamento.

Controle: plantio em áreas livres de nematódeos, rotação de culturas, utilização de mudas sadias, descorticamento do rizoma, tratamento das mudas com nematicidas, e uso de cultivares resistentes.

Doenças principais

Mal-do-panamá os sintomas começam com amarelecimento nas folhas mais velhas, que depois murcham, secam e se quebram ficando pendentes, dando á planta um aspecto de guarda-chuva fechado. Nas variedades sem resistência, como a prata e a maçã, a doença reduz bastante a produção e pode destruir todo o bananal.

Controle: uso de cultivares tolerantes, plantio de mudas sadias, implantação de viveiros com mudas isentas da doença, plantio em solos não infectados, queima dos restos de cultura, uso de ferramentas esterilizadas; uso de pedilúvio e rodolúvio no acesso à lavoura, no caso de regiões onde é comum a ocorrência desta doença.

Mal-de-sigatoka (Amarela) ou Cercosporiose - provoca desfolhamento precoce, enfraquecimento da planta, cachos com poucas pencas e frutos pequenos.

Nas folhas, aparecem manchas de cor amarela nas bordas e acinzentadas no centro. Traz também maturação precoce de frutos isolados no cacho.

Controle: pulverizações com produtos á base de óleos minerais, a cada 15 ou 21 dias nos períodos chuvosos. Fungicidas sistêmicos diluídos em óleo mineral, também são recomendados.

Mal-de-sigatoka (Negra) ainda sem presença no Estado de Minas Gerais, porém, trazendo já preocupações aos bananicultores.

Nota: Procure um técnico para informar-se melhor sobre os cuidados de uso dos produtos químicos.

Colheita

As bananas são colhidas o ano todo. Se as distancias são longas, e os dias, quentes, colhe-se a fruta mais atrasada em seu desenvolvimento.

Para as distancias curtas e dias frios, as bananas podem ser colhidas com grau de maturação mais avançado.

Comercialização

As caixas comumente utilizadas são a do tipo torito ( to ), com peso médio de 18 kg e a caixa mineira ( mi ) com 20 kg; produtores mais tecnificados já estão usando também caixa de plástico e de papelão, com peso definido do conteúdo.

O período de grande oferta do produto nas CEASAs é de setembro a dezembro e de oferta fraca ou ausência e escassez é de janeiro a junho.

Fonte: www.emater.mg.gov.br

Bananeira

A bananeira é uma planta herbácea com folhas muito grandes e chamativas, cujo verdadeiro caule é um bolbo com capacidade de recrescimento todos os anos.

A inflorescência dá lugar aos ‘cachos’, compostas por ‘dedos’ que são os frutos, geralmente de cor amarela.

A banana pertence à família Musáceas e género Musa. Esta família é pouco numerosa nos trópicos e subtrópicos, uma vez que está apenas representada por 6 géneros e 220 espécies, das quais umas 50 ou 60 pertencem ao género Musa. Este divide-se por sua vez em dois sub-géneros, o Australimusa que aparece na zona do Pacífico e não tem importância comercial e o Eumuds que é oriundo da Ásia; a este sub-género pertencem as bananas padrão, a variedade de bananas mais importante.

O género Musa divide-se em cinco seções, em que a seção Eumusa comprende duas espécies, Musa acuminata Colla e Musa balbisiana Colla, que origina todas as bananas partenocárpicas. Este género compreende espécies que têm semente, assim como uma quantidade importante de cultivares com frutos partenocárpicos.

A bananeira é uma planta herbácea ‘perene’, uma vez que após a frutificação as partes aéreas morrem, mas são substituídas por novos rebentos que crescem desde a sua base. Os tipos mais altos da série Cavendish podem chegar a atingir quase 8m de altura, apesar do normal ser entre 3 e 6m.

O verdadeiro caule da árvore é um órgão subterrâneo que só sobressai do solo na época de floração, a que se pode chamar bolbo ou cormo,e também se conhece como cabeça ou cepa. Por vezes tem caracteres de rizoma e bolbo. É um importante órgão de armazenamento, formado por um cilindro central rodeado de um cortex protector do qual emergem as raízes, as flores e os rebentos ou filhos que continuarão a vida da planta. A raiz é superficial, embora nas Canárias, por exemplo, possam ser mais profundas, chegando até 1m.

Bananeira

As folhas são muito grandes, de 2 a 4m de comprido e até meio metro de largura, com um pecíolo de 1m ou mais de comprimento e o limbo é elíptico, alongado, ligeiramente aderente ao pecíolo, um pouco ondulado e glabro. Da coroa de folhas sai, durante a floração, um escapo pubescente de 5 a 6cm de diâmetro, terminando num rácimo pendente de 1-2m de comprimento. Este tem cerca de vinte brácteas ovais, alongadas, agudas, de cor vermelha púrpura, cobertas de um pó branco farinhoso; das axilas destas brácteas nascem por sua vez as flores.

A inflorescência é bastante complexa. Ao longo do eixo, as brácteas (vermelhas no subgrupo Cavendish) dispõem-se em hélice, algo semelhante ao sistema foliar.

Cada bráctea cobre um grupo de flores desprovidas de bráctea individual e situadas em duas filas pareadas.

As flores são hermafroditas, mas só as que se podem ver através da prega dupla das brácteas, são de dominância feminina, é que darão origem ao ‘cacho’ que contém de 3 a 20 frutos, conhecidos pelo nome bananas ou ‘dedos’.

O fruto é oblongo, da forma de um pepino triangular, no início verde e amarelo na maturação, embora possa variar a cor segundo a cultivar; quando começa a enegrecer-se cai da árvore, pelo que se colhe antes que esteja maduro.

Fonte: www.fotosantesedepois.com

Bananeira

PRINCIPAIS PRAGAS DA BANANEIRA E MÉTODOS DE CONTROLE

Bananeiras são plantas monocotiledôneas herbáceas de crescimento vigoroso. A maioria das cultivares e híbridos de bananeira pertencem à Musa acuminata e Musa balbisiana.

As cultivares de banana variam grandemente em termos de aspecto da planta e do fruto e também em relação à resistência à doenças e pragas (CRANE & BALERDI, 1998). Em nível mundial, as doenças são consideradas de maior importância econômica para a bananicultura, seguida de nematóides e posteriormente por insetos e ácaros (GOLD et al., 2002).

Broca da bananeira

Cosmopolites sordidus Germar, 1824 (Coleoptera: Curculionidae) A broca-da-bananeira, denominada de Calandra sordida por Germar em 1824, foi enquadrada como Cosmopolites sordidus em 1885. Amplamente distribuída nas regiões produtoras de banana do mundo, sua incidência está mais concentrada entre o trópico de Câncer e o paralelo 38º (SUPLICY FILHO& SAMPAIO, 1982). No Brasil, essa praga foi observada no Rio de Janeiro em 1915 (LIMA, 1956) e está disseminada em todos os estados brasileiros (SILVA et al., 1968).

O adulto é um besouro pardo-escuro, quase preto, com tromba, medindo 11 x 4 mm; apresenta élitros estriados e o corpo com pequenos pontos. Tem hábito noturno e durante o dia se abriga próximo ao solo, junto à bainha das folhas, rizoma ou restos vegetais. A longevidade varia de alguns meses até dois anos. Possui hábitos noturnos e permanece escondido durante o dia entre as bainhas das folhas e restos vegetais.

As fêmeas, através das mandíbulas, abrem cavidades no rizoma ou na parte basal do pseudocaule, colocando isoladamente entre 10 e 50 ovos, podendo chegar a 100 (Simmonds, 1966). O período de incubação é variável, ocorrendo com maior freqüência entre 5 e 8 dias.

As larvas são ápodas enrugadas, com cabeça marrom-avermelhada e o resto do corpo esbranquiçado; medem 12 x 5mm e possuem abdome intumescido e curvado com extremidade anterior do corpo afilada (larva curculioniforme). O período larval oscila geralmente entre 12 22 dias (SUPLICY FILHO & SAMPAIO, 1982; GALLO et al., 2002), podendo chegar a 120 dias.

Segundo MESQUITA & ALVES (1983) esta amplitude é influenciada pelas condições climáticas e espécies/cultivares hospedeiras.

O pupamento ocorre em galerias próximas à superfície externa do rizoma.

A pupa é de coloração branca e livre, medindo 12 x 6 mm. Decorrida aproximadamente uma semana, emerge o adulto. O ciclo evolutivo completo oscila entre 27 a 40 dias (GALLO et al., 2002).

A broca-da-bananeira causa prejuízos diretos no bananal, através de galerias que realiza no rizoma e na base do pseudocaule. Em altas populações isto causa um declínio nas plantas e diminuição da produção, perda de peso dos cachos, seca de folhas, podendo chegar a morte.

Indiretamente propicia maior susceptibilidade do bananal à ação dos ventos e ainda colabora para a incidência de agentes patogênicos (SUPLICY FILHO & SAMPAIO, 1982; GALLO et al., 2002). No Vale do Ribeira, o pico populacional ocorre geralmente em abril/maio e com menor intensidade em setembro.

As variedades Nanica e Nanicão são as mais resistentes ao ataque de C. sordidus.

Como medidas de controle, devem ser observados os seguintes cuidados:

Na implantação: Mudas isentas da praga ou limpeza de mudas através e facão - Mergulhio de mudas em solução de carbofuran 350 SC, na base de 0,4% de produto comercial, durante cinco minutos.

Bananal em condução

Limpeza e desbaste

Para o monitoramento, mensalmente, devem ser preparadas de 20 a 30 iscas por hectare. As iscas empregadas podem ser do tipo telha ou queijo.

A isca tipo telha consta de pedaços de pseudocaule de 50 cm, cortados ao meio longitudinalmente, sendo colocada a parte cortada voltada para o solo e próxima à touceira. A isca queijo é preparada através da seção transversal do pseudocaule, na base, de onde retira-se uma fatia de 5 a 10 cm de altura; em seguida o pedaço é recolocado sobre o pseudocaule original que se manteve junto à touceira. Para ambas as iscas, o pico de atratividade vai até os 15 dias.

No período de excesso de chuva e altas temperaturas a vida útil da isca é menor. Estabelecer um nível de controle de 5 adultos/isca/mês.

Outra opção para o monitoramento é o emprego de armadilha tipo alçapão (4 armadilhas/ha), contendo o feromônio de agregação denominado cosmolure. O feromônio deverá ser substituído a cada 30 dias.

Para captura massal da broca-da-bananeira deve-se empregar 100 iscas por hectare. Ainda nessas iscas pode-se utilizar inseticidas biológico ou químico.

A eficiência de inseticidas químicos aplicadas em iscas do tipo telha e queijo foi comprovada por RAGA & OLIVEIRA (1996). A aplicação com a lurdinha modificada deve ser feita após a colheita do cacho. O controle biológico é alcançado com a utilização de fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana, desenvolvido pelo Instituto Biológico.

Tripes da banana

Palleucothrips musae Hood, 1956 (Thysanoptera: Thripidae) P. musae é a mais importante espécie de tripes, dentre outras que atacam a bananeira, sendo listada como praga quarentenária pela Argentina. Essa espécie de tripes tem tamanho reduzido, asas franjadas e vive nas inflorescências, entre as brácteas do coração e os frutos. Os ovos são colocados sob a cutícula da planta e recobertos por uma secreção que se torna escura. As formas jovens têm movimentos lentos e são de coloração amarela clara. Os adultos são de coloração escura (GALLO et al., 2002).

Os prejuízos são causados pela alimentação de ninfas e adultos, causando manchas avermelhadas nos frutos, com superfície áspera e rachaduras. Este aspecto deprecia os frutos e os inutiliza para a exportação (SUPLICY FILHO& SAMPAIO, 1982).

Pode-se diminuir a infestação de tripes através da eliminação do coração, após formação do cacho. Associada à esta prática cultural, deve-se proceder o ensacamento e a pulverização dos frutos com inseticidas químicos.

Traça da banana

Opogona sacchari (Bojer, 1856) (Lepidoptera, Lyonetiidae)

A traça-da-banana é conhecida em várias regiões úmidas das regiões tropicais e subtropicais. Relatadas anteriormente em ilhas do Oceano Índico e ilhas próximas ao continente africano, foi constatada na década de 70 na Europa e América do Sul. Já foi relatada a sua ocorrência nas Ilha Maurício, Ilhas Canárias, Madagascar, Itália, Bélgica, Holanda, Grã Bretanha, Peru, Barbados e estados Unidos (GOLD et al., 2002), Grécia e Portugal. No Brasil, foi constatada em julho de 1973, no município de Guarujá, sendo que em 1974, levantamentos acusavam a sua presença no litoral sul de São Paulo e Vale do Ribeira (CINTRA, 1975). A incidência dessa praga em partidas de banana restringe a sua exportação para a Argentina.

O. sacchari é altamente polífaga e ataca pelo menos 42 espécies de plantas em todo o mundo, incluindo várias espécies de Musa (DAVIS & PEÑA, 1990;

GOLD et al. 2002). BERGMANNet al. (1993) constataram pela primeira vez o ataque de O. sacchari em plantas ornamentais no Brasil, infestando dracenas (Dracena fragans) no município de Juquiá (SP).

Os ovos da traça-da-banana são diminutos e depositados individualmente em inflorescências frescas e frutos jovens, sendo nestes, de preferência na região estilar. Pode ocorrer a infestação de duas ou três por fruto. À 25ºC, o estágio de ovo dura 7 dias; período larval de 24 dias; período pupal de 11 dias; longevidade dos machos 11 dias e das fêmeas, 12 dias; fecundidade média de 91 ovos (BERGMANN et al., 1995).

A larva tem sete instares, com duração total de 50-90 dias. O estágio pupal dura 21 dias. A sua presença é indicada pelo acúmulo de excrementos nas brácteas e no engaço e frutos com maturação antecipada (CINTRA, 1975; GOLD et al. 2002; MOREIRA, 1979).

A traça-da-banana também pode se criar no engaço e no pseudocaule, onde é comum o pupamento.

Segundo resultados de POTENZA et al. (2000), os inseticidas malatiom, carbaril, diazinom, clorpirifós, acefato, diclorvós e triclorfom apresentaram altos níveis de mortalidade de lagartas de O. sacchari alimentadas com superfícies, em laboratório.

Referências Bibliográficas

BERGMANN, E.C., IMENES, S.D.L., CECCARELLO, V.A. Ocorrência da traça Opogona sacchari (Bojer, 1856) em cultura de dracena. Arq.Inst.Biol. v. 61, n. 1/ 2, p. 60-62, 1993.
BERGMANN, E.C., ROMANHOLI, R.C., POTENZA, M.R., IMENES, S.D.L.,
ZORZENON, F.J., RODRIGUES NETTO, S.M. Aspectos biológicos e comportamentais de Opogona sacchari (Bojer, 1856) (Lepidoptera: Tineidae), em condições de laboratório. Rev. Agric. v. 70, n. 1, p. 41-52, 1995.
CINTRA, A.F. Opogona sp. nova praga da bananicultura em São Paulo. Biológico. v. 41, n. 8, p. 223-231, 1975.
CRANE, J.H., BALERDI, C.F. The banana in Florida. Gainesville: IFAS/Universidade da Florida, Documento Técnico HS 10, 1998.8p.
DAVIS, R.D., PEÑA, J. Biology and morphology of the banana moth, Opogona sacchari (Bojer), and its introduction ito Florida ( Lepidoptera: Tineidae). Proc.Entomol.Soc.Wash. v. 92, n. 4, p. 593-618, 1990.
GALLO, D., NAKANO, O., SILVEIRA NETO, S., CARVALHO, R.P.L., BAPTISTA, G.C., BERTI FILHO, E., PARRA, J.R.P., ZUCCHI, R.A., ALVES, S.B., VENDRAMIM, J.D., MARCHINI, L.C., LOPES, J.R.S., OMOTO, C. Entomologia Agrícola. Piracicaba: Fealq, 2002. 920p.
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Fonte: www.biologico.sp.gov.br

Bananeira

PROPAGAÇÃO DA BANANEIRA

A bananeira é propagada sexuada e assexuadamente.

A propagação sexuada é limitada apenas a trabalhos de melhoramento.

As bananeiras de frutos comestíveis geralmente não possuem sementes e são propagadas assexuadamente através do rizoma que contém gemas, das quais se originam as mudas.

TIPOS DE MUDAS

A bananeira produz geralmente os seguintes tipos de mudas:

a) Chifrinho
b)
Chifre
c)
Chifrão
d)
Guarda-chuva
e)
Muda adulta ou alta
f)
Pedaços de rizoma

Chifrinho: é a muda que tem de 0,20 a 0,30m de altura, com 2 a 3 meses de idade.

Chifre: muda com altura de 0,50 a 0,60m apresentando folhas lanceoladas.

Chifrão: muda com idade de 7 a 9 meses apresentando a primeira folha normal.

Guarda-chuva: muda nova com folhas largas e pouca diferença entre o diâmetro da base e da roseta foliar. Este tipo de muda não é recomendado para plantio.

Muda adulta ou alta: muda com idade de 10 a 12 meses. É utilizada em replantio.

Pedaços de rizoma: muda obtida através de fragmentação do rizoma, devendo cada fragmento apresentar uma ou mais gemas.

SELEÇÃO DAS MUDAS

Na seleção do material de plantio deve-se ter o cuidado de obter a maior quantidade de mudas da mesma origem, a fim de evitar as variações clonais (14, 15).

Além disso, deve-se escolher bananais em bom estado fitossanitário, com plantas vgorosas e produtivas. Deve-se, portanto, evitar colher mudas de plantas que apresentem sistema radicular e rizoma deformados, necroses, galerias de brocas, ou qualquer outra anormalidade (4, 6, 7, 8, 11, 13).

PREPARO DAS MUDAS

Após o arranquio, as mudas são submetidas a uma limpeza, que consiste na retirada da terra aderida, eliminação das raizes e descorticamento para a remoção de ovos e larvas de broca e de nematóides (6, 8, 11). As mudas neste momento devem ser selecionadas por tamanho, em lotes cujo peso seja uniforme, objetivando-se uma mesma época de colheita. No caso da muda de pedaço de rizoma após a toalete é feito o retalhamento radial do rizoma em pedaços em torno de 1kg.

A seguir, é procedido o tratamento fitossanitário que consiste em mergulhar as mudas em uma solução de Aldrin 40 PM em água na concentração de 0,15 a 0,2%, por um período de 5 a 10 minutos. Um volume de 100 litros de solução é o suficiente para tratar aproximadamente 500 mudas (1, 6, 8, 11, 14, 15).

As mudas do tipo filhote (chifrinho, chifre e chifrão) devem ser plantadas no mesmo dia em que forem preparadas. No entanto, se isto não acontecer, elas deverão ser conservadas na posição vertical para que a brotação da gema apical não se interrompa, provocando a brotação das gemas laterais, o que não é recomendável (9, 14).

No caso das mudas do tipo pedaço de rizoma, que geralmente são utilizadas em grandes áreas de plantio e na escassez de material de propagação, estas devem ser transportadas para o local definitivo, onde serão submetidas à ceva (1, 7, 9, 14). Segundo Moreira (9), a ceva é uma operação pela qual se dá condições para iniciar o desenvolvimento do sistema radicular, como também acelerar o intumescimento das gemas laterais.

Ela consiste em colocar os pedaços de rizoma, um ao lado do outro, de maneira semelhante à que se encontra na planta-mãe, em canteiros de comprimento variável e largura de até 1,20m.

Os canteiros são feitos diretamente no solo, tendo-se o cuidado de evitar locais que inundem, a fim de não haver encharcamento das mudas. Em seguida, as mudas são regadas com uma solução inseticida de Aldrin 40 PM, cobertas com plástico para evitar sua desidratação e sobre este plástico coloca-se uma camada de folhas para evitar a incidênda direta de raios solares nas mudas.

A partir do 21° dia, as mudas serão inspecionadas semanalmente, e as que apresentarem gemas intumecidas e raízes com 2 a 4cm, serão levadas para o local definitivo (1, 7, 9).

MUDAS DE VIVEIRO

Quando não se dispõe de quantidades suficientes de mudas para o plantio pode-se recorrer à técnica de produção de mudas em viveiro (9, 12). Esta técnica, segundo Moreira (9), consiste em arrancar um grande número de rizomas de plantas selecionadas, fragmentá-las em pedaços de 200 a 300g. No caso dos rizomas de plantas que já produziram cacho ou sofreram a diferenciação floral, os rizomas são muito grandes, necessitando serem retalhados radial e horizontalmente, porém obedecendo aos pesos indicados.

De um rizoma de uma planta adulta, pode-se obter de 6 a 10 mudas e de uma touceira (mãe e filhos) que não produziu e não sofreu desbaste pode-se obter de 30 a 35 mudas para utilização no viveiro.

Logo após a preparação das mudas, estas deverão receber o mesmo trato fitossanitáno referido anteriormente e em seguida submetidas à ceva, de onde sairão para o plantio no viveiro.

De preferência o local onde será instalado o viveiro, não deverá ter sido anteriormente cultivado com bananeiras, pelo menos por um período de três anos.

Previamente, esta área deverá ser preparada (aração e gradagem).

O sistema de plantio pode ser feito de 2 maneiras: em sulcos de 0,20m de profundidade e em covas com 0,30m x 0,30m x 0,20m. Para ambos o espaçamento adotado será de 1,0m x 1,0m, com uma densidade de 10.000 mudas por hectare. No plantio as mudas deverão ser cobertas com uma camada de terra solta de aproximadamente 5cm, a fim de facilitar a saída e abertura das primeiras folhas, bem como evitar o apodrecimento devido ao excesso de água.

Porém, quando as mudas brotarem, chega-se mais terra junto delas.

Recomenda-se utilizar 3 litros de esterco de curral bem curtido em cada cova ou em cada metro de sulco, antes do plantio.

Caso ocorra estiagem, deve-se proceder a irrigação das mudas.

Quando as plantas atingirem uma altura de 0,40 a 0,50m, procede-se a eliminação das folhas secas e aplica-se em cobertura, 30g de sulfato de amônio por planta, repetindo-se esta adubaçâo em intervalos de 30 dias.

Decorridos 6 meses do plantio, deve-se proceder novamente o retalhamento dos rizomas formados, seguindo-se as mesmas técnicas citadas anteriormente, onde cada planta poderá fornecer de 8 a 10 mudas, podendo-se obter assim 100 mudas no prazo de 15 meses, com peso de 400g. Por outro lado, havendo necessidade de se utilizar muda alta, em vez do retalhamento, corta-se o pseudocaule ao nível do solo e elimina-se a gema apical, a fim de forçar o desenvolvimento dos filhotes.

PRODUÇÃO RÁPIDA DE MUDAS DE BANANEIRA

Algumas técnicas de propagação rápida têm sido alvo de estudo pela pesquisa, com boas perspectivas para o seu aproveitamento em escala comercial.

A técnica proposta por Ascenso (2), consiste em plantar rizomas inclinados, com 3kg e pelo menos 2 gemas brotadas, em covas espaçadas de 2,0m x 1,5m e cobertas com 0,25 a 0,30m de terra.

Nessa ocasião, é procedida uma adubaçâo com 720g de sulfato de amônio em 4 aplicações. Em seguida, à medida que forem nascendo os filhotes e que atingirem de 0,15 a 0,20m de altura, estes serão arrancados e plantados em viveiro no espaçamento de 1,5m x 1,5m, onde serão aplicados 400g de sulfato de amônio parcelados em 8 vezes por ano. Com esta técnica se obtém em 9 meses de 9 a 30 filhotes.

Uma outra técnica conhecida é a Barker (3) que consiste no rasgamento progressivo das bainhas foliares da planta-mâe a partir do momento em que os filhotes se apresentam com uma altura de 0,60 a 0,90m. Neste estágio, retiram-se todos os filhotes cujos rizomas já tenham atingido aproximadamente 750g.

A seguir, junta-se terra à planta e 7 dias após a remoção das mudas, inicia-se o rasgamento das 3 bainhas mais velhas da seguinte maneira: a bainha da folha é liberada do pseudocaule e cortada a uma altura de 1,20m do solo; em seguida, dá-se cortes longitudinais até o ponto de inserção da folha, e a mesma é arrancada por torções.

A seguir, amontoa-se terra e deixa-se desenvolver as gemas. A partir desta fase, o rasgamento das bainhas e a remoção das mudas serão feitos simultaneamente a cada 15 dias de intervalo. Com esta técnica o autor conseguiu obter 20,6 mudas no período de 6 meses.

Lima (5), em trabalho desenvolvido no Brasil, testando algumas técnicas de multiplicação rápida, comprovou a eficiência do método de Barker descrito anteriormente, mas, devido a aspectos econômicos e práticos, considera a obtenção de mudas a partir de plantas intactas mais conveniente, apesar do menor número de mudas produzidas.

Augusto T. Cavalcante

Uided M. T. Cavalcante

REFERÊNCIAS

ALVES, E.J.; ZEM, A.C.; LUCCHINI, F.; PEREIRA, L.V.; OLIVEIRA, S.L.; CINTRA, F.L.D. Instruções práticas para o cultivo da banana. Cruz das Almas: EMBRAPA/CNPMF, 1980. 44p. (Circular técnica, 6).
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CHAMPION, J. El plátano. Barcelona: Ed. Blume, 1968. 247p.
LIMA, V. de P.M.S. Processos para acelerar a multiplicação da bananeira (Cultivar "Nanicão"). Piracicaba: ESALQ, 1971. 36p. (Tese Mestrado).
MANICA, I. Cultura da bananeira. Viçosa: UFV, 1971. 18p. (Série técnica - Boletim 29).
MARCIANI - BENDEZU, J. Implantação da cultura da bananeira. Inf. Agrop., Belo Horizonte, 6(63):21-23, 1980.
MEDINA, J.C.; BLEINROTH, E.W.; DE MARTIN, Z.J.; TRAVAGLINI, D.A.; OKADA, M.; QUAST, D.G.; HASHIZUME, T.; RENESTO, O.V.; MORETTI, V.A. Banana: da cultura ao processamento e comercialização. Campinas: ITAL. 1978. 197p (Série frutas tropicais, 3).
MOREIRA, R.S. Curso de bananicultura. São Gonçalo: BNB/DNOCS, 1975. 95p.
PENELLA, J.S. El plátano y el cambur. Caracas: MAC/IAN/BAP/CBR, S.d. 39p. (Série de cultivos, 8).
SIMÃO, S. Manual de fruticultura. São Paulo: Ceres, 1972. 530p. SIMMONDS, N.W. Bananas. London: Longmans, 1959. 466p.
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SISTEMA de produção para a cultura da banana. Paraíba. São Gonçalo, PB, EMBRAPA/EMATER/DEMA/SUDENE/DNOCS, 1976. 27p. (Circular, 19).
WARDLAW, C.W. Banana diseases; including plantains and abaca. 2. ed. London: Longman, 1972. 878p.

Fonte: www.abrates.org.br

Bananeira

NUTRIÇÃO DA BANANEIRA

Nitrogênio

As necessidades de N para a bananeira são contínuas durante a maior parte de seu ciclo, com um máximo durante o período de crescimento vegetativo. O N é um elemento bastante relacionado com o crescimento da planta e produção de matéria vegetal.

Nos primeiros dois meses de vida da planta, o consumo deste elemento é relativamente baixo, logo a absorção se acelera devido às necessidades da planta e o consumo aumenta rapidamente para sofrer diminuição cerca de dois meses antes da floração.

Nesta etapa a planta muda seu ritmo de produção de folhas e ao invés de uma folha a cada 4 ou 5 dias no período de grande crescimento, passa a produzir uma folha por semana. Mas o consumo de N prossegue até a sexta semana depois da floração e às vezes até mais além.

As folhas sempre têm maior conteúdo de N na fase vegetativa e na floração. O pseudocaule e rizoma são os órgãos armazenadores deste elemento, porém na fase de produção ou frutificação, os frutos contêm mais N que o pseudocaule e rizoma.

Dificiência de N

As deficiências de N produzem redução no tamanho da folha, cloroses, pecíolos curtos e finos, plantas com pouco crescimento. A roseta foliar estrangula, dificultando a passagem do cacho, sintoma semelhante também aparece quando há falta de água no solo (engasgamento e redução na brotação dos rebentos).

Excesso de N

O excesso de N provoca a redução de resistência do pseudocaule, que cresce muito rapidamente. O crescimento externo do pseudocaule é bastante intenso fazendo com que as bainhas mais externas se soltem completamente, sem nenhuma clorose, pois a folha mantém-se completamente verde. Os cachos ficam com as pencas bem separadas e a fruta intensamente colorida de verde; perde resistência ao transporte, sendo facilmente danificada pelo atrito.

Fósforo

O comportamento do fósforo com respeito à absorção é semelhante ao elemento N. A planta absorve P nos primeiros meses de vida, cessando a absorção no período de floração. Porém, outros autores verificaram que mesmo após a floração as plantas prosseguem a absorção de P, concluindo que nenhum órgão contribuiu com o elemento P para o desenvolvimento da fruta, pois o nutriente veio diretamente do solo, já que o pseudocaule aumentou seu conteúdo em quase a metade.

Deficiência de P

As deficiências de fósforo não são fáceis de determinar no campo, e as descrições que seguidamente são feitas, referem-se às plantas cultivadas em soluções nutritivas.

Potássio

O potássio é o cátion mais abundante e de maior mobilidade nas plantas e sua translocação interna é dirigida fortemente aos pontos de crescimento.

As plantas de banana absorve pouco K durante os dois primeiros meses; logo suas necessidades aumentam rapidamente em fortes proporções 4 a 5 meses depois, e as quantidades absorvidas aumentam 20 vezes. De maneira geral, a absorção parece diminuir muito depois da floração, e o rácimo se desenvolve as expensas do K acumulado nos órgãos vegetativos.

No início do desenvolvimento da planta o pseudocaule parece ser o maior depositário de K, seguido pelas folhas e rizomas.

Na floração os órgãos mais concentrados em K são o pseudocaule, folhas, rizomas e ráquis. Na fase de colheita os frutos têm a maior quantidade de K.

Depois da floração observa-se queda nos conteúdos de K nos órgãos, o que indica, que estes suprem o desenvolvimento dos frutos, embora ocorra absorções susbstânciais deste elemento no período pós-floração.

Deficiência de K

A deficiência de K é relativamente fácil de se detectar à nível de campo.

Os principais sintomas são:

Redução drástica no crescimento das plantas '"
Redução no número de folhas por planta e maior intervalo de emissão
As folhas mais velhas morrem rapidamente. As, folhas mais velhas se tornam alaranjadas nas pontas até a base, que em geral é acompanhada por uma queimadura marginal que se estende por toda a folha e seca.
A emissão do rácimo floral é atrasada de 6 a 10 semanas.
Os rácimos são curtos e de aspecto raquítico.

Cálcio

As concentrações de cálcio geralmente aumentam com a idade da planta em especial até o final do ciclo vegetativo. O cálcio fornecido aos frutos são obtidos diretamente do solo, igualmente o fósforo.

As necessidades de Ca de um solo para o cultivo de bananeiras, não tem relação com o consumo efetivo deste elemento pela planta, e sim devido aos antagonismos recíprocos entre este elemento o K e o Mg.

Deficiências de Ca

O cálcio é um elemento imóvel na planta e devido a isto os sintomas de deficiência apresentam-se nas folhas mais novas.

A deficiência de cálcio pode ser observada nas folhas desde quando acabam de se desenrolar, devido ao espessamento das nervuras secundárias em toda a sua extensão, as quais se tomam ásperas ao tato. Os sintomas são mais intensos perto da nervura central do que nas bordas da planta. Essa modificação deixa folha ondulada e, nas pontas mais acentuadas surgem manchas pardo-avermelhadas.

Magnésio

A absorção de Magnésio pela bananeira é similar à absorção de Ca.

O Magnésio é importante porque intervém na qualidade e propriedades de conservação da fruta e participa nas relações de interação com outros elementos: K e Ca.

Deficiência de Mg

As plantas com carência a Mg mostram diminuição no crescimento, e as folhas mais velhas perdem a cor e desenvolvem halos' amarelados de forma alargada.

As margens são pouco afetadas.

Enxofre

O enxofre é absorvido pela planta desde o estado de rebento até a floração. Depois desta fase a porcentagem se reduz e a quantidade extraída entre a floração e a colheita é insuficiente para suprir a necessidade na formação dos frutos, como conseqüência, o S necessário é tomado das folhas e pseudocaule.

No estado vegetativo, os tecidos ativos de rápido desenvolvimento como as folhas não emergidas e meristema, apresentam altas quantidades embora o pseudocaule e as folhas são os órgãos mais ricos em enxofre. Na fase reprodutiva, a concentração maior de elemento S é na inflorescência e ráquis.

Deficiência de S

As deficiências de S praticamente não são detectadas no campo. Geralmente o S é levado ao campo através de super fosfato simples e sulfato de amônia.

MICRONUTRIENTES

Zinco

As mais altas concentrações de Zn aparecem nos tecidos jovens, especialmente os meristemas e folhas emergidas na fase vegetativa. Na fase de produção, o ráquis interno parece ser o tecido mais rico, seguido pela inflorescência.

Deficiência de Zn

A deficiência de Zn em sua fase inicial é semelhante a do N, porém as diferenças se acentuam posteriormente, em que as folhas são estreitas, aguçadas, com cloroses variadas e alguma necrose. As folhas jovens se "arrepolham" e estrangulam,Os frutos são pequenos, retorcidos e cloróticos.

A dificiência de Zn pode ocorrer pelo excesso de fósforo, visto que são antagônicos.

Boro

A absorção de Boro pela planta de banana se realiza de uma forma constante desde o início da brotação até a colheita. A quantidade tomada antes da floração é usada totalmente na produção de frutos.

O Boro aparece em uma concentração muito rica nos tecidos associados a atividade intensa, ou seja, folhas não emergidas e meristemas na fase vegetativa. Na fase produtiva o Bo concentra-se em maiores quantidades na inflorescência e no ráquis. Nos frutos a concentração de Bo é baixa.

Deficiência de Bo

Ocorre geralmente em solos alcalinos ligeiramente ácidos. Em carências agudas, o botão floral ao ganhar o exterior pode ter seu cacho quebrado antes mesmo de abrir as pencas de flores, ou provocar o secamento da inflorescência, sem que as flores se transformem em frutos. Neste caso, as gemas laterais ficam com suas atividades tão reduzidas que os poucos filhotes emitidos podem morrer devido à podridão fisiológica interna.

RECOMENDAÇÃO DE ADUBAÇÃO

Nitrogênio - 250 a 450 kg/ha/ano
Fósforo -
60 kg/ha/ano de P2Os
Potássio -
200 a 900 kg/ha/ano de K2O
Mg e Ca -
aplicação de calcário dolomítico 500 a 2000 kg/ha/ano
S -
aplicação através do sulfeto de amônia. e super simples

O cultivo de bananeira é muito sensível ao balanço dos cátions Ca, Mg e K.

CLIMA

Temperatura

As temperaturas de 15° e 35°C têm sido apontadas como os limites extremos entre os quais a bananeira encontraria boas condições para produzir. Os limites mais favoráveis estão entre 20° e 24°C.

Baixas Temperaturas

As baixas temperaturas podem provocar a compactação da roseta foliar, dificultando o lançamento da inflorescência. Esta compactação provoca o "engasgamento" do cacho.

Quando a temperatura cai abaixo de 12°C, provoca o "chilling", que é uma perturbação fisiológica. Nos frutos são identificados pela coagulação da seiva na região sub-epitelial da casca, visíveis como pequenos bastonetes escuros. As bananas afetadas pelo "chilling" têm o processo de maturação bastante perturbado.

Geada

A geada no conceito fitotécnico é uma intensa queda de temperatura que causa a morte dos tecidos das plantas.

Para a bananeira, contudo, não se pode afirmar que a geada causa sua morte. Porém os prejuízos são elevados.

Umidade Relativa

A bananeira apresenta melhor desenvolvimento em locais sem umidade relativa acima de 80%.

Necessidade de água da bananeira -3 a 8 milímetros/dia.

Vento

Provocam danos nas bananeiras:

a) fendilhamento das folhas
b)
rompimento das raízes
c)
quebra da bananeira
d)
tombamento
e)
desidratação da planta

Luminosidade

A bananeira alcança seu melhor desenvolvimento quando recebe mais de 2000 lux (horas de luz/ano estimada no heliógrafo).

Zoneamento Agroclimático

O zoneamento agroclimático tem por finalidade determinar a região ou regiões que satisfazem as necessidades climáticas deste vegetal. A maioria dos trabalhos de zoneamento agroclimático baseia-se na caracterização de uma região e/ou cultura, considerando-se os valores de temperatura média do ar (mensal ou anual) e os parâmetros fornecidos pelo Balanço Hídrico. principalmente deficiência e excedentes hídricos.

BANANEIRA - CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA

Ordem: Scitaminea
Família:
Musaceae
Sub-Família:
Musoideae
Gênero:
Musa
Sub-Gênero:
Eumusa

ESPÉCIES

a) Musa cavendishi - Nanica, Nanicão, Valery, Lacatan, Piruá.
b) Musa sapientum -
Gros Michel, São Tomé, Figo Vermelho, Figo, Cinza, Maçã, Prata, Pacovan, Enxerto.
c) Musa paradisiaca -
Terra, Maranhão branca, Maranhão vermelha.
d) Musa corniculata -
Farta Velhaco ou Pacova

Obs.: Esta classificação foi abandonada porque, dado o seu empirismo, não permite a inclusão de todos as cultivares.

A classificação proposta por SIMMONDS e SHEPHERD (1955) para o gênero Musa, hoje adotado em todo o mundo, é baseada no número de cromossomos.

Assim ele seria dividido em 2 grupos: com 10 cromossomos e com 11 cromossomos.

1º. Grupo: bananeiras com número básico de cromossomos igual a 10 possuem brácteas lisas, divide-se em duas seções.

Seção Australimusa -compreende 5 espécies mais importante: Musa textilis (para extração de fibra).
Seção Callimusa -
5 ou 6 espécies, de pequeno tamanho e apenas interesse botânico.

2º.Grupo: bananeiras com número básico de cromossomos 11 divide-se em duas seções.

Seção Rhodoclamys - inflorescência ereta, com pencas de flores sob cada bráctea. Espécie mais conhecida Musa ornata, de importância ornamental.

Seção Eumusa - ou simplesmente Musa, engloba as variedades cultivadas. Caracteriza-se pela grande inflorescência e numerosos frutos por penca.

Espécies mais importantes:

Musa acuminata (AA)
Musa balbisiana (BB)

EVOLUÇÃO DOS CULTIVARES DE BANANA COMESTÍVEIS

A maioria dos cultivares de banana comestível evoluiu das espécies selvagens Musa acuminata e Musa balbisiana. Estes dois cultivares são diplóides e constam de dois níveis cromossômicos (2n = 22). Portanto, todos os cultivares devem conter combinações de genomas completos dessas espécies parentais. Tais genomas são denominados respectivamente, pelas letras A, representando a espécie acuminata e B a espécie balbisiana.

PASSOS DA EVOLUÇÃO DA BANANEIRA

1. Ocorrência de partenocarpia, ligada a alguma esterilidade feminina, por mutação na única espécie de M. acuminata, para dar origem, inicialmente ao grupo AA.
2.
Cruzamentos espontâneos entre mutantes partenocárpicos e outras formas selvagens da mesma espécie e de M. acuminata e M. balbisiana, originando diplóides partenocarpicos AA e AB.
3.
A evolução de triplóides a partir de cultivares diplóides dos grupos AA e AB, em cruzamento com pais AA ou BB, dando origem às novas cultivares dos grupos AAA; AAB e ABB.
4.
Hibridações espontâneas com pais AA e BB, com grupo triplóides, originando os tetraplóides. Os tetraplóides possíveis são: AAAA, AABB, ABBB e AAAB.
5.
A diversificação dos cultivares básicos por meio de mutações somáticas.

CLASSIFICAÇÃO DE ALGUMAS BANANEIRAS NO BRASIL

Grupo AA - "Ouro"
Grupo AB -
só constatado dentre cultivares Indianas, não no Brasil.
Grupo AAA -
sub grupo Cavendish -Nanica, Nanicão, Grand Naine sub grupo Gros Michel.
Grupo AAB -
Maçã sub grupo Prata, 'Branca', 'Pacovan', Mysore, Prata, Anã, sub-grupo, Terra
Grupo ABB -
sub grupo Figo
Grupo AAAA -
IC-2
Grupo AAAB -
'Ouro da mata' e 'Platina'

CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO PORTE

a) Porte baixo - até 2 metros -Nanica
b) Porte médio -
de 2,0 a 3,5 metros -Nanicão, Ouro, Grand Nine, Figo, Maçã, Valery, etc.
c) Porte alto -
mais de 3,5 metros -Prata, Mysore, Ouro da Mata, etc.

MORFOLOGIA DA BANANEIRA

A bananeira é um vegetal herbáceo completo, pois apresenta caule, raízes, flores, frutos e sementes.

a) Rizoma (Caule Subterrâneo)

É a parte da bananeira onde todos os órgãos se apóiam direta ou indiretamente. Sua forma externa pode variar de acordo com as condições edáfoclimaticas.

Em solos de textura fraca ele se toma arredondado, com tendência para ser ovóide. Em solos de estrutura forte tende a ser achatado. Um rizoma bem desenvolvido pode ter de 25 a 40cm de diâmetro e pesar de 6,9 a 11,5 quilogramas, de acordo com o clone e a idade da planta.

Fazendo-se um corte vertical passando pelo centro de um rizoma da bananeira, que já emitiu mais de 20% de suas folhas, pode-se identificar perfeitamente, o córtex e o cilindro central, que são branquecentos, mas que se oxidam rapidamente em contato com o ar.

Córtex: é a camada mais externa do rizoma, cuja espessura é de 3 a 5cm.

Cilindro Central do Rizoma: envolvido pelo córtex, é bastante fibroso, e é nele que as raízes se formam. Implantado acima no cilindro central, encontra-se a gema apical de crescimento.

b) Raízes

As raízes têm origem no cilindro central do rizoma. São fasciculadas e estão dispostas horizontalmente em maior porcentagem nas camadas superficiais do solo.

Em toda a extensão de superfície externa das raízes existem radicelas, normalmente sempre abundantes.

A bananeira gera raízes continuamente apenas até a diferenciação floral, simultaneamente com o processo de formação de folhas. Na fase de floração a parte central do rizoma começa a esclerotizar da base até o ápice. Esse fenômeno inativa as raízes basais e limita a emissão de novos brotos e raízes nesta área.

Algumas raízes continuam desenvolvendo, porém aquelas que já haviam sido formadas antes da época da diferenciação floral.

Logo, as plantas adultas de bananeira que estão chegando à fase final de seu ciclo biológico têm um sistema radicular bastante deteriorado.

Fazendo-se um corte transversal da raiz encontra-se, externamente, um tecido mais macio -o córtex -que envolve um tecido batante fibroso e resistente denominado cilindro central da raiz.

O cilindro central de raiz, mais parece o prolongamento do cilindro central do rizoma, onde iniciou sua formação.

c) Gema Apical de Crescimento

É um conjunto de células meristemáticas, localizado no centro do colo da bananeira, e é responsável pela formação das folhas e das gemas laterais de brotação.

A gema apical se biparte dando formação a uma folha com sua gema lateral de brotação. Logo após gerada, a folha apresenta-se como um pequeno cone foliar tendo a base apoiada sobre o cilindro central do rizoma, em cujo interior encontra-se a gema apical, que reinicia seu processo de multiplicação celular, formando mais folha e gema lateral de brotação.

A gema apical pode gerar de 30 a 70 folhas, dependendo do cultivar. Sendo simultânea a formação da folha e da gema lateral de brotação, pode-se facilmente concluir que, a bananeira tem tantas gemas laterais quantas forem as folhas geradas.

d) Folhas

É do pequeno cone foliar formado que tem origem todas as partes componentes da folha, ou seja, bainha, pecíolo, páginas foliares, nervura e aguilhão (ou "pavio").

Ao se desenvolverem as folhas e gemas laterais iniciam um deslocamento radial concêntrico. Ao se aproximar da periferia do rizoma, a bainha das folhas mais externas envolvem todo o pseudocaule na parte inferior, mais torna-se menos envolvente na sua parte mais alta, devido ao seu formato deltóide. Em determinada altura a bainha se afasta do pseudocaule. A gema lateral correspondente a esta folha, que fica localizada no vértice da bainha, também ao se aproximar da periferia do rizoma apresenta-se como uma pequena protuberância que se transformará, futuramente, em um novo rebento.

Quando esta gema brota, o novo rebento apresenta folha bastante estreita devido ao não desenvolvimento dos lóbulos foliares, e por ter a forma lanceolada, ela é chamada de espada. Isto ocorre devido a inibição hormonal que a "mãe" está exercendo sobre o "filho". A inibição hormonal vai diminuindo progressivamente até a diferenciação floral da "mãe" e cessa por completo com o florescimento.

As bainhas das folhas da bananeira têm grande importância, pois são elas que, embricadas,formam o pseudocaule, o sustentáculo do cacho.

e) Pseudocaule

O pseudocaule da bananeira é um estipe. Seu comprimento, que representa a altura da planta, é igual a distância do solo até o topo da roseta foliar.

Roseta foliar: "região delimitada entre o ponto onde a folha mais velha se separa do pseudocaule, até onde a folha mais nova está se abrindo".

É através do pseudocaule que a inflorescência ganha o exterior da planta. No interior do pseudocaule da planta que já emitiu a inflorescência encontra-se o palmito, constituído pelo alongamento do cilindro central do rizoma.

f) Inflorescência

Depois de gerar o total de folhas e gemas laterais, a gema apical cessa esta atividade, devido a uma série de fatores hormonais.

A gema apical se transforma no órgão de frutificação da bananeira: a inflorescência.

Este processo ocorre quando cerca de 60% de todas as folhas (jovens e adultas) que a gema apical gerou já se abriram para o exterior. Os 40% restantes já estão formadas, mas permanecem em desenvolvimento dentro do pseudocaule.

A inflorescência é terminal e emerge envolta por uma grande bráctea. As flores das bananeiras comestíveis são sempre completas, verificando-se em algumas a atrofia das anteras (flores femininas) e, em outras, atrofia dos ovários (flores masculinas). A inflorescência vai formar o cacho da bananeira.

g) Cacho

O cacho é constituído de engaço, ráquis, pencas de bananas e botão floral.

Engaço: botanicamente é o pedúnculo da inflorescência. O engaço tem início no ponto de fixação da última folha e termina na inserção da primeira penca.

Ráquis: definido botanicamente como eixo de inflorescência. É no ráquis que se inserem as flores. Inicia-se a partir do ponto de inserção da primeira penca e termina no botão floral. Pode ser dividida em ráquis feminino, onde se inserem as flores femininas e ráquis masculino, onde se inserem as flores masculinas.

Botão Floral: ou coração é o conjunto de flores masculinas ainda em desenvolvimento, com suas respectivas brácteas. Pode-se dizer que o coração é a gema apical de crescimento, modificada, que ganhou o exterior.

Pencas: é o conjunto de frutos (dedos), reunidos pelos seus pedúnculos em duas fileiras horizontais e paralelas. O ponto de fusão dos pedúnculos recebe o nome de almofada. As almofadas se fixam no ráquis sempre em níveis diferentes, seguindo três linhas helicóides e paralelas.

O fruto é resultado do desenvolvimento partenocárpico dos ovários das flores femininas.

CICLOS DA BANANEIRA

A bananeira como todas as plantas, tem um ciclo de vida definido que se inicia com a formação do rebento e seu aparecimento ao nível do solo. Com seu crescimento há a formação da planta, que irá produzir um cacho cujos frutos se desenvolvem, amadurecem e caem, verificando-se em seguida o secamento de todas as suas folhas, quando se diz que a planta morreu.

A bananeira propaga-se normalmente pela emissão de novos rebentos. Como esse processo é contínuo, uma bananeira adulta apresenta sempre ao seu redor, em condições naturais, outras bananeiras em diversos estádios de desenvolvimento. Este conjunto de bananeiras integradas, com diferentes idades e oriundas de uma única planta denomina-se "touceira".

Esta característica de constante renovação das plantas permite dizer que os bananais têm vida permanente.

Botanicamente as touceiras são formadas por rebentos que constituem a primeira, segunda, terceira, etc, geração da muda original, e que recebem popularmente as denominações de:

Mãe: é a planta mais velha da touceira. Ela perde a denominação de mãe após a colheita. Mãe é sempre uma só!
Filho:
é todo o rebento originário de uma gema localizada no rizoma da planta mãe.
Neto:
é todo rebento originário do filho.
Irmão:
é todo rebento que se forma devido ao desenvolvimento de uma segunda gema de um mesmo rizoma.
Família:
é um conjunto de rizomas interligados e descendentes representados pela mãe, um filho e um neto, onde todos os demais rebentos foram eliminados.

Obs.:. Após a colheita da planta mãe, a planta filho assume a posição desta, e a planta neto por sua vez assume a posição da planta filho e, assim, sucessivamente.

Na prática, define-se como ciclo vegetativo de uma bananeira o período compreendido entre sua brotação até a colheita de sua produção. Por ciclo de produção, entende-se o período decorrido entre a colheita do cacho da planta mãe até a colheita do cacho da planta filho.

Os ciclos vegetativos e de produção são afetados por todos os fatores que atuam direta ou indiretamente na fisiologia da bananeira, ou seja, os fatores edafoclimáticos e algumas técnicas culturais, principalmente métodos de desbaste e espaçamentos adotados.

PROPAGAÇÃO

Mudas: dá-se o nome de muda de bananeira a um parte dessa planta provida de uma ou mais gemas vegetativas, cujo desenvolvimento dará formação a uma nova bananeira.
Tipos de Mudas: os vários tipos de mudas podem ser classificados em apenas 3 tipos:
rizomas inteiros, pedaços de rizoma e mudas micropropagadas.
Obtenção das Mudas:
estes tipos de mudas são obtidos geralmente de bananais comerciais em produção, de preferência os que já sofreram a primeira colheita.
Mudas Pedaços de Rizoma:
os rizomas com mais de 5,0 kg são arrancados. Faz-se a limpeza destes rizomas, eliminando-se as raízes e os rebentos que ele possuir, assim como toda a sua parte escura (região cortical externa), até eliminar por completo todos os tecidos necrosados. O pseudocaule é eliminado através de um corte transversal à altura de 5 a 10cm do colo do rizoma. A seguir retalha-se radialmente o rizoma obtendo-se pedaços com forma de cunha.

Deve-se cuidar para que a gema lateral de brotação mais visível, fique no centro da parte externa da cunha. As mudas tipos pedaços de rizoma podem ter de 800gr a 4000gr.

Mudas de Rizoma Inteiro: é o arranquio de brotações laterais da bananeira. Estes rebentos, com folhas lanceoladas, são arrancados com o auxílio de uma vanga. Estas mudas sofrem o mesmo processo de limpeza, citado anteriormente, sendo que o pseudocaule é cortado a uma altura de 20cm.

Conforme o desenvolvimento desta brotação lateral, recebe denominações diferentes.

Chifrinho -rizoma pesando até 1,5 quilos
Chifre -
rizoma pesando entre 1,5 a 2,5 quilos
Chifrão -
rizoma pesando acima de 2,5 quilos

Obs.:. os rebentos que não possuem folhas lanceoladas, ou seja, que já de início apresenta folhas largas, são chamados de mudas guarda-chuva. Este tipo de muda não é a preferida para o plantio.

Fonte: www.esalq.usp.br