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Peroba

 

 

Peroba (Aspidosperma polyneuron)

Ocorrência: Da Bahia até o Paraná

Outros nomes: Peroba rosa, peroba amargosa, peroba rajada, peroba açu, sobro, peroba comum, peroba do rio, peroba paulista, peroba mirim, peroba miúda.

Peroba
Peroba-Rosa

Características

Árvore caducifólia de grande porte com 20 a 30 m de altura, pouco copada, muito esguia, com tronco de 60 a 90 cm de diâmetro, com casca rugosa acinzentada, com tecido protetor, de espessura variável e profundamente sulcada longitudinalmente. Ramos e folhas com látex branco.

Folhas glabras, simples, alternas, obovadas a elíptico-oblongas, brilhantes na face superior, nervura central saliente e nervuras secundárias e terciárias proeminentes em ambas as faces, de 5 a 12 cm de comprimento e 2 a 4 cm de largura. Flores pequenas, brancas, hermafroditas e agrupadas em inflorescências terminais.

Fruto folículo, castanho, oblongo a obovado, com lenticelas, seco, deiscente, geralmente achatados (às vezes atenuado na base), semilenhoso, com cerca de 4 a 6 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, com uma crista mais ou menos proeminente, com duas a cinco sementes por fruto. Sementes elípticas, com 2 a 4 cm de comprimento por 8 a 10 mm de largura, provida de núcleo seminífero basal de asa membranácea e parda, dispersas naturalmente pelo vento. Um Kg de sementes contém 11.000 e 14.000 unidades.

Habitat: Floresta estacional semidecidual e floresta pluvial atlântica

Propagação: Sementes

Madeira: Coloração vermelha-rosada, uniforme ou com manchas escuras, de superfície sem lustre e lisa, pesada, dura e muito durável.

Utilidade

Madeira de primeira qualidade, amplamente utilizada na construção civil como vigas, caibros,assoalhos e escadas, em obras externas como postes e dormentes, na confecção de móveis pesados, carrocerias, vagões e em contruções navais.

A casca é amarga e tida na medicina popular como tônica e febrífuga. Indicada para paisagismo e regeneração de áreas degradadas.

Florescimento: Outubro a novembro

Frutificação: Agosto a setembro

Ameaças: A super-exploração econômica levou a peroba -rosa ao estado de perigo. Para isso contribuiu a destruição dos ecossistemas de origem.

PEROBA DO CAMPO (Paratecoma peroba )

Peroba
Peroba-do-Campo

Ocorrência: Sul da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e norte do Rio de Janeiro

Outros nomes: Peroba , peroba amarela, ipê, peroba tremida, ipê claro, peroba branca, perobinha, peroba manchada, peroba tigrina, ipê peroba , ipê rajado.

Características

Árvore semidecídua com altura de 20 a 40 m, tronco com 40 a 80 cm de diâmetro. Folhas compostas, digitadas, 5 folíolos membranáceos, glabros, com 10 a 20 cm de comprimento por 3 a 7 cm de largura. Um Kg de sementes contém 16.700 unidades.

Habitat: Mata Atlântica

Propagação: Sementes

Madeira: Moderadamente pesada, dura, medianamente resistente, de boa durabilidade quando em condições adequadas.

Utilidade

A madeira é apropriada para mobiliário de luxo, revestimentos decorativos, laminados, esquadrias, tacos, assoalhos, rodapés, peças torneadas, vigas, caibros e construção naval. É ornamental podendo ser usada em paisagismo em parques, praças e grandes jardins.

Florescimento: Setembro a novembro

Frutificação: Setembro a outubro

Fonte: www.vivaterra.org.br

Peroba

Graças à beleza do lenho e à alta consistência e durabilidade de suas fibras, a peroba, madeira-de-lei como o cedro e o jacarandá, é muito procurada pelos artesãos que se dedicam ao ramo da marcenaria. Por suas qualidades, é empregada em construções de todo tipo.

Peroba é uma árvore de grande porte, pertencente à família das apocináceas (Aspidosperma polyneuron ou A. peroba).

Também conhecida por peroba-rajada, peroba-rosa, peroba-amargosa e peroba-mirim, ocorre no Brasil desde o sul da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro até os estados do Sul.

Notáveis por sua altura, que às vezes atinge mais de trinta metros, as árvores são pouco copadas, muito esguias, de folhas simples, alternas e persistentes.

As flores são pequenas, hermafroditas, alvas e agrupadas em inflorescências terminais.

A árvore produz madeira rígida, de grande duração e com aplicações também na medicina caseira.

A casca rugosa e acinzentada, é amarga e tida na medicina popular como tônica e febrífuga.

A cor da madeira, que varia do róseo-amarelado ao amarelo-queimado (freqüentemente vermelho-rosado), com veios ou manchas vermelho-arroxeadas mais escuras, é muito realçada pelo polimento do verniz.

Fonte: biomania.com

Peroba

Madeira de Campo

Peroba-Poca
Família:
Apocynaceae
Nomes populares:
peroba -poca, peroba -iquira, peroba -de-Iagoa-santa, peroba -de-minas, peroba -rosa.

Peroba
Peroba-Poca

Características: Altura de 8-16 m, com tronco de 40-70 cm de diâmetro. Folhas simples, glabras, de 6-12 cm de comprimento por 2-6 cm de largura.

Ocorrência: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, na floresta latifoliada semidecídua da bacia do Paraná.

Peroba
Peroba-Poca - Madeira

Utilidade

A madeira é empregada na construção civil, carpintaria, para tacos e carroceria. A árvore é bastante ornamental, principalmente pela copa piramidal de folhagem brilhante; presta-se muito bem para o paisagismo em geral. Como planta de rápido crescimento e tolerante à insolação direta, é útil nos reflorestamentos heterogêneos de áreas degradadas de preservação permanente.

São também muito procurados por aves e outros animais. A árvore é bastante ornamental podendo ser empregada no paisagismo em geral.

Fenologia

Floresce nos meses de setembro até meados de novembro junto com o aparecimento das novas folhas. A maturação dos frutoe verifica-se durante os meses de agosto-setembro.

Obtenção de momentos

Colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a abertura espontânea. Em seguida levá-los ao sol para secagem e liberação das sementes. Um quilograma contam aproximadamente 7.200 sementes. Sua viabilidade em armazenamento é superior a 5 meses.

Produção de mudas

Colocar as sementes para germinar, logo que colhidas e sem nenhum tratamento, em canteiros ou em recipientes individuais contendo substrato organo-arenoso; cobri-las levemente com substrato peneirado e irrigar duas vezes ao dia. A emergência ocorro em 15-25 dias e, a taxa de germinação geralmente é superior a 30%.

O desenvolvimento das mudas é rápido, podendo ser plantadas no local definitivo em menos de 6 meses. O desenvolvimento das plantas no campo também é rápido, as quais podem atingir 3,5 m aos 2 anos.

Fonte: www.unisanta.br

Peroba

Peroba -rosa

Nome Científico: Aspidosperma polyneuron Muell. Arg
Nome popular:
Peroba amargosa, peroba rajada, peroba açu
Família:
Apocynaceae
Nome Comercial: BRASIL:
peroba , peroba -rosa (PR), peroba -amargosa, peroba -rajada, peroba -açu, sobro (ES), peroba -comum, peroba -do-rio, peroba -paulista, peroba -mirim e peroba -miúda.
Altura e diâmetro:
De 25 a 45 metros de altura com 60 a 90 de diâmetro;
Floração:
D e agosto a setembro;
Ocorrência:
Dominante na Mata Atlântica;
Conservação de recursos genéticos:
É uma espécie que se encontra em extinção na região Norte do Paraná e em Mato Grosso, onde está na categoria de espécie vulnerável, necessitando com urgência de programa de conservação genética. Ela encontra-se na lista das espécies para conservação no Brasil.

Peroba
Peroba-Rosa

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS E ECOLÓGICAS

Forma: Árvore perenifólia, com 15 a 25 m de altura e 50 a 100 cm de DAP, podendo atingir até 45 m de altura e 200 cm ou mais de DAP, na idade adulta.
Tronco:
Cilíndrico, reto ou levemente tortuoso. Fuste retilíneo geralmente medindo 12 a 20 m, atingindo, excepcionalmente, 30 m.
Ramificação:
Cimosa, ramifica-se somente na parte superior do tronco. Copa alta, corimbiforme, densa, com râmulos trifurcados característicos, o que facilita sua identificação no meio das demais árvores, mesmo à longa distância.
Casca:
Grossa, com espessura de até 50 mm. A casca externa é cinzenta a castanho-grisácea, áspera, profundamente fissurada longitudinalmente. A casca interna, ao ser raspada, apresenta um róseo muito intenso por dentro e a parte viva amarelada, da qual resultam dois estratos nítidos compondo a casca.
Folhas:
Simples, alternas, variáveis quanto à forma, oblongas a obovado-elípticas, algumas vezes lustrosas na face superior, com ápice arredondado e margem inteira, com até 8 cm de comprimento e 3 cm de largura; firmemente membranáceas ou subcoriáceas, as nervuras secundárias muito apertadas e paralelas.
Flores:
Tubulares branco-amareladas à creme, numerosas, pequenas, em curtas panículas terminais de 1 a 4 cm de comprimento, difíceis de serem vistas na floresta.
Fruto:
Folículo deiscente, elipsóide, séssil, geralmente achatado (às vezes atenuado na base), semi-lenhoso, com 2,5 a 6 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, com uma crista mais ou menos proeminente, pardo-escuro, densamente coberto de lenticelas bem visíveis, com duas a cinco sementes por fruto.
Semente:
Elíptica, com 2 a 4 cm de comprimento por 8 a 10 mm de largura, provida de núcleo seminífero basal, do qual parte uma asa membranácea, parda. São albuminosas e apresentam alta taxa de poliembrionia em sementes mais jovens (Souza & Moscheta, 1987).

Características da Madeira

Massa específica aparente: Madeira da peroba-rosa é moderadamente densa (0,66 a 0,85 g/cm3), a 15% de umidade (Pereira & Mainieri, 1957; Labate, 1975, Mainieri & Chimelo, 1989) e 650 a 870 kg/m3, com madeira seca ao ar (Chimelo et al., 1976).
Cor:
O alburno é de coloração amarelada, quando exposto ao sol, e o cerne varia do róseo-amarelado ao amarelo queimado, levemente rosado, mais freqüentemente vermelho-rosado, uniforme ou com veios ou manchas escuras.
Características gerais:
Superfície sem lustre e lisa ao tato; textura fina; grã direita ou reversa. Quando rajada de preto, é bem reversa, sendo conhecida por peroba-mirim. Cheiro imperceptível e gosto ligeiramente amargo. É flexível, mas racha facilmente.
Durabilidade natural:
Madeira com baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos. Estacas de cerne desta espécie mostraram ser não resistente a fungos e resistente a cupins (Cavalcante et al., 1982). A vida média da madeira da peroba -rosa em contato com o solo é inferior a nove anos (Rocha et al., 2000).
Preservação:
Madeira de baixa permeabilidade às soluções preservantes, em tratamentos sob pressão .

Outras características

É, sem dúvida, a espécie de maior valor econômico entre as espécies de Aspidosperma.
Atualmente, toda a madeira de peroba -rosa utilizada no Brasil é importada do Paraguai, onde ainda é abundante, mas pouco utilizada.
Pode substituir a madeira da teca (Tectona grandis) na construção naval, porque depois da teca, é a que menos oxida os metais com os quais esteja em contato
Devido à grã reversa, a madeira de peroba-rosa tende a rachar ao ser pregada. Para evitar isso, os carpinteiros empregam artifícios tais como amassar a ponta do prego antes de pregar; e furar no local, com broca mais fina, até dois terços da espessura da peça, e só depois pregar.

Usos

A madeira de PEROBA -ROSA, por ser de resistência mecânica e retrabilidade médias, é indicada , principalmente , em construcão civil, como vigas ,caibros, ripas, marcos de portas e janelas, venezianas, portas, portões, rodapés, molduras, tábuas e tacos para assoalhos, degraus de escadas, móveis pesados, carteiras escolares, producão de folhas faqueadas, construcão de vagões, carrocerias, dormentes, fôrmas para calcados. Dormentes dessa madeira, sem tratamento preservante apresentam uma vida útil média de 6 anos.

Produção de Mudas

Semeadura: Recomenda-se semear em recipientes, sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro, ou em tubetes de polipropileno grande. A repicagem, quando necessária, pode ser efetuada quatro a seis semanas após a germinação.
Germinação:
Epígea, com início entre quatorze a 60 dias após a semeadura. O poder germinativo varia entre 35 a 70%. A formação da muda é muito lenta, mínimo de nove meses após a semeadura.
Cuidados especiais:
Durante a fase de produção de mudas, a aplicação de fertilizantes, bem como o sombreamento dos canteiros, é aconselhável.
Propagação vegetativa:
Ribas et al. (1998) estabeleceram um protocolo regenerativo baseado na embriogênese somática para a peroba -rosa, e Carvalho et al. (1999) conduziram trabalhos com o objetivo de micropropagar e induzir calos em explantes desta espécie.

Conservação de Recursos Genéticos

Aspidosperma polyneuron é uma espécie que se encontra em extinção na região Norte do Paraná (Souza & Moscheta, 1987) e em Mato Grosso, onde está na categoria de espécie vulnerável (Fachim & Guarim, 1995), necessitando com urgência de programa de conservação genética. Ela encontra-se na lista das espécies para conservação ex-situ e in situ, no Brasil (Siqueira & Nogueira, 1992) e na Venezuela, onde é considerada muito ameaçada no Estado de Zulia (Finol Urdaneta & Melchior, 1970). Testes de origens realizados no Estado de São Paulo mostraram variações de altura entre as procedências e progênies testadas (Nogueira & Siqueira, 1976).

REFERÊNCIAS

LORENZI, Harri. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil  Vol. 01, 2002, peroba -Rosa Aspidosperma parvifolim, p.41.

Fonte: www.riodosul.sc.gov.br

Peroba

Peroba Rosa

Peroba
Peroba-Rosa

É também conhecida como amargoso, guatambu-amarelo, ibirá-ró-mí, marela, paroba-amargosa, pau-caboclo, peroba , peroba-açu, peroba-amarela, peroba -amargosa, peroba-branca, peroba-osso, peroba-comum, peroba-de-são-paulo, peroba -do-rio, peroba-mirim, peroba -miúda, peroba -paulista, peroba -rajada, peroba -verdadeira, peroba-vermelha, perobeira, perobinha, perova e sobro.

Peroba rosa é um dos nomes comuns da espécie Aspidosperma polyneuron Müll.Arg.

Peroba
Peroba-Rosa Madeira

Árvore brasileira caducifólia, de desenvolvimento lento, de madeira dura que chega a atingir comprimentos de 20 a 30 m de altura com o tronco ereto o que lhe confere a categoria de madeira de corte.

É nativa da floresta clímax, mas que também pode ser encontrada em formações vegetais abertas, a peroba fornece madeira de cor rosa, embora conste outro tipo de tonalidade alaranjado, embora mais densa (afunda) do que a água é muito solicitada na construção de embarcações maritimas por não ser facilmente atacada por busanos. Tem folhas elípticas.

As flores são esbranquiçadas ou esverdeadas. Apresenta folículos clavado-oblongos. Ocorre nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rondônia.

A super-exploração econômica levou a peroba -rosa ao estado de perigo. Para isso contribuiu a destruição dos ecossistemas da Mata Atlântica, seu bioma de origem, onde ocorre nas florestas latifoliada semidecídua e pluvial atlântica.

Fonte: www.madeiras.cc

Peroba

Ciclo da peroba inicia o desbravamento do Norte

Histórias de aventuras, riquezas e lendas marcaram a colonização da região do Espírito Santo que fica acima do Rio Doce. Era o início de uma atividade que anos mais tarde se tornaria um desastre.

A exuberância da Mata Atlântica do Espírito Santo, assinalada por viajantes europeus que em séculos anteriores realçaram o seu caráter edêmico, começou a ser liquidada de vez, a golpes de machados e serras, no início do século XX. Dos anos 20 em diante, um destemido grupo de madeireiros, liderado pelos irmãos Artur e Humberto Donato e por Eliosípio Cunha (Lolô Cunha), abriu a trilha da devastação, que seria percorrida por outros desbravadores em busca da riqueza com o comércio de madeira, como Laureano Diaz e Carlos Alberto dos Reis Castro.

Eles derrubaram árvores em extensas matas ao longo das regiões de São Mateus e Conceição da Barra, onde mais tarde seriam criados os municípios de Nova Venécia, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Pinheiro, Pedro Canário, Montanha, Mucurici e Ecoporanga. Ou seja, praticamente 70% de toda a região norte do Estado.

Neste cenário, esses personagens escreveram algumas das páginas mais ousadas da ocupação do Norte do Estado, enfrentando os riscos inerentes a um mundo praticamente desconhecido, que produziu situações de perigo, como a emboscada dos índios botocudos contra Lolô Cunha.

Quando iniciaram a conquista da floresta, não havia uma única estrada acima do Rio Doce. Tudo era mata densa e fechada. A ligação com Vitória só era possível pelo mar, em navios pequenos e lentos, que faziam o transporte de passageiros e de carga.

Pinho-de-riga

Antes da presença desses pioneiros, a comercialização da madeira praticamente inexistia no Estado. Sua utilização era essencialmente doméstica, feita por fazendeiros ocupantes de sesmarias e por pequenos núcleos de imigrantes europeus. Basicamente, o uso da madeira restringia-se à construção de moradias, paióis e cercas.

Apesar de a região guardar o que havia de melhor no contexto da Mata Atlântica, a grande indústria madeireira nacional, localizada no Rio de Janeiro e, em menor escala, em São Paulo, usava apenas madeiras importadas da Letônia, Lituânia e Estônia (que pertenciam, na época, à Polônia). As cargas eram embarcadas pelo porto de Riga, na Lituânia. Por isso, o pinho especial importado daquela região tornou-se conhecido no Brasil como pinho-de-riga.

Só nos anos 20, pela ação pioneira desses desbravadores, é que a madeira nacional iria entrar e firmar-se definitivamente no mercado nacional, desbancando o pinho-de-riga. Antes, porém, da presença da madeira de origem capixaba no mercado nacional, a peroba -do-campo teve um papel de destaque.

Apareceu como uma espécie de amostra, procedente de Campos, no Rio de Janeiro, daí os nomes peroba -de-campos ou peroba -do-campo. Apesar da pouca quantidade na margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, a novidade encantou os serradores, acostumados a madeiras ou muito duras ou muito moles.

Nunca tinham visto nada como a peroba -do-campo. Era madeira linheira (árvores com troncos retos), como diziam os entendidos.

O prego entrava com relativa facilidade, a peça não lascava e se prestava para tudo: de armação de telhados (quando comercializada como peça bruta) a portas, janelas e móveis.

Além dessas qualidades, a peroba era uma das madeiras mais bonitas da mata Atlântica, quiçá do mundo. Em beleza, só perdia para o jacarandá. A descoberta incentivou os industriais do Rio de Janeiro, que eram portugueses e gostavam de trabalhar apenas com madeiras claras, a saírem atrás dela.

Os irmãos Donato, por exemplo, donos de uma das maiores serrarias do Rio, deram com os costados no Espírito Santo à procura de áreas de floresta para garantir o suprimento de sua indústria.

Na época, serraria era uma das principais atividades industriais naquele Estado, cuja capital estava em pleno surto da construção civil.

Enquanto isso, no Espírito Santo as preocupações estavam voltadas para a ocupação de sua região norte. Além de inacessível, até aquela altura, por causa de suas densas matas, a região vivia ainda sob permanente tensão causada pelo temor de ser invadida pela Bahia.

O Espírito Santo precisava ocupa-la com urgência. Os irmãos Donato apresentaram-se então para a tarefa anteriormente rejeitada por muitos outros convidados pelo governo capixaba. Receberam, de saída, uma concessão de 10 mil hectares para explorar madeira durante 30 anos.

Iniciaram a atividade por volta de 1923, para expandi-la dois anos depois, com a criação, na Barra de São Mateus, atual município de Conceição da Barra, da Companhia Industrial de Madeiras da Barra de São Mateus (Cimbarra). Na época, o Estado era governado por Florentino Ávidos, mas os Donato chegaram pelas mãos do seu antecessor, o Coronel Nestor Gomes, que deixou o governo em maio de 1924.

Reboleira

O governo do Estado exigiu, em troca, um plano de ocupação da região que começava com a abertura de uma estrada para substituir uma frustrada tentativa de implantar uma ferrovia na região. E os Donato abriram uma estrada para Cajubi (que pertence hoje a Nanuque, em Minas Gerais), passando por Morro Dantas (atual Pedro Canário). E à medida em que penetravam na floresta, eles começaram a encontrar peroba em quantidade até 50% maior que as de outras madeiras.

Os nativos a chamavam de reboleira, porque tinha uma semente muito germinativa. Haviam, enfim, encontrado a peroba no seu habitat natural (lato-solos amarelo).

A peroba apresentava ainda outras vantagens: era uma árvore grossa, com muito bom diâmetro e intermeio, classificada numa posição intermediária com relação ao diâmetro do tronco e também em meio termo entre as madeiras duras e as macias. Perfeita para os objetivos da indústria madeireira.

Para retirar a madeira das matas, os Donato inovaram, tomando o Rio Itaúnas como meio de transporte. As forças eram jogadas no rio e amarradas umas às outras, como se fossem uma balsa. Viajavam durante dias, até serem recolhidas já na altura de Conceição da Barra.

Um transporte difícil e penoso, mas foi o único meio encontrado. Uma descida de 50 quilômetros de rio exigia um mês de trabalho, principalmente na tarefa de colocar as árvores dentro d´água. Em compensação, o Rio Itaúnas, na época largo e caudaloso, permitia que descessem várias balsas ao mesmo tempo, cada uma formada, em média, por 150 toras de peroba .

Para colocar a madeira dentro do navio e leva-la para o Rio de Janeiro, foi necessário construir uma improvisada linha férrea de apenas 2 Km, ligando o seu local de desembarque ao cais de atracamento dos navios, na foz do Rio Cricaré, dentro da sede do município de Conceição da Barra. Era, na verdade, um arremedo de ferrovia, com apenas uma locomotiva e dois vagões, mas que deu conta da tarefa por muitos anos.

Mas as dificuldades não acabaram aí. Faltava a parte mais onerosa, que era levar essa madeira para o Rio de Janeiro. Os Donato resolveram inicialmente o problema adquirindo o Penedo, navio que pertencia ao Governo do Estado. Adaptaram a embarcação para o transporte de madeira e mudaram seu nome para São Mateus, em homenagem à região.

E construíram, no Rio de Janeiro, outro navio bem maior que levou o nome do patriarca da família, Serafim Donato. Com os dois barcos eles fizeram a integração do sistema de exploração de madeira e logo inundaram o Rio de Janeiro de peroba -do-campo.

O processo de exploração da peroba adotado pelos Donato serviu para levar também à floresta, Lolô Cunha e, logo depois, Laureano Diaz e Carlos Alberto dos Reis Castro. Junto com os Donato, eles foram protagonistas do primeiro ciclo da madeira do Espírito Santo, conhecido como ciclo da peroba . Cada um deles tomou conta de um rio. Lolô Cunha ficou com o Cricaré, em São Mateus; os Donato, com o Itaúnas; Diaz, com o São Domingos e Castro com o Preto.

Cunha prosperou em condições muito mais favoráveis do que os Donato. No rio onde ele operava já havia, fazia um século, intenso tráfego de navios que aportavam em São Mateus para apanhar farinha de mandioca. O movimento já tinha formado, no século passado, uma elite econômica mateense fortíssima, onde se destacou seu próprio pai, o barão de Aymorés. Isso significou transporte garantido para a sua peroba -do-campo.

Outra vantagem de Lolô: em sua região, a floresta já estava ocupada por várias sesmarias que o Império deu a seus súditos portugueses e a seus descendentes, o que não ocorreu em favor dos Donato, cujo território de exploração da madeira estava ainda inabitado.Lolô aproveitou-se ainda da infra-estrutura dos latifundiários, para cortar e colocar a madeira no rio, mas pagou um preço alto pelas constantes escaramuças entre os fazendeiros e os índios botocudos.

Rapidamente, Cunha construiu dois navios, o Timbira e o Barão de Aymorés. Grande demais, o Barão navegou com dificuldades no Cricaré e, pouco tempo depois, deixaria esse itinerário para começar a transportar madeira no sul da Bahia.

A facilidade do porto, as melhores condições para extração de madeira, e, sobretudo, as maiores facilidades para a madeira descer pelo rio (enquanto as balsas no Itaúnas não passavam de 150 toras, no Cricaré desciam com 300), tudo isso contribuiu para que Cunha enriquecesse mais depressa do que seus concorrentes.

Os Donato colocaram uma grande serraria em Conceição da Barra, para fazer o aproveitamento do refugo da peroba (só iam para o Rio de Janeiro as melhores toras) e Cunha colocou uma no Km 47 (que fica hoje em Nova Venécia). Os dois lados deram início também aos ciclos da madeira serrada no Espírito Santo. Cunha ficou tão rico que chegou a ser dono de um terreno de um alqueire, no porto do Rio de Janeiro.

Em Conceição da Barra entrou também no mercado madeireiro o espanhol Laureano Diaz, de Astúrias, que anteriormente trabalhava com navegação na região de Macaé, no Rio de Janeiro, e que veio atraído pela peroba -do-campo.

Chegou em 1939, 16 anos depois dos Donato, e foi dono da maior frota de navios que faziam a linha para o Rio de Janeiro. Onde hoje funciona a Barra Pesca, Diaz teve a Serraria Conceição da Barra Ltda., com instalações portuárias próprias. Adquiriu matas nas regiões de Vinhático, Pinheiro e Montanha, Como os outros, também usou o rio para transporte de suas madeiras.

Diaz começou com o navio Lude. Compraria, em seguida, o Muniz Freire, arrendaria um outro e construiria, em 1940, o União e depois o Diaz. Ainda foi dono do Rio Almada, do Rixarlhes (que comprou da Companhia Cacique) e do Ludmar. O União, seu melhor navio, teve tanta importância para a economia do Estado que seu batizado foi feito pelo bispo de Vitória, D. Luiz Scortegagna, e quando atracou pela primeira vez na capital o interventor do Estado, capitão João Punaro Bley, subiu a bordo para visitá-lo.

Os navios de Diaz formavam a única empresa de navegação com sede no Espírito Santo. Durante a Segunda Guerra Mundial sua frota foi requisitada pela marinha, para transportar combustível do Rio de Janeiro a Caravelas, na Bahia, para ser utilizado pelos aviões americanos ali baseados.

Entre os que deram início à exploração de madeira no norte do Estado, Carlos Alberto dos Reis Castro, pai da jornalista Ilda Castro, foi quem entrou por último.

Ele começou a trabalhar com peroba -do-campo nos idos de 40.

Ocupou a região do Jundiaí e Rio Preto, próximo a Braço do Rio, e suas balsas faziam outro percurso: começavam no Rio Preto, entravam pelo Itaúnas e saíam no São Domingos, para alcançar o local de embarque para o Rio de Janeiro, na foz do Cricaré, Castro, que foi dono da serraria Jundiá, na Barra de São Mateus, chegou, contudo, muito antes dos outros a Conceição da Barra, levado por outra atividade: intervir na questão de limites entre Espírito Santo e Bahia, a pedido do governador do Estado, Nestor Gomes. A seguir, faria para o governo do Estado um plano rodoviário para toda a região norte do Estado.

Realidade e lenda

Lolô Cunha foi atacado por um grupo de botocudos quando seguia para a fazenda Santa Rita, na serra de Baixo, que hoje pertence a Nova Venécia. Tinha acabado de sair da mata onde fazia o que mais gostava: caçar onças.

Com ele, Apolinário, Ireneu e Turuca, seus três inseparáveis capangas, e mais cinco jagunços de seu cunhado Antônio Santos Neves, todos homens temidos na região.

O aparato se justificava: o momento era de tensão com os índios na região.

Uma cena apavorante explicava o clima tenso: na fazenda de Neves, onde Cunha foi atingido por uma flecha, os homens do fazendeiro tinham acabado de matar seis índios e de cortar ao meio uma índia grávida. A índia, ao tentar fugir pelo rio, acabou atolada na lama, quando então um dos capangas abriu-a da cabeça ao ventre com um único golpe de facão.

Assim estavam as coisas quando Cunha chegou à fazenda Santa Rita, em busca da onça que tinha sido vista por lá uns dias antes.

Alvo é fácil

Cunha costumava andar num belo cavalo escuro e era alvo excelente, com seus quase 2 metro de altura. Os índios o emboscaram próximo à fazenda. De cima de uma árvore partiu uma flecha certeira, que entrou pelas suas costas e atingiu o seu pulmão.

Os primeiros socorros ficaram por conta do médico Arlindo Sodré, que morava na fazenda Gruta, perto da propriedade de Santos Neves.

Da Serra de Baixo levaram o ferido para a fazenda da Cachoeira do Cravo, de seu pai, o barão de Aymorés. Foi carregado por trabalhadores, numa improvisada maca de paus e palha.

Desceu o Rio Cricaré de canoa, escoltado por um batalhão de homens arregimentados por fazendeiros, já que o cortejo foi seguido pelos índios, pelas margens do rio, até as imediações de São Mateus. Tiros de carabina, disparados das canoas, conseguiram mantê-los à distância.

A notícia chegou a São Mateus primeiro do que o cortejo que conduzia Cunha. Mobilizados sob o comando de Santos Neves, os fazendeiros iniciaram imediatamente uma perseguição sem trégua aos índios. As autoridades do município perderam o controle da situação e recorreram ao Governo, em Vitória, mas a intervenção da capital surtiu poucos efeitos. As autoridades preferiram agir no controle dos índios, trazendo da França uma companhia de catequese chamada Estriaribe.

Em São Mateus, Cunha foi atendido pelos médicos Jones dos Santos Neves e Raulino Oliveira, que recomendaram a remoção do ferido para o Rio de Janeiro, de onde voltou, 40 dias depois.

Mas a flechada certeira lhe deixaria seqüelas para sempre: uma lesão pulmonar que se manifestava numa fungação constante, ao respirar.

A volta de Cunha a São Mateus foi apoteótica: a cidade toda festejou sua chegada. No cais do porto, o povo dançava, cantava e dava vivas à sua volta. Animado pela lira local.

Mas a versão popular do episódio é outra: os botocudos, sob o comando do cacique Pipinuque, teriam investido contra a fazenda do barão de Aymorés para matar Vantuil, um outro filho dele, que tinha acabado de atacar seu acampamento (os índios botocudos não se aldeavam). Na confusão, teriam flechado Lolô em lugar do irmão. Ao perceber o erro, Pipinuque teria atacado outra vez a sede da fazenda e levado Cunha para seu acampamento, onde os índios o trataram e o devolveram depois de quase um mês, já recuperado.

O FIM

Progresso pulverizou a atividade

Os pioneiros encerraram as atividades com a madeira em épocas distintas e por razões diversas. Uma delas foi o início do assoreamento da barra do Itaúnas, que impediu os navios de Cunha de viajarem rio acima.

O mesmo se deu em relação ao Cricaré, com as embarcações que faziam a linha Conceição da Barra-Rio de janeiro. Outro motivo importante foram os caminhões que surgiram logo depois da Segunda Guerra, abrindo a possibilidade de outros explorarem a madeira, valendo-se da facilidade de transporte oferecida por via rodoviária.

Dessa forma, a extração de madeira, antes concentrada num pequeno grupo de pioneiros, pulverizou-se. Por outro lado, como a peroba -do-campo também escasseava, os pioneiros preferiram não explorar a extração de outros tipos de madeira. Concentraram-se então suas atividades no beneficiamento industrial da madeira. O segundo ciclo da peroba -do-campo vai se dar ao longo do vale do Rio Doce, sobretudo no trecho entre a cidade mineira de Governador Valadares e Colatina.

Fonte: www.seculodiario.com

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