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Salvem as florestas de Pinus

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O sul e sudeste do país concentram a maior parte das florestas de pinus do Brasil.

Devido ao clima apropriado, essas espécies têm se desenvolvido muito bem por aqui, alcançando altos índices de produtividade ou incremento - muito superiores aos seus países de origem.

A floresta de pinus é diferenciada pelo seu multi-uso porque a mesma árvore, em seu ciclo, pode ser destinada à indústria laminadora, que a utiliza para fabricação de compensados; para a indústria de serrados, que transforma em madeira beneficiada ou é convertida em móveis; para a indústria de papel e celulose; para a indústria de MDF e, mesmo o seu resíduo, tem sido aproveitado como biomassa para geração de vapor e energia.

Importante salientar que a floresta de pinus é uma cultura, com ciclo definido de plantio, manejo, produção e colheita, como qualquer outra cultura como soja, milho, feijão e arroz.

Percebe-se que a cultura de pinus oferece muitas alternativas de uso da sua produção, o que a torna atraente para muitos investidores.

Não por acaso, vemos o grande interesse de fundos de pensão e fundos de investimentos estrangeiros em adquirir florestas de pinus no Brasil. O multi-uso do pinus gera renda democratizada, pois possibilita a geração de riqueza em vários segmentos da cadeia produtiva.

Na cadeia produtiva do pinus, são muitos os negócios que agregam valor, desde o pequeno produtor até aos vários segmentos industriais, gerando empregos e promovendo, assim, uma distribuição de renda. Também é importante lembrar que o plantio de pinus tem se transformado em uma importante renda alternativa para os pequenos agricultores, que utilizam áreas de terras disponíveis para complementar sua renda.

No entanto, vivemos um paradoxo instigante, onde, mesmo com tantas virtudes e sendo uma importante alternativa para o desenvolvimento de muitas regiões, a cultura de pinus carece de estímulo governamental e sofre ataques dos mais variáveis possíveis.

As alegações contra o seu cultivo vão desde o argumento de que se trata de uma espécie exótica invasora até o enquadramento equivocado das ditas florestas plantadas no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, que tem a finalidade de preservar e não de produzir.

Não por acaso, o país tem, neste momento, escassez de madeira de pinus em muitas regiões e, segundo estimativas, com tendência de faltar ainda mais no
futuro.

De tudo isso, percebe-se que faltam elementos estruturais e oficiais, que orientem o cultivo destas florestas, a começar por estudos sérios e imparciais, sobre os impactos destas culturas para a economia e para o meio ambiente, que possibilitem a criação de uma política pública que regulamente, adequadamente, o cultivo das florestas plantadas - e aqui se inclui o Eucaliptus que estimule o desenvolvimento equilibrado e sustentável destas culturas.

Os mitos que rondam as culturas de pinus devem ser esclarecidos e, acima de tudo, deve-se perceber a vantagem competitiva natural que o país tem, e transformar isso em fonte de geração de riqueza e renda para a sua população.

Fonte: www.sbs.org.br

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Indicações para escolha de espécies de Pinus

Nos últimos anos a utilização de Pinus na indústria madeireira brasileira tem sido crescente. As estimativas indicam que 35% do volume de madeira serrada produzida é formado de madeira desse gênero e no país existem, aproximadamente, 1,5 milhões de hectares de plantações.

Portanto, tratam-se de espécies fundamentais para o fornecimento de matéria-prima, com destaque as Regiões Sul e Sudeste (BALLARIN & PALMA, 2003). Porém, apesar da demanda, a indústria madeireira está preocupada com a progressiva diminuição da sua oferta.

O problema ainda não atinge as grandes empresas do setor afetando as pequenas, incapazes de manter vastas áreas próprias para reflorestamento (LOETZ,2003).

O estabelecimento e o manejo de florestas plantadas com Pinus vem possibilitando o abastecimento de madeira que, anteriormente, era suprido com a exploração da araucária. Essa prática é importante para ecossistemas florestais nativos, pois vem suprindo uma parcela cada vez maior da necessidade atual de madeira (SHIMIZU & MEDRADO).

As condições de adaptação do Pinus aos solos ligeiramente ácidos, que constituem a grande maioria dos solos do país, permitiram a implantação de extensas áreas que, juntamente coma adoção de práticas silviculturais adequadas, tornam as espécies deste gênero importante fonte de matéria-prima, proveniente de florestas estabelecidas dentro dos padrões de sustentabilidade (KRONKA et all, 2005).

A floresta de Pinus é diferenciada pelo seu multi-uso porque, após o corte, sua madeira pode ser destinada à indústria laminadora, que a utiliza para fabricação de compensados; para a indústria de serrados, que a transforma em madeira beneficiada ou é convertida em móveis; para a indústria de papel e celulose; para a indústria de MDF e, mesmo o seu resíduo, tem sido aproveitado como biomassa para geração de vapor e energia (CARGNIN,2005).

Na área de papel e celulose, que só trabalha com árvores de reflorestamento, o Pinus representa 30% das plantações. Ele é importante porque contribui com as fibras longas, imprescindíveis na fabricação de papéis, que exigem maiores resistências e melhor absorção de tinta (AGROPAUTA).

No caso dos compensados, estas espécies são responsáveis por 61% do volume anual produzido. Estima-se que aproximadamente 3,15 mil empresas no Brasil utilizam Pinus nos seus processos produtivos (VITAL,2005).

O potencial silvicultural das espécies de Pinus no Brasil é um fator fundamental para a sustentação do parque industrial madeireiro, sendo as mais plantadas e industrializadas o Pinus elliottii Engelm. e P. taeda. No entanto, existem muitas outras espécies de Pinus com grande potencial de utilização, que devem ser objetos de pesquisa tecnológica (IWAKIRI et al.).

Apesar desta grande potencialidade, no Brasil poucas são as pesquisas sobre as características e a qualidade da madeira de Pinus. Os poucos estudos existentes, em geral orientados mais para o setor de papel e celulose, são de pouca aplicabilidade na indústria de transformação mecânica da madeira.

Deve-se ressaltar que algumas espécies do gênero Pinus apresentam boa adaptação ecológica em diferentes condições edafoclimáticas existentes no Brasil.

Dessa maneira conseguem reproduzir, propagar e se desenvolver naturalmente em condições de pequena competição com a vegetação local. Para contornar possíveis problemas com essa característica do gênero é importante o correto manejo e a escolha adequada da área e das espécies o que é comumente feito nas principais empresas do setor que trabalham com esse gênero.

A escolha da espécie ideal é fundamental para eficiência e eficácia do plantio, portanto deve-se levar em consideração a finalidade e aspectos gerais do local, como clima, solo, entre outros.

Espécies de Pinus indicadas em função do uso

Arborização, parques e jardins: P. caribaea, P. elliottii, P. kesiya, P. montezumae, P. oocarpa, P. pinea, P. pseudostrobus, P. radiata, P. roxburghii, P. strobus, P. taeda, P. tecunumanii e P. virginiana
Celulose:
P. caribeae, P. taeda, P. maximinoi, P. patula, P. kesiya, P. pseudostrobus, P. tecunumanii, P. virginiana, P. strobus e P. echinata
Caixotaria:
P. kesiya, P. pinea e P. virginiana
Construções:
P. elliottii, P. kesiya, P. palustris, P. radiata, P. sylvestris, P. taeda, P. tecunumanii e P. wallichiana
Dormentes:
P. palustris e P. taeda
Estacas e moirões:
P. elliottii, P. caribaea var hondurensis, P. oocarpa, P. kesiya e P. pinea
Laminação:
P. taeda, P. elliottii, P. strobus, P. caribaea, P. chiapensis, P. maximinoi, P. oocarpa e P. tecunumannii
Lenha e carvão:
P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P. oocarpa e P. roxburghii
Móveis:
P. taeda e P. elliottii
Particulados (aglomerado, OSB, waferboard):
P. taeda, P. oocarpa, P. pinea, P. palustris, P. pinaster, P. patula, P. caribaea, P. chiapensis, P. maximinoi e P. tecunumannii
Postes:
P. palustris, P. pinea e P. taeda
Resina:
P. taeda, P. elliottii, P. tecunumanii, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P. pinaster, P. sylvestris, P. oocarpa, P. kesiya, P. merkusii, P. patula, P. montezumae, P. palustris, P. ponderosa, P. roxburghii, P. pseudostrobus, P. leiophylla, P. montezumae, P. hartwegii e P. echinata
Serraria:
P. taeda, P. elliottii, P. palustris, P. patula, P. oocarpa, P. maximinoi, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea

Espécies de Pinus indicadas em função do clima

Equatorial: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. maximinoi e P. oocarpa
Tropical Brasil Central:
P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi, P. patula, P. montezumae, P. kesiya, P. pseudostrobus, P. wallichiana, P. taeda e P. elliottii
Tropical Zona Equatorial:
P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. maximinoi e P. oocarpa
Teperado:
P. taeda, P. elliottii, P. patula, P. echinata P. montezumae, P. virginiana, P. radiata, P. kesiya, P. wallichiana, P. maximinoi, P. chiapensis, P. hartwegii, P. leiophylla, P. pinea, P.pinester, P. sylverstris, P. greggi, P. roxburghii, P. strobus, P. palustris, P. merkusii e P. ponderosa

Espécies de Pinus indicadas em função do solo

Argilosos: P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea, P. taeda e P. tecunumannii
Textura média:
P. kesiya e P. elliottii
Arenosos:
P. maximinoi, P. pinaster, P. hartwegii, P. leiophylla, P. maximinoi, P. elliottii, P. taeda, P. caribaea var hondurensis, P. caribaea var bahamensis, P.caribaea var caribaea e P. tecunumannii
Hidromórficos:
P. elliottii, P. contorta, P. palustris, P. taeda, P. tecunumanii, P. chiapensis e P. caribaea var hondurensis
Distróficos:
P. elliottii

Giovana Beatriz Theodoro Marto
Luiz Ernesto George Barrichelo
Paulo Henrique Müller

Bibliografia

AGROPAUTA. PINUS: Qual o potencial dessa madeira para o Brasil. http://www.agropauta.com.br/miudos.asp?todo=id&id=67. Consultado em 19/12/2005.
BALLARIN,A.W.;PALMA,H.A.L. Propriedades de resistência e rigidez da madeira juvenil e adulta de Pinus taeda L. Rev. Árvore, vol.27 no.3 Viçosa May/June 2003
CARGNIN,O. Alternativas das florestas de pinus. Disponível em: http://www.valeverde.org.br/html/clipp2.php?id=3752&categoria=Biodiversidade. Consultado em 28/09/05.
IWAKIRI, S.; SILVA, J.R.M.; MATOSKI,S..L.S.; LEONHADT,G.; CARON,J. Produção de chapas de madeira aglomerada de cinco espécies de pinus tropicais.
LOETZ,C. Vai faltar Pinus. http://an.uol.com.br/2003/abr/19/0loe.htm. Consultado em 19/12/2005
KRONKA,F.J.N.; BERTOLANI,F.; PONCE,R.H. A cultura do Pinus no Brasil. São Paulo: Sociedade Brasileira de Silvicultura, 2005
SHIMIZU,J.Y.;MEDRADO,M.J.S. Cultivo do Pinus http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pinus/CultivodoPinus/index.htm. Consultado em 07/01/2006.
TOMASELLI,I. A industria de painéis no Brasil e no mundo: tendências de mudanças do perfil de produção e usos. In: SEMINARIO INTERNACIONAL DE PRODUTOS SOLIDOS DE MADEIRA DE ALTA TECNOLOGIA, 1, Belo Horizonte, 1998. Anais. Belo Horizonte: SIF/UFV, 1998, p.55-64.
VITAL,B.R. Propriedades da madeira de Pinus elliottii. Revista da Madeira, nº 89 - ano 15 - abril de 2005. http://www.unesp.br/noticias/130804c.php. Consultado em 07/01/2006.
http://www.expressao.com.br/300/anuarios_eletronicos/anuario2005/conteudos/prod_florestais.htm. Consultado em 19/12/2005.

Fonte: www.ipef.br

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Espécies exóticas plantadas em SC

Para fins de reflorestamento com Pinus spp e Eucalyptus spp., o Estado de Santa Catarina pode ser dividido em:

a) faixa litorânea e
b) demais regiões do Estado, onde a ocorrência de geadas limita o desempenho de muitas espécies.

Na faixa litorânea, recomenda-se o plantio de Pinus caribae var. bahamensis (tropica), uma vez que seu rendimento é superior ao de P. elliottii var. elliottii e P. taeda tradicionalmente plantado.

Pinus
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Nas demais regiões do Estado, as espécies de maior rendimento são Pinus taeda e P.elliottii var. elliottii.

Embora espécies do gênero Pinus sejam as mais plantadas no Estado, tem havido crescente demanda de madeira de Eucalyptus spp., especialmente para energia.

Para a espécie Eucalyptus spp., a limitação prende-se também aos fatos edafoclimáticos, para a região litorânea recomenda-se o plantio de Eucalyptus grandis e E. saligna.

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Nas demais regiões do Estado em altitudes inferiores a 1.000 m recomenda-se Eucalyptus viminalis e E. dunnii, em altitudes superiores, apenas o E. viminalis.

Pinus caribaea Morelet var. bahamensis Barr. Et Golf.

Pinus caribaea var. bahamensis ocorre nas Ilhas Bahamas, entre as latitudes 24º e 27ºN, em baixas altitudes, em regiões com precipitações médias anuais de 1.000 a 1.500 mm e temperaturas médias anuais de 22º a 26ºC. O regime de chuvas é periódico, com estações secas de dois a cinco meses. Esta é a variedade mais indicada para as planícies costeiras; deve ser testada, também, em solos de drenagem lenta. Além de produzir madeira de exelente qualidade para cconstruções em geral, bem como matéria-prima para as indústrias de polpa e chapas, ela é produtora de resina.

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Pinus elliottii Engelm. Var. elliottii.

Pinus elliottii var.elliottii ocorre no sul e sudeste dos Estados Unidos, como P. taeda. Sua área é mais restrita, estendendo-se mais ao sul até o sul da Flórida, ao norte até o sul da Carolina do Sul e, a oeste, até o rio Mississippi A precipitação média anual na região de origem varia de 650 a 2.500 mm, com distribuição uniforme a estacional com períodos secos de dois a quatro meses. A temperatura média anual varia de 15º e 24ºC, a média das máximas do mês mais quente entre 23º e 32ºC e a média das mínimas do mês mais frio entre 4º e 12ºC. A madeira é de excelente qualidade para muitos usos; além disso, a espécie é importante produtora de resina.

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Pinus taeda L.

P. taeda é natural das regiões sul e sudeste dos Estados Unidos entre as latitudes 28º e 39ºN e longitudes 75º a 97ºW. A precipitação média anual nessa região varia de 900 a 2.200 mm, com boa distribuição durante o ano ou estacional com até dois meses de seca. A temperatura média anual varia de 13ºC a 19ºC, com média das máximas do mês mais quente entre 20ºC e 25ºC e a média das mínimas do mês mais frio entre 4ºC e 8ºC. A área de ocorrência de P. taeda é dividida em duas partes. A área maior ocorre a leste do rio Mississippi, formando populações contínuas de Mississippi até Delaware. A oeste do rio Mississippi ocorre uma população isolada, em uma região sujeita a secas mais prolongadas, no Texas. A madeira de P. taeda é de alta qualidade para muitos usos, como construção civil, fabricação de móveis, chapas e celulose. Esta espécie não é produtora de resina. A experimentação já realizada com P. taeda e P. elliottii, em Santa Catarina, permite recomendar para todas as regiões do Estado exceto para a região litorânea onde o P. caribae var.bahamanses é mais produtivo.

Eucalyptus dunnii Maiden.

A região de ocorrência natural de E. dunnii restringe-se a pequenas áreas no nordeste de Nova Gales do Sul e no sudeste de Queensland, em latitudes de 28º a 30º15'S e altitudes de 300 a 750 m. O clima desta região é subtropical úmido, com temperaturas média das máximas do mês mais quente entre 27ºC e 30ºC e médias das mínimas do mês mais frio entre 0ºC e 3ºC, ocorrendo de 20 a 60 geadas por ano. A precipitação média anual é de 1.000 a 1.750 mm, com concentração no verão; a precipitação mensal é sempre superior a 40mm e a estação seca, no inverno, não excede a três meses. E. dunnii, na área de distribuição natural prefere solos úmidos, férteis, principalmente de origem basáltica, mas também ocorre em solos de origem sedimentar, bem drenados. Na Australia, seu crescimento é considerado um dos mais rápidos entre as espécies de Eucalyptus. No sul do Brasil, E.dunnii tem-se destacado pelo rápido crescimento, uniformidade dos talhões, forma das árvores e tolerância às geadas. E. dunnii é indicado para plantios comerciais em todos o Estado de Santa Catarina, abaixo de 1.000 m de altitude.

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Eucalyptus viminalis Labill.

Na Austrália, a área de ocorrência de E. viminalis estende-se desde a Ilha da Tasmânia (43ºS) até a divisa entre NoGales do Sul e Queensland (28ºS), em altitudes que variam desde próximas ao nível do mar até 1.400 m. Na área de ocorrência natural, o clima varia de temperado a subtropical e de subúmido a úmido, com temperatura média das máximas do mês mais quente entre 20ºC e 32ºC e média das mínimas do mês mais frio entre -4ºC e 8ºC . As geadas variam desde zero, nas proximidades da costa, a mais de 100 por ano, nas altitudes maiores, onde pode nevar algumas vezes. A precipitação média anual varia de 500 a 2.000 mm, com distribuição uniforme no centro de Nova Gales do Sul e concentrada no verão, ao norte. A espécie prefere solos úmidos, bem drenados, principalmente aluviais ou Podzólicos arenosos com subsolo argiloso. No Brasil, E viminalis é tolerante às geadas, susceptível à deficiência hídrica e apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das touças.

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Eucalyptus saligna Smith.

A principal área de ocorrência de E. saligna situa-se nuam faixa de 120 Km ao longo da costa, de Nova Gales do Sul até o sul de Queensland. A espécie ocorre, ainda, de forma dispersa, no leste de Queensland, onde apresenta características próximas do E. grandis. Na região de distribuição natural, a latitude varia de 21º a 36ºS e altitude vai do nível do mar até 1.100 m; o clima é temperado ao sul e subtropical ao norte. A temperatura média das máximas do mês mais quente varia de 24ºC a 33ºC e a média das mínimas do mês mais frio de -2ºC a 8ºC. As geadas, ausentes nas altitudes próximas ao nível do mar, podem ocorrer em número superior a 60 por ano, nos planaltos ao norte de Nova Gale do Sul. A precipitação média anual é de 900 a 1.800 mm, com distribuição uniforme durante o ano, ao sul, e concentrada no verão, ao norte. Na sua área de ocorrência natural E. saligna desenvolve-se melhor em solos de boa qualidade, como aluviões de textura média, mas ocorre, também, em Podzóis e solos de origem vulcânica. Os solos são, geralmente, úmidos mas bem drenados. Embora seja tolerante ao frio é susceptível às geadas severas; a espécie suporta fogo baixo e tem alta capacidade de regeneração por brotação das touças; produzem madeira de maior densidade, em comparação com E. grandis, e apresentam maior tolerância à deficiência de boro. E. saligna é indicado para plantios comerciais em Santa Catarina em todas as regiões, em altitudes inferiores a 800 m, com cuidados em relação as geadas.

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Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden.

A principal área de ocorrência natural de E. grandis situa-se ao norte de Nova Gales do Sul e ao sul de Queensland, entre as latitudes 25º e 33ºS. A espécie ocorre ainda, no centro (21ºS) e no norte (16º e 19ºS) de Queensland. As altitudes variam desde próximas ao nível do mar até 600 m, na principal área de ocorrência, e entre 500 e 1.000 m nas áreas ao norte (Atherton-QLD). O clima varia de subtropical úmido (área sul) a tropical úmido. A principal área de ocorrência, a temperatura média das máximas do mês mais quente está entre 24ºC e 30ºC e a temperatura média das mínimas do mês mais frio entre 3ºC e 8ºC.

A precipitação média anual está entre 1.000 a 3.500 mm, com maior concentração no verão, principalmente no centro e no norte de Queensland. A estação seca não ultrapassa três meses. Quando plantado em locais adequados, E. grandis supera outros eucalyptos em crescimento, forma de tronco e desrama natural. Sua copa e densa, logo no inicio de crescimento, o que facilita o controle das plantas invasoras. A madeira de E. grandis é intensamente utilizada para vários fins.

Plantios bem manejados podem produzir madeira adequada para serraria e laminação. Esta espécie é susceptível a geadas e recomenda a ser plantada na região litorânea do Estado de Santa Catarina com grande performance.

Fonte: www.acr.org.br

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Cultivo do Pinus

Espécies de Pinus são plantadas em todo mundo, e valorizadas pelas seguintes características:

a) madeira de cor clara, variando de branca a amarelada
b)
madeira de fibra longa, apropriada para fabricação de papel de alta resistência para embalagens, papel de imprensa e outros tipos de papel
c)
possibilidade de extração de resina, em escala comercial, em algumas espécies
d)
rusticidade e tolerância, possibilitando o plantio em solos marginais para agricultura e, assim, agregar valor à terra com a produção adicional de madeira, formação de cobertura protetora do solo e reconstituição de ambiente propício à recomposição expontânea da vegetação nativa em ambientes degradados
e)
valor ornamental para arborizações e paisagismo

No Brasil, os pinus vêm sendo plantados há mais de um século, tendo sido, inicialmente, introduzidos para fins ornamentais. Somente a partir de 1950 é que foram plantadas em escala comercial para produção de madeira. O principal uso deles é como fonte de matéria-prima para as indústrias de madeira serrada e laminada, chapas, resina, celulose e papel.

O estabelecimento e o manejo de florestas plantadas com pinus vem possibilitando o abastecimento de madeira que, anteriormente, era suprido com a exploração do pinheiro brasileiro. Assim, essa prática estabeleceu-se como uma importante aliada dos ecossistemas florestais nativos pois vem suprindo uma parcela cada vez maior da necessidade atual de madeira.

Espécies de Pinus vêm sendo plantadas, em escala comercial, no Brasil, há mais de 30 anos. Inicialmente, os plantios mais extensos foram estabelecidos nas Regiões Sul e Sudeste, com as espécies P. taeda para produção de matéria-prima para as indústrias de celulose e papel e P. elliottii para madeira serrada e extração de resina. 

Atualmente, com a introdução de diversas espécies, principalmente das regiões tropicais, a produção de madeira de Pinus tornou-se viável em todo o Brasil, constituindo uma importante fonte de madeira para usos gerais, englobando a fabricação de celulose e papel, lâminas e chapas de diversos tipos, madeira serrada para fins estruturais, confecção de embalagens, móveis e marcenaria em geral.  

A grande versatilidade das espécies para crescer e produzir madeira em variados tipos de ambiente, bem como a multiplicidade de usos da sua madeira possibilita a geração desse recurso natural em todo o território nacional, em substituição às madeiras de espécies nativas. O desenvolvimento da tecnologia de utilização da madeira de pínus e a ampliação das alternativas de uso tornaram essas espécies cada vez mais demandadas no setor florestal.

Em decorrência disso, vem aumentando o número de produtores, especialmente pequenos e médios proprietários rurais, interessados no plantio e manejo de Pinus, em busca de dados técnicos para plantio, manejo e viabilização do agronegócio com estas espécies.  Este trabalho foi elaborado na tentativa de suprir as informações básicas necessárias aos produtores, visando elevar a cultura de pínus como alternativa estratégica e rentável nos setores florestal e agroflorestal brasileiro.

Espécies de Pinus mais plantadas no Brasil

As espécies de Pinus que se destacaram, inicialmente, na silvicultura brasileira, foram P. elliottii e P.taeda, introduzidas dos Estados Unidos, visto que as atividades com florestas plantadas eram restritas às Regiões Sul e Sudeste. A partir dos anos 60, iniciaram-se as experimentações com espécies tropicais como P. caribaea, P.oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi e P. patula possibilitando a expansão da cultura de Pinus em todo o Brasil, usando-se a espécie adequada para cada região ecológica.

A partir dos anos 80, experimentos com amostras de uma ampla variedade de procedências das espécies já conhecidas, bem como de espécies tropicais possibilitou a ampliação de opções de espécies e o potencial econômico desses Pinus em plantios comerciais. Espécies como P. maximinoi, P. chiapensis e P. greggii poderão, brevemente, ser incorporadas, operacionalmente, como produtoras de madeira, assim que estudos de produtividade e adaptação das diferentes procedências chegarem à maturidade e os povoamentos entrarem em fase de produção de sementes.

Preparo de área

Para se estabelecer um plantio de Pinus por mudas, devem ser consideradas várias situações na tomada de decisão sobre o preparo da área. Um dos fatores que mais influenciam no crescimento do Pinus é a profundidade efetiva do solo.

Mesmo sendo árvores que atingem grandes dimensões, poucas raízes são encontradas a mais de 60 cm de profundidade. Assim, se o plantio for em áreas que eram anteriormente utilizadas com cultivos agrícolas mecanizados, é recomendável preparar o solo com subsolador pois é provável que ele esteja compactado.

O mesmo procedimento deve ser adotado em áreas com solos pedregosos na superfície e com profundidade efetiva maior que 50 cm.

Em áreas previamente utilizadas com pastagem, a profundidade da subsolagem pode ser reduzida, uma vez que a compactação, decorrente de pisoteio, é superficial. Nestes casos, o mais importante é o controle das gramíneas, durante o primeiro ano do plantio.

Em áreas de plantio de segundo ciclo de Pinus, o preparo do solo será necessário somente se a colheita e a retirada da madeira tiverem sido mecanizadas pois estas operações sempre causam compactação do solo. Quanto maior o teor de umidade no solo, mais profunda e mais severa serão os efeitos desses equipamentos na compactação do solo.

Doenças

O pínus pode ser atacado por patógenos, principalmente fungos, desde a fase de viveiro até em plantios adultos.

Os principais problemas de doenças em pínus são: tombamento de mudas; podridão-de-raiz; mofo-cinzento; queima de mudas por Sphaeropsis; armilariose; queima de acículas por Cylindrocladium; seca de ponteiros e morte de árvores por Sphaeropsis; ausência de micorrizas; fumagina; afogamento do coleto; enovelamento de raízes; geadas; descargas elétricas e; granizo.

Pragas

Aspectos gerais

O pínus pode ser atacado por diveras pragas, destacando-se dentre ela, as seguintes: formigas, vespa-da-madeira e pulgões.

Fonte: sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br

Pinus

A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação

Pinus
A produção de papel e celulose só é economicamente viável a partir de florestas homogêneas.

As indústrias florestais estão destinadas a representar importantes papéis no desenvolvimento econômico interno e no comércio exterior do País, objetivos do Programa Nacional de Papel e Celulose.

A dinâmica que ora caracteriza o setor resulta de condições locais e internacionais favoráveis. O Brasil tem o homem, o clima e as terras para isto. E os países que dominam o mercado de papel e celulose vão chegando aos limites das possibilidades de aproveitamento das reservas existentes e da expansão florestal.

As perspectivas que vão sendo abertas para o setor são também acompanhadas de expressões de preocupação quanto aos seus possíveis reflexos sobre a ecologia. Tais receios não se referem ao desflorestamento predatório, mas, às atividades de reflorestamento que estão sendo realizadas.

A produção de papel e celulose só é economicamente viável a partir de florestas homogêneas. Grandes florestas plantadas estão surgindo no País.

Eucalipitais, pinheirais e outras. Entre as alegações dos que combatem o reflorestamento com fins industriais, uma muito freqüente é a de que as florestas plantadas tendem a criar desertos.

Dado a importância que se atribui ao desenvolvimento das indústrias florestais, e ao seu significado para o País, seria conveniente que a questão fosse abordada de forma mais científica e menos polêmica.

No presente trabalho, o autor tece comentários acerca da cultura do Pinus onde procura retratar de uma forma simples e clara o cultivo dessa essência, apresentando aspectos que vão desde a obtenção das sementes de procedência adequada à utilização da madeira do referido vegetal.

GENERALIDADES

Quando as espécies que ocorrem naturalmente numa determinada região apresentam desenvolvimento muito lento, madeira de qualidade inferior, exigências de clima e fertilidade de solo, há necessidade de se introduzir espécies de outra região.

Um exemplo da necessidade de introdução de espécies é o Brasil, onde ocorrem extensas áreas de solo arenoso, ácido, profundo e pobre, de boa conformação e fácil de ser trabalhado, apresentando ótimas condições para florestamento e reflorestamento. Paralelamente, há grande demanda de madeira de coníferas para utilização geral.

No Brasil existem três espécies de coníferas que ocorrem naturalmente: o Podocarpus lambertii, Podocarpus selowii e Araucaria angustifolia. Das três espécies, somente Araucaria angustifolia tem importância econômica, mas, por ser exigente em clima e solo, não pode ser usada no florestamento e reflorestamento das áreas citadas anteriormente.

Procurando utilizar economicamente as áreas que ocorrem no Estado de São Paulo, em 1936, o Serviço Florestal do Estado de São Paulo iniciou a introdução de coníferas exóticas, principalmente com espécies de origem européia, destacando-se entre elas o Pinus pinaster.

Em 1947-1948 foram introduzidos, do sudeste dos Estados Unidos, o Pinus elliottii e Pinus taeda, e do Chile, o Pinus radiata, sendo o Pinus radiata praticamente dizimado pela Diploidia pinae, após alguns anos.

Em 1955-1964, estabeleceram-se grandes programas de reflorestamento, baseados exclusivamente em Pinus elliottii e Pinus taeda, sendo que, até 1974, somente o serviço Florestal do Estado de São Paulo plantou 60.000.000 de árvores. O crescimento inicial rápido e uniforme e as facilidades de aquisição de sementes fizeram com que a maior parte das plantações fosse feita com Pinus elliottii.

Muitas plantações foram efetuadas fora das condições ecológicas normais exigidas, resultando que o Pinus elliottii e o Pinus taeda não encontraram condições de desenvolvimento favoráveis, principalmente nas regiões de solos pobres e secos.

Nas regiões Norte e Cetro do Estado de São Paulo, onde se situam os cerrados, caracterizados por inverno e primavera secos e solos pobres, as espécies que melhor se adaptaram foram as de origem tropical (Pinus caribaea hondurensis, Pinus caribaea caribaea, Pinus caribaea bahamensis, Pinus oocarpa e Pinus kasiya).

Como no cerrado sulista, no Nordeste brasileiro, onde há predominância do clima semi-árido e solos pobres, as espécies tropicais também estão se manifestando de modo satisfatório. A espécie Pinus caribaea hondurensis, por apresentar ótimo comportamento no viveiro e, atualmente, no campo, é a que reputamos como a mais promissora para os futuros projetos de reflorestamento nesta região (Fotos 1 e 2).

Pinus

Foto 1 - Talhão de Pinus caribaea hondurensis plantado na década de 70, pelo Convênio SUDENE/IBDF, no Posto Agropecuário da Delegacia do Ministério da Agricultura, na cidade de Igarassú (PE).

Pinus

Foto 2 - Experimento de competição de procedências com Pinus caribaea hondurensis plantado na década de 70, pelo Convênio SUDENE/IBDF, no Posto Agropecuário da Delegacia do Ministério da Agricultura, na Cidade de Igarassú (PE).

Com base no exemplo, pode-se afirmar que a introdução de espécies exóticas tem como finalidade determinar quais as espécies mais aptas para uma determinada região, visando, sobretudo, à rapidez de crescimento e à produção de madeira de qualidade para variados fins.

Para o sucesso da introdução, em primeiro lugar, deve-se ter conhecimentos detalhados sobre a espécie que se pretende introduzir, em relação à ecologia, qualidade da madeira, suscetibilidade a pragas e doenças etc. Através do conhecimento detalhado da espécie, pode-se avaliar se ela terá ou não condições de suprir as exigências de mercado e, provavelmente, adaptar-se às condições ecológicas. Paralelamente, deve-se proceder a um comparativo entre os fatores climáticos da região de origem e do local de introdução.

Os principais fatores climáticos que podem ser limitantes para o êxito da introdução de uma espécie são:

Temperatura máxima e mínima;
Precipitação anual e sua distribuição durante o ano;
Umidade relativa do ar e,
Diferenças fotoperiódicas

Deve-se, contudo, ressaltar que não há necessidade de que os climas coincidam exatamente pois os fatores climáticos e suas interações podem compensar pequenas deficiências que possam existir.

Importante também é a plasticidade genética da espécie, isto é, sua capacidade de adaptação mesmo em ambientes diferentes dos da região de ocorrência natural.

Entretanto, certos limites não podem ser ultrapassados: uma planta nativa de uma região com 200 mm de pluviosidade não poderá ser introduzida numa região onde a pluviosidade atinja, digamos 2400 mm e vice-versa.

Para finalizar, além dos fatores acima mencionados, todos os fatores ambientais - da região de origem da semente e da área a ser plantada - deverão ser convenientemente estudados, destacando-se entre eles: latitude, longitude, altitude, solos etc..

CARACTERES BOTÂNICOS

Os Pinus são plantas lenhosas, em geral arborescentes, podendo atingir grandes alturas. Caracteristicamente, têm um tronco retilíneo que sustenta a copa. O lenho é secundário, apresentando traqueides e canais resiníferos.

As folhas são aciculadas (em forma de agulhas), espiraladas. Cada megasporófilo (escama carpelar) transporta dois óvulos, e é protegido por uma folha estéril, a escama de cobertura. Esta não se desenvolve após a fecundação e é incorporada à base da escama carpelar que cresce e se torna lenhosa. Sementes muitas vezes aladas. Alas formadas a partir de uma porção da escama carpelar. Flores masculinas em densos estróbilos alongados; cada microsporófilo transportando dois sacos polínicos (microsporângios).

Os cones ou estróbilos femininos são formados por numerosos macrosporófilos pequenos sustentados por escamas protetoras, externas. Em cada macrosporófilo há dois óvulos totalmente concrescidos com a parte superior do mesmo Gimnosperma com fecundação através de sinfogamia, ou seja, através de um tubo resultante da germinação do microsporo e que, partindo da câmara polínica, alcança a oosfera, através do tecido megasporângio (núcleo), lá lançando os núcleos espermáticos. Este modo de fecundação ocorre em todas as Angiospermas e nas Gimnospermas só nas ordens Coniferae, Taxales e Gnetales.

ESCALA TAXONÔMICA DA ESPÉCIE (A. Schultz)

Reino: Vegetal
Divisão:
Embryophytae siphonogamae (Spermatophytae)
Subdivisão:
Gymnospermae
Classe:
Coniferopsida
Ordem Coniferae
Família:
Pinaceae
Subfamília:
Pinoideae
Gênero:
Pinus
Espécie:
Pinus sp.

É muito difícil determinar as diferenças entre as espécies de Pinus mediante os caracteres botânicos. Há casos de técnicos que, mediante a vivência com as espécies, conseguem distinguí-las.

Essas diferenças são determinadas, levando-se em consideração: número de acículas, coloração das acículas, disposição das acículas nos ramos, forma das sementes, tamanhos dos cones, coloração das sementes tec.

PROCEDÊNCIAS DE ALGUMAS ESPÉCIES INTRODUZIDAS NO BRASIL

O Pinus tem um número muito grande de espécies, algumas originárias dos Estados Unidos, como são os casos do Pinus elliottii, que ocorre desde o sul do Estado da Carolina do Sul até a Flórida, estendendo-se a oeste até quase o Rio Mississipi, e do Pinus taeda, que é encontrado nos Estados de Nova Jersey, Flórida, Texas, Arkansas, Oklahoma, Vale do Mississipi e Tennessee.

Estas espécies estão plantadas em larga escala no sul do País, compreendendo os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo.

O Pinus elliottii necessita de invernos frios com temperaturas mínimas de 0C e não suporta períodos secos com déficit hídrico. Botanicamente falando, esta espécie é denominada Pinus elliottii var. elliottii. Existe outra espécie que é o Pinus elliottii var. densa muito pouco utilizada até agora. A dificuldade de se obter sementes é ainda um obstáculo à sua difusão. Em São Paulo, esta espécie tornou-se promissora em áreas de transição entre Pinus elliottii var. elliottii e Pinus caribaea var. caribaea.

O Pinus taeda, está plantado em vários locais da região sul. Em altitudes superiores a 1200 m, apresenta crescimento excelente, superior ao do Pinus elliottii.

Em contraste, os plantios em outras regiões indicam a pouca conveniência de se utilizar esta espécie nos reflorestamentos.

Outra espécie que está sendo plantada em regiões altas é o Pinus patula.

São condições ideais para o seu desenvolvimento: temperaturas baixas no inverno, amena no verão e chuvas periódicas com secas no inverno, mas sem déficit hídrico. Aqui no Brasil os melhores plantios estão na Serra da Mantiqueira, onde a região apresenta mais ou menos as características descritas anteriormente. Esta espécie é originária das montanhas Oaxaca, Vera Cruz, Puebla e Hidalgo, México.

Para os reflorestamentos do Nordeste, temos que introduzir as espécies tropicais que estão se desenvolvendo com êxito no cerrado paulista.

Como algumas espécies tropicais podemos citar:

Pinus caribaea

Esta espécie compreende três variedades: Pinus caribaea caribaea, procedente do litoral atlântico da América Central (Cuba), Pinus caribaea bahamensis das Ilhas Bahamas, e o Pinus caribaea hondurensis da região continental centro-americana.

As espécies encimadas confirmam excelentes qualidades, mas não está claro a qual das três variedades convém das preferência nos diferentes locais.

O que se pode adiantar a esse respeito é que o Pinus caribaea hondurensis, é, entre os três, o maior produtor de madeira, fato este que deverá ser levado em conta, caso o plantio tenha como propósito principal produzir matéria-prima para celulose. Se o objetivo do plantio é produzir madeira para serraria, convém dar preferência à variedade de Cuba, que produz fustes mais retos e madeira mais densa ou utilizar a variedade das Bahamas, que tem características intermediárias.

No que diz respeito à topografia e drenagem do solo, a variedade das Bahamas tolera também solos de baixadas, mal drenados, condições estas que a variedade continental suporta parcialmente e a variedade de Cuba, que gosta de solos altos e secos, não suporta em absoluto.

Com respeito ao balanço hídrico, a variedade de Cuba apresenta melhor adaptação do que as demais às regiões com pouco déficit hídrico.

Outro problema a ser resolvido por experimentação é o que se refere à procedência geográfica da semente a ser utilizada para cada variedade. Esta dúvida não existe tanto com relação à variedade de Cuba, que tem uma área de distribuição pequena, quanto existe para a variedade das Bahamas e ainda para a variedade continental, que tem uma área de ocorrência muito grande.

A seguir, alguns caracteres básicos das espécies:

Pinus caribaea caribaea - Acículas agrupadas em 3, raramente 4. Cones 5 a 10 cm de comprimento. Sementes com asas ligadas (ficando aladas após cairem do cone).
Pinus caribaea hondurensis -
Acículas agrupadas em 3, as vezes 4, 5 e 6 em árvores jovens; cones com 6 a 14 cm de comprimento; sementes com asas articuladas (as asas desprendem-se da semente quando caem do cone), à exceção de uma pequena porcentagem em que as asas ficam ligadas às sementes.
Pinus caribaea bahamensis -
Acículas agrupadas em 2 a 3; cones com asas articuladas, raramente ligadas.

Resumindo, o Pinus caribaea é considerado potencialmente apto às regiões que se queira reflorestar no Nordeste.

Pinus oocarpa

Sua área de distribuição vai do México até a Nicarágua, em áreas de colinas e montanhas entre 600 e 2500 m de altitude. Em experimentações realizadas em Minas Gerais, nas cidades de Sacramento, Nova Ponte, Sete Lagoas, Itabira Viçosa, Poços de Caldas e Belmiro Braga, os resultados com sementes originárias de algumas regiões de Honduras e Nicarágua obtiveram resultados considerados bons e ótimos; porém, os obtidos com sementes da Guatemala foram menos satisfatórios. Esta espécie também poderá ser plantada no Nordeste, só que apresenta maior sensibilidade à baixa fertilidade do solo do que o Pinus caribaea.

Pinus kesiya (sinônimo Pinus insularis)

Espécie procedente das Filipinas e Vietnam. Pluviosidade entre 1800 e 4500 mm, altitude 900 a 1500 m e curto período de seca. Geralmente a produção volumétrica desta espécie é muito boa, porém o mesmo não acontece com a sua forma, já que os exemplares exibem troncos cônicos, tortuosos e com muitos galhos. Esta pode ser uma espécie interessante para a produção em ciclos curtos, de madeira abundante, para a elaboração de chapas aglomeradas. Segundo Golfari, não valerá a pena introduzir-se esta espécie no Nordeste.

Pinus estrobus chiapensis

Espécie originária do sul do México e oeste da Guatemala, onde cresce a uma altitude entre 700 e 1800 m, em vales úmidos, às vezes, com drenagem lenta ou em áreas com elevadíssimo índice pluviométrico (até 5000 mm). Esta espécie foi introduzida no cerrado paulista e, segundo citações de Golfari, não está com mau aspecto.

De acordo com a experimentação, as seguintes espécies não encontram condições favoráveis de vida no País: Pinus ayacachuite, P. clausa, P. canariensis, P. densifolia, P. douglasiana, P. eldarica, P. halepensis, P. hartwegii, P. insularis, P. leiophylla, P. luchuensis, P. massoniana, P. nigra, P. montezumae, P. oaxacana, P. ponderosa, P. pseudos trobus, P. rudis, P. teocote, P. silvestris, P. strobus, P. taiwanensis, P. tenuifolia, P. merkusii, P. thumbergii, P. virginiana, P. michoacana.

TESTE DE PROCEDÊNCIA

Em todo empreendimento florestal deve-se sempre utilizar sementes melhor adaptadas. A origem das sementes irá, como conseqüência, limitar os ganhos genéticos e condicionar o sucesso do empreendimento.

O melhor, mais rápido e mais econômico é aquele obtido pela simples seleção da fonte ou origem geográfica das sementes mais adaptadas.

Todo e qualquer método de melhoramento, por mais sofisticado que seja, não conduzirá a nada se os fatores acima mencionados não forem levados em consideração no programa.

As plantações de espécies não adaptadas, normalmente, são denominadas plantações fora de condições ecológicas e tal prática pode originar, como conseqüências:

Morte ou prejuízos causados pela não adaptação - exemplos já observados em algumas regiões do Brasil: Pinus elliottii, P. radiata, P. taeda, P. pinaster (como espécies não adaptadas).

O crescimento e a sobrevivência são bons nos estágios iniciais, mas, logo após, o povoamento começa a perder o vigor e, muitas vezes, não atingirá os limites comerciais para exploração. Muitas vezes, apesar das perdas e da produção insuficiente, o povoamento é mantido, exclusivamente por estar quase nas dimensões de corte, existindo relutância, por parte dos técnicos, na sua eliminação e início de novos testes (Pinus elliottii em São Paulo).

O crescimento e a sobrevivência são normais, mas um conjunto de fatores climáticos externos pode destruir a plantação. Geadas e, 1975 no sul do Brasil, afetando o Pinus caribaea hondurensis etc..

O povoamento cresce normalmente mas, na época de exploração, a madeira a ser explorada não apresenta as condições exigidas para sua industrialização.

Este é um resultado marginal da não adaptação.

Podemos dizer que é difícil prever se as qualidades da madeira a ser produzida serão boas ou não, em função das diferenças ambientais entre o local de plantio e a zona onde as espécies introduzidas vegetam naturalmente.

Tendo em vista que nos países em desenvolvimento há necessidade de serem antecipados os resultados da introdução de espécies, pois há urgência de serem instaladas extensas plantações, podemos considerar que os principais riscos de insucesso com a utilização dos dados preliminares poderão ser devidos a:

Má adaptação;
Madeira sem qualidade básica para industrialização;
Utilização de sementes baratas, de fontes ou origens erradas, não idôneas;
Perda de crescimento, alta mortalidade resultante de secas, geadas etc..

Para o estudo adequado dos testes de procedência, devemos entender melhor o que seja origem da espécie, procedência da espécie e fonte de sementes.

Origem da espécie: é a sua zona de ocorrência natural.

Procedência da espécie: é a localidade da população de árvores identificadas dentro da zona de ocorrência natural da espécie.

Fonte de sementes: Plantação ou árvores dentro da zona natural ou de introdução da espécie onde a semente foi colhida.

O teste de procedência desempenha alta importância na determinação das fontes de sementes para os plantios das espécies adequadas. Visa, acima de tudo, determinar o porte da árvore em função da variação em altitude numa mesma localidade, porte da árvore em função da variação na profundidade do solo. Visa portanto, a determinação de uma mudança contínua em uma característica associada a um gradiente ambiental.

OBTENÇÃO DE SEMENTES

Dentro de cada região geográfica da área de ocorrência natural da espécie, deve-se obter sementes dos melhores povoamentos. Geralmente, nos povoamentos escolhidos, são colhidas sementes de pelo menos 5 a 10 árvores que apresentam boa forma e desenvolvimento.

A produção de sementes de boa qualidade fisiológica, genética e física é o objetivo final de um determinado sistema de produção de sementes.

Independentemente do sistema em si, há necessidade de aplicar uma determinada tecnologia nas diversas etapas do processo de produção, bem como aplicar uma tecnologia adequada e padronizada para avaliar a qualidade das sementes produzidas.

Assim, produzir sementes tem certas implicações e, consequentemente, exige uma série de conhecimentos que podem ser gerais em alguns aspectos, mas que, normalmente, são específicos para as diferentes espécies.

Os conhecimentos que podem ser considerados prioritários são:

a) conhecimentos sobre fatores ambientais e fatores inerentes às plantas, que afetam quantitativamente a produção de sementes;
b)
conhecimentos sobre métodos de colheita mais adequados para diferentes situações e espécies;
c)
conhecimentos sobre beneficiamento e conservação de espécies;
d)
conhecimentos sobre análise de sementes para avaliar a qualidade das sementes produzidas.

Produzir sementes significa mais do que colher sementes. Significa colher árvores superiores, na época mais adequada, beneficiar as sementes e armazená-las sob boas condições, bem como realizar testes para avaliar sua qualidade. Estas diferentes etapas, embora aparentemente dissociadas, fazem parte de um conjunto que visa assegurar ao produtor disponibilidade de sementes de qualidade superior, em quantidades suficientes.

SEMENTES

A semente do Pinus é de tamanho variável (2 a 15 mm de comprimento com 2 a 10 mm de largura); geralmente é mais ou menos do tamanho de um grão de arroz.

A extração é um termo empregado para designar a abertura dos frutos ou cones e a conseqüente liberação das sementes. No caso dos cones de Pinus, a abertura ocorre pela perda de umidade. Como esta perda de umidade depende da umidade relativa do ar e da temperatura, a velocidade com que se dá a abertura depende das condições naturais do clima, na ocasião de maturação. Em termos práticos, o que se faz é deixar os cones em tabuleiros ao sol ou em estufas até que a secagem seja suficiente para a liberação das sementes.

Embora seja mais rápida a extração das sementes com temperaturas mais elevadas, deve-se tomar certo cuidado com temperaturas muito elevadas, que são prejudiciais às sementes. Além do problema de danificação à semente por altas temperaturas, devemos também observar que pode haver indução à dormência de certas espécies.

O beneficiamento de sementes, de uma forma geral, tem como principais objetivos a sua limpeza e classificação.

As sementes de Pinus, em razão de suas características, como por exemplo, o tamanho relativamente grande, permitem uma purificação melhor (tratamento da semente em peneiras, com movimentos vibratórios). Por isso apresentam-se, normalmente, isentas de impurezas, com exceção das asas aderentes (sementes aladas), que necessitam ser removidas para facilitar a semeadura e reduzir o volume de armazenamento. Esta eliminação das asas, feita manual ou mecanicamente, geralmente, causa injúrias às sementes. No desalamento feito mecanicamente, os danos são maiores e suas conseqüências se manifestam tanto imediatamente após a operação como também após um certo período de armazenamento.

Ainda com relação à semente de Pinus, um aspecto importante a ser observado é a sua classificação, tornando os lotes uniformes, o que facilita a semeadura mecânica. Além da maior facilidade de semeadura, sementes uniformes quanto ao tamanho e peso poderão originar lotes de mudas mais uniformes. Embora a literatura cite casos em que há influência do tamanho e peso sobre germinação e vigor para algumas espécies, os estudos, geralmente, se referem a espécie de clima temperado, havendo a necessidade de estudos mais detalhados para as espécies utilizadas no clima tropical do Brasil.

Com relação à conservação das sementes, um período de armazenamento é, em geral, necessário por diversas razões.

Como a semente é um organismo vivo, após atingir sua maturidade fisiológica, sofre certas modificações irreversíveis, sendo a perda da capacidade de germinar a última conseqüência destas modificações. Este processo, denominado deterioração, é inevitável, mas pode ser minimizado proporcionando-se às sementes condições adequadas de armazenamento.

A longevidade das sementes depende de uma série de fatores, entre os quais podemos destacar:

Condições ambientais durante a maturação;
Condições ambientais após a maturação;
Danificação durante extração e beneficiamento;
Características da espécie;
Teor de umidade da semente;
Temperatura de armazenamento.

Uma vez colhida a semente, os principais fatores envolvidos na sua conservação são a temperatura e o teor de umidade. Baseado neste fato, procurase armazenar as sementes com baixo teor de umidade e temperaturas baixas. Para sementes de Pinus de clima temperado, a literatura nos informa que temperaturas abaixo de zero graus centígrados são melhores que temperaturas imediatamente acima (3 - 5C).

Por outro lado, os teores de umidade entre 6 - 10% são considerados bons para armazenamentos por longos períodos. As ações da temperatura e do teor de umidade devem, entretanto, ser observadas em conjunto.

Em muitos casos, uma semente se conserva melhor em temperaturas relativamente elevadas (25C) quando seu teor de umidade é baixo (6 - 8%), do que quando armazenada a baixas temperaturas com elevado teor de umidade. O inverso se verifica também em certos casos. Como para a maioria das espécies, um teor de umidade baixo (6 - 12%) é o mais adequado para um armazenamento seguro.

Uma secagem até este teor de umidade parece ser um meio eficiente de se conseguir uma boa conservação. Entretanto, a secagem por si só não resolve o problema, pois uma semente armazenada em determinado ambiente entra em equilíbrio com a umidade do ar, atingindo um teor de umidade de equilíbrio.

Assim, a diferentes umidades relativas, cada espécie apresenta um teor de umidade de equilíbrio.

Procurou-se contornar o problema, armazenando as sementes em embalagens impermeáveis. Os trabalhos realizados, principalmente com sementes de hortaliças, mostraram, contudo, que a conservação das sementes em embalagens impermeáveis somente é segura por períodos prolongados quando o teor de umidade destas sementes estiver entre 4 - 8%.

Um outro problema relacionado com a conservação é a oscilação de temperatura e umidade. A literatura relata que as oscilações de temperatura e umidade, em certos casos, são mais prejudiciais à conservação do que a manutenção nos extremos desta oscilação. Num armazenamento em câmara fria, as sementes, geralmente, apresentam elevado teor de umidade, se bem que neste caso a baixa temperatura (3 - 5C) impede uma rápida deterioração, a despeito do elevado teor de umidade.

Isto somente é válido durante o período que a semente permanece no interior da câmara. A retirada da semente e a sua não utilização imediata podem fazer com que ela se deteriore rapidamente.

PRODUÇÃO DE MUDAS

Neste item será apresentado um apanhado geral sobre os principais tipos de recipientes utilizados na produção de mudas de essências florestais.

Recipientes

Podemos dizer que os principais aspectos a serem observados quando se escolhe um determinado tipo de recipiente para a produção de mudas são: a resistência ao período de encanteiramento, facilidade de enchimento, facilidade de manuseio e transporte, permeabilidade às raízes, boa retenção de umidade, custo acessível etc..

Tipos de recipientes

Torrão paulista - é um dos dos mais tradicionais recipientes utilizados. Todavia, está sendo progressivamente substituído por outros tipos, principalmente por causa da mão-de-obra envolvida na sua confecção e das perdas ocorridas por quebra durante o manuseio das mudas até o plantio, especialmente em dia muito chuvosos.

Saco plástico - é o recipiente mais utilizado atualmente na produção de mudas florestais. Embora seja um recipiente de fácil manuseio, apresenta o inconveniente de não permitir uma permanência muito prolongada no viveiro pois ocasiona o enovelamento das raízes.
Laminado -
Recipiente bastante utilizado, principalmente na região sul do País. Dependendo do tipo de madeira com que foi produzido, exige também a retirada por ocasião do plantio. O preço da lâmina e a dificuldade de ser encontrada são os principais fatores limitantes à utilização desse tipo de recipiente.
Paper-pot -
é um tipo de recipiente que se aproxima do ideal. Sua durabilidade em serviço e permeabilidade às raízes são excelentes. Sendo um recipiente de papel, não necessita ser retirado por ocasião do plantio. Além dessas vantagens, o sistema paper-pot permite uma produção de mudas totalmente mecanizada, desde o enchimento dos recipientes até a semeadura, obtendo-se rendimentos de até 400.000 recipientes semeados, por 8 horas de trabalho. Este processo poderia ser utilizado num esquema de produção centralizada de mudas num distrito florestal e posterior distribuição das mesmas.

A maior limitação do paper-pot é a necessidade de importação e o custo elevado desse tipo de recipiente.

Fertil-pot - é um recipiente composto de turfa e fibras vegetais. Fácil de ser manuseado, resiste bem ao enchimento e é permeável às raízes. Durante a fase de produção de mudas este recipiente não deve ser colocado em contato direto com o solo, nem protegido lateralmente com terra, evitando-se assim, o desenvolvimento das raízes além das paredes do recipiente. Uma forma adequada de disposição do ferti-pot é sua colocação em estrados de tela de arame, suspensos do solo.

Tal como o paper-pot, este tipo de recipiente apresenta como maior limitação o seu custo elevado e a necessidade de importação.

Outros tipos - atualmente os países com tecnologia avançada na produção de mudas florestais têm desenvolvido recipientes plásticos e recipientes de isopor.

Esses recipientes aproximam-se mais das formas que moldam as raízes das plantas, as quais, no momento do plantio servem como protetoras do bloco de terra utilizado na formação da muda.

As principais vantagens apresentadas pelos fabricantes desses tipos de recipientes são: a possibilidade de utilização do mesmo recipiente por diversas vezes; a facilidade de manuseio; elevado rendimento no transporte; características inerte e estéril do material com que é produzido.

As maiores limitações são o custo elevado e necessidade de importação; a grande ocupação de espaço quando o material não está em uso; as possibilidades de quebra das mudas quando da retirada das mesmas.

Esses recipientes necessitam de testes para verificar a possibilidade de sua utilização em nosso meio.

Pelas características dos recipientes apresentados, observa-se que os recipientes de papel são aqueles que apresentam as maiores possibilidades para preencher os requisitos da produção de mudas florestais.

Dessa forma deve ser dada ênfase especial aos estudos que visem a produção em nosso meio de recipientes de papel, que não atrasem o desenvolvimento das mudas e que sejam viáveis quanto ao aspecto econômico.

Preparo do solo para o enchimento dos recipientes

A terra utilizada para o enchimento dos recipientes é, geralmente, de subsolo. Trata-se de um material mais pobre em nutrientes minerais, de fácil drenagem e livres de propágulos de ervas daninhas.

A complementação da fertilidade desse solo pode ser feita pela incorporação de adubo mineral antes da semeadura ou pela fertilização em cobertura através de regas.

A incorporação do adubo antes da semeadura pode dar bons resultados em termos de crescimento das mudas. Todavia, em face da dificuldade de homogeneização da mistura adubo-subsolo, muitas vezes ocorrem diferenças no desenvolvimento das mudas quando se utiliza esse sistema.

Os melhores resultados têm sido obtidos quando se efetua a aplicação do adubo em cobertura através de regas. Nesse caso, recomenda-se fracionar a dosagem, aplicando-se o adubo em 4 a 5 vezes, o que permite um perfeito controle do crescimento das mudas, podendo-se apressá-lo ou retardá-lo através da aplicação das dosagens.

Para os dois métodos de aplicação do adubo apresentados, recomenda-se a utilização de 2,5 g de NPK (10-34-6) por muda.

MICORRIZAÇÃO

As micorrizas são fungos que vivem em simbiose com as plantas das florestas naturais.

Vivem em íntima associação com as raízes das plantas e, de acordo com o tipo de associação, podem ser divididas em três grupos:

1) Ectotróficas - envolvem as raízes e penetram entre as células do cortex radicular;
2) Endotróficas -
enviam espécie de haustórios dentro das células do cortex;
3) Ectoendotróficas -
existem os dois tipos de estruturas anteriormente citados.

Muitos têm sido os estudos e as discussões sobre a importância da micorriza para aquelas espécies nas quais ela se desenvolve. De acordo com estudos modernos, as micorrizas fornecem à planta NPK em troca dos hidrocarbonados elaborados pela mesma.

Numerosas tentativas de plantio de coníferas foram efetuadas em terrenos cultivados com pastagens, mas com péssimos resultados. Assim, para se reflorestar certa área com coníferas (Pinus), torna-se necessário fazer a inoculação nas mudas.

A formação da micorriza parece ser favorecida por relativa deficiência de um ou mais nutrientes minerais, ao passo que pouca ou nenhuma se forma em solos com grande fertilidade.

Métodos práticos para a inoculação das micorrizas.

a) incorporação de restos de acículas, humos e solo superficial de plantações ou viveiros bem estabelecidos;
b)
incorporação de compostos fabricados com restos de material que contenha fungos micorríticos;
c)
plantio de mudas obtidas de viveiro onde há abundância de fungos micorríticos.

O item (a), parece ser o modo mais fácil e eficaz de inoculação.

Semeadura direta

Existem, como sabemos, dois processos para a formação de mudas em recipientes. O primeiro deles consiste na semeadura em canteiros e posterior
repicagem das plântulas para o recipiente escolhido. O outro processo é a semeadura direta nos recipientes.

O processo de repicagem, além de exigir uma maior área para produção das mudas, exige também um maior tempo de permanência das mudas no viveiro, em decorrência do trauma radicular sofrido por ocasião da repicagem, exigindo ainda o sombreamento do canteiro após essa operação.

Apesar desses fatos, não deixa de ser um processo eficiente na produção de mudas.

Todavia, com a expansão contínua dos programas de plantio, a quantidade de mudas a ser produzida anualmente pela maioria das firmas ligadas ao ramo florestal tem aumentado progressivamente.

Tendo em vista as vantagens do processo de semeadura direta nos recipientes (melhor sistema radicular, menor tempo para a formação da muda, menor ocupação do viveiro, maior rendimento nas operações envolvidas, menor necessidade de mão-de-obra, menor risco de doenças etc.), este sistema está tendendo a substituir gradativamente o processo de repicagem.

Quando do plantio, tiram-se as sementes da câmara frigorífica, deixando-as em água por quatro horas. Em seguida, semeiam-se duas sementes por recipiente a uma profundidade de aproximadamente 1 cm. Os recipientes são colocados em blocos de mais ou menos 80 cm de largura, e cobertos com acículas moídas (folhas do Pinus). A cobertura com acículas picadas mantém a umidade, protege as sementes e introduz a micorriza.

Outro aspecto importante a ser observado quando se realiza a semeadura direta é a irrigação. Dependendo do tipo de aspersor utilizado, pode-se comprometer grande parte da produção pelo excesso de água e conseqüente remoção das sementes.

Atenção especial deve ser dada ao preenchimento correto dos recipientes pois, caso haja falta de terra nos mesmos, isto resultará numa camada muito espessa de material de cobertura, o que dificultará a germinação das sementes, aumentando consequentemente o número de falhas.

Algumas causas de perdas no viveiro

Fungos - são organismos patógenos que podem atacar as plantas de várias maneiras; podem causar o apodrecimento das sementes sob o solo ou das mudas antes de sua emergência; podem atacar as mudas que já emergiram causando o apodrecimento do caule próximo ao solo e conseqüente tombamento, ou ainda podem atacar a parte inferior da muda. Dentre os fungos que causam o tombamento de mudas destacam-se os dos gêneros Cylindrocladium, Pythium, Rizoctonia e Phytophtora.

Para o controle do tombamento várias medidas podem ser tomadas como a desinfecção do solo antes da semeadura, redução ou eliminação do sombreamento a fim de que o solo fique com sua superfície mais seca, redução dos turnos de rega, aplicação de uma camada de areia na superfície do canteiro ou recipiente para torná-la mais seca, aplicação de fungicidas etc..

Ataque de lagartas e grilos - dentre as lagartas, é muito difundida, causando danos a várias espécies florestais, a lagarta rosca. O combate destas pragas às vezes é difícil, visto que elas se escondem no solo ou entre os recipientes. A aplicação de inseticidas líquidos é sempre mais eficaz do que em pó ou iscas.

Também o ataque de grilos pode causar perdas no viveiro. Contudo o seu controle é mais fácil de ser feito, pelas aplicações de Aldrim ou outro inseticida.

Formigas - estas são as inimigas mais sérias das plantas florestais. Destacamos as saúvas do gênero Atta sp. que, entre outras, podem causar o insucesso do viveiro e no plantio, se não combatidas devidamente. O combate desses insetos tem sido feito com diversos formicidas, que podem variar em eficiência segundo uma série de causas. No comércio são encontradas iscas, inseticidas líquidos e em pó, que trazem, de modo geral, instruções quanto à qualidade e modo de aplicação.

Uso de Herbicidas na cultura do Pinus

O emprego de produtos químicos para a eliminação de ervas daninhas aumenta progressivamente. Isto se deve, principalmente, à falta e, consequentemente, o elevado custo da mão de obra no meio rural.

Embora esse aumento de utilização de herbicidas no setor agrícola seja notório, no meio florestal é uma prática muito pouco usada, principalmente pela carência de estudos e informações nesse sentido.

Abaixo, apresentamos algumas informações resumidas sobre herbicidas:

Classificação

As diversas são as formas de classificação dos herbicidas, porém as de maior interesse prático são as seguintes:

a) Em função da finalidade desejada

Herbicida total - elimina todas as plantas atingidas, sem distinção.
Herbicida seletivo
- destrói as ervas daninhas, causando pouco ou nenhum dano à planta cultivada.

É importante lembrar que estas definições não são rígidas. Um herbicida total pode converter-se em seletivo, se baixarmos a sua dosagem, assim como um seletivo pode converter-se em total, se elevarmos a dosagem.

b) Em função do modo de ação

Herbicida de contato - produto que destrói a planta, ou a parte dela, sobre a qual é aplicado. Como podemos ver, estes produtos não têm ação direta sobre as partes subterrâneas das plantas (raízes, bulbos, rizomas etc.). Geralmente, esses produtos apresentam ação menos prolongada que os herbicidas de translocação.
Herbicida de translocação
- produto que é absorvido na parte da planta em que foi aplicado e exerce sua ação tóxica em outras partes da planta.

c) Em função da época de aplicação (em relação à erva daninha)

Herbicida de pré-emergência - são aqueles que têm ação sobre as sementes das ervas daninhas. Podem ser aplicados antes ou após o plantio das mudas florestais, dependendo da sua seletividade.
Herbicida de pós-emergência
- atuam, como o nome já indica, sobre as ervas daninhas após sua emergência. Geralmente não apresentam seletividade, devendo ser aplicados antes do plantio das essências florestais ou em jato dirigido.

Um experimento foi conduzido no Departamento de Silvicultura da ESALQ-USP utilizando-se o Pinus caribaea caribaea. Os produtos foram aplicados em pré-emergência do mato e logo após o plantio das mudas no campo.

Os herbicidas utilizados foram os seguintes: Gesaprim (5 kg/ha); Hyvar X (5 kg/ha); Trifluralim (2,6 kg/ha); Karmex (3 kg/ha); Surflan (3 kg/ha);

Dacthal (10 kg/ha); Dacthal + Karmex (8 + 1 kg/ha); Dacthal + Surflan (8 + 2 kg/ha); Dacthal + Surflan (6 + 2,5 kg/ha).

Em ordem decrescente de controle das ervas daninhas, temos os seguintes tratamentos: Gesaprim, Hyrvar X, Karmex, Surflan, Dacthal + Surflan, Dacthal + Karmex, Dacthal + Surflan (8 + 2), Trifluralin, Dacthal.

Quanto à fito-toxidez, os produtos que prejudicaram as plantas foram: Hyrvar X (morte das plantas) e Karmex.

Preparo do solo para plantio

É indispensável que o solo, antes do plantio, seja muito bem preparado. Deve estar limpo, arado e gradeado, fazendo-se, se necessário, a calagem e o combate às formigas e cupins.

Com respeito à adubação no campo, os Pinus, em geral, respondem menos que outras essências florestais, mas os incrementos de volume podem chegar a 20% ou mais quando sobre solo muito pobre. As melhores respostas têm sido mostradas à aplicação de calcário (Ca e Mg), de fósforo e de potássio. O nitrogênio adicionado, em muitos casos, tem reduzido o crescimento, fato este observado também em experimentações realizadas na Austrália.

O fósforo deve ser aplicado não em cova, mas em sulco de plantio, ou, de preferência, a lanço sobre toda a superfície, seguido de incorporação por gradagem. Em condições de extrema pobreza de solo, os Pinus podem crescer mais que as outras essências florestais.

Ainda no que diz respeito à resposta dos Pinus à adubação, devemos considerar que na Nova Zelândia têm-se observado acréscimos acentuados na produção de madeira, após fertilização com uréia por ocasião do primeiro desbaste. Esses acréscimos observados ocorrem no terço superior daárvore, tendendo a melhorar o fator de forma.

Há ainda muita contradição nas respostas à adubação florestal em nosso meio, necessitando-se de uma ampliação nas pesquisas e de um aperfeiçoamento na experimentação. Um dos problemas mais sérios é a falta de homogeneidade dentro do terreno onde se instalam os ensaios.

Outro é a grande variação do material genético que muitas vezes se utiliza para a realização do ensaio. O controle nas aplicações das adubações previstas nos projetos experimentais, também tem sido, em muitos casos, fator limitante para o bom andamento dos ensaios.

Plantio

Após uma permanência de, aproximadamente, 6 meses no viveiro, as mudas de Pinus com 20 cm de altura já se encontram aptas a serem plantadas.

Com o solo preparado, procede-se à marcação do terreno. Deve-se das a cada planta 4,5 a 6,0 metros quadrados de terreno. Usar 3,0 x 2,0; 2,0 x 2,5; 3,0 x 1,5 m de espaçamento.

As covas devem ter, mais ou menos, 25 cm de profundidade.

O plantio deve ser realizado no inicio do período chuvoso, obedecendo o seguinte critério: abre-se a cova e coloca-se a muda no seu interior; em seguida, completa-se a cova com solo, fazendo-se uma leve compressão em seu colo.

Em caso de morte das mudas, deve-se realizar o replantio tão cedo quanto possível.

As limpas são muito importantes, principalmente no primeiro e segundo ano; deve-se realizar tantas quantas forem necessárias para manter o campo livre das ervas daninhas.

As pragas devem ser combatidas o quanto antes, principalmente a saúva, à qual se deve dar combate sistemático, podendo-se usar o formicida Blenco, Mirex, ou o formicida Shell.

Os Pinus, por serem resinosos, queima-se com facilidade (mais facilmente que outras essências), por isso deve-se evitar seu plantio próximo de estradas muito movimentadas, como também deve-se separar os talhões com aceiros largos, mantendo-os sempre limpos.

Exploração

Os Pinus, quando cortados, não rebrotam; o maciço é explorado, para madeira e lenha, uma vez só.

Deve-se realizar desbastes (cortes periódicos), de maneira a dar às árvores não abatidas condições de desenvolvimento; nos desbastes obtém-se matéria-prima para celulose, postes, estacas etc. e no final do ciclo, as árvores restantes constituir-se-ão no material mais valioso, que se destinará às serrarias.

O Pinus permite um primeiro desbaste já aos 6 ou 7 anos, quando as árvores estão com mais ou menos 5 m de altura e uns 12 cm de diâmetro; aos 10 ou 15 anos pode ser usado na extração de resinas (As árvores usadas para extração de resinas podem ser usadas para outra finalidade também); muitas vezes o Pinus já permite o corte para madeira aos 15 anos.

O Pinus pode dar, no primeiro corte, aos 6-7 anos, 250 m³/ha (média anual de 30-40 m³/ha).

Há uma série de recomendações na condução da exploração do Pinus a seguir, para efeito de orientação, um esquema que pode ser usado.

Supondo que tivéssemos plantado no espaçamento 3 x 2 m, teríamos 1666 plantas por ha, realizaríamos 5 cortes, da seguinte maneira:

1° corte, aos 6 ou 7 anos; seriam cortadas 40% (660-670) das árvores;
2° corte
, 3 anos depois do primeiro, seriam retiradas 30% (290-310) das árvores restantes;
3° corte
, 3 anos depois do 2°, seriam cortadas 35% (240-250) das árvores;
4° corte
, 3 anos depois do 3°, quando seriam retiradas 35% (150-160) das árvores;
Restariam de 250 a 300 árvores, que seriam retiradas num corte final, depois de 20 anos; estariam bem espaçadas, com possibilidades de engrossar e produzir, inclusive, madeira de lei para serraria.

Ao término das considerações tecidas em torno desse vegetal, registraríamos aqui, a título meramente informativo, que a introdução do Pinus no Nordeste parece oferecer bons resultados, do ponto de vista econômico, abstendo-se de conclusões mais categóricas por se tratar de cultura ainda em fase de experimentação.

João Suassuna

Bibliografia

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PRODUÇÃO de Mudas. Piracicaba, SP: IPEF, 1976 (Circular Técnica, 22, Curso de Treinamento e Atualização em Experimentação Florestal, p. 1-4).
PRODUÇÃO e Tecnologia de Sementes Florestais. Piracicaba, SP: IPEF, 1976 (Circular Técnica, 20, Curso de Treinamento e Atualização em Experimentação Florestal, p. 1-6).
SCHULTZ, Alarich R. - Botânica Sistemática, Porto Alegre, RS, 1968, Ed. Globo, 3 ed.,p. 427.
TRATOS Culturais e Controle de Ervas Daninhas. Piracicaba, SP: IPEF, 1976. (Circular Técnica, 17, Curso de Treinamento e Atualização em Experimentação Florestal, p. 2-3 e 6-7).
OBS - Texto publicado na revista Brasil Florestal n° 29 - Janeiro/Março de 1977 - Ano VIII

Fonte: www.fundaj.gov.br

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