Se você tem asma, conhece a temida sensação de asfixia, fraqueza, ansiedade. Você se sente como se alguém o fizesse correr em volta do quarteirão, depois apertasse seu nariz e forçasse a respirar por um canudinho. Você sabe muito bem que quando o ataque de asma começa, ele não vai embora sozinho.
Cerca de 20 milhões de americanos sofrem de asma. Mesmo que duas pessoas não tenham sintomas parecidos, uma coisa elas têm em comum: dificuldade de respirar por causa do estreitamento ou bloqueio das vias aéreas dos pulmões, que ficam inflamados e hipersensíveis. Eles são levados à contração por uma variedade de fatores externos, chamados de "gatilhos" (estímulos), que geralmente não causam problemas às pessoas que não têm a doença.
Neste artigo, daremos informações a respeito da asma e o que ocorre exatamente no corpo durante uma crise. Também examinaremos os vários tratamentos. Vamos começar com uma análise da doença.
A asma é uma doença respiratória marcada por momentos de falta de ar aguda e chiado. As crises podem durar menos de uma hora ou até uma semana ou mais. Os ataques podem ser freqüentes ou demorar anos para acontecer. Eles podem ocorrer a qualquer hora, até mesmo durante o sono.
A respiração se torna difícil quando pequenos tubos respiratórios, chamados bronquíolos, se contraem ou são obstruídos com muco. Também ocorre quando as membranas que revestem os bronquíolos ficam inchadas. Quando isso acontece, o ar não consegue ser totalmente expelido, permanecendo preso nos pulmões e fazendo com que menos ar puro possa ser inalado.

A respiração se torna difícil quando os bronquíolos se contraem ou
são pelo muco, ou quando as membranas que revestem os tubos ficam inchadas.
O ar fica preso nos alvéolos e menos ar puro é inalado
Os ataques de asma podem ser resultado da hipersensibilidade do sistema bronquial a uma variedade de substâncias externas ou condições. Cerca da metade das crises são desencadeadas por alergias a substâncias como poeira, fumaça, pólen, penas, pêlos, insetos, esporos de mofo, comidas e remédios.
Ataques não relacionados a alergias podem ser desencadeados por exercícios vigorosos, por respirar ar frio, por estresse emocional e por inflamação ou infecção do trato respiratório. A hereditariedade desempenha um papel importante na tendência de desenvolver asma. Se um dos pais ou ambos tiverem asma, a criança tem até 50% de chances de desenvolver a doença.
A asma raramente é fatal, mas pode se tornar uma doença séria, especialmente em crianças. Às vezes, as crises se tornam menos freqüentes e menos severas à medida que a criança cresce.
Os sintomas da asma incluem aperto no peito, dificuldade em respirar, tosse e chiado. Este último fator é causado pelo esforço de fazer passar o ar pelos bronquíolos apertados. À medida que o ataque continua, os músculos que envolvem os bronquíolos se contraem ainda mais, a respiração se torna mais difícil e o muco se acumula nas vias aéreas.
O diagnóstico pode incluir um exame físico completo, uma análise do histórico clínico, raios X dos pulmões e teste de alergia.
Na maioria dos casos, a asma não pode ser curada, mas pode ser controlada com medicamentos. Os corticosteróides podem controlar ataques severos e agudos. Entretanto, em uma crise demorada, os pacientes podem ter efeitos colaterais indesejados, tais como ganho de peso, úlceras, pressão alta e atraso no crescimento. Para evitar esses efeitos, corticosteróides como a prednisona são usados em grandes doses em ataques agudos e, então, a dose é reduzida o mais rápido possível. Alguns indivíduos, entretanto, necessitam constantemente de doses mais baixas, para evitar o surgimento de ataques.
Durante uma crise aguda, a epinefrina ou o soproterenol podem ser administrados por injeção ou inalados por aerosol para dilatar os bronquíolos. Entretanto, esses medicamentos podem superestimular o coração. O uso não é recomendado por longos períodos ou por pessoas com doenças cardíacas.
Remédios similares, tais como o albuterol e a terbutalina, exercem menos efeito estimulante no coração. Esses medicamentos podem ser tomados em comprimidos por via oral, porém, são mais comumente usados em forma de aerosol. Isso proporciona melhor efeito no sistema bronquial. Eles atuam causando dilatação ou alívio do espasmo nos tubos bronquiais.
Em terapias de longo prazo, as formas inaláveis de corticosteróides são usadas para manter o asmático livre de ataques tanto quanto possível. Uma vez que há menos absorção da cortisona pelo organismo nessas formas, a probabilidade de efeitos colaterais é diminuída.
Outros medicamentos também podem ser usados. Em alguns casos, a droga teofilina pode ser adicionada à prescrição.
Se uma alergia está provocando os ataques, a substância causadora deve ser retirada do ambiente. Se não puder ser removida ou evitada, ou se existem múltiplas alergias, injeções com quantidades mínimas de alergênico podem ajudar o corpo a fortalecer a tolerância à substância.
Embora não exista uma maneira de prevenir a asma, diversos cuidados podem ser tomados para reduzir a possibilidade da ocorrência dos ataques. Testes de alergia para determinar a sensibilidade a agentes comuns do ambiente tais como poeira, mofo, pêlos de animais e pólen podem ser feitos por um médico. Uma vez que a alergia é determinada, pode-se tentar o tratamento com injeções de substâncias desensibilizantes.
O tratamento rápido das infecções do trato respiratório superior pode ajudar a prevenir crises agudas. Terapias preventivas contínuas com inalação de corticosteróides podem diminuir a freqüência e a severidade dos ataques. Com o uso de terapia clínica apropriada e supervisão, a maioria das pessoas com asma pode conduzir sua vida normalmente.
Já começamos a discutir os "gatilhos" da asma. Grande parte do controle da asma diz respeito à identificação dos gatilhos e à limitação do contato com eles.
A tendência a desenvolver a asma é hereditária, sendo mais comum em pessoas que têm alergias. De fato, existem duas formas de asma: alérgica e não alérgica, sendo a primeira a mais comum.
A asma alérgica desenvolve-se em pessoas alérgicas e as mesmas substâncias (chamadas alergênicos) que provocam os sintomas da alergia podem desencadear sintomas de asma.
Ambos são produtos de uma reação exagerada do sistema imunológico. "Gatilhos" (ou estímulos) comuns para asma incluem ácaros, pólen, mofo e partículas de pele de animais. Entretanto, as alergias podem ser causadas por outras substâncias. Apesar de os ácaros e o pólen serem alergênicos aerotransportados, a asma alérgica também pode ser provocada por uma reação alérgica a algo ingerido, como morangos.

"Gatilhos" da asma podem se esconder em qualquer lugar dentro
da casa e, se não forem checados, podem causar crises
Por outro lado, no caso da asma não alérgica, os gatilhos que irritam os pulmões e provocam os sintomas da asma não têm nada a ver com alergias ou com o sistema imunológico. Este tipo de asma pode ser estimulado por ar seco, clima frio, exercício físico, fumo (inclusive o fumo passivo), perfumes fortes, situações estressantes, emoções intensas e até mesmo o riso.
A questão é que ambos os tipos de asma têm gatilhos. Vigiá-los de perto é o primeiro passo para conviver confortavelmente com a asma.
Os sintomas típicos da asma alérgica e não alérgica são similares. Eles podem ocorrer imediatamente a partir do contato com um gatilho ou posteriormente a esse contato. Sua severidade varia entre os indivíduos portadores da asma.
Como já dissemos, não existe cura para a asma. A boa notícia é que a doença, sendo leve, moderada ou severa, alérgica ou não alérgica, pode ser controlada. Médicos especialistas no tratamento da asma podem ser de muita ajuda. Cada paciente com asma deveria visitar um médico para se certificar de que não há outra causa para o chiado e, se a asma for diagnosticada, desenvolver um plano terapêutico para controlá-la.
Além de consultar um médico, você pode tomar medidas para ajudar a controlar a asma. Os medicamentos não poderão ajudar se o asmático for fumante. O filtro de ar mais caro não fará a menor diferença se você deixar a janela escancarada. O segredo é localizar esses gatilhos e eliminá-los de sua vida completamente. Nas próximas duas páginas, descreveremos os estimuladores mais comuns da asma e como você pode minimizar sua exposição a eles. Na próxima seção começaremos com as maneiras de tornar sua casa mais segura contra a asma.
Se você tem andado de médico em médico à procura de um remédio para sua asma, talvez se sinta frustrado e influenciado a experimentar tratamentos "alternativos", como teste de toxicidade celular, dietas especiais, preparos de ervas, manipulação corporal e vitaminas, entre outros. Por mais tentadoras que essas soluções possam parecer, há um problema: elas raramente funcionam.
A toxicidade celular, por exemplo, é baseada na premissa de que, se o extrato
alergênico de uma comida a que você é alérgico for misturado com uma gota
do seu sangue, certas células irão atacar o alimento. Suas células sangüíneas,
portanto, serão alteradas e, quando vistas por um microscópio, estarão modificadas.
A pesquisa científica, entretanto, não confirma que essa técnica seja confiável
ou útil no tratamento de alergias ou asma.
O segredo para controlar a asma eficientemente é prevenir um ataque antes que ele ocorra. Ao mudar seu estilo de vida, você poderá ser capaz de evitar os gatilhos que podem agravar a asma.
O tabaco é outro fator que pode provocar uma crise de asma. Ao mesmo tempo, pode desencadear uma reação alérgica que pode levar à asma. A fumaça do cigarro é um dos fatores que mais causam irritação: ela paralisa os pequenos cílios ao longo das membranas mucosas do trato respiratório. Ela também reduz a resposta imunológica e deixa o fumante mais suscetível a uma infecção respiratória. Deixar de fumar, além de prevenir os ataques de asma, irá reduzir o risco de câncer, doenças do coração e muitas outras enfermidades, além de economizar dinheiro.
Não fumantes que convivem com fumantes não estão em melhor situação. Assim, se alguém na sua casa não quiser parar de fumar, peça ao indivíduo para fazê-lo fora de casa.
Preste atenção em como as mudanças de clima afetam sua asma. Você poderia até manter uma espécie de diário, registrando a temperatura, velocidade do vento, pressão barométrica e umidade nos dias em que você tem crises. Saber que tipos de condições climáticas poderiam deixá-lo com falta de ar é algo que pode ajudá-lo a evitar problemas. Enquanto cada pessoa responde ao clima de forma diferente, algumas tendências gerais podem ser notadas.
Por exemplo, pessoas com asma deveriam permanecer mais tempo dentro de casa se estiver muito frio, uma vez que um sopro de ar frio pode causar um espasmo nos tubos bronquiais. Fique em casa também se o vento estiver forte. Enquanto rajadas de vento podem soprar a poluição para longe, elas também podem trazer o pólen na sua direção. Se você gosta de andar na chuva, sorte sua. Ela tende a levar embora alergênicos itinerantes, poluentes e fatores que causam irritação.

Pessoas com asma devem permanecer dentro de casa se estiver muito
frio, já que um sopro de ar frio pode causar um espasmo nos tubos bronquiais
A questão de que se a comida pode causar ou não asma está ainda sem resposta. Alguns tipos de comida, como nozes, moluscos, leite, ovos e morangos podem resultar em uma série de reações alérgicas, inclusive sintomas de asma. Sulfitos presentes no vinho podem ter um efeito semelhante. Pesquisas científicas sugerem que alergias a alimentos não são provavelmente os maiores gatilhos para a asma crônica em adultos. Apesar disso, você pode ter notado que certos tipos de comida fazem piorar os sintomas. Neste caso, o melhor é limitar ou evitar alimentos que não são necessários para uma dieta equilibrada e nutritiva (pergunte ao seu médico, se não tiver certeza).
Alergias a certos tipos de comida, especialmente leite e carne, são freqüentemente um gatilho para asma em crianças. Se o leite e o trigo parecem causar problemas para seu filho com asma, elimine esses alimentos da sua dieta. Confira os rótulos e evite comida com leite, derivados do leite, caseína, soro de leite ou caseinatos como ingrediente. Converse com o seu médico sobre fontes dietéticas alternativas de nutrientes, tais como o cálcio.
Comer fora de casa pode ser um problema. Se você for convidado para jantar e não sabe que prato será servido, coma algo antes de sair de casa. Assim, você não ficará tão faminto caso o prato principal seja um estimulador para sua asma. Se estiver comendo em um restaurante, pergunte a respeito dos ingredientes do prato que você vai pedir. Não importa onde você faça sua refeição, siga estas dicas: não coma demais, não coma muito rápido e não fale enquanto você come. Evite o álcool também, especialmente se você estiver tomando medicamentos contra a asma. Um último lembrete: evite os testes de toxicidade celular e métodos que prometem eliminar alergias a comida e curar a asma.
Problemas nas vias aéreas superiores, tais como infecções respiratórias, podem causar problemas nas vias inferiores (os tubos bronquiais) e precipitar um ataque de asma. Tomar medidas para evitar doenças é benefíco para qualquer um. No caso da pessoa com asma, manter uma boa saúde pode ajudar bastante a reduzir a freqüência e a intensidade das crises. Fique longe de pessoas com resfriados ou com gripe, beba bastante líquido e evite se cansar demais, pois você pode ficar mais suscetível a infecções. Se você desenvolver uma infecção, visite o seu médico, pois o uso prematuro de antibióticos pode ser bastante eficaz.
A aspirina pode desencadear ataques de asma em certas pessoas. Se você tem asma, previna-se e evite aspirina e os produtos que a contenham. Mesmo que você nunca tenha tido um acesso de asma causado por aspirina, é possível que isso possa ocorrer a qualquer momento. Mantenha-a fora da sua caixinha de remédios e confira os rótulos de cada medicamento que você comprar. Evite aqueles que indicam "aspirina" e os que contêm as iniciais "AAS", "APC" ou "PAC". Pergunte ao seu farmacêutico se não estiver certo de que a medicação que você está tentando comprar contém aspirina.
De acordo com o relatório de um especialista do National Asthma Education Program (Programa Nacional de Educação sobre a Asma), pessoas com asma deveriam ficar longe de certos agentes anti-inflamatórios não esteróides que tenham efeito similar ao da aspirina. Em vez disso, opte por "alternativas seguras" como acetominofeno, salicilato de sódio ou salsalato.
Você também deve evitar tartrazina caso essa substância agrave sua asma. Esse corante pode ser encontrado em refrigerantes, misturas para bolo, balas e em alguns medicamentos.
Respirar pela boca produz inspirações superficiais e insatisfatórias que se assemelham à falta de ar. Em vez disso, procure inalar lentamente pelo nariz de maneira controlada. Antes de começar os exercícios respiratórios, assoe o nariz. Isso garante que as vias respiratórias estejam desobstruídas de qualquer substância estranha. Sente-se em uma cadeira, em uma posição confortável. Inspire profundamente e estenda seu fôlego o mais que puder. Seu abdômen deve expandir enquanto você faz esse exercício. Expire lentamente, sentindo seu abdômen relaxar à medida que o ar sai do seu nariz. Repita o exercício pelo menos três vezes ao dia (nunca logo após as refeições ou depressa demais, para não causar hiperventilação).
Por anos, as pessoas com asma foram aconselhadas a evitar exercícios, pois eles induziriam ataques. Pesquisas têm mostrado, entretanto, que exercícios aeróbicos regulares aumentam a quantidade de arquejamento que o asmático consegue tolerar. Para começar, aqueça-se com um exercício leve antes de um trabalho físico mais vigoroso. Comece com um tempo de atividade mais curto e aumente-o gradativamente.
Pelo menos no começo mantenha o broncodilatador com você, para o caso de sentir aperto no peito. Se você estiver no ar frio ou seco, use um cachecol cobrindo seu nariz e boca, para aquecer o ar antes de respirá-lo. Termine sua atividade física com exercício leve. Se algum tipo de atividade ainda estiver provocando crises, tente outra forma de exercício. Pode ser que você não tolere a corrida, por exemplo, mas pode ser capaz de nadar regularmente.
O esforço físico faz com que pessoas acima do peso respirem mais profundamente, forçando o coração a trabalhar pesado para suprir sangue para os músculos e órgãos. Se você está com excesso de peso, perdê-lo irá ajudar seu coração a suportar a carga. Infelizmente, medicamentos para asma podem fazer com que você acumule uns quilos a mais. Se você precisa perder peso, deve consultar um médico para estabelecer um programa de dieta e exercícios. Isso irá ajudá-lo a queimar mais calorias e reduzir a ingestão, sem privá-lo dos nutrientes necessários.
A idéia de que a asma é "coisa da sua cabeça" já foi um mito da medicina. Entretanto, os médicos acreditam que a asma é uma doença com aspectos tanto físicos quanto emocionais. Por exemplo, ataques de asma podem ser causados por mudanças emocionais como choro, riso, ou por estresse. Embora não seja possível meditar para acabar com um ataque de asma, manter sua mente calma pode evitar que você entre em pânico durante uma crise. Isso pode tornar um acesso de falta de ar menos assustador. Desenvolva uma mentalidade otimista, criando o compromisso de se sentir melhor. Uma atitude positiva faz maravilhas para aprimorar maneiras de enfrentar o problema. Além disso, seja sincero a respeito da sua asma. As outras pessoas irão respeitar sua determinação e, na maioria dos casos, tentar facilitar as coisas para você.
Uma vez que o estresse e as perturbações emocionais podem desencadear ou agravar um ataque de asma, é bom reservar um tempo todo dia, de preferência no mesmo horário, para praticar algum tipo de relaxamento.
Assim como não há cura para a asma, não há um jeito de parar completamente um ataque. Ao seguir as dicas deste artigo, você pode controlar com sucesso a asma e tornar sua vida mais confortável e agradável.
Fonte: saude.hsw.uol.com.br