Os egípcios tinham um sistema dos mundos profundamente mitológico. No entanto, tinham noções observacionais muito concretas e correctas; de facto, verificaram que o céu possuía um movimento aparente em torno do Pólo Norte Celeste. Devido à precessão do eixo da Terra, a estrela polar era nessa altura a estrela "Thuban", na constelação do Dragão.
Para a construção das pirâmides era importante achar o alinhamento a Norte, pois uma das faces deveria ficar perfeitamente virada a Norte. Os Faraós, com a ajuda de uma sacerdotisa e de escravos, alinhavam estacas na direcção Norte, buscando-a com as guardas da Ursa Maior (que nesse tempo eram "Phecda" e "Megrez" e não "Dubhe" e "Merak") (Figura 4). O alinhamento obtido era então usado para construir as partes laterais da pirâmide, perpendicularmente às quais deveriam ficar os topos sul e norte (Figura 5).


Figura 4 - O alinhamento das pirâmides era efectuado pelo faraó
com a ajuda da sacerdotisa-mor


Figura 5 - Durante a construção da pirâmide, primeiro
eram alinhadas as faces Este e Oeste e as faces Sul e Norte eram alinhadas
perpendicularmente às primeiras.
O facto da transmissão do conhecimento ser empírico, e não actualizado, faz com que as pirâmides do Egipto, além de possuirem desfasamentos ligeiros relativamente ao Norte verdadeiro, tenham desfasamentos diferentes de pirâmide para pirâmide à medida que o eixo da Terra foi precedendo.
As primeiras observações da Grécia Antiga são melhor conhecidas pelo conjunto de lendas e mitos que até nós chegaram do que pela existência de documentos escritos.
De facto, os gregos observaram a maior parte dos movimentos aparentes do céu e documentaram-nos de forma por vezes não muito científica. Porém, sem sombra de dúvidas, rigorosa quanto às observações por eles efectuadas.
Quando dizemos que a forma como as observações eram documentadas não era muito rigorosa, não podemos esquecer que nos encontrávamos na fase do mito, em que as entidades divinas eram a explicação do inexplicável à luz dos conhecimentos vigentes. Assim, todas as observações que não possuíam explicação de acordo com os seus conhecimentos, davam origem a "novelas", em que os protagonistas eram os deuses, sendo o conjunto dessas "novelas" uma explicação da aparentemente inexplicável Natureza, constituíndo aquilo que se chamou mais tarde de mitologia grega.
Vejamos um exemplo da forma como foi documentada uma constatação observacional. Já na Mesopotâmia, no Egipto e na Grécia Antiga era sabido que a esfera celeste rodava em torno do Pólo Norte Celeste, havendo algumas estrelas que, à sua latitude, nunca desapareciam, como é o caso das estrelas que constituem as constelações da Ursa Maior e Ursa Menor. Diz-se que essas estrelas são circumpolares, por se encontrarem suficientemente próximas do Pólo Celeste para que tal ocorra.

Figura 6 - Movimento aparente das estrelas em torno do Pólo Celeste.
No Hemisfério Norte o movimento dá-se no sentido directo e no
Hemisfério Sul em sentido retrógrado.
Figura 7 - Constelação da Ursa Maior.
Crédito: "Roteiro do Céu", Guilherme de Almeida, Plátano
Ed