Existem bactérias de todo tipo em todos os lugares do mundo,
do alto dos picos nevados às profundezas do mar. São as criaturas vivas predominantes
no planeta.
Algumas precisam de oxigênio para viver, outras utilizam gases, e para um
terceiro grupo tanto faz.
Essa versatilidade faz com que as bactérias sejam muito presentes no ecossistema; elas é que reciclam, enquanto comem e descomem, nutrientes fundamentais como carbono, nitrogênio e enxofre. São mesmo as grandes responsáveis pela renovação da vida e estão na base de toda a cadeia alimentar.
E, se antiguidade é posto, bactérias merecem respeito: o
fóssil mais velho já encontrado é de uma bactéria e tem 3,5 bilhões de anos.
Embora as bactérias sejam mais conhecidas pelas infecções
graves, como sífilis, cólera e tuberculose, a grande maioria das que habitam
o corpo
humano é de simples comensais.
Comensais são micróbios que comem conosco e geralmente não criam problemas.
Às vezes resolvem problemas.
Vivem nas partes externas do corpo, isto é: a pele e mais
o nariz, a garganta, a boca, os sínus e todo o canal gastrointestinal, também
considerados parte externa.
Na pele, as bactérias ajudam a degradar as células mortas
e destruir os resíduos eliminados por poros e microglândulas. Nos intestinos
transformam resíduos complexos em substâncias simples e participam da geração
de compostos químicos essenciais à vida humana, como as vitaminas D, K e B12.
A questão é que as bactérias nem sempre estão só comendo.
Basta o ambiente do corpo ficar mais poluído e as defesas orgânicas falharem
que elas começam a se reproduzir desenfreadamente. Um estreptococo fica anos
na garganta, quietinho, e de repente explode numa amigdalite aguda; um pneumococo
pelo qual ninguém dava nada detona uma pneumonia. Rompeu-se o equilíbrio de
forças entre parasita e hospedeiro.
O que foi, o que não foi qualquer fator coadjuvante serve de
gota dágua: mudanças de temperatura ou grau de umidade, alimentação
deficiente durante alguns dias, stress, outros parasitas competindo por alguma
vitamina importante, problemas emocionais, fungos no ar-condicionado, viagens.
Gripes são típicas sempre incluem alguma forma de infecção, leve ou
grave, que aproveita a vulnerabilidade do hospedeiro.
Quando são as bactérias que mudam de ambiente, o desacerto
é total. Infecções urinárias e renais em mulheres, por exemplo, quase sempre
são causadas por uma bactéria do intestino que entra na uretra por falta de
higiene adequada.
Na boca vivem bactérias muito nossas conhecidas, as que fazem
os dentes ficarem peludos quando não são limpos.
Elas amam açúcar e amidos em geral, e, como todas as bactérias,
precisam de glicose como fonte de energia. São capazes de se multiplicar muito
mais rapidamente se tiver algum restinho de doce por ali.
A famosa placa bacteriana, que causa cáries e enfraquece a gengiva, é um aglomerado
de estreptococos e vários oportunistas; eles convertem açúcar e outros carboidratos
em ácido lático, que vai esburacando o esmalte e o tecido dos dentes. Se não
for retirada com escova e fio dental, a placa bacteriana endurece e vai aumentando;
irrita e inflama as gengivas, penetrando entre a carne e a raiz dos dentes,
até que eles ficam fracos e amolecem. Se os predominantes Streptococcus sanguis
entrarem na corrente sanguínea, através de ferimentos nas gengivas, podem
até provocar formação de coágulos, apontados como o fator principal de ataques
cardíacos e derrames.
O estômago quase não abriga bactérias porque seu nível de
acidez é muito alto, devido aos ácidos que produz para digerir a comida. Mas
tem um lugarzinho chamado antro que não é ácido; ali podem viver bactérias
como a Helicobacter pylori, que se envolve nos processos de úlcera.
Nos intestinos mora uma quantidade incalculável de bactérias.
Basta dizer que um dedal de matéria intestinal, pesando apenas um grama, contém
dez trilhões de micróbios.
Agitadíssimos, por sinal. Alguns até fabricando vitaminas K e B, como Escherichia
coli, a bactéria mais popular da modernidade. Sabe-se mais detalhes sobre
a biologia molecular da E. coli (não confundir com Entamoeba coli, uma ameba
que também se abrevia E. coli) do que sobre qualquer outro organismo, inclusive
humano. É que ela é muito fácil de reproduzir em 20 minutos vira duas
e na biotecnologia industrial usa-se E. coli para várias coisas, inclusive
produção de enzimas. Habita normalmente o intestino grosso; só quando se desenvolve
no intestino delgado ou passa para uretra, bexiga e rins é que precisa ser
combatida. O organismo reage logo, aumentando as secreções e produzindo febre,
e se estiver sadio pode combater a infecção. Mas o que se teme numa infecção
persistente é que ela se torne generalizada, comprometendo o sangue e todos
os tecidos; por isso é que se recorre aos antibióticos, que matam esta ou
aquela bactéria.
Os Lactobacillus acidophillus são as bactérias mais simpáticas
do intestino. Crescem mais depressa que as outras e dominam o ambiente, impedindo
que bactérias nocivas provoquem tormentas intestinais como prisão de ventre
e diarréia. Klebsiella e Bifidobacterium são outras bactérias muito úteis.
Gases? Uma pessoa normal solta entre dez e quinze puns por dia por causa da
Methanobacterium smithii, que produz gás metano nos intestinos a partir das
fibras dos cereais e vegetais que digere para nós.
Carnívoros hospedam mais bactérias do que vegetarianos.
Pseudomonas, Acinetobacter e Moraxella são bactérias de putrefação para quem a carne diz: Comei e multiplicai-vos. Microrganismos que podem causar intoxicações estão sempre presentes Clostridium perfringens em carnes que não foram cozidas, guardadas ou reaquecidas na temperatura certa, Staphylococcus aureus nas carnes curadas e Clostridium botulinum nas carnes enlatadas.
Outras bactérias que podem criar problemas em carnes contaminadas ou mal cozidas são Salmonella, Escherichia coli, Campylobacter jejuni e Listeria monocytogenes.
Importante: nenhuma delas nasce da carne, todas são adquiridas
no manuseio.
A pele humana não é um lugar bom para as bactérias. Elas
gostam de ambientes úmidos, escuros, e a pele é seca e exposta.
Então existem apenas cem bactérias por centímetro quadrado
de pele, a não ser em dias quentes e úmidos, quando a população aumenta alegremente.
Vacas e outros animais herbívoros como cabras, ovelhas, veados, alces, gazelas,
girafas, antílopes, caribus, cangurus, camelos e lhamas dependem de micróbios
para se nutrir. São equipes de fungos, bactérias, protistas
e vírus que vivem numa parte especial do estômago chamada rúmen, que só os
ruminantes têm, por isso são ruminantes; tais micróbios pré-digerem o capim
e a palha para seu hospedeiro, cortando-os em pedacinhos e acrescentando enzimas.
Só depois disso é que o animal regurgita a comida de volta à boca, mastiga
mais um pouco e engole definitivamente.
Lactobacillus acidophillus ajudam a preservar alimentos, e fazem isso fermentando
e acidificando-os de tal modo que outros micróbios não conseguem sobreviver.
Chucrute, por exemplo: o repolho fermentado se mantém comestível
por todo o inverno. Além disso, os lactobacilos vão fazer no intestino o que
fizeram na comida controlar bactérias de putrefação.
Isso significa intestinos mais limpos.
Outra maravilha que não existiria sem os micróbios é o chocolate. As sementes
de cacau fermentam dentro da fruta até ficarem no ponto; o trabalhinho é feito
espontaneamente por bactérias e fungos como Lactobacillus
e Acetobacter; só depois disso é que as sementes são torradas.
O leite é riquíssimo em açúcar, e bactérias amam açúcar,
portanto leite é seu paraíso. Tanto que uma tigela de leite largada na pia
acidifica naturalmente sob a ação de Streptococcus lactis e S. cremoris e
produz coalhada muito rica em ácido lático, o que é bom para os intestinos,
mas cheia de coliformes fecais, germes de putrefação e outros bichinhos indesejáveis,
o que é péssimo.
O iogurte é leite acidificado por bactérias de proliferação
controlada, como Streptococcus thermophilus e Lactobacillus yogurtii, L. bulgaricus
ou L. acidophillus. Queijos são feitos coagulando leite com renina (enzima
do estômago de jovens mamíferos) ou ácido lático. Alguns ainda são fermentados
depois disso e produzem fungos, como camembert, roquefort e outros.
Plantas também dependem de bactérias para crescer. A maioria
delas ajuda a enriquecer o solo, fertilizar as plantas e eliminar os insetos
daninhos. Por outro lado, há mais de 20.000 fungos criando ferrugem nas folhas.
Outros apodrecem as raízes das plantas. Há vírus que atacam plantas como o
tabaco.
Bactérias provocam tumores nos caules de cebolas e estragam suas raízes. Em compensação, atualmente a agricultura biodinâmica faz um controle orgânico das pragas usando vírus, bactérias e fungos para matar ou reduzir a freqüência de insetos.
Uma bactéria, Bacillus thuringiensis, é best-seller no ramo:
contém um veneno que parece cristal e acaba com larvas, lagartas, brocas,
moscas, mosquitos e cascudos em mais de 400 preparados industriais.
Os compostos orgânicos que adubam hortas e jardins são um manancial de bactérias.
Basta juntar folhas secas, restos de vegetais da cozinha e outros lixinhos naturais num buraco escuro e abafado que as bactérias brotam e fazem o resto: mastigam tudo, digerem e formam húmus. Quem processa as folhas e a madeira dos galhos são os fungos, especialistas em tarefas rudes. Conforme o tipo de matéria orgânica e o tipo de bactéria, os compostos podem ser frescos ou muito quentes.
Algumas bactérias agüentam uma temperatura de 100 graus
C!
Animais e plantas respiram oxigênio; micróbios podem respirar oxigênio e compostos
químicos como ferro, ácido nítrico, ácido sulfúrico, dióxido de carbono, nitrogênio.
Por isso é que muitas toxinas orgânicas podem ser removidas do meio ambiente
por bactérias, inclusive herbicidas e pesticidas como 2,4-D
(2,4-dichlorophenoxyacetic acid), óleo, PCB, DDT, plásticos e detergentes.
Elas adoram o carbono que esses compostos contêm.
Mesmo compostos inorgânicos, que não têm carbono, podem ser transformados
em coisas menos tóxicas por alguns micróbios; neste caso estão o mercúrio
das pilhas e baterias, nitritos, selênio, arsênico e urânio.
A Escherichia coli se subdivide em muitos grupos. O caso dessa cepa de código
O157:H7 é pitoresco. Dizem os entendidos que ela foi infectada por um vírus
bacteriano que conseguiu enfiar seu próprio DNA no cromosssomo dela. A partir
daí, cada vez que ela se dividia, as bacterinhas seguintes já nasciam com
o DNA do vírus em seu código genético. Por isso é que ganharam série e número.
E até aí, tudo bem. O problema é que a presença do vírus gera uma toxina protéica
que devasta as células da parede interna do intestino, provocando a diarréia
hemorrágica que pode ser fatal para crianças, idosos e pessoas debilitadas.
Em 97, nos Estados Unidos, uma fábrica de hambúrguer teve que recolher 12
mil toneladas de carne porque vários lotes estavam contaminados pela E. coli
O157:H7; toda a carne da fábrica foi destruída, e a empresa fechou.
Para prevenir infecções, limpe muito bem os pratos e utensílios que tiverem
contato com a carne crua, e lave as mãos depois de mexer com ela.
Há registros de sífilis desde 1400. O organismo causador da sífilis é uma bactéria espiralada, a espiroqueta Treponema pallidum, tão pequena que seriam necessárias cinqüenta, emendadas, para chegar a meio centímetro de comprimento. Qualquer contato com o ar, anti-sépticos ou luz do sol mata a figurinha.
Umidade contínua é essencial à sobrevivência das bactérias,
por isso elas se propagam principalmente pelos fluidos do corpo sêmen,
fluido do orgão genital feminino, saliva, sangue, leite materno. Fora
do corpo, em lugar úmido e escuro, vivem no máximo duas horas.
O contágio mais comum é pela via sexual. A espiroqueta entra na mucosa do
novo hospedeiro e forma um cancro, onde se multiplica; quando o cancro se
vai, milhares de espiroquetas são liberadas no organismo e vão infectar as
células.
A sífilis tem quatro estágios. Os três primeiros são completamente curáveis,
e mesmo no último a doença pode ser controlada.
No primeiro estágio, dez a dezesseis dias depois da infecção, aparece o tal
cancro, que é um caroço pequeno, duro, levemente protuberante, geralmente
no orgão genital masculino, no orgão genital feminino ou em
seus lábios, na região anorretal, na boca ou em qualquer lugar que tenha tido
contato com o agente infectante. Fica vermelho, parece uma espinha grande
que ulcera e forma uma ferida ovalada de borda vermelha. Essa ferida sara
sozinha em quatro a seis semanas e deixa uma cicatriz que dura meses. A presença
do cancro é normalmente acompanhada de gânglios inchados. Se a sífilis não
for diagnosticada agora, desaparece por um tempinho e volta com outros sintomas.
Uma a seis semanas depois que o cancro sara, uma erupção rosa ou vermelha
aparece, normalmente nas palmas das mãos ou solas dos pés, provavelmente acompanhada
por febre, dor de garganta, dor de cabeça, dor nas juntas, falta de apetite,
perda de peso, queda de cabelo. Nos genitais ou no orifício retal aparecem
feridas que secretam líquidos muito infecciosos. Esses são os sintomas do
segundo estágio, que costumam durar de 3 a 6 meses, podendo ir e voltar a
qualquer momento. Se ainda aqui não houver tratamento, a sífilis caminha para
o terceiro estágio.
Este é pouco contagioso, apresenta sintomas muito vagos, perturbações visuais
leves e outros desconfortos; as espiroquetas estão apenas infectando a medula
óssea, os órgãos vitais, os gânglios linfáticos e o sistema nervoso central.
Muitas vezes a doença fica aí.
Quando não fica, produz lesões na pele, nos ossos e/ou nos tecidos dos órgãos
vitais; não é mais contagiosa, mas pode matar. Além das lesões, forma gomas,
ou sifilomas, tumores causados pela concentração de espiroquetas em determinado
tecido. Os ossos vão sendo comidos, como na osteomielite e na tuberculose
óssea. Os ossos do nariz e o palato são especialmente afetados, produzindo
deformações horríveis. O coração e o sistema nervoso podem ser tomados pelos
sifilomas, e ainda assim o diagnóstico não enxergar sífilis, e sim doença
cardiovascular, ou insanidade mental. Isto porque na sífilis cardiovascular
as espiroquetas se concentram na aorta, destruindo a elasticidade do tecido
e fazendo as válvulas degenerarem. Quando vão para o cérebro, afetam a visão
e a audição e causam perda de identidade, falta de concentração e de discernimento,
delírio, perda de memória, desorientação, apatia ou violência; podem ocorrer
convulsões fatais.
O tratamento da sífilis geralmente é feito com algumas doses de penicilina
injetável ou duas semanas de tetraciclina, e exames de sangue freqüentes para
acompanhar a melhora. Quem tem sífilis fica mais suscetível a outras infecções,
aids e câncer.
Três outros tipos de sífilis são causados por treponemas:
bejel (sífilis endêmica), yaws (frambesia) e pinta. A diferença é que estas
raramente são transmitidas através da trocas sexuais. Dão muito em regiões
tropicais e subtropicais, principalmente em crianças, e acentuadamente no
centro e no oeste da África. Um dos grupos mais devastados foi o dos pigmeus
africanos. O sudeste asiático, as ilhas do Pacífico e a Indonésia também registram
surtos de treponematose.
Os primeiros sintomas de bejel são erupções na boca e na pele, altamente contagiosas,
que podem durar um ano ou mais; o parasita é o mesmo Treponema pallidum da
sífilis venérea; sem tratamento as úlceras se espalham, comem a pele, os ossos,
o centro da face. Yaws, causada pelo Treponema pertenue, também infecta por
erupções de pele que espalham o parasita através do contato com roupas, objetos
e moscas que se alimentam das secreções.
E pinta é a menos agressiva das três: seu agente é o Treponema carateum, dá lesões na pele que ficam cobertas de pintinhas brancas, azuis, vermelhas ou cor-de-rosa, mas não interefere com a saúde geral da vítima.
Afeta a população do mundo inteiro e ainda é a maior causa de morte em muitos
lugares. Sempre foi mais presente nas cidades do que no campo, devido à aglomeração
humana em más condições de higiene, habitação e saúde. Havia tuberculose no
Egito antigo e na Grécia de Hipócrates, três mil anos atrás, mas foi nos séculos
18 e 19, na Europa e na América do Norte, que a doença alcançou proporções
quase epidêmicas. Continuou sendo a maior causa de mortalidade até o início
do século 20, e declinou diante de melhores condições sanitárias e do avanço
da medicina.
Na década de 80 o número de mortes causado por ela voltou a crescer nos países
desenvolvidos. Uma das razões é que o consumo involuntário de antibióticos
nos laticínios e produtos avícolas faz com os micróbios se tornem resistentes
e os antibióticos deixem de funcionar quando precisamos deles.
A tuberculose é uma infecção comum na infância. A criança infectada geralmente
não tem sintomas e pode desenvolver imunidade vitalícia contra a doença, mesmo
não sendo vacinada; além disso, o bacilo pode ser seqüestrado tão depressa
pelos agentes imunitários do corpo que a criança não se torna transmissora.
Em alguns casos, porém, especialmente em condições de subnutrição, o bacilo
consegue chegar à corrente sanguínea, de onde pode alcançar qualquer órgão
e também as meninges, membranas que protegem o cérebro.
A transmissão se dá pelo leite de vaca cru, contaminado por M. bovis, e pelo
contato com alguma pessoa infectada por ele ou pelo M. tuberculosis. Os bacilos
estão em todos os fluidos da boca e do nariz, podendo se transmitir através
de partes mínimas do catarro, quando a pessoa doente tosse, e até pelos salpicos
de saliva que saem quando ela fala cada perdigoto pode conter centenas
de bacilos.
Sintomas: no princípio da infecção há falta de energia, perda
de peso e tosse, que vai piorando; podem sobrevir suores intensos, e dor no
peito devido a inflamação na pleura (membrana que reveste os pulmões); o pior
sinal é o sangue no escarro. Os bacilos podem ser encontrados no escarro,
na urina, no líquido cérebro-espinhal e no tubo gástrico. Radiografias ainda
são um bom meio de diagnóstico.
A lesão típica chamada tubérculo se forma como resultado da reação do corpo
aos bacilos instalados nos tecidos. Mostra um ponto central cheio de células
e tecidos mortos, com aspecto de queijo, no qual são encontrados muito bacilos;
esse centro é rodeado por células fagócitas, arrumadas em forma de raios,
e na periferia estão células de tecido conectivo. O tamanho é microscópico,
mas a maioria das manifestações visíveis da tuberculose, desde pequenos nódulos
até grandes massas, é de conglomerados desses tubérculos.
Sem tratamento, as lesões podem se espalhar muito e destruir aos poucos os
pulmões, reduzindo cada vez mais a quantidade de tecido disponível para a
renovação de oxigênio; isso pode causar morte por falta de ventilação, toxemia
geral e exaustão. Mas qualquer outro lugar do corpo pode ser afetado pelas
lesões, inclusive nódulos linfáticos, ossos, articulações, intestino, órgãos
genitais, pele, bexiga e rins.
Fonte: geocities.com
Os microorganismos são encontrados em praticamente todos os ambientes naturais, tais como solo, ar, água, plantas, animais, corpo humano, alimentos e esgoto.
Apresentam-se sob a forma de comunidades (conjunto de população de espécies), e para que possamos estuda-los no laboratório, necessitamos separá-los individualmente, para que, em cultura formem populações clonadas (iguais, puras), conhecidas como culturas puras (colônias).
Tamanho- O tamanho das colônias varia desde dimensões muito pequenas até colônias muito grandes.
Bordos- A periferia das colônias bacterianas forma muitos desenhos diferentes, dependendo da espécie.
Elevação- As colônias podem ser muito finas (achatadas) ou espessas (elevadas).
Pigmentação- As colônias podem ser coradas (pigmentadas) ou não (não-pigmentadas).
Detalhes ópticos- As colônias bacterianas podem ser opacas, translúcidas ou opalescentes.
Quantidade de crescimento- Escassa, moderada ou abundante.
Distribuição do crescimento no meio de cultura- Crescimento uniformemente dividido (nitidamente turvo); crescimento confinado à superfície do meio, como uma espuma ou filme ( película); ou crescimento acumulado como sedimento, que pode ser granuloso ou viscoso.
Odor- Pode ser pútrido, de frutas ou aromático, ou desprezível.
As culturas puras representa uma condição artificial para o crescimento das bactérias e de outros microorganismos, imposta pelas manipulações laboratoriais.
No entanto, a determinação das características de uma espécie particular de microorganismos exige seu isolamento laboratorial como cultura pura.
Existe uma variedade de técnicas através das quais as diferentes espécies de um espécime natural podem ser isoladas e desenvolvidas em forma pura.
Calor úmido- O calor, sob a forma de vapor d`água sob pressão é o agente mais prático e seguro para fins de esterilização, proporcionando temperaturas mais elevadas que as obtidas por ebulição.
Além disso, apresenta as vantagens do rápido crescimento, penetrabilidade e grande umidade, o que facilita coagulação das proteínas.
O aparelho que utiliza o vapor de água sob pressão regulada chama-se autoclave.
Calor seco- É recomendada quando o contato direto ou completo do vapor de água sob pressão com o material a ser esterilizado é considerado como indesejável ou improvável, o que é verdadeiro para certos tipos de vidraria laboratorial, óleos, pós e substâncias similares.
O aparelho que utiliza o calor seco é chamado de Forno de Pasteur.
Todas as formas de vida, dos microrganismos aos seres humanos, repartem certas exigências nutritivas, em termos de substâncias químicas indispensáveis ao seu crescimento e ao seu funcionamento normal.
As seguintes observações consubstanciam o que foi dito e ilustram a grande diversidade de tipos nutritivos existentes entre as bactérias.
Todos os organismos vivos requerem uma fonte de energia.
Todos os organismos vivos requerem alguma forma da carbono; todos exigem ao menos, pequenas quantidades de dióxido de carbono, mas a maior parte requer certos compostos orgânicos de carbono, como açúcares e outros carboidratos.
Todos os organismos vivos exigem alguma forma de nitrogênio.
Sob este ponto de vista, as bactérias são muito versáteis; alguns tipos usam o nitrogênio atmosférico, alguns crescem na presença de compostos nitrogenados inorgânicos e outros, enfim, retiram seu nitrogênio das proteínas ou de praticamente qualquer composto orgânico nitrogenado que existe na natureza.
Todos os organismos vivos necessitam de enxofre e fósforo.
Algumas bactérias exigem compostos orgânicos de enxofre, outras são capazes de utilizar os compostos inorgânicos, enquanto um terceiro grupo pode mesmo utilizar o enxofre elementar. O fósforo é suprido, usualmente, sob a forma de fosfatos.
Todos os organismos vivos necessitam de vários elementos minerais para seu desenvolvimento normal (sódio, potássio, cálcio, magnésio, manganês, ferro, zinco cobre, fósforo e cobalto).
Todos os organismos vivos contêm vitaminas ou compostos semelhantes às vitaminas.
As bactérias utilizam vitaminas para seus processos metabólicos normais, algumas são capazes de sintetizar todas as vitaminas necessárias, a partir de outros compostos do meio.
Todos os organismos requerem água para seu desenvolvimento.
Para as bactérias, todos os nutrientes devem ser dissolvidos em água, antes de poderem ser absorvidos.
Alguns seres vivos, como as plantas verdes, podem utilizar energia radiante e são denominados fototróficos. As formas de vida incapazes de utilizar a energia radiante, como a vida animal, dependem da oxidação de compostos químicos para a obtenção da energia. Por isso recebem a denominação de quimiotróficos.
Esses dois tipos de comportamentos existem entre as bactérias (fototróficas e quimiotróficas).
As plantas usam o dióxido de carbono, convertendo-o, pele fotossíntese, em carboidratos.
Muitas bactérias também exigem apenas o dióxido de carbono como sua fonte nutritiva e, falando sob o ponto de vista nutritivo, tais organismos são autotróficos.
Caso possam obter sua energia da luz, recebem o nome de fotoautotróficos; se a energia for obtida pela oxidação de compostos químicos são chamados de quimioautotróficos.
Outras bactérias são semelhantes aos animais, no sentido de serem incapazes de utilizar o dióxido de carbono como única fonte de carbono e de dependerem de organismos autotróficos para a produção de carboidratos e outros compostos utilizados como alimentos. As formas vivas que exigem uma fonte orgânica de carbono são heterotróficas.
Os meios sólidos, como fatias de batata, são utilizados, ocasionalmente, para o cultivo especial de bactérias. Os meios solidificados (que podem ser liquefeitos) são exemplificados pelo ágar nutritivo.
Os meios semi-sólidos contêm pequena quantidade de ágar (0,5% ou menos), o que lhes dá uma consistência típica. Por fim, os meios líquidos são representados pelo caldo nutritivo e pelo leite desnatado.
Meios enriquecidos- A adição de sangue, soro ou extrato de tecidos animais ou vegetais ao caldo ou ágar nutritivos proporciona nutrientes acessórios, de modo que o meio passa a permitir o crescimento de heterotróficos fastidiosos.
Meios seletivos- A adição de certas substâncias químicas específicas ao ágar nutritivo previne o crescimento de um grupo de bactérias sem agir sobre outras. O cristal violeta, por exemplo em uma dada concentração, impede o crescimento de bactérias gram-positivas, sem afetar o crescimento das gram-negativas. Em princípio, pode-se selecionar bactérias que crescem em organismos inusitados, simplesmente adicionando esses compostos ao meio, com a omissão de qualquer outra fonte de carbono.
Uma vez que todos os processos de crescimento dependem de reações químicas e que essas são influenciadas pela temperatura, o crescimento bacteriano pode ser profundamente afetado por esta condição.
A temperatura determinará, em parte, o ritmo e a quantidade total do crescimento do organismo. As variações térmicas também podem influenciar os processos metabólicos e a morfologia celular.
Cada espécie de bactérias cresce sob temperaturas situadas em faixas características.
Assim sendo, as bactérias são classificadas nos seguintes grupos:
Psicrófilas: são capazes de crescer a 00C ou menos, embora seu ótimo esteja dependendo de temperaturas mais elevadas, próximas de 150C ou 200C.
Mesófilas: crescem melhor numa faixa de 25 a 400C.
Termófilas: crescem melhor a temperaturas de 45 a 600C.
Os principais gases que afetam o crescimento bacteriano são o oxigênio e o dióxido de carbono.
Como as bactérias apresentam grande variedade de resposta ao oxigênio livre, é conveniente dividi-las em quatro grupos:
Aeróbicas: crescem na presença de oxigênio livre.
Anaeróbicas: crescem na ausência de oxigênio livre.
Anaeróbicas facultativas: crescem tanto na presença quanto na ausência de oxigênio livre.
Microaerófilas: crescem na presença de quantidades pequenas de oxigênio livre.
O crescimento de organismos aeróbicos em tubos ou em pequenos frascos, após a incubação do meio sob condições atmosféricas normais é,geralmente, satisfatório.
Quando se deseja obter grandes quantidades de bactérias aeróbicas, porém, é vantajoso aumentar a exposição do meio à atmosfera.
Embora existam milhares de espécies bacterianas diferentes, os organismos isolados apresentam uma das três formas gerais: esférica, em bastonete e espiralada.
As células bacterianas esféricas são chamadas de cocos, e muitas bactérias que pertencem a esta categoria apresentam dois tipos de arranjos, de grande importância em seu diagnóstico.
Arranjos característicos dos cocos:
diplococos- as células se dividem num único plano e permanecem unidas predominantemente aos pares. Estreptococos- as células se dividem num único plano e permanecem unidas sob a forma de cadeias.
Tetracocos- as células se dividem em dois planos, formando grupos característicos de quatro células.
Estafilococos- as células se dividem em três planos, de modo irregular, produzindo "cachos" de cocos. Sarcinas- as células se dividem em três planos, de modo regular, produzindo arranjos cúbicos das células.
Fonte: www.trabalhosescolares.net