
A banana é fruta de consumo universal, comercializada por dúzia, por quilo e até mesmo por unidade. É rica em carboidratos e potássio, médio teor em açúcares e vitamina A, e baixo em proteínas e vitaminas B e C.
A banana é apreciada por pessoas de todas as classes e de qualquer idade, que a consomem in natura, frita, assada, cozida, em calda, em passas, doces caseiros ou em produtos industrializados.
A fruta verde é usada in natura com grande sucesso na desidratação infantil, depois de bem homogeneizada no liquidificador; seu tanino, revestindo as paredes intestinais e do tubo digestivo, evita, por ação mecânica, que as células do órgão continuem se desidratando.
No meio rural é utilizada, ainda verde, como alimento de animais, depois de cozida, para eliminar o efeito do tanino nos intestinos.
Dentre os processos industriais de aproveitamento industrial da banana, a produção de banana passa é um dos mais indicados, uma vez que requer um baixo investimento inicial, com perspectiva de lucratividade compatível com o investimento e, com um mercado que permite a absorção de um volume muito maior do produto, em relação da oferta.
Embora haja potencial para a sua expansão gradual, o mercado interno de banana-passa tem-se mantido quase inalterado nos últimos anos (em torno de 500ton/ano) enquanto o mercado de exportação permanece praticamente inexplorado pelo Brasil.
A palavra banana é originária das línguas serra-leonesa e liberiana (costa ocidental da África), a qual foi simplesmente incorporada pelos portugueses à sua língua.
Não se pode indicar com exatidão a origem da bananeira, pois ela se perde na mitologia grega e indiana. Atualmente admite-se que seja oriunda do Oriente, do sul da China ou da Indochina. Há referências da sua presença na Índia, na Malásia e nas Filipinas, onde tem sido cultivada há mais de 4.000 anos. A história registra a antigüidade da cultura.
As sementes das bananeiras primitivas, que eram férteis, teriam tido 2 cm. Atualmente, em geral são estéreis e se apresentam como pequenos pontos escuros localizados no eixo central da fruta.
Segundo Moreira (1999), as bananeiras existem no Brasil desde antes do seu descobrimento. Quando Cabral aqui chegou, encontrou os indígenas comendo in natura bananas de um cultivar muito digestivo que se supõe tratar-se do ‘Branca’ e outro, rico em amido, que precisava ser cozido antes do consumo, chamado de ‘Pacoba’ que deve ser o cultivar Pacova. A palavra pacoba, em guarani, significa banana. Com o decorrer do tempo, verificou-se que o ‘Branca’ predominava na região litorânea e o ‘Pacova’, na Amazônica.
As bananeiras produtoras de frutos comestíveis foram classificadas, pela primeira vez, por Linneu, que as agrupou no gênero Musa com as espécies: Musa cavendishii, Musa sapientum, Musa paradisiaca e Musa corniculata.
Essa classificação foi abandonada porque, dado seu empirismo, não seria possível incluir todos os cultivares hoje conhecidos, sem provocar grandes conflitos dentro da mesma espécie.
Atualmente, segundo Simmonds (1973), as bananeiras produtoras de frutos comestíveis são classificadas como plantas da:
Classe: Monocotyledonea
Ordem: Scitaminea
Família: Musaceae
Subfamília: Musoideae
Gênero: Musa
Subgênero (ou seção): Eumusa
Espécies comestíveis: Musa acuminata Colla e Musa balbisiana Colla
A bananeira, planta típica das regiões tropicais úmidas, é um vegetal herbáceo completo, pois apresenta raiz, tronco, folhas, flores, frutos e sementes. O tronco é representado pelo rizoma e o conjunto de bainhas das folhas de pseudocaule. Entretanto, no linguajar popular este é chamado de tronco da bananeira.
A multiplicação da bananeira se processa, naturalmente no campo, por via vegetativa, pela emissão de novos rebentos. Entretanto, o seu plantio também pode ser feito por meio de sementes, processo este usado mais freqüentemente quando se pretende fazer a criação de novas variedades ou híbridos.
Segundo Alves (1999), a bananeira, como todas as plantas, tem um ciclo de vida definido. Sua fase de gestação começa com a geração de um broto-rebento em outra bananeira, mas como nos animais, o início da contagem de sua vida somente se faz com seu aparecimento ao nível do solo. Com seu crescimento, há a formação de uma bananeira que irá produzir um cacho, cujas frutas se desenvolvem, amadurecem e caem, verificando-se em seguida o secamento de todas as suas folhas, quando se diz que a planta morreu.
Como esse processo é contínuo e extremamente dinâmico, uma bananeira adulta apresenta sempre ao seu redor, em condições naturais, outras bananeiras em diversos estádios de desenvolvimento. Esse conjunto de bananeiras interligadas, com diferentes idades, oriundas de uma única planta e crescendo desordenadamente, denomina-se touceira.
Botanicamente, as touceiras de bananeiras são formadas por rebentos que constituem a primeira, segunda, terceira, etc., gerações da muda original e que popularmente recebem as denominações de "mãe", "filho", "neto", etc.
É a planta mais velha da touceira, que pode estar na fase vegetativa ou ter lançado sua inflorescência ou já estar ou não com o cacho completamente formado, o qual poderá estar ou não no ponto de colheita. Ela perde a denominação de "mãe" após a colheita. A "mãe" é sempre uma só, salvo no caso da ocorrência da dicotomia.
É todo e qualquer rebento originário do intumescimento de uma gema vegetativa seguido de seu posterior desenvolvimento (gema lateral de brotação, que será uma "olhadura"), localizada no rizoma da planta "mãe".
É todo e qualquer rebento originário de um "filho".
É todo rebento que se forma devido ao desenvolvimento de outra "olhadura" de um mesmo rizoma. Isso quase sempre ocorre mais de uma vez, o que dá origem a uma irmandade, cujo número é bastante variável.
É um conjunto de rizomas interligados e descendentes, representados pela "mãe", um "filho" e um "neto", onde todos os demais rebentos ("filhos" e "netos") foram eliminados.
A "mãe" pode ter vários "filhos", que serão "irmãos" entre si e cada um destes, por sua vez, pode também emitir seus "filhos", os quais serão os "netos" da "mãe" original. Na touceira que se forma naturalmente portanto, sem que se tenha feito nenhum desbaste, é possível com o tempo, individualizar-se duas, três, quatro ou mais famílias, desenvolvendo-se ao mesmo tempo
Após a colheita da planta "mãe", a planta "filho" assume a posição desta e a planta "neto", por sua vez, assume a posição de planta "filho", e assim sucessivamente.
Segundo o destino que a banana vai ter, pode-se classificar as bananeiras mais cultivadas em cinco grupos:
a. Banana destinada à exportação e mercado interno
‘Baé’, ‘Bout-round’, ‘Caturrão’, ‘Grande Naine’, ‘Gros Michel’, ‘Jangada’, ‘Johnson’, ‘Lacatan’, ‘Monte Cristo’, ‘Nanica’, ‘Nanicão’, ‘Pseudocaule roxo’, ‘Piruá’, ‘Robusta’, ‘Valery’ e ‘Williams’.
b. Banana de mesa para consumo interno
‘Baé’, ‘Bout-round’, ‘Branca’, ‘Canela’, ‘Caru roxa’, ‘Caru verde’, ‘Caturrão’, ‘Colatina ouro’, ‘Congo’, ‘Enxerto’, ‘Figo cinza’, ‘Figo cinza escura’, ‘Figo vermelha’, ‘Figo vermelha rachada’, ‘Giant Fig’, ‘Grande Naine’, ‘Jangada’, ‘Johnson’, ‘Lacatan’, ‘Leite’, ‘Maçã’, ‘Miomba’, ‘Monte Cristo’, ‘Mysore’, ‘Nanica’, ‘Nóbrega’, ‘Ouro’, ‘Ouro da mata’, ‘Ouro mel’, ‘Pachá naadan’, ‘Pacovan’, ‘Padath’, ‘Pão’, ‘Piruá’, ‘Platina’, ‘Prata’, ‘Prata ponta aparada’, ‘Prata Santa Maria’, ‘Prata e Zulú’.
c. Banana para fritar, conhecidas como banana da terra e na língua espanhola como "plátano"
‘Angola’, ‘Carnaval’, ‘D'Angola’, ‘Figo cinza’, ‘Figo cinza-escura’, ‘Figo vermelha rachada’, ‘Maranhão branca’, ‘Maranhão caturra’, ‘Maranhão vermelha’, ‘Mongolô’, ‘Mucocô’, ‘Ouro’ (quando verde), ‘Pão’, ‘Pacova’, ‘Pacoví’, ‘Pacovaçu’, ‘Samburá’, ‘Terra’, ‘Terra caturra’ e ‘Terrinha’.
d. Banana para compota
‘Nanica’ e todos os cultivares do subgrupo Cavendish, ‘Ouro’, ‘Pacovan’, ‘Prata Zulú’, ‘São Domingos’, ‘Terra’ e todos os cultivares do subgrupo Plantain.
e. Banana para passas
‘Branca’, ‘Enxerto’, ‘Nanica’ e todos os cultivares do subgrupo Cavendish.
A banana tem sido tradicionalmente consumida como fruta fresca em mesas das mais diferentes classes sociais, quer como sobremesa ou mesmo como complemento da alimentação.
O tanino que ela possui quando ainda verde, possibilita seu uso sem restrições, como controlador das diarréias em crianças ou adultos, principalmente quando se utiliza o cultivar Maçã, quando ainda "verdolengas".
No meio rural, a cica da banana tem sido aplicada como anti-séptico, nos ferimentos feitos a faca, dada a sua capacidade de estancar hemorragias. Na farmacologia caseira, seu uso é citado constantemente como auxiliar no tratamento das vias respiratórias, principalmente contra asma, tuberculose, pneumonia e também, hepatite.
A banana permite a elaboração de alguns produtos industrializados ou na culinária doméstica, tais como:
Concentrado de polpa de banana, que pode ser apresentado para consumo sob as formas congelada, acidificada ou enlatada assepticamente
ALIMENTO INFANTIL À BASE DE MAÇÃ E BANANA
Alimentos infantis à base de frutas, também denominados purê de frutas ou sobremesa de frutas, caracterizam-se por serem alimentos preparados comercialmente para bebês, apresentando, acima de tudo, elevado aporte nutricional de sais minerais e vitaminas e grande aceitação no mercado varejista.
Além disso, comercialmente, os alimentos infantis apresentam intensa tendência à expansão, visto a grande praticidade de utilização do mesmo, bem como, a possibilidade de inserção de alimentos, na dieta do bebê, que, na maioria das vezes, são rejeitados quando in natura, complementando suas necessidades nutricionais e garantindo, assim, taxas de crescimento adequadas, reposição de energia gasta em atividades, necessidades metabólicas basais e interação dos nutrientes consumidos.
O conteúdo dessa página refere-se a alimento infantil a base de maçã e banana.
Continue conosco e descubra um pouco mais desse importante alimento tão difundido na dieta alimentar de nossas crianças.
Banana-Passa
Para a produção de banana-passa, normalmente empregam-se os cultivares de banana conhecidos como nanica, nanicão, ouro e prata. A preferência por esses cultivares pode ser atribuída a fatores relacionados à qualidade da matéria-prima em relação ao produto final e a fatores econômicos. Essas cultivares apresentam maiores teores de açúcares, são mais aromáticas e quando processadas no estágio de maturação correto, não conferem sabor adstringente ao produto final.
As bananas que possuem variedades apropriadas para a fabricação do produto banana-passa devem ser colhidas em período de maturação adequado, despencadas, lavadas com água clorada, descascadas e selecionadas para descartar os frutos amassados ou manchados. Em seguida, são submetidas a tratamentos pré-lavagem utilizando-se para isso anidrido sulfuroso (SO2) de maneira a preservar sua cor natural. Então, ela passa por um processo de secagem em secador dotado de circulação forçada de ar quente, após elas são acondicionadas por um período de 10 a 15 dias para posteriormente serem embaladas.
Por ser um produto natural, a banana-passa desperta um grande interesse pelos consumidores. É um produto comercializado há anos no mercado internacional e em quantidades que podem ser consideradas limitadas. Alguns dos fatores que têm dificultado a expansão do mercado interno pode-se citar a falta de hábito de consumo, mercado indefinido quanto às exigências do consumidor, falta de uniformidade e padrão de qualidade para os produtos hoje comercializados e, pouca diversificação do produto visando sua utilização industrial, como ingrediente, na fabricação de outros produtos alimentícios.
As bananas do subgrupo Prata não têm sido utilizadas para a produção de banana desidratada e também para o purê devido seu elevado teor de água. Entretanto, a banana ‘Branca’ é muito usada junto com as do subgrupo Cavendish, para melhorar a textura e também o ponto de corte das bananadas.
Da bananeira, dos restos do cacho e da casca da banana podem ser obtidos os seguintes produtos:
a) "palmito" em salmoura
b) torta doce de casca de banana
c) torta doce de engaço
d) torta doce do "coração"
Os restos das bananas e dos cachos descartados têm sido usados na alimentação de bovinos, eqüinos, suínos, etc., com excelentes resultados.Em algumas regiões do Nordeste, as folhas mais velhas das bananeiras, porém, ainda vivas, são cortadas e dadas aos animais.
Os restos de pseudocaule, ainda verdes, têm sido usados como cama, para produção de esterco animal ou ainda, como complemento de ração para os ruminantes.
A composição centesimal da banana, com relação aos seus principais constituintes, encontra-se na tabela nutricional a seguir:
| Constituinte | Média (g/100g) | Variação (g/100g) |
| Umidade | 73,90 | 70,70 - 76,50 |
| Proteína | 1,15 | 1,05 - 1,30 |
| Lipídio | 0,18 | 0,10 - 0,38 |
| Carboidrato | 18,80 | - |
| Fibra alimentar | 2,00 | 1,50 - 2,50 |
| Minerais | 0,83 | 0,68 - 0,95 |
| Vitamina C | 12,00 | 7,00 - 21,00 |
| Valor calórico | 81 kcal/100g |
|
Fonte: Souci; Fachmann; Kraut (1986).
MOREIRA, R. S, Banana Teoria e Prática de Cultivo.
2ª Edição, Fundação Cargill, São Paulo,
1999, 299p.
SIMMONDS, N. W. & SHEPHARD, K. The taxonomy and
origin of the cultivated bananas. The journal of the Linnean Soc. Botany,
London, v.55(359): 302-303, 1973.
SOUCI, S.W.; FACHMANN, W.; KRAUT, H. Food composition
and nutrition tables 1986/87. 3rd. rev. compl. ed. Stuttgart: Wissenschaftliche
verlagsgesellschaft, 1986. p.833-834.
ALVES, E. J., org. A cultura da banana: Aspectos técnicos,
sócio-econômicos e agro-industriais. Brasília: EMBRAPA-SPI/Cruz
das Almas, 2º edição - 1999. 585p.
Anuário Estatístico. Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística.IBGE, Produção de Bananas
no Brasil. 1997.
Fonte: www.ufrgs.br

A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo sendo explorada na maioria dos países tropicais. Em 1994 - FAO a produção mundial - 52.584.000 toneladas - distribuiu-se pela Ásia (40,9%); América do Sul (27,3%), América do Norte / Central (15,2%), África e Oceania; atrás da Índia (15% da produção mundial) o Brasil situou-se em 2% lugar (11,5%).
Em 1998 o Brasil produziu 6.677.018 t. em área colhida de 519.329 ha. e a Bahia 539910 toneladas em área colhida de 52.261 ha. Os estados da Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco evidenciam-se como os maiores produtores nacionais.
Na Bahia destacam, como maiores produtores de banana, as regiões econômicas Litoral Sul, Sudeste e Recôncavo Sul onde sobressaem-se os municípios de Ubaíra, Jaguaquara, Wenceslau Guimarães e Camacã.
A América Latina tem nos países Equador, Costa Rica e Colômbia os principais exportadores que concentram 83% das exportações mundiais; o Brasil não exporta mais que 1% da sua produção.
A bananeira é conhecida como Musa sp., Monocotiledonae, Musaceae. Os seguintes sub-grupos e cultivares são importantes: Gros Michel (Gros Michel, Maçã), Cavendish (Nanica, Nanicão), Prata (Prata, Pacovan), Terra (Terra, D’Angola) entre outros.
A bananeira é uma planta herbácea, com porte de 2,0-8,0 m com raízes fibrosas e superficiais; o caule verdadeiro é subterrâneo - rizoma - as folhas têm bainhas (os pecíolos) que se justapõem formando um falso caule - pseudo caule - aéreo. A inflorescência tem flores masculinas, femininas e por vezes hermafroditas; os frutos - bananas - são parte- nocárpicos (não provem de polinização). Não há sementes viáveis.
Devido ao conteúdo de vitaminas e sais minerais, ao seu valor calorífico, energético e custo relativamente baixo a banana é parte integrante da alimentação de populações de baixa renda. É cultura importante para fixação da mão-de-obra rural.
Ao natural, a banana é consumida fresca, assada, frita ou cozida; processada em casa compõe doces em rodelas, doce para corte, banana-passa (seca) e aguardente.
Industrialmente obtêm-se farinha da banana, cremes, passa, néctar, geleia, doce (bananada), rapadura, balas, vinagre, vinho, licor, compotas.
Da planta - pseudocaule e folhas - retira-se fibras para confecção de sacos para cereais, chapéus, rendas, cortinas, tapetes. Em regiões pobres as folhas servem para cobrir casas. As cascas frescas do fruto maduro podem ser fornecidas, como alimento,a animais bovinos.
A polpa do fruto é rica em açúcar, cálcio, fósforo, ferro, vitamina B; tem alto teor de potássio e de vitamina C.
Temperatura em 26ºC (15 e 35ºC), umidade relativa do ar abaixo de 80%, luminosidade em torno de pouco mais de 2.000 horas/ano, vento com velocidade abaixo de 40 Km/hora, e chuvas com mínimo de 100 mm. mensais (1.200 mm anuais).
Não sujeito a inundação, plano a levemente ondulado até encosta, altitude entre 0 e 300 m. (máximo).
Areno-argilosos ricos em humus, profundos, drenados, pH 6,0-6,5.
A propagação da bananeira, para fins comerciais, dá-se pela utilização do rizoma (pedaços de rizoma e rizoma com gemas em diferentes estágios de crescimento).
O ideal é conseguir-se mudas originárias de viveiros próximos ao local da futura plantação.
Uma muda ideal para plantio deve passar pelas etapas de seleção, preparo, tratamento sanitário.
Bananal selecionado não deve ter nem mistura de variedades nem erva de difícil erradicação (tiririca), nem pragas e doenças. Escolhe-se mudas vigorosas, com formato cônico com 60 a 150 cm de altura, com folhas estreitas (chamadas chifre e chifrão) ou com folhas largas (adulta): a muda com filho aderido serve para reforma de bananais.
Ainda no local da seleção retira-se partes necrosadas (escuras, podres), raízes e solo aderidos à muda. Após o preparo a muda chifrinho deve pesar de 1 Kg e a Chifrão 3 Kg e a muda adulta 3-5 Kg.
É a desinfecção da muda e consiste em mergulhar, por 10 minutos, em calda inseticida/fungicida/nematicida as mudas e depois coloca-las em pé na sombra. Em local sombreado e pouco úmido a muda pode ser armazenada por 8 dias, até o plantio.
Variedades para o plantio: para mercado interno Prata e Maçã, para mercado interno e exportação, Nanica (banana d'água) e Nanicão (banana casca verde). As variedades para consumo no desjejum são Maranhão, Terra e D’Angola.
A melhor época para o plantio é o início da estação chuvosa podendo prolongar-se ao longo dela se houver umidade no solo. Em locais onde as chuvas são periódicas e abundantes (sem encharcamento do solo) ou sob regime de irrigação planta-se em qualquer época do ano.
Se determinada por recomendações de análise de solos, a calagem deve ser efetuada aplicando-se metade da dose antes da aração do terreno e a outra antes da 1ª gradagem.
Espaçamentos convencionais: para bananeiras com porte alto (Terra, Pacovan, Maranhão), usa-se 3m x 3m (1.111 plantas/hectare); para bananeiras de porte semi-alto (Maçã, D’Angola, Mysore), usa-se 3m x 2m (1.666 plantas/hectare) e bananeiras de porte baixo ( Nanica, Nanicão ), usa-se 2m x 2m ou 2,5m x 2m )2500 e 2000 plantas/hectare). Em fileiras duplas (Prata) indica-se 4m x 2m x 2m (1.657 plantas/hectare).
Segundo o tamanho da muda e tipo de terreno as covas devem ter dimensões de 30cm x 30cm (mudas com 0,5-1,0 Kg) e 40cm x 40cm (mudas com 1,0 a 1,5 Kg). Se o terreno permitir o sulcamento deve ser feito com 30cm de profundidade. Na abertura da cova separar a terra dos primeiros 10 a 15cm.
A terra de superfície deve ser misturada a 10 litros de esterco de curral curtido (5 litros esterco galinha) + 25g de uréia + 400g de superfosfato simples e 70 g de cloreto de potássio; a mistura é colocada no fundo da cova e coberta com 3 dedos de terra aos 30 dias antes do plantio.
No plantio as mudas chifrinho e chifrão devem receber terra até cobrir o rizoma; mudas rizoma ou pedaço de rizoma ficam com 5cm dele fora da terra. Mudas do mesmo tipo (chifrinho) devem ser plantadas em seqüência depois mudas tipo chifre. Logo após plantio podar folhas abertas.
O replantio ou substituição de mudas mortas ou doentes devem ser feito 30 a 45 dias pós-plantio com mudas tipo chifrão.
Para as condições do Brasil devem ser aplicados 1.200 a 1.800 mm/ano (100 a 150 mm/mês). O intervalo entre irrigações (turno de rega) não deve ser maior que 10 dias. Os métodos de irrigação mais comumente usados são por faixas, por sulcos, aspersão, micro-aspersão, gotejamento. Deve-se observar, também, a drenagem do terreno.
Eliminar ervas daninhas com capinas ou roçagens ou com ação de herbicidas notadamente nos períodos de escassez de chuvas; nos 3 primeiros meses, em cultivos superficiais, a grade de discos executa bom trabalho (elimina ervas e quebra crosta no solo). As capinas são realizadas no início e fim das chuvas.
Deve-se eliminar folhas velhas, mortas ou quebradas para aumentar luminosidade, incorporar matéria orgânica ao solo, prevenir ferimentos nos frutos e efetuar a limpeza da planta.
É de bom alvitre eliminar restos florais do cacho ou "coração" (após emissão da última penca de frutos) a 10-15cm desta. Nas bananeiras de alto porte usar escadas.
Efetuar o desbaste (eliminação de excesso de "filhos") quando filhos ainda estiverem novos; corta-se o pseudo caule rente ao solo (facão), extrai-se a gema apical com aparelho "Lurdinha". A escolha do filho faz-se aos 6 meses pós plantio e outro aos 8 meses.
A adubação em cobertura é feita: planta mãe recebe 75g de uréia e 55g de cloreto de potássio por vez, planta no início, meio e fim da estação chuvosa; os filhotes recebem 90g de uréia, 110g de superfosfato simples e 65g de cloreto de potássio, por planta/ vez, no início, meio e fim da estação chuvosa.
BROCA-DA-BANANEIRA ou moleque: Cosmopolites sordidus (Cremar, 1824) Coleóptera, Curculionidae.
O ataque desse inseto causa queda de produção entre 30% e 80%. O adulto e besouro preto com 9 a 14mm de comprimento, com rostro (bico) longo e recurvado; fêmeas põem ovos em cavidades feitas com aparelho bucal na inserção da bainha das folhas (base da planta). Lagartas brancas, sem patas, penetram nos rizomas e passam a alimentar-se abrindo galerias. Os sintomas são amarelecimento com secamento de folhas e morte do broto.
Seleção, preparo, tratamento de mudas, aplicação de inseticida granulado na cova de plantio, utilização de iscas atrativas envenenadas (pseudocaule e rizoma) tipo "telha" ou tipo "queijo", controle biológico (fungos).
Opogona sacchari (Bojer, 1856) Lepidoptera, Lyonetidae; ataca todas as partes da bananeira à exceção de raízes e folhas, concentra-se nos frutos. O adulto, pequena mariposa, coloca ovos nas flores, lagartas atacam laterais do fruto, engaço, almofadas das pencas, pseudocaule; abrem galerias na polpa dos frutos.
Aplicação de inseticida carbaryl 85M (2 Kg/ha) de forma preventiva, antes das flores secarem (cachos) com frutos ainda verdes.
Pulgão, abelha irapuá, tripes, lagartas desfolhadoras atacam a bananeira.
Micosphaerella musicola, Leach. Também chamada cercosporiose é a doença mais grave da bananeira no país. É importante economicamente em regiões onde chuvas são freqüentes e temperatura está em 25ºC. Os prejuízos são morte precoce das folhas (enfraquecimento da planta, diminuição do n.º de pencas e tamanho dos frutos, maturação precoce). Os sintomas começam com leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras da 2ª e 4ª folha a partir da vela; a descoloração aumenta formando estria amarela que cresce e forma manchas necróticas elípticas e alongadas paralelas as nervuras secundárias da folha.
Variedades resistentes, drenagem do terreno, eliminação de ervas daninhas, eliminação de folhas atacadas, aplicação de calda fungicida (propiconazol ou benomil ou thiabendazol).
Fusarium oxysporum f. sp. cubense ou mancha de Fusarium; a doença inclui-se entre problemas sanitários mais sérios da bananicultura no mundo.
As plantas afetadas exibem externamente, amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas. O amarelecimento começa das bordas foliares até a nervura principal; em seguida as folhas murcham, secam e quebram junto ao pseudocaule. A planta toma forma de guarda-chuva fechado. Internamente (corte transversal do pseudocaule) há descoloração pardo-avermelhada.
Evitar plantio em áreas com histórico de alta incidência da doença, utilizar mudas sadias livres de nematóides, corrigir pH do solo colocando-o perto da neutralidade, preferir solos com bom nível de matéria orgânica, manter boa relação entre cálcio, magnésio e potássio, na nutrição da planta. Moko, Sigatoka-negra, nematóides, doenças a vírus são outras moléstias da bananeira.
Para atender ao mercado local colher a fruta "de vez ou gorda" (fruto sem quinas); para mercado interno colher quando o fruto atinge estagio "3/4 gorda" (quinas desaparecendo). Para exportação quando fruto estiver "3/4 magra" (quinas bem salientes). Nas variedades de porte médio e baixo um operário segura pela raquis e corta o engaço com facão; na variedade de porte alto 2 operários trabalham cortando parcialmente o pseudocaule e usam forquilha para amortecer queda do cacho. O engaço é cortado a 30 cm da primeira penca e 10-15 cm da última penca. O cacho é transportado para galpão aberto, chão forrado com folhas da bananeira, procede-se ao despencamento (com espátula de pintor n.º 10) com lâmina em U aberto.
Pencas são imersas em água + detergente (1.000 l/ 2l. ) para eliminar a cica (evitar mancha no fruto); nessa operação classifica-se as pencas.
Em caixas apropriadas, pencas colocadas verticalmente, com ferida do corte para baixo, transporta-se a banana. O transporte pode ser feito com bananas empilhadas em caminhão (sobre espuma de 2 cm de espessura), em "caçoás" (lombo de animais).
Qualidade é fundamental, classificação por tamanho é importante (facilita a operação e valoriza o produto). A maturação comercial, feita sob condições precárias, deprecia o produto.
Variedades Prata e Maçã agradam ao gosto do consumidor local; Nanicão é destinada a exportação. A banana é comercializada em feiras livres, em CEASAS, na fonte de produção e exportada para outros Estados e para o exterior.
Nanica e Nanicão rendem 2.000 cachos/hectare (30 a 40 toneladas) e até 60 toneladas/hectare (sob irrigação).
Prata e Maçã podem render 10-15 toneladas/hectare.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
REVISTA SINDIFRUTA - Ano 2, set/96
A Cultura da Banana.
EMBRAPA - Circular Técnica n.º 6, fev/86
Brasília
Instruções Práticas para o Cultivo da Banana;
EDIÇÕES MELHORAMENTOS
Manual de Fruticultura - 1971
Salim Simão - São Paulo
EPABA - Circular Técnica n.º 9, maio - 1984
Instruções Práticas para o Cultivo de Frutas Tropicais.
EMBRAPA - SPI Frupex - 1997
Banana Para Exportação - Aspectos
Técnicos da Produção
Brasília - DF
Fonte: www.seagri.ba.gov.br