O termo barroco denomina todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início de 1700. É também chamado de Seiscentismo e se estende à música, pintura, escultura e arquitetura.
Em Portugal, teve início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que resultou na forte influência espanhola.
Seu fim se dá com a fundação da Arcádia Lusitana.
Portugal passou os primeiros 25 anos do século XVI no período áureo.
Entretanto, seus 25 últimos anos podem ser considerados o período mais negro. Isso ocorreu graças ao esquecimento da agricultura e dos campos portugueses além de suas colônias não darem riquezas imediatas. Assim a economia declinou.
Alimentando o sonho de transformar Portugal num grande império, D Sebastião aventurou-se em Alcárcer-Quibir onde desapareceu. Inicia-se então, a crise sucessória.
O desaparecimento de D. Sebastião originou o mito do Sebastianismo, crença segundo a qual D. Sebastião voltaria para reclamar o trono que lhe pertencia.
Ilustre Sebastianista
Padre Antônio Vieira: Retomou a crença nas "trovas" de um sapateiro que foi o primeiro a expressar o mito.
O homem do Seiscentismo vivia um estado de tensão e desequilíbrio do qual tentou evadir-se pelo culto exagerado da forma, sobrecarregando a poesia de figuras de linguagem.
Veja a seguir as principais características:
Os Dualismos:
O jogo dos contrastes:
Principais figuras de linguagem presentes no texto barroco
Outros nomes para o estilo Barroco no mundo:
Espanha: Gongorismo
Itália: Marinismo
Inglaterra: Eufuísmo
França: Preciosismo
Alemanha: Silesianismo
Notamos também dois estilos no barroco literário:
Caracterizado pela linguagem extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gôngora. Encontra na poesia sua melhor forma de expressão; Figuras de linguagem; Estilo opulento e suntuoso.
Marcado pelo jogo de idéias, seguido de um raciocínio lógico. Visível influência: poeta espanhol Quevedo. Encontra na prosa sua melhor forma de expressão; Teor argumentativo; Estilo conciso e ordenado.
Ao braço do Menino Jesus de Nossa Senhora das Maravilhas, a quem infiéis desperdiçaram
O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.
Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos diz as partes todas deste todo.
Se gostas da afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam culto, não me leias. Quando este estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. [...]

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Padre Antônio Vieira
A produção literária de Vieira se compõe de profecias, cartas e sermões. Nas três obra proféticas que deixou, defendia o Sebastianismo.
O melhor da produção de Vieira são os sermões em estilo Barroco Conceptista.
Veja um de seus sermões a seguir:
[...] Compara Cristo, o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte. Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele? - O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o céu. Suposto que o céu é pregador, deve de ter sermões e deve de ter palavras. Sim, tem, diz o mesmo David; tem palavras e tem sermões; e mais, muito bem ouvidos. E quais são estes sermões e estas palavras do céu? -- As palavras são as estrelas, os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas. Vede como diz o estilo de pregar do céu, com o estilo que Cristo ensinou na terra. Um e outro é semear; a terra semeada de trigo, o céu semeado de estrelas. O pregar há-de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Se de uma parte há-de estar branco, da outra há-de estar negro; se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão-de dizer subiu.
A importância de Francisco Rodrigues deve a sua obra “Corte na Aldeia”. O título, ainda que paradoxal, ilustra a situação política de Portugal: com o domínio espanhol, os nobres da corte lusitana são forçados a se exilar na ‘’aldeia’’. Foi o 1º trabalho português a discorrer sobre elementos teóricos do barroco.

Obra anônima que se apresenta, irônica e bem-humorada, a critica social de época de D. João IV, desmascarando desde falsos mendigos até os mais altos escalões da corte.

Veja um pequeno fragmento da obra, a seguir:
Quando Alexandre Magno conquistava o mundo, repreendeu um corsário, que houve às mãos, por andar infestando os mares da Índia com dez navios. E respondeu-lhe discreto: "[...] Eu furto o que me é necessário, Vossa Alteza o que lhe é supérfluo. Diga-me agora: qual de nós é maior pirata e qual merece melhor essa repreensão?". Quis dizer nisto que também há reis ladrões, e que há ladrões que furtam o que lhes é necessário; e que há ladrões que furtam também o supérfluo. Esses são ladrões por natureza e aqueles o são por desgraça