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Belle Époque

 

É mais um estado de espírito

Costuma-se definir Belle Époque como um período de pouco mais de trinta anos que, iniciando-se por volta de 1880, prolonga-se até a Guerra de 1914.

Mas essa não é, logicamente, uma delimitação matemática: na verdade, Belle Époque é um estado de espírito, que se manifesta em dado momento na vida de determinado país.

No Brasil, a Belle Époque situa-se entre 1889, data da proclamação da República, e 1922, ano da realização da Semana da Arte Moderna em São Paulo, sendo precedida por um curto prelúdio – a década de 1880 – e prorrogada por uma fase de progressivo esvaziamento, que perdurou até 1925.

A França sempre presente

Seria impossível entender a Belle Époque brasileira fora de suas vinculações com a França. Na segunda metade do Século 19, cinco grandes exposições internacionais realizadas em Paris indicaram, aos pintores e escultores do mundo inteiro, a tendência estética mais em voga.

A primeira dessas exposições, a de 1855, foi o decisivo confronto entre os adeptos do neoclássico Dominique Ingres e do romântico Eugène Delacroix, com a vitória final destes últimos – e, portanto, do Romantismo.

Gustave Courbet, cujas obras tinham sido recusadas, ergueu, a pouca distância do recinto da mostra, seu próprio «Pavilhão do Realismo».

Doze anos depois, o recusado de 1855 tornava-se o herói do dia: a Exposição de 1867 representou a vitória de Courbet e do Realismo, além de mostrar à Europa os pre-rafaelitas ingleses.

Desta vez, o júri cortara Manet que, inconformado, também expôs em um pavilhão improvisado.

Artistas brasileiros premiados na França

A Exposição de 1878 marcou o início da consagração do Impressionismo. A de 1889, representou o triunfo dos simbolistas e, finalmente, a de 1900 assinalou a consagração do Art Nouveau.

Nas três exposições acima citadas estiveram presentes pintores do Brasil. Na de 1878, Augusto Rodrigues Duares. Na de 1889, Henrique Bernardelli, medalha de bronze, e Manuel Teixeira da Rocha, grande medalha de ouro. Na de 1900, Pedro Américo, Pedro Weingartner e Eliseu Visconti, este último contemplado com medalha de prata.

Essas medalhas, nem sempre correspondiam aos méritos do artista. Concebidas como gigantescos mostruários da indústria e do comércio franceses, visando a angariar novos mercados em países distantes, tais exposições costumavam conceder quase tantos prêmios quantos eram os expositores.

Participando dessas exposições, simplesmente visitando-as, ou folheando seus catálogos, artistas de outras terras entraram em contato com a última moda artística, que os mais talentosos logo adotaram.

Desse modo, decerto, foi que o Realismo, Impressionismo, Simbolismo, Pontilhismo e Art Nouveau – movimentos estéticos do período chamado Belle Époque atravessaram o Atlântico e chegaram às Américas e ao Brasil.

Fonte:  www.pitoresco.com

Belle Époque

Belle Époque foi o período que decorreu na Europa entre 1890 e 1914, ano em que começou a Primeira Guerra Mundial. A expressão Belle Époque, contudo, só surgiu depois do conflito armado para designar um período considerado de expansão e progresso, nomeadamente a nível intelectual e artístico. Nesta época surgiram inovações tecnológicas como o telefone, o telégrafo sem fio, o cinema, o automóvel e o avião, que originaram novos modos de vida e de pensamento, com repercussões práticas no quotidiano.

Foi uma fase de grande desenvolvimento na Europa, favorecida pela existência de um longo período de paz. Países como a Alemanha, o Império Austro-Húngaro, a França, a Itália e o Reino Unido aproveitaram para se desenvolver a nível económico e tecnológico.

Tratou-se de uma época de otimismo entre a população que passou a ter uma grande crença no futuro. Simultaneamente, os trabalhadores começaram a organizar sindicatos e partidos políticos, nomeadamente os socialistas.

Nas grandes cidades o ambiente mudou radicalmente, o que era visível nas principais avenidas, onde se multiplicavam os cafés, os cabarets, os ateliers, a galerias de arte e as salas de concertos, espaços frequentados pela média burguesia, que tinha cada vez mais posses. O núcleo da Belle Époque era Paris, na altura o centro cultural do mundo.

Durante a Belle Époque surgiram três correntes artísticas a nível da pintura, o fauvismo (Matisse foi o seu maior representante), o cubismo (onde se destacou Picasso) e o impressionismo (com Claude Monet como iniciador). A nível literário a época ficou marcada pelo surgimento de novos géneros, como os romances policiais e de ficção científica, onde se destacaram os heróis solitários, como Arsène Lupin ou Fantômas, que se mascaravam e usavam armas modernas e inovadoras.

Houve também grandes progressos a nível da química, da eletrónica e da siderurgia, assim como da medicina e da higiene, o que permitiu fazer baixar as taxas de mortalidade.

Uma das formas encontradas para celebrar todos estes progressos, foi a organização da Exposição Universal de Paris, que teve lugar em 1900, nos Campos Elísios e nas margens do rio Sena.

A Belle Époque terminou com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, nomeadamente porque as notáveis invenções daquele período passaram a ser utilizadas como tecnologia de armamento.

Fonte:  www.infopedia.pt

Belle Époque

Para a maioria dos europeus, a época entre 1871 e 1914 foi a Belle Époque. A ciência tinha tornado a vida mais cômoda e segura, o governo representativo tinha grande aceitação e se esperava confiantemente um progresso contínuo. As potências européias se orgulhavam dos seus avanços e, convencidas de que a história lhes tinha reservado uma missão civilizadora. Paris foi a principal capital européia que se glorificou com o estilo da belle époque, com exemplos que hoje se podem contemplar na Gare de Lyon e na ponte Alexandre III.

As mudanças realizadas entre os séculos XIX e XX, estimuladas, principalmente, pelo dinamismo da economia internacional, também afetou a sociedade brasileira significativamente. De meados dos anos de 1890 até a Grande Guerra, a orquestra econômica global gerou grande prosperidade no país.

O enriquecimento baseado no crescimento explosivo dos negócios formou o plano de fundo do que se tornou conhecido como “os belos tempos” (Belle Époque). No Brasil, a atmosfera do surto amplo de entusiasmo do capitalismo gerou uma sensação entre as elites de que o país havia se posto em harmonia com as forças da civilização e do progresso das nações modernas.

A Belle Époque na região Amazônica

Na região Norte do Brasil a Belle Époque foi fruto do desenvolvimento da economia do látex na Amazônia no período de 1870-1910, o que está intimamente ligado às próprias transformações ocorridas a nível da reprodução do capital e da acumulação de riquezas pela burguesia internacional.

Em decorrência do Bomm da borracha, Belém do Pará assumiu o papel de principal porto de escoamento da produção do látex, além de se tornar na vanguarda cultural da região. Verifica-se neste momento a construção de todo um processo mordenizador na região Norte.

A necessidade de mordenizar a capital paraense e realizar uma melhor distribuição do espaço urbano esteve inevitavelmente ao desenvolvimento da borracha, como também as transformações políticas e sociais ocorridas no país a partir da década de 1880. Era preciso adequar a cidade às transformações capitalistas, investindo capital e diversificando sua aplicação em outras atividades, para isso se engendrou todo um processo de modernização da cidade de forma a facilitar o escoamento da produção e de divisas para os países centrais.

O desenvolvimento urbano que se gestava há algum tempo, acelerou-se significativamente com a implantação da República que, enfatizando a descentralização, deu maior autonomia à aplicação dos impostos, além de conceder ao Estado maior participação na renda de exportação da borracha.

Neste sentido, a ação dinamizadora do embelezamento visual da cidade estava associada à economia, a demografia e também aos valores estéticos de uma classe social em ascensão (seringalistas, comerciantes, fazendeiros) e às necessidades de se dar a determinados segmentos da população da cidade segurança e acomodação, além da colocação em prática da idéia positivista de progresso enfatizado pelo novo regime republicano.

A Era Lemos

Neste contexto, a grande personalidade pública foi, de fato, Antônio Lemos. Este, nascido em São Luís do Maranhão, em 17 de dezembro de 1843, possuía origens humildes o que surge como um contraste ao seu apego à suntuosidade, o seu amor à magnificência.

Aos 17 anos se alistou na Marinha de Guerra, sentando praça como escrevente da Armada. Servindo a Marinha, Lemos fez incursões no Rio da Prata durante a Guerra do Paraguai (entre 1864 e 1870) com a corveta “Paraense” a fim de ajudar no bloqueio de Montevidéu.

Em Belém, operou na Companhia de Aprendizes de Marinheiro do Pará e na Companhia de Aprendizes de Artífices do Arsenal de Marinha. Sua vida era de um homem pacato, com amizades restritas a seu pequeno mundo. No entanto, traçou relações de amizade com membros do jornal O Pellicano, que defendia uma linha maçônica liberal e contava com Francisco Cerqueira, padre Eutíquio Pereira da Rocha e Joaquim José de Assis (seu Diretor). Estas relações foram muito importantes para a sua ascensão política.

Com o fechamento de O Pellicano, passou a integrar O Liberal do Pará, também dirigido por Joaquim José de Assis. Em 1885, Lemos é exonerado de suas funções burocráticas da Marinha, por injunções políticas, dr Assis o compensou elegendo o deputado provincial. E dele fez seu braço direito. A 22 de junho de 1897 (aniversário da promulgação da Constituição do Pará, no regime republicano), Lemos disputou a Intendência Municipal.

O cargo de intendente municipal (hoje prefeito) foi criado pela Lei Orgânica dos Municípios, em 28 de outubro de 1891. Em 1897 foi a vez de Antônio Lemos. Seu adversário, João Pontes de Carvalho, não chegou a obter 600 votos. Lemos teve mais de seis mil. Em 1900, Lemos viria a se reeleger para a Intendência de Belém. Neste período, o governo era de Paes de Carvalho (1897-1901), que enfrentara crises econômicas e políticas

Contudo houve alguns pontos positivos do governo de Paes de Carvalho. O mais significativo foi a colonização da Região Bragantina, estimulando a emigração européia (principalmente a espanhola) fundando núcleos agrícolas, alguns deles transformados, muito tempos depois, em sedes municipais.

Outros pontos positivos foram: o início do saneamento de Belém; a inauguração do Hospital do Isolamento;a ampliação da Santa Casa, do Liceu (hoje Colégio Paes de Carvalho); a construção de muitas escolas pelo interior, e a ajuda concreta dada à urbanização de Belém, empreendida pela Intendência Municipal.

Em 11 de fevereiro de 1901, Augusto Montenegro, aos 34 anos incompletos, assumiu o governo do Estado. Neste momento, entre Montenegro e Lemos foi celebrado um acordo: o primeiro ficava com a administração; o segundo, com a política. Desta forma, o poder de Lemos tornou-se total.

Em 1907 estourou uma crise, em decorrência da desvalorização da borracha. Para poder fazer frente à crise, Montenegro tomou drásticas medidas de contenção de despesas. Sem aumentar os impostos, conseguiu diminuir a dívida em três mil contos de réis.

As principais realizações de seu governo foram: construção de 28 grupos escolares; construção do Instituto Gentil Bittencourt; remodelação total do Teatro da Paz e do Palácio do Governo; conclusão do Instituto Lauro Sodré e da Estrada de Ferro de Bragança, entre outras realizações.

Sem falar na saúde pública, no serviço de abastecimento de águas e na abertura de estradas de rodagem. Até o final de seu segundo mandato, Montenegro cumpriu fielmente o acordo, acertado com Lemos, apesar de, já nos últimos tempos, ter praticamente rompido como o chefe político.

Modernização e urbanização em Belém do Pará

Antônio Lemos, ao longo de sua Intendência Municipal, adotou uma política modernizante e urbanística em Belém. Neste sentido, o saneamento preventivo, propunha-se não somente a zelar pelo “bem-estar”, como também cuidar de certos aspectos da vida urbana, como saneamento, saúde pública, estética da cidade, etc., para que não fossem prejudicados pelos maus hábitos de uma população considerada indisciplinada e fétida.

O intendente reconhecia a necessidade de implantação de mediadas que viabilizassem a política sanitarista, como também a urgência na reorganização dos serviços públicos, necessários à concretização do projeto de reurbanização da cidade, uma vez que as leis municipais estavam em desacordo com as leis federais.

De fato, o controle do poder público ia além da esfera do visual da cidade, se estendeu à moralidade dos seus habitantes, tanto que pelo Código de Posturas em vigor ficava proibido fazer “algazarra, dar gritos sem necessidade, apitar, fazer batuque e sambas (artigo 110).

Foram medidas, segundo o discurso oficial, tomadas em favor do silêncio, como forma de amenizar a poluição sonora que elevou-se diante do aumento demográfico e do tráfego de veículos. Isto demonstra toda uma política rigorosa de controle público sobre o comportamento dos habitantes e a imposição de um padrão de comportamento em público, sem se falar na presença de uma vigilância severa dos espaços públicos.

O cuidado com a saúde pública e o serviço sanitário de Belém se constituíam num dos pontos prioritários da gestão lemista. A preocupação com a saúde pública do município tinha razão de ser, principalmente numa época em que as epidemias dizimavam grande parte da população citadina e doa arredores.

Neste contexto, a limpeza urbana e a cremação de lixo se tornaram em uma das metas prioritárias da administração lemista.

Em 1899, pela Lei Municipal nº 229 de 13 de junho, ficava o intendente autorizado a adquirir uma área destinada à instalação de um novo forno crematório de lixo e animais mortos encontrados na cidade. A área adquirida, ficava até há pouco tempo, na atual avenida 9 de janeiro com a rua Conceição, no atual bairro da Cremação.

De fato, a limpeza pública era uma necessidade fundamental para a cidade de Belém da Belle Époque, pois constituía-se em afastar da zona central da cidade, os ares fétidos causadores pela emanação mal cheirosa do lixo urbano.

Neste sentido, a utilização do processo crematório tornou-se imprescindível na cidade moderna. É também durante a intendência de Lemos que tem-se a efetivação do estabelecimento da rede geral dos esgotos que se encaixava na estratégia mais ampla de urbanização e modernização de Belém.

A Belle Époque imprimia, desse modo, a redefinição do espaço urbano, a redistribuição dos locais destinados aos serviços sanitários e o emprego de mecanismos de controle dos hábitos da população, o que tornava bastante viável a distinção entre a área central da cidade, destinada aos ricos burgueses desodorizados e higienizados e as áreas periféricas destinadas à população trabalhadora e pobre.

Modernização e estética da cidade

O período de apogeu da economia da borracha produziu em Belém, um processo de transformações que tentava dar à cidade as feições urbanas de suas pretensas congêneres na Europa. Belém tornava-se, sob certos aspectos, uma capital agitada e pretensamente mais européia do que brasileira, dominado por um francesismo, principalmente no aspecto intelectual, que ressaltava a ligação da cidade com as principais capitais européias, causada de um lado pela dependência financeira e comercial à Inglaterra, e por outro, por uma relação cultural intensa com a França.

As famílias locais ricas na época tinham por hábito enviar seus filhos para as escolas da França. A cidade também tornou-se um verdadeiro centro de consumo. Belém ficou conhecida no Ciclo da Borracha como Paris N'América.

A remodelação da cidade tornou-se um projeto das elites locais que a propunha em nome do progresso e do interesse coletivo. Essa proposta urbanística, em decorrência da movimentação do porto de Belém, exigiu abertura e calçamento de ruas, tornando o bairro comercial altamente valorizado e ocupado, concorrendo para a transferência das residências das famílias abastadas para outros locais como os bairros de Nazaré, Umarizal e Batista Campos.

Tendo Paris como modelo, Antônio Lemos procurou transformar as feições da cidade, reformando basicamente o centro da cidade, considerado o locus econômico e cultural por onde circulava o capital, as rendas os seus possuidores. Se a reforma e o embelezamento do urbano tinha como proposta a transformação da cidade obedecendo ao modelo das civilizações européias, Antônio Lemos entendeu que reformar era construir boulevards, quiosques, arborizar a cidade, instalar bosques, embelezar praças e erigir monumentos, calçar ruas, dotá-las de iluminação elétrica e bondes, concentrar a venda de alimentos em mercados e etc.

Os quiosques eram construções leves e elegantes, construídos basicamente de madeira e ferro. Na organização estética de Belém foram criados os típicos modelos da Belle Époque, que obedeciam o estilo Art Nouveau, o maior exemplo é o da Praça da República, na Av. Presidente Vargas, cujo primeiro nome foi “I Life”, hoje Bar do Parque. Os quiosques eram na maioria dos casos voltados para estabelecimento de comércio a retalho, como cafés, charutarias, botequins e revistas.

A arborização da cidade era a busca de uma vida saudável, ligada à natureza, tanto na qualidade de vida acerca de ar purificado a partir do processo de fotossíntese, quanto a respeito da beleza que a cidade arborizada transmitia aos seus habitantes, além de amenizar o clima tropical da cidade.

O calçamento das ruas, prática importada da Inglaterra, vem ser desenvolvida em Belém desde a década de 1850. A distribuição dos tipos de revestimento na cidade deu-se da seguinte forma: paralelepípedos nas principais avenidas: 15 de Agosto, Nazaré, Independência, São Jerônimo (atual av. Alcindo Cacela), todo o bairro do comércio, as principais ruas do Reduto e da Cidade Velha, a av. Generalíssimo Deodoro e a Praça Brasil, até a avenida Gentil Bittencourt. Nas ruas de menor trânsito utilizou-se pedras irregulares e aterro, principalmente nas zonas baixas de Belém: quase todo o bairro da Batista Campos, Marco, Cremação, Guamá, Telégrafo, Umarizal e São Brás.

O serviço de viação urbana por bondes elétricos se constituiu num dos grandes exemplos de transformação na dinâmica da vida urbana de Belém do início do século XX, pois o bonde era uma dessas obras nascidas do progresso técnico que apresenta os impactos tecnológicos nas mentalidades da população.

A inauguração do serviço de viação pública deu-se a 15 de agosto de 1907, na antiga estação da Independência. O advento das ferrovias, dos bondes elétricos, além de representarem uma das invenções da modernidade, surgirão em razão da necessidade de articulação do mercado mundial e, no caso de Belém, essa invenção surgiu também como uma necessidade básica de uma cidade que se ampliava e dinamizava.

O ponto central da metamorfose da cidade era construído através do alargamento das ruas, na construção de largas avenidas e de suntuosas praças, marcos simbólicos da modernidade, isto é, de uma nova concepção estética burguesa do urbano.

O grande exemplo de símbolo da modernidade na cidade foi o caso da Praça da República que já havia sido inaugurada antes da administração do senador Antônio Lemos. Neste contexto, o centro da cidade era construído com praças suntuosas a exemplo das praças européias a fim de se construir a própria cidade de acordo com o estilo mais condizente com a nova ordem social da época.

As praças eram lugares públicos de lazer e lugar onde todos querem ir para serem vistos. Ser visto é o novo hobby da nova elite. A praça, o lugar onde, com o vestuário se identifica a que classe cada um pertence. Dentro das praças, os monumentos indicam com certeza algum dos sentidos dos próprios projetos de Lemos, nos quais o grupo hegemônico podia exibir os primeiros monumentos voltados à sagração de seu triunfo e de seus ideais.

Esse comportamento da administração de Lemos traduzia a expansão de uma mentalidade modernizadora a serviço de uma classe que saia ao público e que exigia que os espaços por ela freqüentados fossem indicadores de sua posição social.

Outro exemplo foi o Cinema Olympia, a mais antiga casa de exibição de filmes de Belém, considerada uma das mais luxuosas e modernas de seu tempo, foi inaugurado em 21 de abril de 1912 no auge do cinema mudo internacional, pelos proprietários Antonio Martins e Carlos Augusto Teixeira, à Praça da República , esquina da Rua Macapá.

Obras de Lemos

Antônio Lemos governou Belém por quase 14 anos. Aqui podemos observar algumas de suas principais obras:

1 – Limpeza pública e Forno Crematório – No lugar do ruinoso forno crematório que existia no bairro da Batista Campos, construiu, na então avenida 22 de Junho (atual Alcindo Cacela) um outro, moderno, com todos os requintes técnicos. Foi inaugurada em 31 de janeiro de 1901.

2 – Asilo de Mendicidade – Localizado às margens da extinta Estrada de Ferro de Bragança (hoje avenida Almirante Barroso) e possuía 6 metros de frente por 72,60 de fundos. Era moldado no estilo clássico italiano. Foi inaugurado em 16 de novembro de 1902.

3 – Necrotério Público – Localizado na Doca do Ver-oPeso, foi inaugurado no dia 28 de março de 1899.

4 – Arborização da Cidade – Umas das grandes preocupações de Lemos, tanto que aparelhou completamente o Horto Municipal. Depois de muitos estudos optou pelas mangueiras.

5 – Mercado de Ferro – Um dos símbolos de Belém, projetado pelos engenheiros Bento Miranda e Raimundo Vianna. Foi inaugurado no dia 1º de dezembro de 1901.

6 – Bairro do Mercado – Totalmente projetado na administração de Lemos, com avenidas de 44 metros de largura e travessas com 22 metros.

7 – O Bosque Municipal – O Bosque já existia, mas quem o transformou no mais belo logradouro (e maior) de Belém foi Lemos. Reinaugurou-o em 15 de agosto de 1903.

8 – Bondes Elétricos e Iluminação da Cidade – No dia 16 de dezembro de 1905, a Intendência de Belém assinou o contrato com a firma inglesa Pará Eletric Railways and Lighting Company, para os serviços de implementação de iluminação pública da cidade e a introdução do sistema de bondes elétricos para o transporte da população. No dia 15 de agosto de 1907, os bondes começaram a percorrer as ruas de Belém.

9 – Calçamento da Cidade – Dividiu as vias públicas em quatro categorias para o calçamento: por paralelepípedos de granito, macadame (camada composta de pequenos granitos, basalto misturados com areia e cimento), pedras irregulares e aterro. Com paralelepípedos calçou as principais avenidas: 15 de Agosto (Presidente Vargas), Nazaré, São Jerônimo (Gov. José Malcher), até a 22 de Junho (Alcindo Cacela); Independência (Gov. Magalhães Barata); todo o bairro comercial; as principais ruas dos bairros do Reduto, da Cidade Velha e de Nazaré; a Generalíssimo Deodoro, o Boulevard da República (Castilho França), a Marechal Hermes, além das ruas do bairro da Campina até a praça da República e todas as praças da cidade.

10 – Orfanato Antônio Lemos – Construído em Santa Izabel, que na época pertencia ao município de Belém. Foi inaugurado em 1908, é hoje um colégio do Estado.

11 – Quiosques – Com contrato firmado em dezembro de 1904, deu concessão para Francisco Bolonha explorar os quiosques de Belém. E com seu refinamento, Bolonha projetou e construiu-os.

12 – Matadouro Modelo – Construído na vila de Pinheiro (hoje Icoaraci), à margem do furo do Maguari.

13 – A Rede Geral dos Esgotos – Uma das mais importantes obras da administração de Lemos. O centro da cidade e muitos bairros passaram a contar com um eficiente sistema de esgotos.

14 – As Praças – Antes de Lemos, as praças de Belém eram bem simples. Ele transformou completamente todas elas, com destaque para a praça da República e a praça Batista Campos.

15 – Mercado de São Brás – Um dos mais belos edifícios da cidade, inaugurado um mês antes da renúncia de Lemos, em 1911.

16 – Mercado Municipal – Completamente reformado em sua administração.

17 – Outras Realizações – Reaparelhou completamente o Corpo de Bombeiros; organizou um perfeito Serviço Sanitário; embelezou o Palácio da Municipalidade (hoje Palácio Antônio Lemos); dinamizou o ensino público, criando escolas primárias; e muitas dezenas de outras realizações.

Leonardo Castro

Referência Bibliográfica

MEIRA, Augusto Filho. Evolução histórica de Belém e do Grão-Pará. Belém: (s.n.), 1976.

PROST, Gérard. História do Pará: do período da borracha aos dias atuais. Volume II. Belém: Secretaria de Estado de Educação, 1998.

ROCQUE, Carlos. Antônio Lemos e Sua Época. Belém: Cejup, s/d.

ROCQUE, Carlos. História geral de Belém e do Grão-Pará. Belém: Distribel, 2001.

SARGES, Maria de Nazaré. Riquezas produzindo a Belle Époque (1870-1912). Belém: Paka-Tatu, 2000.

SEVCENKO, Nicolau e outros. História da vida privada no Brasil 3 — República: da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Fonte:  parahistorico.blogspot.com

Belle Époque

Suntuosidade, luxo, beleza, glamour, ostentação, são palavras que podem definir o período que vai da década de 1890 até o início da Primeira Guerra Mundial em 1914.

A belle époque – bela época em francês – foi um período marcado por grandes bailes, festas, jantares em casas de campo, onde tudo era muito extravagante e os gastos eram enormes. Não existia a preocupação com racionamentos, pelo contrário, tudo era muito exagerado. A cidade luz, ou seja, Paris, era a capital do luxo, sendo a grande estrela daquela época.

Belle Époque

A moda refletia este ambiente de ostentação, afinal a moda é sempre um reflexo da sociedade, do comportamento, da cultura.

Torturantes e apertadíssimos espartilhos são os responsáveis pela silhueta que marcou esta época. O corpo visto de frente se assemelhava a uma ampulheta e de perfil um “s”. Quase como uma armadura, os espartilhos deixavam o corpo rígido na frente, levantando o busto e jogando os quadris pra trás. É importante ressaltar que a moda era ter uma cinturinha de pilão, de absurdos 40 cm de diâmetro.

As saias tinham formatos de sino, deslizando pelos quadris e abrindo em direção ao chão. Não se usava mais as anquinhas (espécie de armações, localizadas na altura do bumbum, que acentuavam o derriè), mas o volume das saias e seu formato de sino faziam com que o corpo ficasse bastante curvilíneo. Tudo era muito adornado por rendas, revelando muita feminilidade.

Belle Époque

Durante o dia não se usava decotes. O corpo ficava escondido dos pés até as orelhas. Mãos eram cobertas por luvas. Usava-se botas para cobrir as canelas, e as golas dos vestidos ou blusas eram muito altas, com babados. Os cabelos ficavam presos no alto da cabeça e os chapéus eram quase sempre adornados com plumas. Era bastante comum também o uso de sombrinhas como acessório, e bolsas de delicadas dimensões. Também era comum usar leques para espantar o calor.
A noite, nos grandes bailes, os decotes apareciam. Os decotes eram extravagantes e os vestidos extremamente glamourosos. Luvas compridas podiam cobris os braços.

Curiosidade

Alguns autores afirmam que foi no ano de 1880 que o tailleur passou a fazer parte do guarda-roupa feminino. O responsável por isso foi o costureiro britânico radicado em Paris, John Redfern, que propôs ao guarda-roupa feminino um casaqueto acompanhado de saia longa e rodada. A então princesa de Gales, Alexandra – rainha da Inglaterra de 1901 a 1925 – aderiu à proposta, popularizando o tailleur feminino.

Belle Époque
Princesa Alexandra, 1880

Os trajes masculinos aceitos para as ocasiões formais eram compostos de sobrecasaca, terno e cartola. Informalmente, os chapéus de palha eram muito populares. As calças tendiam a ser estreitas e curtas. Colarinhos de linho branco eram engomados e bastante altos, assim como as golas que as mulheres usavam. Os jovens usavam as calças com bainhas viradas e vincos na frente. Barbas e bigodes bem cuidados era quase que uma obrigatoriedade.

Em 1980 a silhueta feminina começou a se tornar menos rígida. O busto já não era tão mais empurrado para frente o o quadril para trás. Os chapéus se tornaram maiores, sando a impressão que os quadris eram mais estreitos. Mas foi em 1910 que houve uma mudança fudamental na moda.

Houve um forte orientalismo, devido ao impacto do balé russo com a produção do balé de repertório Sherazade. As cores fortes e espalhafatosas foram adotadas pela sociedade e os corpetes rígidos e as saias de sino foram substituídos por suaves drapeados.

Curiosidade – As saias se tornaram mais afuniladas que impediam as mulheres de darem passos maiores que oito centímetros. Para que não dessem passos mais largos e acabassem por rasgar as saias, mulheres usavam uma espécie de liga que amarrava uma perna à outra!

A silhueta agora passa a ser um triângulo invertido, e as rendas substituídas por botões pregados em lugares inusitados. Em 1913 os vestidos deixam de ter golas que vão até as orelhas e o decote em V passa a ser usado no dia a dia. Muitos consideraram esta mudança como exibição indecente e os médicos consideraram um perigo à saúde. “Blusa pneumonia”, eles diziam, à pobre blusa com decote V.

Semana que vem, conheça as mudanças que a Primeira Guerra Mundial trouxe à moda e comportamento. Até lá.

Bibliografia

LAVER, James – A Roupa e a Moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989
Baudot, François – Moda do Século. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

Fonte:  www.democraciafashion.com.br

Belle Époque

A Belle Époque Tropical

“O Rio Civiliza-se!”, é a expressão mais corrente após a conclusão da Avenida Central. Baniu-se do centro da cidade a presença dos humildes e permitiu que a burguesia ganhasse as ruas, caminhando por um novo Rio de Janeiro de rosto parisiense, de avenidas largas, belos jardins e chafarizes com seus desfiles carnavalescos civilizados;sem os grosseiros modos do Zé Pereira, onde grande personalidades desfilam e as mulheres começam a ganhar sua liberdade.

Belle Époque
Pierros posam para foto em frente ao Teatro Municipal (1919)

Contudo, para alguns a grande obra não passava de uma “mulata apertada em um vestido francês”, com seus prédios de belas fachadas, com interiores totalmente dissociados do que apresentavam para a rua, com plantas simples e funcionais.

Fonte:  www.fau.ufrj.br

Belle Époque

O passado não pode matar o presente. Nem tornar o presente o passado de um passado. O que passou mantido como símbolo de valor que ultrapasse o presente. O passado deve ser respeitado, garantido em sua integridade, resguardado como exemplo de um contexto cultural, mas não em superposição de superioridade ao presente.

No Pará perdura ainda a ideia de ter havido uma Belle Époque (expressão marcada do apogeu parisiense no fin du siècle) correspondente ao período final do ciclo da borracha, que teria elevado a cultura local a uma altura jamais alcançada depois dela.

A partir de então viver-se-ia a história de uma queda, prostrados em um estado comatoso e letárgico. Instalou-se pela cultura dominante a ideia de uma via-sacra às avessas: a ressurreição anterior à agonia. Teria havido a Belle Époque e, depois... o resto! O não-lugar do novo. Mas não é propriamente assim.

A celebrada Belle Époque de Belém, como se diz, na verdade foi o fausto colonialista da Belle Époque francesa beneficiando-se do mercado consumidor do Pará amazônico, ainda com os bolsos cheios do dinheiro da borracha. A consagração de um colonialismo elegante que se tornou modelo para o gosto e motivo inibidor do reconhecimento de uma produção local com as características de um “ethos” amazônico, considerado,nessa óptica, em descompasso com as artes modeladas na Europa.

Houve na Região Norte um longo período de relativo isolamento até fins da década de 1950 e durante a fase de emparedamento político cultural via ditadura militar (que considerou a Amazônia uma terra sem homens para a vinda de homens sem terra, sacramentando a invisibilização do homem na região).

A partir de meados da década de 1990, a arte no Pará vem assumindo gradualmente sua fisionomia de expressão simbólica da cultura intercorrente com as técnicas e procedimentos da arte moderna, sobretudo desde a pop art.

Saindo da condição de espaço fértil para o extrativismo científico, cultural e artístico, o Pará vem assumindo sua fala como produtor de conhecimento, detentor de valores próprios, criador de formas artísticas: o “Pássaro Junino” como invenção de um gênero de teatro musical popular; o “Boi Tinga” como um caso de dança-teatro na época junina; o Carimbó” e o “Lundu” como ritmos de possibilidades jazzísticas e eletro; as “guitarradas” e o “tecnobrega” como incorporações do pop caribenho; a dança de pesquisa local intercorrente com linguagens contemporâneas do movimento; a literatura de pensamento universal a partir do local; a fotografia, o cinema, a história em quadrinhos, o grafitismo, a pintura corporal indígena, o design de joias, o ecumenismo do Círio de Nazaré e a culinária.

Operam-se originais hibridizações próprias das paisagens etnoculturais configuradas pela civilização internética. Percebe-se uma cadeia produtiva no campo das artes envolvendo pesquisa, realização, circulação e consumo desconfinado.

Estamos assistindo a uma época na qual “Belém se mexe”. Reverbera essa forma de efervescência da produção artística local. Isso não significa fechamento ou circunscrição no círculo do silêncio regional.

Trata-se de uma expressão a partir do local, plurissignificativa, assimiladora e hibridizante, superpondo a paisagem cultural nativista moderna à paisagem da geografia eletrônica da comunicação, o imaginário local dialogando com o imaginário cósmico. Entre o rio e a floresta vê-se o infinito. No confronto com a modernidade pós-moderna há uma dionisíaca poética do imaginário.

Esse desentortar a antiga história da enviesada Belle Époque parisiense em Belém para a atual “bela época” de um nativismo moderno e transacional emerge da criatividade dos artistas. E traz em sua estrutura a incorporação frontal das relações estéticas complexas da contemporaneidade, o fascínio pelas poéticas da individualidade, as transgressões de modelos hegemônicos, a substituição da imitação pela iniciativa de propor novas formas e possibilidades criativas, legitimação de materiais locais na mesma dimensão dos já consagrados historicamente em outras culturas.

Há, para quem possa observar atentamente, uma visível anomia na expressão cultural da arte no Pará. Uma mudança de qualidade e quantidade acumulada por décadas e que, no contexto de sua realidade possível, se revela na diversificada produção artística e passa a ter um público crescente que reconhece o valor contido nessas poéticas.

A arte é uma encantaria da cultura. As encantarias são olimpos submersos nos rios da Amazônia habitados pelos encantados, que são signos e deuses desse relicário que é o imaginário amazônico. Expressam a poética dos rios de água doce e da floresta.

Assim, também, as artes no Pará mostram-se como um jorro de poética nativista moderna, no oceano universal da cultura. Um crescente diálogo transacional com a contemporaneidade do mundo. Esta sim pode ser considerada a emergência de uma “bela época” artística de Belém e do Pará.

João de Jesus Paes Loureiro

Fonte:  bravonline.abril.com.br

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