FITOTERAPIA COMO ALTERNATIVA PARA TRATAMENTO DE LESÕES E QUEIMADURAS.
Nome científico: Arnica montana
Família: Compostas
Aspectos botânicos: originária das montanhas européias e América do Norte, herbácea, de 20 a 60 cm de altura, perene, de porte em roseta, folhas ovaladas, flores amarelas.
Parte usada: flores.
Constituintes: óleo essencial, arnicina, saponina,
esoquercitina, taninos, flavonas.
Indicações terapêuticas: uso em lesões
secundárias à contusões, traumatismos e entorses. Útil
em dores musculares.
Modo de usar: aplicação tópica nas áreas
afetadas.
Apresentação:
1- CREME a 3%, potes de 30 e 500g
2- TINTURA, uso externo 20ml.
Posologia:
1- passar no local 2 a 3 vezes ao dia
2- diluir 1 colher (sopa) para 1 copo de água, uso tópico 2
a 3 vezes ao dia.
Conservação: armazenar em local seco e arejado. No caso de potes de 500g, manter refrigerado após aberto.
Seguimento: 3 a 7 dias.
Protocolo:
Observar as indicações terapêuticas.
Anotar as características da lesão inicial e avaliação
durante o seguimento.
Nome científico: Aloe vera
Família: Liliaceae
Outros nomes vulgares: erva babosa, alóes, caraguatá de jardim.
Aspectos botânicos: planta perene, de 60cm a 1m de
altura. Folhas grandes e carnudas, dispostas em grandes rosetas, lanceoladas,
marginadas por espinhos. As folhas contém em seu interior um tecido
mole, viscoso, muito rico em substâncias mucilaginosas. Caule curto,
achatado e grosso. Flores hermafroditas, tubuladas, de cor amarelada, dispostas
em racemos terminais densos.
Parte usada: gel das folhas frescas.
Constituintes: mucilagem
Indicações terapêuticas: lesões
de pele secundárias a queimaduras térmicas ou químicas
(1º e 2º graus). Exerce ação emoliente e auxilia no
processo de cicatrização.
Usar com cautela em queimaduras de 3º grau ou concomitante com antibioticoterapia.
Apresentação:
GEL a 25% em embalagem de 30g e 250g.
Posologia: aplicar topicamente sobre o ferimento 3 vezes ao dia;
Conservação:
Armazenar em local fresco e seco, preferencialmente em refrigerador;
Após aberto armazenar no refrigerador (parte baixa), manter os frascos
bem fechados;
Usar espátulas para manuseio dos cremes;
Potes maiores devem ser conservados em refrigerador (sugerimos na Refrimed)
Seguimento: acompanhamento diário em sala de curativos;
avaliar e relatar em protocolo:
Tamanho e localização da lesão;
Presença de bolhas, eritema, secreção, efeito analgésico
etc;
Agente causal.
Nome científico: Calendula officinalis
Família: Compositae
Outros nomes vulgares: maravilha dos jardins, mal-me-quer, verrucária.
Aspectos botânicos: planta anual de crescimento em
roseta. As flores ocorrem nas extremidades das hastes e têm cerca de
4cm de diâmetro.
Parte usada: flores secas.
Constituintes: óleos essenciais, carotenóides,
mucilagens e flavonóides.
Indicações terapêuticas: ferimentos abertos
infectados ou não, foliculite, estrófulo, eczema seborreico
de couro cabeludo, crosta láctea, miliária, dermatites amoniacal
e fúngicas, fissuras de mama, úlceras de estase, acne, quelóides,
tinea, frieira, piodermites e molusco contagioso. É cicatrizante e
antisséptico tópico.
Contra-indicações: lesão profunda e/ou
extensa (maior que 1/3 do segmento), lesão disseminada, infecção
local grave, antibioticoterapia tópica concomitante, lesão de
pele crônica sem diagnóstico.
Apresentação:
1 - GEL a 5% em embalagem de 30g e 250g.
2 - TINTURA uso externo 20 ml.
Posologia:
1 - Aplicar topicamente sobre o ferimento 3 vezes ao dia;
2 - Diluir 1 colher (sopa) para 1 copo de água, uso tópico 2
a 3 vezes ao dia.
Conservação:
Armazenar em local fresco e seco, preferencialmente em refrigerador;
Após aberto armazenar no refrigerador (parte baixa), manter os frascos
bem fechados;
Usar espátulas para manuseio dos cremes;
Potes maiores devem ser conservados em refrigerador.
Seguimento: acompanhamento diário em sala de curativos;
avaliar e relatar em protocolo:
Tipo de lesão (primária ou secundária);
Localização, tamanho, presença e tipo de secreção,
presença de eritema, edema, efeito analgésico, tempo de cicatrização
etc.
Nome científico: Chamomilla recutita (anterior Matricaria chamomilla)
Família: Compostas
Outros nomes vulgares: camomila dos alemães, matricária.
Aspectos botânicos: de origem européia, asiática
e norte americana, planta herbácea de mais ou menos 50cm, anual, de
talo ramificado e folhas divididas, pétalas brancas com disco amarelo
no centro e ovalado.
Parte usada: capítulos florais secos.
Constituintes: óleos essenciais, alfabisabolol, flavonóides,
umbeliferona, herniarina, princípios amargos, azuleno, cumarina.
Indicações terapêuticas: antiinflamatória,
antisséptico (bactericida e fungicida), cicatrizante e antiespasmódico.
Indicado em afecções orais - erupção dentária
dolorosa, monilíase oral (candidíase), odontalgias (coadjuvante);
afecções gastrointestinais - cólicas abdominais (inclusive
do lactente), gases intestinais, cólicas menstruais, diarréia
(coadjuvante). Observação: a superdosagem pode causar náuseas,
excitação nervosa, insônia.
Uso não indicado: gestantes.
Usar com cautela em queimaduras de 3º grau ou concomitante com antibioticoterapia.
Apresentação: embalagem de 25g de flores secas de Chamomilla recutita com doseadores de 2,5g.
Modo de Preparo: preparar o chá na forma de infusão. Verter água fervente sobre o recipiente com a quantidade indicada das flores e abafar com tampa por 10 minutos. Não adoçar.
Preparo do chá para uso interno: 6 doseadores (15g) em 500ml de água.
Posologia:
como antisséptico: 1 xícara (150ml) antes das refeições;
como antiflatulento: 1/2 xícara (75ml) após as refeições;
como antiespasmódico e analgésico: 1 xícara 3 a 4 vezes
ao dia;
para faringite e amigdalite: 1 xícara 3 a 4 vezes ao dia.
Lactentes: 1 doseador (2,5g) em 240ml de água (mamadeira);
Para cólicas, erupção dentária dolorosa: tomar
60ml 3 a 4 vezes ao dia.
Uso tópico:
4 doseadores em 200ml de água.
Bochechos e gargarejos 2 a 4 vezes ao dia;
Lactentes: usar com algodão, várias vezes ao
dia.
Conservação: armazenar em local seco e arejado. Evitar exposição à luz e calor.
Seguimento: Afecções orais em geral: observar efeito sobre irritabilidade e alterações do sono e apetite. No caso de monilíase oral avaliar quantidade de lesões esbranquiçadas e intensidade do eritema. Solicitação de retorno de acordo com a gravidade do caso.
Nome científico: Mikania glomerata
Família: Compositae
Outros nomes vulgares: uaco, cipó catinga, cipó sucuriju, coração de Jesus, erva de cobra.
Aspectos botânicos: originária dos estados
do sul do Brasil, cultivada desde a Bahia até o Rio Grande do Sul.
Planta trepadeira perene, arbustiva. As folhas frescas são inodoras,
porém quando secas ou durante a fervura possuem odor aromático
agradável, devido à presença de cumarina.
Parte usada: folhas e caule.
Constituintes: taninos, saponinas, resina cumarínica
e ácidos caurenóico, cinamoil e grandiflórico.
Indicações terapêuticas: tosse com componente
de broncoespasmo, auxiliando na expectoração com provável
ação fluidificante. Citado como broncodilatador em inúmeras
referências bibliográficas.
Uso não indicado: gestantes, lactantes e crianças
menores de um ano.
Contra-indicação: pacientes com problemas
hepáticos (pode apresentar toxicidade com o uso prolongado) e diabéticos.
Recomenda-se maior critério em quadros respiratórios crônicos
não diagnosticados (afastar hipótese de tuberculose, câncer
entre outros)
Posologia: xarope:
adulto - 1 colher (sopa), vezes ao dia;
criança de 4 a 7 anos: 1 colher (chá), 3 vezes ao dia
criança de 1 a 3 anos: 1 colher (chá) 2 vezes ao dia.
Apresentação: xarope a 10% em frasco de 150
ml.
Conservação: armazenar em local seco e arejado e, após
aberto, manter em geladeira.
Seguimento: pedir retorno de 2 a 3 dias e em 7 dias. Não
usar por tempo prolongado (mais de 4 semanas). Avaliar clinicamente: Tosse
- características e duração;
Expectoração - caráter e coloração;
Sintomas associados - febre, dor pleural, dispnéia etc.;
Relatar quando da existência de exames complementares.
Nome científico: Mikania glomerata
Nome científico: Maytenus ilicifolia
Família: Celestraceae
Outros nomes vulgares: salva-vidas, coromilho do campo, espinho de Deus, sombra de touro.
Aspectos botânicos: originária da América do Sul, nativa do sul do Brasil. Árvore perene de até 4m de altura. Folhas alternadas, duras e denteadas, lembrando espinhos, que originou o nome vulgar.
Parte usada: folhas.
Constituintes: taninos, terpenos (maytensina e outros) e flavonóides.
Indicações terapêuticas: gastrite e úlceras gástrica ou duodenal.
Mecanismo de ação: não definido.
Uso não indicado: lactantes (reduz a secreção láctica), gestantes e crianças menores de um ano. Excluir pacientes com patologias crônicas descompensadas (hipertensão, diabetes melitus, DPOC, ICCinsuficiência cardíaca congestiva) ou patologia digestiva associada (tumor).
Posologia: uma xícara do chá (200ml), 3 vezes ao dia (uma hora após as refeições e uma hora antes de deitar-se).
Tempo de tratamento: em torno de 30 dias.
Apresentação: embalagem contendo 22,5g de folhas secas rasuradas de Maytenus ilicifolila, fracionadas em doses unitárias de 1,5g.
Modo de Preparo: aquecer água até a fervura e verter sobre um xícara (chá) contendo a folha moída (1,5g). Tampar a xícara e deixar esfriar antes de tomar. Não adoçar.
Conservação: armazenar em local seco e arejado.
Protocolo: Critérios de inclusão: o paciente
deverá apresentar:
Tempo do início dos sintomas de mais de 4 semanas;
Endoscopia recente (até 3 meses);
DOIS OU MAIS dos seguintes sintomas:
dor epigástrica (sintoma);
plenitude pós-prandial;
pirose e/ou azia;
náuseas e/ou vômitos;
dor epigástrica (sinal);
Seguimento: Endoscopia 2 meses após o término
do tratamento;
Retorno em 2 e 4 semanas;
Avaliar freqência, caráter e duração dos sintomas.
Família: Malvacea (geraniácea)
Outros nomes vulgares: malva de cheiro, malva branca.
Aspectos botânicos: originária da Europa, Ásia
e África, herbácea, bianual a perene, folhas palmatilobadas,
alternadas, flor rosa com 5 pétalas, talo piloso.
Parte usada: folhas.
Constituintes: mucilagens, taninos, anticianas (flavonóides), vitaminas A, B e C, óleos essenciais.
Indicações terapêuticas: emoliente, anti-inflamatório, antisséptico de pele e mucosas usado em dermatites inespecíficas, gengivites, periodontites (coadjuvante), glossites, estomatites, abcessos dentários (coadjuvante) e aftas. Também em amigdalites e faringites (quando bacterianas usar como coadjuvante).
Uso não indicado: gestantes e lactantes.
Posologia: uso externo - meio pacote (10g) para 250ml de
água, na forma de infusão (verter água quente sobre o
chá e tapar). Usar na forma de bochecho, gargarejo ou aplicação
local 2 a 4 vezes ao dia. Em uso odontológico usar após escovação
dos dentes.
Apresentação: embalagem de 20g de folhas secas
com doseadores de 2g.
Conservação: armazenar em local seco e arejado.
Seguimento:
Periodontite: retorno após 3 dias do início do tratamento.
Gengivite: retorno em 7 dias.
Observar coloração da mucosa, eritema, presença ou não
de secreção do sulco gengival, relato de dor espontânea
ou provocada, edema.
Estomatite: retorno 1 ou 2 dias, observar presença de dor, número
de lesões e febre.
Amigdalite/faringite: retorno em 1 ou 2 dias, observando dor, edema e eritema.
Nome científico: Passiflora incarnata
Família: Passifloraceae
Outros nomes vulgares: maracujá-melão, maracujá silvestre, maracujá-guaçu, maracujá-suspiro, grenadilha, maracujá-mirim.
Aspectos botânicos: trepadeira com caule longo, podendo
atingir mais de 5metros, folhas trilobadas.
Parte usada: folhas secas.
Constituintes: harmana, harmina, harmol, vitexina, isso-vitexina.
Indicações terapêuticas: distúrbios
do sono leve (dificuldade em iniciar e/ou manter o sono; ou mudança
no padrão habitual) e transtornos de ansiedade reativos e não
cronificados. Uso oral.
Uso contra-indicado: gestantes, lactantes e crianças
e contra-indicado em pacientes com distúrbios hepáticos (apresenta
toxicidade hepática em uso prolongado), patologia psiquiátrica
de diagnóstico definido (psicose, depressão, transtornos de
ansiedade grave, alcoolismo), epilepsia, distúrbios do sono secundários
à dor crônica e/ou patologia clínica associada (hipertireoidismo
etc.), uso concomitante de substâncias psicoativas e pré-operatório.
Posologia: uso oral - uma xícara de chá, 2
vezes ao dia.
Apresentação: embalagem contendo 30g de folhas
secas e rasuradas de Passiflora incarnata, com dosador de 1,5g.
Modo de Preparo: aquecer a água até a fervura e verter sobre uma xícara contendo 1,5g da planta moída. Abafar por 10 minutos.
Recomendações: tomar uma das doses preferencialmente
uma hora antes de dormir. Não utilizar por períodos prolongados
(acima de 30 dias).
Conservação: armazenar em local seco e arejado.
Seguimento: retorno em 2/14/21 dias; avaliar e relatar:
Características do sono (ex: agitado, pesadelos, não recuperador,
duração, frequência do despertar etc.);
Caracterísitcas da vigília (fadiga, atenção diminuída,
dificuldade de concentração etc.);
Identificar e detalhar informações tais como fator desencadeante,
número de dias, frequência etc.
Nome científico: Phyllanthus niruri
Família: Euphorbiaceae
Outros nomes vulgares: arrebenta-pedra, erva pombinha.
Aspectos botânicos: planta herbácea, anual, de ocorrência generalizada no Brasil.
Parte usada: toda a planta.
Constituintes: glicosídeos, quercitina, filocrisina (princípio amargo), sais minerais, ácidos orgânicos, tanino, mucilagem.
Indicações terapêuticas: litíase renoureteral.
Mecanismo de ação: não definido. Provoca relaxamento da musculatura lisa do ureter, facilitando a expulsão de cálculos renais. Possui efeito analgésico.
Uso não indicado: gestantes, lactantes e crianças menores de um ano.
Contra-indicado: pacientes com patologias crônicas descompensadas (hipertensão arterial, Diabetes Mellitus, doença pulmonar oclusiva crônica, insuficiência cardíaca) e uso em patologia urinária associada (câncer, tuberculose, insuficiência renal).
Posologia: uso oral - tomar l litro do chá em doses distribuídas ao longo do dia.
Apresentação: embalagem contendo 100g de folhas secas rasuradas de Phyllantus niruri, fracionadas em doses unitárias de 20g.
Modo de Preparo: aquecer 1 litro de água até a fervura e verter sobre um recipiente limpo e com tampa, contendo 20g da planta moída.(1,5g).
Conservação: armazenar em local seco e arejado.
Protocolo: Critérios de inclusão: exame por
imagem recente (até 1 mês) positivo para litíase ou antecedente
pessoal ou familiar positivo e 2 ou mais dos seguintes sintomas:
Cólica renoureteral aguda;
Dor lombar
punho-percussão positiva;
hematúria (micro ou macroscópica)
Seguimento:
Ecografia ou RX inicial e urina I;
Avaliar frequência, caráter e duração dos sintomas;
Retorno em 7 dias ou antes, se necessário;
Ecografia final ou pedra expelida (peneira)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS EM FITOTERAPIA
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DO VALE, N. B; LEITE, J. R. Efeitos psicofarmacológicos de preparações de Passiflora edulis (maracujá). Ciência e Cultura. 35 (1):11-24, 1983.
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LUTOMSKI, J. et. al. Planta Med. 27(3):112-121, 1975.
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SANTOS, A.R.S. et. al. Estudos farmacológicos pré-clínicos e químicos de plantas do gênero Phyllanthus. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA E TERAPIAS NATURAIS. Anais. 1994.p.
SOARES DE MOURA, R et. al. Efeitos da cumarina em anéis de traquéia de cobaias. Farmacologia Clínica Experimental - Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ, RJ.
SOARES DE MOURA, R. et. al. Efeitos de frações obtidas de extratos hidroalcoólicos e éter de petróleo de folhas de Mikania glomerata (Guaco) na traquéia de cobais. Farmacologia Clínica Experimental - Hospital Universitário Pedro Ernesto- HUPE-UERJ, RJ.
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TESKE, M; TRENTINI, A M.M. Herbarium: Compêndio de Fitoterapia. 2ª ed. Curitiba: Herbarium Laboratório Botânico, 1995.
Fonte: www.hospvirt.org.br
As plantas medicinais vêm sendo utilizadas pelo homem ao longo de toda a história da humanidade no tratamento e cura de enfermidades. É uma prática que nasceu provavelmente na pré-história, quando, a partir da observação do comportamento dos animais na cura de suas feridas e doenças, os homens descobriram as propriedades curativas das plantas e começaram a utilizá-las, levando ao acúmulo de conhecimentos empíricos que foram passados de geração para geração (FERRO, 2006).
Histórico
Os indícios sobre a prática da Fitoterapia são muito antigos e encontrados em todo o mundo. O primeiro manuscrito conhecido sobre essa prática é o Papiro de Ebers (1500 a.C.), que descreve centenas de plantas medicinais. No Egito, várias plantas são mencionadas nos papiros, e na Grécia, Teofrasto (372-285 a.C.), discípulo de Aristóteles (384-322 a.C.), catalogou cerca de 500 espécies vegetais. Hipócrates (460-361 a.C.), considerado o pai da medicina, utilizava drogas de origem vegetal em seus pacientes e deixou uma obra – Corpus Hippocraticum, que é considerada a mais clara e completa da Antiguidade no que se refere à utilização de plantas medicinais (ALMASSY JÚNIOR et al. 2005; ALONSO, 1998; WAGNER e WISENAUER, 2006).
Durante muito tempo, as plantas medicinais foram utilizadas em rituais religiosos e na cura de doentes pelos curandeiros e feiticeiros. O pensamento hipocrático estabeleceu uma concepção holística do Universo e do homem, visando o tratamento do indivíduo e não apenas da doença. Já na Idade Média, a concepção de mundo máquina levou à difamação daqueles que detinham o conhecimento sobre as plantas medicinais, considerados como bruxos e condenados à fogueira (ALMASSY JÚNIOR et al. 2005; ALONSO, 1998; ALVIM et al. 2006).
Na Idade Moderna, com o desenvolvimento da pesquisa e metodologia, as terapêuticas sem base científica, como a Fitoterapia, foram marginalizadas (ALMASSY JÚNIOR et al. 2005, p.19-22; ALVIM et al. 2006).
No mundo, a Fitoterapia desenvolveu-se dentro das Medicinas Chinesa e Ayurvédica. A Fitomedicina na Europa tornou-se uma forma de tratamento predominante. No Brasil, a terapêutica popular foi desenvolvida com as contribuições dos negros, indígenas e portugueses (ALMASSY JÚNIOR et al. 2005; ALVIM et al. 2006; WAGNER e WISENAUER, 2006).
A partir do século XX, o desenvolvimento da indústria farmacêutica e os processos de produção sintética dos princípios ativos existentes nas plantas contribuíram para a desvalorização do conhecimento tradicional (ALMASSY JÚNIOR et al. 2005; ALONSO, 1998; WAGNER e WISENAUER, 2006).
Ao final da década de 1970, a Organização Mundial da Saúde (OMS) cria o Programa de Medicina Tradicional, com objetivos de proteger e promover a saúde dos povos do mundo, incentivando a preservação da cultura popular sobre os conhecimentos da utilização de plantas medicinais e da Medicina Tradicional (BRASIL, 2006; WHO, 2002;)
A OMS recomenda aos estados-membros “o desenvolvimento de políticas públicas para facilitar a integração da medicina tradicional e da medicina complementar alternativa nos sistemas nacionais de atenção à saúde, assim como promover o uso racional dessa integração” (BRASIL, 2006). Para isso, são necessários promover a segurança, eficácia, qualidade, acesso e uso racional dessas práticas (WHO, 2002).
Em 1989 foi fundada a ESCOP (European Scientific Cooperative on Phytotherapy) – Cooperativa Científica Européia de Fitoterapia –, com os objetivos de estabelecer critérios harmônicos para o acesso aos produtos fitoterápicos, dar suporte para a pesquisa científica e contribuir para a aceitação da Fitoterapia na Europa (SCHILCHER, 2005).
Em 1978, foi estabelecida a Comissão E, uma divisão da Agência Federal de Saúde da Alemanha que coleta informações sobre as plantas medicinais e as avalia de acordo com a segurança e eficácia. É responsável pelo registro e preparação de fitofármacos, processa os dados científicos funcionais das preparações das plantas e ervas medicinais para produzir monografias. A Comissão E combina dados científicos com conhecimento tradicional, e publicou cerca de 300 monografias (SCHILCHER, 2005; WHO, 1998).
A OMS lançou três volumes de monografias de plantas medicinais, fruto de uma ampla revisão sistemática da literatura científica e revisão de especialistas do mundo inteiro, com objetivos de auxiliar a segurança e efetividade no uso da Fitoterapia nos sistemas de saúde (WHO, 1999; WHO, 2001; WHO, 2007).
Em 2006, foi criado no Brasil o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com objetivo de “garantir à população brasileira o acesso seguro e uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional” (BRASIL, 2006).
Conceito
A Fitoterapia é uma palavra que une dois radicais gregos: “phyton”, que significa planta, e “therapia”, tratamento. É a terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal (BRASIL, 2006).
Formas de atuação
As plantas medicinais possuem princípios ativos, ou seja, compostos químicos produzidos durante o metabolismo da planta, que lhe conferem a ação terapêutica (WAGNER e WISENAUER, 2006). Há diversas formas de utilização, que dependem da parte do vegetal a ser utilizada, do tipo de efeito desejado e da enfermidade a ser tratada (NA).
As plantas medicinais podem ser utilizadas sob a forma de infusão, decocção, maceração, tintura, extratos fluido, mole ou seco, pomadas, cremes, xaropes, inalação, cataplasma, compressa, gargarejo ou bochecho (WAGNER e WISENAUER, 2006).
Contra-indicações
A utilização de plantas medicinais não é isenta de efeitos colaterais, interações medicamentosas ou contra-indicações. Apresentam substâncias que podem ser tóxicas, desencadeando reações adversas. Além disso, a utilização da dose incorreta, da parte da planta indevida ou auto-medicação errônea podem causar efeitos colaterais indesejáveis (TUROLLA e NASCIMENTO, 2006).
São necessárias medidas de conscientização da população e educação dos profissionais de saúde para que o uso racional das plantas medicinais seja disseminado. Há grupos como crianças, idosos, lactantes, gestantes e portadores de doenças graves que merecem atenção especial e não podem utilizar a Fitoterapia de maneira indiscriminada, devendo levar em consideração as dosagens e contra-indicações. Além disso, é importante ressaltar que há possibilidades de interação medicamentosa entre a Fitoterapia e o uso de alopáticos, tornando ainda mais necessária a conscientização da população e o cuidado com a auto-medicação (NA).
Referências
ALMASSY JÚNIOR, Alexandre; LOPES, Reginalda Célia; ARMOND, Cíntia; da SILVA, Francieli; CASALI, Vicente Wagner Dias. Folhas de Chá – plantas medicinais na Terapêutica Humana. UFV: Viçosa, 2005.
ALONSO, Jorge. Tratado de Fitomedicina: Bases clínicas e farmacológicas. Argentina, Rosário: Corpus Libros, 1998.
ALVIM et al. O uso de plantas medicinais como recurso terapêutico: das influências da formação profissional às implicações éticas e legais de sua aplicabilidade como extensão da prática de cuidar realizada pela enfermeira. Rev Latino-am Enfermagem, v.14, n.3, mai./jun. 2006. Disponível em www.eerp.usp.br/rlae. Acesso em 01.set.2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília, DF, 2006b.
FERRO, Degmar. Fitoterapia: conceitos clínicos. São Paulo: Atheneu, 2006.
SCHILCHER, Heinz. Fitoterapia na Pediatria – Guia para médicos e farmacêuticos. Alfenas: Ciência Brasilis, 2005.
TUROLLA, Mônica Silva dos Reis; NASCIMENTO, Elizabeth de Souza. Informações toxicológicas de alguns fitoterápicos utilizados no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 42, n. 2, abr./jun., 2006.
WAGNER, Hildebert e WISENAUER, Markus. Fitoterapia – Fitofármacos, Farmacologia e Aplicações Clínicas. 2.ed. São Paulo: Pharmabooks, 2006.
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Fonte: www.apanat.org.br