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Fitoterapia

UMA ALTERNATIVA PARA QUEM?

É cada vez maior o interesse sobre plantas e suas possíveis aplicações terapêuticas. O repertório de plantas usadas tradicionalmente é rico, predominando as formulações vegetais sobre os remédios de origem mineral e animal, também muito difundidos nas práticas da medicina popular brasileira.

A medicina popular e o conhecimento específico sobre o uso de plantas é o resultado de uma série de influências culturais, como a dos colonizadores europeus, dos indígenas e dos africanos. Os descobrimentos e a conquista de novas terras por parte dos colonizadores tiveram diversas conseqüências. Uma delas, talvez a mais notável, tenha sido o fato de que muitas plantas hoje empregadas na medicina popular, foram introduzidas no início da colonização do Brasil. Não só plantas medicinais estiveram envolvidas nesse movimento de plantas entre os continentes, mas também muitas hortaliças.

Ao lado da flora medicinal "colonizadora" ou européia, posicionam-se as plantas medicinais utilizadas pelos indígenas, profundos conhecedores dos recursos das florestas, sejam eles medicinais ou não. De outro lado, logo no início do comércio escravo, o africano ofereceu ao conjunto citado acima sua parcela de colaboração, pela introdução de espécies da África. No entanto, a pressão dos colonizadores fez com que o conhecimento indígena e africano fosse relegado gradualmente ao abandono, proibido de ser exercido, uma vez que muitos consideravam o conhecimento desses grupos como "inferior", "primitivo"; a resistência desses grupos foi revertendo sensivelmente o quadro, ao longo de muitas décadas até os dias atuais.

Tal conjunto de conhecimentos sobre o uso de plantas forma hoje a "fitoterapia popular", uma prática alternativa optada por milhares de brasileiros que não têm acesso às práticas médicas oficiais devido aos altos custos, principalmente no que respeita a consultas médicas e medicamentos. O conhecimento tradicional sobre o uso de plantas na sociedade moderna e urbana, concentrado nas mãos de especialistas populares (erveiros, rezadeiras etc), tem demonstrado sua eficácia e validade em muitos casos. No entanto, nem todas as práticas e receitas populares são eficazes, ao contrário, muitas podem ser altamente danosas à saúde. Na realidade, existe muita desinformação e empirismo simplista no campo da fitoterapia. Com essa preocupação, a equipe do LEBA (Laboratório de Etnobotânica e Botânica Aplicada) do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pernambuco, elaborou uma pequena cartilha com informações básicas sobre o uso de plantas medicinais. As informações selecionadas para a cartilha basearam-se em pesquisas realizadas pelo grupo, onde se verificou que as pessoas utilizavam incorretamente muitas plantas medicinais, algumas das quais de uso restrito dada a sua toxicidade. Uma outra constatação da equipe do LEBA é que muitas pessoas substituem a receita do seu médico, sem qualquer orientação, por um remédio a base de plantas medicinais. Fazem-no por diversas razões, das quais as principais são: 1) ausência de recursos financeiros para adquirir medicamentos receitados, o que muitas vezes compromete grande parte da renda familiar; 2) medo de efeitos indesejáveis; 3) opção por medicamentos e consultas junto a especialistas populares.

O primeiro fator apontado é que tem levado muitos setores da sociedade a desenvolverem programas de assistência fitoterápica baseada nas práticas e saberes populares, tradicionalmente transmitidos, sobre o uso de plantas. Muitos desses programas, assentados em bases não científicas, contribuem para agravar o problema social do uso indiscriminado de medicamentos. Muito embora se reconheça a legitimidade do conhecimento tradicional, uma planta para ser usada em qualquer atividade ou programa de fitoterapia deve ser cientificamente validada. E de que consiste isso? São várias etapas, que vão desde a verificação se a atividade atribuída existe, e a avaliação dos riscos de seu uso, até a sua produção industrial. É essa luta por uma fitoterapia dita científica que precisa ser perseguida por todas as pessoas comprometidas com o estudo de plantas medicinais e o seu retorno social. Esperar a produção industrial de um medicamento fitoterápico é um processo longo e custoso e que no final não traria grandes benefícios para as camadas populares.

Diante das carências financeiras, parece fora de dúvida que a fitoterapia é uma alternativa viável para a maioria dos brasileiros. Mas como oferecer um serviço de assistência fitoterápica de bases científicas à população? Se por um lado existe a necessidade de intensificação de estudos com os potenciais florísticos do Brasil visando a descoberta ou comprovação de plantas usadas popularmente, por outro é preciso reverter os conhecimentos adquiridos em benefício das pessoas e obter um maior envolvimento da classe médica. Conquanto já foram realizados muitos estudos comprovando cientificamente as atividades popularmente atribuídas a muitas plantas, muitos profissionais da área médica possuem a concepção de que fitoterapia nada mais é do que um conhecimento baseado em crendice popular.

Para se ter uma idéia da importância das drogas obtidas de plantas medicinais, merece ser dito que cerca de 119 substâncias extraídas dessas plantas são utilizadas em todo o mundo, como a digitalina (cardiotônico), emetina (amebicida), escopolamina (sedativo), vimblastina e vincristina (antitumorais). Justamente em função disso devem ser incentivadas pesquisas na área, uma vez que o Brasil é um país privilegiado em termos de biodiversidade. Se ocorreu nos paises desenvolvidos um crescente declínio da fitoterapia pelo uso cada vez crescente e predominância da quimioterapia de síntese, nos países em desenvolvimento, a seu turno, a situação é exatamente oposta. No caso do Brasil, pela sua riqueza e efervescência cultural, onde não há o preenchimento das necessidades de medicamentos essenciais, a fitoterapia surge como uma opção realista de política sanitária. Por isso, uma atenção muito especial deve ser dada às práticas populares, o seu saber e técnicas, e agir com base nos recursos localmente disponíveis.

A NATUREZA AO SEU ALCANCE

Abaixo apresentamos o material produzido pelo LEBA, destinado a esclarecer as pessoas sobre o uso correto de plantas medicinais.

A natureza ao seu alcance é uma cartilha que nasceu com dois simples propósitos: esclarecer as pessoas comuns sobre o uso correto de plantas medicinais, e orientá-las em como obter e cuidar dessas plantas sem prejudicar a natureza. É um trabalho que foi escrito com muito cuidado e carinho, e dedicado principalmente aos que lidam com plantas medicinais no seu dia-a-dia, tais como erveiros e pessoas que normalmente usam e compram plantas medicinais. Selecionou-se 17 espécies segundo os seguintes critérios: plantas de fácil obtenção e bastante conhecidas; com propriedades terapêuticas cientificamente avaliadas; que servissem para o conjunto de doenças que foram selecionadas neste trabalho. A seleção dessas doenças baseou-se em pesquisas realizadas pela equipe do LEBA, que identificou os problemas mais comuns para os quais as pessoas usam plantas medicinais. Por isso, caro leitor, recomenda-se que você leia completamente esta cartilha antes de preparar qualquer medicamento com as plantas aqui sugeridas.

O que você precisa saber sobre plantas medicinais

O que são plantas medicinais?

São plantas utilizadas na cura e tratamento de doenças, na visão popular. Nem tudo aquilo que o povo usa para tratar determinada doença é bom e realmente serve. As pessoas precisam tomar conhecimento de que, mesmo sendo um medicamento natural, as plantas podem causar problemas de saúde se forem usadas de maneira errada. Os cientistas utilizam outros critérios, além desse, para considerar uma planta como medicinal.

Quais as vantagens de utilizar plantas medicinais?

É uma alternativa barata e de fácil obtenção, porque as plantas podem ser encontradas até mesmo nas vizinhanças de casas. Além disso, muitas plantas já tiveram sua eficácia comprovada pelos cientistas.

Utilizar apenas plantas medicinais resolve qualquer problema de saúde?

Dependendo da doença é necessário acompanhamento médico, pois a doença pode ser mais grave do que se pensa e o estado do doente pode se agravar. Evite usar plantas medicinais no tratamento de doenças graves, só o faça se o seu médico tiver conhecimento.

Além da utilização de plantas medicinais que outros cuidados podemos ter para obter melhores resultados e ter boa saúde?

beber bastante água;

ter uma alimentação com pouca gordura;

tomar banho de sol pela manhã;

evitar tomar bebidas alcóolicas

não fumar.

Quais os cuidados que se deve ter na hora de preparar medicamentos com plantas medicinais?

preparar o medicamento, preferencialmente, com plantas colhidas a pouco tempo;

usar apenas plantas que sejam do seu conhecimento; na dúvida consulte alguém mais experiente;

não pegar plantas perto de fossas, lixos, esgotos, locais tratados com agrotóxicos e na beira de estradas (porque a fumaça dos veículos pode conter substâncias tóxicas que ficam na planta);

não utilizar plantas que estejam mofadas, velhas e com bichos;

ter o cuidado de lavar bem a parte da planta a ser usada;

no caso de preparar o chá com folhas secas, secá-las à sombra e em locais arejados, pois os raios solares podem eliminar parte das substâncias curativas;

quando for utilizar raízes secas, picar em pequenos pedaços antes de secar; após a secagem, guardar em vidro escuros ou caixas bem fechadas, com o nome da planta;

não guardar as plantas medicinais por muito tempo, porque elas podem perder a ação medicinal.

evite tomar chá feito de um dia para outro; renove sempre a cada 24 horas.

Qualquer pessoa pode usar plantas medicinais?

As gestantes devem usar com cuidado especial, pois algumas plantas podem causar aborto ou deformar o bebê. Em todo o caso, tire qualquer dúvida com seu médico.

É aconselhável misturar várias plantas em um mesmo chá ou remédio?

Evite, pois algumas plantas podem anular o efeito de outras ou causar reações desagradáveis.

De que forma se pode preparar remédios com plantas medicinais?

Os medicamentos caseiros feitos com plantas medicinais podem ser preparados de diversas maneiras; veja agora alguns exemplos:

Chás

Infusão

Despeje água fervendo sobre as ervas, em uma vasilha e depois deixe bem tampado por alguns minutos. Para fazer infusão em cascas e raízes, deve-se picar bem e deixar em repouso por uns 20 minutos. Depois coar.

Decocção

Cozinhar a parte a ser utilizada em água; para folhas e flores basta cozinhar por 10 minutos e raízes, cascas e caules, picar bem picadinho e deixar cozinhar por 20 minutos. Depois coar.

Maceração

Botar as ervas de molho em água fria; para folhas, flores e sementes devem ficar por 12 horas; cascas e raízes, deve-se picar e deixar de 16 a 24 horas. Depois coar.

Sucos

São obtidos triturando a erva ou o fruto no pilão ou liquidificador, e em seguida coar. Deve-se usar as ervas e os frutos frescos e preparar no momento da utilização.

Lambedor ou xarope

Misturar o suco (preparado como anteriormente) ou preparar a decocção e acrescentar mel ou açúcar. Prepara-se quente ou frio.

Banhos

Cozinhar as ervas durante 20 a 40 minutos, coar e deitar o decocto na água que vai ser usada no banho.

Cataplasma

Ervas ao natural

Podem ser aplicadas diretamente na parte dolorida, inchada ou ferida.

Em forma de pasta

Socar com pilão de madeira as plantas até formar uma papa que se coloca sobre o local dolorido. Se não tiver plantas frescas pode usar secas, colocando água quente para formar a pasta.

Gargarejo

Preparar o chá na forma de decocção. Esse chá deve ser bem forte. Deve-se fazer o gargarejo várias vezes ao dia.

Inalações

Colocar as plantas em uma vasilha com água fervida e aproveitar o vapor, aspirando-o.

Há plantas que servem para curar várias doenças ao mesmo tempo?

Cuidado com esse tipo de informação, pois essas utilidades podem ser mentirosas e, pior do que isso, a planta pode causar mal a sua saúde.

Coletando plantas medicinais

Antes de qualquer coisa você precisa ter certeza absoluta sobre a planta procurada para fazer um medicamento. Sempre no caso de dúvida procure um bom conhecedor das plantas da sua região, pois há casos de pessoas que tiveram sérios problemas de saúde e até mesmo morreram por terem usado plantas erradas.

Todo cuidado é pouco ao coletar e usar uma planta medicinal. Muitas são raras ou demoram muito tempo para crescer, sendo por isso necessário alguns cuidados para que elas nunca deixem de existir. Você pode tomar, por exemplo, as seguintes medidas:

só retire da planta as partes que serão necessárias para fazer o medicamento. Nunca retire grandes quantidades, pois a planta poderá ser prejudicada.

no caso da parte da planta a ser usada ser a entrecasca do caule, nunca a retire fazendo um círculo completo em torno do tronco, pois com isso a planta poderá morrer.

se precisar usar toda a planta, como é o caso de algumas ervas, deixe sempre algumas no local para que elas possam crescer e se multiplicar. Muitas plantas medicinais estão desaparecendo porque as pessoas destroem o ambiente em que elas vivem (matas, florestas) ou retiram tudo que encontram.

você pode ajudar na preservação de plantas medicinais com a organização de um pequeno jardim em sua casa, onde você irá cultivá-las para suprir as suas necessidades.

A identificação de plantas medicinais

Você já sabe que é muito importante e necessário aprender a identificar uma planta medicinal. Nem sempre é possível contar com a ajuda de uma pessoa mais experiente. Nesse caso, o que fazer? Uma solução simples é adquirir a planta com erveiros em mercados públicos ou feiras. Mas lembre-se, muitas pessoas que vendem plantas medicinais não conhecem o produto e, às vezes, por engano ou má fé, vendem a planta errada. Por isso, uma outra alternativa é o álbum herbário.

O álbum herbário é uma espécie de livro que você mesmo faz. Ele contém plantas secas e informações sobre elas. Coleta-se a planta inteira, ou se ela for muito grande apenas galhos ou ramos, colocando-os entre folhas de jornal. Coloque um peso em cima e deixe secar por alguns dias. Depois você cola cada planta sobre uma folha de papel ofício com o nome, características importantes (cor das flores, tamanho, odor) e a sua utilização. Pronto! Toda vez que surgir dúvidas sobre a identidade da planta que se vai utilizar é só comparar o material que você tem nas mãos com a planta que está no álbum.

Lembre-se de nunca usar uma planta orientando-se unicamente pelo nome vulgar. Os nomes das plantas mudam de região para região, de local para local. Por exemplo: o que algumas pessoas de outros estados do Brasil chamam de erva cidreira é o capim santo muito utilizado em Pernambuco. Uma mesma planta pode ter vários nomes populares, por isso muito cuidado!

Planta medicinal: o natural que também pode fazer mal

Só se deve utilizar uma planta medicinal quando não restar dúvidas sobre a sua identidade e utilidade. É bom lembrar que, de maneira geral, TODA PLANTA MEDICINAL É TÓXICA. O que isto quer dizer? Quer dizer que se uma planta for usada incorretamente poderá prejudicar a saúde, causando acidentes leves, graves e até fatais.

Uma vez ou outra escuta-se falar de plantas "milagrosas", que as pessoas dizem servir para muitas doenças, inclusive aquelas mais sérias como o câncer, sífilis, diabetes e até mesmo AIDS. Recentemente é a babosa que anda ocupando a boca das pessoas. Os cientistas já observaram que ela pode ser útil no tratamento de alguns problemas, mas que também pode causar complicações em determinadas situações. Por isso, fique sempre muito alerta. Evite realizar tratamento com uma mesma planta durante muito tempo. Os cientistas há muito tempo vêm estudando plantas medicinais, mas só algumas podem ser tomadas com segurança, pois ainda faltam ser realizados muitos estudos. Quando corretamente utilizadas, as plantas medicinais são poderosos auxiliares no tratamento e prevenção de muitos problemas de saúde.

Algumas plantas, quando tomadas em doses altas ou quando utilizadas por muito tempo, podem causar irritação gástrica, hemorragias graves, convulsões, vômitos, lesões nos rins e muitos outros problemas. Assim, só devem ser usadas com muito conhecimento ou sob orientação médica. Apresentamos a seguir uma lista dessas plantas, de uso popular corrente no Brasil.

Plantas medicinais que podem causar danos à saúde se utilizadas incorretamente

irrita o estômago e intestino

Agrião (Nasturtium officinale R.Br.),

Alecrim (Rosmarinus officinalis L.),

Alho (Allium sativum L.),

Jurubeba (Solanum paniculatum L.),

Confrei (Symphytum officinale L.)

afeta o sistema nervoso

Mastruz (Chenopodium ambrosioides L.),

Trombeteira (Datura suaveolens Humb.).

provoca queimaduras na pele

Figo (folhas) (Ficus carica L.)

causa danos ao fígado ou rins

Alecrim (Rosmarinus officinalis L.),

Coentro (Coriandrum sativum L.),

Confrei (Symphytum officinale L.),

Cambará ou camará (Lantana camara L.).

causar morte

Espirradeira ou leandro (Nerium oleander L.),

Mamona (Ricinus communis L.),

Mastruz (Chenopodium ambrosioides L.).

Jardim de plantas medicinais

O jardim de plantas medicinais é uma pequena horta onde é possível cultivar plantas para o próprio consumo. Você também pode conversar com vizinhos e organizar uma horta comunitária. Para a realização desse projeto, observe as seguintes recomendações:

dependendo da planta a ser cultivada o plantio poderá ser feito de diferentes formas: através de sementes, pedaços de galhos, mudas, etc.

escolha local adequado e que satisfaça as seguintes exigências: seja limpo, arejado, e tenha água disponível nas proximidades.

limpe a área e adube o terreno com esterco de boi ou galinha. Não utilize adubos químicos e agrotóxicos.

construa canteiros para cada tipo de planta medicinal, mantendo uma distância mínima entre eles de aproximadamente 50cm. Coloque uma pequena placa de madeira em cada canteiro com o nome da planta.

A validade dos medicamentos

Da mesma forma que os medicamentos industrializados, os preparados de plantas medicinais também possuem prazo de validade, isto é, o período em que eles podem ser consumidos em boas condições. Sempre que você guardar partes de plantas ou preparar qualquer medicamento observe os seguintes cuidados:

guarde folhas, flores, talos, raízes, depois de secos, em vidros limpos e escuros. Lembre-se que plantas secas têm prazo de validade de aproximadamente um ano.

lambedores podem ser conservados em geladeira por até 6 meses.

tinturas podem ser usadas por até um ano.

coloque uma etiqueta ou rótulo no recipiente com a data de fabricação do seu remédio, para saber o prazo de validade do medicamento.

As plantas e a sua saúde

Abaixo apresenta-se uma relação de plantas medicinais e as suas indicações.

ALECRIM

(Rosmarinus officinalis L.)

Indicações: entorses, contusões e dores reumáticas.

Modo de usar: prepare uma tintura com uma xícara de café de folhas secas e uma xícara de chá de álcool 700. Após 8 dias coe e utilize na forma de compressas ou fricções.

Outras Indicações: digestivo, alívio da sensação de empachamento, eliminação de gases.

Modo de usar: em uma garrafa de vinho branco coloque meia xícara de chá de folhas frescas. Deixe descansar por 15 dias. Coe e tome uma pequena quantidade antes das refeições.

ALFAVACA-DE-CABOCLO

(Ocimum gratissimum L.)

Indicações: digestivo, gases, vômitos.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente coloque uma colher pequena de folhas secas. Abafe, deixe esfriar e coe. Beba uma xícara de chá 2 a 3 vezes ao dia.

BOLDO

(Peumus boldus Mol.)

Indicações: falta de apetite, problemas do estômago e fígado.

Modo de usar: em uma garrafa de vinho branco coloque 3 colheres de sopa de folhas picadas. Deixe descansar por 5 dias e coe. Tome um cálice antes das refeições.

Outras Indicações: cálculo na vesícula.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente adicione uma colher de sobremesa de folhas picadas. Abafe, coe e beba depois de frio uma xícara 3 vezes ao dia, sendo a primeira em jejum.

CANELA

(Cinnamomum zeylanicum Ness)

Indicações: digestivo, gases.

Modo de usar: cozinhe a entrecasca do caule em fogo baixo. Utilize 3 pedaços grandes para cada meio litro de água. Tome uma xícara de chá após as refeições.

CAPIM-SANTO

(Cymbopogon citratus (DC) Stapf.)

Indicações: nervosismo, ansiedade, cólicas intestinais, gases, febre.

Modo de usar: em uma xícara de chá de água fervente acrescente uma colher de sopa de folhas frescas. Abafe por 5 minutos e coe. Beba uma xícara de chá 1 a 3 vezes ao dia.

CHAMBÁ

(Justicia pectoralis Jacq.)

Indicações: tosse, bronquite.

Modo de usar: leve ao fogo para ferver, rapidamente, uma xícara de chá de folhas de chambá e uma xícara de chá de água. Coe e acrescente 2 xícaras de chá de açúcar. Leve ao fogo baixo até que o açúcar dissolva completamente. Deixe esfriar. Tome uma colher de sopa de 2 a 3 vezes ao dia. Para crianças utilize apenas meia colher de sopa 2 a 3 vezes ao dia.

COLÔNIA

(Alpinia speciosa Schum.)

Indicações: nervosismo, dores em geral.

Modo de usar: em uma xícara de água fervente coloque uma colher de chá de raízes picadas. Abafe e depois de frio coe. Tome uma xícara de 1 a 2 vezes ao dia.

CRAVO-DA-ÍNDIA

(Syzygium aromaticum (L.) Merr. et Perry)

Indicações: expectorante, bronquite.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente acrescente 4 a 5 cravos. Abafe por 10 minutos e coe. Beba uma xícara após as principais refeições. ATENÇÃO: o consumo exagerado pode provocar problemas gástricos.

ERVA CIDREIRA

(Lippia alba (Mill.) Brown)

Indicações: nervosismo, cólicas uterinas e intestinais.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente acrescente 2 colheres de sopa de folhas picadas. Abafe por 10 minutos e cor. Beba 1 a 3 xícaras ao dia.

Outras Indicações: tosse, bronquite e asma.

Modo de usar: leve ao fogo para ferver, rapidamente, uma xícara de chá de folhas e uma xícara de chá de água. Coe e acrescente 2 xícaras de chá de açúcar. Leve ao fogo baixo até que o açúcar dissolva completamente. Deixe esfriar. Tome uma colher de sopa de 3 a 6 vezes ao dia. Para crianças utilize apenas meia colher de sopa 2 a 3 vezes ao dia.

EUCALIPTO

(Eucalyptus globulus Labill.)

Indicações: bronquites, gripes e catarro.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente acrescente uma colher de sobremesa de folhas picadas. Abafe por 5 minutos e coe. Tome uma xícara de chá 1 a 2 vezes ao dia. ATENÇÃO: O consumo exagerado pode provocar vômitos e diarréia.

GOIABA VERMELHA

(Psidium guajava L.)

Indicações: diarréia.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente coloque 3 olhos da goiabeira. Abafe, e coe depois de frio. Beba uma xícara 2 a 3 vezes ao dia.

HORTELÃ DA FOLHA MIÚDA

(Mentha x piperita L.)

Indicações: má digestão, gases, náuseas.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente acrescente 1 colher de sopa de folhas picadas. Abafe por 10 minutos e coe. Beba 1 xícara após as refeições. ATENÇÃO: Evite administrar a planta para crianças que estão mamando ou que são muito novas.

HORTELÃ DA FOLHA GRAÚDA

(Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng.)

Indicações: tosse, bronquite, inflamação da boca e garganta.

Modo de usar: Prepare um xarope alternando camadas de folhas e açúcar. Leve ao fogo baixo tendo o cuidado de não queimar. Deixe aquecer um pouco e desligue o fogo logo em seguida. Coloque para descansar por um dia em um utensílio tampado. Tome 1 a 2 colheres de sopa por dia.

MANJERICÃO

(Ocimum basilicum L.)

Indicações: gases, cólicas, digestivo.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente adicione uma colher de sopa de folhas picadas. Abafe por 10 minutos e coe. Beba 1 xícara antes das refeições.

MARACUJÁ

(Passiflora edulis Sims)

Indicações: nervosismo, inquietação, insônia.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente coloque 2 colheres de sopa de folhas picadas. Abafe por 10 minutos e coe. Tome 1 a 2 xícaras por dia, principalmente antes de deitar. ATENÇÃO: pessoas que sofrem de pressão baixa não devem beber o chá de maracujá.

MASTRUZ

(Chenopodium ambrosioides L.)

Indicações: vermes, lombrigas.

Modo de usar: em uma xícara de chá com leite fervente acrescente as seguintes medidas de folhas: uma colher de sobremesas para crianças de 10-20kg; uma de sopa para 20-40kg; jovens e adultos de 2 a 3 colheres de sopa. Abafe e tome uma xícara em jejum pela manhã. ATENÇÃO: Use somente como indicado, altas doses podem ser fatais.

POEJO

(Mentha pulegium L.)

Indicações: gases, regulador da menstruação.

Modo de usar: em uma xícara de chá com água fervente acrescente 2 colheres de sopa de folhas frescas picadas. Abafe por 10 minutos e coe. Beba 1 xícara antes das refeições. ATENÇÃO: Evite administrar a planta para crianças que estão mamando ou que são muito novas.

Fonte: www.proext.ufpe.br

Fitoterapia

A fitoterapia é o tratamento e/ou a prevenção de doenças usando plantas, partes de plantas e preparações feitas com plantas. Por isso, a ação do produto é baseada na presença de princípios ativos de origem vegetal.

Os medicamentos fitoterápicos são preparações padronizadas contendo extratos de plantas, amplamente comercializados em países desenvolvidos e em desenvolvimento. De acordo com a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os medicamentos fitoterápicos são aqueles preparados com substâncias ativas presentes na planta como um todo, ou em parte dela, na forma de extrato total. A filosofia central da fitoterapia acredita que a ação farmacológica desses produtos envolva a interação de várias moléculas presentes no extrato e não a ação de uma molécula separadamente.

O consumo de medicamentos fitoterápicos tem aumentado consideravelmente nas últimas duas décadas, tanto nos países desenvolvidos, como naqueles em desenvolvimento.

Somente na Europa, o mercado dos medicamentos fitoterápicos atinge cerca de 7 bilhões de dólares ao ano, sendo a Alemanha responsável por 50% deste valor. Contudo, o maior crescimento ocorrido no mercado de medicamentos fitoterápicos foi observado nos Estados Unidos, onde 60 milhões de americanos recorrem a medicamentos fitoterápicos para tratamento de suas enfermidades.

Entre as várias razões que proporcionaram o rápido crescimento do mercado internacional, e o interesse da população pelos medicamentos fitoterápicos, podem ser mencionadas:

1. A preferência dos consumidores por terapias naturais

2. A tendência da população em acreditar que os medicamentos fitoterápicos podem ser eficazes nos tratamentos de doenças quando os medicamentos sintéticos têm falhado

3. A tendência para automedicação e a preferência da população pelos tratamentos preventivos

4. A existência de estudos científicos de alguns produtos fitoterápicos comprovando sua eficácia clínica, segurança, bem como a melhoria no controle de qualidade dos mesmos

5. Menores custos para os consumidores de medicamentos fitoterápicos.

Os medicamentos fitoterápicos surgem como uma forte tendência no Brasil. É um mercado bastante promissor e apresenta números expressivos, tornando-se um ambiente de negócio atrativo. Por possuir uma das maiores biodiversidades do mundo, nosso país pode ser tornar um dos destaques nesse segmento.

O Laboratório Catarinense, no mercado há quase seis décadas, oferecendo inovações e soluções para a melhoria da qualidade de vida, mantêm parcerias com universidades para melhorar as técnicas de desenvolvimento de novos produtos. A constante preocupação com a qualidade, que pode ser comprovada pela utilização de extratos padronizados na fabricação de seus produtos, e a ênfase no conhecimento científico tem garantido ao Laboratório Catarinense um lugar de destaque na indústria fitoterápica no Brasil.

Origem da Fitoterapia

Fitoterapia

A palavra Fitoterapia é formada por dois radicais gregos: fito vem de phyton, que significa planta, e terapia, que significa tratamento; portanto fitoterapia é o tratamento em que se utilizam plantas medicinais.

A origem da fitoterapia é impossível de ser determinada. O uso terapêutico de plantas medicinais é um dos traços mais característicos da espécie humana. É tão antigo como o Homo sapiens; é encontrado em praticamente todas as civilizações ou grupos culturais conhecidos.

O termo fitoterapia foi apresentado pelo médico francês Dr. Henri Leclerc (1870-1955). Ele publicou numerosos ensaios do uso de plantas medicinais, a maioria deles na La Presse Médicale, um importante jornal médico francês.

O homem pré-histórico observava o comportamento instintivo dos animais na hora de restaurar suas feridas ou encobrir suas enfermidades. No seu passeio contínuo pode observar que certas espécies de plantas eram aptas para o consumo alimentício e outras eram tóxicas. Estas observações deram origem ao processo intuitivo que caracterizou os primeiros povoadores e que lhes permitiu discernir quais possuíam efeitos medicinais e quais não.

A respeito do emprego medicinal de plantas por parte das antigas civilizações, tem-se encontrado vários testemunhos através de expedições arqueológicas, como a produzida no ano de 1975 nas paredes de uma gruta pertencente a uma longínqua região do sul da Ásia, que foi habitada a cerca de sessenta mil anos aproximadamente (Paleolítico Médio Superior) pelo homem de Neanderthal. Nela encontraram-se desenhos e gravuras de plantas, folhas e órgãos humanos em clara alusão a uma correspondência terapêutica.

Quem sabe este seja o primeiro testemunho da integração das artes e das ciências, união em que o homem moderno tem lutado tanto ao longo dos séculos. Nos primeiros tempos de transição do hominídeo havia o homem do paleolítico, a arte de curar tinha muito do instinto animal. Mais tarde este mesmo homem primitivo descobre a importância de certos vegetais como as espécies tóxicas ou aquelas com ação laxante, iniciando assim o conhecimento empírico da fitoterapia.

Sem dúvida, a fitoterapia é considerada a medicina mais ancestral por excelência e equivocadamente se atribui a Hipócrates, Galeno ou Dioscórides como seus iniciadores.
Um dos manuais de medicina mais antigo que se conhece, foi escrito há aproximadamente 4.000 anos antes de Cristo e foi achado nas ruínas de Nippur através de uma expedição arqueológica. Nele é inscrito, com característica cuneiforme, uma dúzia de remédios, nos quais se menciona o abeto, o tomilho, e a pereira, entre outros.

A medida que o homem antigo foi conhecendo o uso de plantas medicinais e alimentícias, sem perceber, deu origem a uma possibilidade de comercializá-las pois muitas espécies eram únicas em determinados continentes. No século II a.C. já existia um ativo comércio entre Europa, Oriente Médio, Índia e Ásia, estabelecendo-se rotas comerciais definidas.

A fitoterapia na China

Durante a dinastia de YIN (1.500 a. C. aproximadamente), se realizaram gravuras sobre as partes duras e compactas que estão no interior de algumas frutas (utilizados como oráculos) sobre as virtudes de numerosas plantas medicinais. Chen Nong foi um Imperador chinês que governou aproximadamente no ano 300 antes de Cristo e a qual se atribui ser o iniciador do estudo profundo da fitoterapia que deu origem a primeira obra da medicina no mundo conhecida com o nome de Pents’ao.
Autores diferentes foram agregando modificações à obra inicial podendo ser habitual mencionar diferentes Pents’ao com o transcorrer dos anos na China.

As importâncias dos diferentes Pents’ao enraízam minuciosa classificação de cada planta: nome, habitat, preparação, toxicidade, etc. Assim mesmo, esses foram base para a criação da Farmacopéia Nacional Chinesa no ano de 1978 e a base de dados informatizada da Universidade Chinesa de Hong Kong.

A fitoterapia no Egito

Plantas comuns como absinto, alho, meimendro, coriandro, genciana, granado, funcho, etc são mencionados em papiros egípcios que datam de 1900 a. C. Em baixo-relevo dos tempos de Tutmés II (1450 a. C.), exposto no museu de Agricultura do Cairo, se pode observar um dos herbários mais antigos que se conhece gravado em granito, e que contém esculpidas 275 plantas medicinais.

De acordo com a mitologia egípcia, a arte de curar leva-nos ao Livro de Thot (deus da escritura e da magia) e à mulher-leão Sekhmet (deusa da saúde). Conta a lenda que o Livro de Thot, Hermes Trimegistro deixou um legado de sua sabedoria. Este conhecimento só poderia ser alcançado pelas castas sacerdotais e em completo ato de segredo, pelo que o ato de transmissão deste conhecimento entre os sacerdotais se denominou “conhecimento hermético” em honra de Hermes Trimegisto (cujo nome significa “três vezes sábio”).

A fitoterapia na Medicina da Suméria, Asíria e Babilônia

Os povos faziam menção das virtudes terapêuticas de aproximadamente 250 espécies vegetais entre as quais destacavam-se a cássia, a mirra, o pinheiro, o cortez, a raiz e as folhas de tâmara, o aloe, a amapola, a beladona e o cardomomo. Outro testemunho invalorável proporcionou o descobrimento da biblioteca do rei asírio Arsubanipal, que continha vários milhares de tabelas escritas, calcula-se que com mais de 3 mil anos, e no qual descrevem-se várias centenas de plantas.

A fitoterapia na Índia

A partir das escavações arqueológicas levadas a cabo há 50 anos na Índia, descobriram-se as cidades de Mohenjo-Daro e Harapa onde encontraram escritas e gravuras referidas ao emprego de plantas medicinais. Tratam-se de poemas épicos conhecidos como Vedas. Estes escritos correspondem aos anos entre 1.500 – 1.000 a. C. e fazem menção as plantas aromáticas para uso alimentício: gengibre, noz moscada, pimenta, alcaçuz, alfavaca, cominho, açafrão, alho, etc.

É bom recordar que na Índia quem exercia a medicina eram os Brahmanes (sacerdotes de grande prestígio, pertencentes a primeira das quatro castas em que se dividia o povo hindu).

Consideravam que o homem era uma unidade psicofísica-espiritual, e quem podia cuidar da saúde do espírito, também podia encarregar-se de cuidar da saúde corporal. Na Índia, como parte do sistema integral e filosófico da vida, nasce a Ayúrveda (ayur = vida; veda = conhecimento). Os primeiros textos datam de uns 2.500 anos antes de Cristo, mas as sucessivas investigações foram apontando novos conhecimentos derivados fundamentalmente das culturas persas e dos mongóis, que incorporaram os ensinamentos de Galeno e Avicena. No século VII d. C., criou-se a Universidade de Nalanda, onde milhares de alunos iniciaram seus estudos ayurvédicos.

Para a medicina Ayurvédica a enfermidade resulta de um desequilíbrio entre o homem (microssomos) e seu ambiente (macrossomos). Brinda um verdadeiro enfoque holístico já que seus tratamentos são apropriados para o espírito, o corpo e a mente.

Para esta medicina existem cinco elementos: terra, água, fogo, ar e éter (força etéria) os quais devem equilibrar-se com três forças primárias: prana (alento da vida), agni (o espírito da luz e do fogo) e soma (indicativo de amor, harmonia e bem-estar). Em cada indivíduo existiriam centros de energia denominados Chakras (colocados em diferentes setores ou vísceras do organismo), os quais podem ser tonificados através de alimentos e plantas medicinais.

A fitoterapia na Grécia

Das obras médico-botânicas escritas na Grécia considera-se a mais antiga a pertencente a Teofrasto (nascido na ilha de Lesbos no ano de 372 a. C. e morto no ano de 287 a. C.) que em seu livro História das Plantas (dividida em nove volumes) faz menção a 455 plantas, mesmo que a sua grande maioria são de interpretação confusa. Teofrasto foi o discípulo predileto de Aristóteles (384-322 a. C.) que, pouco antes de morrer, designou-o como seu sucessor e lhe encomendou o cuidado de seu jardim botânico. Além de Histórias das Plantas, realizou outra obra em seis volumes entitulada As causas das plantas.

A obra de Hipócrates (460? A 370? a. C.) considera-se como a mais clara e completa da antiguidade já que não faz referência só a plantas medicinais, e sim as bases das ciências médicas em sua totalidade, ao ponto de ser reconhecido como o “Pai da medicina”. Hipócrates teve a sorte de viajar muito nessa época e pôde trasladar seus conhecimentos a terras longínquas como faziam os navega-dores gregos que transmitiam seu legado (com a criação da escola médica de Alexan-dria).

Contemporâneo porém menos famoso que Hipócrates foi Crataevas, a ele se deve um importante tratado (do qual lamentavelmente não há exemplares) no qual se detalham cerca de 400 plantas medicinais e a qual se assegura que foi plajeado por Dioscorides. Mesmo Hipócrates diz ter aprendido com ele.

No final desse período criador da medicina grega pertence a Galeno que viveu no século II d. C. nascido em Pérgamo no centro de uma família acomodada, formou-se em sua cidade e em Alexandria. Em Roma permaneceu durante três décadas, até um pouco antes de sua morte no ano de 201 d. C. Foi inicialmente médico de gladiadores e logo passou a corte como médico dos Imperadores Marco Aurélio, Cômodo e Sétimo Severo.

Resumindo, aos gregos deve-se, de alguma maneira, a transição do mitológico ao científico, já que os primeiros pensadores gregos deram ao entendimento da origem do cosmos e sua relação com o ser humano. A parti daí, o homem começa a entender a função do elemento lógico-pragmático e não a base de elementos mágico-religiosos.

A fitoterapia nos povos árabes

Com a queda do Império Romano no século V, o centro da cultura (e por conseqüência da medicina) mudou para Constantinopla e Pérsia onde cultivaram as idéias de Galeno e Hipócrates junto às tradições egípcias. Simultaneamente a tradição judaica outorgou grande importância a higiene como elemento preventivo de enfermidades, sobre tudo infecciosas.
Os hebreus, por exemplo, utilizavam ritualmente a mirra e o incenso.

Ao ser expulsado de Constantinopla por provocar uma ruptura religiosa, Nestortius no século V recorreu junto a suas filiais Síria, Pérsia e outras regiões vizinhas, criando o chamado Krabadin, que pode ser o primeiro texto classificado como farmacopéia oficial, e que regiu durante séculos com várias edições. Muitas civilizações a haviam adotado-na até o século XII, época em que apareceram os antidotários, os quais foram posteriormente dando origem as primeiras leis sobre o uso de drogas.

A obra mais importante da época constitui do Kitab al-Qanum ou Cânon da Medicina, escrito no século XI por Ibn Sina, mais conhecido por Avicena (980-1037). Esta obra estava centrada firmemente no conhecimento grego e deu origem ao denominado método ou sistema Unami (palavra árabe que significa “dos gregos”). Foi traduzida ao latim no século XII e desta maneira chega ao Ocidente para converte-se no livro de texto básico para todas as escolas médicas.

A fitoterapia na época Medieval

Nesta época, a medicina sofreu um processo de estancamento já que eram muito poucos os que podiam ter acesso às obras escritas em árabe, grego e latim. Precisamente os monges e clérigos tiveram um papel importante na sua difusão, ao ponto de serem considerados como médicos.

Nos monastérios apareceram os primeiros jardins de ervas medicinais, e se destacaram os monastérios de St. Gallen (França) construído no ano de 829 e o de Schaffhausen (Alemanha). Este último com o passar dos anos foi tomando grande relevo, até ser orientado e dirigido no século XVI por Leonardo Fuchs, considerado um dos pais da botânica.

Na Inglaterra, durante o reinado de Enrique VIII, o recentemente formado Colégio de Médicos determinou que todos aqueles que tiverem conhecimento das propriedades curativas das plantas medicinais, poderiam utilizar esse conhecimento para o bem da comunidade logo após solicitar a correspondente permissão a este colégio. Desta maneira surgiram os primeiros herbolários que anos mais tarde retirou a permissão de receitar, limitando-os a tarefa exclusiva de vender plantas medicinais, dando assim, início às primeiras farmácias.

A fitoterapia na época do renascimento

Nesta época o homem toma consciência das mudanças ocorridas no mundo e começa a revelar-se contra os princípios propostos pelo sistema imperante, forçando assim suas próprias idéias. Até esse momento a filosofia e a religião tinham caminhado juntas, mas com o avanço dos novos descobrimentos, tais como a bússola, a pólvora e a imprensa, deram a esta etapa da história uma dinâmica diferente.

A chegada da imprensa deu um grande impulso a difusão do conhecimento herbário. Otto Brunfels (1489-1543), monge cartuxo e posteriormente médico em Berna, publica o primeiro herbário ilustrado com plantas gravadas em madeira.

Nesta época, as viagens de Colombo à América permitiram conhecer uma nova flora e novas aplicações terapêuticas das plantas.

Como foi observado, a atenção médica nesta época deixava bastante a desejar já que eram muito poucos os que podiam usá-la. Nesta época surgiram os primeiros curandeiros que possuíam conhecimentos herbários notáveis e eram muito populares naqueles povoados carentes de recursos.

Em síntese, a utilização de plantas medicinais cai em um terreno obscuro com profundos questio-namentos, sobretudo eclesiás-ticos, onde, apesar de tudo, destacam-se honrosas exceções como os dos médicos das escolas de Salerno, Florênça e Paracelso. Em 1498, a escola de Florença redige o célebre Receituário Florentino, uma espécie de vademécum terapêutico escrito por médicos e farmacêuticos.

O século XVI está marcado com os conhecimentos apontados no campo da anatomia por Andrés Vesalio que aperfeiçoou e aprofundou os antigos esquemas provenientes das dissecações realizadas na Universidade de Bolonha no século XII. Inclusive corrigiu os escritos de anatomia das obras de Galeno em quem havia se inspirado. Como é possível analisar, a anatomia se converteu no único ramo da medicina com fundamento científico; desta maneira, as artes médicas consolidaram-se no estudo da natureza morta e não da viva.

Assim, as plantas ficaram como elemento do ocultismo e carentes do rigor científico.

A fitoterapia na Idade Moderna

Com o advento da Idade Moderna, o avanço da ciência, promovido inicialmente por Galileo, Bacon, Newton e posteriormente Descartes, determinou que o melhor caminho para chegar a um conhecimento efetivo e rigoroso da natureza devia ser levado a cabo através do Método Científico. Desta maneira, surge a era da metodologia a qual se pode definir como “aquela parte da lógica encarregada de estudar os métodos de maneira sistemática e crítica, seja os métodos empregados nas ciências como os utilizados na filosofia”.

No princípio do século XVII, cria-se na Inglaterra a Farmacopéia Londrina, origem da Farmacopéia Britânica atual e em 1638 na França, cria-se o Codex Medicamentarium Gallicus. Ambas obras, junto com as Farmacopéias de Portugal e Espanha, foram referências do saber médico de muitas outras regiões (incluindo o novo continente), havendo incorporado muitas plantas medicinais, apesar de que não se conhecerem muito bem suas doses terapêuticas e suas doses tóxicas.

Na Europa surgem grandes defensores da saúde pelos métodos naturais, como Sebastiam Kneipp (1821-1897) e posteriormente Johann Künzle (1857-1945). Em 1864, cria-se no norte da Inglaterra o National Institute of Medical Herbalists, a primeira entidade profissional de fitoterapia do mundo.

Os sopros da liberdade que foram aparecendo através da onda de independências dos países americanos, deram o marco apropriado para a criação de farmacopéias próprias. Foi assim que em 1820, cria-se a primeira farmacopéia americana intitulada: “Farmacopéia dos Estados Unidos da América do Norte”. Na continuação, surge a do México e na América do Sul, o Chile é o primeiro país a contar com Farmacopéia própria, que ocorre em 1886. Em 1898, surgem as da Argentina e Venezuela e em 1926 a do Brasil. A necessidade de criar normas para a boa preparação dos remédios, deram origem a palavra farmacopéia, termo derivado do grego Pharmakon (droga) e poeia (preparo).

Somente após a Segunda Guerra Mundial, publicou-se uma obra de referência sobre o uso de plantas medicinais, Lehrbuch der Phytotherapie escrito por Dr. Rudolf Fritz Weiss. Este livro é respeitado por botânicos e médicos como um trabalho pioneiro na área de fitoterapia, que foi tradizido em inglês chamando-se Herbal Medicine. Ele tem se estabelecido como um recurso indispensável e é amplamente conhecido como o texto-chave na área de medicina fitoterápica.

Seu autor, Prof. Dr. Rudolf Weiss (1895-1992) é altamente respeitado como o “pai fundador” da fitoterapia alemã moderna. Ele estudou botânica e medicina na Universidade de Berlin, qualificando-se como doutor em 1922 e obteve qualificações adicionais subseqüentes em medicina interna. Dr. Weiss foi apontado como membro da Comissão E alemã em 1978. Ele foi fundador e editor da Zeitschrift für Phytotherapie.

Com a nova contribuição do Dr. Volker Fintelmann, o texto clássico do Weiss na Herbal Medicine expandiu-se e redirecionou-se para satisfazer as necessidades dos médicos, residentes, estudantes e outros clínicos.

Dr. Fintelmann é médico especializado em medi-cina interna e gastroenterologia. Ele foi presidente da Comissão E alemã e focaliza seu trabalho no desenvolvimento prático e metodológico da fito-terapia.

O emprego de plantas medicinais na recuperação da saúde tem evoluído ao longo dos tempos desde as formas mais simples de tratamento local, provavelmente utilizada pelos homens das cavernas até as formas tecnologicamente sofisticadas da fabricação industrial utilizada pelo homem moderno. Mas, apesar das enormes diferenças entre as duas maneiras de uso, há um fato comum entre elas: em ambos os casos o homem percebeu, de alguma forma, a presença nas plantas da existência de algo que, adminstrado sob a forma de mistura complexa como nos chás, garrafadas, tinturas, pós, etc, num caso, ou como substância pura isolada, em outro caso, e transformado em comprimidos, gotas, pomadas ou cápsulas, tem a propriedade de provocar reações benéficas no organismo capazes de resultar na recuperação da saúde.

Este algo atuante é o que se chama de princípio ativo, seja ele constituído de uma única substância existente na planta ou de um conjunto de substâncias que atuam sinergicamente, chamada de complexo fitoterápico. Essas substâncias podem ser empregadas tanto dentro da própria planta na forma de preparações caseiras, como chás, tinturas e pós, ou na forma de composto puro isolado da planta e transformado em cápsulas, comprimidos e pomadas, pela indústria farmacêutica.

Fonte: www.labcat.com.br

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