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Fobia

UM MEDO IRRACIONAL, EXAGERADO, EM RESPOSTA À EXPOSIÇÃO DE CERTOS OBJETOS OU SITUAÇÕES TEMIDAS. ESSE É UM DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE MAIS FREQUENTES QUE O SER HUMANO APRESENTA

COMO SE MANIFESTA

Por meio de pensamentos distorcidos, que se antecipam negativamente aos fatos e diminuem a capacidade de reação diante das situações temidas, como falar em público ou viajar de avião.A pessoa então passa a evitá-las.

CAUSAS

Fobia

Uma experiência traumática.A fobia ocorre quando a pessoa se vê diante de uma situação semelhante.

Fobia

A pessoa tem uma predisposição genética para o problema.A quantidade do medo está relacionada à presença de determinados genes.

Agorafobia

Fobia

A pessoa evita lugares ou situações, como locais fechados ou isolados e multidões, devido à preocupação com a possibilidade de passar mal e não conseguir escapar ou obter socorro.

Social

Fobia

Preocupação com a possibilidade de fazer algo embaraçoso ou humilhante quando observado por outras pessoas, como falar em público e fazer refeições ou escrever na frente de outras pessoas.

Específicas

Fobia

Alguns tipos comuns relacionam-se ao medo de animais, de alturas, de voar, de ver sangue ou receber uma injeção.

A REAÇÃO DO ORGANISMO

Há cinco fases entre a percepção do medo e a sua manifestação física e psicológica.

1— Ao ver ou chegar perto da causa da fobia — seja o chefe ou uma barata — o fóbico envia um estímulo para o cérebro.

2— No cérebro, a mensagem chega a uma estrutura chamada córtex, onde é reconhecida como ameaçadora.

3— Em seguida, o hipotálamo é acionado e libera adrenalina e noradrenalina, substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas.A partir daí uma cascata de efeitos psicológicos, como susto e aflição, é desencadeada.

4— Em frações de segundos, o estímulo nervoso parte do hipotálamo para as glândulas hipófise (cerebral) e supra-renais (logo acima dos rins).

5— As supra-renais liberam o hormônio cortisol, desencadeando as manifestações físicas de um ataque de fobia.

SINTOMAS

Remores, calafrios ou ondas de calor Transpiração excessiva, sensação de formigamento Taquicardia e dor no peito Náusea e vertigem Sensação de falta de ar, aperto na garganta Pavor de morrer, sensação de estar distante de si mesmo

Fonte: www.santalucia.com.br

Fobia

O que são fobias?

As fobias são medos irracionais, desproporcionados, em relação a situações, objetos ou pessoas.

Quais são as causas das fobias?

Sabe-se que o pânico e a agorafobia aparecem com mais frequência em determinadas famílias. Embora parte desses sintomas possam ser adquiridos por aprendizagem, já que as crianças observam e imitam comportamentos dos pais, há estudos genéticos que apontam para uma maior importância da hereditariedade em relação à aprendizagem.

Com efeito:

1)Crianças de pais com pânico e/ou agorafobia, adoptadas por pais sem a doença, têm maior probabilidade de a desenvolver, do que aquelas cujos pais biológicos são saudáveis.

2)Crianças de pais sem pânico e/ou agorafobia, adoptadas por pais sem doença, não têm tendência para vir a desenvolvê-la

3)Irmãos gémeos têm maior probabilidade de ter a doença do que irmãos não gémeos.

Estudos efetuados mostraram que no cérebro do doente, com doença de pânico ou agorafobia, existia um aumento de atividade em zonas específicas do mesmo.

De que forma as experiências marcantes de vida podem desenvolver fobias?

Apesar de provadas as causas genéticas da doença de pânico e fobias, há doentes em que a história familiar não se encontram outras pessoas com a doença. Segundo várias teorias psicológicas, as experiências marcantes da vida poderiam servir de mecanismo de aprendizagem da doença. Assim se a pessoa experimenta grande ansiedade ao lidar com determinada situação e essa ansiedade diminui quando foge dela, o indivíduo tenderá a evitar a circunstância desencadeadora da ansiedade ou circunstâncias semelhantes, gerando comportamentos fóbicos.

Em resumo parece haver uma interacção entre fatores genéticos, bioquímicos e psicológicos no desenvolvimento da doença de pânico e dos comportamentos fóbicos.

Como se manifestam habitualmente as fobias?

Os doentes fóbicos experimentam crises de pânico em confronto com as situações fóbicas, embora possam existir raramente, fobias sem crises de pânico.

Quais os tipos de fobia que existem?

Existem três tipos de fobias:

1. Fobia simples

Na qual um determinado estímulo provoca ao doente um medo excessivo e atendência para o evitar (medo de cobras, de cães, de andar de avião, etç).

2. Fobia social

Na qual o indivíduo receia situações em que tem que se expor face a outros (ex. medo de falar ou comer em público). Este medo é desproporcionado em relação à realidade e leva o doente a fugir dessas situações.

3. Agorafobia

Na qual o doente evita locais e espaços nos quais a ajuda ou a fuga possa ser difícil. Em geral estes doentes começam por evitar grandes espaços (estádios, hipermercados, etç), para gradualmente fugiram de outras circunstâncias, como os transportes públicos ou filas, e acabando muitas vezes por se fecharem em casa.

Como podem evoluir as fobias?

As fobias são doenças limitantes para a vida do doente e quando não tratadas, têm tendência à cronicidade. Com alguma frequência, podem complicar-se com comportamentos depressivos, alcoolismo ou mesmo consumo de drogas.

Como se pode tratar as fobias?

A doença de pâncio e as fobias respondem bem e rapidamente ao tratamento. É sabido que a farmacoterapia (utilização de medicamentos), a terapia comportamental ou a combinação de ambas são de grande eficácia no tratamento destas doenças.

Farmacoterapia

Existem vários tipos de medicamentos, que usados individualmente ou em combinação, diminuem ou fazem cessar as crises de pânico.

São eles:

Antidepressivos: incluindo os inibidores específicos da serotonina e os triciclicos.
Alguns tipos específicos de tranquilizantes como o alprazolam e o clnazepam
Beta-bloqueantes, como o propanolol ou o atenolol

Terapia cognitiva-comportamental

Este tipo de terapia procura ensinar o doente a reconhecer, de forma precoce, os sintomas da doença, o seu significado e o modo de lidar com os mesmos.

A terapia consiste geralmente nos seguintes passos:

1.Ajudar o doente a identificar e mudar o tipo de pensamentos e mitos que o levam a interpretar erradamente e de modo ameaçador, situações comuns do dia a dia ou sintomas corporais (ex. “sinto o meu coração a bater fortemente, logo é porque ele está a funcionar mal, logo posso morrer de uma destas crises”, “é melhor não sair de casa, porque se me der alguma destas crises posso não conseguir ajuda e alguma coisa grave me pode acontecer”.

2.Ensinar e exercitar o doente a respirar lenta e profundamente, evitando a respiração rápida e superficial típica dos quadros agudos de ansiedade e perpetuadora dos mesmos. Estes exercícios ajudam o doente a perceber que não vai morrer nem enlouquecer, mas que é capaz de lidar com a situação e retomar o controlo.

3.Ajudar o doente a confrontar-se, gradualmente, com as situações que evita. Aprendendo a lidar com os sintomas, o doente vai progressivamente ser capaz de se expor às situações fóbicas, sem entrara em pânico, deixando estas de ter o carácter ameaçador que tinham antes.

Terapia combinada

A combinação do uso dos medicamentos acima apontados com a terapia cognitivo-comportamental permite um tratamento rápido e de grande eficácia. Esta combinação terapêutica é especialmente importante quando existem quadros fóbicos a complicar a perturbação de pânico.

Fonte: www.medicoassistente.com

Fobia

Medo irracional, exagerado e persistente, de algum objeto ou situação. A exposição ao estímulo fóbico invariavelmente gera ansiedade extrema, medo e podem ocorrer ataques de pânico. A maioria dos fóbicos tem a noção de que este medo é exagerado, mas incontrolável. Já as crianças não têm este discernimento.

Existem vários tipos de fobias específicas:

Tipo Animal

Medo de insetos e animais, em geral este tipo de fobia tem início na infância.

Tipo Ambiente Natural

O medo é causado por objetos ou situações do ambiente natural como: tempestades, água, altura. Também têm inicio na infância.

Tipo sangue-injeçãoferimentos

Medo de injeções, sangue, ferimentos ou qualquer outro tipo de tratamento invasivo.

Tipo situacional

Medo por situações específicas, como: avião, pontes, túneis, locais fechados. Este subtipo é aparentemente similar ao ataque de pânico com agorafobia.

SINTOMAS

Medo excessivo descontrole e sintomas de ansiedade: taquicardia, sudorese, medo paralisante, sensação de que vai desmaiar, angústia, aversão, pânico, entre outros.

TRATAMENTO

Uso temporário de medicamentos para diminuir os sintomas de ansiedade e psicoterapia.

FOBIA SOCIAL

Nada mais é que a timidez patológica. Aquela pessoa tão tímida e insegura que chega a interferir na vida pessoal.

Geralmente são excelentes, mas na hora de se expressar entram em pânico, sentindo constrangimento social e se forçada a enfrentar a situação os sintomas da crise de ansiedade só aumentam. Sob tensão ocorrem os sintomas fisiológicos do medo, taquicardia, respiração acelerada opressão no peito, tremor nas extremidades, sudorese, boca seca. Paralelamente começam também os sintomas psicológicos: dificuldade de raciocínio, complexo de inferioridade, medo de ser avaliado e observado.

Qualquer pessoa normal fica tensa antes de um evento onde ficará exposta. Seja num evento social, uma apresentação, ou evento profissional. Por exemplo, tanto um ator, um palestrante ou uma pessoa que será apresentada a alguém do sexo oposto, sentem um friozinho na barriga e às vezes até medo, mas passado algum tempo, ela estabiliza a ansiedade e dá continuidade sem grandes dramas. Já o portador de fobia social, não se sente confortável em nenhum momento, aliás, a tensão e os sintomas da crise de ansiedade só aumentam, deixando a pessoa mais nervosa, constrangida e confusa, muitas vezes tendo uma crise de pânico e fugindo sem dar satisfação. Às vezes a fobia social é interpretada como extrema timidez e a pessoa passa a evitar qualquer tipo de constrangimento social... Interferindo radicalmente na sua vida.

Existem vários exemplos de pessoas que não aceitaram uma promoção, porque teria que fazer apresentações em empresas ou se reportar diretamente ao chefe. Estudantes que abandonam a faculdade por ter que apresentar o trabalho de conclusão. Outros que não conseguem se relacionar com o sexo oposto por timidez e acabam solteiros, sozinhos.

SINTOMAS

Desconforto exagerado e excesso de ansiedade quando está sob olhar de uma ou mais pessoas, situações sociais ou de desempenho. Há sintomas físicos como taquicardia, sudorese, boca seca, sensação de que vai desmaiar, pânico, confusão mental, gagueira, sudorese entre ouros. A fobia Social é um transtorno incapacitante se não tratado.

CAUSAS

Medo da exposição, critica, rejeição e depreciação. Este medo acaba tomando conta da pessoa, dificultando que ela mostre o seu desempenho

TRATAMENTO

Existem alguns medicamentos que amenizam os sintomas de ansiedade e deve ser tomado e ajustado de acordo com o paciente, juntamente com a terapia comportamental cognitiva.

Fonte: www.espacovidaclinica.com.br

Fobia

Fobia socialé um transtorno que se caracteriza pelo medo excessivo de ser o centro da atenção de outras pessoas. O portador considera-se inadequado e daí o temor intenso de submeter-se a situações sociais e levar uma bronca em público, fazer algo ridículo ou passar por qualquer outra situação humilhante.

Com o que não deve ser confundida

Não devemos confundir fobia social com a timidez, medo e ansiedade normais, que qualquer um de nós pode sentir em situações novas ou inusitadas. A ansiedade presente nesses momentos é comum e até certo ponto esperada, embora possa variar em intensidade de indivíduo para indivíduo.

Algum grau de ansiedade e timidez são considerados normais desde que:

Apesar da ansiedade o indivíduo consiga manter o controle das situações;

Ansiedade e timidez não sejam tão intensos que levem a pessoa a evitar situações sociais, acarretando prejuízos significativos nos relacionamentos afetivos e/ou profissionais;

O medo não seja grande o bastante para fazer com que o indivíduo abra mão de projetos de vida importantes, causando perdas nos âmbitos pessoais, profissionais e/ou acadêmicos;

A ansiedade não esteja associada a doenças ou outros transtornos.

Fobia Social e Pânico são a mesma coisa?

Não. Embora ambos os transtornos causem prejuízos na vida social do paciente existem duas diferenças importantes:

o No transtorno do pânico os pacientes podem passar mal sem motivo, em qualquer lugar (ataque de pânico), enquanto que os pacientes com fobia social sentem-se mal só nas situações que já descrevemos anteriormente.

o Os pacientes com pânico geralmente tem medo de lugares onde a saída seja difícil onde acreditam não podem ser socorridos, lugares cheios de gente onde possam passar mal, etc. Isso não ocorre com pacientes que sofrem de fobia social, para os quais a maior preocupação é ser o foco da atenção das pessoas.

Sintomas

O medo exagerado faz com que o portador desse transtorno evite a maior parte das situações que exijam exposição social, ainda que tenha consciência que essa postura pode prejudicar sua vida em diversos aspectos.

O fóbico social evita:

Quando não consegue evitar essas situações o portador de fobia social sofre desconforto intenso, sendo comuns sintomas como:

Esses sintomas também podem ocorrer no período que antecede as situações de exposição social, caracterizando o que chamamos de ansiedade antecipatória ou mais coloquialmente medo do medo.

Citaremos abaixo alguns exemplos para ilustrar o prejuízo que esses sintomas podem causar ao indivíduo que sofre de fobia social:

Exemplos Ilustrativos

Exemplo 1

Jovem abandonou a faculdade por não ser capaz de apresentar seus trabalhos para os colegas de classe, nunca ter coragem de fazer perguntas na frente dos colegas e apresentar sintomas físicos de ansiedade se lhe faziam perguntas em público. Quando soube que teria que apresentar um trabalho para os colegas, passou a sentir-se ansioso diariamente e essa ansiedade foi aumentando progressivamente até o dia da apresentação, quando não conseguiu ir a aula por medo de tremer, passar mal, ter "um branco", gaguejar e até de se urinar na frente dos colegas. Desde criança sentia-se mal quando tinha que falar com estranhos.

Exemplo 2

Homem de 25 anos tornou-se alcoólatra porque desde os quinze anos só conseguia sair de casa após beber. Até começar a beber, sair de casa para desempenhar qualquer tarefa que não envolvesse contato humano era tranquilo, porém sempre sentiu sintomas físicos de ansiedade quando tinha que falar com estranhos. Descobriu que esses sintomas quase desapareciam após algumas doses de bebida alcoólica. Nunca teve namoradas. Por vergonha dos professores e colegas abandonou a escola sem concluir o primeiro grau e não empregou-se adequadamente porque nunca conseguiu fazer entrevistas estando sóbrio.

Tratamento

O primeiro passo do tratamento é convencer o paciente de que a fobia social é uma doença e por isso pode e deve ser tratada, o que em geral, não é difícil, pois o sofrimento significativo torna esses pacientes receptivos a possibilidade de ajuda. O tratamento é longo e envolve o uso de medicação e psicoterapia. A medicação auxilia na diminuição da ansiedade e a terapia é fundamental para ajudar o paciente a se expor e treinar o paciente no enfrentamento das situações temidas.

Fonte: www.portaldomarketing.com.br

Fobia

Medo é um sentimento universal e muito antigo. Pode ser definido como uma sensação de que você corre perigo, de que algo de muito ruim está para acontecer, em geral acompanhado de sintomas físicos que incomodam bastante. Quando esse medo é desproporcional à ameaça, por definição irracional, com fortíssimos sinais de perigo, e também seguido de evitação das situações causadoras de medo, é chamado de fobia. A fobia na verdade é uma crise de pânico desencadeada em situações específicas. Existem três tipos básicos de fobias, que são:

A agorafobia (literalmente, medo da ágora, as praças de mercado - o nome é muito antigo) que é o medo generalizado de lugares ou situações aonde possa ser difícil ou embaraçoso escapar ou então aonde o auxílio pode não estar disponível. Isso inclui estar fora de casa desacompanhado, no meio de multidões ou preso numa fila, ou ainda viajar desacompanhado

A fobia social, quando a pessoa tem um medo acentuado e persistente de "passar vergonha" na frente de outros, muitas vezes por temor de que as outras pessoas percebam seus sinais de ansiedade. Ela pode ser específica para uma situação (por exemplo assinar cheques ou escrever na frente dos outros) ou generalizada (por exemplo participar de pequenos grupos, iniciar ou manter conversação, ter encontros românticos, falar com figuras de autoridade, etc.)

E as fobias específicas, quando o medo acentuado e persistente é na presença (ou simples antecipação) de coisas como voar, tomar injeção, ver sangue, altura. Ou ainda o medo específico de elevador, dirigir ou permanecer em locais fechados como túneis ou congestionamentos.

Origem

Seis em cada dez pessoas com fobias conseguem se lembrar da primeira vez que a crise de medo aconteceu pela primeira vez, quando as sensações de pânico ficaram ligadas ao local ou situação em que a crise ocorreu. Para essas pessoas, há uma ligação muito clara entre o objeto e a sensação de medo. Por exemplo, uma pessoa tem uma crise de pânico ao dirigir, e a partir desse dia passa a evitar dirigir desacompanhada, com temor de passar mal e não ter ninguém por perto para auxiliá-la. E talvez esse temor se expanda para um local aonde a saída seja difícil em caso de "passar mal", como cinemas e teatros. Surgiu assim uma agorafobia, um medo generalizado a "passar mal" e não ter como escapar ou receber auxílio.

Uma outra pessoa, por exemplo, pode ter tido uma experiência traumática de um acidente de carro, e a partir desse dia não querer mais andar de carro, desenvolvendo uma fobia específica a carros.
Perceba que o medo de andar de carros é igual, mas a origem, e na verdade o próprio medo, são fundamentalmente diferentes. No primeiro caso, o que se evita é ficar numa situação em que o socorro possa ser complicado, e no segundo caso, o que se evita é o carro em si mesmo.

Mas por qual motivo uma pessoa desenvolve uma fobia? E ainda, por quais razões algumas fobias são mais comuns que outras? Vários neurocientistas acreditam que fatores biológicos estejam francamente ligados. Por exemplo, encontrou-se um aumento do fluxo sanguíneo e maior metabolismo no lado direito do cérebro em pacientes fóbicos. E já foi constatado casos de gêmeos idênticos educados separadamente que desenvolveram um mesmo tipo de fobia, apesar de viverem e serem educados em locais diferentes.

Também parece que humanos nascem preparados biologicamente para adquirir medo de certos animais e situações, como ratos, animais peçonhentos ou de aparência asquerosa (como sapos, lesmas ou baratas). Numa experiência clássica, Martin Seligman associava um estímulo aversivo (um pequeno choque) a certas imagens. Dois ou quatro choques eram suficientes para criar uma fobia a figuras de aranha ou cobra, e muitas mais exposições eram necessárias para uma figura de flor, por exemplo.

A provável explicação é que esses temores foram importantes para a sobrevivência da espécie humana há milênios, e ao que parece trazemos essa informação muitas vezes adormecida mas que pode ser despertada a qualquer momento.

Outra razão para o desenvolvimento das fobias pode ser o fato de que associamos perigo a coisas ou situações que não podemos prever ou controlar, como um raio numa tempestade ou o ataque de um animal. Nesse sentido, pacientes com quadro clínico de transtorno de pânico acabam desenvolvendo fobia a suas próprias crises, e em consequência evitando lugares ou situações que possam se sentir embaraçados ou que não possam contar com ajuda imediata. E por fim, há clara influência social. Por exemplo, um tipo de fobia chamada taijin kyofusho é comum apenas no Japão. Ao contrário da fobia social (em que o paciente sente medo de ser ele mesmo humilhado ou desconsiderado em situação social) tão comum no ocidente, o taijin kyofusho é o medo de ofender as outras pessoas por excesso de modéstia e consideração. O paciente tem medo que seu comportamento social ou um defeito físico imaginário possa ofender ou constranger as outras pessoas. Como se percebe, esse tipo de fobia é bem pouco encontrado em nosso meio... O que há em comum em todas as fobias é o fato de que o cérebro faz poderosos links em situações de grande emoção.

Para entender o que se passa, é interessante lembrar de uma situação universal: você provavelmente, em algum tempo de sua vida, estava com outra pessoa, numa situação bastante agradável, e ao fundo tocava uma música. Agora, quando você ouve a música, lembra da situação. E se parar para pensar bem, não apenas lembra da situação, mas talvez sinta as mesmas sensações agradáveis.

Para o cérebro, o fenômeno é o mesmo. Fortes emoções em geral ficam ligadas ao que acontece em volta. Em geral as fobias ocorrem quando a crise de pânico é desencadeada em situações que já são potencialmente perigosas.
Por exemplo: nenhum animal (e nós somos animais, lembra-se?) gosta de ficar acuado ou perto de algum outro animal que possa lhe trazer riscos.

Estar preso no trânsito, num elevador, num shopping é, para quem sofre de certos tipos de fobia, uma situação de "ficar acuado", sem saída. Por isso, muitos pacientes com pânico acabam desenvolvendo fobias a lugares fechados.

Fobias e Pânico

Já que as fobias são um "pânico com objeto", ou seja, são crises de pânico que somente acontecem em situações ou lugares específicos, é importante entender como uma crise de pânico é formada.

Para isso, é interessante comparar sua cabeça com um carro que possui um alarme contra ladrões, desses que basta você encostar na carroceria para ele disparar.

Esse sistema de alarme é o cérebro antigo, em especial o sistema límbico, com suas reações de luta ou fuga. Esse alarme tem que tocar em situações de perigo real. No entanto, para certas pessoas, esse sinal de perigo é desencadeado sem nenhuma razão aparente, como você talvez já tenha visto em estacionamentos, quando um alarme de carro dispara sem que nada tenha acontecido. Essa situação é conhecida como ataque de pânico. Para outras pessoas, esse alarme é disparado em situações indevidas, como por exemplo em elevadores, lugares fechados, ou no trânsito. Essa situação é conhecida como fobia.

A síndrome do pânico é uma mistura dessas duas situações. Numa primeira fase, quem tem o transtorno (= síndrome) do pânico, tem ataques sem motivo algum. E numa segunda fase, passa a ter os mesmos sintomas nas situações ou lugares em que já teve os ataques. Assim, se a pessoa tem um ataque dentro de um carro, passa a evitar dirigir sozinha, ou não dirige mais. Se foi num lugar fechado, passa a não entrar em bancos, shopping centers, cinemas, teatros. Ou se entra, procura ficar bem próximo da saída... E para muitos, o simples fato de pensar, lembrar ou ver uma imagem da situação já é o bastante para desencadear a crise.

Sintomas

Quem sofre de fobia, ao se deparar (ou às vezes simplesmente imaginar...) com as situações que desencadeiam suas crises, sentem um enorme medo, em geral acompanhados de pelo menos quatro dos seguintes sintomas:

Falta de ar
Palpitações
Dor ou desconforto no peito
Sensação de sufocamento ou afogamento
Tontura ou vertigem
Sensação de falta de realidade
Formigamento
Ondas de calor ou de frio
Sudorese
Sensação de desmaio, tremores ou sacudidelas
Medo de morrer ou de enlouquecer ou de perder o controle

O que diferencia em grande parte alguém que tenha fobia de uma pessoa que tenha simples medo, é que pessoas com fobia passam a evitar a qualquer custo as situações que desencadeiam as crises, alterando sua rotina de vida.

Pacientes fóbicos com frequência têm suas vidas complicadas por dois fatores. O primeiro é que em geral não confiam na sua capacidade de enfrentar os sintomas, temendo qualquer lugar aonde não possa contar com ajuda. E o segundo é que costumam super valorizar os sintomas, achando literalmente que vão morrer, que vão ter um ataque do coração, um derrame, ou que possuem alguma doença grave e misteriosa.

A maior consequência da primeira complicação (a falta de confiança nos próprios recursos) é um isolamento progressivo, um empobrecimento de vida que impede a maioria das ações do dia-a-dia.

E a maior consequência da segunda complicação (a catastrofização dos sintomas) é uma eterna busca por cuidados médicos ao mesmo tempo em que pequenos sinais do corpo já são interpretados como indícios de que a crise está vindo, de que a morte pode chegar a qualquer momento.

O ciclo vicioso das fobiass

Quem sofre de fobia tem suas crises de pânico desencadeadas por alguma situação específica (as fobias) no cérebro antigo.

Quando começa a sentir as sensações de luta ou fuga (o alarme de emergência), imediatamente é inundado por imagens de catástrofe.

Essa interpretação dos sintomas como sendo uma catástrofe é recebida pelo cérebro antigo novamente, aumentando os sintomas a níveis estratosféricos. Ao mesmo tempo, sua respiração fica bastante alterada, o que muda a química do sangue de maneira significativa. Essa mudança na química do sangue, por si só, aumenta ou desencadeia novas crises.

Aí então os sintomas são muito assustadores. Como os sintomas são muito desagradáveis, isso acaba por confirmar na cabeça da pessoa que realmente os sintomas iniciais indicavam um grande problema. Em outras palavras, os sintomas asseguram na imaginação da pessoa que ela realmente corria perigo. Essa situação é percebida pelo cérebro antigo, que tenta ajudar da única maneira que consegue: desencadeando novas reações de luta ou fuga, novas crises de pânico. E assim o ciclo vicioso se fechou...

Cyro Masci

Fonte: www.cerebromente.org.br

Fobia

Introdução

Fobia é o medo persistente, excessivo e irreal de um objeto, pessoa, animal, atividade ou situação. É um tipo de distúrbio de ansiedade. Uma pessoa com fobia ou tenta evitar a coisa que ativa o medo, ou suporta isto com grande ansiedade e angústia.

Algumas fobias são muito específicas e limitadas. Por exemplo, uma pessoa pode ter medo só de aranhas (aracnofobia) ou de gatos (galeofobia). Neste caso, a pessoa vive relativamente livre de ansiedade evitando a coisa que ela teme. Algumas fobias causam dificuldade em uma variedade mais ampla de lugares ou situações. Por exemplo, os sintomas de acrofobia (medo de alturas) podem ser ativados bastando a pessoa olhar para fora da janela de um edifício comercial ou dirigir sobre uma ponte alta. O medo de espaços limitados (claustrofobia) pode ser ativado ao usar o elevador ou um sanitário público pequeno. Pessoas com estas fobias podem precisar alterar suas vidas drasticamente. Em casos extremos, a fobia pode ditar a profissão da pessoa, seu local de trabalho, seu roteiro ao dirigir, suas atividades recreativas e sociais, ou o ambiente de sua casa.

Há três tipos principais de fobia:

Fobia Específica (fobia simples)

É a forma mais comum de fobia. Neste tipo, as pessoas podem temer certos animais (como cachorros, gatos, aranhas ou cobras), pessoas (palhaços, dentistas, os médicos), ambientes (lugares escuros, tempestades, lugares altos) ou situações (viajar de avião ou de trem, por estarem em um espaço limitado). Embora a causa das fobias específicas permaneça um mistério, estas condições são pelo menos em parte genéticas (herdadas), e parecem ocorrer em outros membros de uma família.

Fobia Social (desordem de ansiedade social)

Neste tipo as pessoas têm medo de situações sociais onde elas possam ser humilhadas, envergonhadas ou julgadas pelos outros. Elas ficam particularmente ansiosas quando pessoas pouco conhecidas estiverem envolvidas nesta situação. O medo pode ser limitado ao desempenho, como dar uma conferência, concerto ou apresentação empresarial. Ou pode ser mais generalizado, de forma que a pessoa fóbica evita muitas situações sociais, como comer em público ou usar um sanitário público. A Fobia Social aparece em outros membros de uma mesma família. Pessoas que foram tímidas ou solitárias na infância, ou que têm uma história de experiências sociais infelizes ou negativas na infância, parecem ter propensão de desenvolver esta desordem.

Agorafobia

A agorafobia é um medo de estar em lugares públicos onde seria difícil ou embaraçoso sair subitamente. Uma pessoa com agorafobia pode evitar ir a um filme ou a um concerto, ou viajar em um ônibus ou trem. Em muitos casos, ela também tem repetidos e inesperados ataques de pânico (medo intenso e uma variedade de sintomas físicos incômodos como tremer, ter palpitações, ter sudorese intensa e rubor facial).

As fobias da infância geralmente acontecem entre as idades de 5 e 9 anos, e tende a ser de curto prazo. A maioria das fobias começa depois de adulto, especialmente em pessoas acima dos vinte anos de idade. As fobias no adulto tendem a durar muitos anos, e são menos prováveis de curarem sozinhas. Sem tratamento específico, a fobia pode aumentar o risco de outros tipos de doença psiquiátrica na vida adulta, especialmente outras desordens de ansiedade, depressão e uso de drogas.

Quadro Clínico

Os sintomas de fobia incluem:

Sentimentos excessivos, irracionais e persistentes de medo ou ansiedade que são ativados por um objeto, uma atividade ou uma situação em particular - Os sentimentos ou são irracionais ou fora de proporção para qualquer ameaça atual. Por exemplo, qualquer um pode ter medo de ser ameaçado por um cachorro não contido, mas não é razoável correr de um animal calmo, quieto em uma coleira.

Sintomas físicos relacionados à ansiedade

Estes sintomas podem incluir tremores, palpitações, sudorese, falta de ar, vertigem, náuseas ou outros sintomas que refletem uma resposta ao perigo do tipo “corra ou lute”.

Evitação do objeto, atividade ou situação que ativam a fobia

Como as pessoas que têm fobia reconhecem que seus medos são irracionais, elas frequentemente se sentem envergonhadas ou embaraçadas sobre seus sintomas. Para prevenir os sintomas de ansiedade ou de embaraço, elas evitam os fatores desencadeantes da fobia.

Diagnóstico

Além das perguntas rotineiras, o médico ou psicólogo irá perguntar acerca dos sintomas atuais, e da história familiar, particularmente se outros membros da família já tiveram algum tipo de fobia. Ele também perguntará sobre qualquer experiência ou trauma que possam ter provocado a fobia - por exemplo, um ataque por cachorro que levou ao medo de cachorros. Não necessariamente a fobia tem como alvo o objeto ou situação que levou ao trauma no passado

A pessoa pode achar útil discutir como ela reage - seus pensamentos, sentimentos e sintomas físicos - quando ela é confrontada com a coisa que ela tem medo. Além disso, ela deve descrever o que ela faz para evitar situações de medo, e como a fobia afeta sua vida diária, incluindo seu trabalho e suas relações pessoais.

O médico / psicólogo irá perguntar sobre depressão e o uso de substâncias (drogas ou medicamentos), porque muitas pessoas com fobias têm estes problemas também.

Prevenção

Não há nenhum modo de se impedir o aparecimento de uma fobia. Porém, se a pessoa já tiver uma fobia ou qualquer outra desordem de ansiedade, ela pode reduzir seu nível de ansiedade evitando estimulantes como a cafeína (presente no café, chá e refrigerantes), chocolate e nicotina (presente no cigarro).

Tratamento

O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia e medicamentos:

Fobia Específica

A terapia cognitiva comportamental pode ajudar, especialmente a chamada terapia de dessensibilização ou terapia de exposição. Esta técnica envolve aumentar a exposição gradual da pessoa às coisas que provocam medo, sob circunstâncias controladas. Como a pessoa é exposta ao objeto, ela é ensinada a dominar seu medo por relaxamento, controle da respiração ou outras estratégias para reduzir a ansiedade. Para o tratamento a curto prazo das fobias, o médico pode prescrever um medicamento ansiolítico, como o Lorazepan (Lorazefast®). Se a fobia só é confrontada ocasionalmente, como o medo de voar, o tratamento pode ser limitado ao uso de medicamentos.

Fobia Social

Se a fobia social concentra-se em um desempenho em particular (por exemplo, dar uma conferência ou tocar em um concerto), o médico pode prescrever um medicamento chamado beta bloqueador como o propranolol (Inderal®). Este medicamento só pode ser tomado antes do evento estressante. Ele ameniza os efeitos físicos da ansiedade (batimento do coração ou tremor dos dedos), mas normalmente não afeta a eficácia mental necessária para falar ou a destreza física necessária para tocar um instrumento. Para formas de fobia social mais generalizadas ou a longo prazo, o médico pode prescrever um antidepressivo, normalmente um ISRS (Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina) como a Sertralina (Zoloft®), Paroxetina (Cebrilin ®) ou Fluoxetina (Prozac®). Se um ISRS não for efetivo, o médico pode prescrever um antidepressivo alternativo ou um medicamento ansiolítico. A terapia cognitiva comportamental também funciona bem para muitas pessoas com fobia social.

Agorafobia

O tratamento para esta desordem é semelhante ao tratamento para a desordem do pânico. O tratamento medicamentoso inclui medicamentos ansiolíticos, como o Clonazepam (Rivotril®), Diazepan (Valium®) e Lorazepan (Lorazefast®); antidepressivos ISRS ou antidepressivos mais antigos, como a Clomipramina (Anafranil®) e a Imipramina (Tofranil®). A psicoterapia também é um tratamento útil, particularmente a cognitiva comportamental.

Qual médico procurar?

Marque uma consulta com um psicólogo ou psiquiatra o mais cedo possível se você está preocupado com seus medos ou ansiedades que estão perturbando sua paz interior, interferindo com suas relações pessoais, ou lhe impedindo de viver normalmente em casa, na escola ou no trabalho.

Prognóstico

A perspectiva é muito boa para pessoas com fobia específica ou fobia social. Aproximadamente 75% das pessoas com fobias específicas superam seus medos com terapia cognitiva comportamental, enquanto 80% têm alívio da fobia social com medicamentos, terapia cognitiva comportamental ou uma combinação de ambos.

Quando a agorafobia ocorre com a desordem de pânico, o prognóstico também é bom. Com o tratamento apropriado, 30 a 40% dos pacientes ficam livres de seus sintomas por um período prolongado, enquanto outros 50% continuam a experimentar só sintomas leves que não afetam a vida diária significativamente. Só 10 a 20% dos pacientes não melhoram.

Fonte: www.policlin.com.br

Fobia

O que é ?

Afobia socialé a intensa ansiedade gerada quando o paciente é submetido à avaliação de outras pessoas. Essa ansiedade ainda que generalizada não se estende a todas as funções que uma pessoa possa desempenhar. Na maioria das vezes concentra-se sob tarefas ou circunstâncias bem definidas. É natural sentir-se acanhado quando se é observado: esse desconforto até certo ponto é normal e aceitável, muitas vezes vantajoso. Passamos a considerar esta vergonha ou timidez como patológicas a partir do momento em que a pessoa sofre algum prejuízo pessoal por causa dela, como deixar de concluir um curso ou uma faculdade por causa de um exame final que exige uma apresentação pública ou diante de um avaliador(es).

Diagnóstico

Para fazer o diagnóstico é necessário que a pessoa com fobia social apresente uma forte sensação de ansiedade ou desconforto sempre que exposta a determinadas circunstâncias. A ocorrência eventual para as mesmas situações como, por exemplo, escrever sendo observado exclui o diagnóstico de fobia social.O fóbico social sente-se muito incomodado todas as vezes que alguém o observa escrevendo. A intensidade desta reação de ansiedade é desproporcional ao nervosismo que esta situação exigiria das pessoas em geral, e isso é reconhecido pelo paciente. No momento em que a pessoa é exposta a situação fóbica, a crise de ansiedade é de tal forma intensa que parece uma crise de pânico. Por causa de todo o desconforto envolvido nessa situação a pessoa passa a apresentar um comportamento de evitação para estas situações. Casos específicos devem ser analisados individualmente, como, por exemplo, uma pessoa que tenha uma doença que deixe suas mãos com aspecto desagradável, poderá sentir-se mal ao ser observada quando assina um cheque, não por causa de uma possível fobia social, mas por causa do temor em que sua doença cause repulso em quem o observa.

Caracterísiticas Associadas

Os limites entre a timidez normal e a patológica são muito tênues para quem não é especialista no assunto. Mesmo para o próprio paciente com fobia social não é fácil acreditar que sofra de um transtorno psiquiátrico. Somente a difusão popular do quadro típico da fobia social na sociedade é capaz de levar os pacientes com fobia social ao psiquiatra, o que de fato vem acontecendo cada vez mais.

O uso de bebida alcoólica é frequente e um bom indicativo de que o paciente pode responder bem à medicação. Há o perigo do desenvolvimento de alcoolismo, o que pode ser revertido com o tratamento adequado da fobia social. O alcoolismo surge mais como uma tentativa equivocada de automedicação.

Nas relações conjugais observa-se que quando o tratamento é iniciado após o casamento, podem surgir conflitos conjugais. Isso acontece porque o cônjuge saudável estava acostumado à dominação e o fóbico à submissão Quando o tratamento permite que a submissão se desfaça surgem naturalmente os conflitos, que podem ser superados com a cooperação e compreensão do cônjuge saudável. Pode ser necessária a complementação do tratamento da fobia social com uma psicoterapia de casais para superar essa fase.

Por fim um acontecimento comum principalmente no tratamento medicamentoso, que proporciona uma supressão mais rápida dos sintomas, é o surgimento de um comportamento hostil nos primeiros meses de tratamento, por parte do paciente. Isto se dá provavelmente devido a uma auto-afirmação que o paciente passa a adotar. Antes do tratamento, como todo fóbico social, os pacientes se submetiam a coisas com as quais não concordavam, mas o faziam por não resistirem à pressão. Com o tratamento o paciente aprende a dizer não, inicialmente com certa dose de agressividade, depois mais amadurecidamente. Geralmente este comportamento faz a família crer que o parente em tratamento piorou e se queixa ao médico disto. Estas brigas, agressões e hostilidades incomuns numa pessoa antes tão dócil são um sinal de eficácia do tratamento e essa fase de litígios é transitória não se recomendando a interrupção do tratamento por causa dela. Após três ou quatro meses o comportamento volta ao normal sem que o paciente volte a ficar fóbico novamente. Caso as brigas se prolonguem demais será necessária uma nova avaliação feita por psiquiatra.

Sintomas

Não há sintomas típicos de fobia social; como qualquer transtorno de ansiedade os sintomas são aqueles típicos de qualquer manifestação de ansiedade. O que caracteriza a fobia social particularmente é o desencadeamento dos sintomas sempre que a pessoa é submetida à observação externa enquanto executa uma atividade. Observa-se dentre os fóbicos tremores, sudorese, sensação de bolo na garganta, dificuldade para falar, mal estar abdominal, diarréia, tonteiras, falta de ar, vontade de sair do local onde se encontra o quanto antes. A preocupação por antecipação com as situações onde estará sob apreciação alheia, desperta a ansiedade antecipatória, fazendo com que o paciente fique vários dias antes de uma apresentação sofrendo ao imaginar-se na situação.

Escrever ou assinar em público
Falar em público
Dirigir, estacionar um carro enquanto é observado
Cantar ou tocar um instrumento musical
Comer ou beber
Ser fotografado ou filmado
Usar mictórios públicos (mais para homens)

Os pacientes com fobia social geralmente não conseguem dizer não a um vendedor insistente, compram um produto de que não precisam, só para se verem livres daquele vendedor, mas também nunca mais voltam àquele lugar. Os namoros muitas vezes são aceitos por conveniência e não por desejo verdadeiro. Os fóbicos sociais frequentemente têm uma auto-estima baixa e julgam que devem aceitar a primeira pessoa que surge porque acham que não despertarão os interesses em mais ninguém.

Grupo de Risco

As pessoas mais afetadas pela fobia social são os homens, ao contrário da maioria dos transtornos de ansiedade que predominam sobre as mulheres. O início é indefinido, por ser muito gradual, impossibilitando os pacientes a identificarem até mesmo um ano em que este problema tenha começado. Na grande maioria das vezes o início é localizado na época em que começaram a se dar conta de que eram mais tímidos do que os outros, ou seja, na infância ou adolescência. Ainda não foram descritos casos na fobia social tendo iniciado após os trinta ou quarenta anos de idade. Isto não significa que não possa surgir nessa época, mas certamente só ocorre raramente. O mais tardar que a fobia social pode começar é no início da idade adulta, em torno de vinte anos; quando o paciente se dá conta percebe que é mais acanhado que a maioria das pessoas sob as mesmas condições.

Tratamento

O tratamento medicamentoso com o clonazepan ou os antidepressivos inibidores da rematação da serotonina está bem claro e definido. Essas medicações permitem uma recuperação entre setenta e noventa por cento. É pouco provável obter uma melhora de cem por cento embora algumas pessoas fiquem bem próximas disso. Talvez as pessoas com mais de cinquenta anos de idade tenham uma certa resistência a melhora com medicação, este fato, contudo, ainda deve ser comprovado. A terapia cognitivo-comportamental vem apresentando bons resultados no tempo de um ou dois anos de duração. Não foi detectada recaída nos primeiros anos após a alta, mas acompanhamentos mais prolongados são necessários para se verificar o tempo que a terapia cognitivo-comportamental permite ao paciente estar livre dos sintomas: se definitivamente ou apenas alguns anos.Pode ser até que permita uma verdadeira cura caso os pacientes fiquem o resto da vida sem precisar de novas intervenções de qualquer natureza. Somente o tempo poderá verificar isso, ou seja, só as futuras gerações saberão desse fato.

Relato de caso

Abaixo está transcrito o relato de uma pessoa que sofreu um embaraço por causa de uma possível fobia social sem tratamento:

"Desde os meus 13 anos (agora tenho 22), percebo que quando alguém, durante uma conversa, me põe em uma situação constrangedora ou de observação, tenho algumas reações incômodas que se agravaram com o passar dos anos. Destas reações, a que mais me incomoda e o fato de eu ficar enruborecido, com as orelhas e o "pegando fogo". Esta reação acaba respondendo por mim acusações nem sempre verídicas. Um dia destes no trabalho, a caneta de estimação do meu chefe desapareceu, quando ele perguntou aos funcionários sobre o paradeiro da mesma, o único que pareceu mentir fui eu, devido às minhas reções de ficar vermelho tentando desviar as atenções sobre mim. Havia ficado claro para todos que eu sabia a resposta, embora eu afirmasse com toda a honestidade que não sabia quem a pegou. No dia seguinte, ele encontrou a caneta em sua própria casa e me perguntou porque eu havia tido aquela reação. Eu simplismente não sabia como explicar.

Centenas de casos como este aconteceram comigo e continuam acontecendo, ora com menor, ora com maior intensidade.

Eu não me considero uma pessoa tímida, a não ser por este motivo. Isto às vezes me causa depressão, nada que interrompa minha rotina. Mas, começo evitar pessoas e ocasiões que possam propiciar tais situações."

Pânico

O que é?

O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são entendidas como intensas, repentinas e inesperadas que provocam nas pessoas, sensação de mal estar físico e mental juntamente a um comportamento de fuga do local onde se encontra, seja indo para um pronto socorro, seja buscando ajuda de quem está próximo.
A reação de pânico é uma reação normal quando existe uma situação que favoreça seu surgimento. Estar num local fechado onde começa um incêndio, estar afogando-se ou em qualquer situação com eminente perigo de morte, a sensação de pânico é normal. O pânico passa a ser identificado como patológico e por isso ganha o título de transtorno do pânico quando essa mesma reação acontece sem motivo, espontaneamente. Nas situações em que a própria vida está ameaçada o organismo toma medidas que normalmente não tomaria, perdendo o medo de pequenos perigos para livrar-se de um perigo maior. Para fugir de uma cobra podemos subir numa árvore mesmo tendo medo de altura ou fazendo esforços incomuns, sofrendo pequenos ferimentos que no momento não são percebidos. O estado de pânico é portanto uma reação normal e vantajosa para a auto-presenvação. Aqueles que fogem mais rapidamente do perigo de morte têm mais chances de sobreviver.

O diagnóstico

O diagnóstico do transtorno do pânico possui critérios bem definidos, não podemos classificar como transtorno do pânico qualquer reação intensa de medo. Assim sendo estão aqui apresentados os critérios usados para fazer este diagnóstico.

a)Existência de vários ataques no período de semanas ou meses.Quando houve apenas um ataque é necessária a presença de significativa preocupação com a possibilidade de sofrer novos ataques ou com as consequências do primeiro ataque. Isto é demonstrado pela preocupação com doenças, intenção de ir ao médico e fazer exames, vontade de informar-se a respeito de manifestações de doenças.

b) Dentre vários sintomas pelo menos quatro dos seguintes devem estar presentes:

1-Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável.
2-Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés).
3-Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo.
4-Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar.
5-Sensação de desmaio iminente.
6-Dor ou desconforto no peito (o que leva muitas pessoas a acharem que estão tendo um ataque cardíaco)
7-Náusea ou desconforto abdominal
8-Tonteiras, instabilidade sensação de estar com a cabeça leve, ou vazia.
9-Despersonalização* ou desrezalização**.
10-Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo.
11-Medo de morrer.
12-Alterações das sensações táteis como sensação de dormências ou formigamento pelo corpo.
13-Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo.

*A despersonalização é uma sensação comum nos estados ansiosos que pode surgir mesmo fora dos ataques de pânico. Caracteriza-se por dar a pessoa uma sensação de não ser ela mesma, como se estivesse saindo de dentro do próprio corpo e observando a si mesmo.

**A desrealização é a sensação de que o mundo ou o ambiente em volta estão diferentes, como se fosse um sonho ou houvesse uma núvem.

Essas duas sensações ocorrem em aproximadamente 70% da população geral não significando como ocorrencia isolada uma manifestação patológica.

c)Há substâncias que podem geral reações de pânico como os estimulantes. Quando o pânico ocorre sob esse efeito não se pode dar este diagnóstico assim como também não pode ser dado em decorrência de outros estados ansiosos anteriores como um ataque de pânico secundário a uma exposição forçada de um fóbico social por exemplo.

Causas

As causas dos ataques de pânico são desconhecidas. Contudo cada um dos pensamentos teóricos vigente possue suas próprias teorias. Observa-se também que os pacientes ao procurarem o psiquiatra pela primeira vez geralmente possuem suas próprias teorias ou explicações para o que está acontecendo consigo. Por enquanto a única recomendação que o médico pode dar aos seus pacientes é de não pensarem a respeito pois como não existem bases comprovadas para se especular a respeito das causas do pânico, qualquer idéia tem muito mais chances de estar errada do que certa. O paciente deve preocupar-se em seguir o tratamento e levar sua vida normalmente ao invés de descobrir as causas de seu transtorno.

Teorias

Neuroanatômica

Baseando no princípio de que o ataque de pânico é uma perturbação do sistema fisiológico que regula as crises normais de medo e ansiedade, cientistas elaboraram hipóteses do fluxo de acontecimentos no cérebro dos pacientes com pânico. Na figura abaixo está indicado que a reação de pânico começa no locus ceruleus (LC) porque sua estimulação produz quase todas as reações fisiológicas e autonômicas do pânico. O LC por outro lado se conecta ao nervo vago que se estende a regiões do tórax e abdômen, podendo explicar a origem do mal estar abdominal, sensação de sufocação e taquicardia tão frequentes nas crises de pânico. A ponte, onde está localiozado o LC, possui amplas conecções com o sistema límbico logo acima e é neste sistema onde se localizam as reações de medo e ansiedade. A ponte é também caracterizada por estar fora da área onde se pode exercer influência voluntária como na córtex, isto poderia explicar a origem inesperada e incontrolável das crises.

Comportamental

Para o modelo comportamental a teoria neuroanatômica é insuficiente. Vários princípios comportamentais estão envolvidos no desenvolvimento do pânico: o condicionamento clássico, o princípio do medo do medo, a teoria da interpretação catastrófica e a sensibilidade a ansiedade. No princípio do condicionamento clássico o paciente desenvolve o medo a partir de um determinado estímulo e sempre que exposto a esse estímulo, a recordação de medo é evocada fazendo com que a pessoa associe a idéia do medo ao local onde se encontra. Por exemplo, ao passar num túnel caso sinta-se mal por qualquer motivo passa a relacionar o túnel ao mal estar e gerando equivocadamente nova reação de ansiedade, que passa a ser reforçada pelo alívio da saído do túnel. Este modelo não pode explicar todas as crises de pânico nem é pretenção do pensamento comportamental explicar tudo a partir de uma só teoria comportamental.

Psicanalítica

A teoria psicanalítica afirma que as crises de pânico se originam do escape de processos mentais inconcientes até então reprimidos. Quando existe no inconsciente um processo como uma idéia, ou um desejo, ou uma emoção com o qual o indivíduo não consegue lidar, as estruturas mentais trabalham de forma a manter esse processo fora da consciência do indivíduo. Contudo quando o processo é muito forte ou quando os mecanismos de defesa enfraquecem, os processos reprimidos podem surgir "desautorizadamente" na consciência do indivíduo pela crise de pânico. A mente nesse caso trabalho no sentido de mascarar a crise de tal forma que o indivíduo continue sem perceber conscientemente o que de fato está acontecendo consigo. Por exemplo o indivíduo tem uma atração física por uma pessoa com quem não pode estabelecer contato, por exemplo a própria irmã. Este desejo então fica reprimido porque a real manifestação dele causaria intensa repulsa, raiva ou nojo de sí próprio. Para que esses sentimentos negativos permanecem longe da consciência a estrutura mental do indivíduo a mantém o desejo reprimido. Caso esse desejo surja apesar do esforço por reprimir, o aparato mental o transforma o desejo noutra imagem, podendo esta ser uma crise de pânico. Uma vez que o equilíbrio mental foi ameaçado o funcionamento mental inconsciente transforma o conteúdo da repressão numa crise de pânico.

Grupos de Risco

Aproximadamente 1,5 a 2% das pessoas é afetada por esse transtorno, o que significa uma prevalência alta, sendo ainda mais alto, de 3 a 4% se os critérios para diagnóstico não forem inteiramente preenchidos, ou melhor, se considerarmos as crises parciais e os quadros de ataques de ansiedade atípicos. As mulheres são mais afetadas do que os homens, sendo aproximadamente o dobro a incidência do transtorno do pânico sobre as mulheres em relação aos homens, a proporção então é de duas mulheres para cada homem. A idade de início concentra-se em torno dos trinta anos, podendo começar durante a infância ou na velhice. A mulher de 30 anos é o grupo sobre o qual observa-se maior incidênciadesse transtorno.

Tempo de Duração

O curso do pânico é imprevisível, tanto pode durar alguns meses como pode durar vários anos. Desde que o pânico começou a ser estudado, há poucas décadas, ainda não foi possível se verificar em que percentagem ele dura a vida toda. Os estudos de longo seguimento chegam a perto de uma década e aproximadamente 10% dos pacientes continua sintomático após esse período, ou seja, continua tendo ataques de pânico quando as medicações são suspensas. É importante notar que o tratamento não cura o pânico, apenas suprime os sintomas e permite o paciente ter uma vida normal, mas a suspenssão do tratamento leva a uma recaída caso não tenha ocorrido uma remissão espontânea do transtorno. Mesmo bem conduzido o tratamento não há nenhuma garantia de cura, ou os sintomas remitem sozinhos ou permanece a necessidade de utilização das medicações. Há relatos de casos de remissão espontânea durante a gestação

Medicações

O tratamento mais recomendado para o bloqueio das crises são os psicofármacos. Os antidepressivos de todos os grupos e os tranquilizantes são eficazes no controle das crises. Atualmente mediante a disponibilidade de vários psicofármacos, dificilmente um paciente não melhora com alguma medicação. Todos os grupos de antidepressivos testados mostraram-se eficazes, os tricíclicos e tetracíclicos, os inibidores da recaptação da serotonina e os inibidores da MAO. Apesar de todos os grupos terem sido testados com sucesso nem todas as medicações de cada grupo foi cientificamente testada, presume-se apenas que sejam eficazes. Assim, também os tranquilizantes benzodiazepínicos foram testados e dependendo da dose, todos obtiveram sucesso. A decisão quanto a escolha da medicação deve obedecer a critérios básicos como outras doenças presentes no paciente, portadores de glaucoma não podem tomar tricíclicos, por exemplo. Interações com outras medicações já em uso, história de reação indesejável a determinadas medicações em escolha, características individuais como os pacientes obesos devem optar preferencialmente pelos inibidores da recaptação da serotonina, os pacientes muito magros por tricíclicos. Pessoas com problemas sexuais devem evitar os inibidores da recaptação da serotonina. Por fim como há entre essas medicações marcante diferença de preços é válido considerar isso como critério de escolha desde que não seja feita em detrimento do bem estar do paciente.

Quanto a estratégia de uso das medicações, é recomendável que os antidepressivos sejam evitados isoladamente no início do tratamento. Como essas medicações só passam a bloquear as crises após duas semanas em média, e provocam uma piora do pânico no começo, é preferível que nesta fase seja dado junto ao antidepressivo, um tranquilizante, que tanto poderá ser suspenso depois, como continuar sozinho em monoterapia. Os tranquilizantes de escolha são os de alta potância, embora os de baixa potência podem ser usados em doses mais elevadas.

Terapias

A terapia cognitivo-comportamental é a única que pode ser indicada para o tratamento do pânico, contudo as medicações são mais rápidas no bloqueio das crises. Há pesquisadores que contestam o uso da terapia cognitivo-comportamental para o transtorno do pânico, indicando apenas para o tratamento da agorafobia.

Consequências do pânico

Frequentemente encontramos entre os paciente com pânico certas reações distintas do próprio pânico mas oriundas dele. A mais comum é a agorafobia que possui uma seção especial a ela dedicada. A ansiedade antecipatória é uma ocorrência comum em outros transtornos de ansiedade, trata-se simplemente da preocupação excessiva que antecede o eventos às vezes por alguns dias. Como o paciente com pânico nunca sabe quando sofrerá nova crise está sempre apreensivo, quando relaciona a crise a determinado local ou situação passa a ter ansiedade referentes a eles. A evitação é o comportamento decorrente da atribuição do local a sua crise, quem tem medo de ter crises em túneis por exemplo dá voltas maiores para evitá-lo. Por fim, a hipocondria é uma manifestação frequente no transtorno do pânico, apesar de encontrarmos poucas referências nos livros a esse respeito, na prática é uma relação bastante comum. Como as crises são fortes e muitas vezes associadas a mal estar cardíaco, os pacientes acreditam que sofrem algum mal cardiológico e por isso são encontrados nos consultório e laboratórios de exames cardíacos, além das emergências gerais quando julgam estarem tendo um ataque cardíaco.

Coração

A ligação entre o pânico e doenças cardíacas é nula conforme diversos estudos mostraram, ou seja, não existem evidências de que os ataques de pânico com forte dores no peito venham a provocar qualquer tipo de doença cardíaca, nem as doenças cardíacas por outro lado podem causar pânico.

O prolapso da válvula mitral é um alteração anatômica cardíaca inócua frequentemente encontrada dentre os pacientes com pânico. Não se sabe ainda se existe alguma ligação genética entre o prolapso e o pânico, não há nenhuma prova de que o pânico leve a formação do prolapso nem o prolapso cause pânico pois, muitas pessoas têm prolapso sem terem pânico. A concomitãncia entre essas duas manifestações médicas é reconhecida e não muda em nada a evolução, o tratamento e a gravidade do pânico, assim como o pânico não agrava o prolapso.

Como a sintomalotogia aparentemente cardíaca é grande no transtorno do pânico, a frequência desses paciente nos consultórios cardiológicos é grande. Muitos pacientes mesmo depois de convencidos de que não têm nada no coração continuam indo às emergências com receio de infarto do miocárdio, isto demonstra o caráter de incontrabilidade do transtorno do pânico como ocorre em todas perturbações mentais.

Problemas gerais que podem se parecer com ataques de pânico

Nenhuma doença mental é letal nem provoca sequelas, mas outras doenças médicas podem, por isso, sempre que há suspeitas da existência de algum problema clínico causando uma manifestação parecida ao pânico, é imprescidível investigar outros problemas médicos.

As doenças mais parecidas aos ataques de pânico são:

1.Hipertireoidismo ou hipotireoidismo
2.Hiperparatireoidismo
3.Feocromocitoma
4.Disfunções vestibulares
5.Convulsões
6.Intoxicação do sistema nervoso central
7.Doenças cardíacas

1.As alterações da tireoide geralmente possuem vários outros sintomas inexistentes no pânico, como alterações significativas do peso, do dinamismo, da pele por exemplo, além de poder ser diagnosticada através da dosagem dos hormônios sanguíneos. As crises do pânico pelas alterações da tireoide podem até ceder com um tratamento, mas isso não melhora o estado para o organismo. O tratamento do pânico pode ser realizado enquanto se procede o devido controle hormonal.

2.O hiperparatireoidismo é menos comum, mas alterações metabólicas podem fazer com o que o paciente tenha fortes perturbações físicas que se exteriorizam como crises de pânico.

3.O feocromocitoma é raro, trata-se do excesso de adrenalina e outras catecolaminas circulantes. Além de crises de pânico o paciente pode sentir tremores, cefaléia, taquicardia, sudorese, ansiedade, ruborização, hipertensão, de forma que é muito parecido aos sintomas do pânico. Através da dosagem das catecolaminas, em 24h este problema pode ser descartado.

4.As disfunções vestibulares são as perturbações do vestíbulo auditivo e o cerebelo. As perturbações vestibulares cursam com tonteiras, enjôos, vômitos e desequilíbrios mas não proporcionam sensação de medo. Apesar disso pode ser confundida com o pânico.

5.Convulsões por serem inesperadas e de curta duração podem se parecer com crises de pânico. As covulsões que cursam com perda dos sentidos e queda podem ser descartadas porque o pânico não provoca isso, somente as crises que não provocam perda de consciência podem ser consideradas como possíveis crises de pânico.

6.O uso de certas substâncias como cocaína ou estimulantes podem levar a crises de pânico típicas, mas não provocam o transtorno do pânico, ou seja, uma vez eliminadas as substâncias psicotrópicas as crises de ansiedade cessam sem deixar esse tipo de sequela.

7.Os problemas cardíacos devem sempre ser descartados. Um paciente com quadro clínico compatível com transtorno do pânico e queixas cardíacas deve ser encaminhado rotineiramente para o atendimento cardiológico. Caso surja algum problema será uma mera coincidência, mas é melhor errar por excesso de zelo do que esperar consequências danosas para o coração. É recomendável que isso seja feito pois muitas medicações que tratam o pânico provocam pequenas alterações no ritmo cardíaco.

Aos parentes

Frequentemente os paciente com pânico sofrem muito duas vezes, a primeira por causa dos ataques e suas consequências e a segundo por causa da incompreensão de que são vítimas. Como médico canso-me de ouvir de meus pacientes que seus filhos, pais, cônjugues criticam-no por causa das crises achando que são frescuras, que está na verdade precisando apanhar...!!!??? É verdade, a primeira coisa que os parentes têm que fazer é compreender, aceitar e apoiar os pacientes. O transtorno do pânico é uma doença como outra qualquer, o paciente não escolheu tê-la, nem pode evitá-la.

Aqui estão algumas recomendações às pessoas que convivem com quem tem pânico:

Nunca diga:

Reaxe, acalme-se...
Você pode lutar contra isso...
Não seja ridícula(o)!
Não seja covarde!
Você tem que ficar (quando o paciente quer sair de onde está)

Recomendações

1.Não faça suposições a respeito do que a pessoa com pânico precisa, pergunte a ela.
2.Seja previsível, evite surpresas
3.Proporcione a quem sofre de pânico a paz necessária para se recuperar.
4.Procure ser otimista para com quem pânico, procure aspectos positivos nos problemas.
5.Não sacrifique sua própria vida pois acabará criando ressentimentos.
6.Não entre em pânico quando o paciente com pânico tiver um ataque.
7.Seja paciente e aceite as dificuldades de quem tem pânico mas não se conforme como se ela(e) for uma inválida(o).

Fonte: www.psicosite.com.br

Fobia

A fobia não é uma doença, mas um sintoma que pode aparecer em várias doenças mentais. Um quadro psicótico, ou depressivo, ou neurótico, podem apresentar, como sintoma, uma fobia. Resumidamente, a fobia é um medo de alguma coisa deslocado para um medo de outra coisa. É uma angústia relativa a uma situação difícil de se lidar. A mente desloca a angústia dessa situação para uma outra que, aparentemente, não tem nada a ver. Por exemplo, tem gente que tem pânico de entrar no elevador. Por quê? Elevador é perigoso? Pode até ser, mas não tem gente morrendo o tempo todo por cair de elevador. O medo de elevador, portanto, não é razoável, não é lógico, não é coerente. Por quê essa pessoa tem esse medo? Não tem nada a ver com o elevador propriamente dito. Têm a ver com o espaço fechado, trancado, e com algum outro medo da história psicológica dessa pessoa, do seu desenvolvimento psíquico, relacionado com se sentir fechado, trancado, isolado, desamparado, sozinho. Este tipo de medo está deslocado para a situação do elevador.

Qualquer fobia é sempre assim: um medo que está inserido na história psíquica dessa pessoa, no desenvolvimento psíquico dela, das angústias que ela passou durante o seu desenvolvimento, que a sua mente não conseguiu elaborar. Esse medo está lá, de prontidão. A pessoa precisa eleger um determinado objeto ou situação para responsabilizar por esse medo.

Qual a diferença entre o medo normal e a fobia?

O medo é uma reação psicológica e fisiológica normal, em resposta a alguma ameaça ou perigo, ou à antecipação dos mesmos. A fobia é um medo excessivo e irracional, desencadeado pela exposição ou antecipação de determinada situação ou objeto. As pessoas com fobias específicas percebem que seu nível de medo é excessivo, mas mesmo assim evitam qualquer exposição ao objeto/situação temido. Essa hesitação leva a ansiedade, e esses dois fatores causam grande impacto na vida da pessoa.

Existe relação entre fobia e trauma?

Existe, em termos leigos, a idéia de que os problemas psicológicos são causados por traumas. Na verdade, não existe bem um trauma, o importante não é pensar numa coisa que aconteceu, mas nas dificuldades que esta pessoa foi tendo no desenvolvimento da sua personalidade para se constituir como sujeito. Essa série de dificuldades é que vão gerar angústias. E são essas angústias que são passadas para uma determinada situação. Então não dá para pensar em um trauma, mas numa sucessão de traumas, de questões ou de problemas.

As fobias "crescem"?

Sabe-se que sim. Existe o caso famoso de Hans, estudado por Freud: a fobia do pequeno Hans. O menino que tinha fobia de cavalo. No início ele tem fobia de cavalos, depois do lugar onde ficam os cavalos, depois a fobia passa para qualquer rua onde talvez possa ser encontrado um cavalo, depois a fobia se estende às carroças carregadas que estão sendo puxadas por cavalos, de tal forma que a fobia vai se estendendo tanto que limita a vida do indivíduo. Chega um ponto em que ele não pode mais sair na rua, não pode mais fazer nada.

Quando é mais comum o surgimento das fobias?

Pode-se dizer que no início da infância é comum o aparecimento de algumas fobias. É muito raro encontrar-se uma criança que não passou por uma fobia ou por um período de fobia na infância. Algum tipo de fobia, como por exemplo, fobia de escuro, é muito comum. Quase todas as crianças têm fobia de escuro. Fobia de raio, trovão, tempestade. É quase normal que uma criança na primeira infância tenha quadros fóbicos, que se resolvem espontaneamente. Na verdade, estas fobias são um jeito que a cabeça da gente arruma para lidar com as angústias, e que a criança está tendo que dar conta. Então, ela tem medo do bicho papão, ou não dorme no escuro de jeito nenhum. São quadros fóbicos quase normais na primeira infância. É que à medida que a criança cresce, deixam de ser significativos, desaparecem e pronto.

Existe prevenção para a fobia?

Não há como prevenir a fobia. O que se pode fazer é criar uma estrutura psicológica mais firme. Uma criança criada com mais segurança, com mais amor, mais afeto, amparo, mais protegida adequadamente, porém não de maneira exagerada. Essa criança tem o seu desenvolvimento psicológico mais adequado, estando menos sujeita às fobias do que uma outra criança com uma série de problemas, encrencas, de pais separados e outras questões... Uma insegurança na constituição psicológica é que vai determinar o aparecimento de fobias.

Uma fobia pode surgir na idade adulta?

A fobia pode aparecer em qualquer momento da vida do indivíduo. Um sintoma que não tinha antes e, de repente, pode aparecer. O mais comum, desse tipo de aparecimento, é a famosa síndrome do pânico, que também é um quadro que apresenta uma série de fobias, podendo aparecer a qualquer hora. De repente a pessoa começa a ter pânicos e medos.

Existe lugar para o tratamento medicamentoso na fobia?

Às vezes, sim, como na síndrome de pânico. Nela, é importante haver o tratamento medicamentoso para controlar as crises. Porém, o tratamento medicamentoso isolado não adianta, porque se deve ajudar a pessoa a desenvolver a capacidade de desassociar seus medos do objeto escolhido. É preciso enriquecer a cabeça da pessoa, para ajudá-la a fazer historinhas, dramatizar mais, para dar conta da angústia. Se você, apenas, tira o sintoma da crise e não ajudar a cabeça a funcionar melhor, com a medicação ela vai acabar desenvolvendo outro tipo de sintoma.

Qual o tempo de tratamento?

O tratamento consiste em tentar restabelecer as conexões perdidas. É um tratamento psicoterápico, de duração indeterminada. Você começa a lidar com a questão e poderá lidar alguns meses ou muitos anos, não tem uma regra. Depende tanto da pessoa, como do terapeuta, acharem que tem sentido continuar lidando ou não.

Qual o maior impacto da fobia na vida da pessoa?

É o impedimento da vida; as pessoas ficam cerceadas, se trancam no quarto, não saem mais de casa. Esse é o grau máximo, o impedimento de vida. É a pessoa que só sai à rua com uma entidade denominada "acompanhante fóbico". São pessoas que só saem na rua acompanhadas, caso contrário, não conseguem sair para lugar nenhum. Esse é um cerceamento relativo, mas existem casos mais graves.

Fonte: boasaude.uol.com.br

Fobia

Fobia significa um medo desproporcional à causa. O Fóbico sabe que o objeto da Fobia não justifica tanto medo mas mesmo assim não consegue evitá-lo.

A Fobia Social (na maioria das vezes vem com timidez, mas nem sempre), que atrapalha muito a vida do Fóbico, se manifesta de muitas formas:

Falar em público.

Numa apresentação, mesmo conhecendo o assunto parece que “dá um branco”.

Participar de entrevistas ou exames orais.

Frequentar lugares sozinho, por exemplo, entrar num restaurante ou Shopping ou cinema desacompanhado ("o que os outros vão pensar ?")

Paquerar, especialmente se estiver emocionalmente envolvido ou interessado.

Tremer ao assinar documentos ou tomar um café se alguém estiver olhando.

Evitar situações que podem provocar sintomas.

Sub aproveitamento profissional, talento desperdiçado. Não recebem tantas promoções, não fazem tantos contatos importantes para sua vida profissional, não impõem suas idéias, não discutem ordens, etc.

Perda dos melhores anos da vida em termos de relacionamentos sociais, sexuais, de companheirismo, viagens, esportes de grupo, etc.

Risco aumentado para abuso de álcool, drogas e depressão

Essas pessoas perdem oportunidades na vida, por causa dos sintomas. Sabem a matéria mas quando o professor pergunta "dá um branco". Estão preparados para uma entrevista mas na hora H se atrapalham e não expõem as idéias de maneira correta.

Algumas pessoas chegam a ter verdadeiros ataques de pânico (taquicardia, sudorese, falta de ar, tremor, fraqueza nas pernas, ondas de frio ou de calor, tontura, sensação de que o ambiente está estranho, que a pessoa “não está lá”, de que vai desmaiar, de que vai ter um infarto, de uma pressão na cabeça, de que vai "ficar louco", de que vai engasgar com alimentos, diarréias, etc).

O tratamento costuma ser simples e rápido e traz muitas mudanças positivas na vida.

Geralmente ele é composto de duas partes:

Medicação, que acaba rapidamente com todos ou quase todos os sintomas, de modo que o paciente pode começar a fazer a Psicoterapia.

Psicoterapia Cognitiva Comportamental, ou Treinamento de Habilidades Sociais, que é diferente das Psicoterapias Analíticas. Toda semana recebo algum paciente que fala "não quero mais fazer terapia, fiz anos de análise e não adiantou nada". Eles tem razão. Psicanálise é boa para muitos problemas mas em Fobia Social não adianta praticamente nada. A TCC é a que funciona.

Nas Psicoterapias Analíticas se pesquisa a origem dos sintomas. Acontece que em Fobia Social não precisa descobrir a origem dos sintomas, pois os Fóbicos quase sempre sabem de onde vêm os sintomas. E também já aprenderam que saber de onde os sintomas vêm não quer dizer que eles não venham.

Em Fobia Social o tratamento psicológico é mais voltado para o presente e futuro e o objetivo é mudar o comportamento fóbico,

Mas você vai dizer "ué, eu tento mudar esse comportamento há anos e nunca consegui”. Nunca conseguiu porque aqueles sintomas físicos impossibilitavam uma série de atividades sociais. Com a medicação, você consegue mudar seus comportamentos sem aquele tormento da taquicardia, sudorese, tremor, etc.

No tratamento da Fobia Social, remédio mais terapia significa que 1 + 1 = 3, porque um tratamento potencializa o outro.

O círculo vicioso “sintomas –> fracassos –> mais sintomas –> mais fracassos ” se transforma num círculo virtuoso “menos sintomas –> sucesso –> menos sintomas ainda –> mais sucesso ainda”.

Seu médico irá também recomendar algumas medidas que ajudam bastante; por exemplo bom condicionamento físico, Yoga, Meditação, menos álcool e cafeína.

A melhor imagem que já vi para descrever Fobia Social é a daqueles presos de antigamente que andavam com uma corrente e uma bola de ferro presa no pé. É difícil ir para a frente assim. Com o tratamento o paciente se livra desse peso e deslancha.

Fonte: www.mentalhelp.com

Fobia

O Medo, a Fobia e o Pânico

O estudo científico destes "sentimentos", aos quais todo ser humano está sujeito, compreende material vastíssimo, inesgotável como fonte de pesquisa, e composto por pontos de vista extremamente variados e muitas vezes antagônicos. Falar sobre este tema constitui, geralmente, tarefa difícil, principalmente se limitada a algumas poucas laudas. Traduzir, então, tal material para uma linguagem que não seja aquela hermética e incompreensível dos gabinetes científicos, sem cair na mesmice ou na deturpação de tais conceitos, dialogando assim com um leitor desconhecido, é tarefa que requer, ao menos, um certo fôlego. Vamos, portanto, caro leitor, tentar assentar os primeiros tijolos desta modesta construção, começando por algo que nos é já há muito conhecido: os sentimentos.

Os sentimentos têm a finalidade de nos auxiliar a classificar, conhecer, perceber as coisas do mundo real. Por exemplo, algumas imagens, cenas e situações (como a chegada de pessoas queridas, ou o reencontro com um importante objeto perdido) despertam o sentimento denominado alegria, indicando-nos assim que algo bom e prazeroso está se passando.

Já a imagem de um animal bravio vindo em nossa direção numa atitude de ataque ou de uma arma de fogo apontada em nossa direção ameaçadoramente desperta outro tipo de sentimento: o medo, que nos informa que a situação requer que tomemos a atitude de ataque ou de fuga. O medo geralmente faz isso. Deixa todo o nosso organismo preparado para uma ação brusca, forte, rápida.

Frequentemente tomamos estes dois elementos imagem (situação) e sentimento como única coisa. Na verdade eles nem sempre estiveram juntos. O ser humano, ao contrário dos animais, tem, a partir do nascimento, a difícil tarefa de aprender aquilo que é bom e o que é perigoso, tem de distinguir entre o agradável e o temível. E assim as imagens, cenas e situações do nosso mundo vão sendo agregadas aos mais diversos sentimentos, e de forma tão firme, aderente e imperceptível que, por um lado, acreditamos que eles sempre estiveram juntos e, por outro, constatamos que não temos a capacidade de retirar voluntariamente o sentimento que está colado àquela situação: por mais que nos esforcemos, não conseguimos deixar de sentir medo de uma situação que signifique um perigo real e imediato.

Os sentimentos muitas vezes caminham de uma imagem para outra, de uma cena, situação (ou representação) para outra que não deveria obrigatoriamente comportar esta qualidade. Por exemplo, uma determinada roupa, que em qualquer outra situação poderia nos parecer feia, deselegante ou kitsch, passa involuntariamente a ser apreciada se alguém extremamente querido está a usar tal vestimenta. De maneira inversa, se alguém que nos causou uma grande dor, um mal, ou nos fez sofrer, possui uma determinada marca e cor de carro, os sentimentos que nutrimos por esta pessoa frequente e imperceptivelmente deslocam-se, escorregam ou deslizam para esta outra, e passamos assim a ser invadidos por tal sentimento quando vemos o veículo com tais características, mesmo que pertencendo e sendo dirigido por outra pessoa.

Se o medo frequentemente aparece adequado à situação a qual ele se adere (por exemplo, medo de cobra venenosa pelo perigo que ela representa), na fobia ele aparece sempre muito aumentado, às vezes injustificado: a fobia é, então, o medo exacerbado, desproporcional e não justificado em relação a um objeto, como, por exemplo, o medo de centopéia, de água, de lugares altos, fechados, abertos (agorafobia), de automóveis, de trânsito, de dirigir etc.

Este tipo de sentimento é comum na infância, quando a criança encontra pela primeira vez dois sentimentos opostos, antagônicos, para uma única pessoa: ela, por exemplo, ama o pai que a protege, que a nutre com alimento e carinho, mas também odeia esta mesma pessoa que impõe regras, horários, limitações aos seus irrefreáveis desejos. Só resta ao pequeno infante tentar eliminar um destes sentimentos "ambivalentes", e a balança pende para os hostis, já que eliminar os sentimentos bons colocaria a criança num estado de desamparo. Um conjunto de operações lógicas se passa nesta relação ambivalente conferindo um destino específico para uma parte do sentimento: o deslocamento.

Odeio papai porque ele me impede de fazer tudo o que eu quero. Se eu o odeio, ele também deve me odiar (projeção dos próprios sentimentos ). Se ele me odeia, estarei desamparado, sem conforto, sem insegurança e sem amparo emocional. Não consigo deixar de odiá-lo, mas temo o resultado deste. Devo eliminar estes sentimentos hostis.

Os objetos do mundo real podem ser facimente eliminados: basta jogar fora ou destruir. Mas, e os sentimentos? Estes são, neste caso, aquele grande depósito da memória chamado "o inconsciente". Nem sempre esta operação de eliminação dos sentimentos hostis é eficiente, o que resulta nas pequenas e passageiras fobias da infância, que nada mais são do que o deslocamento estratégico dos sentimentos da situação original para uma outra remota: o medo presente na situação original (no exemplo acima, medo do pai) desloca-se astuciosamente para outro "objeto" do qual a criança pode se defender estando fisicamente afastada: o objeto fóbico. A criança tem um medo desproporcional e injustificado de, por exemplo, cachorros, minhocas, do guarda etc.

Se a fobia infantil é comum e passageira, ela torna-se problemática na idade adulta, encontrando-se no rol das "falsas soluções neuróticas (fobia, histeria, obsessão)" segundo H. Ey. O mecanismo, entretanto, continua sendo o mesmo: ‘deslocamento’ (o ‘afeto’ caminha de uma representação para outra) e a ‘condensação’ (no objeto do medo estão condensadas várias cadeias associativas, cadeias de pensamentos ligadas à origem da fobia), como lembra Laplanche. A fobia é o resultado de um "resíduo irresolvido" na história dos sujeitos.

Já o sentimento extremamente exacerbado ao qual chamamos pânico - sentimento provocado pela repentina aparição do deus Pã, segundo a mitologia –, apesar de violento e irracional, ainda assim encontra-se frequentemente adequado ao perigo (‘as pessoas entraram em pânico ao perceber fogo no cinema!’, diz um jornal local).

Por outro lado, a chamada ‘síndrome do pânico’ ou o pânico, como sintoma, apresenta o mesmo descompasso da fobia, acompanhado da desaparição do seu objeto, isto é, o sujeito não consegue detectar do que tem medo. Este estado emocional desencadeia uma série de sintomas corporais indicando que um grande perigo invisível se aproxima: o medo paralisante, a transpiração excessiva, taquicardia, "acessos de angústia tão intensos que dão frequentemente ao sujeito a viva impressão de estar morrendo ou enlouquecendo, ainda que lhe pareçam estranhos e inexplicáveis em relação às circunstâncias de sua vida psiquica consciente".

A Síndrome do Pânico, tão frequente na mídia e no discurso das pessoas ("eu tenho Síndrome do Pânico", "minha cunhada sofre de Síndrome do Pânico") não parece ser uma doença nova, atual, e muito menos ter uma origem genética, neuronal, como querem os grandes laboratórios fabricantes dos caros medicamentos e seus tradicionais porta-vozes. Antes, a clínica e o bom senso – assim como pesquisadores de renome – têm se referido a síndrome como a exacerbação aguda de uma fobia não resolvida: a chamada doença do pânico não seria, segundo a psicanálise, mais do que uma já fase aguda de certas modalidades neuróticas largamente estudadas por Freud e seus continuadores. Na verdade, a descrição do transtorno de pânico constitui um novo recorte do quadro clínico descrito por Freud há cem anos, sob o nome de neurose de angústia, integrado, a partir de então, às categorias psiquiátricas.

Seu tratamento não parece ser nem exclusivamente medicamentoso, nem exclusivamente pscicanalítico: o uso temporário de medicamentos criteriosamente recomendados ajuda o paciente a reduzir os drásticos efeitos dos ataques, possibilitando a continuidade e a análise se faz fundamental no resgate da história individual cujo desenlace resultou na fobia ou na Síndrome do Pânico.

Pelo fato de que na Síndrome do Pânico não se conhece o motivo que gera a crise, insiste-se em que não existe causa alguma que a detone. Entretanto, seguindo o modelo da entrevista psicanalítica, numa escuta minuciosa, a partir de associações livres e seguindo os modos de operar do inconsciente, começam a se tomar visíveis certas situações fantasmáticas inconscientes: O analista deverá então empreender aquilo que já foi chamado de ‘arqueologia dos processos psíquicos’, o desenterrar desta cidade soterrada pelo esquecimento que é a memória e encontrar o sentido particular e individual a ela agregado.

A psicanálise é estruturalista na medida em que procura compreender a ‘estrutura’ na qual está inserido um significante, um signo desconhecido: o sintoma do paciente. O analista se pergunta e seu trabalho traz isso ao paciente: o que significa este seu sintoma, este sofrimento, esta fobia ou este pânico, que traz tanto sofrimento? Antes de trazer qualquer resposta pronta vinda de um manual de interpretações – como frequentemente se vê acontecer, sem qualquer resultado terapêutico – no qual "asa significa liberdade", "água, o útero materno" etc., o analista deve ter a paciência e a humildade para permitir que o discurso do seu paciente signifique, identifique, decifre, simbolize, traga para uma verbalização o significado do seu sintoma.

E isto é feito através de um ato estratégico: livre discurso do paciente. Por que se adota esta posição tão anticientífica, anticartesiana, contrária à lógica e ao bom senso, contrária à prática cotidiana, de se falar sobre qualquer coisa, em vez de se falar objetivamente apenas sobre aquilo de que se sofre? Por que o analista não adota intermináveis questionários e perguntas, fazendo uma investigação rigorosa e minuciosa sobre cada detalhe do sintoma?

Justamente porque o sintoma da fobia, do pânico, é o resultado de algo que o paciente ocultou de si mesmo e cuja cadeia de pensamentos está fortemente protegida por uma energia chamada de resistência que impede que este conteúdo venha a emergir na consciência. Estes pensamentos (no caso do exemplo da pequena criança e seu pai, isto equivale aos sentimentos hostis e amorosos, às situações onde ocorreram, àquilo que a criança captou como verdade) estão como que reféns dentro de uma cidade estrangeira: pensamentos que antes pertenciam à consciência, agora encontram-se aprisionados no inconsciente. Esquecidos ou impregnados de sentimentos que frequentemente produzem frases como "eu não quero me lembrar disso", "como é sofrido recordar tais coisas", eles têm como guardião seu próprio dono e criador: o paciente. Para o resgate desses reféns, assim como na vida real, é necessária uma estratégia, uma logística. Jamais caminhar em linha reta em direção a eles, já que, neste como naquele caso, se encontraria todo tipo de resistência. Trata-se de reféns, não de turistas !

Podemos chegar a eles por caminhos colaterais, tortuosos. Como os reféns se comunicam com os futuros libertadores? Através de mensagens cifradas, secretas e codificadas. Então, os pensamentos inconscientes se fazem perceber através das metáforas, atos falhos (‘aquele cachorrinho do qual eu tenho medo, tem uma cinta, quer dizer, uma coleira preta’. Quem tem cinta é um homem e não um cachorrinho), sonhos (sonhei que o cachorrinho mau estava com a camisa do papai).

Através do livre discurso (associação livre), dos atos falhos, esquecimentos, sonhos, o analista pode resgatar e significar o sentido mais profundo do sintoma, fazendo desta forma com que aquele arranjo inicial se dissolva libertando o sujeito do seu sofrimento.

A análise é, por assim dizer, a reconstrução da história individual que, frente a um impasse, foi relegada ao esquecimento, surgindo, em seu lugar, o sintoma, quer sejam a fobia, o pânico, a paralisia histérica ou a obsessão.

Fernando Basile da Silva

Fonte: www.kplus.com.br

Fobia

Ultimamente muito se tem escutado falar sobre Síndrome do Pânico, um dos transtornos de ansiedade. Existem ainda as Fobias e a Agorafobia. Há uma confusão na sociedade leiga sobre a diferença entre esses transtornos da ansiedade.

Vou procurar dar algumas informações sobre a Fobia Social, que é um transtorno de ansiedade específico de determinadas situações, e numa continuação desse artigo, numa próxima edição, informarei sobre Agorafobia e formas de tratamento.

O Pânico sempre se instala quando existe uma ameaça de perda de referencial de identidade por um questionamento súbito e maciço do conceito de identidade. Para evitar a sensação de pânico, o psiquismo lança mão de mecanismos para tamponar, evitar a conscientização deste material. Esses mecanismos são as defesas intrapsíquicas, e uma delas é a defesa fóbica.

O início da fobia social não costuma ser percebido pelo paciente. Lentamente, o fato de ser observado ou de achar que será observado, medo de ser humilhado, considerado ansioso, débil, "maluco", torna extremamente desconfortável executar atividades restritas como escrever, falar, comer, beber em locais públicos, urinar em banheiro público e, muito frequentemente, de assinar cheques à vista de pessoas estranhas.

O medo de falar em público pode ser em virtude da preocupação de que os outros percebam o tremor em suas mãos ou voz, ou por acharem que não sabem se expressar. Ou seja, são situações envolvendo quase todas as circunstâncias sociais fora do ambiente familiar.

Existe a ansiedade que se sente por exemplo, numa reunião de trabalho, numa apresentação no colégio, numa festa, essa é comum. Mas se a ansiedade impede o desempenho em determinadas atividades, ela deixa de ser adequada. A defesa fóbica é diferente do medo, a defesa é uma fuga de algo projetado.

A pessoa que sofre de fobia social reconhece que é exagerada sua ansiedade mas não consegue controlá-la. É uma ansiedade desencadeada por situações claramente determinadas que não apresentam um perigo real. Situações evitadas ou suportadas com muito receio, onde as preocupações do sujeito podem estar voltadas para os sintomas individuais tais como palpitações ou uma impressão de desmaio, e frequentemente se associam com medo de morrer, perda do autocontrole ou sensação de estar ficando louco.

A fobia social não melhora sozinha e como alguns pacientes descobrem que o álcool controla os sintomas, passam a abusar das bebidas, para diminuir as sensações de desconforto, uma vez que enquanto durar o efeito do álcool a ansiedade é tolerada. Contudo, o consumo excessivo de álcool pode acelerar os sintomas ansiosos, estabelecendo um círculo vicioso de ansiedade e alcoolismo.

Os indivíduos com esse tipo de defesa, ao se afastarem de ambientes ou situações onde estão projetados os sentimentos e desejos excluídos do seu conceito de identidade, impedem que entre em contato com esses sentimentos e desejos(percepção), fugindo assim, dos próprios desejos projetados.

O tratamento da fobia social é simples e costuma ser eficaz. Apesar de ser um transtorno comum, os pacientes são muito relutantes em buscar tratamento especializado, o que acaba acontecendo muito tardiamente porque a maioria não acredita que possa haver cura. Os pacientes podem não ficar completamente recuperados, mas melhoram o suficiente para exercer suas atividades sociais e profissionais.

Dados mostram que a cada 3 casos de Fobia Social, 2 são pacientes do sexo masculino. Geralmente o início da idade adulta coincide com o início da fobia social, podendo contudo começar durante a adolescência ou até na infância.

A causa da Fobia Social parece ser devida à combinação de alterações genéticas e ambientais, portanto, a etiologia parece ter padrão genético-familiar associado a um papel familiar como modelo de resposta às situações sociais (a angústia social dos pais pode ser aprendida e exacerbada pelos filhos, tomando-se patológica). O ambiente influencia na medida em que os pacientes parecem copiar os modelos de medos de seus pais ou familiares mais próximos de modo acentuado.

CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO PARA TRANSTORNO FÓBICO SOCIAL segundo DSM.IV e CID.10

1-os sintomas psicológicos, comportamentais e autossômicos devem provir da ansiedade e não secundários a outros quadros mentais;
2-a ansiedade deve ser restrita e/ou predominar à situações sociais;
3-a evitação das situações fóbicas deve ser proeminente;
4-o comportamento de evitação interfere nas atividades sociais ou no relacionamento interpessoal;
5-a pessoa reconhece que seu medo é irracional e excessivo.

Os sintomas de ansiedade que surgem nessas situações costumam ser palpitações, tremores, sudorese, desconforto gastrintestinal, diarréia, tensão muscular, rubor facial, etc.

Apesar da Fobia Social ter começado a atrair atenção, em termos de diagnóstico e tratamento somente há pouco tempo, acredita-se que ela seja o transtorno de ansiedade mais comum atualmente.

Os estudos epidemiológicos identificaram 2 subtipos de Fobia Social:

1 -O discreto, específico ou não generalizado, o qual é o mais conhecido e usualmente restrito a poucas situações sociais, sendo a mais comum o medo de falar em público. A Fobia Social restrita à fala, ou condições mais reservadas, corresponde à classificação pela DSM-IV de Fobia Social não Generalizada.

2 -O outro subtipo é a Fobia Social Complexa ou Fobia Social Generalizada. Ao contrário da anterior, esta forma complexa é, habitualmente, mais incapacitante, familiar e de longa duração, é mais grave e corresponde à grande maioria dos pacientes tratados em clínicas especializadas.

O DSM-IV recomenda os seguintes critérios para o diagnóstico de Fobia Específica:

1Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica (por ex., voar, alturas, animais, tomar uma injeção, ver sangue).

2.A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação. Nota: Em crianças, a ansiedade pode ser expressa por choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento aderente.

3.O indivíduo reconhece que o medo é excessivo ou irracional. Nota: Em crianças, esta característica pode estar ausente.

4.A situação fóbica (ou situações) é evitada ou suportada com intensa ansiedade ou sofrimento.

5.A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação temida (ou situações) interfere significativamente na rotina normal do indivíduo, em seu funcionamento ocupacional (ou acadêmico) ou em atividades ou relacionamentos sociais, ou existe acentuado sofrimento acerca de ter a fobia.

6.Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração mínima é de 6 meses.

7.A ansiedade, os Ataques de Pânico ou a esquiva fóbica associados com o objeto ou situação específica não são mais bem explicados por outro transtorno mental, como Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., medo de sujeira em alguém com uma obsessão de contaminação), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., esquiva de estímulos associados a um estressor severo), Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., esquiva da escola), Fobia Social (por ex., esquiva de situações sociais em vista do medo do embaraço), Transtorno de Pânico Com Agorafobia ou Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico.

Especificar tipo:

Animal; Ambiente Natural (por ex., alturas, tempestades, água); Sangue-Injeção-Ferimentos; Situacional (por ex., aviões, elevadores, locais fechados); Outros (por ex., esquiva fóbica de situações que podem levar a asfixia, vômitos ou a contrair uma doença; em crianças, esquiva de sons altos ou personagens vestidos com trajes de fantasia).

Fonte: www.homemdemello.com.br

Fobia

O medo é um sentimento comum a todas as espécies animais e serve para proteger o indivíduo do perigo. Todos nós temos medo em algumas situações nas quais o perigo é iminente.

A fobia pode ser definida como um medo irracional, diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa. Com isto, essa situação ou esse objeto são evitados a todo custo. Essa evitação fóbica leva muito frequentemente a limitações importantes na vida cotidiana da pessoa. As fobias são acompanhadas de ansiedade importante e também frequentemente de depressão.

Os transtornos fóbico-ansiosos, constituem um grupo de doenças mentais onde a ansiedade é; ligada predominantemente a uma situação ou objeto.

Há três tipos principais de fobia:

1. Agorafobia

Inclui medo de espaços abertos, da presença de multidões, da dificuldade de escapar rapidamente para um local seguro (em geral a própria casa). A pessoa pode ter medo de sair de casa, de entrar em uma loja ou shopping, de lugares onde há; multidões, de viajar sozinho. Muitas pessoas referem um medo aterrorizante de se sentirem mal e serem abandonadas sem socorro em público. Muitas pessoas com agorafobia apresentam também o transtorno de pânico.

2. Fobia sociail

Neste caso a pessoa tem medo de se expor a outras pessoas que se encontram em grupos pequenos. Isto pode acontecer em reuniões, festas, restaurantes e outros locais. Muitas vezes elas são restritas a uma situação, como por exemplo, comer ou falar em publico, assinar um cheque na presença de outras pessoas ou encontrar-se com alguém do sexo oposto. Muitas pessoas apresentam também baixa auto-estima e medo de criticas. Usualmente a pessoa nessas situações apresenta rubor na face, tremores, náuseas. Em casos extremos pode isolar-se completamente do convívio social.

3. Fobias especificas (ou isoladas)

Como o próprio nome diz, são fobias restritas a uma situação ou objeto altamente específicos, tais como, animais inofensivos (zoofobia), altura (acrofobia), trovões e relâmpagos (astrofobia), voar, espaços fechados (claustrofobia), doenças (nosofobia), dentista, sangue, entre outros. A incapacitação da pessoa no dia a dia depende do tipo de fobia e de quão fácil é evitar a situação fóbica.

As fobias atingem cerca de 10% da população. Em geral surgem na infância ou adolescência, persistindo na idade adulta se não são tratadas adequadamente. Acometem mais frequentemente pessoas do sexo feminino (com exceção da fobia social, que atinge igualmente homens e mulheres).Depressão, uso de drogas e álcool podem ocorrer frequentemente associados aos transtornos fobico-ansiosos.

O tratamento das fobias se faz com a associação de medicamentos com psicoterapia. Os medicamentos mais utilizados pertencem ao grupo dos antidepressivos; os ansiolíticos também são frequentemente indicados. A psicoterapia auxilia na compreensão de fatores que podem agravar ou perpetuar os sintomas fóbicos.

Fonte: www.saudemental.net

Fobia

O sufixo fobia é o único elemento comum, e se origina do latim cientifico, phobia e se origina do grego, significando medo intenso, ou irracional, aversão instintiva, hostilidade ou uma reação mórbida no confronto de qualquer coisa.

Ocasiona um estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento, e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados As fobias são classificadas entre as neuroses de angústia, na teoria clássica das neuroses.

Uma fobia é uma espécie particular de medo. Essa palavra vem do grego phobia; esta, por sua vez, deriva-se da palavra grega phobos, também nome de uma divindade grega, significando "pânico, terror", que incutia medo aos inimigos; daí os guerreiros dispunham de sua efígie nas armas.

Esse deus provocava, segundo a lenda, medo intenso em seus inimigos, pois sua face era terrivelmente feia.

A fobia é um dos distúrbios psicológicos mais extensamente pesquisados. O caso mais famoso é o relatado por Freud sobre o pequeno Hans, e sua fobia por cavalos. Outro caso igualmente famoso é o do pequeno Albert. Neste caso, em 1920, Watson e Raynier estabelecem a aquisição do medo por animais num garoto de 34 meses de vida. Mais tarde, em 1924, Mary Cover Jones trata de um garoto, chamado Peter, que tinha medo de coelhos; ela fez a abordagem pelo uso de um método precursor da dessensibilização sistemática (Wolpe, 1976). Wolpe e Salter, citados por Wolpe (1976), dão grande impulso ao diagnóstico e tratamento dos distúrbios que podem ser evitados. O primeiro explicita as fobias específicas e o segundo trata da não inclusão que é típica dos casos de fobia generalizada ou social.

A fobia é vista como uma forma especial de medo; ela apresenta as seguintes caraterísticas: 1) desproporção entre a emoção e a situação que a provoca; 2) medo sem explicação razoável; 3) ausência de controle voluntário; 4) tendência à evitar essa situação.

A diferença entre a fobia e a ansiedade, segundo Falcone (1995), é basicamente quantitativa, isto é, depende de quanto tempo dura o episódio de ansiedade, do quanto de ansiedade a pessoa experimenta, da frequência em que esta ocorre, do nível em que o comportamento evitativo disfuncional é precipitado pela ansiedade e de como é a avaliação dada pela pessoa que está ansiosa.

Foram acrescidos no glossário verbetes de fobias que estão muito em voga nos dias de hoje, como por exemplo bulimifobia etc.

Alguns poderão pensar: Qual é a utilidade de um glossário de fobia? Nos respondemos: "É sempre bom se elucidar no assunto", porque como diz o ditado "quem conhece o mal o evita".

Procuramos apresentar a mesma fobia nas várias grafias que se apresentam

Fonte: www.psicologia.org.br

Fobia

Uma fobia é um medo persistente e irracional que resulta em evitamento consciente do objeto, atividade ou situação específica temidos.

O DSM-IV ( Diagnóstico e Manual Estatístico de Doenças Mentais ) relaciona à fobia social e à fobia específica além da agorafobia.

A fobia social é definida como sendo o medo de humilhação ou desconforto em locais públicos. As fobias sociais incluem o medo de falar em público, comer em restaurantes, realizar apresentações teatrais ou musicais em público, etc.

A fobia social difere da agorafobia pois, nesta última, os pacientes não ficam muito preocupados com a reação de outras pessoas ao seu comportamento.

A fobia social é menos comum que a fobia simples e afeta mais mulheres do que homens. Tende a aparecer na adolescência, mais frequentemente.

As fobias específicas são fobias restritas a situações ou objetos específicos, como certos animais, altura, trovão, escuridão, espaços fechados, visão de sangue, etc. Também as mulheres são mais afetadas.

Etiologia

Fatores Psicanalíticos

Freud levantou a hipótese de que a função primária da ansiedade é avisar o ego de que um impulso inconsciente proibido está exigindo expressão consciente, assim. alertando-o para fortalecer e posicionar suas defesas contra a força instintiva ameaçadora. Freud achava que o transtorno fóbico era consequência de conflitos centralizados em um complexo de Édipo mal resolvido, o poder do ego torna-se, então, suficiente apenas para manter o impulso fora da consciência imediata do indivíduo.

Os mecanismos de defesa utilizados pelos pacientes fóbicos incluem: o deslocamento, isto é, o conflito é deslocado da pessoa para um objeto ou situação aparentemente insignificante que passa a despertar a ansiedade de alerta da pessoa; e o evitamento, ou seja, a pessoa evita o objeto ou situação fóbica.

Atitude Contrafóbica

Otto Fenichel postulou que a ansiedade fóbica pode estar escondida por atitudes e padrões comportamentais que representam uma negação, isto é, a pessoa passa a confrontar e dominar o que teme. Os adeptos dos esportes perigosos, por exemplo, podem estar exibindo comportamento contrafóbico.

Fatores Comportamentais

Watson acredita que o estímulo - resposta do reflexo condicionado esteja implicado na gênese da fobia. Isso significa que a ansiedade é despertado por um estímulo naturalmente assustador que ocorre associado a um segundo estímulo neutro. Se esses dois estímulos ocorrem juntos por várias vezes, com o passar do tempo o estímulo neutro adquire por si só a capacidade de causar ansiedade.

Fatores Psicológicos

No caso de fobia social, os parentes em primeiro grau de indivíduos afetados estão cerca de três vezes mais propensos a serem afetados com fobia social do que os que não tem parentes com transtornos mentais.

As fobias específicas também tendem a ter incidência familiar. Estudos demonstram que 60 a 75% dos afetados têm, pelo menos, um parente em primeiro grau com uma fobia específica do mesmo tipo.

Características Clínicas

As fobias caracterizam-se pelo aparecimento de ansiedade severa quando o paciente é exposto a uma situação ou objeto fóbico específico. Surgem sintomas somáticos ( rubor, por exemplo ) e mentais. Dependência de álcool e drogas e transtorno depressivo maior podem ser aspectos associados agravantes dos transtornos fóbicos.

Diagnóstico

- Critérios diagnósticos para fobia específica:

A- Medo persistente revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica.

B- A exposição ao estímulo fóbico provoca reação imediata de ansiedade, podendo assumir a forma de um Ataque de Pânico.

C- O objeto ou a situação é evitada ou tolerada com intensa ansiedade.

D- A pessoa reconhece seu medo como excessivo ou irracional.

E- O medo interfere significativamente na rotina normal da pessoa.

F- A ansiedade não é melhor explicada por outro transtorno mental.

- Critérios diagnósticos para fobia social:

A- Medo persistente de uma ou mais situações nas quais a pessoa seja exposta a possível fiscalização pelos outros ou a pessoas estranhas. O indivíduo teme agir de modo humilhante e embaraçoso para si próprio.

B- A exposição à situação social temida quase que invariavelmente provoca ansiedade que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico.

C- A pessoa reconhece que o medo é excessivo e irracional .

D- As situações sociais temidas são evitadas ou suportadas com ansiedade e sofrimento.

E- Ocorre interferência significativa na rotina do indivíduo.

F- O temor não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral, nem é melhor explicado por outro transtorno mental.

Diagnóstico direncial

A fobia específica e a fobia social precisam ser difenciadas do medo apropriado e da timidez normal, respectivamente. O DSM- IV exige que os sintomas comprometam a capacidade de funcionar apropriadamente.

Deve ser feito o diagnóstico diferencial entre fobia e transtornos orgânicos (intoxicação como alucinógenos, tumores do SNC ) ou psiquiátricos ( esquizofrenia, depressão maior, transtorno obcessivo - compulsivo, transtorno da personalidade esquizóide).

Tratamento

Psicoterapia orientada para o Insight - Neste tipo de terapia, o terapêuta deve impelir os paciêntes fóbicos a explorarem a situação fóbica e a experimentarem a ansiedade e o insight resultante. Essa terapia possibilita que o paciênte compreenda a origem da fobia e o papel da resistência e o ajuda a desenvolver formas mais saudáveis para lidar com os estímulos ansiogênicos.

Fobia específica - O tratamento utilizado é a terapia de exposição. A técnica empregada é a dessensibilização sistemática. Nesse método, o paciênte é exposto a uma lista de estímulos geradores de ansiedade do menos para o mais assustador. O paciênte é estimulado a pensar repetidamente no problema até que a ansiedade diminua a níveis mínimos.

Fobia social- Utiliza-se tanto a psicoterapia quanto a farmacoterapia. Os inibidores da monoaminaoxidase ( IMAOs ) são particularmente efetivos no tratamento do tipo generalizado de fobia social.

A hipnose, a terapia de apoio e a terapia familiar podem ser úteis no tratamento dos transtornos fóbicos.

Fonte: www.infomed.hpg.ig.com.br

Fobia

As Concepções de Freud Sobre as Fobias

A mais antiga abordagem feita por Freud do problema das fobias foi seu primeiro artigo sobre as psiconeuroses de defesa (1894); tratou-o de modo um pouco mais completo, um ano depois, e voltou a aludir a ele no primeiro artigo sobre as neuroses de angústia (1895), escrito logo depois. Em todas essas discussões das fobias não é difícil detectar alguma incerteza; na verdade, em uma breve referência ulterior à questão, no segundo artigo sobre a neurose de angústia (1895), Freud qualifica de “obscuro” o mecanismo das fobias. No mais antigo desses artigos ele atribuiu o mesmo mecanismo à “maior parte das fobias e obsessões”, excetuando as “fobias puramente histéricas” e “o grupo de fobias típicas das quais um modelo é a agorafobia”. Essa última distinção ia provar-se crucial, pois implicava uma distinção entre fobias de base psíquica e fobias (as “típicas”) sem qualquer base psíquica.

O tema das fobias parece não ter sido discutido por Freud, durante aproximadamente 15 anos. Assim no caso clínico “O pequeno Hans” (1909), deu-se o primeiro passo em direção ao esclarecimento dessas obscuridades, pela introdução de uma nova entidade clínica – a “histeria de angústia”. Aí Freud observou que as fobias “devem ser consideradas apenas como síndromes que podem fazer parte de várias neuroses, e não precisamos classificá-la como um processo patológico independente”, e continuou propondo o nome “histeria de angústia” para aquele tipo particular de fobia cujo mecanismo parecia com o da histeria.

Foi nesse caso clínico e no posterior o “Homem dos Lobos” que Freud apresentou sua mais completa abordagem clínica das fobias – ocorrendo ambos, naturalmente, em crianças. Um pouco mais tarde, em seus artigos sobre “Repressão” e “O Inconsciente”, entrou em uma discussão detalhada da metapsicologia do mecanismo que produz as fobias, relacionado à histeria ou à neurose obsessiva. Permaneceu, entretanto, o problema das fobias “típicas” da neurose de angústia, o qual retrocede ao presente conjunto de artigos. Aqui, como vimos, toda a questão das “neuroses atuais” estava envolvida; e não foi inteiramente elucidada até pouco mais tarde, em “Inibições, Sintomas e Ansiedade” (1926), cujo núcleo é a reconsideração das fobias do “Pequeno Hans” e do “Homem dos Lobos”.

O Pequeno Hans

(Trechos retirados do texto de Freud “Inibições, Sintomas e Ansiedade”, no que toca à fobia)

Vamos começar estabelecendo a diferença entre uma inibição e um sintoma. Uma inibição não tem necessariamente uma implicação patológica, seria a restrição normal de uma função. Um sintoma denota a presença de algum processo patológico, é uma consequência do processo de repressão.

Freud foi procurado pelo pai de Hans porque seu filho, um menino de cinco anos, se recusava a sair de casa, alegando medo de ser mordido por um cavalo. A partir do relato do pai, Freud o orienta, o que resultou num dos casos mais famosos de Freud, ao qual ele deu o nome de “o pequeno Hans”.

O pequeno Hans se recusava a sair à rua (inibição) porque tinha medo de que um cavalo iria mordê-lo (sintoma).

Ele se encontrava na atitude edipiana ciumenta e hostil em relação ao pai, a quem, não obstante, amava ternamente. Um conflito: um amor e um ódio dirigidos à mesma pessoa. A fobia deve ter sido uma tentativa de solucionar este conflito. O impulso instintual que sofreu repressão foi um impulso hostil contra o pai.

Ele vira um cavalo cair e também vira um companheiro de brinquedo, com quem brincava de cavalo, cair e ferir-se. Teve um impulso pleno de desejo de que o pai devia cair e ferir-se. Ao ver alguém partir, desejo que o pai também partisse, não atrapalhasse sua relação com sua mãe. Esta intenção de desvencilhar-se do pai equivale ao impulso assassino do complexo de Édipo.

Se o pequeno Hans, estando apaixonado pela mãe, mostrara medo do pai, não podemos apenas dizer que tinha uma neurose ou uma fobia. O que a transformou em neurose foi apenas uma coisa – a substituição do pai por um cavalo. Tal deslocamento é possível na tenra idade de Hans porque as crianças ainda não reconhecem nem dão exagerada ênfase ao abismo que separa os seres humanos do mundo animal. O conflito é contornado por um dos impulsos conflitantes (ódio) que são dirigidos para outra pessoa (cavalo).

O pai costumava brincar de cavalo com ele, o que sem dúvida determinou a escolha de um cavalo como um animal causador da ansiedade. O impulso de agressividade contra o pai deu lugar a uma agressividade (sob a forma de vingança) por parte do pai (cavalo) com o paciente, insinuada no medo do pequeno Hans de ser mordido pelo cavalo.

Sua fobia eliminou os dois principais impulsos do complexo edipiano – sua agressividade para com o pai e seu excesso de afeição pela mãe.

O pequeno Hans desistiu de sua agressividade para com o pai temendo ser castrado. O medo de que um cavalo o mordesse pode receber o pleno sentido do temor de que um cavalo arrancasse fora com os dentes seus órgãos genitais – o órgão que o distinguiria de uma fêmea. A força motriz da repressão era o medo da castração. A idéia contida na ansiedade dele – a de ser mordido por um cavalo – era um substituto, por distorção, da idéia de ser castrado pelo pai. Esta foi a idéia que sofreu repressão. Foi a ansiedade que produziu a repressão.

A ansiedade sentida em fobias a animais é o medo de castração do ego; enquanto a ansiedade sentida na agorafobia parece ser seu medo de tentação sexual – um medo que, afinal de contas, deve estar vinculado em suas origens ao medo de castração. É sempre a atitude de ansiedade do ego que é a coisa primária e que põe em movimento a repressão. A ansiedade jamais surge da libido reprimida.

No caso de Hans, foi sua ternura pela mãe ou sua agressividade para com o pai que convocou a defesa pelo ego? Somente o sentimento de afeição pela mãe pode contar com um sentimento puramente erótico. O impulso agressivo flui principalmente do instinto destrutivo; sempre acreditamos que em uma neurose é contra as exigências da libido que o ego está se defendendo. Depois de sua fobia ter sido formada, sua terna ligação com sua mãe pareceu desaparecer, havendo sido totalmente eliminada pela repressão, enquanto a formação do sintoma (formação substitutiva: castração pelo pai – mordido pelo cavalo) ocorreu em relação aos seus impulsos agressivos.

Esta formação substitutiva apresenta duas vantagens óbvias: Primeiro, evita um conflito devido à ambivalência (amor e ódio) em relação ao pai; Segundo, permite ao ego deixar de gerar ansiedade, pois a ansiedade que pertence a uma fobia é condicional – ela só surge quando o objeto é percebido, somente então a situação de perigo se acha presente. Não se pode livrar-se de um pai, mas se ele for substituído por um animal, tudo o que se tem a fazer é livrar-se de sua presença a fim de ficar livre do perigo e da ansiedade. Pequeno Hans não saía de casa para não encontrar qualquer cavalo.

As fobias têm a natureza de uma projeção devido ao fato de que substituem um perigo interno instintual por outro externo e perceptual. A vantagem disso é que o indivíduo pode proteger-se contra um perigo externo, dele fugindo e evitando a percepção do mesmo, ao passo que é inútil fugir de perigos que surgem de dentro.

A ansiedade sentida nas fobias de animais e, portanto, uma reação afetiva por parte do ego ao perigo – o perigo da castração.

A fobia dos adultos apresenta, fundamentalmente, posição idêntica. O paciente agorafóbico impõe uma restrição a seu ego a fim de escapar de um certo perigo instintual – o perigo de ceder a seus desejos eróticos, pois se o fizesse, o perigo de ser castrado, ou algum perigo semelhante, mais uma vez seria evocado como se fosse em sua infância. Como exemplo: um jovem se tornou agorafóbico porque temia ceder às solicitações de prostitutas e delas contrair doenças como castigo.

A sintomatologia da agorafobia torna-se mais complicada pelo fato de que o ego não se limita a fazer uma renúncia. A fim de furtar-se à situação de perigo, faz mais: em geral efetua uma regressão à infância. Tal regressão torna-se agora uma condição cuja realização isenta o ego de fazer sua renúncia. Por exemplo, um paciente agorafóbico pode ser capaz de caminhar na rua contanto que esteja acompanhado, como uma criancinha, por alguém que ele conhece e em quem confia; ou pelo mesmo motivo, poderá ser capaz de sair sozinho, contanto que permaneça a uma certa distância de sua própria casa e não vá a lugares que não lhe sejam familiares ou onde as pessoas não o conheçam. A fobia de estar sozinho não é ambígua em seu significado, independentemente de qualquer repressão infantil: ela é, em última análise, um esforço para evitar a tentação de entregar-se à masturbação solitária. A regressão infantil naturalmente só pode ocorrer quando o indivíduo não é mais uma criança.

Uma fobia geralmente se estabelece após o primeiro ataque de ansiedade ter sido experimentado em circunstâncias específicas, tais como na rua, em um trem ou em solidão. A partir desse ponto, a ansiedade é mantida em interdição pela fobia, mas ressurge sempre que a condição não pode ser realizada. O mecanismo da fobia presta bons serviços como meio de defesa e tende a ser muito estável. Uma continuação da luta defensiva, sob a forma de uma luta contra o sintoma, ocorre com frequência, mas não invariavelmente.

Fonte: www.fobiasocialmaranhao.hpg.ig.com.br

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